FÓRUM POPULAR DA NATUREZA SERÁ REALIZADO ENTRE OS DIAS 1º A 10 DE JUNHO DE FORMA VIRTUAL

Mais uma vez, movimentos sociais, sindicatos, pesquisadores, artistas e ativistas se unem para juntos formarem o Fórum Popular da Natureza, que tem início na segunda-feira 1 e acontece até o dia 10 de junho. 

Durante estes dez dias, serão serão promovidas - de forma virtual, respeitando as recomendações do OMS (Organização Mundial da Saúde) para o enfrentamento da pandemia de coronavírus - oficinas, apresentações artísticas e mesas de debate sobre causas e efeitos da degradação ambiental, além do fortalecimento da resistência popular. Desde 2019, o Fórum Popular da Natureza conta com o apoio do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região. 

O Fórum Popular da Natureza lançará ainda carta manifesto com ações de continuidade do evento, pensado como um processo contínuo, através da articulação, reflexão e enfrentamento da sociedade civil às questões de destruição da natureza e das mudanças climáticas.

“A proposta do Fórum Popular da Natureza - que o Sindicato, na sua atuação cidadã, tem muito orgulho em participar e apoiar - é a construção de um espaço onde grupos e indivíduos ligados aos movimentos sociais e populares, organizações da sociedade civil, entidades sindicais e de classe, cientistas, ecologistas, pesquisadores, coletivos ambientais, mulheres, jovens, LGBTQ+, partidos políticos, comunidades religiosas e todos aqueles que forem comprometidos com a luta pela preservação dos direitos e com a interrupção da destruição planetária possam se unir para, juntos, construírem alternativas para o enfrentamento da degradação do meio-ambiente e, ao mesmo tempo, alternativas econômicas, sociais e culturais ao modelo produtivista. Participe do Fórum e ajude a pensar e construir um novo modelo de sociedade”, conclama o diretor do Sindicato Ernesto Izumi. 

“Na atual conjuntura política brasileira - no qual o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, promove uma política anti-ambiental e chega ao ponto de querer se aproveitar de uma pandemia para 'passar uma boiada' no ministério que está sob o seu comando,  a união destes diferentes movimentos no Fórum Popular da Natureza se torna ainda mais importante. Sob o governo Bolsonaro, as lutas pelos direitos dos trabalhadores e na defesa do meio-ambiente se aproximaram ainda mais, uma vez que ambas são alvos de ataques constantes da sua política de destruição. Juntos somos mais fortes e, como diz o lema de uma recente campanha nacional dos bancários, só a luta nos garante”, conclui Ernesto.
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COMISSÃO PASTORAL DA TERRA ACUSA EMPRESAS DE NÃO ADOTAREM MEDIDAS DE SEGURANÇA E PROTEÇÃO DE SAÚDE DOS TRABALHADORES NAS COMUNIDADES RURAIS

A Comissão Pastoral da Terra (CPT) de Juazeiro (BA), seguindo a sua missão de ser presença fraterna  junto aos povos do campo, vem a público denunciar e se solidarizar com a situação de trabalhadores e trabalhadoras do agronegócio e das linhas de transmissão de energia eólica, da região norte do estado da Bahia, que estão com suas vidas em risco diante da pandemia do novo coronavírus.

O Brasil é hoje o segundo país do mundo que tem mais casos confirmados da Covid-19, com mais de 28 mil mortes contabilizadas oficialmente. O coronavírus, que inicialmente atingiu as grandes metrópoles, já se espalha com rapidez pelo interior do país. As regiões Norte e Nordeste juntas, alcançaram, esta semana, a triste marca do maior número de diagnósticos e mortes pela Covid-19 no Brasil.

No Vale do São Francisco, o coronavírus já está presente nos pequenos municípios, de população compostas, em grande parte, por trabalhadores/as rurais, pescadores/as e povos de comunidades tradicionais de fundo de pasto e quilombolas. Percebemos que o avanço da Covid-19 no interior, se dá, principalmente, em locais em que os empreendimentos do capital continuam funcionando normalmente, na busca desenfreada pelo lucro, que passa por cima da garantia de nosso maior bem: a vida.

No município de Casa Nova (BA), o primeiro caso de coronavírus foi de um trabalhador rural do distrito de Santana do Sobrado, registrado no dia 19 de maio. Na última terça-feira (26), o número de pessoas infectadas pela Covid-19, que são trabalhadoras das fazendas do agronegócio de Santana, já havia subido para seis. Familiares desses trabalhadores/as rurais também contraíram a doença. Santana do Sobrado é um polo da fruticultura irrigada, que concentra cerca de 30 mil trabalhadores de diversos municípios do Vale do São Francisco. Os/as trabalhadores/as das fazendas estão mais expostos ao coronavírus, pois continuam presentes em locais de aglomeração, como os transportes de ida e volta ao trabalho e os refeitórios nas empresas. 

Em Pilão Arcado (BA), o povoado de Nova Holanda registrou 38 casos do coronavírus e uma morte provocada pela doença. Dos casos diagnosticados, 34 deles são de funcionários do Consórcio Linhão BAPI, obra de construção de linha de transmissão da energia eólica, executada pela Equatorial Transmissão, que atravessa comunidades rurais, entre elas tradicionais de fundo de pasto, dos municípios de Pilão Arcado e Campo Alegre de Lourdes. No último domingo (24), um operador de máquinas da empresa Andrade Gutierrez (integrante do Consórcio) que trabalhava em Nova Holanda morreu por Covid-19 em um hospital de Buritirama (BA). 

O descaso da construtora com os trabalhadores foi além da exposição ao contágio do vírus. As 34 pessoas testadas positivos para Covid-19 foram levadas para um galpão do canteiro de obras no povoado de Angico, em Campo Alegre de Lourdes, e não para um hospital ou local com infraestrutura de saúde adequada para tratamento da doença. A empresa tratou de forma desumana os seus trabalhadores e colocou em risco a vida da população de todas as comunidades do entorno.

A gravidade desses fatos exige providências urgentes das prefeituras, do Ministério Público Estadual, Ministério Público do Trabalho no sentido de obrigarem as empresas a adotarem medidas de segurança e proteção de saúde dos trabalhadores e trabalhadoras, bem como evitar a disseminação do vírus nas comunidades rurais situadas no entorno das citadas fazendas e na região onde está sendo instalada a rede de transmissão.

Comissão Pastoral da Terra de Juazeiro (BA), 30 de maio de 2020.
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"É IMPORTANTE RESSALTAR TEMOS ACOMPANHADO CASOS DE PESSOAS QUE NÃO APRESENTAM NENHUM FATOR DE RISCO. EM BOM ESTADO DE SAÚDE E CHEGARAM A TER COMPLICAÇÕES. NINGUÉM ESTÁ RESISTENTE AO VÍRUS", DIZ PROFESSOR

“É importante ressaltar que a gente tem acompanhado casos de pessoas que não apresentam nenhum fator de risco, estão em bom estado de saúde, mas chegaram a ter complicações, ir para a UTI e ainda, em alguns casos, chegaram a óbito. Ninguém está resistente ao vírus", diz 

Um estudo da Escola de Educação Física e Esporte de Ribeirão Preto (EEFERP) da USP mostra que manter a prática de atividades físicas se tornou ainda mais importante neste período de isolamento social provocado pela pandemia do novo coronavírus. Além de fortalecer o sistema imunológico, exercícios físicos fortalecem a saúde mental. 

A pesquisa, realizada em parceria com professores e universidades de países da América Latina e Europa, mostra que pessoas com estilo de vida mais saudável, que já realizavam atividades físicas antes da pandemia ou que aderiram à prática neste período, conseguem suportar melhor a ansiedade e o estresse provocados neste momento. 

“Nós temos uma indicação de que as pessoas que, antes da pandemia, eram ativas fisicamente têm apresentado respostas psicológicas mais leves em relação à ansiedade, estresse e estado de humor. E quem está realizando as atividades durante a pandemia também tem apresentado resultados melhores”, afirma o professor da EEFERP, Átila Alexandre Trapé, que participou do estudo. 

Mas os benefícios não estão só na parte imunológica e mental. Realizar atividades físicas durante este período pode evitar problemas de mobilidade no futuro, principalmente para aqueles que, agora, passam mais tempo sentados ou deitados. 

“A partir do momento que a pessoa está se movimentando menos, há um estímulo menor para o corpo, e isso pode acarretar uma perda de massa muscular e de massa óssea. Então, quem já tem algum tipo de problema, precisa ter ainda mais cuidado. E quem ainda não tem, é o momento de prevenir. As pessoas estão passando boa parte do dia deitadas ou sentadas, é importante fazer algum tipo de movimento”, explica. 

O professor ainda destaca que muitos profissionais de educação física estão disponibilizando aulas e treinos on-line para contribuir com quem quer realizar atividades físicas durante a pandemia. Mas alerta sobre alguns cuidados que se devem tomar. 

“Tem muitos profissionais de educação física promovendo treinos ao vivo, gravando vídeos e divulgando e isso é muito bacana; tem sido muito importante para as pessoas se manterem ativas dentro de casa. Mas é importante ter cuidado, respeitar os seus próprios limites. Se a pessoa não treinava, tem que começar com muita cautela, respeitando suas limitações, o seu nível de condicionamento físico. É preciso ter uma consciência muito boa, avaliar aquilo que tem condições de fazer e tentar se adaptar”, destaca. 

Mas algumas pessoas têm dificuldades em manter o ânimo e a motivação para fazer os treinos em casa. Segundo o professor, o primeiro passo para se motivar é “reconhecer a importância que as atividades físicas vão proporcionar para a própria saúde da pessoa”. Trapé aponta ainda que “é importante buscar atividades que ofereçam algum tipo de motivação”. 

Apesar de a prática de atividades físicas ter vários benefícios, isso não significa imunidade à doença. “É importante ressaltar que a gente tem acompanhado casos de pessoas que não apresentam nenhum fator de risco, estão em bom estado de saúde, mas chegaram a ter complicações, ir para a UTI e ainda, em alguns casos, chegaram a óbito. Então, ninguém está resistente ao vírus. Todos estão suscetíveis a se contaminar”, conclui o professor. (Fonte: Jornal USP)
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CAMPO GERAL É UM CAMINHO SEM VOLTA PARA O LEITOR DE GUIMARÃES ROSA

“Um certo Miguilim morava com sua mãe, seu pai e seus irmãos, longe, longe daqui, muito depois da Vereda-do-Frango-d'Água e de outras veredas sem nome ou pouco conhecidas, em ponto remoto, no Mutúm. No meio dos Campos Gerais, mas num covoão em trecho de matas, terra preta, pé de serra. Miguilim tinha oito anos.”

Campo Geral começa assim, no aconchego familiar. Guimarães Rosa vai guiando o leitor pelo cenário encantado das matas. E, se o leitor se deixar levar pelas descobertas de Miguilim, vai esquecer que a leitura não é apenas uma mera obrigação para o vestibular da Fuvest (Fundação Universitária para o Vestibular), que dá acesso aos cursos da USP, mas uma oportunidade para conhecer o melhor da literatura brasileira.

“O que mais recomendo para o leitor de Guimarães Rosa é atenção, como todos livros dele. Essa novela deve ser lida com todo cuidado, sem pressa e, junto ao entendimento, com a imaginação aberta”, orienta o professor Luiz Dagobert de Aguirra Roncari, da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP. “Por isso ela parece mágica. É que muitos sentidos outros, inesperados, se revelam com aqueles dados à primeira vista, como se abríssemos uma caixa de bolachas e ela nos trouxesse bombons e outras surpresas que satisfazem muito a nossa inteligência. É esse o milagre.”

O professor explica que, em Guimarães Rosa, cada palavra é pensada e tem a sua devida importância. “O autor usa as palavras e as explora em todas as suas possíveis conotações, étimos perdidos e outros possíveis ainda não explorados. Ele é um escritor culto e recusa a escrita fácil, aquela que pretende só passar um recado; para ele a escrita tem também que ser saboreada, como uma fruta. É um momento de gosto, reflexão e descobertas.”

Se o vestibulando sentir dificuldade na leitura do texto, o professor observa que é preciso deixar a escrita aparentemente obscura se revelar no seu tempo e com os caprichos que o autor lhe embutiu. “Quando a sua escrita parece obscura, se temos o cuidado de deixar que se nos revele no seu tempo e com todos os caprichos que o autor lhe embutiu, ela se torna uma coisa viva, que pode nos dar muita alegria intelectual e satisfação.”

A leitura de 'Campo Geral' nos permite apreciar nos seus liames mais cerrados os afetos e as agonias da família média brasileira, que procura imitar o modelo, com seus preconceitos e vícios, da nossa família patriarcal.”"

Importante lembrar que Campo Geral, segundo análise de Roncari, é a primeira das novelas incluídas em Corpo de Baile, um dos livros mais importantes de Guimarães Rosa e da literatura brasileira, daí justificar a sua leitura para o vestibular da Fuvest. “Na primeira edição, de 1956, em dois volumes, o autor as chamava ainda de poemas, e depois passou a considerá-las todas novelas. Cada uma delas, ao mesmo tempo em que tem a sua autonomia, pode ser lida separadamente e não depende das demais para o seu entendimento, compõe com as outras um todo com certa organicidade. 

Enquanto tal é que esse livro precisa ainda ser mais estudado, no seu todo. Existem muitos trabalhos sobre cada uma das estórias, mas ainda ficam muitas dúvidas sobre as suas articulações, do que temos só algumas pistas.”

Para integrar o estudante na literatura de Guimarães, o professor faz uma breve síntese de outras estórias. “É possível ver no livro um movimento que reproduz o ciclo de um dia, da manhã à noite. Campo Geral faria parte das estórias matinais, que teriam seu ápice com outras mais solares, como A Estória de Lélio e Lina, que seria o pico do meio-dia, e fecharia com a noturna, Buriti, a novela das noites eróticas entre Lalinha e Iô Liodoro, passando pelas crepusculares Lão-dalalão (Dão-lalalão) e Cara-de-Bronze. 

Os fios tênues que amarram o conjunto delas são algumas personagens de Campo Geral que voltam a aparecer em outras, como a principal delas, o menino Miguilim, que ressurge na última, Buriti, agora já adulto, como Miguel, para dar-lhe um final radioso, simbolizando o ressurgimento de uma família que havia se desagregado e traz a promessa de ressurreição.”

Na avaliação de Roncari, “a leitura de Campo Geral permite apreciar nos seus liames mais cerrados os afetos e as agonias da família média brasileira, que procura imitar o modelo, com seus preconceitos e vícios, da nossa família patriarcal”.

“O autor, falando de uma família particular, a de Miguilim, no ninho de afetos e rancores do Mutum, capta as ameaças e riscos que, de certa forma, ela vive na sua generalidade”, observa o professor.

 O narrador acompanha muito de perto o menino Miguilim, as suas dores, alegrias e descobertas do mundo.”

Campo Geral revela para o leitor muitas emoções sensíveis e intelectuais. “O narrador acompanha muito de perto o menino Miguilim, as suas dores, alegrias e descobertas do mundo. Por isso ela é também uma novela de formação, de um menino vivendo, sofrendo e descobrindo o mundo e os homens, mas também reagindo a eles”, esclarece Roncari.

Apesar da inocência, da ingenuidade, Miguilim não é passivo. “Por isso, o final da novela tem um sentido alegórico: quando o médico percebe que ele é míope e lhe empresta os seus óculos e o herói descobre um outro mundo, mais claro e definido do que tinha percebido até o momento, o vê agora nas suas verdades ou pelo menos que ele era muito diferente do que tinha visto. Significa que ele mudou, cresceu ou houve para ele um ganho na percepção do mundo. Esse esclarecimento da visão tem também o significado de que ele aprendeu, não apenas sofreu o mundo, mas deu um passo além no seu conhecimento do que viveu.”

Difícil resumir Campo Geral para uma rápida leitura. O leitor, como bem diz Roncari, terá que ser atencioso. “De uma literatura como a de Guimarães, por tudo o que já disse, é muito difícil de fazer uma síntese. Seria quase a sua negação, já que a sua verdade maior está mais, como ele próprio diz, na sua travessia, quer dizer, na passagem de cada uma das suas palavras, frases e acontecimentos, do que na chegada ao final. Este é quase nada sem passar por elas, o como é tão ou mais importante do que disse. Isso já é um lugar comum sobre a escrita do autor.”

“O sítio era um ninho de afetos e recalques familiares vivendo as suas ameaças: externas, simbolizadas pela selvageria dos macacos e antas; e internas, simbolizadas pelos porcos do Patori.”

Certo é que o leitor vai se deixar envolver pela imaginação infantil. “A estória é sobre uma família camponesa média, de pequenos arrendatários de terras, endividados, sendo eles próprios que trabalhavam com alguns ajudantes, no Mutum. Ele ficava na fronteira entre o conhecido e o desconhecido, tanto que os lugares próximos ainda não eram nem nominados”, conta o professor. “O sítio era um ninho de afetos e recalques familiares vivendo as suas ameaças: externas, simbolizadas pela selvageria dos macacos e antas; e internas, simbolizadas pelos porcos do Patori.

 Elas eram as possibilidades de traição, como as da mãe com o tio Terêz e o Luisaltino, e do incesto, como a inclinação de Miguilim, que dizia a si mesmo que ‘era ele quem ia se casar com a Drelina’, uma de suas irmãs. Era contra essas ameaças que a Vovó Izidra, na verdade uma tia-avó da mãe, uma espécie de portadora da ordem familiar patriarcal, como Hera, irmã de Zeus, praguejava e lutava. Ela temia que a mãe, Nhanina, seguisse os impulsos desorganizadores da sua mãe, Vó Benvinda, que tinha sido, como dizia um vaqueiro, ‘quando moça mulher-à-toa’.

 O curso da novela são os episódios vividos por Miguilim, das suas perdas, como a expulsão do lugar de tio Terêz, a da cachorrinha Pingo-de-ouro, a morte do irmão mais próximo, Dito, que ele ouvia muito, lhe ensinava coisas sábias sobre a vida e de quem ele gostava tanto, o assassinato de Luisaltino pelo pai e o seu suicídio.”

Segundo o professor, “tudo se passa a partir do ângulo de visão de Miguilim, que o narrador acompanha de muito perto, como pelas costas, mas todos têm também um significado extra, mítico-simbólico – tio Terêz, vó Izidra, Mãetina, Nhanina, Dito, o Patori, seo Aristeu –, acrescido pelo autor, que faz o narrador combiná-lo com as percepções agudas dos sentimentos do menino. Por isso, cada personagem tem um composto empírico, dado pela sua experiência com o herói, Miguilim, e um elemento simbólico, que só o autor com sua intervenção poderia acrescentar à exposição do narrador, aquele sujeito invisível que nos conta a estória”.

O professor afirma que “é importante o leitor saber distinguir o que é da experiência do herói, o menino no seu embate com o mundo e os homens, o que é do autor, senhor de um conhecimento que só um sujeito muito culto poderia ter e sutilmente acrescentar, e o que é do narrador, aquele que reúne os saberes dos mais diferentes campos, coisas do sertão e dos livros, e conta tudo para nós”.

Para os interessados em saber mais detalhes ou pesquisar a obra de Guimarães Rosa, há dois livros escritos pelo professor Luiz Roncari: O Brasil de Rosa: o Amor e o Poder e Lutas e Auroras: os Avessos do Grande Sertão: Veredas, ambos publicados pela Editora da Unesp.

O livro Campo Geral, de Guimarães Rosa, está em domínio público e pode ser baixado em pdf em vários endereços. Um deles é este: https://rl.art.br/arquivos/6338307.pdf (Fonte: Jornal USP Leila Kiyomura)
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BARBALHA: TRADICIONAL FESTA DE SANTO ANTÔNIO É TRANSMITIDA PELOS APLICATIVOS DIGITAIS

Luiz Gonzaga, o Rei do Baião, cantou que a Festa de Santo Antonio de Barbalha, Ceará, era um dos mais bonitos encontros de religiosidade. Este ano a festa não vai envolver a multidão. As sanfonas e as bandas de pife quase em silêncio.

De forma inédita, a SerTão TV transmitirá a Festa de Santo Antônio de Barbalha em 2020. A parceria foi firmada entre a Paróquia do município e a emissora. Serão 13 dias de celebrações transmitidas direto de Barbalha, no Cariri do Ceará, pelo canal 180, redes sociais, plataforma e aplicativos.

O público da região já acostumou-se com a alegria do momento de junho na companhia das celebrações ao Santo Antonio casamenteiro. Devido à pandemia, Barbalha e o Ceará esperam um momento de vivência com a festa online, o que será amplamente mostrado pelos canais digitais.

Em 2018, o Conselho Estadual de Preservação do Patrimônio Cultural do Ceará (Coepa) considerou a Festa do Pau da Bandeira de Santo Antônio de Barbalha como Patrimônio Cultural do Estado do Ceará. Já o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) reconheceu a festa como Patrimônio Imaterial Brasileiro.

Misto de cultura popular e fé católica, a Festa do Pau da Bandeira de Santo Antônio de Barbalha, município do Sul cearense, entrou desde 2015 para a lista das celebrações registradas como patrimônio imaterial brasileiro.

Os festejos de Santo Antônio remontam ao fim do século XVIII e se relacionam à própria origem da cidade de Barbalha, com a construção de uma capela em devoção ao santo. Atualmente, as celebrações duram 13 dias, terminando no dia 13 de junho, Dia de Santo Antônio.

A tradição do Pau da Bandeira começou em 1928. Trata-se do tronco de uma árvore previamente escolhida, simbolizando a promessa e a devoção ao santo casamenteiro. Os carregadores formam uma espécie de irmandade e centenas de homens se revezam para levar o pau sobre os ombros por cerca de 6 quilômetros até a frente da Igreja Matriz de Barbalha, onde é hasteado com a bandeira de Santo Antônio, numa demonstração de força e fé.
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VOLUME ÚTIL DA CAPACIDADE DE SOBRADINHO NESTE DOMINGO É DE 92,63%

O nível da capacidade do volume útil para este domingo 31, na Barragemd de Sobradinho é de 92,63%.A previsão para este domingo é de afluência (água que entra) de 1.460 m³/s, enquanto a defluência (água que sai) permanece em 1.400 m³/s.

Os pescadores da região do vale do São Francisco apontam o quanto o "homem domina a vazão do Rio São Francisco".  

A Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf) continua o acompanhamento das vazões e os níveis dos seus principais reservatórios. Neste sábado (29), a Companhia divulgou as previsões de cotas e vazões do Reservatório de Sobradinho (BA) para o período de 29 de maio a 13 de junho deste ano.

A barragem chegou a atingir 95% de sua capacidade útil, o nível alcançado pela primeira vez desde 2009, quando Sobradinho chegou a 100% de sua capacidade. A assessoria de imprensa da Chesf informa que " o cenário se dá por conta das chuvas, principalmente as ocorridas no estado de Minas Gerais, a partir da segunda quinzena de janeiro deste ano, que possibilitaram um aumento significativo do nível do reservatório, após oito anos de escassez hídrica.

A situação é de normalidade e bastante favorável com relação ao armazenamento de água em Sobradinho, que possibilitará o atendimento aos usos múltiplos, durante o próximo período seco, motivo de comemoração por parte de todos os usuários do Velho Chico.
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EX--PARCEIRA DE DOMINGUINHOS, A CANTORA E COMPOSITORA ANASTÁCIA COMPLETA 80 ANOS NESTE SÁBADO 30

Autora de quase mil músicas e regravada por artistas como Gal Costa, Gilberto Gil, Nana Caymmi e Luiz Gonzaga, que a apadrinhou, Anastácia compôs cerca de 250 canções com Dominguinhos, de quem foi esposa e parceira de toda uma vida. Da vida entre os dois, ela resgatou a inédita “Venceu A Solidão”, um bolero daqueles que pedem um trago de conhaque, que fecha o EP com Mariana Aydar e Mestrinho - que também dá o toque na sanfona - nos vocais.


“Já não consigo mais me encontrar/ Findou-se a calma, vou desesperar/ A solidão bateu mais uma vez/ E fez de mim seu lar”, diz o refrão. “Não
mostrei a ele em vida porque não houve oportunidade. Cantamos nós três como se fosse uma homenagem a Dominguinhos”, conta a aniversariante. Com o ex-companheiro, falecido em 2013, ela deu vida a clássicos do cancioneiro nacional, entre eles “Eu Só Quero Um Xodó”, cantada de norte a sul do país, e “Tenho Sede”, que ganhou linda versão de Gil. “Meu repertório com ele foi uma coisa maravilhosa para mim, para ele e para a música brasileira”, diz a compositora.

Aos 80 anos de vida e pouco mais de 60 de carreira na música, há de ser ter muitas histórias para contar. E quando se trata de resistir ao tempo para exaltar o cancioneiro nordestino e deixá-lo reluzente, o mérito da narrativa se torna ainda mais especial.

Ao menos para a cantora, compositora e forrozeira pernambucana Lucinete Ferreira, a Anastácia, como artisticamente é conhecida, essa tem sido a retórica de suas oito décadas de idade celebradas neste sábado (30), com comemorações abertas ontem no lançamento do EP “Anastácia 80 – Lado A”, compilação que reúne algumas de suas composições inéditas disponibilizadas nas plataformas digitais e apresentadas em duetos com artistas da Música Popular Brasileira.

“Tudo faz sentido, porque chegar aos 80 anos fazendo o que eu faço e com saúde, gostando e vivendo da música nordestina, levando alegria às pessoas. Eu não podia ter recebido presente melhor do que essa vida longa, embora espere mais e espero mesmo, viu?”, conta ela, em conversa com a Folha de Pernambuco e com empolgação de menina, provavelmente a mesma que a levou aos 14 anos de idade a escrever suas primeiras letras na música.

Foram minhas primeiras três músicas, ainda quando eu vivia no Recife. Naquele tempo não se tinha muita noção das coisas, aos 14 anos não é? Eu só sei que ria, me divertia quando via o que eu escrevia sendo musicado por outras pessoas”, relembra ela citando Clóvis Pereira, compositor e arranjador pernambucano, entre os nomes que levaram adiante seus escritos da época. 

Em “Anastácia 80 – Lado A” a artista pernambucana, que mora em SP há pelo menos seis décadas, o forró ganha os brios enraizados do Nordeste, sem polimento nem maquiagem.

Com Chico César, Jorge de Altinho, Roberta Miranda, Amelinha, Mestrinho e Mariana Aydar, Anastácia impõe suas vontades de cantar o amor sob a batuta da sanfona, gênero que a consagrou também junto ao Mestre Dominguinhos (1941-2013) com quem dividiu anos de vida e de palco, assinando com ele mais de duzentas composições - entre elas "Eú Só Quero um Xodó" e "Tenho Sede". 

“Tenho uma pastas cheias de coisas (letras), separei uma relação e submeti à minha produção que também achou interessante. Tem músicas mais antigas, outras mais recentes, mas todas perfeitas para o momento que eu pensei para o disco”, conta.

O álbum, dividido em duas partes – na sequência de “Anastácia 80 – Lado A” virá o “Anastácia 80 – Lado B” com outros nomes da MPB e como se fosse “um disco de antigamente, o LP, que a gente virava e ouvia faixas de um lado e de outro”, como explicou a artista – tem a produção do maranhense Zeca Baleiro que o tanto quanto a pernambucana conserva raízes e exalta regionalidades. 

“Forró faz parte da memória afetiva, né? Ouvia no rádio e nos discos de meus pais, Gonzaga, Genival, Jackson (...). Isso impregna na alma. Hoje tenho um projeto de forró em São Paulo (Forró do Safadinho), em que toco clássicos do gênero e também de minha lavra. E sempre recebo convidados", revela Baleiro à Folha. E Anastácia foi um dos nomes que já passou por lá.

Ele adianta, inclusive, que “em breve vem um disco autoral de forró por aí”. Enquanto não chega, é com Anastácia que Zeca Baleiro se emparelha na produção e em duas faixas do disco “O Sertão Está Chorando” e “Venha Logo”. 

“Sou grande fã de Anastácia desde sempre. A conheci em umas gravações do Gilberto Gil e depois fui conhecer seu trabalho solo e sua parceria histórica com Dominguinhos. Ela é danada, criativa, irrequieta, compõe o tempo todo, fácil, letra e melodia, é daquelas artistas essenciais, que abrem caminhos, uma grande referência para todos nós”, complementa ele que assina o álbum junto ao maestro Adriano Magoo, co-produtor do trabalho.

Para Zeca, é de grande valia conhecer e se aprofundar na obra de Anastácia, “artista fundamental para o forró e para a música brasileira”, como ele mesmo pontua ao colocá-la como “pioneira destemida” assim como Marinês e Almira Castilho, esta, parceira de outro mestre, Jackson do Pandeiro. “Elas que foram abrindo caminho para garotas no forró. Eu sou suspeito porque sou muito fã, mas acho Anastácia imensa, vamos celebrá-la - em vida, de preferência”, conclui Baleiro.

Além das faixas já citadas, “Anastácia 80 – Lado A” chega com as faixas “A Saudade me Trouxe Pelo Braço”, “Contando as Estrelas” e “ Venceu a Solidão”, esta última tratada pela artista pernambucana de forma especial. “A melodia é dele (Dominguinhos) e a letra é minha. Quando comecei a compor músicas com ele eu tinha que ficar de olho para não comprometer as suas melodias, feitas de uma forma que não tinha como a gente não gostar. 

Foram quase onze anos de convivência. Divido minha vida antes e depois dele”, ressalta Anastácia que retorna mais adiante com o seu “Lado B” ao lado de Alceu Valença, Lenine e Flávio José entre outros nomes. (Fonte: Folha Pernambuco-Germana Macambira)
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NOTA DE REPÚDIO: REITOR PRO TEMPORE CRIA RUPTURA NA UNIVASF

No dia 29 de maio de 2010, conselheiros da Univasf reagem a ruptura estabelecida pelo reitor pro tempore, professor Paulo Cesar Fagundes, fazendo circular nota de repúdio. Conforme publicado com ontem dia 29, o reitor pro tempore durante reunião com 67 conselheiros presentes,, de acordo com a nota, "proporcionou "um espetáculo dantesco, vergonhoso que se mostrou incompetente para conduzir uma reunião de praxe, abandonando-a sem explicações e justamente no ponto de pauta em que seria discutida a situação dos pró-reitores que tiveram os nomes rejeitados pelo Conselho Universitário e mantidos pelo Reitor temporário".

Confira na integra Nota Conselho Universitário da Unifasf:

Caros(as) colegas a universidade é um espaço público onde devem vicejar as reflexões, os conhecimentos e técnicas, em clima de normal aceitação das contradições, das diferentes visões de mundo, da liberdade de pensamento e de criação. Tem de ser, obrigatoriamente, lugar da convivência plural da sociedade pelas responsabilidades que a sua missão impõe para além das disputas de poder e acima dos interesses pessoais ou grupais. Portanto, é dever do seu dirigente respeitar as suas instâncias superiores e os sujeitos que as integram por direito, compreendendo a legitimidade de quem ali chegou por deliberação dos seus órgãos colegiados. 

O Conselho Universitário da UNIVASF reunido em sessão ordinária, no dia 29 de maio de 2020 e com 67 conselheiros presentes, vivenciou um espetáculo dantesco, vergonhoso de um Reitor Pró-Tempore que se mostrou incompetente para conduzir uma reunião de praxe, abandonando-a sem explicações e justamente no ponto de pauta em que seria discutida a situação dos pró-reitores que tiveram os nomes rejeitados pelo Conuni e mantidos pelo Reitor Pró-Tempore e proposta de nota de esclarecimento desse Conselho a ser divulgada no site da UNIVASF como direito de resposta a nota publicada pelo Reitor Temporário. Neste momento, ele deixou a sala de reuniões via conferência web da Rede Nacional de Pesquisa apenas dizendo que o expediente se encerrava às 18h e ele tinha outros compromissos, quando apenas um item da pauta tinha sido deliberado e a plenária manifestando-se positivamente para continuar o debate e deliberações, uma vez que havia quórum e um representante legal que poderia dar continuidade a reunião, o Vice Reitor, substituto natural em eventos como esse. Lamentavelmente, estamos no dizer de Eric Hobsbawm (2013, p. 9-10), vivendo na UNIVASF “Tempos Fraturados”, com a perda de rumo, uma instituição desgovernada, desorientada e com dias tenebrosos.  

A democracia e o respeito à vontade da comunidade que não elegeu essa gestão que aí chegou por imposição política, sem o voto dos atores que a constrói, estão com enormes fissuras. Essa gestão descomprometida e sem lastro democrático, desconhece o sentido público da universidade como instituição social, pretendendo anular o sujeito moral exigido pela cidadania consciente e participativa, para emergir o protecionismo, a troca de favores, o desrespeito aos Conselheiros da instância mais importante da universidade e o ódio, na tentativa de apagar o projeto civilizatório que foi construído nesses últimos anos.

Como partícipes da Educação Superior, os Conselheiros em suas diversas categorias entendem a universidade como campo de disputas de poder que envolvem ideias e lugares sociais distintos e frequentemente conflitantes, nos currículos dos cursos, nas estruturas de ensino, de pesquisa e de extensão, mas respeitando-se as regras e os instrumentos legais que regem a instituição. É da missão da UNIVASF enquanto instituição pública democrática, quando mergulhada nos encontros e desencontros do seu cotidiano, conduzir a sua política educacional com respeito às diferenças e as contradições vigentes na coletividade, assumindo suas responsabilidades na construção do bem comum.

Estamos reagindo a tamanho descalabro. Não ficaremos calados diante de tamanha afronta à Educação Pública e a toda a comunidade que a financia. 

Assinam esta carta os seguintes conselheiros do CONUNI:
Adelson Dias de Oliveira - CCISO
Alexandre Ramalho Silva - PROFMAT
Ângelo Augusto Silva Sampaio - PPGPSI
Bruno Abreu de Melo - representante discente titular
Bruno Cezar Silva - Rep Tec. ADM
Claudine Gonçalves de Oliveira- CECO
Cristiane de Queiroz Bezerra representante titular TAE
Daniel Pifano -CCBIO
Daniel Tenório da Silva- Titular Colegiado de Farmácia
Daniel Vieira de Sousa – CGEO
Denes Dantas Vieira- PPGExR
Fernando Augusto Kursancew - Representante Técnico-Administrativo
Flora Romanelli Assumpção – CARTES
Jàder Barrozo Carvalho - representante TAE
Jiovane dos Santos Gomes - Representante Discente titular
João Alves do Nascimento Júnior - Representante Docente.
Lucido Lopes de Alencar - Representante Técnico-Administrativo
Lucimary Araujo Campos – Representante Técnico-Adminsitrativo
Luis Alberto Valotta - Representante Docente Titular
Luzania Barreto Rodrigues - Titular Mestrado Profissional de Sociologia em Rede
Nacional
Marcia Bento Moreira PPGADT
Mariane Valesca de Menezes Lacerda - Representante Discente Titular
Mateus Alencar Ferreira - Representa vinte Discente Titular
Mayara Marques de Santana - Representante Discente Titular
Miguel Lino Spinelli Rabelo Neto - Rep. Téc Adm
Milton Pereira de Carvalho Filho - Representante TAE titular
Omar Dias Torres - Rep. do Público Externo
Patrícia Avello Nicola - PPGCSB
Rafael Torres de Souza Rodrigues- PPGCA
Rainer Miranda Brito -CANT
René Geraldo Cordeiro Silva Junior - Decano interino - Colegiado de Medicina
Veterinária
Sirius Oliveira Souza – CGEO
Thaís Pereira de Azevedo - CENAMB
Vanderlei Souza Carvalho – Presidente docente da SindUnivasf
Victória Maria Duarte Rangel Cunha - Representante Discente titular
Vivianni Marques Leite Dos Santos
Vladimir de Sales Nunes - Representante Discente
Wagner Carvalho Santiago – CCIVIL

Petrolina 29 de Maio de 2020. 


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CANTOR E COMPOSITOR EVALDO GOUVEIA MORRE AOS 91 ANOS EM FORTALEZA, CEARÁ

O compositor e trovador Evaldo Gouveia morreu na noite desta sexta-feira, 29 de maio, aos 91 anos.  O artista, que há alguns anos convivia com as consequências de um acidente vascular cerebral, foi contaminado pela Covid-19 e não resistiu às complicações. O cearense deixa um legado robusto e apaixonado.

Do menino de oito anos que cantava na radiadora da Praça da Estação de Iguatu ao trovador que conquistou o Brasil com palavras e melodias. Evaldo Gouveia de Oliveira nasceu em 8 de agosto de 1928 no município de Orós e desde cedo sentia que, eventualmente, conquistaria o País. “Eu ia pro pezinho do rádio e pegava a letra, o tom. Eu já nasci artista”, dividiu em entrevista às Páginas Azuis do Jornal O Povo, publicada em 16 de agosto de 2010. 

A partir de “Deixe que Ela se Vá” (1957), primeira composição de sua autoria, escreveu sentimentos e melodias intensas que reverberam até hoje no cancioneiro nacional popular e nos corações dos românticos. Entre elas, despontam “Tango de Teresa”, “Sentimental”, “Brigas”, “Bloco da Solidão e “O Trovador” - para citar somente algumas, pois entre as mais de mil composições acumulam-se sucessos.

A mudança de Iguatu para Fortaleza se deu mais para o fim da infância de Evaldo, lá para os 11 anos. Na Capital, participou de um concurso de calouros cantando “Caminhemos”, de Herivelto Martins, onde ganhou o prêmio principal. Era um prelúdio da atuação que viria alguns anos depois junto ao Trio Nagô, o começo da carreira profissional do artista. Seguiu no contato com a arte e, na certeza de que seria artista, acabou sendo contratado pela Ceará Rádio Clube, onde uniu-se a Mário Alves e Epaminondas de Souza para formar o conjunto. Foi a partir daí que alçou maiores voos e desbravou Rio de Janeiro e São Paulo. Acabaram contratados pela Rádio Nacional.

Até então, a face compositor de Evaldo Gouveia ainda não havia dado as caras. Mas em 1957, surgiu “Deixe que ela se vá”, escrita em parceria com Gilberto Ferraz. A canção chegou ao seu primeiro intérprete, Nelson Gonçalves, tendo o ator Mário Lago como ponte. Lembrando das primeiras composições, afirmou ao O POVO, sem modéstia: “É perfeição! Eu já vim derrubando os outros”. 

A modéstia não se fazia necessária, de fato. Era a realidade. Os frutos financeiros da gravação levaram Evaldo à União Brasileira de Compositores e foi lá que ele conheceu Jair Amorim, com quem travaria parceria artística e pessoal - cantada, principalmente, por Altemar Dutra: "Que Queres Tu de Mim", "Somos Iguais" e “Serenata da Chuva”, além das já citadas "Sentimental Demais", "Brigas", "O Trovador" e "Bloco da Solidão, entrou inúmeras outras”. Na avaliação de Evaldo, Altemar tinha uma voz que “se adaptava e ele cantava a dupla com amor”.

Além de Jair Amorim, outros parceiros de composições também se somaram à sensibilidade melódica de Evaldo. Entre eles, Fausto Nilo, com quem criou “Esquina do Brasil” e “Nada Mudou”. Além de Altemar Dutra, outros intérpretes de composições de Evaldo Gouveia foram, também, nomes que vão do clássico ao contemporâneo: Angela Maria, Jair Rodrigues, Anísio Silva, Maysa, Gal Costa, Elba Ramalho, Cauby Peixoto, Ney Matogrosso, Wilson Simonal, Fafá de Belém, Maria Bethânia, Zizi Possi, Emílio Santiago, Dalva de Oliveira, Agnaldo Timóteo, Jamelão, Ana Caroline, Simone. A lista é longa, não termina aí e é mais uma das provas da grandeza de Evaldo Gouveia, que pôs em palavras e melodias emoções cantadas até hoje pelo Brasil: “Romântico é sonhar / E eu sonho assim / Cantando estas canções / Prá quem ama igual a mim”.

Com 12 composições interpretadas na voz de artistas cearenses, Evaldo Gouveia ganhou homenagem em docudrama que condecora sua obra e carreira. Em noite especial para convidados, a nova temporada do projeto “Os Cearenses” teve lançamento em julho de 2019, durante evento no restaurante Cantinho do Frango. Produzido pela Fundação Demócrito Rocha com apoio do Governo do Ceará e da Assembleia Legislativa. (Fonte: O Povo) 
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SEGUNDA PARCELA DE VALE-ALIMENTAÇÃO PARA ALUNOS DA BAHIA SERÁ PAGA DIA 8 DE JUNHO, DIZ GOVERNADOR

Mais uma vez, os 800 mil alunos da rede estadual de ensino vão ter direito ao auxílio de R$ 55 do vale-alimentação. 

O governador Rui Costa fez o anúncio do pagamento de mais uma parcela do benefício estudantil durante uma transmissão nas redes sociais, no início da noite desta sexta-feira (29). 

Os estudantes poderão utilizar a quantia exclusivamente para comprar itens do gênero alimentício em qualquer mercado instalado na Bahia a partir do dia 8 de junho, quando o valor será depositado pelo Estado. 

Para pagar a nova parcela do benefício, o governo estadual investirá R$ 44 milhões, mesmo montante do primeiro pagamento feito aos estudantes, em 20 de abril, como destacou o governador. 

“Vamos concluir a entrega dos cartões já nessa próxima semana, para que o pagamento da segunda parcela seja feito direta e integralmente por meio do cartão. Portanto, quem ainda não recebeu o cartão deve entrar em contato com a escola o quanto antes já que não será possível ter acesso ao benefício indo diretamente aos mercados, como ocorreu no primeiro pagamento”, alertou. 

"Não vai ter mais credenciamento em supermercado. Vamos depositar no cartão que já está de posse dos alunos. Os que não pegaram [o cartão] ainda, ligam para a escola. É o segundo apoio aos jovens matriculados na rede estadual e, com isso, continuar ajudando", continuou o governador. (Fonte: Ascom Governo da Bahia)

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UNIVASF: REITOR PRO TEMPORE ABANDONA REUNIÃO, FECHA LINK E DEIXA CONSELHO UNIVERSITÁRIO INDIGNADO

O professor Paulo Cesar Fagundes Neves que exerce o cargo de reitor pro tempore (temporário) da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), através de uma Medida Provisória que trata sobre o processo de escolha de dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Ifes) no caso específico da Univasf, a designação de reitor pro tempore ocorre em virtude do pedido de suspensão da lista tríplice à Reitoria da Univasf, "aprontou mais um ato que deixou a comunidade acadêmica perplexa".

Durante reunião com o Conselho Universitário (Conuni), o reitor pro tempore "se retirou da sessão de transmissão, sem ao menos pedir licença". A ação foi considerada uma falta de respeito com os conselheiros que participavam da reunião. A saída abrupta, segundo informações, aconteceu logo após, a aprovação da pauta sobre a transmissão via TV Caatinga das reuniões. "O reitor pro tempore fechou o link, mesmo com a sala virtual com amplo quorum".

O argumento usado pelo reitor pro tempore é que "tinha um compromisso". O Conselho Universitário é considerado o órgão máximo deliberativo. O atual reitor pro tempore vem recebendo diversas críticas da comunidade também estudantil e funcionários, desde assumiu o cargo, motivada por ação judicial.

A ação foi movida por uma das chapas que concorreu aos cargos de reitor e vice-reitor para o mandato 2020-2024, na consulta informal junto à comunidade acadêmica e à lista tríplice, tendo o Conuni indicado à Reitoria o nome do professor Telio Leite, em primeiro lugar, e dos professores Ricardo Santana e Michelle Christini, em segundo e terceiro, respectivamente.

Recentemente em meio à crise pelo novo coronavírus e sob comando interino de um reitor pró tempore (temporário), o Coronel Heitor Bezerra Leite foi nomeado Gerente administrativo do Hospital Universitário (Univasf). 

A nomeação foi publicada no Diário Oficial do dia 18 de maio e assinada pelo presidente da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares, general  da reseva do Exército Oswaldo Ferreira.

Vinculada ao Ministério da Educação e Cultura, a Ebserh administra cerca 40 hospitais universitários. Oswaldo Ferreira comandou, ao lado de Augusto Heleno, atual ministro do Gabinete de Segurança Institucional, o bunker dos generais que montou o plano de campanha de Jair Bolsonaro. Chegou a ser convidado a ser ministro da Infraestrutura, mas não aceitou e teria indicado Tarcísio Freitas.

Heitor Leite (Coronel Leite) é ex-secretário de educação de Petrolina, ex-comandante do 72º Batalhão de Infantaria Motorizado do Exército, foi candidato a deputado estadual, pelo PP, mas deixou a legenda em novembro do ano passado, para ingressar no Aliança pelo Brasil, que luta contra o tempo para ser registrado.

Pelas redes sociais a nomeação recebeu críticas. "Univasf: Democracia e Resistência. Um espaço a serviço da luta por uma Univasf democrática e que resiste ao golpe e ao saque que atualmente está submetida. Militarização e ideologização das instituições. É curioso como nossa instituição tem analogias com o governo federal... o gestor e seu militar.... apesar do discurso dizer uma coisa.. a Univasf é intensamente ideologizada e se distancia das competências técnicas".

ENTENDA: 
O Ministério da Educação (MEC) publicou no Diário Oficial a portaria nº 384, de 9 de abril de 2020 que designa o professor Paulo Cesar Fagundes Neves para o cargo de reitor pro tempore da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf). O ato ampara-se na Medida Provisória nº 914/2019 que trata sobre o processo de escolha de dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Ifes).

No caso específico da Univasf, a designação de reitor pro tempore ocorre em virtude do pedido de suspensão da lista tríplice à Reitoria da Univasf, elaborada pelo Conselho Universitário (Conuni), em novembro passado, e que está sub judice por decisão liminar do Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF-5).

A liminar é motivada por ação judicial  movida por uma das chapas que concorreu aos cargos de reitor e vice-reitor para o mandato 2020-2024, na consulta informal junto à comunidade acadêmica e à lista tríplice, tendo o Conuni indicado à Reitoria o nome do professor Telio Leite, em primeiro lugar, e dos professores Ricardo Santana e Michelle Christini, em segundo e terceiro, respectivamente.

Em recurso apresentado por um dos citados no processo judicial em curso, o professor Telio Leite e reitor em exercício, afirma a regularidade da formação da lista tríplice elaborada pelo Conuni. Telio Leite foi vice-reitor da Univasf em dois mandatos, 2012-2016 e 2016-2020, na gestão de Julianeli Tolentino.


Uma vez que o processo sucessório definitivo ainda aguarda a definição da lista tríplice encaminhada ao MEC, o cargo de dirigente da Univasf passou a ser exercido pelo reitor pro tempore professor Paulo Cesar Fagundes Neves.


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CANTOR GENIVAL LACERDA RECEBE ALTA E DEIXA HOSPITAL APÓS SOFRER ACIDENTE VASCULAR ENCEFÁLICO

Internado no Hospital de Ávila, no Recife, desde o dia 25 de maio, quando sofreu um  acidente vascular encefálico (AVE) do tipo isquêmico (clique aqui), Genival Lacerda recebeu alta hospitalar nesta sexta-feira (29).

De acordo com o boletim médico, o músico “evoluiu durante todo este internamento com estabilidade clínica e neurológica” e deixa a unidade de saúde “consciente, orientado, mobilizando os 4 membros simetricamente”. 

A recomendação é que ele mantenha o tratamento com uso regular das medicações prescritas e siga controlando fatores de risco associados, como hipertensão arterial e diabetes melitus. O médico orienta ainda que Genival Lacerda dê seguimento ao tratamento ambulatorial, “principalmente com a cardiologia e neurologia”. 

Genival Lacerda, cuja característica é bom o bom humor foi durante a fase de internamento assediado por fãs que trabalham no hospital D’Ávila, no bairro da Madalena, no Recife.

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ESTUDO MOSTRA QUE PRECONCEITOS INTERFERE NA PERCEPÇÃO DO MIGRANTE NORDESTINO

Pesquisa realizada pela Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH) da USP mostra que a palavra “nordestino” está impregnada de preconceito e de construções sociais que levam alguns brasileiros de outros Estados a enxergarem os migrantes do Nordeste como “seres inferiores” – crença totalmente infundada e que remete aos piores episódios de perseguição da história, tendo por base a ideologia eugenista de que supostamente a biologia poderia selecionar os “melhores” membros da raça humana.

Expressões como “cabeça chata”, designação para má aparência; “baiano” ou “paraíba”, indicativos de que alguém fez algo errado; e “mulher macho”, para mulheres paraibanas ou nordestinas, que seriam desprovidas de uma idealizada “feminilidade”, são algumas das condenáveis alcunhas que lhes atribuem valor negativo nas metrópoles do Sul e Sudeste. A pesquisa propõe uma reflexão sobre o assunto e a desconstrução dessa percepção generalista do migrante do Nordeste, fato que dificulta ainda mais a vida desse povo que muitas vezes deixou sua terra em busca de uma vida melhor.

“As migrações não devem ser estudadas apenas de um ponto de vista ou por uma via homogeneizadora porque os fluxos migratórios são sempre complexos, heterogêneos e diversos”, afirma ao Jornal da USP a pesquisadora Valéria B. Magalhães, coordenadora do Grupo de Estudo e Pesquisa em História Oral e Memória da EACH e autora de um levantamento feito a partir de pesquisas  sobre o tema, com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). No levantamento, Valéria priorizou pesquisas feitas com entrevistas em profundidade, em especial as de história oral, método que vem estudando há vários anos. Segunda a pesquisadora, as entrevistas de história oral ajudam a detectar com mais precisão a complexa realidade social dos migrantes.

Segundo a pesquisadora, visões generalistas colocam no mesmo grupo dos “aqueles nordestinos”, de maneira pejorativa, todos que vieram do Piauí, Maranhão, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Alagoas, Sergipe e Bahia. Quando o fato é que “cada um desses povos traz consigo a história e a cultura peculiar de sua região”, diz.

Valéria afirma que o preconceito não acontece somente nas relações sociais do local de destino dos migrantes e dos encontros cotidianos privados, mas é reforçado por declarações ofensivas e xenofóbicas de alguns políticos que acabam por legitimar atitudes de preconceito. 

A pesquisadora lembra da visita que o presidente Jair Bolsonaro fez à Bahia, em 2019, para inauguração de uma usina em Sobradinho. Em vídeo gravado junto com um deputado o presidente justifica o aumento de sua frequência de suas viagens à Bahia: “Segunda vez que vem à Bahia, várias vezes já no Nordeste, cê tá virando um cabra da peste?”, pergunta o deputado no vídeo. “Só tá faltando crescer um pouquinho minha cabeça”, responde Bolsonaro, rindo. 

A frase se refere ao estereótipo de que o nordestino tem a “cabeça grande e chata”. Para a pesquisadora, o fato de as declarações virem do presidente só piora a situação porque ele acaba legitimando e estimulando comportamentos xenófobos da sociedade mais ampla.

Saindo da esfera pública para a privada, o estereótipo construído em torno do migrante dessas regiões brasileiras é o de um ser humano inferior, ignorante, feio e sem capacidade de exercer atividades laborais intelectualizadas. Nas grandes cidades, sobram para eles os trabalhos informais, os serviços domésticos, a fábrica e a construção civil. Segundo a pesquisadora, o preconceito pode ser percebido em todo lugar, mas foi nos bairros da Zona Leste paulistana que o estudo se debruçou e trouxe mais detalhes sobre o assunto.(Fonte: Jornal da USP Por Ivanir Ferreira)

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PROFESSORES DO CETEP SERTÃO DO SÃO FRANCISCO E ALUNOS INTERAGEM EM AULAS VIRTUAIS DURANTE PERÍODO DA PANDEMIA

Alunos da rede pública de todo o Brasil vivem a sensação de que 2020 será um ano perdido em suas trajetórias escolares. 

As aulas na Bahia estão suspensas por decreto do Governo do Estado e serão repostas, a partir da elaboração de um novo calendário escolar. A medida visa o isolamento social para conter a disseminação do novo Coronavírus no Estado. Desde o mês de abril uma portaria publicada pelo governo federal retirou a obrigatoriedade de dias letivos, mas manteve as horas mínimas em 2020.

Professores e estudantes relatam o drama da falta de estrutura necessárias para oferecer o conteúdo remoto. Quando não estão totalmente sem conexão, alunos e mestres recorrem ao improviso de aulas via redes sociais, por exemplo.

Em Juazeiro, Bahia, os professores do Centro Territorial de Educação do Sertão do São Francisco (CETEP) dão uma amostra da força de vontade e compromisso com o ensino e educação. Os coordenadores pedagógicos orientam e incentivam os professores a utilizarem as ferramentas virtuais e aplicativos que tem permitido a comunicação com os alunos.

Os professores tem contato com os alunos por diversos meios possíveis no momento e mantem as orientações necessárias e incentivo para o aprendizado.

A coordenação pedagógica do CETEP é formada pelas professoras Neila Cristina Ramos e Rosineide Carvalho. Neila, avalia que o processo não é fácil mas o vínculo, a rotina dos alunos tem sido mantidos. "Nossos recursos são escassos. Mas temos realizado um serviço e o professor dentro de suas habilidades tem buscado criar meios do contato virtual com alunos. Desse modo alguns professores tem realizado até videoconferências", disse Neila.

Um exemplo é a turma do curso Técnico em Agroecologia. O professor Luan Vitor Pereira, engenheiro agrônomo e mestrando em engenharia agrícola na Universidade Federal do Vale do São Francisco, é um dos que já enviou material da disciplina em Introdução a Agroecologia e Permacultura no WhatsApp para a turma de introdução a agroecologia e permacultura. Uma das salas de aulas criadas foi através do google.

Outro exemplo é da professora, também engenheira agrônoma, Janine Sousa Cruz, pós-graduanda que tem dialogado com os alunos através dos meios digitais.  "Tudo é muito novo e precisamos neste momento nos reinventar".

A professora Itala Gomes, formada em engenharia agronômica e mestrado na área de horticultura irrigada, avalia que é um desafio necessário. Já são dois meses sem aulas presenciais  e agora é a hora dos alunos rever todo o conteúdo já trabalhado e continuar  com o hábito da leitura focando sempre os estudos e conhecimentos", disse Itala.

Apesar do retrato da desigualdade na educação pública do Brasil durante a pandemia de Covid-19 ser desanimador, o exemplo é positivo.  Muitos alunos em contato com a reportagem do BLOG NEY VITAL, relatam que é uma questão de alfabetização digital. E que eles também muitas vezes não têm internet nem computador para estudar a distância. "É um exemplo válido e também a constatação de um alto grau de envolvimento. Os gestores e professores estão na luta, literalmente. Trabalhando muito e com muita pressão. Infelizmente muitos alunos não tem acesso a internet e daí surgem as dificuldades", diz a estudante Maria Raimunda Soares Silva. 


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ORQUESTRA CRIANÇA CIDADÃ É RECONHECIDA COMO PATRIMÔNIO IMATERIAL E REALIZA LIVE

Uma sessão virtual da Assembleia Legislativa de Pernambuco no ínicio deste mês aprovou, por unanimidade, um projeto para o governo estadual conceder o registro de Patrimônio Cultural Imaterial do Estado de Pernambuco à Orquestra Criança Cidadã. Desde 2006, a orquestra contribui para a formação musical, artística e cultural de crianças e jovens em situação de vulnerabilidade social no estado. O projeto é coordenado pela Associação Beneficente Criança Cidadã (ABCC) e atualmente atende 405 jovens divididos nos núcleos do Coque, no Recife, de Ipojuca e Igarassu.

"A outorga representa muito para a orquestra, é mais um conhecimento que recebemos. Transmite ânimo, força e vigor para todos os que trabalham nesse projeto”, agradeceu o juiz João Targino, idealizador da OCC, em entrevista por telefone. 

A data da cerimônia de oficialização do registro ainda será marcada. Como forma também de celebrar a conquista, o grupo promove um recital online nesta quarta-feira (27), às 20h, no Instagram (@criancacidada). A apresentação será com os professores Robson Gomes (trompa), Cláudia Pinto (clarinete), Eneyda Rodrigues (flauta transversal) e Érico Veríssimo (trompete). O repertório incluirá composições nacionais e internacionais.

Em 14 anos, a orquestra recebeu mais de 30 prêmios, chegando a ser mencionada pela Organização das Nações Unidas como uma boa prática de inclusão social em 2010. O dia 31 de outubro de 2014 foi um marco para a entidade e 43 músicos do grupo. Na Sala Clementina, no Vaticano, eles se apresentaram para o Papa Francisco. O concerto fez parte da 16ª Conferência Internacional da Fraternidade Católica.

Há cinco anos, a OCC se tornou a primeira escola de música das Américas e a segunda do mundo a fazer parte do Programa de Escolas Associadas da Unesco. “Enfrentamos diversas dificuldades, mas temos imensos motivos para estarmos felizes, visto que conseguimos transformar a vida dos jovens que já passaram pelo projeto. Apesar de todos os eméritos, o troféu diário é a transformação”, diz Targino.

Mesmo com as conquistas, Targino está preocupado com a situação financeira do projeto devido à profunda crise econômica que o país enfrenta com a pandemia. De acordo com ele, a orquestra tem recursos para sobreviver até novembro.

“A maior parte da nossa receita vem através da Lei de Incentivo à Cultura, que está diretamente ligada com o lucro real das empresas. Não sabemos até quando a pandemia vai durar e, diante do cenário, creio que pouquíssimas empresas nesse país darão o lucro real no final do ano após os balanços. Se não existe lucro real, não existe destinação à Lei Rouanet. É um cenário muito preocupante para a instituição, assim como é para as empresas.”

No repertório da live de hoje da orquestra, três músicas brasileiras integram a parte reservada ao clarinete: Melodia (de Osvaldo Lacerda), Aboio ao sol (Laila Campelo) e Brincando com o clarinete (Lourival Oliveira). Na trompa, serão executados solos do segundo movimento da Sinfonia nº 5, de Tchaikovsky, e do primeiro movimento do Concerto nº 3 para trompa e orquestra, de Mozart. 

Na flauta transversal, os espectadores vão apreciar Syrinx, de Claude Debussy, e, no trompete, uma parte solo do Concerto para trompete e orquestra, de Johann Nepomuk Hummel. 

“Além de o projeto sempre divulgar as ações e os resultados dos alunos e suas apresentações, também é muito importante mostrar os professores, quem são e o que tocam. Afinal, por trás do aluno, há o professor, e isso precisa ser compartilhado”, diz Robson Gomes, professor de trompa.
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PAPA FRANCISCO: UM BRANDO PELA NOSSA IRMÃ, A MÃE TERRA

Em nossos dias quando se fala de ecologia e de cuidado como meio ambiente a figura de São Francisco é sempre lembrada e acenada. Mas é sempre bom ressaltar que a ação ecológica que se inspira no Irmão de Assis precisa ir além de atividades pontuais como reciclar materiais, plantar árvores e flores, bem como lutar pela preservação de determinadas espécies ameaçadas.  É preciso mudar o jeito de viver e con-viver, de olhar e de se relacionar. 

Urge denunciar um modelo econômico e social que privilegia poucos em detrimento de graves impactos sociais e ecológicos. A revolucionária Encíclica Laudato Si’, do Papa Francisco, que nestes dias completou cinco anos, acolhe e recolhe as intuições do Pobrezinho e as grandes inquietações dos homens e mulheres do nosso tempo e desta Casa Comum, acenando que tudo está interligado e que as grandes questões sociais estão profundamente relacionadas às interpelações ecológicas. Uma ecologia integral, que exige um processo comum de conversão de mentalidade e de ações cotidianas.

A partir de sua profunda e original experiência da paternidade de Deus e de uma vivência surpreendente e inaudita da dimensão horizontal dessa fé, Francisco não se colocava acima das outras obras da Criação, mas ao lado delas, consciente de que este planeta é a grande Casa que o Pai terno e amoroso preparou para todos. Compreendia que somos todos irmãos e irmãs nesta casa comum e o ser humano é chamado a ser o lugar-tenente de Deus no seu cuidado e preservação. Dominar não é antropocentricamente subjugar todos os seres ao bel-prazer de interesses e ambições des-medidos, mas manter a casa (domus) habitável e acolhedora.

Se o Cântico das Criaturas, composto por Francisco já cego dos olhos e na proximidade da Irmã Morte Corporal, expressa de forma estupenda essa reconciliação e interação com a natureza, os primeiros biógrafos do Santo atestam como Francisco em todas as criaturas reconhecia as marcas indeléveis do Criador e se confraternizava com todas elas, sem desejo de posse e sem atitude depredatória. 

O Irmão Universal, que acolhe e reverencia indistintamente a todos, é também o irmão cósmico, que não se define pelo que o diferencia das demais obras geradas pelo Artista Divino, mas pelo que com elas possui em comum, numa grande con-fraternização. Boaventura de Bagnoreggio, um dos seus primeiros biógrafos, chega a afirmar que Francisco reconhecia nas coisas belas o Belo por excelência, a fonte e origem de tudo o que existe nesse espaço vital que é a Terra. Os elementos da natureza tornam-se memória ex-plícita do seu Autor e daí sua contemplação e reverência como possibilidade de comunhão e celebração com Ele.

Essa compreensão franciscana repercutiu fortemente em Giotto (1266-1337), iniciador da linguagem artística ocidental, precursor do Renascimento e bastante ligado aos frades menores de Florença. O primeiro grande ciclo giottesco é justamente o de Assis (Basílica de São Francisco) e nestes afrescos é evidente a conclusão de que o pintor bebeu nas fontes do Poverello e de seus sequazes a percepção absolutamente realista do sagrado e positiva da realidade circundante. 

Rompendo o rigor do dourado bizantino, a Criação (céu esplendidamente azul, cascatas, árvores, montanhas da verde e bela Úmbria, etc) passa a ser compreendida como caminho, e não obstáculo para se adentrar no Mistério. Beleza e verdade, sem dualismos, pois tudo o que provém da Fonte da Vida é epifânico e diáfano (manifestação) de sua Bondade e presença.

Com o Francisco de Roma em sua inovadora Laudato Si’, é oportuno olhar para Francisco de Assis neste tempo de aquecimento global, exclusão social gritante  e outros tantos efeitos do des-cuidado humano com a Mãe-Terra, Casa Comum. Deixemo-nos impactar pelo seu atualíssimo testemunho para sermos, também nós, profetas da vida e defensores da criação, num modo radicalmente novo de viver e con-viver com os irmãos e irmãs que partilham conosco esse habitat comum ainda tão belo e encantador.

+ Beto Breis, ofm-Bispo de Juazeiro, Bahia
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