BODOCÓ PALAVRA QUE REVELA NOVOS MUNDOS NO PANDEIRO DE MANU, POESIA DE FLÁVIO LEANDRO, MIGUEL FILHO E JURANDY DA FEIRA

Cada arte emociona o ser humano de maneira diferente! Literatura, pintura e escultura nos prendem por um viés racional, já a música nos fisga pelo lado emocional. Ao ouvir música penetramos no mundo das emoções, viajamos sem fronteiras. 

Fui a Bodocó, o homem que pesquisa é um lutador. Desbravador. Deve vestir a roupa do destemor e despir os pés para adentrar os caminhos, sentindo o chão que pisa...há anos eu precisava sentir a poeira dos caminhos de Bodocó. 

Bodocó. Desde menino a palavra Bodocó zumbe nos meus ouvidos. Na cidade, o sentimento invadia meus pensamentos, alma de menino cantador/jornalista: "Nas quebradas caem as folhas fazendo a decoração. Chora o vento quando passa nas galhas do aveloz. Chora o sapo sem lagoa todos em uma só voz. Chora toda a natureza na esperança, na incerteza de Jesus olhar pra nós...Nos cafundó de Bodocó, de Bodocó, de Bodocó. Nos cafundó de Bodocó, de Bodocó, de Bodocó"... 

Na companhia do amigo Flávio Leandro/Cissa/Emanuel, Jurandy da Feira, Miguel Alves Filho, Franci/Dorinha, no Rancho Febo, tive a felicidade de apreciar a sonoridade da palavra Bodocó.

A cidade é mencionada na canção "Coroné Antônio Bento", que integra o primeiro LP de Tim Maia, de 1970. A música conta a história do casamento da filha de um "coronel", que dispensa o sanfoneiro e chama um músico do Rio de Janeiro para animar a festa. A canção é de autoria de Luis Wanderley e João do Vale.

A cidade também consta na música Pau de Arara (Guio de Moraes)..."Quando eu vim do sertão, seu moço, do meu Bodocó, a malota era um saco e o cadeado era um nó, só trazia a coragem e a cara, viajando num pau de arara, eu penei, mas aqui cheguei"

E uma das mais belas ja citadas aqui: Nos Cafundó de Bodocó, de Jurandy da Feira. "Nas caatingas do meu chão se esconde a sorte cega/Não se vê e nem se pega por acaso ou precisão/ Mas eu sei que ela existe pois foi velha companheira do famoso Lampião".

Também ouvi atentamente o relato de Flávio Leandro quando mostrava uma análise, diálogo/pesquisa, a gênese de nossas raízes. Flávio aproxima nossos ancestrais ao termo, a cultura árabe. Lembrei que Elomar, em sua cantiga O Violeiro, canta “Deus fez os homens e os bichos tudo fôrro...”. De forria para fôrro, de fôrro para forró, celebração da liberdade, da quebra do jugo e dos grilhões. 

Miguel Filho me levou a caminhar na história de Bodocó. Pedra Claranã. Capela São Vicente de Paulo e histórias que envolvem Bodocó e a família de Luiz Gonzaga.

Miguel Filho é o típico sertanejo. Humildade franciscana. Compositor da safra das palavras de qualidade.  Miguel é compositor parceiro de Flávio Leandro, nas músicas Utopia Sertaneja, uma das mais belas da literatura brasileira; e de Fuxico. Miguel tem músicas gravadas também com o Quinteto Violado, Pedras de Atiradeira e Experiências.

E assim a sonoridade Bodocó ganhou ainda mais beleza e sentido. Compreendi que existem palavras que são portas/janelas servem para revelar mundos e situações. Bodocó és encantamento de um janeiro de 2018. 
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FLÁVIO LEANDRO E JURANDY DA FEIRA DE MALA E CUIA NOS CAFUNDÓS DOS BODOCÓS GONZAGUEANOS

O café/almoço nesta manhã foi com Jurandy da feira, compositor e cantor, poeta iluminado nas raízes que brotam nas correntezas da grandeza da música brasileira. O paraibano Vital Farias, luz das cantorias, aponta que Jurandy é grande cantador das coisas que o povo inventa e por isso defende essa história de cantar e compor. Luiz Gonzaga nunca apostou num cabra que desafinasse no coro dos grandes músicos/artistas brasileiros.

"Hoje a saudade bateu forte no meu coração ao ouvir o nosso velho Lua, a triste partida chorei de emoção onde parar a asa branca, assun preto não se vê a natureza indefesa sente sua falta e proteção...Luiz tá melodia. Tá na cantoria desse meu sertão"...

Jurandy chega hoje a Bodocó. Uma visita. Um abraço. Certamente mais uma emoção. Flávio Leandro, sempre amigo, companheiro, abrirá as portas mais gonzagueanas. Uma Sanfona  e violão. Uma orquestra de encantamentos musicais e um Luiz Gonzaga mestre das cantorias chamará Dominguinhos e em Luz na esperança dirá:

Deus Ilumine estes meninos...Poetas! Assim Seja! Amém...

Flávio Leandro, poeta cantador, sabedoria de Luz que ilumina as coisas simples em transformadora maneira de fazer pensar e por isto educa e quem o escuta aprende e é tatuado feito mandacaru florando em tempo de chuva...De Mala e Cuia Flávio Leandro e Jurandy da Feira dois brasileiros gonzagueanos.
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CARTA DE MÃE QUARENTONA PARA UMA FILHA DEBUDANTE

"Filha, hoje, você debuta e eu te deixo agora alguns conselhos que me daria, se pudesse, quando fiz quinze anos:
1- Não te iluda com maquiagens, roupas, regimes ou exercícios de musculação. Nenhum deles te fará quem és , mas o silêncios que guardas dentro de ti. Lembra, os lírios são belos em sua simplicidade de voarem sobre os campos.

2- Não te iluda com a proximidade de pessoas mais velhas. A experiência delas será usada para a tua manipulação e jamais para o teu crescimento. Prefira as pessoas da tua idade. O mais belo na revoada dos pássaros está em voarem alinhados e no mesmo ritmo.

3- Seja generosa mas nunca espere retorno. Saiba que a humanidade é egoísta e ingrata e a nobreza está em ajudá-la sabendo disso.

4- Namore mas jamais se banalize. Namorar é a alegria de ver nos olhos do outro o amanhecer. Nunca anoiteça por ninguém.

5- Cuide de seus avós. Não sabemos até quando teremos suas mãos em nossos ombros. Lembre, eles são o reflexo melhor de teus pais.

6- Não minta por nada. A claridade da alma está é ser como um lago límpido diante de si e dos olhos do outro. Tenha certeza, a mentira é um passo em direção à perda do caráter.

7- Estude. Podem te tirar a casa, os pais, os amigos e até mesmo a saúde. O que manterá tua sobrevivência e existência será o teu conhecimento. Seja amiga dele como és amiga de teu corpo agora, pois no futuro será este mesmo conhecimento que sustentará este corpo.
8- E ame, sobretudo, ame, minha filha. O amor é o que nos aproxima mais de Deus.

Neste dia em que fazem anos, tua mãe te olha, vendo-a aparecer nos teus gestos, palavras e temperamento. Olha e vê uma trajetória de erros e acertos. E apenas pede que tua felicidade seja uma resposta para teus bons gestos e que teus momentos de melancolia e tristeza sejam o trabalho de um artesão sobre um lindo mármore em formação. E saiba, és um lindo mármore.. Eu te amo, minha filha. Feliz aniversário, Clara Loureiro!

Fonte: Clara Loureiro é professora, doutora em literatura
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LUIZ GONZAGA, EXU E CANTOS DE SABIÁS ACALENTANDO AS HORAS

O Nordeste continuaria existindo caso Luiz Gonzaga não tivesse aterrissado por lá há cem anos. Teria a mesma paisagem, os mesmos problemas. Seria o mesmo complexo de gentes e regiões. Comportaria os mesmos cenários de pedras e areias, plantas e rios, mares e florestas, caatingas e sertões.

 Mas faltaria muito para adornar-lhe a alma. Sem Gonzaga quase seríamos sonâmbulos. Ele, mais que ninguém, brindou-nos com uma moldura indelével, uma corrente sonora diferente, recheada de suspiros, ritmos coronários, estalidos metálicos. A isso resolveu chamar de BAIÃO.

Gonzaga plantou a sanfona entre nós, estampou a zabumba em nossos corpos, trancafiou-nos dentro de um triângulo e imortalizou-nos no registro de sua voz. Dentro do seu matulão convivemos, bichos e coisas, aves e paisagens. Pela manhã, do seu chapéu, saltaram galos anunciando o dia, sabiás acalentando as horas, acauãs premeditando as tristezas, assuns-pretos assobiando as dores, vens-vens prenunciando amores.

 O seu peito abrigava o canto dolente e retotono dos vaqueiros mortos e a pabulagem dos boiadeiros vivos. As ladainhas e os benditos aninhavam-se por ali buscando eternidade. Viva Luiz Gonzaga do Nascimento!
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II ENCONTRO DE SABERES DA CAATINGA ACONTECE EM EXU, PERNAMBUCO

Parteiras, rezadores, raizeiros e estudiosos de práticas de curas ligadas à natureza, estão desde o dia 19 até o próximo domingo, 28 de janeiro de 2018, na Chácara Paraíso da Serra, no município de Exu (sertão de Pernambuco), reunidos no II Encontro Saberes da Caatinga.

Realizado pela Rede de Agricultores Experimentadores do Araripe, com apoio de instituições como a Fundação Oswaldo Cruz, Instituto Chico Mendes de Biodiversidade (ICMBio) e o Ibama, entre outras, o Encontro tem como um dos principais objetivos incentivar e manter vivas práticas de cura (algumas milenares) que não dependem do sistema biomédico. Nesta segunda edição do evento, serão oferecidos vários serviços, oficinas de agrofloresta, extração de óleos vegetais, primeiros socorros usando óleos essenciais, arteterapia, shiatsu, cromoterapia, aromaterapia e bioenergética.

Na opinião da pesquisadora do departamento de Saúde Coletiva da Fiocruz Pernambuco Islândia Carvalho, ao apoiar o Encontro, a Fiocruz PE cumpre o seu papel social de valorização da cultura local no que tange á saúde. “Além disso, a instituição vem desenvolvendo várias pesquisas para elucidar a efetividade dessas práticas e sua potencial contribuição para a saúde da população. Para tal, residentes e mestrandos do Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva da Fundação, participarão do evento com o objetivo de sistematizar conhecimentos e produzir informações científicas sobre o tema”, afirmou.

Desde 2006, o Sistema Único de Saúde – SUS, conta com a Política de Práticas Integrativas e Complementares. Essas práticas são caracterizadas pela Organização Mundial de Saúde como Medicina Tradicional ou Medicina Complementar. Esse termo significa um conjunto diversificado de ações terapêuticas que difere da biomedicina ocidental, incluindo práticas manuais e espirituais, com ervas, partes animais e minerais, sem uso de medicamentos quimicamente purificados, além de atividades corporais, como tai chi chuan, yoga, lian gong. Outros exemplos de PICs são: acupuntura, reiki, florais e quiropraxia.

O primeiro Encontro, realizado há um ano, contou com mais de 100 benzedeiros, parteiras, raizeiros, pesquisadores e professores dos estados de Pernambuco, Ceará e Piauí. 

Contatos: professora Ana Vartan 87-996352594 e Antonio Alencar: 87999105126 
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TÁCYO CARVALHO, JOQUINHA GONZAGA, NÚRIA MALLENA, FLÁVIO LEANDRO, JURANDY DA FEIRA, NO FORRÓ DO POEIRÃO, EM OURICURI

Tacyo Carvalho, Joquinha Gonzaga, Jurandy da Feira, Flávio Leandro, Nuria Mallena, Epitacio Pessoa, Djesus, Leonardo do acordeon, Vital Barbosa, Leninho do Bodocó, Elmo Oliveira, Serginho Gomes, Cosmo do acordeon, Junior Baladeira, Eliane musicista, Oclécio Carvalho, Reinivaldo Pereira, Guilhiard, Erasmo Rumano, Genivaldo Silva, ( A presença dos Poetas, Juarez Nunes, Ramiro, Azarias do Ibge), se apresentam no sábado (27), no Forró do Poeirão, a partir das 13h, em Ouricuri-Pernambuco, na Churrascaria Chico Guilherme. 

 O evento será um Tributo a Luiz Gonzaga e tem o objetivo de valorizar a passagem do Dia Nacional do Forró, comemorado no dia 13 de dezembro – data de nascimento do Rei do Baião –, e também uma homenagem a todos os seguidores de Luiz Gonzaga

Segundo Tacyo Carvalho, cantor e compositor, organizador do Forró do Poeirão, o Tributo acontece e dá visibilidade aos músicos e ao próprio forró. “O projeto amplia o espaço para os artistas divulgarem seus trabalhos. O compromisso é o legado deixado por Luiz Gonzaga”.

Tácyo ganhou o apelido de Luiz Gonzaga: o garotão de Ouricuri. Isto aconteceu devido a popularidade que Tácyo atingiu apresentando programas de Rádio no Rio de Janeiro e sendo um dos responsáveis em divulgar a vida e obra de Luiz Gonzaga nos meios de comunicação no sudeste. Tácyo é o autor de Trem do Sertão, uma das mais belas músicas do cancioneiro brasileiro. 

"O forró do poeirão é uma oportunidade de fazermos um grande encontro, confraternização de amigos e amantes da boa música e valorizar nosso forró, xote e baião".

As camisas custam R$ 25 e darão direito a entrada do evento. Contatos: 71 994066714

O evento será um Tributo a Luiz Gonzaga e tem o objetivo de valorizar a passagem do Dia Nacional do Forró, comemorado no dia 13 de dezembro – data de nascimento do Rei do Baião –, e também uma homenagem a todos os seguidores de Luiz Gonzaga

Segundo Tacyo Carvalho, cantor e compositor, organizador do Forró do Poeirão, o Tributo acontece e dá visibilidade aos músicos e ao próprio forró. “O projeto amplia o espaço para os artistas divulgarem seus trabalhos. O compromisso é o legado deixado por Luiz Gonzaga”.

Tácyo ganhou o apelido de Luiz Gonzaga: o garotão de Ouricuri. Isto aconteceu devido a popularidade que Tácyo atingiu apresentando programas de Rádio no Rio de Janeiro e sendo um dos responsáveis em divulgar a vida e obra de Luiz Gonzaga nos meios de comunicação no sudeste. Tácyo é o autor de Trem do Sertão, uma das mais belas músicas do cancioneiro brasileiro. 

"O forró do poeirão é uma oportunidade de fazermos um grande encontro, confraternização de amigos e amantes da boa música e valorizar nosso forró, xote e baião".

As camisas custam R$ 25 e darão direito a entrada do evento. Contatos: 71 994066714
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MARIANA, O REI DO BAIÃO E O AMOR POR MINAS GERAIS

De 1980 a 1991 – ano em que faleceu – o cantor e compositor Gonzaguinha viveu em Belo Horizonte onde se casou com Louise Martins, a Lelete, e teve uma filha, Mariana. Foi na capital mineira também que o artista criado no Morro do São Carlos, no Rio de Janeiro, se inspirou para criar clássicos de seu cancioneiro como Lindo lago do amor, em homenagem à Lagoa da Pampulha, e O que é o que é.

Essa história é bastante conhecida. O que pouca gente sabe é que seu pai, Gonzagão - que se estivesse vivo teria 105 anos - também passou uma temporada em BH. Aliás, duas. Uma no começo de sua vida e a outra, no final. A primeira vez que Luiz Gonzaga pisou na capital mineira foi em 1931, quando ainda estava longe de se tornar o Rei do Baião. O artista nascido em Exu, no sertão de Pernambuco, servia o Exército como corneteiro. Belo Horizonte ainda fervilhava com a Revolução de 30. Mas, por aqui, Luiz Gonzaga só ficou por quatro meses e logo foi destacado para servir em outras cidades mineiras, Juiz de Fora, Ouro Fino e São João del-Rei.

Quando ficou famoso, o Velho Lua, como também era conhecido, veio em várias ocasiões para se apresentar nos palcos belo-horizontinos. Mas foi em 1988 que ele pode se aprofundar mais no cotidiano da cidade e de seus habitantes. Com um olho direito já atrofiado – em 1961 ele sofreu um acidente ao lado do filho e perdeu a visão – e com o esquerdo sofrendo de catarata, Gonzagão estava praticamente cego. “A gente teve que pegar ele no laço e trazê-lo para BH para ele se tratar. Seu Luiz sempre inventava uma desculpa para não vir, mas aí fomos lá buscá-lo”, recorda a nora Lelete.

Durante quase um ano, Luiz Gonzaga ia a consultas médicas e em agosto de 1988 finalmente se submeteu a uma cirurgia. Quem o operou foi o oftalmologista mineiro Nassim Calixto, que até meados de 2017 ainda clinicava. Hoje com 90 anos, o médico conta que foi um colega dos tempos de faculdade, o ortopedista Márcio Ibrahim de Carvalho que o recomendou ao pai de Gonzaguinha. Ibrahim de Carvalho estava tratando da osteoporose de Gonzagão. “A primeira consulta foi em julho e no mês seguinte nós o operamos. Mesmo naquela época já era uma cirurgia tranquila. Implantamos uma lente e prontamente ele voltou a enxergar”, conta o dr. Nassim Calixto.

O oftalmologista não se esquece de uma cena no pós-operatório no Hospital São Geraldo, na Avenida Alfredo Balena. Gonzagão estava com um tampão no olho, e o médico perguntou: “Está tudo bem? O senhor está enxergando, seu Luiz?”. “Estou, sim”, respondeu o forrozeiro. “E o que o senhor está vendo?”. “Estou vendo um santo”, declarou o Rei do Baião. Como forma de agradecimento, Luiz Gonzaga presenteou o médico com um LP com a seguinte dedicatória: “Ao meu santo Dr. Nassim Calixto, com a gratidão do Gonzagão. Belo Horizonte, 14/11/88”. “Ele era muito cordial, simples, afável e bem espirituoso. Foi um episódio que marcou a minha vida profissional”, afirma o médico.

A cirurgia realmente deu uma sobrevida ao pernambucano. Lelete não se esquece de um comentário que ele fez, assim que teve alta: “Nossa, Lelete, você é muito mais bonita do que eu imaginava. Gonzaguinha, você, que é o poeta da família, também deveria fazer essa cirurgia para se inspirar. É um turbilhão de cores”.

Mesmo passados 30 anos, a presença de Gonzagão na casa de Lelete e Gonzaguinha na Pampulha é forte. Alguns objetos dele ainda estão pelos cômodos, como fotos, chapéus de couro com dedicatórias para a família, roupas, um gravador em que registrava suas conversas com o filho, um dos seus relógios e até o seu último carro, um Monza com placa de sua cidade natal, Exu. 

“O carro era do seu Luiz e ficava em Recife para ele poder se deslocar para o sertão, já que Exu fica a 600 quilômetros de Recife. Quando ele morreu, o Gonzaga herdou o carro e depois eu herdei. Fui lá em Recife e vim dirigindo o carro até BH. O motor ainda funciona, mas a gente não sai com ele. Virou uma relíquia”, comenta Lelete. Uma das lembranças mais marcantes daquele período era de Gonzagão cantarolando pelos corredores, já que estava produzindo seu último disco, Vou te matar de cheiro. “Ele usava o gravador também para ouvir as fitas que artistas do Brasil inteiro mandavam pra ele”, acrescenta.

Apesar de ter apenas 5 anos na época em que o avô ficou hospedado em sua casa, Mariana – hoje com 35 – diz que a recordação mais nítida que tem do ‘Vôvô Lua’ era de estar sentada em seu colo, na cozinha de casa, e ouvi-lo tocando seu acordeom durante horas. Foi nessa época que ele compôs, ao lado de Gonzaguinha, a música em homenagem à garota, Mariana (Eu vou pra ver Mariana/ Mariana sorrir e dançar/Mariana brincando na vida, tô correndo pra lá/ E vou levando a sanfona, mode a gente cantar/Ei, garota, pirritota, Mariana, Mariana).

“Eu ficava quietinha ouvindo ele cantar e tocar. Acho que ele vivenciou comigo bastante essa coisa de ser avô. Sempre achou que nós éramos muito parecidos, sobretudo a boca”, comenta. Mariana diz que o avô era muito carinhoso e não media esforços em agradá-la. “Quando a gente saía, eu não podia apontar para nada que ele comprava pra mim. Eu nem era uma criança pidona, mas ele queria me agradar o tempo todo. Não me esqueço de um urso de pelúcia marrom que ele me deu e era maior do que eu.”

A neta costumava também passar as férias quando criança em Exu e não se esquece do seu ‘primeiro emprego’, como guia do museu criado em vida pelo avô. “Eu acordava cedinho e ia para lá. Adorava; sabia tudo do vovô. Exu era uma cidade muito importante para ele, e ele fez questão de retribuir. Levou rodovia, posto de gasolina, Banco do Brasil. Vovô tinha orgulhoso disso”, pontua.

Ana Clara Brant-Jornal Estado de Minas
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LUIZ GONZAGA E O DIA EM QUE ELE CANTOU PARA MAIS DE UM MILHÃO DE PESSOAS EM SALVADOR

O Chiclete com Banana estava no auge, a fantasia ainda era a mortalha e a Banda Mel começava a despontar. Mas, no reduto de uma axé music que se fortalecia, eis que a avenida virou sala de reboco. De cima do trio elétrico Carnaforró, ressoava um vozeirão do tamanho do Nordeste.

Pouca gente sabe, mas parte desse momento histórico está em uma relíquia postada no YouTube em 2009. São imagens da TV Itapoan guardadas por mais de 20 anos pelo cantor e compositor baiano Gereba, responsável pela vinda do Rei do Baião. “Farol da Barra ontem à noite”, informam os caracteres do vídeo.

No chão, a galera arrasta o pé na manha, ao ritmo de sucessos como Vida de Viajante, Riacho do Navio, Cintura Fina e a própria Sala de Reboco. Pela primeira vez na carreira, Luiz Gonzaga subia em um trio elétrico. E muito bem acompanhado. Além de Gonzagão, Dominguinhos, Gereba, Bule-Bule e Grupo Bendegó.

Talvez a primeira vez em que uma sanfona, abraçada por Dominguinhos, fazia dueto com a guitarra baiana, tocada por Zeca Barreto, do Bendegó, irmão de Gereba. “Foi uma porrada! Saímos do Porto da Barra, quando chegamos no Espanhol já tinha 80 mil pessoas acompanhando a sanfona”, calcula Gereba.  

No dia seguinte, o Rei do Baião novamente subia no trio, dessa vez no circuito da avenida. Na Praça Castro Alves, o poeta do Sertão tocava para o poeta dos escravos. Luiz Gonzaga teria participado do Trio Carnaforró quatro dias seguidos. “Nos quatro dias, ele bateu o recorde de público da vida dele. Tocou para mais de um milhão de pessoas”.

Os jornais locais se referiram ao encontro, que teve destaque nacional. “O Jornal do Brasil deu uma página falando das duas novidades no Carnaval da Bahia: o Carnaforró e a Dança do Pezinho. Pra variar, né?”, ri Gereba, que neste ano diz ter inaugurado o circuito Barra-Ondina. “O primeiro trio do Circuito Barra-Ondina foi nosso. Nós, com Luiz Gonzaga, criamos o Barra-Ondina. Mas o pessoal do axé odeia que a gente diga isso”.

No ano anterior, em 1985, porém, Luiz Gonzaga já mostrava aproximação com os baianos do Carnaval. A convite de Armandinho, Dodô e Osmar, fez uma participação no disco Chame Gente, que saiu pela RCA. Gravou Instrumento Bom, de Moraes Moreira e Fred Góes.

“A participação dele no disco é um grande encontro com meu pai. Ele fala: ‘Ô, Osmar, quer dizer que agora eu tô no seu trio elétrico’. Aí meu pai responde: ‘É isso aí Luiz, bem-vindo ao trio elétrico da Bahia’”, lembra Armandinho, que considera Luiz Gonzaga um carnavalesco na essência. “Luiz Gonzaga é Carnaval. Pela popularidade e pelo ritmo do galope nas músicas”, diz Armando. “Hoje o Carnaval dá espaço para todo mundo. Naquela época, não. Tinha que ser muito bom. Aliás tinha que ser gênial”.

O convite para Luiz vir ao Carnaval surgiu no ano anterior, em 1985, quando Gereba foi visitar Luiz Gonzaga em Exu (PE), sua terra Natal. Haviam se tornado amigos uns 10 anos antes, em 1974, quando Gereba trouxe Luiz Gonzaga para tocar pela primeira vez em um espaço de respeito na Bahia: a Concha Acústica.

“Botamos 5,5 mil pagantes na Concha Acústica”. Anos depois, em fevereiro de 1979, Luiz Gonzaga se apresentaria, aí sim, no palco mais nobre da Bahia. Novamente ao lado de Dominguinhos, fez uma temporada no Teatro Castro Alves. “Um duelo de sanfonas”, estampou o Correio da Bahia.

O sucesso de Seu Luíz na década de 1980 era a maior prova de que ele havia superado definitivamente um período instável na carreira. Entre o final da década de 60 e início da de 70, enfrentou o descaso da classe média dos centros urbanos e, por consequência, da mídia.

O poeta Capinam também teve sua parcela de “culpa” no ressurgimento de Gonzaga. Junto com Jorge Salomão produziu o show do Teatro Tereza Raquel, em 1974, um marco. O Tereza Raquel lotado mostrava que o rei estava mais vivo do que nunca. Outro tropicalista, Gilberto Gil, sempre deixou claro que Luiz Gonzaga foi sua maior inspiração no início da carreira. Tanto que explorou toda a sua sonoridade em dois discos de forró, um gravado em estúdio (As Canções de Eu, Tu, Eles - 2000) e outro ao vivo (São João Vivo - 2001).

O pai da axé music, o cantor e instrumentista Luiz Caldas, conheceu Luiz Gonzaga no programa do Chacrinha. Se encontraram algumas vezes até surgir um convite que tornou Luiz Caldas o único artista a ter uma música gravada por Gonzagão, quando o que acontecia era o contrário. “Convidei ele uma vez para cantar comigo em um disco. Ele disse: “oxe, é só marcar. Quando fui gravar Amazonas, lembrei e liguei. Ele já tava um pouco adoentado, mas se prontificou", lembra.

“Grandes compositores e intérpretes do Brasil gravaram com ele, mas sempre cantando a obra de Seu Luiz. Eu sou o único que ele canta uma música do outro artista. A música é minha, de Gerônimo e Jorge Matos”. No estúdio da Poligram, no Rio de Janeiro, Luiz Gonzaga ficou todo saidinho para o lado de Rita Caldas, irmã do músico baiano, o que explica a brincadeira que o rei faz no início da gravação. “Ele sempre foi muito saidinho, né? Minha irmã estava cuidando dele e Seu Luiz brinca com ela no início da música: ‘Índio quer mulher. Índio quer mulher’. Estava brincando com Rita”, diverte-se Caldas.

No interior da Bahia, Luiz Gonzaga fez diversos shows em cidades como Cachoeira, Cruz das Almas, Senhor do Bonfim e Monte Santo. Para Jânio Roque de Castro, professor de geografia cultural da Universidade do Estado da Bahia (Uneb), Luiz Gonzaga foi um dos impulsionadores das festas de São João em grandes palcos do interior. “As festas com grandes concentrações começavam a surgir nos interiores da Bahia. Luiz Gonzaga tocou no Recôncavo e outras cidades”.

A ligação de Gonzaga com a Bahia se confirmou com o título de Cidadão Baiano que ele recebeu na Assembleia Legislativa da Bahia, em 1984. Mas quando chegava aqui, dispensava hotel. Tudo por conta da amizade com o fazendeiro baiano Manoelito Argolo, de Entre Rios. “Eram muito amigos”, confirma Gereba. E eram mesmo. Manoelito ganhou até música. Foi assim que virou Manoelito Cidadão, “o maior cabra desse Sertão”. Que nada, Luiz. O maior cabra desse Sertão é Luiz Gonzaga. Do Sertão, do Brasil e da Bahia.   

Alexandre Lyrio-Correio da Bahia
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LUIZ GONZAGA: O CARNAVAL E O PRIMEIRO FORRÓ TRIOLETRIZADO

Nos ano 80 Luiz Gonzaga gravou o primeiro forró trio eletrizado. A gravação consta no LP disco Instrumento Bom. Na época Luiz Gonzaga conversa com Osmar e diz: até no trio elétrico eu tô. Viva a Bahia.

Por tudo isto Luiz Gonzaga continua atual. Quando a Dragões da Real entrou na avenida anos passado fez  o Nordeste brilhar. A escola de samba homenageou o povo nordestino através de um dos seus maiores ícones - a música Asa Branca, de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira. Isto foi no carnaval de São Paulo 2017.  

O enredo (Dragões canta Asa Branca) é uma espécie de releitura da música. "De tanto "oiá" o sol "queima" a terra / Feito fogueira de São João / Puxei o fole, embalado me inspirei / Aperreado coração aliviei / De joelhos para o pai, pedi / Com os olhos marejados, senti / Quanta tristeza brota desse chão rachado / Perdi meu gado, "farta" água para danar / "Eta" seca que castiga meu lugar / Vou me embora... seguir meu destino / Sou nordestino arretado, sim "sinhô", diz a letra. 

A Escola Unidos da Tijuca do Rio de Janeiro, ganhou  o título de campeã no Carnaval carioca de 2012, com o samba-enredo O Dia em Que Toda a Realeza Desembarcou na Avenida para Coroar o Rei Luiz do Sertão. A composição falava da paisagem, solo e vegetação do Sertão. O título fez o nome de Luiz Gonzaga ter destaque  nos meios de comunicação devido os 100 anos de nascimento.

Todavia o tema Luiz Gonzaga deve ser sempre pauta. Na década dos anos 80 Luiz Gonzaga foi homenageado pela Escola de Samba Vermelho e Ouro. No samba-enredo ele participou da gravação cantando e puxando sanfona. Isto tudo chama atenção e lamentamos as porcarias que hoje são produzidas e que as emissoras de Rádio e televisão divulgam colocando-as em primeiro lugar e salientadas como as mais ouvidas, dançadas e cantadas. A maioria possui letras pobres e vazias de arte.

Usando riqueza de ritmo, harmonia e melodia Luiz Gonzaga no início de sua trajetória musical, poucos sabem, divulgou e cantou o ritmo musical Frevo. Em 1946 gravou "Cai no Frevo". Detalhe: usou sua majestosa sanfona. Puxou a sanfona também no Frevo "Quer Ir mais Eu?", este regravado várias vezes até os dias de hoje e executado pelas orquestras de frevos nas ruas e bailes. "Quer ir mais eu vambora, vambora vambora...

Luiz Gonzaga ainda gravou "Bia no Frevo" e "Forrobodó Cigano". Homenageou o genial Capiba-Lourenço Fonseca Barbosa, tocando o frevo "Ao mestre com carinho" , este genial pernambucano criador da canção "Maria Betânia".

Luiz Gonzaga em parceria com João Silva, já no final da carreira,  mistura sanfona e instrumentos metais. Grava "Arrasta Frevo". Ainda Na seara do carnaval o Rei do Baião  participou do primeiro forró trioeletrizado junto com Dôdo e Osmar, Instrumento Bom. Viva a Bahia.

Toda esta trajetória faz Luiz Gonzaga atual...basta ouvir a letra de "Eu quero dinheiro, saúde e mulher. É isto mesmo e vice e versa Mulher Saúde e Dinheiro e o resto é conversa. Eu quero ser deputado, senador, vereador. Eu quero ser um troço qualquer para mais fácil arranjar Dinheiro Saúde e Mulher"...Impressionante ele gravou essa façanha em marcha-frevo no ano de 1947.

Viva Luiz Gonzaga, Viva a Bahia, o frevo, o trio elétrico, Pernambuco. Viva o Carnaval.
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JURANDY DA FEIRA: DE PÉ NA ESTRADA, TERRA VIDA ESPERANÇA, CANTO DO POVO, FRUTOS DA TERRA

Jurandy estará se apresentando em Ouricuri, Pernambuco, no sábado 27, no tradicional Forró do Poeirão, evento organizado pelo compositor e cantor Tacyo Carvalho, que também contará com a presença de Joquinha Gonzaga. Jurandy na vida e obra de Luiz Gonzaga é presente e futuro. É tese e síntese de talento e dedicação ao melhor da música brasileira.

Em dezembro de 2017, as festividades dos 105 anos de Luiz Gonzaga, em Exu, Pernambuco, contou com a presença de Jurandy da Feira. A voz de Jurandy e seus versos provocaram um turbilhão de Felicidade/Encontro aos gonzagueanos de
toda parte do Brasil, que visitam Exu, neste período do ano, na esperança de colher os bons frutos da música e memória de privilegiados que conviveram com o Rei do Baião.

Morador do Rio de Janeiro há mais de 40 anos, Jurandy mantém a sua essência e nunca deixa de estar bem perto do Nordeste, ao tomar em consideração suas escolhas estéticas e de repertório. Em Exu, o cantor reviveu as emoções ao falar de Luiz Gonzaga e da cultura brasileira. 

Jurandy é o compositor entre outros sucessos das músicas Frutos da Terra, Nos Cafundó de Bodocó, Canto do Povo, além de Terra Vida Esperança. Para Jurandy, a resistência é o que faz sentido para seguir no meio musical, pois somente o talento não basta. 

A história conta que Luiz Gonzaga costumava acolher em casa compositores, em quem descobrisse afinidades, e acreditasse, obviamente, no talento. Depois de avisar que seriam gravados por ele, vinha o convite para ir ao Rio de Janeiro.

Jurandy Ferreira Gomes, é conhecido como Jurandy da Feira, o “da Feira” foi praticamente imposto por Luiz Gonzaga. Quando começou a aparecer como artista em sua cidade natal, Tucano, no sertão da Bahia, ele era chamado de Jurandy da Viola, por causa do violão, seu instrumento desde a adolescência.

“Quando Luiz Gonzaga gravou a primeira música minha, quando fui olhar no selo do disco. Estava lá Jurandy da Feira. Fui conversar com ele. Disse que aquilo não ia pegar bem na minha cidade, porque iam pensar que eu queria ser de Feira de Santana. Ele disse que não era de Feira de Santana, mas da feira, a feira do povo, do cantador. Acabei concordando, mas até hoje eu tenho que me explicar ao povo de lá”, conta Jurandy, em visita a Petrolina. 

Luiz Gonzaga em vida, sorria e se divertia com esta história e explicava: "Eu botei assim, para lembrar o lado de cantador, de poeta de cordel em feiras livres do Interior. O talento de Jurandy é de uma riqueza muito grande, igual a dia de feira."

Para o ano de 2018, Jurandy da Feira, está repleto de poesia, música e um novo CD.

O compositor tinha 24 anos quando conheceu o Rei do Baião. Foi levado a ele por José Malta, um jornalista, e produtor dos shows de Gonzagão. “Fomos para Exu, para a casa de Luiz Gonzaga. Passei uma semana lá. Mas era aquela coisa. Ninguém chegava a Gonzaga. Ele é que chegava às pessoas. Era fechado, meio cismado. Foi ele que se chegou pra mim, e perguntou sobre o violão que eu havia levado comigo. Se eu tinha um violão, por que não tocava? Quis saber se eu fazia músicas. Pediu para cantar para ele. Depois me disse que queria uma música que falasse de Bodocó”. 

Passou algum tempo e eu fiz Nos cafundó de Bodocó. O cafundó, foi porque eu achei que a cidade ficava longe de tudo. Naquela época ainda estavam asfaltando as estradas, e fui da Bahia até lá de Karmann-Ghia (carro esportivo, de dois lugares, saído de linha em 1971), a maior poeira, foi um sofrimento a viagem até o sertão pernambucano”.

Luiz Gonzaga gostou de Nos cafundó de Bodocó. Veio o inevitável convite para ir ao Rio. A música foi aprovada pelos produtores de Gonzagão na época, coincidentemente dois pernambucanos, Rildo Hora e Luiz Bandeira. Nos cafundó de Bodocó entrou num dos melhores álbuns de Luiz Gonzaga nos anos 70, Capim novo (1976). Lula gravaria mais outras três composições de Jurandy, que sacramentariam uma amizade que durou até o final da vida de Lua. 

O baiano, portanto, testemunhou os bons e maus momentos de Luiz Gonzaga em suas duas últimas décadas de vida: “Ele passou uma época em baixa. Várias vezes assisti a apresentações suas numa churrascaria chamada Minuano, na estrada Rio/São Paulo. Era aquele barulho de churrascaria. Mas quando ele dava o boa noite., pra começar a cantar, menino ficava quieto. Os adultos se calavam. Ficava silêncio enquanto ele cantava”.

Foi Luiz Gonzaga que levou Jurandy para gravadora, e ajudou a suas músicas serem gravadas por nomes como Trio Nordestino, Terezinha de Jesus. Atualmente Jurandy da Feira é um dos artistas mais admirados no meio da cultura brasileira e gonzagueana.

“Ele, Luiz Gonzaga, chegou a me prestigiar num show num colégio de padres em Tucano, minha terra natal. Passou a me apelidar de “minha paz”, porque quando chegava sempre desejava a ele: “Uma paz, seu Luiz”, relembra emocionado Jurandy.

Jurandy traz a poesia do ritmo da cultura brasileira na alma. É fartura de dia de Feira.  Luiz Gonzaga sabia reconhecer um fiel discípulo...Tenho Dito...
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ABERTAS AS INSCRIÇÕES PARA A APRESENTAÇÃO DE TRABALHOS NO CLISERTÃO 2018

Gestores, educadores e amantes da leitura já podem inscrever seus trabalhos científicos, até o dia 20 de fevereiro, no 4º Congresso Internacional do Livro, da Leitura e da Literatura no Sertão (Clisertão). O evento, promovido pela Universidade de Pernambuco (UPE), campus Petrolina, ocorrerá entre os dias 7 e 11 de maio, e vai abordar o tema ‘As Margens da/na Literatura, Linguagem e Leitura’.

Os interessados devem fazer suas inscrições através do email: clisertao4@yahoo.com.  É necessário o envio de um resumo do trabalho, contendo entre 15 e 25 linhas, o comprovante de pagamento e os dados do autor ou autores. O modelo com a ficha de inscrição está disponível no edital do congresso.

Segundo a coordenação do evento, os trabalhos serão avaliados por uma Comissão Científica, que dentre vários pontos, analisará a pertinência da obra junto ao Clisertão. A lista com os trabalhos aceitos será publicada no site da UPE (www.upe.br/petrolina) até o dia 10 de março.

Entre as linhas temáticas do evento, estão a ‘Leitura, Hibridismo e Desterritorialização’, ‘Literatura Popular’, ‘Cadeia Produtiva do Livro’, ‘Os discursos reinventados sobre o Sertão’ e ‘Aspectos sociais da leitura, do livro e/ou da literatura’.

Com a proposta de discutir a produção e circulação do livro em Petrolina e região, o 4º Clisertão será dividido por espaços de vivências e realizado em diversos locais da cidade. Na UPE, vão ser apresentados, entre outras coisas, conferências, minicursos, saraus, teatros e mesas redondas. Também haverá espaço para a ecoleitura, que ocorrerá em vinícolas, ilhas e sítios arqueológicos. O congresso ainda incluirá escolas, praças e barquinhas na programação, com o objetivo de promover troca de saberes.

Este ano, o Clisertão, que já se consolidou como um dos principais eventos socioculturais da região, trará para o município personalidades como o linguista e escritor, Marcos Bagno (UnB); o poeta Jessier Quirino; o crítico literário Flavio Kothe (UnB); e o jornalista Eric Nepomuceno. Além deles, estarão presentes os convidados internacionais Elicura Chiuhailaf (um dos mais importantes escritores do Chile); Pablo Montoya (Colômbia, vencedor do Prêmio Casa de las Americas); Alejandro Reyes (México); Abdulbaset Jarour (Síria) e Keto Kebongo (República do Congo).





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ELIAS LOURENÇO, O PROGRAMA ALÔ NORDESTE, UMA PAIXÃO PELO RÁDIO E LUIZ GONZAGA

Lá na Paraíba, nas palavras do amigo e  professor Aderaldo Luciano, "durante todo o tempo em que me entendo por gente vi surgir e consolidar-se dentro de mim o amor e o respeito pelo Rádio. Ainda criança, botei os olhos num rádio Semp à válvula e certa vez meu pai, Francisco Assis Guedes, me levou a Campina Grande, para conhecer os estúdios da Rádio Borborema. Ali vi os mistérios que envolvem o Rádio".

Nos anos 80 e 90 não havia a facilidade da tecnologia e por isto, "tornei-me notívago, navegando no dial, buscando emissores de longe, locutores que me falariam de cidades e acontecimentos que eu planejava vivenciar. Durante o dia me via rodeado pelas rádios locais, pelas ondas que vinham de Campina Grande e suas três rádios AM: Caturité, Cariri e Borborema. Nomes fortes, direto de nossas raízes".

Foi na programação das rádios que aprendi a viver a brasilidade. Retalhos do Sertão, Bom dia Nordeste (com Zé Bezerra) cuja abertura era um jingle sensacional de João Gonçalves. José Lira na Campina Grande FM. Ivan Ferraz, Wilson Maux. Todos mestres...

Mas, o meu encanto e aprendizado maior aconteceu quando um dia sintonizei a Rádio Clube de Pernambuco, Recife. A voz de ELIAS LOURENÇO. No clima da notícia. Alô Nordeste! Elias chamando prá cantar Jorge de Altinho, Flávio José, Petrúcio Amorim, Marinês, Elba Ramalho, Raimundo Fagner, Três do Nordeste, Assisão Trio Nordestino, cantadores de Viola, aboiadores e Luiz Gonzaga.

Uma madrugada, muito frio em Areia-Paraíba, através do Rádio ouvi Elias Lourenço anunciando numa quarta-feira, 02 de agosto de 1989: "Morreu Luiz Gonzaga". Chorei em silêncio! Não imaginava o traçava o destino. O silêncio foi "quebrado" pela som do Rádio,  a sanfona de Luiz Gonzaga, a voz de Elias Lourenço: "são quatro da manhã e trinta minutos no Nordeste"...

Ontem, através do amigo Edilson Gonzaga, lá de Gravatá-Pernambuco, revivi toda esta trajetória desde quando por décadas acompanho Elias Lourenço através do Rádio. Não o conheço pessoalmente, Elias Lourenço, mas trago nele um sentimento de gratidão. Gratidão pela minha formação profissional...Sou grato porque com Elias Lourenço aprendi amar ainda mais meu Nordeste, a cultura brasileira e os estudos, afinal, só a Educação Liberta.

Atualmente Elias Lourenço faz o programa Alô Nordeste na Rádio Folha em Recife de segunda a sexta - 2h às 5h e no Sábado - 2h às 6h. No último dia 12 de janeiro ele completou 79 anos. Veterano profissional do rádio, Elias Lourenço percorreu uma longa carreira para chegar hoje a ser considerado um dos radialistas mais queridos e respeitados perante os ouvintes. 

Seu trabalho sempre é voltado para a divulgação da cultura brasileira e em seus programas tem procurado ressaltar o talento do artista regional, particularmente aqueles que se dedicam aos ritmos mais típicos da região, como o forró. 

Elias Lorenço é pernambucano de Arcoverde. Já trabalhou na comunicação das Rádios Atual, de São Paulo; Poty, de Paulo Afonso: e em Pernambuco percorreu quase todos os prefixos radiofônicos – Olinda, Globo, Relógio, Capibaribe, Continental, Jornal, Clube e agora na Folha FM.

Um dia, me vi do lado de dentro na Rádio Serrana de Araruna-Paraíba com os amigo Aderaldo Luciano que me fez o convite em 1999, para participar da produção e apresentação de um programa de Rádio. E então até hoje, jornalista, empresto minha homenagem e gratidão, valorização pela cultura a Aderaldo e a você, até hoje minha referência de apresentador de Rádio.

Para minha alegria e compromisso profissional, hoje estou na Rádio Emissora Rural, apresento o programa Nas Asas da Asa Branca-Viva Luiz Gonzaga, todos os domingos ás 7hs da manhã. 

'O rádio está vivo, a faixa AM está viva, querem matá-la no Brasil, mas ela ainda representa uma enorme atividade pelo interior dos Brasis. Amo o Rádio, Sinto-me parte dele, Sou um guardião, embora tanta coisa ruim aconteça aos seus microfones. Mas uma coisa é o Rádio, a outra, seus donos e vozes".
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FORRÓ DO POEIRÃO EM OURICURI TERÁ TÁCYO CARVALHO, JOQUINHA GONZAGA E JANDUY DA FEIRA

Tacyo Carvalho, Joquinha Gonzaga, Dijesus, Jurandy da Feira se apresentam no sábado (27), no Forró do Poeirão, a partir das 13h, em Ouricuri-Pernambuco, na Churrascaria Chico Guilherme. O evento será um Tributo a Luiz Gonzaga e tem o objetivo de valorizar a passagem do Dia Nacional do Forró, comemorado no dia 13 de dezembro – data de nascimento do Rei do Baião –, e também uma homenagem a todos os seguidores de Luiz Gonzaga

Segundo Tacyo Carvalho, cantor e compositor, organizador do Forró do Poeirão, o Tributo acontece e dá visibilidade aos músicos e ao próprio forró. “O projeto amplia o espaço para os artistas divulgarem seus trabalhos. O compromisso é o legado deixado por Luiz Gonzaga”.

Tácyo ganhou o apelido de Luiz Gonzaga: o garotão de Ouricuri. Isto aconteceu devido a popularidade que Tácyo atingiu apresentando programas de Rádio no Rio de Janeiro e sendo um dos responsáveis em divulgar a vida e obra de Luiz Gonzaga nos meios de comunicação no sudeste. Tácyo é o autor de Trem do Sertão, uma das mais belas músicas do cancioneiro brasileiro. 

"O forró do poeirão é uma oportunidade de fazermos um grande encontro, confraternização de amigos e amantes da boa música e valorizar nosso forró, xote e baião".

As camisas custam R$ 25 e darão direito a entrada do evento. Contatos: 71 994066714
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JURANI CLEMENTINO, VÁRZEA ALEGRE E A CULTURA QUE TRANSFORMA

Recebi a notícia de que uma crônica, escrita por mim, foi vencedora de um concurso cultural realizado em São Paulo. A competição literária faz parte das comemorações dos 70 anos da Livraria Cultura e tem como tema a seguinte pergunta: Como a cultura te transforma?  A história vencedora garante uma viagem para Nova Iorque nos Estados Unidos. Compartilho com vocês o conteúdo da minha crônica que narra a experiência comum a muitos nordestinos que saem de suas terras rumo à cidade grande…

**Nasci numa família simples, do interior do Ceará, que tinha pouco acesso à cultura escrita. Cresci ouvindo histórias narradas apaixonadamente pelos mais velhos. Aos vinte anos segui o destino irremediável a todos aqueles jovens que ali moravam. Peguei a estrada rumo à cidade de São Paulo em busca de emprego. Como eles mesmos diziam: atrás de uma vida melhor. Mas eu não fazia a menor ideia do que seria uma vida melhor. Minha vida podia não ser muito boa, mas descobri que trabalhar em São Paulo nem sempre significava melhorar a vida. Até que um dia, deixei a zona sul, onde morava na casa de uma tia, e fui a Avenida Paulista. Não recordo exatamente qual o dia da semana. Provavelmente um sábado. Dia de folga. E lá me deparei com algo que se se aproximava da minha concepção de melhorar de vida. Vou explicar.

Sempre gostei de ler. Na escola, conheci autores clássicos de nossa literatura como: Rachel de Queiroz, Machado de Assis, Vinicius de Moraes, José de Alencar, Clarice Lispector… Desejava ser igual a eles. Queria ser escritor também. Aquela viagem ao centro de São Paulo mudaria a minha vida. Não queria dizer que acidentalmente entrei naquela galeria de lojas onde estava instalada a Livraria Cultura, mas o fato é que não fui ali de propósito. Acho que, como muita coisa na minha vida, encontrar aquele espaço, foi mais um dos acasos que me aconteceram. Ali eu me reencontrei. Ali eu percebia o significado de uma vida melhor. Uma vida melhor pra mim era ter uma livraria em casa.

Quantos livros, meu Deus! Parei por alguns instantes e contemplei o espaço como se admira um belo pôr do sol no sertão. Eu era a própria tradução da felicidade. Desejei morar ali. E como sabia que aquele desejo não passava de um devaneio particular, fiquei durante horas circulando por entre as prateleiras. Como não podia comprar aqueles livros que tanto desejava, tocava neles, abria, lia a orelha, sentia-os em minhas mãos, abraçava-os e colocava lentamente no lugar. Eu cuidava deles como se fossem meus. Fiquei ali sem pressa. Não vi as horas passar. Não senti fome. Não me deu sede porque toda a sede que eu tinha parecia saciada. Tinha sede de leitura.

Como foi difícil sair dali. Eu não fazia ideia de quando aquele momento ia se repetir. E por isso protelava tanto a minha despedida. Queria que aquele dia não acabasse. Tudo que eu desejava podia encontrar ali. Meses depois abandonei o emprego de metalúrgico e voltei pra o Nordeste. Investi no estudo. Conclui minha graduação em Jornalismo numa universidade pública e fiz Mestrado e Doutorado em Ciências Sociais. Nesse período também escrevi um livro biográfico sobre um importante compositor de Luiz Gonzaga. Sempre que volto a São Paulo faço questão de ir a paulista. Não sei exatamente se busco novidades literárias, tenho certeza que vou, em vão, atrás daquela primeira sensação. Foi uma sensação agradável que me deu coragem para correr atrás dos meus objetivos e ser o que sou hoje.
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COM RIMAS E SONHOS, POESIA AINDA MUDA CONTIDIANO E DEFINE VIDAS EM SÃO JOSÉ DO EGITO

Há dezenas (talvez centenas) de anos, uma viola foi enterrada no leito do Rio Pajeú. Desde então, quem bebeu de sua água, virou poeta. A lenda sertaneja pode até não ser verdade, mas foi a forma
que o povo encontrou para explicar porque existe tanto talento para a poesia em um só lugar. “Bom dia, poeta”, diz um. “Bom dia, poeta”, responde o outro. Vendedor, professor, farmacêutico… Seja no improviso ou munido de violas, há uma população inteira de cantadores poetas em São José do Egito, a 404 km do Recife. Considerada berço imortal da poesia, a cidade preserva, há gerações, a tradicional cultura que floresceu às margens do rio.

A relação da cidade com as palavras começou na colonização do Brasil pelos portugueses: “Os portugueses trouxeram a sonoridade do baião de viola e as influências dos mouros, muçulmanos que invadiram a Península Ibérica. Digamos que os cantadores são uma evolução dos trovadores”, afirma Fábio Renato Lima, professor de história na cidade e coordenador da banda Vozes e Versos. Talvez por isso o vocativo esteja presente em qualquer cumprimento na cidade. É uma populaçaõ de “poetas”.

A história do local está ligada a duas cidades vizinhas. Eles acreditam que as pessoas tenham seguido o percurso do rio no período da colonização, passando primeiro pelo “ventre da poesia”, Itapetim (PE) e por Teixeira (PB), considerada local de troca cultural entre os ibéricos e o povo da região. São José do Egito é a mais próxima do rio e o maior entre os três municípios, terminando por acolher os poetas da região e ganhando a alcunha de berço.

“Podemos comparar o processo que aconteceu em São José do Egito com o que aconteceu na Grécia. O país fabricou muitos filósofos e a cidade pernambucana conseguiu dar sequência aos seus poetas. É impressionante como eles têm orgulho de suas raízes”, explica Lourival Holanda, professor de letras e entusiasta da cultura popular.

Os poetas do Pajeú são comparados com os trovadores porque a poesia feita por eles não é tão simples como você pode imaginar. A mais tradicional é feita de improviso e ela não é formada apenas por quaisquer palavras que vêm à mente, mas possuem rima e métrica, como explica o historiador Fábio Renato: “Ela já surgiu metrificada, não é uma poesia livre”, explica.

A métrica é feita pela contagem das sílabas tônicas em um verso. Por exemplo, se a primeira linha do verso tiver sete sílabas tônicas, as demais linhas precisam ter a mesma quantidade.

á a rima é considerada por eles um pouco mais simples. “Se for, por exemplo, uma quadra (quatro linhas), as linhas pares precisam rimar”, explica Fábio sobre o que forma a sonoridade poética e a declamação cantada e arrastada dos poetas da região.

A dificuldade de adequação não impede que novos poetas surjam na cidade, porque essa é a forma natural de expressão que os filhos do município encontram. Vinícius Gregório, começou nessa aventura aos 14 anos para descrever a saudade originada com a mudança para o Recife.

“Eu comecei a relatar as fases da minha vida e a temática varia entre a saudade, amor, amizade e questões sociais”, conta.

Um dos poetas mais famosos do Sertão pernambucano, Lourival Batista assinava suas obras com o próprio nome, mas era reconhecido mesmo como Louro do Pajeú. Precursor da “escola” da poesia de São José do Egito, teve o talento reconhecido por nomes políticos e artísticos de expressão nacional, com reconhecimento que o fez famoso em todo o país. 

Entre os nomes que o reverenciaram estavam Gilberto Gil – que, na época da Tropicália, visitou sua casa no Sertão pernambucano – ou Luiz Gonzaga, que não escondia admiração ao sertanejo. Tanto clamor o ajudou a ir além da poesia aos olhos da população local.

“A casa do meu avô era aberta para quem quisesse entrar. As pessoas se sentiam à vontade nela”, conta o neto Antônio Marinho, sobre as lembranças de sua infância. “Toda as noites, minha avó fazia uma sopa. Não me lembro de ter sentado uma única vez e não ter encontrado, além da minha família, ao menos uma pessoa desconhecida para o jantar. Meu avô não julgava ninguém. Já vi sentar com a gente prostitutas, bêbados e homossexuais, pessoas bastante discriminadas pelo povo da época”, completa. Após a ceia, era o momento reservado para a poesia, declamada se sobremesa fosse.

Tamanha popularidade fez com que o aniversário (6 de janeiro) de Louro do Pajeú virasse evento oficial da cidade. Poetas e cantadores de viola da região de diferentes gerações uniam-se na grande casa na cidade, mesmo depois da morte do poeta, em dezembro de 1992. “A festa sempre foi muito forte. Mas em 2005, minha avó, Helena, faleceu e a casa ficou fechada”, diz Marinho. Cansados de ver a receptiva casa fechada, desde 2011 a comemoração foi retomada, com direito a trio de forró pé-de-serra em frente à residência. No ano seguinte, virou festival municipal, com palcos e oficinas.

A marca de Lourival Batista continua exposta. “Criamos o Instituto Lourival Batista, a Casa do Repente. Na entrada, tem uma placa de 1989 que Miguel Arraes levou para meu avô homenageando o repente”, explica Marinho. 

Fonte: Mayra Couto-Jornalista
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TRIO SINHÁ FLOR MENINAS INSPIRADAS NA SANFONA GONZAGUEANA

Fui apresentado ao Trio Sinha Flor pelo pesquisador Higino Canuto. Daí em diante foi amor pela música e voz dessas três meninas nascidas em Belo Horizonte, mas que vivem em São Paulo, dão uma visão bem sofisticada ao autêntico forró pé-de-serra. 

As mineiras mesclam o ritmo baião com suavidade e profissionalismo e o melhor sem se afastar das raizes fincadas em Luiz Gonzaga. Não é muito comum vermos bandas femininas de forró, ainda mais que, além de tocar e cantar, ainda compõem suas letras. 

O Trio Sinhá Flor, formado por Carol Bahiense (triângulo, sanfona e voz), Cimara Fróis (sanfona e voz) e Talita del Collado (zabumba, violão, flautas, percussão e voz), residentes em São Paulo, levam a rica e tradicional cultura nordestina aos setes cantos do país, propondo uma nova formação do gênero, mostrando que zabumba, sanfona e triângulo também são instrumentos para as mulheres.

Além do forró, o trio mescla outros estilos e arranjos a suas composições, dando uma cara própria ao grupo, em um repertório que vai de Luiz Gonzaga à MPB moderna, além de buscar inspiração em grupos vocais e expoentes de outros gêneros, como Quatro Ases e Um Coringa, Demônios da Garoa, Trio Esperança e Quarteto em Cy, apresentando um forró com uma roupagem mais contemporânea, flertando com o jazz até.

As artistas têm uma performance única e peculiar no palco, nascida das experiências e conhecimentos pessoais de cada integrante, contribuindo para que cada apresentação seja única e especial, não apenas para dançar, mas também ao assistir.

As meninas têm três projetos realizados: “Uma Homenagem ao Rei do Baião”, “Histórias Cantadas do Sertão Brasileiro” e “Forró Floreado”, todos enfatizando a cultura brasileira.
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II ENCONTRO DE SABERES DA CAATINGA SERÁ REALIZADO EM EXU, PERNAMBUCO

Parteiras, rezadores, raizeiros e estudiosos de práticas de curas ligadas à natureza, estarão, de 19 a 28 de janeiro de 2018, na Chácara Paraíso da Serra, no município de Exu (sertão de Pernambuco), para realização do II Encontro Saberes da Caatinga.

Realizado pela Rede de Agricultores Experimentadores do Araripe, com apoio de instituições como a Fundação Oswaldo Cruz, Instituto Chico Mendes de Biodiversidade (ICMBio) e o Ibama, entre outras, o Encontro tem como um dos principais objetivos incentivar e manter vivas práticas de cura (algumas milenares) que não dependem do sistema biomédico. Nesta segunda edição do evento, serão oferecidos vários serviços, oficinas de agrofloresta, extração de óleos vegetais, primeiros socorros usando óleos essenciais, arteterapia, shiatsu, cromoterapia, aromaterapia e bioenergética.

Na opinião da pesquisadora do departamento de Saúde Coletiva da Fiocruz Pernambuco Islândia Carvalho, ao apoiar o Encontro, a Fiocruz PE cumpre o seu papel social de valorização da cultura local no que tange á saúde. “Além disso, a instituição vem desenvolvendo várias pesquisas para elucidar a efetividade dessas práticas e sua potencial contribuição para a saúde da população. Para tal, residentes e mestrandos do Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva da Fundação, participarão do evento com o objetivo de sistematizar conhecimentos e produzir informações científicas sobre o tema”, afirmou.

Desde 2006, o Sistema Único de Saúde – SUS, conta com a Política de Práticas Integrativas e Complementares. Essas práticas são caracterizadas pela Organização Mundial de Saúde como Medicina Tradicional ou Medicina Complementar. Esse termo significa um conjunto diversificado de ações terapêuticas que difere da biomedicina ocidental, incluindo práticas manuais e espirituais, com ervas, partes animais e minerais, sem uso de medicamentos quimicamente purificados, além de atividades corporais, como tai chi chuan, yoga, lian gong. Outros exemplos de PICs são: acupuntura, reiki, florais e quiropraxia.

O primeiro Encontro, realizado há um ano, contou com mais de 100 benzedeiros, parteiras, raizeiros, pesquisadores e professores dos estados de Pernambuco, Ceará e Piauí. Para esta edição esse número já foi superado, tendo as inscrições sido encerradas em apenas duas semanas. A organização do evento está analisando a possibilidade de transmiti-lo via internet. 
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LUIZ GONZAGA E FAZENDA ARARIPE-150 ANOS

Em 2018, o povoado do Araripe vai completar 150 anos. A professora e escritora Thereza Oldam é conhecedora dos episódios e sentimentos que nortearam a criação, o desenvolvimento e a consolidação do território exuense. Desde a época da colonização, quando a região ainda era habitada pelos índios Ançus, do tronco da nação Cariri. Passando pela chegada de seu fundador Leonel de Alencar Rego, até os dias atuais.

A professora escreveu no ano de 1968, uma apresentação para o disco Luiz Gonzaga-São João do Araripe. Escreveu Thereza Oldam: "O Povoado do Araripe, tantas vezes cantado pelo Rei do Baião, Luiz Gonzaga, é o desdobramento da Antiga Fazenda do Barão de Exu. Domina-o até os dias atuais, a Casa Grande. de estilo Colonial e a Capela de São João Batista. O Povoado do Araripe, está situado à margem esquerda do Rio Brígida, próximo da Fazenda Caiçara, berço de Barbara de Alencar.

Para os descendentes direto dos primeiros povoadores, o São João do Araripe é único. É o culto das suas melhores tradições. Anualmente, os festejos juninos são um pretexto para a confraternização, pois no calor da fogueira, comendo milho assado, discutem política, exaltam os seus herois, choram seus mortos e pedem aos céus a oportunidade de voltar sempre, sempre ao Araripe.

Ali, no Araripe aprenderam a venerar São João Batista, ouvindo vozez de Sinhazinha e Nora, ecoando o coro da Capela. Quem dos seus desconhece o Barão do Exu, Sinhô Aires, Neném de João Moreira, Santana de Januário, Dona de Seu Sete. Qual dos seus meninos não sentiu o irresistível desejo de puxar a corda do sino da igreja?

O Povoado do Araripe é um santuário de fraternidade do presente com o passado. Seu fundador deu-lhe a fidalguia e tradição e um seu filho deu-lhe a melodia do baião, este filho é Luiz Gonzaga.

Luiz Gonzaga nasceu no Araripe e ai sempre viveu! Ninguém melhor do que ele preservou as suas tradições e podemos afirmar que Luiz Gonzaga é a encarnação do Araripe, no amor que dedica á sua terra, na exaltação de sua gente. 

Ainda menino, Luiz Gonzaga, correu por aqueles patamares, gritando o bode ou tocando forró, crepitava em seu peito a ternura do Araripe, sem saber porque. Era a voz de um pássaro, os costumes do sertão, a beleza das coisas...e fugiu...fugiu porque seu coração não comportaria aquele grito da alma. Era a voz da terra. Era a arte. 

E a arte explodiu: surgiu o artista, o Rei do Baião, o filho de Januário e Santana, o cantor do Araripe. E hoje (1968), ocasião de seu Centenário, o Povoado do Araripe recebe comovido a homenagem de Luiz Gonzaga. É uma mensagem de arte e de amor: da arte que nasceu dele e não cabe nele, do amor que o torna maior fazendo os outros felizes.

O Araripe pede a Deus para seu filho a eternidade da arte que o persegue.

Fonte: Professora e escritora Thereza Oldam, Exu, Pernambuco, 20 de fevereiro de 1968

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