18 Horas! A hora do Angelus

Durante o carnaval entrei no ritmo de buscar mais conhecimento da mística Hora do Angelus.

Cida Golin doutora em Letras, Professora do Departamento de Comunicação da Universidade do Rio Grande do Sul e Bárbara Salvatti, bolsista de iniciação cientifica apontam em artigo para a tela A Hora do Angelus (1858-9 – Museu D’Orsay) de François Millet, com a imagem de um casal na lavoura, mãos cruzadas e a cabeça baixa em sinal de reverência, registra, às vésperas do movimento impressionista, a luz e a dimensão religiosa do calendário.

A cena naturalista e poética, associada a um ritual de base sonora, conquistou o público e foi amplamente difundida em cartões postais e almanaques. A prece alude à passagem bíblica da Anunciação do Anjo Gabriel à Virgem Maria; oração essa que, paulatinamente, incorporou-se ao culto católico como eixo meditativo quando "bate às seis horas", regulando a disciplina dos corpos e das mentes.

Dentro dessa vivência da religiosidade, o culto à Maria, configurada como uma visão materna protetora, vigilante  e poderosa, capaz de interceder pelos fiéis. Reproduzo aqui um dos momentos mais reflexivos apresentado na Rádio Jornal do Comérccio - Recife-Pernambuco.

"Seis horas, esta é a hora do ângelus Hora da anunciação. A humanidade esquece por um momento a sua luta inglória, deixa de lado os pensamentos pecaminosos, a perseguição desenfreada dos homens contra os próprios homens e contempla a paz da natureza, uma sombra pálida do olhar de Maria.

Nos templos, nas ruas e nos campos, as preces brotam espontâneas de todos os lares. Esta é a hora do ângelusA hora da anunciação! Nós vos suplicamos Maria que olheis por nós, vossos filhos ingratos.

Dai-nos a graça do arrependimento e a vossa benção materna, porém, mais do que nós, Maria, outros necessitam do vosso apoio, nessa hora. Os que morrem de necessidade. Os que blasfemam. Os que não crêem. Iluminai-os Virgem Santíssima Vós que fizestes os homens semelhantes a Deus por que foste Mãe de Jesus.
 
Olhai para os que perderam a fé Protegei-os, vislumbrai-os como um relâmpago aos olhos de Paulo
Lembrai-vos deles nessa hora, Maria e sede, para todo o sempre, louvada e bendita!

Ave Maria Cheia de Graças
O senhor é convosco
Bendita sois vós entre as mulheres
Bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus".


Luiz Gonzaga, carnaval, frevo, samba e sanfona

Luiz Gonzaga. Carnaval 1982
Quando a Dragões da Real entrou na avenida fez  o Nordeste brilhar. A escola de samba homenageou o povo nordestino através de um dos seus maiores ícones - a música Asa Branca, de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira. Isto foi no carnaval de São Paulo 2017.  

O enredo (Dragões canta Asa Branca) é uma espécie de releitura da música. "De tanto "oiá" o sol "queima" a terra / Feito fogueira de São João / Puxei o fole, embalado me inspirei / Aperreado coração aliviei / De joelhos para o pai, pedi / Com os olhos marejados, senti / Quanta tristeza brota desse chão rachado / Perdi meu gado, "farta" água para danar / "Eta" seca que castiga meu lugar / Vou me embora... seguir meu destino / Sou nordestino arretado, sim "sinhô", diz a letra. 

A Escola Unidos da Tijuca do Rio de Janeiro, ganhou  o título de campeã no Carnaval carioca de 2012, com o samba-enredo O Dia em Que Toda a Realeza Desembarcou na Avenida para Coroar o Rei Luiz do Sertão. A composição falava da paisagem, solo e vegetação do Sertão. O título fez o nome de Luiz Gonzaga ter destaque  nos meios de comunicação devido os 100 anos de nascimento.

Todavia o tema Luiz Gonzaga deve ser sempre pauta. Na década dos anos 80 Luiz Gonzaga foi homenageado pela Escola de Samba Vermelho e Ouro. No samba-enredo ele participou da gravação cantando e puxando sanfona. Isto tudo chama atenção e lamentamos as porcarias que hoje são produzidas e que as emissoras de Rádio e televisão divulgam colocando-as em primeiro lugar e salientadas como as mais ouvidas, dançadas e cantadas. A maioria possui letras pobres e vazias de arte.

Usando riqueza de ritmo, harmonia e melodia Luiz Gonzaga no início de sua trajetória musical, poucos sabem, divulgou e cantou o ritmo musical Frevo. Em 1946 gravou "Cai no Frevo". Detalhe: usou sua majestosa sanfona. Puxou a sanfona também no Frevo "Quer Ir mais Eu?", este regravado várias vezes até os dias de hoje e executado pelas orquestras de frevos nas ruas e bailes. "Quer ir mais eu vambora, vambora vambora...

Luiz Gonzaga ainda gravou "Bia no Frevo" e "Forrobodó Cigano". Homenageou o genial Capiba-Lourenço Fonseca Barbosa, tocando o frevo "Ao mestre com carinho" , este genial pernambucano criador da canção "Maria Betânia".

Luiz Gonzaga em parceria com João Silva, já no final da carreira,  mistura sanfona e instrumentos metais. Grava "Arrasta Frevo". Ainda Na seara do carnaval o Rei do Baião  participou do primeiro forró trioeletrizado junto com Dôdo e Osmar, Instrumento Bom. Viva a Bahia.

Toda esta trajetória faz Luiz Gonzaga atual...basta ouvir a letra de "Eu quero dinheiro, saúde e mulher. É isto mesmo e vice e versa Mulher Saúde e Dinheiro e o resto é conversa. Eu quero ser deputado, senador, vereador. Eu quero ser um troço qualquer para mais fácil arranjar Dinheiro Saúde e Mulher"...Impressionante ele gravou essa façanha em marcha-frevo no ano de 1947.

Viva Luiz Gonzaga, a Bahia, o frevo, o trio elétrico, Pernambuco. Viva o Carnaval



MST mostra durante o carnaval a alegria que existe na revolução

O Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST) mostra a reforma agrária para o carnaval de Olinda e Recife. A Barraca da Reforma Agrária funcionará no Polo Sítio de "seu Reis", do sábado à terça-feira de Carnaval.

Mao Tsé-Tung dizia que "a revolução não é um convite para um jantar". Mas ela deve ser bonita, ter poesia e alegria, conforme nos ensinou nosso sempre presente companheiro Josias Barros, dirigente do MST de Pernambuco assassinado em 2006, com um tiro pelas costas enquanto defendia a bandeira do MST.

E é com alegria e comprometimento, com espirito de festejo - mas também de luta - que o MST participa do Carnaval, essa que é a mais popular de todas as festas. Seja com nossa escola de samba, a Unidos da Lona Preta, seja com blocos regionais e locais ou com a participação da nossa militância nas ruas, o MST devolve ao carnaval seu sentido popular, contestador e, porque não dizer, revolucionário.

É nesse sentido que esse ano trazemos a Reforma Agrária para o carnaval de Olinda, com a Barraca da Reforma Agrária do MST. Além de um ponto de encontro da militância política que participa do carnaval de Olinda, a barraca trará ainda uma série de programações. No sábado de Zé Pereira o Bloco "Lula e o Polvo" fará o encerramento de seu desfile, e na segunda-feira haverá a "Batucada da Reforma Agrária".

A Barraca da Reforma Agrária funcionará no Polo Sítio de seu Reis, atrás da Praça do Carmo, do sábado à terça-feira de Carnaval.

Afinal, "se aqui estamos, cantando essa canção, viemos defender a nossa tradição, e dizer bem alto, que a injustiça dói, nós somos madeira de lei que cupim não rói".

Fonte: MST


Campanha da Fraternidade 2017 discutirá defesa do meio ambiente

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil lança a Campanha da Fraternidade (CF) de 2017, na próxima quarta-feira 29. Com o tema “Fraternidade: biomas brasileiros e defesa da vida” e o lema “Cultivar e guardar a criação”, a iniciativa alerta para o cuidado da criação, de modo especial dos biomas brasileiros.

Segundo o secretário geral da CNBB, dom Leonardo Ulrich Steiner, a proposta é dar ênfase a diversidade de cada bioma e criar relações respeitosas com a vida e a cultura dos povos que neles habitam, especialmente à luz do Evangelho. Para ele, a depredação dos biomas é a manifestação da crise ecológica que pede uma profunda conversão interior. “Ao meditarmos e rezarmos os biomas e as pessoas que neles vivem sejamos conduzidos à vida nova”, afirma.

Ainda de acordo com o bispo, a Campanha deseja, antes de tudo, que o cristão seja um cultivador e guardador da obra criada. “Cultivar e guardar nasce da admiração! A beleza que toma o coração faz com que nos inclinemos com reverência diante da criação. A campanha deseja, antes de tudo, levar à admiração, para que todo o cristão seja um cultivador e guardador da obra criada. Tocados pela magnanimidade e bondade dos biomas, seremos conduzidos à conversão, isto é, cultivar e a guardar”, salienta.




Março: 70 anos da primeira gravação da toada Asa Branca

Este ano o baião Asa Branca, completa 70 anos. São 70 anos da música Asa Branca. Sete décadas! Um marco da música brasileira e universal!

Luiz Gonzaga, nascido em Exu, Pernambuco e Humberto Teixeira, em Iguatu, Ceará interpretaram o sofrimento e também as poucas alegrias de sua gente. Foi por meio de "Asa Branca" que elevaram à condição de epopéia a questão nordestina. Podemos afirmar  que "Asa Branca" é o hino do Nordeste: o Nordeste na sua visão mais significativamente dramática, o Nordeste na aguda crise da seca.

No dia 3 de março de 1947, no estúdio da RCA, foi gravado a música, composta por Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira,  Há mais de quinhentas interpretações diferentes no mundo. Uma das gravações é de 1975,  o cantor grego Demis Roussos gravou versão da canção em inglês, também chamada White Wings. Asa Branca ganhou também versão em inglês em 1970, criada pelo roqueiro Raul Seixas.

Humberto Teixeira contou em depoimento para o Museu da Imagem e Som (Nirez) que “No dia em que gravaram, com o conjunto de Canhoto, ele disse: puxa, vocês depois de um negócio desses, de sucessos, vêm cantar moda de igreja, de cantador que pede esmola. Que troço horrível!’ Aí então, eles com um pires na mão, saíam pedindo, brincando, uma esmola pro Luiz e pra mim, dentro do estúdio. Mal sabiam eles que nós estávamos gravando ali uma das páginas mais maravilhosas da música brasileira”.

A gravação de Asa Branca foi tão importante que nos anos 60 saiu uma "conversa" que os Beatles iam gravar “Asa Branca". Foi uma das mentiras de Carlos Imperial que entrou para a história e virou filme: “Eu Sou Carlos Imperial". Cínico, mulherengo e grande marqueteiro, Carlos Eduardo da Corte Imperial ficou conhecido como o apresentador de TV que fecundou a Jovem Guarda e lançou nomes como Roberto Carlos, Elis Regina, Tim Maia e Wilson Simonal.

O próprio Gonzagão e seu parceiro Humberto Teixeira na autoria do lamento contra a desgraça da seca na vida dos caboclos do norte se surpreenderam. O velho Lua, que não se cansava de destilar ressentimento contra o iê-iê-iê que coroou outro rei, Roberto Carlos, em um trono que fora seu, mostrava um autêntico orgulho de tamanha honraria.

"Os meninos ingleses têm muito sentimento e não avacalham a música. A toada deles parece bastante com as coisas do Nordeste. Até as gaitas de fole lembram a nossa sanfona", publicou a revista Veja numa reportagem sobre a volta ao sucesso do sanfoneiro por causa da gravação de sua canção pelos artistas mais famosos do planeta.

Carlos Imperial tinha uma tese de que havia semelhanças musicais entre o rock e o baião.


Clarissa Loureiro: o filme " A chegada" cria uma situação metafórica relevante para refletir sobre o devorar do tempo

O filme “ A chegada” se destaca por colocar a linguagem numa posição protagonista além da comunicação. Somos a nossa linguagem. Ela determina nosso olhar sobre o mundo e do mundo sobre nós mesmos. O filme dá uma passo à frente quando leva-nos a discutir sobre a relevância da nossa linguagem como uma ferramenta para se compreender o Tempo. Sabe-se que o Tempo é uma “persona” incontrolável na história da humanidade, destruindo e construindo civilizações. 

E que cada civilização constrói suas linguagens para sobreviver dentro do Tempo, tal qual os titãs dentro de Chronos. Mas o filme cria uma situação metafórica relevante para se refletir sobre o próprio “devorar” do Tempo. Se houvesse uma civilização tão evoluída que conseguisse criar uma linguagem que desvendasse o Tempo? O que seria dela ao descobrir a não-linearidade do tempo dentro da gente e a nossa capacidade de atravessá-lo como os filhos de Chronos, rasgando as suas entranhas? E se uma mulher aprendesse essa linguagem como sobreviveria ao prever a perda de sua própria filha? São reflexões inquietantes. Somos capazes a sobreviver a nossas memórias futuras? Que alguns já estão a um passo, isso é certo. Mas o difícil é ter a tolerância da lucidez completa.

Fonte: Clarissa Loureiro-Professora da UPE. Doutora em Teoria da Literatura


IV Edição do Festival Viva Dominguinhos acontecerá em Garanhuns entre os dias 20 a 22 de abril

Paulo Vanderley e Ney Vital
A quarta edição do Viva Dominguinhos 2017, será realizado entre os dias 20 a 22 de abril, em Garanhuns. A Secretaria de Turismo e Cultura de Garanhuns lançou a  convocatória para a seleção de propostas que poderão compor a programação do evento. As inscrições devem ser realizadas até o dia 8 de março presencialmente ou via Correios.

Para a inscrição presencial, o proponente deve se dirigir, de segunda à sexta-feira, no horário das 9h às 13h, até a sede da Secretaria de Turismo e Cultura de Garanhuns, situada no Centro Administrativo Municipal Arlinda da Mota Valença, à Rua Joaquim Távora, S/N, Heliópolis. Para envio via Correios, basta encaminhar a documentação para este mesmo endereço, com postagem até às 17h do dia 08 de março. Não serão aceitas inscrições via fax, internet ou qualquer outra forma de encaminhamento.

 O Viva Dominguinhos foi criado para homenagear José Domingos de Moraes, músico natural de Garanhuns. Dominguinhos nasceu em 12 de fevereiro de 1941 e faleceu aos 72 anos, em 23 de julho de 2013. Para celebrar a vida e a obra do músico, a Prefeitura formatou o evento, já consolidado no Nordeste.

Fonte: Secretaria Turismo Garanhuns







28 de julho: Noite de Amor em Poço Redondo

Aquela noite, 28 de julho, era a noite de seus desejos. Seus corpos se amariam como nunca. Seus olhos confessavam seu amor. Havia uma necessidade de abraçar mais forte, de se beijar mais quente, de sussurrar segredos. O suor os unia em complexa solução salgada. Seus fluidos se misturavam cumprindo seu destino. A lua, a noite, o silêncio no campo. A terra calava-se diante de tanta cumplicidade. Nus, abraçados, juraram amor eterno, enquanto seus dedos se entrelaçavam. A rusticidade de suas vidas nunca invalidara seus momentos de paixão. O cactus, a poeira da caatinga, os bichos mais estranhos, a brisa inexistente, tudo reverenciava e abençoava sua união. Naquela noite, toda a alegria do mundo invadia-lhes a aura. Até que veio a manhã e adormeceram para sempre.

Fonte: professor Aderaldo Luciano-doutor em ciencia da literatura


Carnaval de Petrolina terá Geraldo Azevedo, Elisson Castro-Pega Leve e Matingueiros

De 25 a 28 de fevereiro, a cidade de Petrolina vai se preparar para o Carnaval. Este ano, o ciclo carnavalesco da cidade vai priorizar os artistas da região do São Francisco, orquestras de frevo e terá dois polos culturais, sendo eles a Praça 21 de Setembro e na Orla Fluvial.

No Polo Orla, entre as principais atrações do Carnaval de Petrolina, estão Geraldo Azevedo, André Rio e a banda Araketu. Já na Praça 21 de Setembro, a energia e a tradição do frevo irão tomar conta do Centro durante os quatro dias com orquestras da região. O público ainda vai contar com bandas, blocos, fanfarras e orquestras de chão circulando pela área.

A homenageada este ano será a professora Déa Carvalho, petrolinense e apaixonada por Carnaval, Déa trabalhou durante 30 anos na Prefeitura de Petrolina, onde atuou como diretora de Cultura, Turismo e Esportes. Confira a programação a seguir: 
Polo Orla (19h às 3h)  Sábado (25): Antony Sandey, Orquestra Frevo Premier, Ana Costa e Geraldo Azevedo.
Domingo (26): Fabiana Santiago, Gueber Pereira, Jonathan Araújo e André Rio
Segunda (27):Pega Leve,  Dubaia, Fernando Junior, Sem Radar e Thiago Carvalho
Terça (28): Matingueiros, Super Banda, Trio Granah e Araketu

Polo 21 de Setembro (18h às 0h30) 
Sábado (25): Orquestra de Frevo Visão Musical e Orquestra de Frevo Skalla Musical 
Domingo (26): Orquestra de Frevo Novo Skema e Orquestra de Frevo Joãozinho Maravilha 
Segunda (27): Orquestra de Frevo Novo Skema e Orquestra Joãozinho Maravilha 
Terça (28): Orquestra de Frevo Skalla Musical e Orquestra de Frevo Aquarela



Raimundo Aniceto: o Tocador de Pife

Aderaldo Luciano numa carta endereçada ao cantador cantor Beto Brito, relatou a certeza, "e vai colocar isso em um livro, que Deus era um tocador de pife e foi soprando nele, num pife feito de taboca, que deu vida ao Homem com seu sopro fiel".
 
Visitei no Crato, Ceará, o mestre da cultura de tocar pife, Raimundo Aniceto, 83 anos, nascido em 14 de fevereiro de 1934. Fui na casa do líder da Banda Cabaçal de Pife dos Irmãos Aniceto.  A Banda de Pífe é Patrimônio Cultural Imaterial.

Formado no século 19 pelo “Véi Anicete”, ou José Lourenço da Silva, que mais tarde se tornaria José Aniceto, um descendente de índios do Kariri, o grupo se encontra na quarta geração — e não deixa de lado a música do sertão. A Banda de Pífe já tem mais de dois séculos de fundação.
 
Seu Raimundo começou a tocar com 6 anos, ele acompanhou de perto a renovação da banda. A formação atual é composta por  Adriano, Antonio (seu irmão), Jeová e Ciço. Eles têm um sexto integrante, Ugui, escalado em situações especiais.
 
Durante a visita o mestre Raimundo Aniceto mostrou as fotos e os ollhos marejam com retratos da disposição de outrora. Responsável pela coreografia, ele dançava, pulava e arriscava até um salto mortal na apresentação.

Raimundo Aniceto está se recuperando de um AVC-Acidente Vascular Cerebral. Já não toca! Todavia a mente, alma e corpo falam do Guerreiro Cultural que bem sabe e pede socorro: o pife não pode acabar!

No final da visita fiquei a pensar: o Brasil trata realmente com o maior desprezo a sua verdadeira riqueza cultural. A situação atual de Raimundo Aniceto carece de maior respeito e dedicação por parte do poder público...

Mestre Raimundo Aniceto tem seis filhos e de acordo com Dona Raimunda a esposa pediu para que não deixassem acabar o grupo e manter vivas essa tradição. Preocupada Dona Raimunda sentenciou: "É muito difícil, pois a juventude não está muito ligada na tradição. Mas vamos conseguir".



Garanhuns: Viva Dominguinhos

Dominguinhos encantou o Brasil com sua sanfona e voz, simplicidade e humildade.  Dominguinhos tornou-se um cantador que melhor soube interpretar a alma brasileira e vive na boca do povo, no puxado da sanfona em todos os recantos desse Brasil.

A prefeitura de Garanhuns vai realizar a Quarta Edição do Festival Viva Dominguinhos-2017. O evento já é considerado o maior encontro de sanfoneiros em todo o Brasil. Na oportunidade os gonzagueanos e forrozeiros de todo o Brasil tradicionalmente, a exemplo de Exu, marcam o encontro regado a sanfona, lógico, valorizando o ritmo, melodia e harmonia do verdadeiro forró.

Garanhuns, o lugar onde nasceu Dominguinhos é uma cidade encantadora. Frio de 18 graus e uma sensação térmica abaixo dos 10 graus.

Garanhuns nesse sentido também consolida um calendário turístico ao movimentar a economia da região. O Festival firma o incentivo e valorização da cultura e arte, um festival ancorado na alma e no profissionalismo do filho mais ilustre da música brasileira: Mestre Dominguinhos.

Garanhuns abastece assim todo o Brasil, Estado, através da impressionante riqueza de ritmos e artes, do cordel aos cantadores de viola, do aboio ao frevo, do armorial ao maracatu, do baião ao xote e xaxado,  as múltiplas variações da música nordestina/brasileira presentes na sanfona, triangulo e zabumba, “uma autêntica orquestra”, na definição de Luiz Gonzaga.

O professor paraibano, radicado no Rio de Janeiro, Aderaldo Luciano, sempre me lembrou que Luiz Gonzaga foi pedra angular, referência -mor do forró, mas o Rei do Baião, não trilhava sozinho. Havia por trás de si, uma constelação de compositores, músicos, além de profícuos conhecedores do seu trabalho, amigos talhados de sol, nascidos do barro vermelho, com almas tatuadas por xique-xiques e mandacarus.

E por isto Garanhuns é o local apropriado para ser o palco capaz de reunir milhares de admiradores, com sede e fome de ouvir, cantar, silenciar, transformar e aplaudir em noites e nuances do céu estrelado sanfonado do mestre Dominguinhos, o discípulo que inovou a arte do mestre Luiz Gonzaga.

Garanhuns proporciona com o Festival Viva Dominguinhos a oportunidade de conhecermos e ampliar o debate sobre compositores, músicos, artistas que sabem divisar o Cruzeiro do Sul do Sete Estrelo e muito além disso discutir e como lidar com a máquina capitalista avassaladora dominante hoje da “indústria musical”.

Dominguinhos Vive. Garanhuns é agora um pedaço de terra de todos nós brasileiros. Dominguinhos, qual Luiz Gonzaga tornou-se uma estrela luminosa a brilhar. Como disse Fernando Pessoa, “quem, morrendo, deixa escrito um belo verso, deixou mais ricos os céus e a terra, e mais emotivamente misteriosa a razão de haver estrelas e gente”.

Viva Garanhuns. Viva o Nordeste. Viva Petrucio Amorim, Alceu Valença, Xico Bizerra, Três do Nordeste, Jorge de Altinho, Elba Ramalho, Anastácia, Paulo Vanderley, Luiz Ceará,  Quinteto Violado, Flávio Leandro, Flávio José, Viva o Fole de Oito Baixos, Targino Gondim... Viva o Festival Dominguinhos.



Padre Agio, 99 anos transformando vidas através da música

O monsenhor Ágio Augusto Moreira, conhecido como Padre Ágio, completou 99 anos no inicio deste ano. Apesar da idade o movimento e pensamentos vibram com as notas musicais.

Há cinco décadas ele se dedica à Escola de Educação Artística Heitor Villa-Lobos, mantida pela Sociedade Lírica do Belmonte - SOLIBEL, em Crato, Ceará. A instituição ensina música a jovens, a maioria da zona rural, que possuem inclinação para a arte musical. Em 2015, Padre Ágio foi homenageado com o documentário “O Padre Azul”, de José Wilton Soares e Silva, que conta a história do projeto que começou com uma orquestra de camponeses.

O sacerdote nasceu na cidade de Assaré e mora em uma casa simples no sítio Belmonte, no sopé da Chapada do Araripe. A escola de música está localizada no distrito de mesmo nome, próxima à sua residência, onde a vida e obra de artistas como Beethoven, Mozart, Chopin, Villa-Lobos e Luiz Gonzaga são referências para os cerca de 150 alunos da instituição.

As aulas são ministradas para crianças a partir dos 4 anos e ultrapassam gerações, como é o caso de Cícero Galdino, que entrou na escola aos 8 anos, em 1989, por influência dos pais que também foram alunos, e permanece até hoje, agora como professor e um dos diretores.

“A escola de música mudou minha família, ampliou o nosso olhar sobre a vida e, sobretudo, me fez um ser humano melhor”, diz.

Fonte: Foto: Patrícia Silva/Diocese de Crato- CE)


Mestre Manuel Eudocio terá Memorial em Caruaru

Nesta segunda-feira (13), será inaugurado no Alto do Moura, em Caruaru, no Agreste de Pernambuco, o memorial em homenagem ao Mestre Manuel Eudócio, um dos maiores nomes da cultura. A data marca um ano da morte do artesão.

Em 2005, Eudócio se tornou Patrimônio Vivo de Pernambuco. Ele morreu aos 85 anos, após uma insuficiência renal crônica. A ideia do memorial é da família do artesão, para manter viva as obras criadas em 68 anos de dedicação a arte.
Segundo o filho do artesão, Ademilson Eudócio, o memorial era um desejo do artista, que queria deixar sua história registrada.

Manuel Eudocio nasceu em Caruaru em 28 de janeiro de 1931.

"Era um desejo dele em vida. Inclusive algumas peças ele já tinha separado para o memorial. Com a morte dele, passou um ano fechado. Nós achamos por bem não abrir. Como está completando um ano, em homenagem a ele, a essa cultura, nós resolvemos abrir para receber os admiradores da arte. Vamos manter aberto, é a maneira que encontramos de deixar tudo isso vivo", disse.

As peças de Manuel Eudócio relatam os folguedos, as manifestações culturais e o cotidiano do povo, ele ficou conhecido como o 'cronista do barro'. Uma das esculturas mais famosas é o Reisado. Outra obra que ficou bastante conhecida é a Família de Retirantes, entregue ao Papa Emérito Bento XVI, pelo ex-presidente Lula.

Manuel Eudócio morou na Rua Mestre Vitalino, no Alto do Moura. Começava a trabalhar às 5h. Antes do café da manhã, ele já sentava para esculpir as peças. Do contato com o barro, surgiram obras espalhadas pelo mundo e também sucessores dA arte, como o filho, Luiz Carlos.

"Ele sempre nos orientava sobre o trabalho, a posição de uma peça, os cuidados com a perfeição. Convivendo com ele, eu fui desenvolvendo o trabalho, creio que é um dom. É quase impossível fazer sem existir o dom, é impossível fulgir dessa arte. Temos que prosseguir. Se ele partiu, ficou para nós dar prosseguimento a nossa cultura", disse.


Graciliano Ramos: "A realidade profunda, a verdade única está no fundo da alma"

O escritor alagoano Graciliano Ramos tinha amava a verdade nua e crua, sem nenhum enfeite ou remendo. José Lins do Rego comentou em artigo que alguns dos personagens de Graciliano falam sozinhos — falam para dentro, mantêm diálogos com sombras. “A realidade profunda, a verdade única está no fundo da alma.”

O escritor Graciliano Ramos em menos de duas décadas, o autor deixou uma obra que divide a literatura nacional entre antes e depois de sua produção. Apenas 22 anos separam seu primeiro romance, Caetés de 1933 da sua morte em 20 de março de 1953. Seu romance de estreia veio, aos 41 anos de idade, mas, prolífero como poucos, deixou um dos maiores legados literários naquilo que se convencionou chamar  romances sociais.

Considerado o maior romancista moderno, “o velho Graça” era reconhecido como grande escritor já pelos seus contemporâneos. Não apenas sua escrita, mas seu pensamento crítico, sua filosofia e postura política o fizeram crescer em popularidade entre os intelectuais e artistas de seu tempo. Ramos assistiu em vida sua consagração.

Estilista do regionalismo, o escritor alagoano misturava simbolismo a um realismo pungente e construía com verdade cortante personagens que em suas trajetórias espelhavam os dramas da vida brasileira. Era mestre em tornar palpável a tristeza do mundo. Suas obras foram traduzidas para mais de 28 idiomas, transportadas para o cinema e para o teatro, analisadas por críticos e literatos. E mesmo, após 63 anos de sua morte, seus escritos ainda carregam inúmeras dimensões da realidade nacional.



Carnaval Juazeiro-Bahia, Targino Gondim e o legado da sanfona de Luiz Gonzaga

O carnaval de Juazeiro-Bahia terá início nesta sexta-feira, 10, e se estenderá até o próximo domingo, 12. O evento é realização da Prefeitura Municipal, através da Superintendência de Eventos e da Secretaria de Cultura, Turismo e Esportes. O tema é "Tropicália na Terra da Alegria", numa homenagem aos 50 anos do Tropicalismo.

A organização do Carnaval de Juazeiro valoriza mais uma vez a cultura a partir do legado de Luiz Gonzaga e a sanfona:. Targino Gondim, Flor Serena, Joao Sereno vão soltar a voz mostrando que é carnaval.

Em tempos de tanta música ruim, onde a porcaria musical impera, será uma riqueza ouvir Targino Gondim e sua sanfona em pleno carnaval. Cabe aqui citar que a identidade cultural no mundo globalizado é fator de atração turística. O forró, baião, xaxado sempre será um fator de desenvolvimento econômico e social.

Louvável a atitude da Prefeitura de Juazeiro-Bahia  ter na programação sanfoneiros. Meu incentivo para que todos os eventos isto seja repetido na busca de repensar as relações entre cultura e discurso oficial. A atitude representa um exercício da cidadania cultural.

Luiz Gonzaga, diga-se, poucos sabem,  na década de 40 e 50 derrubava todos os preconceitos já "cristalizados" pelo tempo e puxava sua sanfona em pleno carnaval. Em 1947 o maior sucesso do carnaval foi "Quer ir mais eu?", frevo regravado até os dias de hoje.

Também na sanfona de Luiz Gonzaga foram gravados para o carnaval "Bia no Frevo", Ao Mestre Capiba, Arrasta Frevo.

No carnaval da Bahia, décade de 80,  o Brasil e o mundo tomou conhecimento do primeiro forró trio eletrizado:  "Instrumento Bom", autoria de Morais Moreira na voz de Luiz Gonzaga,  gravado com Trio Eletrico de Armandinho, Dôdo e Osmar. O Brasil canta até hoje...

Portanto é necessário criar uma expectativa de reorganização da política cultural, mesmo com a descrença no aparelhamento público (o Estado ainda é necessário quando a serviço da coletividade).

Cultura, sanfona e diversão. Tenho dito: Viva o Nordeste. Viva o carnaval com sanfona!Viva o forró!

*Ney Vital-Jornalista


O Frevo completa 110 anos

A palavra Frevo foi publicada pela primeira vez na imprensa no Jornal Pequeno, no dia 9 de fevereiro de 1907. Em 04 de dezembro de 2012 o ritmo recebeu um dos seus maiores presentes, o título de Patrimônio Imaterial da Humanidade, concedido pela Unesco. “Um viva para a cultura pernambucana”.

Em comemoração ao terceiro ano de sua fundação, o Paço do Frevo, no Centro do Recife, preparou uma programação especial, a partir desta quinta-feira (9), quando é celebrado o aniversário de 110 anos do surgimento do gênero musical. A programação segue até março, com oficinas, palestras, lançamento de livro e visitas programadas.

“O frevo é essa imensa variedade de símbolos. Não há coreografia, o ritmo é quem dita a dança. O Paço do Frevo é muito mais que o lugar, que a estrutura, que a beleza do ambiente. Nos faz sentir vivos e está a serviço de uma ideia, uma causa".



Flavio Leandro: "Meu parceiro Zé Alberto pegou a sacola cheia de sonhos e saiu, de mansinho"

Meu parceiro Zé Alberto pegou sua sacola cheia de sonhos e saiu, de mansinho. Foi ali, logo ali, na dimensão dos sonhos, tocar seus sonhos com as mãos...Cá, ficamos nós! Nesse mundo cão! Atordoados, com o seu novo caminhar... Descanse em paz, poeta sonhador! Nossa associação ficará capenga sem suas pernas, mas, encontrará forças para continuar o seu pensar; nossa música ficará mais triste sem os seus acordes, mas, a festa da vida não aceita dança sem ritmo; temos que cantar...ainda que doa...sempre...até que chegue a hora de recolhermos nossas sacolas de sonhos e irmos ao seu encontro nos palcos do céu para cantarmos essa eterna melodia! Deus te acolha e proteja os teus aqui na terra. Valeu pela parceria na música "Pra Você Voltar" que tão brilhantemente engrandeceu meu álbum ACÚSTICO em 2002. Paz!!!

Fonte: Flávio Leandro - poeta, cantor e compositor.


Triunfo, Pernambuco: Serras, Frio, Cachaça e Café

Triunfo, Pernambuco é um cenário coberto de serras e vales, um paraíso em plena região da seca. A cidade ainda preserva casario colonial imponente e prédios centenários.

Triunfo fascina turistas. Mais uma vez comprovei o feitiço da cidade! Há muito o que descobrir. No Pico do Papagaio, ponto mais alto de Pernambuco, com 1,2 mil metros de altitude, há um mirante mais do que privilegiado da natureza. Além da vista deslumbrante do Planalto da Borborema, há outra raridade em Triunfo: a temperatura é bem mais amena do que no restante do sertão.

A cidade tem os seus sabores, doces caseiros e rapaduras de café. No centro da cidade tem o único teleférico de Pernambuco. E a vista do alto é privilegiada. E Triunfo possui também cachaça!

Histórias não faltam. Uma delas é que Lampião deve ter se encantado quando passou pela cidade. Dizem que o rei do cangaço se refugiou no Sítio das Almas, que guarda histórias de assombração e uma curiosidade: a construção fica entre dois estados, Pernambuco e Paraíba. Basta ir da sala para o quarto que se chega à Paraíba. A divisa fica exatamente no ponto mais alto da casa, na cumeeira que divide o telhado.

Para o carnaval a chamada é para "os caretas", personagens do folclore, que estalam seus chicotes pelas ladeiras há mais de cem anos. É uma brincadeira cheia de cor e mistério que só existe em Triunfo.


Pesquisa aponta a cidade de Areia, Paraíba, um dos melhores destinos turísticos

O Ministério do Turismo indicou a cidade paraibana de Areia como um dos destinos para os turistas que desejam fugir do calor neste verão. O MTUR ressaltou que para quem não é fã de sol, mas quer curtir o verão pode desbravar lugares com climas frios no Brasil, inclusive no Nordeste do país e entre as cidades nordestinas com estas características, o Ministério do Turismo destaca Areia como o primeiro destino.

Na lista aparecem Gramado, Canela, Petrópolis, Teresópolis, Foz do Iguaçu, Serra da Mantiqueira, Campos do Jordão e Blumenau. No Nordeste as sugestões são Areia (PB), Gravatá, Garanhuns e Triunfo (PE), Vitória da Conquista e Piatã (BA), Guaramiranga (CE) e Martins (RN).

A cidade de Areia fica no Brejo da Paraíba, rodeada de matas verdes e uma serra que promovem clima frio e brisa perene. A cidade tem mais de 170 engenhos de cana de açúcar catalogados e é forte também na produção de cachaça. A região é permeada de açudes e fontes de água limpa. É possível explorar o turismo de aventura em trilhas na Mata do Pau Ferro, a única georreferenciada da Paraíba.

?Areia é Patrimônio Nacional Histórico e Cultural. Foi em Areia que nasceu Pedro Américo, pintor do quadro Independência ou Morte, também conhecido como O Grito do Ipiranga. Os turistas podem conhecer um pouco da história do artista na Casa Museu de Pedro Américo.

A cidade histórica tem muito para mostrar como a Igreja do Rosário dos Pretos, já que o local cheio de engenhos vivenciou a escravidão. Areia foi a única cidade da Paraíba a ter execuções na força em praça pública.

O lugar também foi o primeiro do estado a contar com um teatro, o Teatro Minerva, preservado até os dias atuais nos mesmo moldes de antigamente, com um pequeno espaço para o público em poltronas de madeira e camarote circular em dois andares em volta da assembleia.

A cidade tem hotéis, pousadas e na zona rural há hotéis fazendas para os turistas. São dezenas de restaurantes e produção de pratos e produtos típicos da região como as guloseimas da Casa do Doce. A cidade é forte produtora de cachaça e rapadura e os museus locais resgatam a história da produção da cachaça e da rapadura.

 


Campanha para ajudar no tratamento de câncer do Palhaço Gasparito tem início em Petrolina

Ele criou um projeto social em Petrolina para acolher crianças e jovens no Bairro Dom Avelar e comunicadas vizinhas, se dedicando com afinco a sua missão. Agora é ele, Fagner Bezerra Cabral – ou Palhaço Gasparito – quem precisa de ajuda e apoio dos petrolinenses, e de todos que o conhecem, para custear um tratamento de saúde. Fagner tem 24 anos e foi diagnosticado recentemente com um câncer, já tendo iniciado tratamento.

Para ajudar Fagner, um grupo intitulado ‘Amigos do Palhaço Gasparito’ está se mobilizando para conseguir recursos para tratamento deste jovem, que criou um dos personagens mais queridos do Vale do São Francisco. O tratamento depende de muitos despesas: exames, consultas e medicamentos.

 A família de Gasparito não possui condições financeiras suficientes, por isso o apelo dos amigos para quem já fez tantas campanhas pelo próximo e que precisa ficar bem para voltar a alegrar ainda mais crianças e jovens de bairros carentes de Petrolina.

Quem quiser colaborar pode depositar o valor que puder numa conta da Caixa Econômica Federal, que foi aberta para doações. A agência é 2991, operação 013, conta poupança número 19.713-7, em nome de Fagner Bezerra Cabral. Conforme amigos de Gasparito que estão à frente dessa campanha, qualquer quantia depositada será bem vinda.


Revolução Cultural usando o Baião e o Frevo

O aniversário de cem anos do frevo foi em 2007. O centenário de Luiz Gonzaga Rei do Baião em 2012. Dominguinhos, Sivuca e Jackson do Pandeiro valorizam o Frevo.

O frevo possui o título de patrimônio cultural e imaterial da humanidade. Luiz Gonzaga ainda no início de sua trajetória musical, poucos sabem, divulgou e cantava Frevo. Em 1946 gravou "Cai no Frevo". Detalhe: usou sua majestosa sanfona. Puxou a sanfona também no Frevo "Quer Ir mais Eu?", este regravado várias vezes até os dias de hoje e executado pelas orquestras de frevos nas ruas e bailes Brasil afora. 

Luiz Gonzaga gravou nos ano 80 "Bia no Frevo" e "Forrobodó Cigano". Homenageou o genial Capiba-Lourenço Fonseca Barbosa, tocando o frevo "Ao mestre com carinho".

Luiz Gonzaga em parceria com João Silva, já no final da carreira, anos 80, grava "Arrasta Frevo". Ainda Na seara do carnaval o Rei do Baião  participou do primeiro forró trio-eletrizado junto com Dôdo e Osmar, Instrumento Bom. Viva a Bahia. 

Toda esta trajetória faz Luiz Gonzaga atual...basta ouvir a letra de "Eu quero dinheiro, saúde e mulher. É isto mesmo e vice e versa Mulher Saúde e Dinheiro e o resto é conversa. Eu quero ser deputado, senador, vereador. Eu quero ser um troço qualquer para mais fácil arranjar Dinheiro Saúde e Mulher"...Impressionante, visionário, Luiz Gonzaga, gravou essa façanha em marcha-frevo no ano de 1947.

Como se vê, o frevo deveria sempre ficar em alta. O frevo e o baião deveriam ser tocados nas Rádio o ano inteiro. Mas frevo para quê? Por que frevo? Para que Baião? Por que Baião?

A resposta está na conexão de estudos e reflexões sobre a cultura brasileira que conduzindo-me à constatação: vivemos num país que reluta em aceitar-se integralmente. Não se valoriza o Frevo e o Baião!

Antonio Nobrega é multi-instrumentista, argumenta que nossa tarefa está em amplificar, dinamizar, trazer para a órbita de nossa cultura contemporânea os valores, procedimentos e conteúdos presentes nessa Revolução cultural.

Essa ação amplificadora poderia abranger escolarização musical – por que não se estuda frevos e baião em nossas escolas? a riqueza lúdica e criadora proporcionada pelo seu multifacetário estoque de movimentos–; a valorização de modelos de construção e integração social advindos do mundo-frevo... Tudo isso ajudaria ao Brasil entender-se melhor consigo mesmo e com o mundo em que vivemos.

O frevo e o baião são duas representações simbólicas mais bem-acabadas e representativas que o povo brasileiro construiu. Assim como o samba, o choro, uma entidade transregional cuja imaterialidade poderemos transmudar em matéria viva operante se tivermos a suficiente compreensão do seu significado e alcance sociocultural.

Fonte: Antonio Nobrega é multi-instrumentista, dançarino e cofundador do Instituto Brincante de cultura e dança popular.



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