PROFESSOR E EMPRESÁRIO LUIZ CEARÁ MORRE VÍTIMA DA COVID-19

 O empresário e entusiasta cultural Luiz Ceará, 72 anos, faleceu na manhã deste domingo (7) por complicações da Covid-19. Ele estava internado na UTI do Hospital São Marcos. O empresário deixa três filhos. A trajetória de Luiz ficou marcada pelo incentivo aos artistas a se apresentarem no Restaurante Arriégua, na Várzea, Zona Oeste do Recife, transformando o lugar em um ponto de divulgação e fomentação da cultura local.

Além de empresário, Luiz também era professor de economia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). 

O músico Alcymar Monteiro lembra com carinho de Luiz Ceará: "Era um amigo inconfundível dos artistas. Eu o conheci através de Dominguinhos. Muitos artistas, quando vinham para cá, ficavam na casa dele. É um nome que não será esquecido pelo que fez pela arte, pela cultura, pelo forró."

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GOVERNO DA BAHIA ANUNCIA AMPLIAÇÃO DAS MEDIDAS RESTRITIVAS PARA JUAZEIRO E SENHOR DO BONFIM, JAGUARARI, CURAÇÁ E OUTROS MUNICÍPIOS

O governo da Bahia anunciou a ampliação das medidas restritivas de segunda-feira (8) até as 5h de quarta-feira (10) para Juazeiro e Senhor do Bonfim. A informação será publicada na edição extra do Diário Oficial do Estado (DOE) deste domingo (7).

As medidas valem para os municípios de Andorinha, Antônio Gonçalves, Campo Alegre de Lourdes, Campo Formoso, Cansanção, Canudos, Casa Nova, Curacá, Filadélfia, Itiúba, Jaguarari, Juazeiro, Pilão Arcado, Pindobaçu, Ponto Novo, Remanso, Senhor do Bonfim, Sento Sé, Sobradinho, Uauá.

Nesses municípios só será permitido o funcionamento de atividades relacionadas à saúde e ao enfrentamento da pandemia, além da comercialização de alimentos e feiras livres.

São considerados serviços essenciais as atividades relacionadas à segurança pública, saúde, proteção e defesa civil, fiscalização, arrecadação, limpeza pública, manutenção urbana, transporte público, energia, saneamento básico e comunicações.

A ampliação das medidas restritivas foi definida pelo governo da Bahia e prefeituras dos municípios com o objetivo de frear a disseminação da Covid-19 nas regiões.

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MOCINHA DA PASSIRA: A VOZ FEMININA NA CANTORIA DE VIOLA

Ariano Suassuna a convocou para colocar em si o colar da Academia Brasileira de Letras, no Palácio do Campo das Princesas, no Recife. Não aceitava que fosse outra pessoa. “Mocinha de Passira significa para mim, para o Brasil e para o nosso povo o mesmo que Pastora Pavón representava para García Lorca, para a Espanha e para o povo espanhol”, discursou o escritor, em sua posse, em agosto de 1990.

Em uma tarde incerta de 1953, depois de muito estranhar a chiadeira insistente no velho rádio do irmão, Maria Alexandrina da Silva, com apenas cinco anos de idade, previu: “um dia vai aparecer um rádio em que o cara vai poder ver as pessoas dentro”. 

Desde muito cedo, Maria era tomada por premonições e não anteviu apenas a popularização dos aparelhos televisivos, mas também sua própria sina: “cantar, ser a primeira mulher da viola do mundo”. Uma visão que começou a tomar forma aos 12 anos, no sítio em Várzea de Passira, quando ganhou do pai o primeiro instrumento e desembestou a soltar os versos que já não cabiam mais em seus pensamentos de menina, uma moça, Mocinha de Passira.

“Eu memorizava as estrofes, não fazia pra ninguém ouvir, mas um dia disse ao meu pai que eu sabia fazer rima, ele pediu pra eu mostrar, então falei assim não, só mostro quando vier sentar um cabra aqui comigo mais a viola”, lembra a repentista. Seu João Marques da Silva, que não perdia uma cantoria pela região, confiou na obstinação da filha e não tardou a aparecer com uma viola e o cantador Zé Monteiro, com quem Mocinha fez sua primeira apresentação ali mesmo, na sala do sítio que até hoje resiste e onde a repentista Patrimônio Vivo de Pernambuco recebeu a equipe do Portal Cultura.PE.

“Foi nesse chão em que eu me senti, pela primeira vez, uma partícula no universo”, poetiza Mocinha, fazendo questão de mostrar os mandacarus que teimam em crescer sobre o telhado da casa, enfeitando seu “lugar sagrado, onde estão as raízes de tudo”.

O INÍCIO: À luz das estrofes metrificadas de Raul Ferreira, Zé Ananias, Severino Moreira e Severino Camocim, que costumava ouvir na companhia do pai, Mocinha foi ganhando confiança para também encontrar sua voz própria, traçar seu caminho no universo do repente. Desde a apresentação improvisada – e aplaudida por Zé Monteiro e seu pai – na sala de casa, não parou mais de exercer a função de transformar em verso raro o pensamento ligeiro.

“A primeira cantoria foi numa quarta-feira, no sábado eu já tava me apresentando pelas fazendas e daí não parei mais, meu pai sempre comigo, me acompanhando”, lembra Mocinha.  

“Nenhuma outra repentista conseguiu viver da viola como eu. Desde cedo, decidi que se eu quisesse comprar um sapato tinha que ser com o meu repente, nunca trabalhei com outra coisa.” A exceção foi um breve momento, quando aos 10 anos de idade, montou uma escolinha de reforço escolar para os filhos dos fazendeiros da região, “os meninos ricos e burros”, sorri ao lembrar.

Herdou da mãe, Alexandrina Maria da Silva, a busca por independência financeira. Em tempos ainda mais marcados pelo machismo, “a mãe já tinha sua independência, criava uns bezerros ali atrás e se um boiadeiro passasse por aqui querendo comprar, pai falava logo tem que ver com a mulher, é dela, ela que decide”.

Ao contrário de Seu João, Dona Alexandrina não queria que Mocinha aceitasse o convite de ir morar em Caruaru com um dos maiores poetas populares e improvisadores brasileiros, o paraibano Pinto do Monteiro. Não teve outro jeito, aos 15 anos, juntou o que pôde em sua frasqueira amarela – “a coqueluche da época, toda menina tinha uma” -, e fugiu.

Dizem que foi desses encontros que mudam para sempre a vida de alguém. Era noite alta quando Mocinha e seu pai adentraram pelo Sítio Tamanduá, em Passira, para conhecer Pinto do Monteiro, que estava de passagem pela região.

 “Finalmente estou lhe conhecendo, você que é a famosa Mocinha da Passira”, lembra a repentista, com apenas 14 anos à época. Já admirado em todo o Nordeste e presença constante em emissoras como a Rádio Difusora de Caruaru, Pinto reconheceu de imediato o talento de Mocinha, colocando-se à disposição para ajudá-la a seguir carreira. “Eu tinha que ir pra Limoeiro pegar as cartas que ele mandava pra mim; caixa postal 114”, nunca vai esquecer.

Após deixar Passira e ir viver com a família de Pinto em Caruaru, Mocinha pôde mergulhar no circuito da cantoria popular, mas ainda sob os cuidados do pai. “Andei muito tempo com ele, pra tudo que era lugar, só fiquei ‘de maior’ aos 21 anos de idade”, conta.

Uma verdadeira peleja contra o machismo é o que Mocinha tem travado ao longo de sua trajetória no repente. São muitas as situações guardadas na memória em que teve que “sair quebrando todos os preconceitos, passando por cima de cantadas de homem safado”, diz.

Em muitas ocasiões, o drible para situações em que se via desafiada por ser mulher vinha em forma de versos mesmo. Um dos casos mais difundidos foi a resposta que deu ao mote Se você casar comigo/vai ficar de gravidez/vai acabar parindo/três meninos de uma vez, apresentado pelo repentista Jorge Amador. De pronto, Mocinha soltou o que gosta de chamar de “tapa sem mão”: Eu posso ter todos os três / são filhos tudo meu / o primeiro é do padeiro /o segundo do Ricardão / o terceiro de Oliveira / nenhum dos três é teu.

Em 1976, só após quase 20 anos de estrada, Mocinha teve a oportunidade de registrar seus versos em um disco. Foi a única mulher repentista a participar das gravações de um marco importante para a discografia do gênero, o LP Viola, Verso, Viola, do Estúdio Rozenblit. O disco reuniu grandes nomes da tradição oral, como Diniz Vitorino, os irmãos Otacílio, Dimas e Lourival Batista, além de Zé Vicente da Paraíba. 

Das oito faixas, Mocinha participa de duas, duelando com Diniz Vitorino em Martelo Alagoano e na histórica Desafio em Martelo Agalopado, em que por meio de versos como acabou-se o tempinho em que a mulher / só vivia nas margens dos barreiros / lavando blusinhas e cueiros / dos filhos dos homens sem respeito vai desconstruindo o imaginário da mulher ideal, sempre recatada e do lar, ao passo em que reivindica seu próprio lugar na história do repente. (Fundarpe- Tiago Montenegro

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EM MEIO À COMPETIÇÃO GLOBAL, CUBA APOSTA NA PRODUÇÃO LOCAL DE VACINAS

Enquanto outros países em desenvolvimento competem com nações mais ricas por um suprimento limitado de doses de imunizantes contra a Covid-19, Cuba apostou tudo na produção de suas próprias vacinas. A ilha vê a produção de um imunizante próprio um exercício de orgulho nacional e uma resposta à crise de saúde pública provocada pela pandemia.

Duas das vacinas se chamam Soberana [01 e 02] e outras duas ganharam foram batizadas como Abdala – o nome de um poema escrito pelo herói de independência cubano José Marti – e Mambisa, referindo-se aos guerrilheiros cubanos que travaram uma guerra sangrenta pela liberdade contra os espanhóis.

Cientistas cubanos começam os testes finais de suas vacinas Soberana-02 e Abdala neste mês, enquanto a ilha experimenta um aumento de novos casos. Durante grande parte de 2020, Cuba foi capaz de manter a propagação da pandemia sob controle, mas uma reabertura malfeita para viajantes internacionais, em dezembro, levou a um aumento no número de casos.

Fevereiro foi o mês mais letal para o país caribenho, com 108 mortes e 7.642 novos casos, segundo estatísticas do governo.

Cientistas cubanos dizem que esperam que suas vacinas sejam uma virada de jogo – não apenas contra os números crescentes da Covid-19, mas também para os impactos desastrosos da pandemia em sua economia, movida pelo turismo.

"O principal objetivo deste ensaio clínico é mostrar a eficácia clínica de nossa vacina candidata", disse Dagmar Garcia Rivera, pesquisador do Instituto Finlay, administrado pelo governo.

“Depois disso, poderíamos estar em condições de iniciar a vacinação em massa em Cuba e em alguns outros países do mundo”.

Nos testes de fase 3 da Soberana-02,  44 mil voluntários serão vacinados. Os pesquisadores disseram à CNN que já produziram mais de 300 mil doses dessa vacina e aumentarão a produção com a expectativa de que os testes mostrem que a Soberana-02 é segura e eficaz.

A Soberana-02 também está sendo testada no Irã e o México está em negociações com Cuba para participar dos ensaios em breve. Suriname e Gana estão interessados em comprar vacinas cubanas quando elas estiverem prontas.

Rafael Hernandez, 73, participou do segundo ensaio da vacina e disse que os efeitos colaterais foram leves. "Antes de aplicar a primeira dose, o médico me disse que não havia registrado, entre as centenas de pacientes vacinados, uma única reação adversa, além de dor leve, aumento da temperatura, rigidez no braço vacinado, febre ou leve desconforto", disse Hernandez à CNN .

Vacina mais testada em Cuba, a Soberana 02 tem uma tecnologia similar às vacinas de Oxford e a Sputnik V. Uma parte da proteína spike do vírus é inserida em um vírus inativado para gerar resposta imune. 

Os pesquisadores não saberão a eficácia da vacina até que concluam os testes de fase 3. Eles ainda estudam se a vacinação com Soberana 02 exigirá a administração de três doses da vacina aos pacientes.

“Precisamos de muitas vacinas para vacinar 11 milhões de cubanos. Se estimamos que os cubanos precisarão de uma, duas ou três doses, estimamos que Cuba precisará de 30 milhões de doses”, disse a Doutora Tania Crombet Ramos, diretora do Centro de Imunologia Molecular em Havana.

Crombet disse estar confiante de que Cuba acabará com mais de uma vacina aprovada, o que dará à ilha maior flexibilidade para combater a pandemia.

Além de terminar seus testes de vacinas, Cuba ainda precisa mostrar que pode produzir dezenas de milhões de doses dos imunizantes.

Isso não seria uma façanha pequena para qualquer país, mas particularmente desanimador para uma ilha onde a economia foi atingida pela pandemia e pelo aumento das sanções dos EUA sob o governo Trump.

Muitos cubanos atualmente têm dificuldade em encontrar analgésicos e antibióticos básicos.

O médico Jose Moya, um especialista peruano em saúde, morador de Havana, para a Organização Mundial da Saúde e a Organização Pan-Americana da Saúde, disse que estava animado com o fato de os pesquisadores cubanos de vacinas estarem cumprindo os protocolos internacionais e fornecendo atualizações sobre seu progresso. 

"Estamos acompanhando esses resultados com atenção primeiro porque a população cubana se beneficiará diretamente de suas vacinas candidatas e isso em algum momento poderá controlar a transmissão no país", disse Moya.

“O fato de Cuba ter quatro vacinas candidatas é uma notícia muito boa não apenas para Cuba, mas também para o Caribe e a América Latina”. (FONTE: CNN)

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PERNAMBUCO E O JAPÃO: O BAIÃO JAPONÊS DE KEIKO IKUTA

Antes de que o Rio de Janeiro exportasse brasilidade com a bossa-nova, um ritmo permeado pelas novenas do Sertão araripense pernambucano, descendente instrumental da chula portuguesa e personificado num carismático e exótico (aos olhos do restante do país) filho de Exu representava musicalmente o Brasil, surpreendendo e embalando o mundo.

Popularizado por Luiz Gonzaga, o baião atingiu diversas nações, dentre elas a japonesa, que o cantou vernacularmente nos anos 1950 na voz de Keiko Ikuta em versões de Kikuo Furuno (gravadas em nossa então carioca capital) para Paraíba (nos 2000 também na voz de Miho Hatori) e Baião de dois.

Um dos fundadores da paulistana e sexagenária Aliança Cultural Brasil-Japão, Furuno, em parceria com o cearense Humberto Teixeira, chegou inclusive a compor um Tokyo Baião, pela mesma intérprete cantado. (a título de curiosidade não relacionada, uma freguesia de nome Teixeira integrava até 2013 o município português de Baião.)

Bem sabidas na língua original as demais canções, dá-se a conhecer em português (possivelmente pela primeira vez) apenas a última (canção), “texto poético” – esclarece a tradutora, Emi Sugahara – sobre “as mulheres que trabalham em casas noturnas em Ginza”: “Mesmo com a chegada da primavera ou do verão / Ginza sempre com o seu neon vermelho / E com o sussurro de um doce som do violão / Lembrança de acácias balançando suavemente / Estes são os impulsos do amor neste momento / Baião de Tóquio. // Esconde nos cílios falsos uma lágrima / São como cardos que floresceram na noite de Ginza / A luz fraca no peitoril da janela / O vestido roxo brilha instantaneamente / Os sonhos são tristes estrelas cadentes / Baião de Tóquio. // Tanto o neon vermelho como o neon azul / São sinais do amor de Ginza que dança / Para a névoa de tristeza do lugar / Sinto o aroma das lembranças do cardo / Vida frágil da flor da noite / Baião de Tóquio”. Ginza é um distrito de Chuo, região especial da metrópole de Tóquio.

Como prova de vitalidade do ritmo, agora sob o rótulo amplo de world music, foi lançada, em 25 de outubro de 2019, por Adriana Sanchez e a oquinauana banda Begin, versão japonesa (cantada em seguida à letra original) do clássico teixeiro-gonzaguiano Baião nas plataformas digitais Spotify, Apple Music, iTunes e Deezer.

Rafael Cavalcanti Lemos-Juiz de Direito do Tribunal de Justiça de Pernambuco. Fellow of the Royal Asiatic Society of Great Britain and Ireland. Membro do Instituto de Estudos da Ásia da Universidade Federal de Pernambuco

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FESTA VIRTUAL COMEMORA OS 112 ANOS DE PATATIVA DO ASSARÉ

Festa para celebrar os 112 anos de vida e obra de Patativa do Assaré será realizada virtualmente.

Patativa do Assaré foi um poeta, compositor, cantor e repentista brasileiro. Foi um dos maiores poetas da cultura brasileira. Patativa retratava a vida sofrida e árida do povo do sertão. Projetou-se com a música "Triste Partida" em 1964, uma toada de retirantes, gravada por Luiz Gonzaga, o rei do baião. Seus livros, traduzidos em vários idiomas, foram tema de estudos na Sorbonne, na cadeira de Literatura Popular Universal.

Antônio Gonçalves da Silva nasceu no município de Assaré, interior do Ceará, a 623 km da capital Fortaleza. Filho dos agricultores Pedro Gonçalves da Silva e Maria Pereira da Silva, ainda pequeno ficou cego do olho direito. Órfão de pai aos oito anos de idade começou a trabalhar no cultivo da terra.

Antônio Gonçalves da Silva afirmava nunca ter buscado a fama, bem como nunca ter tido a intenção de fazer profissão de seus versos, pois nunca deixou de ser agricultor e de morar na mesma região onde se criou, no interior do Ceará.

Ao completar 85 anos foi homenageado com o LP "Patativa do Assaré - 85 Anos de Poesia" (1994), com participação das duplas de repentistas Ivanildo Vila Nova e Geraldo Amâncio e Otacílio Batista e Oliveira de Panelas. Tido como fenômeno da poesia popular nordestina, com sua versificação límpida sobre temas como o homem sertanejo e a luta pela vida.

Antônio Gonçalves da Silva, sem audição e cego desde o final dos anos 90, morreu em consequência de falência múltipla dos órgãos, no dia 8 de julho de 2002, em sua casa, em Assaré, Ceará, aos 93 anos.

Nos dias 3, 4 e 5 de março de 2021 será realizada de forma virtual a Festa do Patativa do Assaré em Arte e Cultura 2021, em alusão à vida e à obra de nosso poeta maior, Patativa do Assaré, que completaria 112 anos em 2021. Apresentada pelo Governo Municipal e Secretaria de Cultura de Assaré, juntamente com a Secretaria da Cultura do Estado do Ceará do Ceará (Secult), a festa traz uma programação 100% virtual desenvolvida com muito zelo e respeito, de modo a fortalecer as nossas tradições e culturas, mesmo neste momento de pandemia, que nos exige cuidados e distanciamento.

Será possível acompanhar todas as homenagens feitas ao Poeta, em um conteúdo audiovisual que conta com documentários e apresentações culturais de grande riqueza e diversidade. O evento é realizado em parceria com o Memorial Patativa do Assaré, a TVC, a Seduc de Assaré, o Museu da Imagem e do Som do Ceará, entre outros, e poderá ser acompanhado nos canais de YouTube da Seduc Assaré e Secult Ceará (https://www.youtube.com/c/SecultCearáGov/) .


Além das ações culturais, shows, contação de histórias, lançamentos de livros e cordéis, que celebram a vida e a obra de Patativa apresentadas na Festa do Patativa pela Secult Ceará e de Assaré, seguem abertas as inscrições para as indicações à Comenda Patativa do Assaré 2021, no Mapa Cultural do Ceará , que podem ser feitas através de um formulário online: https://mapacultural.secult.ce.gov.br/oportunidade/1583/.

Instituída pela Lei Estadual nº16.511 de 12 de março de 2018, a Comenda visa promover o reconhecimento de pesquisadores, artistas, poetas, cantores populares e tradicionais que, assim como fez o grande poeta popular Patativa do Assaré, por meio de sua obra ou atuação, levaram adiante os saberes e os fazeres da cultura popular tradicional. Assim como a Comenda Patativa do Assaré 2021, a Festa realizada anualmente neste período é fruto da Lei Estadual nº16.511 de 12.03.2018.

Criada em 2004, em Assaré, a Festa do Patativa do Assaré em Arte e Cultura foi uma aspiração dos jovens daquela localidade que acompanharam a trajetória do poeta cearense e criaram um Memorial em sua homenagem. O evento passou em 2017 a ser um evento estruturante da Secult, com uma programação voltada à cultura tradicional popular.

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FRENTE FEMINISTA DO PARÁ PROMOVE ATIVIDADES MULHERES PELA VIDA SEMEANDO RESISTÊNCIA, CONTRA A FOME E AS VIOLÊNCIAS

As mulheres camponesas destemidas, ousadas e sonhadoras do estado do Pará iniciaram suas atividades alusivas à Jornada das Mulheres Sem Terra 2021. Com lema nacional “Mulheres pela vida! Semeando resistência, contra a fome e as violências!”, as paraenses realizarão atividades nos territórios e se somam às ações integradas da Frente Feminista Pará, composta por mais de 50 organizações de mulheres no estado.

Respeitando os protocolos de saúde e em defesa da vida, em prol do distanciamento social e o uso de máscaras para enfrentar a pandemia da Covid-19, elas usam da criatividade para promover ações em defesa das mulheres e na denúncia contra as violências e crescentes violações na Amazônia.

As trabalhadoras estão programando intervenções artísticas, culturais, atividades de forma virtual e ações de solidariedade como doação de sangue, plantio de árvores e divulgação de manifestos.

Neste ano, a Frente Feminista comemora 10 anos. Desde 2011, representações das mulheres do campo, das águas, da floresta e da cidade se unem para a realização de atividades pelos direitos das mulheres. São integrantes e representantes de diversas categorias e seguimentos de movimentos sociais, sindicalistas, religiosas, de partidos políticos, indígenas, quilombolas, LGBTQI.

Com lema unificado “Pela vida das mulheres e territórios. Fora Bolsonaro e Mourão”, este ano no 8 de março as mulheres realizarão atividades entre os dias 03 a 14 de março. Na manhã desta quarta-feira (03) aconteceu a plenária estadual das mulheres, de forma online, com mais de 100 participantes de 33 municípios. O evento contou com a participação das deputadas federais Érika Kokay (PT-DF), da Frente Feminina, no Congresso, Vivi Reis (PSOL-PA), da indígena Okitidi Sompré da União das Mulheres Indígenas da Amazônia Brasileira (UMIAB) e das mulheres dirigentes do MST e da Via Campesina.

Entre os assuntos abordados estavam o enfrentamento e os impactos da pandemia no atual cenário político brasileiro, o aumento de casos de feminicídio e de violência doméstica, a fome e a vacinação. Além de intervenções poéticas e musicais.

No dia 8 de março, as mulheres promovem o “Amanhecer Feminista”, ações em todo estado do Pará, com teatro-imagem e intervenção artística nas cidades de Belém e Ananindeua, dentre elas o “Monumento dos sapatos”, expressando a quantidade de assassinatos de mulheres no Pará e no Brasil.

O calendário segue até o dia 14 março, data marcada para realização atividades em memória e legado de Marielle Franco, em que se completam três anos do assassinato da vereadora no Rio de Janeiro e também do nascimento de Carolina de Jesus, compositora, poetisa brasileira, que foi uma das primeiras escritoras negras do Brasil, uma das mais importantes escritoras do país. A programação encerra com o “Festival Feminista” ato político, lúdico e cultural totalmente online, a partir das 16h.

Acompanhe a programação das mulheres pelas redes sociais do movimento e pela página do Facebook da Frente Feminista 8 de março – Belém/Pará.

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SELETA LANÇA CACHAÇA COM AROMA AMADEIRADO SUAVE E PERSONALIDADE MARCANTE DE CASTANHA DE BARU

“Em cada garrafa, sabores únicos”: é dessa maneira que a Cachaça Seleta descreve a principal característica de seus produtos. E não é para menos, pois foi ela uma das primeiras a tratar a cachaça com respeito, tirando-a da posição quase marginal que ocupava e incorporando-a nos mais refinados menus e cardápios de drinks em que se encontra hoje.

Com mais de 40 anos de experiência na produção de cachaças e vários rótulos presentes nos mais variados bares, restaurantes e casas de eventos do país, a Seleta foi além e decidiu lançar um produto de teor alcoólico reduzido para ser consumido bem gelado: a Seleta Eu Garanto, que sai em edição limitada.

A bebida é mais uma das criações de seu fundador, Antônio Rodrigues, que em 2010, em uma de suas muitas andanças pelo Brasil afora, conheceu, em Cristalina-GO, um fruto nativo famoso por suas propriedades energéticas e muito nutritivo: a Castanha de Baru. Foram anos aprimorando a receita, que também leva mel na medida certa em sua composição.

Armazenada em barris de umburana por dois anos e meio, a Seleta Eu Garanto tem teor alcoólico de 33%, inferior ao das cachaças tradicionais. É uma bebida leve com aroma amadeirado suave, notas adocicadas de mel e a personalidade marcante da Castanha de Baru. Combinação essa que a torna ideal para ser consumida geladíssima.

 “Vivemos em um país de clima predominantemente tropical, com temperaturas altas em mais de dois terços do ano, então, por que não adaptarmos nossa bebida mais tradicional à alegria do nosso clima?” – explica Daniela Rodrigues, diretora de marketing da Cachaça Seleta.

Embora consumir cachaça gelada não seja algo novo, ninguém havia pensado em criar uma receita exclusiva para esse propósito: “Foram anos de experimento até chegarmos na melhor combinação de aromas e a graduação alcoólica correta para que a Seleta Eu Garanto se tornasse uma experiência única para quem aprecia.” – complementa Daniela.

Não por coincidência, a cachaça será lançada ainda no verão. Isso para permitir que seus consumidores possam desfrutar plenamente de toda a experiência sensorial que ela tem a oferecer.

Disponível nas versões 160ml e 500ml. Saiba mais em www.cachacaseleta.com.br


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NAZARÉ PEREIRA PARTICIPA DA LIVE GONZAGUEAR PARA RECORDAR HISTÓRIAS DE BASTIDORES QUE VIVEU LADO DE LUIZ LUIZ GONZAGA

Nazaré Pereira vai recordar histórias de bastidores que viveu ao lado do cantor e compositor Luiz Gonzaga e quem quiser saber mais sobre essa amizade é só conferir a live "Gonzaguear", nesta quinta-feira (4), às 19h, pelo instagram @rafaellima45100. O encontro vai ser um misto de bate-papo e música.

A cantora disse que recebeu o convite de Rafael Lima, que é um pesquisador da vida de Luiz Gonzaga e que também está escrevendo um livro sobre a vida do artista. "Ele está falando com vários artistas que tiveram contato e que têm uma história ao lado do Gonzagão.

 Ele me procurou e aceitei", destaca Nazaré Pereira.Nazaré disse que o encontro virtual vai misturar bate-papo e música e disse que não tem um roteiro fechado. "Eu selecionei algumas músicas aqui, mas vai ser algo natural, vamos conversar e relembrar de histórias que vivemos juntos", explica a cantora.


A relação de amizade entre os dois artistas começou no início da década de 80, quando Nazaré Pereira estourou com o sucesso "Xapuri do Amazonas". Ela disse que o artista sempre fez parte da sua vida, uma vez que sua mãe sempre escutou as canções nordestinas em casa. "Na minha casa sempre fomos fãs dele e quando tivemos a oportunidade de nos conhecer foi algo muito importante pra mim", destacou.

Com o sucesso da nortista, ela acabou fazendo parte da mesma gravadora de Luiz Gonzaga e, nesse momento da carreira, teve a oportunidade de conhecer o artista.

 "Nós estávamos no Rio de Janeiro, a gravadora organizou esse encontro e daí surgiu uma parceria muito legal. Ele me chamou para um almoço na casa dele e nisso estreitamos laços", recordou.No aniversário de 70 anos de Luiz Gonzaga, Nazaré esteve presente e chegou a passar uma semana na casa do artista, em Pernambuco.

 "Foi bem legal passar esses dias lá, ele me apresentou lugares maravilhosos, como Exu", acrescentou Pereira.Mas não foi só Gonzaga que hospedou Nazaré Pereira. Em 1982, ela recebeu o artista em sua casa, em Paris, onde ele ficou por 15 dias junto com a esposa. Na ocasião, Nazaré Pereira fez a primeira e única produção para um artista.

 "Eu produzi um show dele em Paris, ele ficou em casa junto com a dona Helena. Tivemos muitas trocas boas", destacou a artista.Em meio a essa parceria, os artistas chegaram a compor uma música juntos e Luiz Gonzaga deu "Sinfonia Choradeira" para Nazaré Pereira.

 "Na época, o produtor do meu disco disse que já tinha muito xote e acabei não colocando a música. Um tempo depois Elba Ramalho gravou", recorda.O cantor e compositor Luiz Gonzaga, também conhecido como Rei do Baião, é considerado um importante artista da música popular brasileira. Levou para o país a cultura do nordeste como o baião, o xaxado, o xote e o forró pé de serra. Ele ganhou destaque com as canções “Asa Branca”, “Juazeiro” e “Baião de Dois”.Agende-se:Nazaré Pereira faz live GonzaguearData: 04.03.21Hora: 19hInstagram:  @rafaellima45100 (Fonte O Liberal)

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CIDADES QUE FORAM SUBMERSAS REAPARECEM NAS MARGENS DO RIO SÃO FRANCISCO

Com 2.700 km de extensão, o Rio São Francisco atravessa cinco estados brasileiros: Minas Gerais, onde nasce na Serra da Canastra, Bahia, Pernambuco, Alagoas e Sergipe. Ao longo de seu curso natural, algumas cidades desapareceram "visão" do “desenvolvimento”, dando espaço para a produção energética. É o caso de Pilão Arcado, Sento Sé, Casa Nova e Remanso, na Bahia, e Itacuruba e Itaparica, em Pernambuco. Estas cidades, suas histórias e seu patrimônio encontram-se hoje sob as águas do Velho Chico.

Casa Nova, Pilão Arcado, Sento Sé e Remanso, na Bahia, sucumbiram nas águas para dar espaço para a hidrelétrica de Sobradinho. Rodelas, Barra do Tarrachil e Glória, também na Bahia, além de Itacuruba e Itaparica, em Pernambuco, tiveram o mesmo destino para a construção da usina Luiz Gonzaga. Em algumas cidades é possível ver parte do que restou, em ruínas que se avistam total ou parcialmente fora das águas, como em Pilão Arcado e Casa Nova.

Na época, pelo menos 100 mil pessoas foram diretamente impactadas. Milhares de famílias tiveram que deixar sua terra natal e se deslocar para as novas demarcações urbanas. Os locais receberam os mesmos nomes das cidades anteriores. Quem vivenciou esse período lembra como foi difícil ver as cenas das pessoas arrumando as malas e levando o que fosse possível, inclusive partes das construções de suas casas. A adaptação em novos territórios não foi fácil.

“Eu tinha 34 anos quando recebemos a notícia de que a cidade seria submersa e não acreditamos que fosse possível. Tínhamos uma vida tranquila, saudável, onde cada um vivia de sua atividade e em uma comunhão incomparável. Mas tivemos que encarar a realidade e deixar nossas casas, de onde víamos o Velho Chico que nos fornecia sustento e onde nos banhávamos. Quando começaram a demolir, foi muita tristeza. Ficamos somente com a história e as lembranças”, conta a professora Maria Niva Lima da Silva, moradora da antiga Pilão Arcado.

A Usina Hidrelétrica de Sobradinho é um dos maiores lagos artificiais do mundo, com 4.214 km² de área e capacidade para armazenar 32,2 km³ de água. Situada no norte do estado da Bahia, foi construída na década de 1970. A UHE Luiz Gonzaga, também conhecida como Lago de Itaparica, foi construída em 1988 e tem uma área inundada de 150 km, com uma superfície de 83.400 hectares nos estados da Bahia e de Pernambuco.

Além impactos ambientais, a maior consequência, e que se estende até os dias atuais, são os impactos humanos. Em Itacuruba, a prefeitura chegou a pedir, no início da década de 2010, ajuda ao governo do estado e ao Ministério da Saúde para instalar um centro de acolhimento transitório, dedicado exclusivamente para cuidar da saúde mental da população. Na época, quase um terço dos moradores adultos tinham prescrição médica para tratamentos com remédios antidepressivos e similares.

Muitos anos se passaram, os cenários mudaram, mas as lembranças ficaram. É o que conta a cacique Pankará, Cícera Leal. Ela, assim como todo seu povo, foi retirada da antiga Itacuruba para uma nova localização.

“Foi muito doloroso ver uma população toda sendo transferida na incerteza do que poderia vir pela frente. Toda uma identidade cultural foi deixada para trás. Éramos um povo que tinha seu habitat natural baseado na agricultura, pesca e caça. Estávamos deixando submersa nas águas do reservatório do lago de Itaparica toda uma riqueza que, na sombra da dúvida, enchia nossos corações de medo de não termos nesse novo espaço as mesmas certezas de terra com grande fertilidade, fauna e flora abundantes. Então, tudo isso causava estranheza e dúvidas em relação ao futuro, se seria promissor ou não. Hoje nós vivemos numa grande dependência de todos os meios de produção. Temos terras, mas com baixa fertilidade, solos bem rasos. A dificuldade ainda paira sobre nossas cabeças”, relata.

O povo Pankará vivia às margens do Rio São Francisco. Atualmente, encontra-se há mais de 10 km de distância do Velho Chico. Entre a comunidade e o rio há terras de propriedade particular, o que dificultou por muitos anos o acesso a água. Somente há quase dois anos, a comunidade passou a contar com água nas torneiras, graças a uma ação do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco, que financiou integralmente a execução do sistema de abastecimento de água.

Do mesmo modo, outras comunidades indígenas também foram impactadas. É o caso da etnia Tuxá, em Rodelas, interior da Bahia. Além da aldeia na cidade, os Tuxá ocupavam diversas ilhas e em especial a Ilha da Viúva, no rio São Francisco, onde era o seu território agrícola. A Ilha da Viúva foi submersa pela construção da hidrelétrica de Itaparica. Com suas terras tradicionais inundadas, os Tuxá foram transferidos para três áreas diferentes.

“Em 1986 ocorreu o primeiro ato de agressão com nosso povo que foi dividido. Em 1988, fomos deslocados para a nova cidade deixando a parte do nosso território fértil onde tudo o que se plantava, se colhia. Era a garantia da autonomia do povo Tuxá, grande produtor de cebola, arroz e mandioca. Até hoje, 32 anos passados, não recebemos terras para plantio e o que fica é o sentimento de revolta, injustiça e impunidade”, afirmou o indígena Manoel Uilton dos Santos Tuxá.

Hoje presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica do Lago de Sobradinho, Francisco Ivan de Aquino acompanhou na época a transição das populações e relembra o sofrimento causado pelo abandono das terras originais. 

“Acompanhei e vi muito sofrimento; gente que esperou até o último momento e saiu já com a água chegando às cidades. Lembro que muitos tiveram depressão por perder suas roças, onde plantavam, ou simplesmente por se sentirem perdidos. O fato é que se perdeu muito e boa parte daquela população ainda sente a perda”, concluiu.

Assessoria de Comunicação CBHSF: *Texto: Azael Goes e Juciana Cavalcante

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OUVINTES APAIXONADOS PELA FREQUENCIA AM LAMENTAM MUDANÇA PARA FM

Desde fevereiro de 2017, as primeiras emissoras de Rádio AM começaram a migrar para a frequência modulada-FM. Representantes do Ministério das Comunicações explicam que o processo de migração das rádios AM para FM vai provocar a necessidade de adaptação também por parte dos ouvintes dessas rádios. 

A extinção do serviço de radiodifusão local por onda média, onde estão as emissoras AM, foi determinada pelo por um decreto do Ministério das Comunicações. O espectro de onda média regional e nacional continuará existindo, mas às emissoras locais foi dada a opção de migrar para a faixa FM. 

O artista plástico Iranildo Moura, conta que  presenciou a fundação das emissoras AM na região. Ele declara que é um apaixonado pela sintonia em Rádio frequencia Am. "Não compreendo esta medida. A questão é que  a política no Brasil em nome de uma falsa modernidade está matando a boa comunicação. O rádio FM  não vai atender o ouvinte das localidades distantes", aposta Iranildo dizendo que ouvir rádio nos aparelhos digitais é complexo para as pessoas de classe baixa, ressaltando a profecia cantada por Luiz Gonzaga: o povo sem notícia e sem rádio.

"O Brasil e as cidades não dispõe de uma rede de internet e ai eu pergunto como vão acessar as Rádios?

A idéia também é compartilhada pelo comerciante Edson Gama. "Na minha casa tenho quatro rádios. Amo ouvir notícias. No trabalho é desse jeito, ouvido colado no rádio, mas não ando muito animado não com essa ida das Ams para Fm. Toda adaptação é difícil", diz Edson. A mudança da frequencia AM para sintonia em FM vai gerar a necessidade de que os ouvintes comprem um novo aparelho de rádio. Já para as emissoras o prazo é de cinco anos durante o qual elas poderão transmitir seu conteúdo tanto na faixa AM quanto na de FM.

O presidente executivo da Abert, Luís Roberto Antonik, explicou que, embora as ondas AM apresentem um grande alcance, possuem uma frequência muito baixa, o que as sujeita mais à interferência causada pelos equipamentos eletrônicos do mundo moderno. Além disso, a antena da rádio AM não consegue estar presente nos telefones móveis, por ser uma antena mais robusta. Ele ressaltou que, atualmente, 10% da audiência do rádio vêm de celulares e dispositivos móveis.

Segundo pesquisa da Abert, das 4.600 emissoras comerciais, 4.200 têm página na internet, mas apenas 1.400 emissoras possuem aplicativos nos dispositivos móveis.




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SINAL DE PERIGO: OCUPAÇÃO DOS LEITOS DE UTI EM PETROLINA ATINGE 95%

Pela primeira vez, desde o começo da pandemia do novo coronavírus em Petrolina, a taxa de ocupação dos leitos atinge a marca de 95,45%. Há cerca de duas semanas a Secretaria de Saúde de Petrolina vem alertando sobre o aumento da ocupação no município sertanejo.

Esse dado indica que dos 44 leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Sistema Único de Saúde (SUS) - destinados aos pacientes adultos com a Covid-19 que estão disponíveis na rede - 42 estão ocupados; restando apenas duas vagas, uma no hospital Memorial, contratado pela prefeitura, e outra na policlínica do Hospital Universitário. Do número total de ocupação, 26 são pacientes de Petrolina e 16 pacientes são de outras cidades da região.

A informação traz preocupação e requer alerta de todos sobre os cuidados que devem ser tomados no enfrentamento à doença. Os petrolinenses precisam continuar seguindo as orientações do Ministério da Saúde e manter o distanciamento social, higienização e uso de máscaras.

"É um dado muito preocupante. Neste momento acende o sinal vermelho em nosso município e reforça ainda mais que os cuidados precisam ser redobrados. A gestão municipal vem trabalhando incansavelmente para combater esse vírus, mas é preciso que todos tenham consciência de que o vírus não acabou", destacou a secretária executiva de Vigilância em Saúde, Marlene Leandro. (Fonte: Secretaria Saúde de Petrolina)

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MÚSICA ASA BRANCA COMPLETA 74 ANOS

Há 74 anos, o sofrimento do amor deixado para trás e o exílio forçado por conta da seca do sertão nordestino ficaram eternizados no cancioneiro brasileiro com a música Asa Branca. Gravada pela primeira vez em 3 de março de 1947 nos estúdios da RCA Victor, no Rio de Janeiro, a canção é eternizada na voz de Luiz Gonzaga, em parceria com o compositor e advogado Humberto Teixeira, o Doutor do Baião.

Asa Branca tornou-se o hino do nordestino e reflete, como poucas canções, o brasileiro. Em 2009, ficou na quarta posição em lista feita pela revista Rolling Stone Brasil entre as 100 maiores músicas da história brasileira.

Luiz Gonzaga ajudou a popularizar os versos de Asa Branca ao apresentá-la em sua primeira aparição no cinema, no filme O mundo é um pandeiro. A versão original da música, em toada, caiu no gosto popular e logo depois foi gravada em ritmo de baião.

Atualmente existem centenas de versões do sucesso, em português e outros idiomas. Entre as canções da MPB, é uma das mais regravadas. E em diversos ritmos: à capela, interpretadas por bandas e orquestras. Grandes nomes da música brasileira também já cantaram os versos de Asa Branca, como Caetano Veloso e Raul Seixas.

O escritor José Lins do Rego disse que a letra da música é um dos mais belos versos da literatura brasileira.

O professor José Mário Austragésilo, comunicador social, escritor e ator, também autor do livro “Luiz Gonzaga: o homem, sua terra e sua luta”, afirma que um dos pontos marcantes na carreira de Luiz Gonzaga foi a valorização da identidade cultural local. Com esta marca, o Rei do Baião ganhou o mundo. 

“É a música representativa do povo brasileiro, da luta do povo brasileiro, desse grande compositor, Luiz Gonzaga, o Rei do Baião. Asa Branca é a música mais importante do repertório dele. Claro que ele tem outras, mas Asa Branca é a grande bandeira da Música Popular Brasileira. Merece ser considerada o hino da MPB”, completa o escritor.

Do litoral ao sertão, Asa Branca sempre remete a alguma memória da vida e cultura de quem é nordestino. Para Val dos Santos, uma trabalhadora que mora no Recife, ouvir e cantar Asa Branca representa o regaste a histórias de antepassados: “Eu sinto saudade do que eu não conheci. Lembrança de um passado que eu não conheci. Tristeza também por muitas coisas que a gente sabe, que não existe mais. E o que está se acabando por aí. O sertão é como se não existisse para o mundo aí fora. Os políticos não valorizam o nosso sertão”.

A toada Asa Branca tem versões em dezenas de idiomas, inclusive em japonês e coreano, e é familiar a brasileiros de qualquer região, mas na década de 40, naquele tempo soava tão estranha que foi motivo de gozação em cima de Luiz Gonzaga, pelos músicos do Regional de Canhoto, que participaram da gravação, em 3 de março de 1947.

Para os músicos , Asa Branca era a mesma coisa que cantiga de cegos nordestinos, pedindo esmola na rua. Fizeram uma fila, um deles com uma vela acesa, cantando a música. O episódio foi contado por Humberto Teixeira numa célebre entrevista ao conhecido pesquisador cearense Miguel Ângelo de Azevedo, conhecido como Nirez. Assim como Juazeiro ou No Meu Pé de Serra, e várias das parcerias iniciais de Humberto Teixeira e Luiz Gonzaga, Asa Branca era cantada pelo Sertão nordestino, com letras diferentes, e fazia parte da bagagem que os dois levaram consigo para o Rio de Janeiro.

O tempo passa e Asa Branca segue inspirando artistas de outras gerações. Anderson do Pife, que mora em Caruaru, no Agreste de Pernambuco, diz que enquanto estudante de música, acredita que a letra é parte de um método brasileiro de ensino de música popular. "Essa melodia composta por conjuntos e de fácil execução, traduz o início de uma trajetória musical para quase todos os que iniciam seus estudos com ou sem ajuda de profissionais da área", diz.

Ele disse ainda que a música retrata poesia, cotidiano, paisagem e todo o referencial histórico do Nordeste. "Eis o hino do Nordeste e a primeira música que aprendi a tocar. Essa é a força que representa a Asa Branca em minha vida", finaliza. (Foto Arievaldo Viana)


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FORTALEZA LANÇA UNIFORME PARA 2021 DESENHADO POR ARTESÃO ESPEDITO SELEIRO

O time do Fortaleza Esporte Clube lançou as primeiras camisas do goleiro e dos demais jogadores que serão utilizadas pelo time na estreia da temporada 2021. Intitulado de Luar e Sertão - o Gibão do Leão, o uniforme foi desenhado pelo artesão cearense Espedito Seleiro, conhecido internacionalmente pelo artesanato em couro e mestre de cultura do Estado do Ceará.

O uniforme mantém a tradição recente do clube em apostar em elementos da cultura cearense para compor os detalhes das camisas. Em 2021, a vaquejada, o forró e os trabalhos em couro do mestre Espedito Seleiro foram as inspirações. As vendas iniciam nesta quarta-feira (3).

'Eu sou Tricolor, e é uma coisa que, no Brasil, só o Fortaleza vai ter mesmo", declarou o artesão no lançamento oficial.

De acordo com Bruno Bayma, gerente de projetos e responsável pelos designs dos uniformes do Fortaleza, existia o entendimento interno de que Espedito Seleiro era torcedor do time, mas o trabalho do artesão ainda não havia estampado nenhuma camisa do Tricolor.

O Fortaleza entra em campo com o novo uniforme na quarta-feira (3) contra o CRB, às 21h30, na Arena Castelão. A partida é válida pela primeira rodada da fase de grupos da Copa do Nordeste, competição onde o Tricolor vai utilizar as novas camisas.

A reportagem do BLOG NEY VITAL fez contato com a assessoria de imprensa do Fortaleza. Confira mensagem do time cearense que vai disputar a Copa do Brasil:

Espedito Seleiro é um mestre da cultura tradicional popular. O artista entrega seus traços da memória da história do couro ao Fortaleza na originalidade das vestimentas do vaqueiro e do cangaço em nosso novo uniforme para a Copa do Nordeste.

O trabalho de sua família atravessou gerações, através da fabricação de sela, gibão, botas do homem da caatinga. A história começou com o pai de Espedito, que chegou a criar materiais e adereços de couro para Lampião, Maria Bonita e seu bando.

Espedito Seleiro é considerado um Tesouro Vivo da Cultura em 2008 pela Secretaria da Cultura do Estado (Secult) por seu trabalho de artesão de couro e em 2017, recebeu o título de Notório Saber pela Universidade Estadual (Uece) e além do Sereia de Ouro em 2019.

Seus traços sempre são vistos em filmes, novelas, seriados, na moda, no designer e em grandes desfiles como no São Paulo Fashion Week.

O nosso novo uniforme é uma homenagem para todos, os mestres da cultura do nordeste e aos guerreiros do sertão, que enfrentam todas as adversidades com força, fé e sempre com um sorriso no rosto.

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DOUTORA CAROLINA MARIA DE JESUS. ELA ERA NEGRA, CATADORA DE LIXO, TRÊS LIVROS PUBLICADOS

Ela era negra, miserável, catadora de lixo, escritora, três livros publicados, quarto de despejos, provérbios, pedaços de fome, três filhos, agora é doutora  Carolina Maria de Jesus, doutora honoris causa pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, título póstumo, quarenta anos depois de sua morte. Somente reconhecida agora pela sua luta antirracial, conforme anúncio da Assessoria de Imprensa da instituição.

A honraria é concedida independentemente do grau educacional do homenageado, considerando a sua contribuição em área de decisiva importância do país. Carolina foi um fenômeno editorial da década de 1960 quando a Editora O Cruzeiro, do grupo Diários Associados, publicou seu livro Quarto de Despejo, onde escreveu o dia-a-dia de uma favelada catadora de lixo para sobreviver com as filhas.

A publicação se deu por indicação do jornalista Audálio Dantas, mais tarde presidente do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, com intensa atividade no movimento das diretas já, mas falecido no  ano passado, vítima de infarto. Na época, Audálio era repórter da Revista Cruzeiro, responsável pela cobertura jornalística das favelas.

Um livro comovente e angustiante que, imediatamente, vendeu milhares de exemplares em todo o país, chamando a atenção, sobretudo, para a dor de uma família faminta sob a liderança de uma mulher negra, magra e analfabeta, vivendo numa sociedade que exclui e torna invisível um grupo familiar sem direitos a alimentação, educação e saúde.

Além disso, o livro foi traduzido para muitos países, o que animou a autora a escrever outros textos, desta vez sem a repercussão anterior, até porque o impacto já fora quebrado. Mesmo assim, a Editora Ática lançou mais uma edição, provocando ainda uma forte emoção.

Tudo isso, porém, continua ainda hoje, mesmo com o reconhecimento  da luta de Carolina Maria de Jesus, com o título também não convencional cujos efeitos somente serão visíveis mais tarde. Esta é uma luta presente, aliás, no romance Torto Arado, que está produzindo grande repercussão entre críticos e leitores atualmente.

Raimundo Carrero-Membro da Academia Pernambucana de Letras

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FABIANA SANTIAGO LANÇA PALAVRA DE MULHER

Depois do imenso sucesso, no mês passado, com a música 'Deixa", que viralizou nos serviços de streaming Spotify, Deezer, Apple Music e muita gente adicionou à sua playlist, a cantora e compositora Fabiana Santiago, surpreende de novo com mais um lançamento.

A partir da próxima sexta-feira (5), essa artista que já está na estrada há 20 anos, volta a florescer nordestinamente na música brasileira com o lançamento do EP e segundo single 'Palavra de Mulher'.

Composição feita em parceria com Zebeto Correia e Caio Junqueira Maciel, a nova música fala de uma mulher que é protagonista da sua história, "desmistificando o espaço de deusa em que a mulher é colocada, questionando o cotidiano e as lutas conquistadas com suavidade e coragem, de forma poética e literária", conforme comenta Fabiana Santiago.

Para o lançamento de 'Palavra de Mulher' a produção está preparando uma campanha com ações em mailings para blogs, sites, jornais, rádios e TVs do Nordeste e do mundo, além de um trabalho intenso nas redes sociais da artista e de amigos. Serão 9 dias de campanha de pré-save e 15 dias de campanha após o lançamento. E como reforço adicional, 'Palavra de Mulher' contará com um vídeo clipe sendo lançado, convenientemente, no dia 08 de março em alusão ao Dia Internacional da Mulher.

Fabiana Santiago é licenciada em música e bastante conhecida do público no Vale do São Francisco.Já conquistou vários prêmios em festivais, abriu e participou de shows de Gil, Ana Carolina, Vanessa da Mata, Elba Ramalho e Alceu Valença.'Palavra de Mulher' é a segunda faixa das 4 que a cantora e compositora lançará ainda nesse trimestre. (Fonte: class comunicação e marketing)


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TARCÍSIO ENCANTOU-SE? TEXTO DE MAURICIO FERREIRA

Era o tempo da jovem guarda... do iê-iê-iê. Eu era menino e Tarcísio já tocava no Conjunto musical “Os Geniais” – que marcou época em Ouricuri. Ele foi o nosso primeiro contato com a figura e a mística do artista que lança moda e descortina as sensações de novas tendências.

Numa cidade pequena, afastada dos grandes centros e com fraca ressonância dos meios de comunicação de massa, no final dos anos 1960, a meninada tinha que se virar pra encontrar os seus ídolos. 

Pra boa parte da cidade, Tarcísio era a imagem e trazia a sonoridade dos novos tempos, que só conhecíamos pelo rádio e pelos escassos LPS que sacudiam a poeira das sisudas – e poucas – radiolas que enfeitavam as salas das casas privilegiadas da cidade.

Era um rapaz que, como poucos, amava a vida e deixava os cabelos e a mente voarem aos ventos da moda do seu tempo. Irreverente e carismático, tocava violão e circulava com desenvoltura em todos os meios. Tarcísio trazia nas veias o fogo da inquietação juvenil.

De família humilde, e até estigmatizada, pela forma liberal e sem falso pudor, com que levava a vida, Tarcísio despontou entre os outros jovens que aderiram, na cidade, ao novo modo de diversão e comportamento; foi ele que trouxe a mística do “jovem rebelde” pra perto da gente.

Quem, como nós, tinha Tarcísio, se sentia compensado pelo distanciamento para com os grandes artistas da nova cena musical do país, como Roberto Carlos, Jerry Adriani, Wanderley Cardoso... que pairavam congelados nas inalcançáveis imagens das capas dos LPS; sendo idolatrados como se fossem seres extraordinários – habitantes de uma outra dimensão, muito superior à nossa. 

Tarcísio estava ali, e diariamente se dava o fenômeno de um “santo de casa” que fazia e acontecia no próprio terreiro. Gozava da admiração dos meninos – que mitificavam as suas proezas reais e imaginárias –, de unânime cumplicidade no meio da rapaziada e descontraída aceitação por grande parte da sociedade local.

Não havia “curriola” no patamar ou na praça da igreja; no Palanque; no Caramanchão e nos bancos da Praça dos Voluntários; nos bares de Boemia, de Dermeval, de Chiquinho Américo... em que Tarcísio não esbanjasse a voz da sua espontaneidade e a alegria contagiante do seu violão.

Ele chegou a fazer parte do grupo de artesãos da Sapataria de Nozinho Siqueira, onde o seu criativo bom humor se encaixou no clima de “pura malícia”; cravado, ali, pelos sapateiros. Encontrava, ainda, em Paulo Siqueira – filho do proprietário – um dos mais preciosos camaradas para as noitadas boêmias, que ele, sem embaraço, também encarava.

Em muitas ocasiões também se inseriu, o nosso inquieto personagem, em homéricas farras diurnas que incendiavam os bares – com um vendaval de empolgada nostalgia; tendo ficado, algumas delas, nos anais boêmios da cidade – como a da comemoração da final da Copa de 1970, no Bar de Demerval, em que ele acompanhava ao violão o coro de vozes embriagadas, quando no final de “Senhor da Floresta”, o mundo quase veio a baixo com o estrondoso aplauso: “Muito bem cumpadre Erasmo!...”

E pra tornar ainda mais emblemática a sua passagem por uma época da cidade e das nossas vidas, um certo dia, como que por encanto, Tarcísio simplesmente desapareceu; furtiva e misteriosamente, como aconteceu com outros obstinados sertanejos, apenas “anoiteceu e não amanheceu.”

Ficou, na cidade, um grande vazio e um vendaval de especulações sobre o que teria levado uma pessoa tão leve e, até onde se sabia, sem nenhum conflito de relacionamento, a um ato tão drástico; gerando um caloroso “bafafá” pela surpresa e pela forma inusitada da sua partida

Foram muitas – e continuam até hoje – as não confirmadas versões sobre a evasão de Tarcísio. O imaginário popular se esbalda em estórias, cada uma mais fantasiosa do que a outra, sobre o seu paradeiro e trazendo dramáticos supostas confissões do nosso marcante personagem. 

Em uma dessas ele teria sido encontrado por um caminhoneiro, no interior de Minas Gerais; em outra, nos confins de Goiás... Relatos também variados e cíclicos davam conta de, o precioso representante de uma época da nossa cidade, ter sido contactado por alguém de Ouricuri, nas ruas de São Paulo...

Na verdade Tarcísio nunca foi embora. O som do seu violão nunca deixou de ressoar na nossa memória mais sensível. Ele sempre terá os cabelos ao vento, os trajes extravagantes, a irreverência à flor da pele... no plano atemporal da cidade que trazemos em nós.

* Texto: Escritor, fundador Sebo Reboliço-Maurício Cordeiro Ferreira.

Foto: Em pé: Tarcísio, Lael e Baixinho (Adelson).  Sentados: Didigo, Cicinho, Alcides e Vavá.

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PETRUCIO AMORIM: O POETA DO FORRÓ

Nascido em 25 de janeiro de 1959 com a saúde mais frágil do que o normal para um bebê, o músico Petrúcio Amorim foi assim batizado por conta da fé de sua mãe. 

Ao receber em casa uma desconhecida que ficou comovida com a falta de recursos do seu lar, em Caruaru, ela ouviu a história do Menino Petrúcio que, depois de aceito em um convento de padres capuchinhos de Maceió, havia levado fartura para o lugar. 

Na esperança de que o milagre se repetisse também em sua família e de quebra ainda trouxesse vitalidade para o filho, Dona Hermínia nomeou o caçula da mesma forma, sem imaginar, que ele teria vigor o suficiente para se tornar um dos maiores músicos de Pernambuco.

Sessenta e dois anos depois, o sucesso de Petrúcio Amorim pode fazer os mais religiosos acreditarem no triunfo da homenagem.

 A trajetória marcada pela infância pobre, passando pela superação dos obstáculos até chegar ao sucesso – com músicas que hoje já fazem parte do inconsciente coletivo brasileiro, como “Tareco e Mariola”, “Cidade Grande” e “Filho do Dono” –é narrada na biografia “Petrúcio Amorim – O Poeta do Forró”, de Graça Rafael. 

Também natural de Caruaru, Graça Rafael pesquisa e acompanha o cenário do forró com intimidade e paixão, por isso, desde 2004 já vinha desenvolvendo a biografia do músico.

 “À medida que o tempo passava, fui me afeiçoando e gostando de todos os cantores que faziam parte da história do forró. Fiquei amiga de muitos. Daí minha aproximação com Petrúcio”, explica ela sobre a liberdade para tratar até mesmo de temas delicados da história do compositor. “Em todo esse período, nunca tivemos nenhum desentendimento, nenhuma divergência. É uma biografia totalmente autorizada”, completa.

"Ele, Petrucio Amorim contou toda a história, sem qualquer reserva", diz a autora, que diz ter se emocionado diversas vezes enquanto o músico recordava sua trajetória, desde a infância humilde. "Teve dias que a gente chorou junto", lembra, sem revelar em quais passagens isso ocorreu. 

Filho de um marceneiro e uma costureira, Petrúcio nasceu bastante debilitado, uma gestação conturbada e complicações decorrentes, provavelmente, da subnutrição da mãe, Dona Hermínia. O pai, Antônio, abandonou a família quando o garoto ainda era pequeno, agravando ainda mais a situação financeira no lar.

Aos 17 anos, saiu da modesta casa na Rua do Vassoural, no bairro do Alto do Vassoural, em Caruaru, e partiu para o Recife, para trabalhar como ajustador mecânico, ofício aprendido em curso profissionalizante do Senai, onde também chegou a integrar o time de futsal. 

Em 1980, deu os primeiros passos da carreira musical, quando conheceu Jorge de Altinho e apresentou algumas composições próprias, que seriam depois gravadas pelo forrozeiro, então um estreante. Cinco anos depois, Petrúcio Amorim lançaria o álbum inaugural, Doce pecado, que mesclava rock, xote, baião e afoxé.

Influenciado por músicos como Elba Ramalho, Alceu Valença, Geraldo Azevedo, Fagner e Zé Ramalho, Petrúcio Amorim teve melhor sorte como compositor, sobretudo a partir dos anos 1990, quando teve músicas gravadas por bandas como Mastruz com Leite, Cavalo de Pau e Limão com Mel. O sucesso na voz de outros artistas ajudou a engrenar a carreira de intérprete na metade daquela década.

"É quase como uma regra, todas as músicas dele contam uma história", diz a autora sobre o caráter autobiográfico das composições do forrozeiro, que ela considera com diferencial e razão para despertar emoção entre os ouvintes.

O livro  conta com depoimentos de familiares, amigos e artistas, além de prefácio escritos por Santanna, o Cantador, e Maciel Melo.

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PRODUÇÃO MUSICAL DO SERTÃO É TEMA DA TERCEIRA TEMPORADA DO PODCAST CALUMBI

Diferentes sons, ritmos, melodias e harmonias fazem parte da produção musical do sertão, tema da terceira temporada do Podcast Calumbi. Intitulada "A Música do Sertão", a nova temporada do programa reúne músicos, pesquisadores e cordelistas, memória e contemporaneidade. Os episódios serão veiculados a partir do dia 06 de março, sempre aos sábados, em diversas plataformas de streaming, tais como: Spotify, Deezer, Amazon Music, Pocket Casts, Google Podcasts e Youtube. 

Após apresentar as origens da cidade de Senhor do Bonfim, localizada no norte da Bahia (primeira temporada); e a história dos municípios que compõem o Território Piemonte Norte do Itapicuru (segunda temporada); o Podcast Calumbi propõe agora fazer uma ponte entre os músicos locais e os consumidores em potencial. Para isso, contará a história por trás da produção musical do sertão baiano, região que, apesar de representar 70% do território do estado e 48% da sua população, ainda se vê pouco representada nas diferentes mídias. 

Com seis episódios, a terceira temporada apresentará manifestações populares, grupos e compositores que movimentam a música e fortalecem a cultura da região. Os episódios abordarão os seguintes temas: As Calumbis (nome pelo qual são chamadas as bandas de pífanos na região); O Samba de Lata de Tijuaçu; Os Sanfoneiros; Grandes Compositores; As Filarmônicas; e A Música Autoral Contemporânea.  

A ideia de abordar a música do sertão surgiu após a realização de uma pesquisa de mestrado feita em 2019 pela idealizadora e produtora cultural do projeto, Adriana Santana, junto ao Programa Multidisciplinar de Pós-graduação em Cultura e Sociedade (Póscultura/UFBA). O estudo voltado ao consumo cultural dos jovens de Senhor do Bonfim identificou que 91% dos participantes da pesquisa utilizavam aparelhos eletrônicos para ouvir música. 

A produtora cultural expõe que a partir desse dado, surgiram algumas reflexões "Esses jovens consomem música produzida localmente? E, se não o fazem, isso se justifica por 'gosto pessoal' ou se deve à falta de oferta nas rádios e nos tocadores de streaming? Sabemos informações sobre os artistas da região e onde encontrar sua música?". 

Assim, a partir dessas indagações, a terceira temporada do Podcast Calumbi nasce para apresentar os diversos ritmos e melodias produzidos na cena musical do sertão baiano, aproximando os jovens da cultura regional. 

"O Podcast Calumbi pretende também expandir a percepção do público e da crítica a respeito das nuances que assumem a música produzida no sertão da Bahia, não para negar ou reduzir a importância de suas características mais difundidas (como o forró-pé-serra), mas para apresentar também outras autorias e arranjos", destaca Adriana. 

A terceira temporada do Podcast Calumbi tem apoio financeiro do Estado da Bahia através da Secretaria de Cultura e da Fundação Cultural do Estado da Bahia (Programa Aldir Blanc Bahia) via Lei Aldir Blanc, direcionada pela Secretaria Especial da Cultura do Ministério do Turismo, Governo Federal. 

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AS ARARINHAS AZUIS E A BUROCRACIA DO MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE

Quais são as ações para a reintrodução das Ararinhas Azuis Cyanopsitta spixii) na Caatinga de Curaçá, Bahia, e o que ainda precisa ser feito para concretizar sua volta à natureza?.

Este e outros questionamentos são e estão difíceis de obter devido a burocracia e a falta de diálogo do Ministério do Meio Ambiente. A redação do BLOG NEY VITAL apesar dos emails enviados para Brasília e as solicitações sobre o andamento do processo da reintrodução da Ararinha Azul ao sertão sempre esbarra na demora das respostas. 

Emails e envios de watSapp, não são respondidos. Tudo é centralizado em Brasília.

Uma outra questão levantada pela reportagem do BLOG NEY VITAL, enviada ao Ministério do Meio Ambiente foi com relação as inúmeras queixas de associações e movimentos sociais que passados 12 meses desde o retorno das Ararinhas Azuis ao sertão de Curaçá, Bahia, foram completamente esquecidos nas ações prometidas pelo Governo Federal e a parceria do Projeto de Reintrodução da Ararinha Azul.

"O meu desejo é te ver voando/O meu desejo é te ver voltar/Minha esperança é te ver voando/Da Serra da Borracha até a Serra do Juá... O semiárido está por ti em festa/O xique-xique sorri pro mandacaru/A sua volta é cada vez mais perto/seja bem-vinda ararinha-azul”.

Os versos da canção Esperança Azul, dos cantores e compositores Fernando Ferreira, Demis Santana e Januário Ferreira, continuam embalando o sonho dos moradores de Curaçá, no sertão da Bahia, de ver de volta a ararinha-azul, ave exclusiva da região e extinta na natureza.

O projeto une esforços dos governos federal e estadual, organizações não-governamentais (ONGs) e empresas privadas e tem apoio de centros de pesquisa e criatórios no Catar, Alemanha e Bélgica e busca reintroduzir nos próximos anos a ave no seu habitat histórico.

No dia 03 de março do ano passado, as Ararinhas Azuis, 52 aves, vindos da Alemanha, desembarcaram no aeroporto de Petrolina de onde seguiram para o Centro de Reprodução e Reintrodução, que foi construído em Curaçá. Lá, as aves estão sendo preparadas para a soltura no ambiente natural.

Informações do site do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) consta que as Ararinhas Azuis estão sendo preparadas para se adaptar às condições climáticas e ecológicas da Caatinga, identificar alimentos e se defender dos predadores naturais, antes de serem soltas na natureza.

O ICMBio publicou em 2012 o Plano de Ação Nacional a Conservação da Ararinha-azul (PAN Ararinha-azul), cujos objetivos são o aumento da população manejada em cativeiro e a recuperação do habitat de ocorrência histórica da espécie, visando à sua reintrodução na natureza. 

HISTÓRICO: No dia (3) de Março de 2020, cinquenta e duas ararinhas-azuis desembarcam no Brasil, no Aeroporto de Petrolina,  vindas da Alemanha. Após o pouso, as aves foram levadas para a cidade de Curaçá, na Bahia, onde um centro de reprodução foi construído especialmente para recebê-las.

A primeira soltura da ararinha-azul está prevista para 2021. Ao longo deste período, segundo o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), os animais passarão por processo de adaptação e treinamento para viverem em vida livre.

As ararinhas-azuis são consideradas extintas na natureza desde o ano 2000, devido às ações de caçadores e traficantes de animais. Atualmente, existem 166 exemplares da ave mantidos em cativeiro. Além dos 13 no Brasil, há 147 na Alemanha, dois na Bélgica e quatro em Singapura, países que participam do Programa de Reintrodução da Ararinha-Azul.

O processo de retorno das araras-azuis ao Brasil faz parte de um acordo firmado no ano passado entre o ICMBio e a ONG alemã, Association for the Conservation of Threatend Parrots (ACTP), que mantém as aves.

Descoberta no início do século 19 pelo naturalista alemão Johann Baptist von Spix, a ararinha-azul (Cyanopsitta spixii), espécie exclusiva da Caatinga brasileira, Curaça-Bahia, teve sua população dizimada pela ação do homem. O último exemplar conhecido na natureza desapareceu em outubro de 2000.

Desde então, os poucos exemplares que restaram em coleções particulares vêm sendo usados para reproduzir a espécie em cativeiro, quase todos no exterior. A ararinha é considerada uma das espécies de aves mais ameaçadas do mundo. Em 2000, foi classificada como Criticamente em Perigo (CR) possivelmente Extinta na Natureza (EW), restando apenas indivíduos em cativeiro.

Rara, a espécie vivia originalmente numa pequena região de Curaçá, no norte da Bahia, onde o Governo Federal criou, em junho de 2018, duas unidades de conservação: o Refúgio de Vida Silvestre da Ararinha-Azul (com 29,2 mil hectares) e a Área de Proteção Ambiental da Ararinha-azul (com 90,6 mil hectares), destinadas à reintrodução e proteção da espécie, e conservação do bioma da caatinga.


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CENTENÁRIO DE ZÉ DANTAS: O POETA DO FORRÓ QUE CONSTRUIU UM IMAGINÁRIO DO NORDESTE

Na década de 1940, o aparelho de rádio ficava instalado em um ponto de destaque na sala de estar da família brasileira. Era o veículo de comunicação do momento. Através dessas ondas radiofônicas, os sucessos de Luiz Gonzaga atingiram todo o território nacional, reformulando para sempre os imaginários do país sobre o Nordeste. 

As composições que emanavam daquela voz nasalada de tenor caboclo, tão comum nas toadas sertanejas, vinham de grandes poetas da cultura nordestina. Um deles era o médico José de Sousa Dantas Filho, que assinava suas letras como ZéDantas e tem o seu centenário comemorado neste sábado, 27 de fevereiro de 2021.


Em 1947, o Brasil respirava uma aurora democrática após o fim do Estado Novo, ditadura de Getúlio Vargas que exerceu em Pernambuco o autoritarismo em seu mais alto nível com o interventor Agamenon Magalhães. Foi nesse ano que Luiz, já famoso pelas transmissões na Rádio Nacional, do Rio, conheceu o então estudante de medicina José Dantas numa farra no Grande Hotel, na praia do Pina. Era o início de uma parceria que renderia brilhantes obras, proporcionadas pela combinação magnífica da interpretação de Gonzagão com o conhecimento folclórico das composições de Zé.


A primeira parceria gravada foi Vem morena, em janeiro de 1950. A partir daí foram surgindo outros sucessos, como A dança da moça, Forró de Mané Vito, Paulo Afonso, Vozes da seca, Riacho do navio, São João do arraiá, Volta da Asa Branca, Acuã (a favorita de Zé), Xote das meninas, Forró em Caruaru, Siri jogando bola, Farinhada, Letra I, Sabiá, entre outras. Sem a parceria, talvez o baião não tivesse uma repercussão nacional tão estável, sendo o ritmo do momento até a dominação da bossa nova, no final da década de 1950. Outro responsável pela longevidade foi Humberto Teixeira, também grande dupla de Gonzaga.

José de Sousa Dantas Filho nasceu em Carnaíba, quando o município ainda distrito do município de Pajeú das Flores. Ele foi estudou no Recife ainda muito jovem, quando já começou a publicar as primeiras composições na Revista Formação, publicada pelo Colégio Americano Batista. Quando chegavam as férias, ele ansiava pela volta ao Sertão. 

"Ali, vivendo no meio dos sertanejos, dos quais me tornava amigo, ia recolhendo ditos, estórias, cantorias... toda riqueza da vida sertaneja. E quando regressava ao Recife, levava as melhores coisas daquilo que havia recolhido, para mostrar aos amigos nas rodas que eu frequentava. Foi nessa época que escrevi a primeira crônica sobre folclore", disse Zédantas, em matéria em sua homenagem publicada pelo Diario em 8 de junho de 1969.

José concluiu os estudos no colégio Marista, no Recife. Aprovado em medicina na então Universidade do Recife (a atual UFPE), ele se formou em 1949 e seguiu para o Rio de Janeiro, estagiando no Hospital dos Servidores do Estado, onde se especializou em obstetrícia e foi efetivado. O Rei do Baião também já morava na então capital federal do Brasil. Mesmo no Rio, Zédantas nunca esqueceu de Pernambuco, elevando o nome do estado e de todo o Nordeste brasileiro nas músicas que compunha.

As músicas de Zédantas estão entre as mais populares da história do forró no Brasil. Na época, elas penetraram desde as festas dos casebres do interior ao baile do mais grã-fino palacete, pois refletiam sobre uma psicologia que dominava praticamente toda a nação, mas usando de referências sertanejas. Em Xote das meninas, ele faz um paralelo entre a flor de mandacaru, no sinal que precede a chuva dando fecundidade à terra, com a menina que, enjoada da boneca, torna-se mulher. Em outras, faz alertas aos poderes públicos para com os nordestinos em miséria. Tudo isso remetendo a uma noite mágica de São João.

Nas horas de folga, o médico dedicava-se à divulgação do baião, chegando a trabalhar na Rádio Nacional como produtor do programa No mundo do baião. Ele ainda chegou a trabalhar na Rádio Mayrick, sendo diretor do Departamento Folclórico. Mais do que um grande compositor, ele foi um perspicaz folclorista, estudioso das curiosidades e do comportamento musical da gente sertaneja. A ele interessava tudo que dissesse respeito ao folclore regional nordestino, fosse vindo da viola (instrumento dos cantadores de desafio, principalmente nas feiras) ou do pandeiro (remetia a época das senzalas, quando ritmavam os sambas dos escravos nos terreiros).

Em 1961, quando estava na fazenda de Luiz Gonzaga, em Miguel Pereira, região serrana do Rio, Dantas rompeu o tendão do pé. Depois de um ano tomando fortes remédios para sanar as dores, ele teve os rins comprometidos e faleceu precocemente no Rio, em 11 de março de 1962, aos 41 anos. Duas semanas antes da morte, foi visitado por Gonzaga, que levava um gravador. Nele, Zédantas colocou músicas que havia feito, já enfermo, todas gravadas pelo Rei do Baião: Balança rede, Praias do Nordeste, Forró do Zé Antão, entre outras. Quando o disco saiu, Zé já tinha morrido. Mas suas músicas, já regravadas por vários cantores de sucesso, como Alceu Valença, Gal Costa, Maria Bethânia, Fagner e Gilberto Gil, ficaram eternizadas.

Apesar de todo o sucesso nacional de Zédantas como compositor, foi necessário o esforço de vários moradores para que o artista e médico tivesse reconhecimento merecido na sua própria terra natal, Carnaíba. Em 1975, as professoras recém-formadas Margarida Pereira, Joana Darc Malaquias e Bernadete Patriota tiveram a ideia de fazer uma festa na Escola Estadual João Gomes dos Reis. Elas resolveram trabalhar músicas de Zé, porque tinham o conhecimento de que ele nasceu na cidade. Através de uma carta, enviada por uma prima do compositor, as professoras conseguiram entrar em contato com Dona Iolanda, a viúva.

"Poucos dias depois, Iolanda respondeu com uma relação das músicas dele, além de recortes de jornais e revistas, o que nos ajudou a fazer a festa", relembra Margarida, que hoje é secretária de cultura do município. "Em 1978, o tenente João Gomes da Lira foi eleito vereador e propôs colocar um busto de Zédantas na cidade. A prefeitura não fez, então ele mesmo conseguiu esse busto, inaugurado no mesmo ano. Foi um evento de grande repercussão, quando a família e o próprio Luiz Gonzaga compareceram."

A festa em homenagem a Zédantas foi se espalhando por todas as escolas da Carnaíba. A proporção cresce com a chegada do Padre Luizinho, que segue como o pároco da cidade. "O ano de 1993 foi muito pesado, pois o Sertão sofria uma seca muito grande e perdurava a dominação de poucos ricos em cima de muitos pobres. Carnaíba já tinha uma história muito bonita, com muitos músicos e maestros, mas era muito atrasada no sentido político, com uma religião bem mais tradicional. Eu apostei na obra de Zédantas para alcançar os jovens e os estudantes, fazendo justiça com o nome dele. Zédantas nunca esqueceu de nós, do homem, da terra, das relações com a natureza", diz Luizinho.

A primeira festa ocorreu naquele ano de 1993, sendo encabeçada pela igreja. Uma carta inspirada em Vozes da seca foi lida, denunciando a situação de abandono da região. "Pegamos a música e começamos a trabalhar em cima da pobreza, da exploração. Assim nasceu o Grupo de Educação Base, que uniu toda a comunidade, sobretudo músicos e sanfoneiros. A cidade carrega até hoje esse atrativo, com uma grande festa que mobiliza toda a cultura", diz o padre.

Ainda demoraram anos para o poder público chegar junto ao evento, que só não foi realizado em 2004 e 2020 (devido à pandemia). Até hoje, uma carta sobre a situação do município e do Sertão é lida. "Visitamos as cidades vizinhas para divulgar a festa. Nós nunca tivemos Zédantas como exclusivo de Carnaíba. Ele é do Pajeú, do Nordeste, do Brasil e do mundo, ele tem essa dimensão", avalia Margarida. "Ainda assim, temos muito orgulho. Mesmo sendo um homem da cidade grande, ele não desprezou as suas raízes e exaltou o nosso forró."

CELEIRO: Carnaíba é um celeiro de artistas. A centenária Associação Filarmônica Santo Antônio atualmente conta com 20 integrantes, em sua maioria oriundos da Escola de Música Maestro Israel Gomes. A instituição foi criada em 2005 e instalada no antigo prédio da Estação Ferroviária, oferecendo aulas de percussão, sanfona, sopro em metal e madeira, violão, teclado e pífano. De lá já saíram artistas para bandas e cursos universitários em música.

O Conservatório Carnaibano de Música Maestro Petronilo Malaquias foi criado como extensão da escola. Também existe o Museu Zé Dantas, com histórias e objetos do compositor. No Recife, existe um acervo sobre Zédantas no Museu Caís do Sertão, no Bairro do Recife.

Programação SÁBADO (27): 10h: Lançamento dos webnários Um dedo de prosa – 100 anos de Zédantas e Um dedo de prosa - A poética de Zédantas, no YouTube da Secult-PE

18h: Transmissão de Um dedo de prosa – 100 anos de Zédantas, na Rádio Frei Caneca (101.5 FM e freicanecafm.org) e no YouTube do Cais do Sertão

18h: Exibição do curta-metragem Psiu! e do show Duetos da Marina Elali, na TV Pernambuco

19h: Programação musical Zédantas, na Rádio Frei Caneca

21h: Live Quinteto Violado canta Zédantas, nos canais no YouTube da banda e da Prefeitura de Carnaíba

DOMINGO (28) Lançamento da playlist ZéDantas no Spotify do Cais do Sertão. 15h: Exibição de Um dedo de prosa - 100 anos de Zédantas, na TV Pernambuco. (Diário de Pernambuco-Emanuel Bento)


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