Juazeiro do Norte, Ceará, terá Alemberg Quindins secretário de cultura

Alemberg de Souza Lima, mais conhecido como Alemberg Quindins, que criou em 1992 e mantém a Fundação Casa Grande – Memorial do Homem Kariri, em Nova Olinda (Região do Cariri), será o secretário de Cultura de Juazeiro do Norte.

Entre os inúmeros serviços prestados a cultura e desenvolvimento criativo da cultura, Alemberg já recebeu o Prêmio Valores do Brasil, na categoria nacional Educação e Geração do Conhecimento. O Prêmio é concedido a profissionais e instituições que contribuem para o desenvolvimento do país.

“A escola de gestão cultural da meninada do sertão”, baseado no trabalho de formação de jovens gestores culturais realizado na Fundação Casa Grande, Nova Olinda-Ceará,  enfoca o protagonismo juvenil, conscientizando e dando ferramentas para que os alunos de todas as idades possam tomar conta de seu espaço e cidadania.

A Fundação Casa Grande - Memorial do Homem Kariri nasceu em 1992 com o intuito de resgatar a memória do povo da região, o Vale do Cariri, e ser um centro de memória: "Nós resgatamos a cultura local nas áreas de arqueologia, mitologia, artes e comunicação", conta Alemberg. Os alunos mantêm um canal de TV, de rádio, uma editora de gibis e um museu que conta com um rico acervo são mais de 2.600 HQs e 1.600 títulos de clássicos do cinema. 


João Gonçalves, 80 anos de muito Forró,

Na parede ele guarda recordações e alimenta a alma para o futuro. Aos 80 anos, sendo 47 deles de carreira, João Gonçalves, mora em Campina Grande, Paraíba, é autor de clássicos da música brasileira, a exemplo de “Severina Xique Xique”, Firm Fim do Fole, Mariá, “Mate o véio”, “Galeguin dos zói azul”, sucessos na voz de Genival Lacerda. João é onsiderado o “rei do duplo sentido”.

Teve o talento reconhecido quando Luiz Gonzaga pediu (olha o pedido do Rei do Baião), que João fizesse umas músicas "limpinhas"-sem duplo sentido, com ritmo, melodia e harmonia, que ele gravava. João conta que fez porém já doente Luiz Gonzaga não gravou. "O destino então quiz que Dominguinhos gravasse. Dominguinhos gravou Um Lugar ao Sol. Tem reconhecimento maior. Sanfona e voz de Dominguinhos", ressalta João Gonçalves

Antes do reconhecimento João teve seu LP quebrado, na década de 1970, pelo apresentador de televisão, Flávio Cavalcante. O fato, ocorrido em plena ditadura, não só trouxe fama comoo colocou sob os olhares dos militares. Em João Pessoa, ao cantar na Festa das Neves, teve de se apresentar à Polícia Federal e a sua canção, “Pescaria em Boqueirão”, foi proibida.

É de autoria de João Gonçalves, o hino não oficial de Campina Grande, a bela canção “Campina de outrora”. Uma vida artística a caminho dos 50 anos, doze discos de vinil, quatro CD's, DVD e mais de mil músicas gravadas sintetizam a trajetória do compositor e cantor, João Gonçalves.

A vida artística começou em 1970, quando Joacir Batista, Messias Holanda, Genival Lacerda e Trio Nordestino despertaram para o grande talento do compositor.
Nesta época, um dos grandes sucessos de Genival Lacerda - "Severina xique-xique", letra de João Gonçalves, fez sucesso em todo o país, enfatizando a sua característica do duplo sentido.

João me contou que teve a generosidade de ter na maioria dos seus discos a sanfona de Dominguinhos.

João Gonçalves continua sendo uma lenda entre os forrozeiros e, pela temática de suas composições, constantemente procurado pelos empresários das bandas: "Do jeito que eles querem eu não faço não. Eles gravam as antigas. Catuaba com Amendoim gravou Mariá, Severina Xique-Xique. Tem até uma músicaque eu fiz para Tom Oliveira que a Aviões do Forró gravou, Locadora de mulher, mas não é de letra pesada, é só engraçada (cantarola o refrão): ’Eu descobri uma locadora de mulher/ Lá tem mulher do tipo que o homem quiser’".

João Gonçalves – Nasceu em 29 de Maio de 1936 em Campina Grande – Paraíba. Desde de criança cantava e inventava parodias. Gostava de cantar qualquer estilo e ritmo. Devido problemas de saúde, conta com "lágrimas nos olhos" das boas recordações de encontrar os amigos nas mesas de bar e tomar umas outras...

"Sinto saudades. Isto já é um bom motivo prá fazer música", diz João Gonçalves.



Aderaldo Luciano na Rádio Globo, Rio de Janeiro

Na antiga Rádio Borborema de Campina Grande era assim: nós amanhecíamos com o Bom Dia, Nordeste, apresentado por José Bezerra. O prefixo era na voz de João Gonçalves: "Bom dia, Nordeste; bom dia, Brasil. Pelo som da Borborema, nesse céu azul anil. Zé Bezerra às suas ordens comandando o forró. Campeão de audiência..." Não era o sol quem anunciava o dia. Era Zé Bezerra. Com ele, nós sabíamos que o dia campinense estava nascendo e se alastrando pela vizinhança. Meu rádio Semp Toshiba, de válvulas, captava com brava amplitude a voz gostosa do mestre. 

O dia seguia e, na hora do almoço, a gente parava para ouvir Humberto de Campos, primeiro com sua coluna diária chamada Jogo Duro, depois com Os Filmes Do Dia. Todos que se interessavam pelo futebol paraibano ouviam atentamente as polêmicas palavras de Humberto, o "Moça Velha", goleiro do Estudantes. Embora eu sempre tivesse preferido a equipe de esportes da Caturité, o comentário era imperdível, todos os dias, de segunda a sexta. Como já me interessava por cinema, os Filmes do Dia entrava no pacote da escuta. Depois eu mudava para a concorrente. Ouvíamos a resenha enquanto nos preparávamos para a escola. 

À tarde, Zé Laurentino, poetamigo saudoso, enfeitiçava nossas vidas com seus poemas e trilha sonora maravilhosa. Depois vinha Retalhos do Sertão, no qual a verve dos cantadores nos iniciava nos intrincados caminhos da poesia de improviso e nos apresentava canções belíssimas inesquecíveis como Flor do Mocambo e O Velhinho do Roçado, clássicos do nosso cancioneiro. Mas às seis da noite, novamente, migrávamos no dial para a Caturité para ouvir A Hora do Ângelus: "Ave Maria, cheia de graça... é a hora do encontro da mãe com o filho... do marido com a esposa... da reunião em torno de uma mesa..." 

Entre sete e dez da noite eu entrava a procurar rádios de ondas curtas pelo mundo. Depois, era hora de ouvir os programas de saudade. Foi onde aprendi a gostar de Gregorio Barrios, Carlos Gardel, Nelson Gonçalves e as grandes vozes do Brasil de ontem. Para fechar a noite campinense, na Borborema, o primeiro programa de terror que ouvi no rádio brasileiro: Contos Que A Noite Conta, acho que ainda com Humberto de Campos.  
  
A Borborema, chamada agora de Rádio Clube, nos proporcionou grandes lições de comunicação, todavia, à meia-noite,, obrigatoriamente, sintonizávamos a Rádio Globo, do Rio, para ouvir O Seu Redator Chefe e entrar um pouquinho na madrugada com Adelzon Alves. Há um tempo, sento-me na bancada da Globo e todas essas lembranças acompanham-me definitivamente. 

Fonte: Aderaldo Luciano-professor, mestre e doutor em Ciencia da Literatura 
 


Amigos a gente encontra o mundo não é só aqui repare naquela estrada que distância levará

"Amigos a gente encontra
O mundo não é só aqui
Repare naquela estrada
Que distância nos levará
Não diga que eu me perdi
Não mande me procurar
Cidades que eu nunca vi
São casas e braços a me agasalhar
Passar como passam os dias
Se o calendário acabar
Eu faço voltar o tempo outra vez, sim
Tudo outra vez a passar
Não diga que eu fiquei sozinho
Não mande alguém me acompanhar...

A belíssima música de Dominguinhos e Manduka, "Quem me levará sou eu". Fazer amigos, sem dúvida, é uma arte, quando o fazemos a felicidade se faz presente – brota universos. 

Andando pela região do cariri paraibano e seridó do Rio Grande do Norte, me lembrei com lágrimas nos olhos do amigo que já partiu para o "sertão da eternidade", Adelmar Paiva.

"Aldemar não quis saber do Rio de Janeiro, e preferiu ficar no Recife, de braços abertos para Pernambuco". Dos 89 anos, 63 deles foram vividos em Pernambuco, onde marcou a história da TV, do rádio e da música.

Mesmo que tivesse sido apenas compositor, Paiva seria sempre lembrado por ter sido co-autor do primeiro frevo-canção gravado com selo Mocambo/Rozenblit. Quando o empresário José Rozenblit, em 1953, entendeu de criar uma indústria do disco em Pernambuco, uma das duas músicas do 78 rotações da futura gravadora, tinha numa das faces, Boneca, interpretada por Claudionor Germano, e assinada por Aldemar Paiva e o maestro José Menezes (falecido em novembro de 2013).

Com o maestro Nelson Ferreira,  Aldemar Paiva compôs o clássico Pernambuco Você é meu, gravado na Rozenblit, em 1956, por Raimundo Santos, que seria depois utilizada como a música do seu programa homônimo, que apresentou durante 25 anos, na extinta Rádio Clube de Pernambuco, depois na Rádio Jornal do Commercio, sempre como campeão de audiência no horário.

Um programa pioneiro em tocar frevo o ano inteiro, e não apenas no período carnavalesco. Sua trajetória no rádio pernambucano foi iniciada em 1951, quando veio para a Rádio Clube por indicação do publicitário José Renato, que o conhecia de Maceió, onde Paiva dirigia a Rádio Difusora de Alagoas. 

Aldemar foi amigo de Chico Anysio e surgiria aí uma amizade para toda a vida. 

Aldemar Paiva foi o que em seu tempo se chamava “homem dos sete instrumentos” (resumido no termo "multiartista"), um desses instrumentos foi o de ator de monólogos, longos textos que interpretava como poucos no país, alguns deles registrados em livros. Foi também ator, com participações no programa do amigo Chico Anysio (que criou um personagem batizado de Aldemar Vigário).

Entre os muitos títulos que Aldemar Paiva recebeu o título de cidadão pernambucano, de certo modo desnecessário, já o havia adquirido como autor do hino Pernambuco você é meu.



Caicó, Carnaval, Festa de Santana e a calamidade da Seca

Neste dia 25 dezembro, abri o livro Grande Sertão Veredas. Sempre releio para não esquecer que a  grande metáfora de Grande Sertão Veredas, de Guimarães Rosa, junto com a do Sertão, é o Rio. Sabemos o quanto o rio, além de realidade geográfica, é uma realidade mítica e mágica.

Mítico e mágicos são meus amigos das bandas de Caicó, cidade cravada no seridó do Rio Grande do Norte.


"O sertão é dentro da gente". Prestando atenção a prosa de "Seu Arlindo" que conta angustiado a saga da Barragem dos Itans, que deveria abastecer o municipio de Caicó e está vivendo uma das piores secas dos últimos anos, vou pontuando mais uma história..


Caicó é uma palavra derivada da tribo de indio Cariris. Caicó promove duas das mais mais tradicionais festas brasileiras: Carnaval e Santana.

Mas o que me chama atenção é a atual situação do Açude Itans, reservatório de água artificial construído no leito do rio Barra Nova, no município de Caicó com a finalidade de abastecer aquela localidade.

A bacia ocupa uma área de 1340 hectares, com capacidade para 81.750.000 m3 de água. Porém a realidade é de calamidade. A barragem está no volume morto, ou seja, menos de 5 porcento da capacidade de armazenamento.

Os primeiros estudos para a construção do açude datam de 1907, sendo um projeto do Governo Federal em caráter emergencial, para socorrer o Seridó, região tradicionalmente submetida aos efeitos das condições climáticas adversas e que, na ocasião, sofria uma seca calamitosa.

O ministro paraibano José Américo de Almeida, nascido em Areia, autorizou a obra que  foi concluída no final de 1935 e inaugurada em 2 de fevereiro de 1936.

Com isso, Caicó foi a primeira cidade do interior do Rio Grande do Norte a ganhar um serviço de abastecimento de água, cujo atendimento nunca precisou ser suspenso por falta de capacidade hídrica.

Hoje, programas de Rádio e seus violeiros cantam a tristeza só vista no canto agourento do Acauã...A seca tudo mata...Só a Fé permanece assobiando uma canção nas veredas do Grande Seridó...A fé é dentro da gente...



Triunfo: cachaça, café e frio! Sim frio!

O clima da montanha é um ponto que garante um frio que torna a cidade um diferencial. A cidade tem pontos de vista panorâmica da microrregião, inclusive o ponto mais alto de Pernambuco, o Pico do Papagaio, a 1.260 metros de altura. 

Falo da cidade de Triunfo, Pernambuco. Triunfo tem hotéis com vistas para as serras, manteve viva a resistente cultura de engenhos de rapaduras e cachaça e consegue ter uma pérola à beira do lago central, que é o Teatro Guarany, outro tesouro cultural da cidade. Triunfo tem um festival de cinema dentre as várias programações da cidade durante todo o ano.

Triunfo já teve mais de 200 engenhos quando a rapadura era o açúcar do Sertão, mas hoje tem cerca de 15 “resistentes”. O São Pedro foi incorporado ao roteiro turístico em 2001, quando a cachaça Triumpho apareceu como produto artesanal de alta qualidade. Hoje, é premiada nacionalmente e internacionalmente. O turista pode conhecer todo o processo de fabricação da cachaça e da rapadura, com degustação no fim do circuito. Quem quiser presentear, a embalagem da cachaça em cerâmica gera empatia imediata.

O Teatro Guarany vale a passagem, mesmo que rápida. Como Triunfo já foi muito rica, considerada a “Corte do Sertão”, possuía três teatros. O Guarany permanece vivo e é um xodó dos moradores. Atualmente, o espaço recebe o festival de cinema, no mês de agosto, mas é aberto durante o ano todo e tem vista, da sua varanda, para o açude central.

Na gastronomia, um detalhe que dá um charme extra ao município: os cafés das pousadas são de grãos originários de pequenas plantações da própria cidade, torrados em casa e vendidos nas propriedades rurais.


Codevasf: artesão e famílias de agricultores apostam nas vendas Natalinas

Artesanato em argila, couro de tilápia, fibra de bananeira, kits à base de mel. Associações que desenvolvem atividades de economia criativa com apoio da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) estão fechando dezembro com suas produções para atender à demanda das festas de final de ano.

“Estamos mandando produtos até para empresários de Miami, nos Estados Unidos”, celebra, o artesão sergipano João Batista, que no início do mês foi um dos expositores no 15º Feirão de Artesanato e Produtos Regionais do Baixo São Francisco, realizado pela Codevasf em Aracaju.

Batista é um dos artesãos do município de Santana do São Francisco, situado a 125 km da capital Aracaju e à beira do rio São Francisco, onde o artesanato em argila da Associação de Artesãos do Carrapicho tem atraído uma crescente clientela.

Entre os produtos confeccionados destacam-se peças figurativas, utensílios domésticos, vasos decorativos e vasos de plantas feitos com o barro. Um dos produtos mais procurados pelos clientes são as luminárias em formato de anjo.
“Elas custam entre R$ 12 e R$ 100. Estamos vendendo nossas peças no Centro de Artes da Orla de Atalaia, e também recebemos encomendas aqui na cidade. Nosso artesanato é referência, muitos turistas gostam do trabalho, e isso é motivo de honra para mim”, orgulha-se Batista, que tem 51 anos e faz artesanato desde os 12.

A Associação Cultural e Ambiental do Projeto Jaíba – Bananarte, no norte de Minas Gerais, também costuma apostar nas festas de final de ano para tirar uma renda extra e comercializar os produtos. Quatro integrantes da entidade que trabalham com artesanato em fibra de bananeira prepararam produtos especialmente para a data. São cestas, mandalas, bandejas, porta-joias, entre outros itens.

“A procura está muito grande por conta do período do Natal”, comemora Sirlene Soares, representante da Bananarte. “Nossas peças custam entre R$ 15 (porta-joias) e R$ 400 (baú para guardar roupa de cama) e podem ser encontradas em lojas localizadas no shopping Real de Janaúba e de Jaíba, como, também, na Casa Chic, situada na rua Gorutuba, em Janaúba”, explica.


Nando Reis fará o primeiro show de 2017 em Petrolina


Petrolina receberá no dia 07 de janeiro de 2017 um dos nomes mais consagradas do rock & pop nacional, Nando Reis. Nando Reis é  um dos mais talentosos compositores da sua geração e autor de diversos hits radiofônicos, como “Diariamente” (Marisa Monte), “Relicário” (Cássia Eller), “Resposta” (Skank) e “Do Seu Lado” (Jota Quest). 

Na sua discografia própria, “Sim ou Não,” de 2006, e “Drês”, de 2009, foram  trabalhos assinados pelo compositor paulista antes do lançamento de “Sei”, de forma totalmente independente, em 2013. O álbum, gravado em Seattle (Estados Unidos), revelou uma nova coleção de sucessos, que inclui as faixas “Pré-Sal”, “Back in Vânia” e “Sei”.

Baixista e um dos vocalistas do Titãs, Nando Reis foi um dos fundadores da banda. Saiu em 2002, depois de"A melhor banda de todos os tempos da última semana" (2001). Já lançou 15 discos solo, entre trabalhos ao vivo e em estúdio. O mais recente foi "Voz e violão - No recreio - Volume 1" (2015). Também se consolidou como um dos principais compositores da música pop brasileira atual. Ajudou a fazer hits gravados por Skank (como "Resposta"), Jota Quest ("Do seu lado) e Cássia Eller ("O segundo sol" e outras).

NANDO REIS & BANDA OS INFERNAIS
Turnê 2017 – Novo Show
PARTICIPAÇÃO: Secabudega
SÁB.07.JAN.2017
22:00 horas
IATE CLUBE PETROLINA-PE



Roberto Carlos canta com Jennifer Lopez - "Chegastes"

Recebi agora pouco (deixou mais gostoso o café), a música em dueto de Jennifer Lopez e Roberto Carlos. O amigo Adriano Talles, gerente do Centro Cultural Emoções, que foi convidado por Roberto Carlos para assistir as gravações "Simplesmente Roberto Carlos", que vai ao ar na próxima sexta-feira 23, na Rede Globo, enviou e desejou: Feliz Natal.

Ainda me contou que Jennifer Lopez soltou a voz em português para um dueto com Roberto Carlos. A gravação da parceria aconteceu em outubro, nos Estados Unidos.  "Chegaste é o nome da música, uma linda melodia. Em outubro, a cantora porto-riquenha Kany García compartihou em seu perfil no Instagram o encontro de Jennifer e Roberto e deu uma prévia do que seria o sucesso da música.

"Roberto Carlos mais uma vez mostra sensibilidade e romantismo musical", diz Adriano, que além de ser um dos maiores colecionadores da obra de Roberto Carlos é amigo pessoal do Rei.

 "Chegastes" é composição da música em espanhol de Kany Garcia.  Já Roberto Carlos ficou responsável pela versão em português. O vídeo da música será divulgado no dia 23 de dezembro, dia em que também ira ao ar o Especial RC 2016, na Globo.

Confira a letra de "Chegaste":
"Tanto tempo já vai caminhando e ainda me pego recordando
Lágrimas rolaram dos meus olhos, enxuguei mais de uma vez
Tenho algumas marcas que ficaram em meu sorriso nesses anos
E também lembranças tão bonitas que o tempo não desfez
Quem diria que você viria sem dizer que vinha?
Porque nunca é tarde
Para apaixonar-se
Chegaste
Senti na minha boca um: Te quero
Como um doce com caramelo
Necessitava um amor sincero 
E agora que eu conheço os caminhos que me levam para os seus braços
Agora que o silêncio é uma carícia que a felicidade traz
Você e o seu sorriso iluminam minha vida e meus espaços
E chega me dizendo num sorriso: Não me deixe nunca mais!!
Quem diria que você viria sem dizer que vinha?
Porque nunca é tarde
Para apaixonar-se
Chegaste
Senti na minha boca um: Te quero
Como um doce com caramelo


Romulo Nobrega e Zé Batista, autores do livro "Pra Dançar e Xaxar na Paraíba-Andanças de Rosil Cavalcanti

As semelhanças não são poucas. Nasceram em regiões dominadas pela cultura da cana-de-açúcar e pela colonização negra. Quando adultos, foram casados, mas não tiveram filhos. E as coincidências não se restringem à vida. Em anos diferentes, morreram de infarto no mesmo dia e mês. Como se vê, Rosil Cavalcanti, nascido em 20 dezembro de 1915 e morreu em 1968; e Jackson do Pandeiro (1919 – 1982) tiveram uma relação que vai muito além de 'Sebastiana'. Muito antes de ser proclamado o rei do ritmo, Jackson já convivia com o talento musical de Rosil.

De família tradicional na política de Pernambuco, Rosil de Assis Cavalcanti trabalhou toda vida como funcionário público. 
 Em João Pessoa, no ano de 1947, Rosil deu seus primeiros passos no rádio, participando em programas noturnos na Rádio Tabajara. Nesta ocasião, formou a dupla caipira ‘Café com Leite’ com Jack, rapaz que mais tarde seria famoso como Jackson do Pandeiro.  O nome do grupo fazia alusão à aparência dos dois. Jackson, cafuzo de pele escura, era o café. Rosil, branco, o leite. Tocando emboladas, a dupla alcançou um grande sucesso, garantido também pelas tiradas cômicas que faziam os ouvintes darem gargalhadas no auditório.

Toda esta história você terá conhecimento ao ler o livro, biografia do renomado músico pernambucano Rosil Cavalcanti, conhecido como “Zé Lagoa” e autor da famosa “Sebastiana”. 

O livro “Pra Dançar e Xaxar na Paraíba: Andanças de Rosil Cavalcanti”, assinado pela dupla de autores Rômulo Nóbrega e José Batista Alves, tem prefácio de Agnello Amorim.

Radialista, humorista, percussionista e compositor, Rosil Cavalcanti era radicado na Paraíba, foi autor de obras clássicas da música brasileira, na voz de Jackson do Pandeiro, Marinês e Luiz Gonzaga, dentre outros intérpretes nacionais. A biografia publicada em 2015 é uma homenagem ao seu centenário de nascimento, 47 anos depois de sua morte, em 1968, aos 53 anos de idade, em Campina Grande, onde viveu a maior parte de sua vida e se projetou no Brasil.

O livro “Pra Dançar e Xaxar na Paraíba”, 444 páginas,  é enriquecido com vasta iconografia de Rosil Cavalcanti, suas fotos desde a infância, juventude, a vida de casado, em programa de rádio no papel do famoso personagem Capitão Zé Lagoa, além de imagens de Rosil com colegas de trabalho, artistas, músicos, suas caçadas e pescarias, capas e selos de discos.

Autores – Rômulo Nóbrega, natural de Campina Grande, é formado em Ciências Econômicas, ex-funcionário do Banco do Brasil,. José Batista Alves, natural de Pernambuco. Ambos são pesquisadores e colecionadores da música popular brasileira de origem nordestina. Zé Batista é a maior autoridade brasileira em discografia de Luiz Gonzaga, o Rei do Baião.


Brasileiros que trabalharam com carteira assinada em 2014 tem até 29 dezembro para sacar o Pis/Pasep

Os brasileiros que trabalharam pelo menos dois meses com carteira assinada em 2014 têm até o próximo dia 29 para sacar, na rede bancária, o benefício de um salário mínimo (R$ 880) referente ao Programa de Integração Social (PIS), administrado pela Caixa Econômica Federal e ao Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Pasep), administrado pelo Banco do Brasil.

O PIS é destinado aos trabalhadores do setor privado e o Pasep, aos do setor público. Segundo informações do Ministério do Trabalho, até o início de dezembro, mais de 930 mil pessoas com direito aos recursos ainda não tinham feito o saque. Caso os beneficiários não saquem o dinheiro até a data limite, os valores serão destinados ao Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT).

A data final para o saque é 30 de dezembro. No entanto, como será um sábado e não haverá expediente bancário, só poderão sacar nesse dia as pessoas que têm Cartão Cidadão com senha registrada. Neste caso, poderão se dirigir aos caixas eletrônicos da Caixa ou a agências lotéricas. O Ministério do Trabalho, contudo, recomenda que os trabalhadores não deixem o saque para o último dia, pois caso haja problemas na operação não haverá tempo hábil para a resolução.

Segundo o ministério, é comum os atendentes bancários pensarem que se trata do benefício referente a 2015 e, após checar os dados do trabalhador, informar que ele não tem direito ao saque. Nesse caso, a orientação é explicar que se trata do abono salarial do ano-base 2014. Caso ainda assim os dados não sejam localizados, é possível pedir para fazer uma atualização cadastral no próprio banco.

O trabalhador também pode checar se tem direito ao abono pela internet, informando o número do CPF ou do PIS/Pasep e a data de nascimento. Ele também pode procurar a Central de Atendimento Alô Trabalho, no número 158.


Manoel de Barros: uso a palavra para compor meus silêncios

Uso a palavra para compor meus silêncios.
Não gosto das palavras
fatigadas de informar.
Dou mais respeito
às que vivem de barriga no chão
tipo água pedra sapo.
Entendo bem o sotaque das águas
Dou respeito às coisas desimportantes
e aos seres desimportantes.
Prezo insetos mais que aviões.
Prezo a velocidade
das tartarugas mais que a dos mísseis.
Tenho em mim um atraso de nascença.
Eu fui aparelhado
para gostar de passarinhos.
Tenho abundância de ser feliz por isso.
Meu quintal é maior do que o mundo.
Sou um apanhador de desperdícios:
Queria que a minha voz tivesse um formato
de canto.
Porque eu não sou da informática:
eu sou da invencionática.
Só uso a palavra para compor meus silêncios.


Poema de Mia Couto no dia do aniversário de Manoel de Barros

UM ABRAÇO PARA MANOEL: 
Dizem que entre nós há oceanos e terras com peso de distância. Talvez. Quem sabe de certezas não é o poeta.
O mundo que é nosso
é sempre tão pequeno e tão infindo
que só cabe em olhar de menino.


Contra essa distância tu me deste uma sabedora desgeografia e engravidando palavra africana tornei-me tão vizinho que ganhei intimidades com a barriga do teu chão brasileiro.

E é sempre o mesmo chão, a mesma poeira nos versos, a mesma peneira separando os grãos, a mesma infância nos devolvendo a palavra a mesma palavra devolvendo a infância. E assim, sem lonjura, na mesma água riscaremos a palavra que incendeia a nuvem.
MIA COUTO




Cego Aderaldo do Crato: "quem a paca cara compra paca cara pagará"

"Quem a paca cara compra
Paca cara pagará Oh! Violeiro do mundo
Dei-me atenção de um segundo
Pra meu lamento profundo
Que hoje decanto o retrato
Um grande vulto do mato
Mato de onde não fujo
Aderaldo Ferreira de Araújo
O Cego Aderaldo do Crato 

Ali nasceu o artista
De ferreiro a maquinista
Que mesmo perdendo a vista
Via com o coração
No pontear de um botão
Era jornal de matuto
Analfabeto e inculto
Orgulho desse meu baião /
 Ao poeta e trovador
Dos repentista, lendário
Da poesia operário
Onde estiver com amor
Do teu admirador
Receba estas rimas vagas
Como uma espécie de "paga"
No seu primeiro centenário"

Os versos acima é uma das mais belas interpretações do Rei do Baião, Luiz Gonzaga. A música me veio com a leitura do livro Crato-Princesa do Cariri, Capital da Cultura, Oasis do Sertão, da autoria de Seridião Correia Montenegro.

O livro reacendeu minha curiosidade pela vida e obra do Cego Aderaldo, nascido no Crato, Ceará,  o lendário cantador. Uma das mais belas histórias que já ouvi. Remeti a outro livro onde o Cego Aderaldo conta que os seus pés pisaram a poeira de muitos caminhos!

"Tenho comigo as lembranças mais gratas de minhas cantorias, ainda no começo  de minha vida. Percorri todas as serras, alcancei os chapadões, varei a caatinga, entrei no brejo...Por toda parte eu levava a minha voz...Cantei em Baturité, em Canindé...No Crato o meu solo verdejante do Cariri... Que terra boa, maravilhosa! Nunca meus lábios provaram melhor água"!

Lembrei de uma lágrima que chorei quando o ouvi revelar a dor de perder a visão. 
 “Eu ainda era pequeno
    mas me lembro bem
    de ver minha pobre Mãe
    em negra viuvez.
    Meu pai jazia morto
    Estendido em um caixão
    Chorei pela primeira vez!

 E a pobre minha Mãe
    Daquilo estremeceu:
    De uma moléstia forte
    A minha mãe morreu.
    Fiquei coberto de luto
    E tudo se desfez
    E eu chorei então
    Pela segunda vez.

 Então, o Deus da Glória,
    O mais sublime artista, 
    Decretou lá do Céu,
    Perdi a minha vista.
    Fiquei na escuridão,
    Ceguei com rapidez
    E eu chorei então
    Pela terceira vez.
    Meus prantos se enxugaram.
    Das lágrimas que corriam
    Chegou-me a poesia
    E eu me consolei. 
    Sem pai, sem mãe, sem Vista,
    Meus olhos se apagaram;
    Tristonhos se fecharam
    E eu nunca mais chorei".




Operação "Rodovidas" pretende diminuir acidentes nas 100 piores estradas brasileiras

Segue até dia 31 de janeiro em todo o país a operação da Polícia Rodoviária Federal “Rodovida Cidades” 2016/2017.  Esta será a primeira fase da operação que tem o objetivo de reduzir o número de acidente de transito e consequentemente os custos causados por eles.

A operação acontece nas principais rodovias da região, em especial a BR 407 e BR 428, onde segundo o chefe-substituto da delegacia da PRF em Petrolina, Moacir Gomes, esses locais tem concentrado um grande número de acidentes graves. “A BR 407 e BR 428 tiveram um aumento significativo no número de acidentes graves e estão entre as 100 piores do país”

A segunda etapa da operação terá início no dia 17 de fevereiro a 5 de março, para contemplar o período do carnaval


Nova Olinda: Fundação Casa Grande festeja 24 anos e prestará homenagens ao jornalista Antonio Vicelmo

É tempo de renovar, de festejar e de louvar o coração de Jesus. Anualmente no dia 19 de dezembro, a Fundação Casa Grande promove uma bela festa que tem cantoria e alegria, a renovação é um momento de confraternização entre famílias e amigos.

A renovação na Fundação Casa Grande acontece todo ano, como uma data sagrada. Este costume foi preservado pelo casal de fundadores Alemberg Quindins e Rosiane Limaverde, que nesta data também comemoram seus anos de vida e trabalho dedicados a Fundação Casa Grande.

A renovação, sempre tem boas surpresas, movimento, cuidado, carinho, inovação e amor. Este ano terá o “Encontro de Arte, Ciência e Patrimônio, com profissionais das áreas de música, arqueologia, linguística, comunicação, direito, astronomia, meteorologia e psicologia e produção cultural, oportunizando momentos de círculos de conversa e formação de rede.

As celebrações musicais nos dias 16 e 18 ficarão por conta de Os Meninos dos Quindins , ABANDA, Os Cabinha, Elizah Rodrigues, Paulo Brandão e Marcelo Brissac.No dia 19, fica por conta dos grupos de tradição popular, Irmãos Aniceto, Reisado São Francisco, Bacamarteiros da Paz e Trio de Forró Flor do Pequi. Na segunda-feira 19, o jornalista Antonio Vicelmo será homenageado.

Durante o evento haverá o lançamento de dois livros:  Guia Brasileiro de Produção Cultural,  com Edson Natale  e  Meu Coração Coroado,  com o autor Eduardo Mota e o mestre Espedito Seleiro.

A Fundação Casa Grande - Memorial do Homem Kariri é uma organização não- governamental, cultural e filantrópica e foi criada a partir da restauração da primeira Casa da Fazenda Tapera, hoje cidade de Nova Olinda, ponto de passagem da estrada das boiadas que ligava o Cariri ao sertão dos Inhamuns, no período da civilização do couro, final do século XVII.

A Fundação Casa Grande - Memorial do Homem Kariri tem como missão a formação educacional de crianças e jovens protagonistas em gestão cultural por meio de seus programas: Memória, Comunicação, Artes e Turismo.

Hoje a Fundação Casa Grande-Memorial do Homem Kariri é uma escola de referência em educação e tem a visão de levar "o mundo ao sertão". Mas não qualquer mundo, e sim um mundo que proporcione as crianças e jovens o empoderamento da cultura e da cidadania.

Fonte: http://renovacaocasagrande.wixsite.com/renovacao/increva-se







Ivan Greg e Convidados farão Tributo a Luiz Gonzaga em Petrolina

Para festejar os 104 anos de Luiz Gonzaga-(13 dezembro), o Hey Chico Music Bar, promoverá uma noite de forró, xote e baião com Ivan Greg e convidados, nesta sexta-feira (16), a partir das 20hs.

Ivan Greg é um dos músicos mais talentosos da atualidade. Nascido em Petrolina aos 9 anos já tocava teclado e sanfona. Em 2006 mudou-se para a Europa e trabalhou na divulgação e valorização da música brasileira e a cultura nordestina.

Gravou e realizou shows na Alemanha, Holanda, Espanha, Itállia, França, Suécia e Bélgica. A música também o levou aos Estados Unidos onde desenvolveu vários projetos.

Ivan Greg atualmente cursa licenciatura em Música, no Instituro Federal do Sertão. Aponta que tem inflência musical de Luiz Gonzaga, Dominguinhos, Jackson do Pandeiro, Sivuca, Gilberto Gil, Djavan. O samba é outra referência na trajetória de Ivan Greg.

O Tributo a Luiz Gonzaga terá participação de Camila Yasmine, Fabiana Santiago, Guilliard, Pereira, Glaucia Lessa.


A literatura que não vende a alma

“(…) dois ou três sucessos momentâneos – na escala brasileira – e nasce uma certa sensação de que sou romancista, o que é um lugar marcado em geral no mau sentido, se estamos no Brasil, mas somando tudo confere uma certa ilusão de autoridade…” (O espírito da prosa, de Cristóvão Tezza – Ed Record)

Conheci Cristóvão Tezza em 2014, durante o evento Vozes Contemporâneas, realizado na Academia Brasileira de Letras. Era uma tarde amena de terça-feira, dessas em que a gente anseia por beber um pouco das paixões que nos consolam. A aparente primeira impressão foi a de estar diante de um homem reservado e simples, que chega a nos despertar certo sentimento de ilusória intimidade, um contraponto que conflitava com a admiração que guardo pelo gigantismo do autor. No entanto, nossas preferências pessoais nunca devem obscurecer a visão crítica e eu estava ali para testemunhar a palestra de Tezza sobre a sua obra.

É inegável que atravessamos um momento em que a liturgia de escrever tomou ares de uma atividade fashion, um modismo que desfila pelas passarelas do Word. Há uns poucos que escrevem por vocação, outros pela trivial necessidade de se expressarem, alguns pela solidão e muitos pela carência vaidosa de reconhecimento. No século 21 a arte literária aluga suas virtudes para o discurso egocêntrico.

Tezza afirma que a boa literatura não brota dos felizes; diz que livros são frutos de um desconforto íntimo de pessoas que abdicam dos divertimentos mundanos e se trancam solitárias para engendrarem suas produções. Para Tezza, escrever é um verbo produzido por um substantivo: infelicidade. Escrever não é ação, é reação.

No circo regado por holofotes onde a literatura agora se apresenta, Tezza figura como um personagem em extinção. É um operário que ergueu seu nome a partir da obra. Um artesão que esculpe as palavras, é a joia que reluz entre o brilho fosco dos empresários autores que constroem a obra a partir do nome. Literatura é o que nasce da lapidação, um autor não é uma fábrica de livros.

“Um leque de ansiedades felizes”

“Tentei de novo falar com você esta madrugada, mas o quintal estava povoado de lobos ganindo contra minha sombra…” (Trapo, Cristóvão Tezza – Ed Rocco).

Em Trapo tive o primeiro contato com a obra do autor, num enredo que inquieta. Trapo, um poeta marginal e suicida. Morto, deixa um calhamaço de mil páginas que termina nas mãos de um rigoroso professor. Chamam o livro de romance metapoético, mas quando me recordo da leitura o que me ocorre é a imagem singular de uma narrativa apneica.

“Outra frase ao acaso, no meio do que parece ser uma carta: A poesia é uma merda. A dele, naturalmente. Dois pronomes oblíquos na mão desses poetas e eles morrem atropelados pela língua” (Trapo, C. Tezza – Ed Rocco, pág. 50).

Vocação é um coice pressentido em nossas costas, não nos deixa desistir, atormenta. E, acumulando mais de uma dezena de romances, Cristóvão Tezza nunca fraquejou. Lançou-se à frente, construindo uma trajetória sólida, preservando a paciência e a determinação que conquista espaço. Então, chega a hora e nasce O filho eterno, a catapulta que o arremessou à merecida fama.

“Sim, distraído quem sabe! Alguém provisório, talvez; alguém que, aos 28 anos, ainda não começou a viver. A rigor, exceto por um leque de ansiedades felizes, ele não tem nada, e não é ainda exatamente nada” (O filho eterno, C. Tezza – Ed Record).

Uma timidez indisfarçável

Assim discorrem as primeiras linhas de O filho eterno, um folhear de tantas páginas que nos levam por uma incômoda reflexão sobre o fracasso e o amadurecimento através dele. Não nos estranha ser esse livro a marca de maior sucesso do autor.

“Tudo bem: escritor. Aceito o título. Melhor: prosador. Escritor é uma boa definição, a meu favor – cabe tudo. Prosador é mais preciso, e também nele cabe quase tudo, exceto a poesia. Já romancista é uma coisa antiga, para determinada faixa de compreensão” (O espírito da prosa, C. Tezza – Ed Record).

Tezza define o realismo como a sua escola. Idolatra o cientificismo do russo Mikhail Bakhtin (1895/1975). Talvez haja nisso o autoengano de um autor que ordenha poesia da prosa. Quem, além de um poeta, largaria o idílio nacional de um emprego público como professor universitário para mergulhar de corpo inteiro no oceano incerto da literatura? Cristóvão Tezza o fez.

O espírito da prosa não é um manual de escrita, muito menos um tutorial para romances, coisas que andam em voga por aí, mas com certeza é um guia imaterial obrigatório e inevitável para aqueles que se sabem artesãos.

Cristóvão Tezza sobe ao palco do auditório da ABL e revela sua indisfarçável timidez ao puxar um maço de papéis e anunciar que prefere ler o que pensa a discursar de improviso. É o velho clichê do escritor avesso à fala. Tudo bem. De que serve a veneração se não para perdoar? Nós compreendemos, ele pode.

*Fonte - Observatório da Imprensa - Alexandre Coslei é jornalista e escritor


Quinteto Violado, Assisão e Cezzinha cantam no XII Encontro Nordestino de Xaxado

Teve início hoje em Serra Talhada o “XII Encontro Nordestino de Xaxado”. O evento segue até domingo 17, com uma extensa programação, abordando o tema “90 Anos do Fogo da Serra Grande”. Nos quatro dias haverá apresentações culturais e shows musicais.

A festa começa hoje com os grupos Sertão Frevo (Serra Talhada-PE), Dinâmico Cultural (João Pessoa-PB), Abolição (Princesa Isabel-PB), Gilvan Santos (Serra Talhada-PE), Frutos do Pará (Belém-PA) e Cia de Dança Raízes da Paz (Ivoti-RS). Para encerrar a programação do dia, shows com Quinteto Violado e Cezzinha.

Nos próximos dias, grupos culturais de Pernambuco, Paraíba, Ceará, Pará, Rio Grande do Norte e Alagoas passam pela Estação do Forró. Estão confirmados shows com As Severinas, Karl Marx, Trio Nordestino, Assisão, Josildo Sá, Roberta Aureliano e Fulô do Maracujá. A programação ainda terá apresentação teatral, passeio turístico ecológico sobre o cangaço e oficinas.


Eu pergunto, cativo de paixão, porque ainda não construíram o Memorial Sivuca

Nesta quarta-feira 14, faz dez anos da morte de Sivuca. Aos 76 anos, depois de uma longa luta contra o câncer.

O jornalista Silvio Osias aponta que Uma década se passou, e a Paraíba não tornou concreto o projeto do Memorial Sivuca. O acervo do grande músico está com a viúva dele, a compositora Glorinha Gadelha.

O escritor e escritor Aderaldo Luciano constuma expressar que é o forró é a música patrimonial do Brasil. E todos sabemos que o Brasil não é só samba, sertanejo, axé e funk. 

O Brasil é verdadeiramente uma grande sala de chão batido, uma sala de reboco, com folhas de eucalipto espalhadas e lá no canto da parede um trio tocando sanfona, triângulo e melê. Quem não souber o que é um melê, procure saber, forrozeiro não é.

A juventude forrozeira tem como base para seu gosto, geralmente, os acordes de Luiz Gonzaga, as sincopadas de Jackson, a genialidade de Dominguinhos e a leveza de Sivuca. 

Em João Pessoa, Paraíba, assisti a última apresentação de Sivuca, Severino Dias de Oliveira. Na época Sivuca estava lutando bravamente contra um câncer. Naquela noite vi um dos mais internacionais músicos brasileiros de todos os tempos, Sivuca, o sanfoneiro albino, o gênio da Paraíba. Gênio universal.

Noite que me marcou! Ali vi Sivuca desbravar recursos e sons inimagináveis para os acordeonistas.

Sorrindo Sivuca descreveu as características da sanfona brasileira, a de saber fazer o ritmo, a pulsação no próprio instrumento, seja tocando o choro ou o forró. O "pai" dessa escola é Luiz Gonzaga, que explorou não só o baião como o choro. A linha do choro teve outros dois instrumentistas clássicos, Chiquinho do Acordeon e Orlando Silveira. Sivuca andou pelos dois trilhos da sanfona.

Sabia todos os presentes naquela noite que ali ele estava se despedindo. Chorei...Era a hora do Adeus de Sivuca! Com a voz cansada o mestre pediu também que não deixassem o forró morrer! O público aplaudiu...Sivuca abraçou a sanfona e chorou...

Se Luiz Gonzaga redimensionou e popularizou o instrumento ao colocá-lo na condução de seu invento, o baião, Sivuca o expandiu, contribuindo significadamente para seu enriquecimento, bem como o da música brasileira em geral, com o requinte de seus arranjos a beleza de suas melodias e a versatilidade de instrumentista, transitando com desenvoltura entre o erudito e o popular, o jazz o choro e os ritmos nordestinos.

O acordeonista francês Richard Galliano, um de seus vários discípulos, comentou: "Um dia, Sivuca me disse: é uma coisa louca, parece que toda minha energia vem de Luiz Gonzaga". "É um gênio, abre os horizontes"

Severino Dias de Oliveira, Sivuca morreu aos 76 anos, em 2006. Nossa energia agora é de Luiz Gonzaga, Sivuca e Dominguinhos.

Sivuca nasceu em Itabaiana, a 80 quilômetros de João Pessoa, em 26 de maio de 1930, filho de agricultor. Os irmãos eram sapateiros. Aos nove anos conheceu a sanfona. Aos 15 anos teve as primeiras aulas de teoria musical com o clarinetista da orquestra, Lourival de Oliveira, estreou em um programa de calouros da Rádio Clube de Pernambuco, cujo responsável era o grande maestro Nelson Ferreira.

Permaneceu em Recife, em 1948 teve aulas com Guerra Peixe que o iniciou na arte da orquestração. Dois anos depois decidiu descer para o sul, convidado por Camélia Alves para tocar na Rádio Record com a grande Orquestra Record, dirigida por Gabriel Migliori.

Naquele ano, já plenamente enturmado com o grupo que criara o movimento da música nordestina ancorado no baião, gravou seu primeiro disco com Humberto Teixeira. Nele, o clássico "Adeus, Maria Fulô", dele e Humberto.

Em 1957 participou da famosa caravana de Humberto Teixeira que foi tocar na Europa. Entre outros, integravam a caravana o clarinetista Abel Ferreira, o Trio Irakitã, o maestro Guio de Moraes, o trombonista Antonio José da Silva Norato, o baterista Edson Machado, Waldir Azevedo. Quando o ouviu, na excursão, o maior clarinetista da história, Benny Goodman, quis levá-lo para os Estados Unidos.

Em 1964 foi convidado a tocar nos Estados Unidos, acompanhando a grande Carmen Costa. Descoberto pela cantora sul-africana Mirian Makeba, que fez enorme sucesso na segunda metade dos anos 60, acabou ficando 13 anos por lá. Conquistou Mirian ao acompanhar o ritmo em que ela cantava. Era o mesmo balaio, que tocava no nordeste. Seu arranjo de "Pata Pata", um dos hits dos anos 60, projetou-o internacionalmente.

Em sua temporada americana, limitou-se à guitarra. Uma vez, resolveu tocar acordeon em um show e recebeu a seguinte carta de um músico americano: "Finalmente encontrei alguém que me fizesse fazer as pazes com esse maldito instrumento que se chama acorden". O músico era Miles Davis.

Em 1975, Sivuca gravou um disco com a violonista Rosinha de Valença e casou-se com Glorinha Gadelha, cantora e compositora. Com ela compôs um clássico definitivo do forró, "Feira de Mangaio". O disco com Rosinha entrou em uma dessas relações americanas dos cem melhores álbuns do século 20.

De Chico Buarque colocou uma letra inesquecível na valsa "João e Maria", que Sivuca havia composto em 1947. A partir dali os letristas o redescobriram definitivamente. Compôs "No Tempo dos Pardais" com Paulinho Tapajós, "Homenagem à Velha Guarda", um dos clássicos do choro, gravado originalmente em 1956, que recebeu letras de Paulo Sérgio Pinheiro.

E por tudo isto eu pergunto, cativo de paixão, porque a Política Cultural do Brasil ainda nao construiu o Memorial Sivuca?

Fonte: Silvio Osias e Aderaldo Luciano


13 dezembro, Chapada do Araripe e o imaginário de Luiz Gonzaga

Estive em Exu, para celebrar/comemorar os 104 anos de Luiz Gonzaga.  Não vi os olhos raros que enxergam além do que veem. Na terra onde nasceu Luiz Gonzaga, a mensagem não se fez ouvir.

Joquinha Gonzaga, neto de Januário e sobrinho do Luiz Gonzaga, lamenta a injustiça de em pleno mês de nascimento do Rei do Baião, Governo de Estado, Municipal  e Federal tratar com descaso a cultura mais brasileira. 

Exu, Pernambuco, forró deveria ser  pra lembrar o inventor do Baião, aquele que um dia deixou o seu pé de serra e embrenhou-se pelos emaranhados da busca e do sonho e que foi o começo de uma grande empreitada e de uma desafiadora lição de vida e vivência. 

Mas a vida é realizada nos extremos. O  amor e o ódio. O real e o fantástico, a dor e o prazer, a amizade e a covardia, o breu da incerteza e a luminosidade da esperança, o medo e a ousadia, o erro e a redenção, o pecado e o perdão, a fé e a crendice, a tristeza e a festa. 

Na Serra do Araripe, divisa com o Ceará, o passado ainda está presente, e o presente simboliza o futuro. Luiz Gonzaga vive!

Na Chácara Frei Damião, distante 26 quilometros do Crato-Ceará, próximo a Exu, "Seu" Cosme e dona Maria Cavalcante de Souza entregam-se a essência da alma e ainda fazem da cultura um sentimento mais humano.

A família, amigos e vizinhos, medem palmo a palmo a vastidão do imaginário popular e desvendam a perfeição dos sonhos e anseios, da fé e das várias conquistas.

Na casa da família existe  mesa farta de pamonha feita com manteiga da terra. A buchada e a cachaça, a galinha de capoeira e capote. O milho, a rapadura e a fogueira, a manifestação plena da essência humana e grandiosidade da noite de junho e do mês do nascimento de Luiz Gonzaga.

Foi no alpendre da casa onde escutei a professora Antonia, no balançar da rede, contar fatos que são ao mesmo tempo belos e misteriosamente encantados. Professora Antonia me faz compreender as figuras humanas mais humanas, a criaturas belas, mais belas, a natureza das pegas de bois, as origens de Cocaci, os Inhamuns-Ceará. Sonhei conhecer a Fazenda Corisco, la dos Feitosas dos Inhamuns.

Professora Antonia ao falar, os olhos faíscam de astros a escuridão da noite humana e se faz perceber entre vaga lumes e querubins a essencia que reluz do que havia se perdido e ali encontra as respostas para a própria razão de sonhar e viver.

Seu Cosme acompanhado de seu Zé Lira visitam o sitio Salva Vidas. Nome sugestivo quando vi o povo a rezar a Novena de joelhos. Havia ali a Capela São Francisco e escutei histórias de muitos que vieram ao mundo pelas mãos da parteira do local.

Tudo isto me fez lembrar da profecia do professor, danado e cantador, quase vidente, Aderaldo Luciano quando diz que o Nordeste continuaria existindo caso Luiz Gonzaga não tivesse aterrissado nestas paisagens há mais de cem anos.

O Nordeste teria e seria o mesmo complexo de gentes e regiões. Comportaria os mesmos cenários de pedras e areias, plantas e rios, mares e florestas, caatingas e sertões.

Luiz Gonzaga, mais que ninguém, brindou-nos com uma moldura indelével, uma corrente sonora diferente, recheada de suspiros, ritmos coronários, estalidos metálicos. Luiz Gonzaga plantou a sanfona entre nós, estampou a zabumba em nossos corpos, trancafiou-nos dentro de um triângulo e imortalizou-nos no registro de sua voz.

Ali em Exu, Chácara Frei Damião, Sitio Salva Vidas, Crato, Vi galos anunciando o dia, sabiás acalentando as horas, acauãs premeditando as tristezas, assuns-pretos assobiando as dores, vens-vens prenunciando amores.

Enfim, compreendi que a história vem se tecendo com a força da própria vida. E por isto, disse o cantador Virgilio Siqueira, daí não ser possível guardar na própria alma a transbordante força de uma causa. Daí não ser possivel retornar, afinal, a gente nem sabe ao certo se de fato partiu algum dia...




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