Raimundo Aniceto, um homem e a valorização da arte de tocar Pife

Aderaldo Luciano numa carta endereçada ao cantador cantor Beto Brito, relatou a certeza, "e vai colocar isso em um livro, que Deus era um tocador de pife e foi soprando nele, num pife feito de taboca, que deu vida ao Homem com seu sopro fiel".

Visitei no Crato, Ceará, o mestre da cultura de tocar pife, Raimundo Aniceto, 83 anos, nascido em 14 de fevereiro de 1934. Fui na casa do líder da Banda Cabaçal de Pife dos Irmãos Aniceto.  A Banda de Pífe é Patrimônio Cultural Imaterial.

Formado no século 19 pelo “Véi Anicete”, ou José Lourenço da Silva, que mais tarde se tornaria José Aniceto, um descendente de índios do Kariri, o grupo se encontra na quarta geração — e não deixa de lado a música do sertão. A Banda de Pífe já tem mais de dois séculos de fundação.

Seu Raimundo começou a tocar com 6 anos, ele acompanhou de perto a renovação da banda. A formação atual é composta por  Adriano, Antonio (seu irmão), Jeová e Ciço. Eles têm um sexto integrante, Ugui, escalado em situações especiais.

Durante a visita o mestre Raimundo Aniceto mostrou as fotos e os ollhos marejam com retratos da disposição de outrora. Responsável pela coreografia, ele dançava, pulava e arriscava até um salto mortal na apresentação.

Raimundo Aniceto está se recuperando de um AVC-Acidente Vascular Cerebral. Já não toca! Todavia a mente, alma e corpo falam do Guerreiro Cultural que bem sabe e pede socorro: o pife não pode acabar!

No final da visita fiquei a pensar: o Brasil trata realmente com o maior desprezo a sua verdadeira riqueza cultural.

Mestre Raimundo Aniceto tem seis filhos e de acordo com Dona Raimunda a esposa pediu para que não deixassem acabar o grupo e manter vivas essa tradição. Preocupada Dona Raimunda sentenciou: "É muito difícil, pois a juventude não está muito ligada na tradição. Mas vamos conseguir".


Exu celebra 28 anos de morte de Luiz Gonzaga com a Mostra Cultural


Exu, Pernambuco é o berço de uma das mais autênticas manifestações culturais brasileiras. Entre os dias 01 a 05 de agosto o município torna-se palco para homenagens ao seu mais ilustre filho, Luiz Gonzaga, o Rei do Baião.

Entre os dias 01 e 05 de agosto acontece a Mostra Cultural Gonzaguiense. Confira a programação:
Terça-feira 01 agosto: Solenidade de ABERTURA Horário: 19h
Local: Auditório do CMBA

Dia 02 quarta-feira: MISSA em Homenagem a Luiz Gonzaga - Celebrada pelo Bispo Dom Magnus.
Homenagem da Associação dos Forrozeiros do BrasilHorário: 18h00min
Local: Igreja Matriz

Dia 03 Quinta-feira SARAU LÍTERO MUSICAL🎼
 Horário: 19h00min
Local: Parque Aza Branca

Dia 04 Sexta-feira TERREIRADA CULTURAL🎼 com: Na Base da Chinela. Grupo Cultural Maracatu AfroBatuque. Horário: 19h Local: Parque Aza Branca

Dia 05 Sábado Apresentação das Quadrilhas: Junina Luiz Gonzaga. Luar do Sertão Horário: 19h Local: Fazenda Araripe
Encerramento: Arraiá na Fazenda Araripe. Roda de Sanfoneiros. Joquinha Gonzaga e Xaxado Novo


A triste agonia do Rio São Francisco

Um dos maiores rios da América do Sul, o São Francisco é o cenário de uma história quase apocalíptica de destruição ambiental. Os exemplos são tristes e inúmeros: salinização de solos, açudes com água salobra e surgimento e ampliação dos núcleos de desertificação associados a baixíssimos percentuais de cobertura vegetal das matas ciliares. Delas sobraram menos de 4%, e sua ausência amplia processos erosivos nas margens, provocando o assoreamento do rio e tornando-o inviável como hidrovia.

Ao longo da história da ocupação da Caatinga, não se perderam apenas espécies, mas também processos ecológicos e sociais. Foram-se, para sempre, o fenômeno da piracema e seus incríveis peixes migradores, e também as enchentes que regulavam a biota aquática antes do advento das barragens. Por séculos, as comunidades ribeirinhas conviveram com os ciclos naturais de enchentes do rio e, adaptadas a eles, construíram sua história.

Uma visão multidisciplinar, ainda em construção, sobre os fenômenos complexos da dinâmica do rio São Francisco, defronta-se com iniciativas técnicas e políticas insensatas, incompatíveis com um século XXI supostamente bem informado. Ao que parece, todo o saber disponível ainda é insuficiente para estancar a sangria das águas do rio São Francisco, e também acabar com a erosão biológica e genética de organismos únicos em todo o planeta.

A estiagem prolongada tem feito o Rio São Francisco perder força na divisa de Alagoas e Sergipe, permitindo que o mar avance sobre a água doce. O fenômeno é conhecido como salinização e, segundo pesquisadores da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), está transformando o ecossistema da região e prejudicando a população ribeirinha.

É no trecho da Área de Preservação Ambiental (APA) da Foz do São Francisco, entre os municípios de Piaçabuçu (AL) e Brejo Grande (SE), que o fenômeno pode ser percebido com mais intensidade pelos quase 25 mil habitantes da região.

o pescador alagoano José Anjo percebe no dia a dia também foi apontado pelo oceanógrafo Paulo Peter, pesquisador da Ufal que analisa os impactos ambientais e sociais da salinização do Rio São Francisco. "É possível notar no estuário a morte da vegetação típica de água doce, substituição dos peixes de água doce pelos de água salgada e inviabilização da água para o consumo humano".

Para o pesquisador, a redução da vazão das águas do Rio São Francisco pela hidrelétrica de Sobradinho, na Bahia, agrava o problema. O volume de água liberado pela usina já superou 2.900 m³/s, mas nos últimos anos vem sendo reduzido gradativamente para prolongar a vida útil dos reservatórios.

a pedido da Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf) e autorizado pela Agência Nacional de Águas (ANA), a vazão passou para 550m³/s, a menor da história, segundo o Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco (CBHRS).

"Se a vazão do São Francisco permanecer como está, a situação será cada vez pior, tanto do ponto vista humano quanto ambiental", avalia Peter.

Fonte: Carolina Sanches e Waldson Costa-G1 Alagoas


José Urbano: 28 anos...Saudade Amarga que nem jiló

No dia 02 de agosto de 1989, faleceu em Recife um sertanejo, como milhares de outros filhos do sertão. Homem de cor morena, adquirida nas suas andanças desde a infância pelos caminhos de chão batido na Estrada de Canindé. Voz grave, cabelos crespos, corpo robusto, altura mediana...mãos firmes porém, diferente dos demais conterrâneos, não eram calejadas, pois, em razão do seu ofício primeiro, apresentavam uma certa maciez. Teve pouco tempo de estudo, mas aprendeu o ofício de somar experiências com esperanças, fazer o bem sempre, se auto renovar diante das dificuldades.

Era conhecido por ser homem de firmeza em suas opiniões, avesso às badalações, preferia passar longas horas em seu próprio mundo: o sertão de tonalidades cinza-verdejante, desfrutando a plenitude da harmonia com a natureza em sua forma mais primitva...o Assum Preto e a Acauã, assim como a Asa Branca, eram suas companhias musicais favoritas, embaixo de um Juazeiro, ou sob o Luar do Sertão! Ao longo dos seus 76 anos de existência, foi um peregrino que percorreu todos os estados brasileiros, como mensageiro da esperança, mostrou ao Brasil a face multicultural do nordeste, povoado de padres e cangaceiros, feirantes e vaqueiros, emboladores e cordelistas, jangadeiros e tropeiros....e uma infinidade de personagens culturais plenamente originais.

Na pia batismal, recebeu nome de santo, e foi devoto de Padre Cícero, o mais popular do nordeste! Sonhou em ser cangaceiro, mas sua alma poética não se dava à violência, nem sua arma profissional fazia qualquer dano, ao contrário, expelia poesias em forma de acordes musicais. Um acidente passado comprometeu um dos olhos, mas com o saudável, enxergava longe, principalmente as necessidades de sua gente. Sem alardes, tornou-se o líder do seu povo, pediu e conquistou vários benefícios para seus conterrâneos.

Desprovido de vaidades, alpercatas de couro, chapéu e gibão eram seu figurino predileto. Uns poucos criticaram seu trabalho, milhões o reverenciam e desconhecem o efeito de uma ausência de 28 anos. De sua terra saiu como um anônimo sonhador, para ela voltou condecorado com as mais altas homenagens. O menino virou rei, e seus súditos consolam a própria alma no aconchego de um colo materno em uma tarde do sertão. Aquele sertanejo que só queria dar alegrias ao seu povo, deu muito mais: dignidade, honras, originalidade, poesia, identidade cultural.

Na sua partida, o nordeste chorou, do litoral ao sertão. Sua ausência nos deixou órfãos, mas também herdeiros de todo o seu legado. Como o badalar de um chocalo do gado sertanejo, sua voz nunca se calou, ao contrário, ressoa sem fronteiras, universal, limpa, viva como a esperança por chuvas no torrão. Ele nos ensinou que a Saudade Amarga que Nem Jiló...Saudades, meu remédio é cantar! No dia 02 de agosto de 1989, faleceu em Recife um sertanejo, como milhares de outros filhos do sertão...se eternizou Luiz Gonzaga, autêntico Rei do Baião!

Fonte: José Urbano-Professor de  História. Pesquisador


Caicó, Rio Grande do Norte comemora Festa de Santana-Patrimônio Cultural

A Festa de Sant'Ana de Caicó é uma celebração tradicional que ocorre há mais de 260 anos e reúne diversos rituais religiosos, profanos e outras manifestações culturais da região do Seridó norte-rio-grandense. Além de uma celebração representativa para este município, ela permite também vislumbrar a diversidade das manifestações culturais e possibilita a compreensão abrangente do Seridó potiguar.

Como Patrimônio Imaterial, foi inscrita no Livro de Registro das Celebrações em 2010. Profundamente enraizada na história de Caicó, em particular, e do sertão potiguar, em geral, a Festa remonta aos processos de formação da sociedade brasileira, ainda, no período da colonização portuguesa. Ocorre, anualmente, da quinta-feira anterior ao dia 26 de julho, Dia de Sant'Ana, até o domingo subsequente e inclui também um "ciclo preparatório" que se inicia, geralmente, em abril.

Ao longo dos séculos foram alteradas as composições cerimoniais e, atualmente, os principais eventos que ocorrem nos dias festivos são: o "ciclo de preparação da Festa de Sant'Ana" que inclui as peregrinações rurais e urbanas e seus rituais de missa e procissão, assim como o Encontro das Imagens e a Peregrinação a Sant'Ana "Caravana Ilton Pacheco"; abertura oficial da Festa marcada por caminhada solene, quando o estandarte de Sant'Ana é hasteado em mastro localizado em frente à Catedral. 

Além das celebrações, os festejos incorporam muitas outras manifestações culturais da região, como os ofícios e modos de produção tradicionais das "comidas" do Seridó potiguar e dos muitos artesanatos sertanejos como, por exemplo, os bordados do Seridó; as músicas e bandas, os hinos, os poemas, o "beija" e demais formas de expressão do sertão norte-rio-grandense.




28 de julho e a noite de amor em Poço do Angico

Aquela noite, 28 de julho, era a noite de seus desejos. Seus corpos se amariam como nunca. Seus olhos confessavam seu amor. Havia uma necessidade de abraçar mais forte, de se beijar mais quente, de sussurrar segredos. 

O suor os unia em complexa solução salgada. Seus fluidos se misturavam cumprindo seu destino. A lua, a noite, o silêncio no campo. A terra calava-se diante de tanta cumplicidade. Nus, abraçados, juraram amor eterno, enquanto seus dedos se entrelaçavam. 

A rusticidade de suas vidas nunca invalidara seus momentos de paixão.  O cactos, a poeira da caatinga, os bichos mais estranhos, a brisa inexistente, tudo reverenciava e abençoava sua união. Naquela noite, toda a alegria do mundo invadia-lhes a aura. Até que veio a manhã e adormeceram para sempre.

Fonte: Aderaldo Luciano-professor. Doutor em Ciência da Literatura



Há 79 anos morria Lampião e Maria Bonita na Grota de Angicos, Poço Redondo, Sergipe

Há 79 anos Lampião, Maria Bonita foram mortos em uma emboscada da força policial comandada pelo tenente João Bezerra.

A data do nascimento de Lampião, o mais conhecido cangaceiro brasileiro, até hoje permanece um mistério, com versões de dias diferentes em 1897, 1898. Mas quanto à data da morte de Virgulino Ferreira da Silva, ninguém discute, e muito por causa de uma fotografia. Foi em 28 de julho de 1938.

As cabeças de Lampião, Maria Bonita e dos principais integrantes do bando foram arrancadas e levadas por diversas cidades, onde eram expostas como prêmio e forma de intimidação. Uma chocante fotografia histórica registrou a prática, que era comum no cangaço. A data aparece em uma placa no topo esquerdo da imagem.

Lampião e Maria Bonita morreram na Grota de Angicos, Poço Redondo, no sertão sergipano.

Entre as cabeças na fotografia cortadas expostas na escadaria da Prefeitura de Piranhas, Alagoas, em 28 de julho de 1938, o dia da emboscada fatal na Fazenda de Angico, Sergipe,  quatro quilômetros distantes dali. “Cabeças em simetria, algumas apoiadas por calços de pedra, cabelos desgrenhados, feições rígidas, olhos fechados. A ordem de apresentação do escalão é inversa e quebra a hierarquia que tiveram em vida. No plano mais baixo, isolada, a cabeça de Lampião; acima a de Maria Bonita tendo à direita a de Luís Pedro e à esquerda Quinta-Feira; degrau acima, as cabeças dos cangaceiros Mergulhão (E), Elétrico e Caixa de Fósforo; no plano mais alto, as cabeças de Enedina (E), Cajarana, um cangaceiro não identificado, dito “desconhecido” e o cangaceiro Diferente.”


Servidores públicos já articulam paralisar atividades em repúdio ao Governo Temer

Servidores públicos já se articulam para recorrer à Justiça ou até mesmo paralisar serviços caso o governo leve a cabo a proposta de adiar os reajustes salariais já aprovados para 2018 e que custariam R$ 22 bilhões. A indicação de que o governo planeja adiar os reajustes deve acirrar ainda mais os ânimos do funcionalismo em um momento já de ebulição por conta da restrição de recursos federais. A Confederação Nacional dos Servidores Públicos (CNSP) disse que entrará com ação na Justiça para impedir a postergação, caso a medida seja de fato anunciada.

A secretária do Tesouro Nacional, Ana Paula Vescovi, afirmou que o estudo da medida está em linha com o objetivo da área econômica de revisar gastos obrigatórios. A medida não teria impacto neste ano, mas é uma alternativa para fechar as contas do Orçamento do ano que vem, que precisa ser apresentado até o fim de agosto e já traz dor de cabeça para o governo.


Missa do Vaqueiro: Preste atenção em um cretino que só vem em sua casa de quatro em quatro anos pedir voto (…) Que país é esse que deixa fechar milhares de escolas? “, diz Bispo

O coração dos presentes à Missa do Vaqueiro, em Serrita (Sertão do Araripe, 586 quilômetros do Recife), parece não ter tamanho suficiente para comportar a emoção, na hora em que o Parque Estadual João Câncio começa a receber centenas deles, quase todos vestidos com a roupa e os adereços em couro. Vão entrando em seus cavalos ao som da música feita por Luiz Gonzaga/Nelson Barbalho em protesto pelo assassinato do primo Raimundo Jacó, na tarde de 8 de julho de 1954, na caatinga de Exu, enquanto trabalhava.

“Tengo/legotengo/lengotengo/lengotengo … O vaqueiro nordestino/morre sem deixar tostão/o seu nome é esquecido/ nas quebradas do Sertão ...” Os versos ecoam pelo lugar, realçados pelo trote dos animais e o balançar natural dos chocalhos trazidos pelos donos, todos em silêncio. Sinceramente, aquilo dói e encanta.

Na verdade, encanta desde a formação do cortejo, na pista de acesso ao parque, quando homens e cavalos parecem experimentar a mesma alegria, afinal, vivem uma lida diária tão dura e cheia de dificuldades que ter uma festa dedicada a eles só pode mesmo enchê-los de orgulho. Seria esta a palavra, a metáfora perfeita? Parece pouco para descrever o momento cheio de simbolismo e mesmo os vaqueiros muito jovens não brigam contra as lágrimas que rolam na frente do palco armado para a celebração. Quanto mais os velhos … Ah, esses crispam o rosto e seguram o chapéu no peito, como se mandassem um recado para o coração não aprontar nenhuma. Entende-se. Sem esforço algum.

Neste ano, a cerimônia da 47ª missa, realizada no último domingo foi marcada por sermões carregados de protestos contra a roubalheira no país, que repentistas trataram de amplificar na hora do Ofertório, a parte mais bonita: “O vaqueiro oferece as luvas / que protegem as suas mãos/ dos galhos de chique-chique/ nas quebradas do Sertão/ e elas são mais bonitas/ do que a caneta que assina/ o roubo da corrupção”.

A cada alfinetada nos escândalos políticos, a plateia ia ao delírio, ainda mais quando dadas por religiosos sob o comando do bispo diocesano de Salgueiro, dom Magnus Henrique Lopes. Aplaudidíssimo, um concelebrante cujo avô viveu a dureza da profissão disparou: “Estamos sofrendo as consequências de um governo irresponsável (…) Preste atenção em um cretino que só vem em sua casa de quatro em quatro anos pedir voto (…) Que país é esse que deixa fechar milhares de escolas? “

Dividindo as celas com os vaqueiros, as crianças levadas por eles evidentemente não entendiam as mensagens cheias de indignação, mas muitas deveriam sentir que se achavam ali para abraçar a continuidade do ofício dos avós e dos pais. Na pega de boi realizada no dia anterior, em uma fazenda próxima, também estavam presentes e, usando chapéus de couro (algumas até com gibão), olhavam atentamente para aqueles homens se embrenhando na caatinga fechada atrás dos bois soltos durante a prova.

Olhavam com deslumbramento, como se fossem naturais quedas e cortes provocados pela velocidade com que avançavam por entre os galhos, até se jogarem sobre o animal, tirar do pescoço dele a tabuleta e voltar correndo para entregá-la aos encarregados da cronometragem do tempo. Naquele olhar, certamente, estava escrita a sobrevivência de uma tradição, vez por outra ameaçada pelo descaso do poder público com a cultura. Este ano, o patrocínio da Empetur virou dúvida e a Missa correu o risco de não acontecer, o que seria, além de tudo, um desastre para a economia da pequena Serrita e de municípios vizinhos.

Nada a estranhar que existam pessoas para as quais a Missa do Vaqueiro tenha se tornado evento obrigatório. Gente que vai ao Parque Estadual João Câncio, sem perder um ano, praticamente desde a primeira edição, em 1970. Sim, porque a devoção ao ofício, a fé e o orgulho quando se juntam para iluminar rostos tão rústicos só podem mesmo produzir um espetáculo digno de ser visto de perto. Com toda a alegria e o respeito que aqueles homens merecem.

Fonte: Luce Pereira-Diário de Pernambuco


Exu, Pernambuco: Terra onde nasceu Luiz Gonzaga vai celebrar 28 anos de morte do Rei do Baião

A celebração de morte de Luiz Gonzaga do Nascimento será nos dias 29 e 30 de julho. Luiz Gonzaga morreu no dia 02 de agosto de 1989.

Para lembrar o legado do cantor, será celebrada a 'Festa da Saudade". São 28 anos de saudades.

As homenagens ao músico serão no Parque Aza Branca, local onde estão o acervo, o museu e o mausoléu do artista. De acordo com o presidente da organização não governamental (ONG) que administra o parque, Francisco Parente Júnior, as celebrações além do tradicional forró terá uma missa no domingo, iniciando às 11horas.

“A missa acontece embaixo do pé de juazeiro. A cerimônia religiosa deve contar com a presença do sobrinho de Luiz Gonzaga, o sanfoneiro Joquinha Gonzaga. A escolha do local faz referência a “Juazeiro”, uma das mais famosas canções de Luiz Gonzaga.

É também à sombra das árvores que segue a programação da Festa da Saudade. A parti das 16h, mais de 20 forrozeiros se apresentam no palco do Parque. Além de Joquinha Gonzaga, estarão presentes Flávio Leandro, Zézinho do Exu, Jaiminho de Exu, Tárcio Carvalho, Joãozinho do Exu, Jaiminho  Fábio Carneirinho, Donizete Batista, Ana Paula Nogueira, Cosmo do Acordeon, entre outros sanfoneiros.

“É um evento tradicional que atrai gente de várias cidades de Pernambuco e de outros estados, como Bahia e Ceará”, afirmou o presidente da ONG. A entrada para o evento é franca.


Seminário Cariri Cangaço e Sentimento da terra, lugar universal

O  professor sociólogo Stuart Hall, pesquisador da área de estudos sociais apontou  que a questão da identidade está sendo extensamente discutida na teoria social. Em essência os argumentos são os mais diversos e complexos. Novas identidades vem fragmentando o indivíduo moderno.

 Discute-se assim a chamada  "crise de identidade". Crise vista como parte de um processo mais amplo de mudança, que está deslocando as estruturas e processos centrais das sociedades modernas e abalando os quadros de referência que davam aos indivíduos uma ancoragem estável no mundo social.

Stuart Hall dialoga também que a identidade cultural surge a partir da noção de pertecimento, associada a memória, etnias, raciais, linguísticas, religiosas e acima de tudo nacionais. Já Habermas diz que "saber do que se fala sempre ajuda; de resto, se se trata do problema de legitimidade, é preciso sabê-lo de modo particularmente exato".

A lembrança dessas frases e dos estudiosos da comunicação e da cultura, frases sábias me veio a cabeça quando da participação do evento Cariri Cangaço 2017, realizado em Exu e Serrita, Pernambuco, entre os dias 20 a 23 de julho. Conferências, visitas técnicas, debates, o diálago com referência a vida e obra de Lampião e Luiz Gonzaga marcaram a essencia do encontro.

Parabenizo Manoel Severo, curador do evento. Severo um defensor da cultura com capacidade de liderar uma equipe de valentes e valiosos cangaceiros da cultura. Cangaceiros culturais do bom combate. Na condição de convidado (serei sempre muito grato) impressionou-me a tarefa dos membros do Cariri Cangaço a missão de serem ousados. Ousadia de enfrentar a crise cultural e mostrar a riqueza de valores da cultura brasileira/universal.

Escutar e olhar a Cecília do Acordeon e Pedro Lucas Feitosa é saber do significado da esperança de um mundo melhor. Cecilia e Pedro Lucas são crianças que tem a identidade de sanfona.  Possuem o sentimento da terra, região. Corações tão puros e um futuro que deve ter como base os estudos e a educação para quando chegarem a maturidade e tempo adulto estarem prontos e preparados para enfrentar novos desafios em defesa da cultura. 

Manoel Severo, Conselheiros e membros do Cariri Cangaço clamam o mais alto possível pela valorização da cultura e exigem respeito ao legado histórico cultural. As conferências, em especial da minha linha de pesquisa/estudo, foram realizadas com Paulo Vanderley, Wilson Seraine, José Nobre, Kydelmir Dantas,  Múcio Procopio, Joquinha Gonzaga e Fausto Maciel (Piloto), os dois últimos sobrinhos de Luiz Gonzaga e netos de Januário. 

O professor Wilson Seraine na apresentação do Livro O Rei do Baião e a Princesa do Cariri (autoria do escritor Rafael Lima), indica uma trilha segura e aponta "para os pesquisadores iniciantes e aqueles menos informados para não serem surpreendidos com livros que expoem belas capas bonitas, bonitas ilustrações, mas com conteúdo duvidoso ou mesmo errados". 

A lição é tiro certeiro para a morte dos traidores da cultura e também para a falsa noção do atual quadro musical brasileiro que está plastificando o toque da sanfona em nome do capitalismo tão selvagem que mata até mesmo esperança e a memória do tocador de sanfona Lampião e do Rei do Baião.

No Cariri Cangaço existe a ousadia da resistência aos valores mais nobres da cultura: o talento, o abraço e o sorriso.

Portanto, ao participar do Cariri Cangaço ninguém sai impune. Conviver com os cangaceiros da cultura é ganhar mais inteligência, engenho e arte. Eles tem a magia da valorização da memória e da cultura na alma.


Cariri Cangaço e Cecília do Acordeon

Luiz Gonzaga tem sido nos últimos anos tema de trabalhos acadêmicos, e gradualmente sua obra vem sendo relida, ouvida, tocada. Durante o evento Cariri Cangaço, em conversa com os pesquisadores, Paulo Vanderley, José Nobre apontei o quanto a realização de um seminário é importante para a consolidação de valores culturais.

Nestes encontros surge a possibilidade de conhecer e  termos novos olhares. A obra de Luiz Gonzaga sempre vai renascer. No próximo dia 02 de agosto, completam-se 28 anos da partida física, a viagem para o sertão da eternidade do Rei do Baião. A menina Cecilia do Acordeon representa este novo olhar. Olhar da possibilidade do renascimento. O novo olhar para a vida e obra de Luiz Gonzaga. Cecília possui a humildade, sorriso, a grandeza dos trabalhadores e a vontade de vencer.

Cecília do Acordeon começou seu envolvimento com a Cultura participando e dançando no Reisado. Continua ainda hoje, brincando no Reisado e agora é a sanfoneira. Foi no Reisado Boi Surubim, conta Cecilia que ela teve o primeiro contato com a sanfona. "Foi a sanfona do Mestre Cícero que vi. Parecia me chamar e brilhar e eu chorei querendo ter uma e então fiquei apaixonada pelo som da sanfona".

Durante o Cariri Cangaço, que adotou Cecilia com seu talento e sorriso sincero, a criança contou que teve aulas de sanfona com o Mestre Cicero. "As primeiras notas da sanfona aprendi e ainda hoje busco mais conhecimento e não perco oportunidade de sempre aprender e estudar".

Cecília ganhou o Diploma Amiga do Cariri Cangaço e cantou puxou a sanfona:
"Sou bisneta de um mestre da cultura e nasci vendo o Surubim dançar. Ainda pequena com quatro anos de idade, da brincadeira comecei a participar, acompanhando o cortejo do reisado com alegria e amor no coração/.

Na temporada de 2014 o meu avô convidou um sanfoneiro para o reisado ficar mais animado. O povo dançou alegre no terreiro naquela noite. Fiquei encantada e nem dormi pois perdi o sono. Foi a primeira vez que vi de perto esse instrumento que se chama sanfona.

No outro dia eu estava decidida uma sanfona queria aprender a tocar. Fiquei insistindo com meu pai até que ele comprou uma sanfona pequena de brinquedo mesmo assim fazia fom fom e corri para pegar umas aulas com o mestre Cicero do Acordeon./

Depois foi preciso uma sanfona maior, mas meu meu pai não tinha dinheiro. Conseguimos com um bingo de um garrote e um encontro de sanfoneiros. Agora estou aprendendo a tocar com muito esforço e dedicação os estilos que gosto de cantar é Luiz Gonzaga nosso rei do baião"/.

Eu sou a Cecilia do Acordeon e da minha sanfona eu já tiro um som".

E assim ouvi no Cariri Cangaço e aqui reproduzo. Salve Salve Cecilia do Acordeon.


Pesquisadores e estudiosos da vida e obra de Lampião e Luiz Gonzaga movimentam o Seminário Cariri Cangaço 2017

De 20 a 23 de julho de 2017, a cidade de Exu, Pernambuco, terra de Luiz Gonzaga e Barbara de Alencar será o palco do "Seminário Cariri Cangaço 2017".

O evento é voltado para pesquisadores, escritores, professores, universitários, artistas e demais curiosos da temática. Cinco Estados integram as discussões do Cariri Cangaço, sendo Ceará; com Crato, Juazeiro, Barbalha, Missão Velha, Aurora, Barro, Porteiras, Lavras da Mangabeira e Brejo Santo; Paraíba, com Sousa, Nazarezinho, Lastro, Princesa Isabel e São José de Princesa; Alagoas, com Piranhas; Pernambuco, com Floresta e Sergipe com Poço Redondo.

Manoel Severo Gurgel Barbosa, é fundador e Curador do Cariri Cangaço, Presidente do Conselho Consultivo, Diretor da SBEC – Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço; Diretor do GECC – Grupo de Estudos do Cangaço do Ceará; Sócio Honorário do GPEC e do GFEC, afirma que o Cariri Cangaço é mais que um evento. "É um sentimento", define Manoel Severo.

"A partir dessa quinta-feira 20 serão dois grandes eventos acontecendo e que se encontrarão no domingo, dia 23 de julho quando o Cariri Cangaço Exu 2017 celebra junto com a Fundação Padre João Câncio a 47ª Missa do Vaqueiro, em Serrita".

Confira a programação completa: cariricangaco.blogspot.com e  www.exu.pe.gov.br


Dominguinhos, o discípulo que inovou a arte do mestre Luiz Gonzaga

Dominguinhos morreu/desncarnou no dia 23 de julho. Lutou durante mais de seis anos contra um câncer de pulmão. O músico morreu às 18h.

"Que saudade matadeira eu sinto no meu peito. Faço tudo para esquecer, mas não tem jeito."Este é um dos muitos versos de Anastácia que Dominguinhos cantou e tocou com sua sanfona, transformando-a em um instrumento da saudade, sentimento que persiste no coração de todos nós que convivemos com o cantor, compositor e instrumentista.

Dominguinhos deixou o legado da genialidade, simplicidade, humildade. Em especial a gratidão que o discípulo tinha por Luiz Gonzaga. Dois filmes falam sobre vida e obra de Dominguinhos: primeiro o documentário "O milagre de Santa Luzia" (2008), de Sergio Roizenblit, no qual o instrumentista viaja pelo Brasil para mostrar as diferentes formas regionais de se tocar sanfona e os principais sanfoneiros do país.

E aquele que mais me toca: O longa metragem webserie "+Dominghinhos". Neste filme é mostrado “Um Dominguinhos que pouca gente conhece: jazzista, improvisador, seu refinamento musical, sua universalidade".

Assim era Dominguinhos. Grande, muito grande. Simples, muito simples.

Aos 6 anos, José Domingos de Morais, O Dominguinhos ganhou a primeira sanfona do pai, o mestre Chicão. Aos 8, já se apresentava com os irmãos, Morais e Valdomiro, em feiras livres e portas de hotel de Garanhuns-Pernambuco, onde nasceu em 12 fevereiro de 1941.

Dominguinhos foi nome dado por Luiz Gonzaga, com quem gravou, em 1957, Moça de Feira. “O menino chegou de um ambiente diferente e começou a viver num mundo glamourizado. Mas foi sempre na dele, sempre com esse jeitão sertanejo”, diz Gilberto Gil no primeiro episódio da web série +Dominguinhos.

A riqueza dessa história levou os músicos Mariana Aydar, Duani e Eduardo Nazarian a promover encontros entre o sanfoneiro e parceiros, antigos e jovens que tocam e contam histórias vividas nos palcos da vida.

Em uma delas, Giberto Gil lembra do tour do álbum Refazenda (1975), em que viajaram juntos mais de 20 mil quilômetros. Em certo momento, Dominguinhos pergunta: “Isso é reggae, é?”. Quando o amigo responde que sim, ele rebate: “Que reggae nada, isso aí é um xotezinho sem-vergonha”.

Dominguinhos conseguiu inovar a arte do mestre! 

Antes de começar a luta contra o câncer que o submeteria a uma injustiça do destino vivida em um quarto do Hospital Sírio Libanês, convalescendo na dor física e da alma que sofria Dominguinhos recebeu uma equipe de jovens cineastas. Estavam ali para colocar a água do Rio São Francisco em uma garrafa. Ou, se fosse preciso, em duas.

Ao lado de Djavan, Dominguinhos chorou. Estava visivelmente abatido pela doença, mais magro do que em outras cenas, e parecia sentir as próprias notas em dobro. "Seu Domingos" tirou a água dos olhos e pediu a Djavan um favor com uma humildade de estraçalhar os técnicos do estúdio. "Se você tivesse trazido seu violão, eu ia pedir pra tocar uma música pra mim".

Quando a música aparece, ela vem em turbilhão. Um Dominguinhos de cabeça baixa, de pé, à frente de um grupo, tocando sua sanfona como se estivesse em transe. De olhos fechados, transpassa dedos uns sobre os outros como se tivessem vida própria, como se nem dos comandos do cérebro precisassem.

No documentário é o próprio músico quem narra sua história: o pai que já tocava na roça, lembra de sua sanfoninha de 8 baixos e do primeiro grupo que formou com dois irmãos no Nordeste, quando tinha 8 anos.

Dominguinhos fala das brincadeiras e dos passatempos. "Eu não matava nem passarinho, por pena." A mãe, alagoana filha de índios como o pai, teve 16 filhos, muitos dos quais "iam morrendo" e sendo enterrados em caixõezinhos que o pai já construía como um especialista.

Seus olhos se enchiam de água depressa, sobretudo depois que ele começou seu tratamento contra o câncer. Em uma noite, deixou o quarto do hospital com seu chapéu de vaqueiro, apertou o botão do elevador e fez o nome do pai.

Momento de emoção no filme quando Dominguinhos chega ao teatro no qual a Orquestra Jazz Sinfônica o esperava e sentou-se para tocar De Volta pro Aconchego. Quando sentiu os arranjos sinfônicos atravessando seu peito, não se conteve e chorou uma lágrima graúda, como se soubesse que, ali, era a hora de se despedir.

Levantou a cabeça, tirou o chapéu e chorou...


Ney Vital sacode o forró, cantoria de viola, xote, xaxado e baião com o Programa Nas Asas da Asa Branca-Viva Luiz Gonzaga

O rádio continua sendo o principal veículo de comunicação do Brasil. Aliado a rede de computadores está cada vez mais forte e potente. Na rádio Emissora Rural-A voz do São Francisco, www.730am.com.br o jornalista Ney Vital vai apresentar o Programa Nas Asas da Asa Branca-Viva Luiz Gonzaga, às 7hs, todo domingo, a partir do dia 30 de julho.

O programa segue uma trilogia amparada na cultura, cidadania e informação. "É a forma, o roteiro concreto para contar a história da música brasileira a partir da voz e sanfona de Luiz Gonzaga", explica Ney Vital.

O programa Nas Asas da Asa Branca-Viva Luiz Gonzaga é um projeto que teve início em 1990, numa rádio localizada em Araruna, Paraíba. "Em agosto de 1989 perdemos o Rei do Baião e então, o amigo, hoje professor radicado no Rio de janeiro, o doutor em Ciência da literatura, Aderaldo Luciano fez o convite para participar de um programa de rádio. E até hoje continuo neste bom combate".

No programa o sucesso pré-fabricado não toca e o modismo de mau gosto passa longe."Existe uma desordem , inversão de valores no jornalismo e na qualidade das músicas apresentadas no rádio e por isto a necessidade de um programa voltado para um dialágo com a cultura", avalia o jornalista.

Ney Vital usa a credibilidade e experiência em mais de 20 anos atuando no rádio e televisão. "O programa incentiva o ouvinte a buscar qualidade de vida. É um diálogo danado de arretado. As novas ferramentas da tecnologia da comunicação permitem ficarmos cada vez mais próximo dos ouvintes", finalizou Ney Vital.


Lucas Campelo e Anastácia fazem homenagem ao mestre Dominguinhos

Neste sábado, 22, o Teatro Atheneu será palco de uma merecida reverência ao grande mestre Dominguinhos. O músico sergipano Lucas Campelo recebe a compositora pernambucana Anastácia no espetáculo “Dominguinhos, Através”, apresentado pela primeira vez em 2016 por Campelo, após a conclusão do seu mestrado pela Universidade Federal da Bahia, e abrilhantado, agora, com a participação da Rainha do Forró, autora de diversas músicas que destacaram Dominguinhos no cenário nacional.

Foram dois anos de pesquisa sobre o processo de aprendizagem de Dominguinhos. Nesse período, Lucas revela ter percorrido a trajetória de autodidatismo deste, que é um dos grandes ícones da cultura nordestina, herdeiro e continuador do legado de Luiz Gonzaga. “Para entender melhor todos os processos que envolveram esse percurso marcante, entrevistei Anastácia, o filho de Dominguinhos, além de sanfoneiros e músicos que conviveram com ele, inspirado pelo documentário ‘O Milagre de Santa Luzia’”, revela.

De maneira intimista e trazendo ao público o mais autêntico forró pé de serra, o espetáculo conta, então, a trajetória de Dominguinhos por meio de um repertório instrumental, canções singulares e relatos pronunciados por Lucas Campelo e Anastácia. A sanfona, instrumento maior do forró, e a identidade nordestina são - segundo Lucas - os elementos centrais da proposta. “É uma forma de reconhecimento, valorização e fortalecimento da vida e obra do mestre Dominguinhos”, pontua.

De acordo com Lucas, a expectativa é que as pessoas estejam abertas para ouvir as histórias, que refletem a identidade cultural do povo nordestino. “Espero que a gente alcance essa fonte de inspiração que está nas nossas raízes, e que o nosso show consiga despertar essa memória no público e construir novas sensações. Para mim, pessoalmente, é uma grande realização poder conviver, aprender e ter a oportunidade de fazer esse projeto com uma pessoa que é fonte viva da nossa história; enquanto referência musical, compositora, cantora e mulher”.

Com produção de Simone Fontes e cenário de Fábio Sampaio, o show acontece no sábado, 22 de julho, às 20h; com participação de Alberto Silveira, Bárbara Sandes, Denisson Cleber, Izabel Nascimento, Maestro Evanilson Vieira, Saulo Ferreira, Sidcley Santos e Betinho Caixa d’Água. Os ingressos estão à venda na bilheteria do Atheneu, por R$ 40 inteira e R$ 20 meia entrada.



Missa do Vaqueiro de Serrita denuncia todos os desmantelos políticos de solo e alma do Jesus Sertanejo

Por todo o século XIX, a cidade do Recife foi se constituindo no grande portal da cultura brasileira. A literatura e a filosofia deitaram-se em suas ruas a partir de sua Faculdade de Direito. Nos becos e vielas estavam se fortalecendo os movimentos culturais do povo: um pouco de maracatu, um pouco de frevo surgindo devagar, o mela-mela e tudo que confluiria para uma produção artística imponente na primeira metade do século XX. Já a partir da década de 60 desse mesmo século, o XX, forjaram-se alguns movimentos musicais determinantes.

A Paraíba recebia esses manifestos sonoros e os deglutia pensando também em fortalecer sua própria vida. De alguma forma, chegaram até nós, habitantes das soleiras interioranas, os discos produzidos no cenário sócio-temporal recifense. A formação de grupos musicais assentados na tradição, aplicando elementos da modernidade em seus arranjos, subvertendo esteticamente as melodias e harmonias, escrevendo frases tangentes, mas nunca centrífugas, esses elementos nos ofertaram cachoeiras de prazeres acústicos.

Foi assim que o Quinteto Violado nos ofereceu um disco temático de intervenção social e política tão forte que nos encantou em todos os aspectos. Missa do Vaqueiro, cumprindo a tradição litúrgica, mas pautando-a pela necessidade cabocla, denunciava todos os desmantelos políticos infectantes do solo e da alma do Jesus Sertanejo. Preparado a partir da missa real, tomou nosso imaginário e fortaleceu-nos na tomada de consciência quanto à civilização do couro e sua importância.

Na mesma pisada a Banda de Pau e Corda, com o disco Frevo, nos oferecia a rua primordial recifense, aquela adornada com o frevo vindo de Olinda amolando as Pás, afinando as Vassouras, gritando que o Recife acordou e observando que, nos cabelos de Rosinha (o próprio Recife) a rosa nunca amarelou. Os arranjos deixaram de lado o furor dos clarins, trombones, trompetes e clarinetas e abraçaram os bordões, as primas, as sextas e as nonas dos instrumentos de bojo de madeira. Foi eletrizante, incluindo uma formação sonora diferente, como um regional.

Se o Quinteto trouxera o gado e seus tangedores e a Pau e Corda, a rua e seus habitués, o Quinteto Armorial vestia sua armadura e nos apresentava o Imaginário Armorial, codificado por um Ariano mais radical, quase sectário. A proposta, conduzida com a observação rigorosa dos ditames do mestre e mentor, consumara-se no disco inviolável Do Romance ao Galope Nordestino. Com aquele som peninsular, dialogando com o mourisco, o andaluz e a alma sertaneja, o pacote musical nos trazia uma canção chamada Toré, uma arquitetura africana e indígena, com um pife intrometendo-se todo o tempo entre as violas, os violinos e a percussão.

Mas, vocês convirão comigo que em todo o percurso cultural de uma cidade as inovações, as ousadias requerem sempre a mão viva do talento, a técnica: o engenho e a arte. Entre eles, num repente sagrado e necessário, surgiu um som tão diferente e, ao mesmo tempo tão aparentado que nos causou espanto e arrepio: era o voo da Ave Sangria dizendo logo na abertura que, lá fora, "é esse cansaço!"

 A capa com uma figura mítica meio ave, meio mulher, num cenário também sertanejo, vestindo uma túnica e vendo-se por ela o corte vaginal. Eram balada e rock e letras psicodélicas. Bem diferente dos três anteriores, a Ave Sangria nos sangrava com outra proposta. O decorrer da década de 70 consolidaria esse estilo em outros artistas. Nós vivemos essas coisas. E sobrevivemos. Ainda!

Fonte: Aderaldo Luciano-professor, doutor em Ciencia da Literatura


Frio intenso muda hábitos dos moradores do Araripe, Vale do São Francisco e Pajeu

O frio tem mudado os hábitos dos moradores do Sertão do Araripe, Vale do São Francisco e Pajeu. Acostumados com temperaturas que, normalmente, chegam perto dos 40º C, eles estão tendo que conviver com outra realidade. Neste inverno, diferente de anos anteriores, os termômetros na região estão registrando, com frequência, temperaturas de até 17º C. Já em Triunfo, o frio tem sido muito mais intenso, chegando a 7 graus.

Os termômetros das Estações Meteorológicas Automáticas do Laboratório de Meteorologia (LabMet), da Univasf, marcaram 17 graus e uma sensão térmíca próximo aos 13 graus, em Petrolina e Juazeiro. O aumento da velocidade do vento e a umidade elevada do ar contribuíram para que a sensação térmica mais baixa. A sensação térmica provocada pela velocidade dos ventos faz com que as pessoas percebam o frio com mais intensidade. Segundo registros do Laboratório de Meteorologia da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), em determinados momentos a velocidade média dos ventos na cidade tem sido de até 54 km/h.

O professor e meteorologista da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), Mário Miranda, explica os motivos da mudança climática. “Isso se deve a um centro de alta pressão que se encontra sobre o Oceano Atlântico na altura do Sul e Sudeste do país, que está empurrando o ar frio para a região Nordeste. O professor lembra ainda que nesta época do ano, os dias são mais curtos e as noites mais longas. Com isso a incidência de raios solares sobre a Terra é menor, o que diminui o aquecimento do ar próximo da superfície no Hemisfério Sul.

As baixas temperaturas são registradas também em outras cidades da Bahia e de Pernambuco, a exemplo de Senhor do Bonfim, Jaguarari, Triunfo e Garanhuns onde fez 14°C. A previsão até o início de agosto, de acordo com o meteorologista, é que a nebulosidade permaneça sobre a região, assim como as temperaturas mais amenas, especialmente durante as madrugadas de céu estrelado. E os ventos poderão se tornar ainda mais fortes.



Triunfo: Festa do Estudante terá Alceu Valença e Lucy Alves

A 59ª edição da Festa do Estudante, começa em Triunfo, Pernambuco no próximo sábado dia 22. O evento vai até o dia 29 e é consolidado no calendário de inverno do Governo do Estado.

Este ano participam da festa nomes da música, como Alceu Valença, Frejat, Lucy Alves e Forró da Galera. Durante a programação ocorrem feiras literárias, exposições artísticas e culturais, festival de cinema, mostra de dança e música e competições esportivas. Triunfo está localizada no Planalto da Borborema, no vale do Pajeú, com mais de 1000 metros de altitude. É cercada de montanhas e no período do inverno a sua temperatura desce chega a 10 graus, atraindo milhares de turistas.


Receita começa a pagar hoje o 2º lote de restituição do Imposto de Renda

Receita Federal começa a pagar hoje (17) o segundo lote de restituição do Imposto de Renda de Pessoas Físicas 2017. Este lote também incluirá restituições residuais de 2008 a 2016, segundo informou o órgão. Cerca de 1,3 milhão de contribuintes que declararam Imposto de Renda neste ano vão receber dinheiro do Fisco. Ao todo, serão desembolsados R$ 2,533 bilhões. A Receita também pagará R$ 467,2 milhões a 148,2 mil contribuintes que fizeram a declaração entre 2008 e 2016, mas estavam na malha fina. Considerando os lotes residuais e o pagamento de 2016, o total gasto com as restituições chegará a R$ 3 bilhões.

As restituições terão correção de 2,74%, para o lote de 2016, a 97,03% para o lote de 2008. Em todos os casos, os índices têm como base a taxa Selic (juros básicos da economia) acumulada entre a data de entrega da declaração até este mês. O dinheiro será depositado nas contas informadas na declaração. O contribuinte que não receber a restituição deverá ir a qualquer agência do Banco do Brasil ou ligar para os telefones 4004-0001 (capitais), 0800-729-0001 (demais localidades) e 0800-729-0088 (telefone especial exclusivo para deficientes auditivos) para ter acesso ao pagamento.


Seminário Cariri Cangaço: Missa Vaqueiro, Lampião e Luiz Gonzaga em destaque entre os dias 20 e 23 em Exu e Serrita

O pesquisador e escritor Rafael Lima lançara o livro "O Rei do Baião e a Princesa do Cariri, durante o Cariri Cangaço 2017 em Exu, Pernambuco. A programação do Cariri Cangaço 2017 acontece de 20 a 23 de julho. A abertura terá a Conferência tema  “A Influência do Cangaço na Obra de Luiz Gonzaga”, ministrada pelo professor Wilson Seraine, na Escola Bárbara de Alencar – Centro, Exu.

O livro de Rafael Lima traz a revelação do "amor e a dedicação, olhar e paixão que Luiz Gonzaga tinha pelo Crato". Conta por exemplo que em  1953, Luís Gonzaga abrilhantou a Festa do Centenário do Crato, cariri cearense,  realizou show na Feira de Amostra, instalada na Praça da Sé, trazido pela Rádio Araripe, sob o comando de Wilson Machado. Em 1974, tornou-se cidadão cratense, título outorgado pela Câmara Municipal, em solenidade realizada no auditório do Sesi.

Em 1975, Luiz Gonzaga levou o Coral da Sociedade Cultural Artística do Crato (SCAC) para cantar a Quinta Missa do Vaqueiro, criada por ele, padre João Câncio e Pedro Bandeira, em Lajes, Município de Serrita, localizado no Estado de Pernambuco, em homenagem ao vaqueiro Raimundo Jacó. Luiz Gonzaga sempre valorizou a cultura e a arte cratense. O Crato foi o seu ponto de apoio nos grandes eventos promovidos por ele na região.

O Rei do Baião participou também da inauguração da Rádio Araripe, juntamente com seu pai, Januário, e seu irmão, Zé Gonzaga, bem como da Rádio Educadora do Cariri e do Gaibu Avenida. Foi sempre uma das maiores atrações artísticas da Exposição do Crato, além de seu grande divulgador. A música "Eu Vou Pro Crato", interpretada por ele, ainda hoje emociona os cratenses de todas as gerações.

O livro de Rafael Lima é um importante instrumento de conhecimento para as novas gerações.

No sábado 22 em Exu também acontecerá às 18hs, a Conferência "Luiz Gonzaga: O Homem e o Mito, participação de Juliana Pereira, Joquinha Gonzaga, Fausto Luiz Maciel "Piloto" e Reginaldo Silva.

ÀS 19h40min – Conferência "O Legado e a Espetacular Obra de Luiz Lua Gonzaga", participação dos pesquisadores Múcio Procopio, Paulo Vanderly, Jose Nobre, Kydelmir Dantas.



Pernambuco ganha 6 novos Patrimônios Vivos da Cultura

A lista de Patrimônios Vivos de Pernambuco reconhecida pela Fundarpe acaba de aumentar. São mais seis nomes, que vão ganhar, além do reconhecimento oficial de sua importância para a cultura pernambucana, uma bolsa vitalícia. O ator e diretor José Pimentel, a parteira Maria dos Prazeres, o fundador do Balé Popular do Recife André Madureira, o músico Mestre Chocho, decano do choro no Estado, o Reisado Inhanhum de Santa Maria da Boa Vista e Sociedade de Bacamarteiros do Cabo foram os contemplados em votação realizada na sede do Conselho Estadual de Preservação do Patrimônio Cultural (CEPPC). 

Pernambuco passa a ter 51 Patrimônios Vivos. A entrega do título será realizada no dia 17 de agosto, no Teatro de Santa Isabel, juntamente com a cerimônia dos vencedores do 2° Prêmio Ayrton de Almeida Carvalho.

O Reisado Inhanhum - Tradição do sertão do São Francisco, as primeiras atividades do Reisado do Inhanhum estão associadas às festas de reis que acontecem desde o século XVIII na comunidade Quilombola de Inhanhum, no município de Santa Maria da Boa Vista. Nos últimos dez anos, participa ativamente de festivais de cultura e promoveu festas de Santos Reis entre 2011 e 2013, contribuindo para valorização e divulgação do Reisado.


Baterias Heliar: marca se consolida no mercado e mostra personalidade junto aos clientes


Desde o lançamento de sua campanha "Neymar é Heliar", as Baterias Heliar estão apostando nas redes sociais com o conceito de cross media, no Twitter, Facebook e no canal YouTube. Aliado a este conceito o empresário Jadiel Santos revela que o mercado é conquistado com muito trabalho, contatos e dedicação por isto cresce a  ampliação do nome Heliar na hora da compra de baterias e mostra a personalidade, credibilidade das Baterias Heliar que está há 85 anos no mercado.

Jadiel conta que a Heliar foi a primeira bateria chumbo ácido para veículos produzida no Brasil e desde então é pioneira em inovações que trazem benefícios reais para os revendedores e clientes. Jadiel ainda ressalta que a Heliar tem uma preocupação com a melhoria do meio ambiente e com o futuro das novas gerações e por isto já foram recicladas mais de 8 milhões de baterias e serão mais de 30 milhões até 2020.

Com tecnologia de ponta, a Heliar é a marca líder nas montadoras e oferece a maior garantia do mercado.  Em Petrolina você encontra a Norbat-Distribuidor Exclusivo Baterias Heliar )Avenida Sete de Setembro 36

Além de transmitir a personalidade e posicionar a marca e os produtos no mercado, Jadiel revela a importância de aliar a adesão às redes sociais a comunicação com o maior número de pessoas, fornecedores, revendedores, clientes  aumentando assim a lembrança dos consumidores em relação às Baterias Heliar e também a preferência dos clientes e parceiros.

"Ir muito além da partida, também é oferecer o melhor atendimento para nossos revendedores e clientes", finaliza Jadiel Santos.

Serviço: Em Petrolina você encontra Norbat-Distribuidor Exclusivo Baterias Heliar)Avenida Sete de Setembro 36
Petrolina-Pernambuco
Telefone: (87) 3861-8937 e 30315275


Museu Forró de Caruaru valoriza a memória de Luiz Gonzaga

Caruaru, no Agreste de Pernambuco, é dona do título de Capital do Forró. Além de possuir o "Maior e Melhor São João do Mundo", o município é também sede do Museu do Forró Luiz Gonzaga. Fundado em 1985 apenas com o nome de "Museu do Forró de Caruaru".

De acordo com o historiador Walmiré Dimeron, o espaço foi criado como sendo um "núcleo inicial com exposição decorativa de capas de LPs de artistas caruaruenses". A partir de 1989, segundo conta Dimeron, o museu passou a carregar o nome de Luiz Gonzaga, após a aprovação de um projeto de lei proposto pela Câmara de Vereadores. Somente em 1996 o material foi instalado em um prédio localizado no Pátio de Eventos do município.

"Desde 1998, o material que o governo do Estado tinha adquirido da segunda mulher de Gonzaga - Maria Edelzuíta Rabelo - veio para o Museu do Forró de Caruaru", conta Dimeron. Para o historiador, os objetos possuem um diferencial. "O acervo daqui apresenta muito da vida pessoal de Gonzaga. Tem documentos, cartas de amor, entre outras coisas que, de fato, mostram o lado humano dele. 

Segundo Dimeron, o lugar é marcante por causar grande emoção aos adeptos do Rei do Baião. "O museu tem uma característica muito importante, que é a de preservar a memória de Gonzaga e, além disso, também sensibilizar a quem visita. Isso por conta da aproximação que os objetos lá expostos promovem entre o eterno Gonzaga e os fãs que aqui ficaram", ressalta.

Chegando ao espaço, a primeira sala é a "Olha Pro Céu Meu Amor", cujo nome relembra uma composição de autoria de Luiz Gonzaga e José Fernandes. No local são encontradas cerca de 150 peças que ilustram a memória do Rei do Baião. São bonecos e artigos decorativos em barro, parte da discografia do cantor e compositor, além de outros adereços. Todo o material é oriundo de doações de fãs e outra parte foi adquirida pelo museu. O ambiente foi montado em 2012, em homagem ao centenário de Gonzaga.

Já no ambiente inaugurado na década de 90, onde está o acervo pessoal do Rei do Baião, há entre 400 e 450 objetos. No espaço é possivel apreciar documentos pessoais de Gonzaga, como a carteira de identidade, cartas amorosas, peças de roupas, discos, livros, placas de homenagens, instrumentos, óculos, entre outros artigos que foram utilizados por Luiz Gonzaga. Entre as peças, destaque para a sanfona utilizada pelo cantor no último show realizado em Caruaru em 1988.

Nos outros dois ambientes do museu é possível encontrar objetos que relembram artistas locais e os festejos juninos caruaruenses do passado, a exemplo de fotografias, painéis, entre outros. Um deles é dedicado à cantora Elba Ramalho, no qual é possível observar centenas de artigos e acessórios pessoais da artista, todos doados por um fã-clube.

O Museu do Forró Luiz Gonzaga está localizado dentro do Museu do Barro Espaço Zé Caboclo, no Espaço Cultural Tancredo Neves, na praça de mesmo nome, número 100, Centro. O local funciona de terça a sábado, das 8h às 17h, e aos domingos, das 9h às 13h.


Tribunal de Justiça de Pernambuco abre inscrições para concurso público

Daqui a um mês, em 13 de agosto, o Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) completa 195 anos. Dentro das ações programadas, está a realização de concurso público para o provimento do cargo de servidor do Poder Judiciário estadual. As inscrições, que têm início em 24 de julho e seguem até 24 de agosto, custarão R$55,00 para os cargos de nível médio e R$63,00 para superior. A isenção da taxa poderá ser solicitada entre os dias 24 e 27 deste mês. Esses procedimentos devem ser realizados no site http://www.ibfc.org.br/

O edital prevê funções para quem possui diplomas de ensino médio e médio técnico em Informática, Rede de Computadores, Manutenção e Suporte em Informática, Sistemas de Computação, Telecomunicações ou Sistema de Transmissão. Para ensino superior, em áreas diversas e nas especificas de Direito, Serviço Social, Pedagogia, Psicologia, Contabilidade, Informática e engenharias Física ou Mecânica com pós-graduação na área de Informática. Os vencimentos variam de R$4.222,45 (médio) a R$5.502,12 (superior). Outras informações no edital publicado no Diário de Justiça eletrônico.


Programação comemora os 120 anos de nascimento de Virgolino Ferreira da Silva, o Lampião

O município de Serra Talhada, no sertão de Pernambuco, está comemorando os 120 anos de nascimento de Virgulino Ferreira da Silva, popularmente conhecido como Lampião “O Rei do Cangaço”.

A Fundação Cultural Cabras de Lampião realizará  entre os dias 26 e 30 de julho, o ‘Tributo a Virgolino: A Celebração do Cangaço – 120 Anos de Lampião’. Serão 47 atividades culturais, entre filmes, espetáculos teatrais, exposições fotográficas, shows, quadrilhas juninas, poetas, contadores de causos e capoeiristas, entre outras.

Segundo a presidente da Fundação Cultural Cabras de Lampião, Cleonice Maria dos Santos a ideia é ir além do aniversário do célebre cangaceiro. “Esse é o mote para celebrarmos nossa cultura, valorizando o potencial de Serra Talhada, unificando diferentes linguagens artísticas“, afirma.

Virgulino Ferreira da Silva nasceu em 7 de julho de 1897, no Sítio Passagem das Pedras, zona rural da Capital do Xaxado, conforme consta na certidão de nascimento do Cartório São João do Barro Vermelho.

Lampião foi o segundo filho dos oito tidos por José Ferreira da Silva e Maria Selena da Purificação. Virgulino iniciou sua vida de Cangaceiro quando se alistou a tropa de Sinhô Pereira para ingressar na vida do cangaço.

Em poucos meses, Lampião começou a ganhar notoriedade no meio dos outros cangaceiros. Em 1922, Sinhô Pereira se aposentou do cangaço, e Virgulino assumiu a liderança do bando.

Em 1938, o bando de Lampião acampa na Fazenda de Angicos, no sertão de Sergipe – na época, era o esconderijo mais seguro dos cangaceiros. No entanto, na noite de 28 de julho daquele ano, Pedro Cândido denunciou a localização do bando e a elite do tenente João Bezerra e sargento Aniceto Rodrigues da Silva invadiu o local e matou os cangaceiros do bando. Poucos conseguiram fugir– e 11 cangaceiros, incluindo Lampião, foram mortos no local.

Após a derrota, as 11 cabeças dos cangaceiros foram arrancadas e expostas para população daquele Estado para mostrar o que acontecia com quem desobedecia as leis brasileiras.

De acordo com a Secretaria de Cultura e Turismo de Serra Talhada, durante este ano, todos os eventos realizados carregaram o slogan e selo “120 anos de Lampião”.


Seminário Cariri Cangaço 2017 terá Lançamento de livros e conferências da vida e obra de Luiz Gonzaga

 O pesquisador e escritor Rafael Lima lançara o livro "O Rei do Baião e a Princesa do Cariri, durante o Cariri Cangaço 2017 em Exu, Pernambuco. A programação do Cariri Cangaço 2017 acontece de 20 a 23 de julho. A abertura terá a Conferência tema  “A Influência do Cangaço na Obra de Luiz Gonzaga”, ministrada pelo professor Wilson Seraine, na Escola Bárbara de Alencar – Centro, Exu.
 
O livro de Rafael Lima traz a revelação do "amor e a dedicação, olhar e paixão que Luiz Gonzaga tinha pelo Crato". Conta por exemplo que em  1953, Luís Gonzaga abrilhantou a Festa do Centenário do Crato, cariri cearense,  realizou show na Feira de Amostra, instalada na Praça da Sé, trazido pela Rádio Araripe, sob o comando de Wilson Machado. Em 1974, tornou-se cidadão cratense, título outorgado pela Câmara Municipal, em solenidade realizada no auditório do Sesi.

Em 1975, Luiz Gonzaga levou o Coral da Sociedade Cultural Artística do Crato (SCAC) para cantar a Quinta Missa do Vaqueiro, criada por ele, padre João Câncio e Pedro Bandeira, em Lajes, Município de Serrita, localizado no Estado de Pernambuco, em homenagem ao vaqueiro Raimundo Jacó. Luiz Gonzaga sempre valorizou a cultura e a arte cratense. O Crato foi o seu ponto de apoio nos grandes eventos promovidos por ele na região.

O Rei do Baião participou também da inauguração da Rádio Araripe, juntamente com seu pai, Januário, e seu irmão, Zé Gonzaga, bem como da Rádio Educadora do Cariri e do Gaibu Avenida. Foi sempre uma das maiores atrações artísticas da Exposição do Crato, além de seu grande divulgador. A música "Eu Vou Pro Crato", interpretada por ele, ainda hoje emociona os cratenses de todas as gerações.

O livro de Rafael Lima é um importante instrumento de conhecimento para as novas gerações.

No sábado 22 em Exu também acontecerá às 18hs, a Conferência "Luiz Gonzaga: O Homem e o Mito, participação de Juliana Pereira, Joquinha Gonzaga, Fausto Luiz Maciel "Piloto" e Reginaldo Silva.

ÀS 19h40min – Conferência "O Legado e a Espetacular Obra de Luiz Lua Gonzaga", participação dos pesquisadores Múcio Procopio, Paulo Vanderly, Jose Nobre, Kydelmir Dantas.




Pesquisa mostra que consumidores de café são mais felizes e vivem mais

Dois estudos publicados em uma revista científica estão fazendo a alegria dos amantes de café. As pesquisa divulgadas na “Annals of Internal Medicine” afirmam que pessoas com o hábito diário de consumir a bebida vivem mais.

De autoria de pesquisadores da Agência Internacional de Pesquisa sobre Câncer do Imperial College London, com informações do Grupo Europeu de Investigação para o Câncer e a Nutrição (EPIC), um dos estudos descobriu que os consumidores da bebida têm um menor risco de morte em comparação com os não-consumidores.

Os dados são de 10 países europeus e incluem 520 mil homens e mulheres, uma das maiores amostras para uma pesquisa já feita em relação ao café.

A outra pesquisa, de cientistas da Universidade do Sul da Califórnia, Estados Unidos, é mais específica e atribui um maior consumo de café a um menor risco de morte em diferentes etnias. De acordo com o levantamento, a análise por cor de pele é importante porque cada raça tem um estilo de vida diferente.

Segundo os dados, pessoas que consomem uma xícara de café por dia são 12% menos propensas a morrer do que quem não bebe. Essa associação foi ainda mais forte para quem bebe de duas a três xícaras por dia: 18% reduziram a chance de morte.

Antes desses dois estudos, a bebida já era associada a um menor risco de morrer por doenças do coração, câncer, infarto, diabetes, doenças respiratórias e renais.

Um outro estudo apontava que a bebida também provoca felicidade nas pessoas. O estudo descobriu o motivo: o café ajuda o cérebro no reconhecimento mais rápido de palavras ou expressões positivas - como amor e feliz - em comparação com as negativas - como raiva ou tédio.

A pesquisa foi liderada pelos psicólogos Lars Kuchinke e Vanessa Lux. A pesquisa mostra ainda que a cafeína acelera o processamento verbal do cérebro.


Disco raro de Luiz Gonzaga marca assinatura de Rosil Cavalcanti

Discos de Vinil, Rádios, Feira das cidades do interior. Três paixões que tenho. Coloquei aqui dois discos selos originais, raros, estes fazem parte da minha coleção de Música, vida e obra de Luiz Gonzaga. Detalhe: percebam escrita Rosil, data 10-07-1967. Este compacto  perteceu a Rosil Cavalcanti, parceiro, compositor de Luiz Gonzaga e de Jackson do Pandeiro. O que impressiona? No dia 10 de julho de 1968 Rosil Cavalcanti morreu. Percebam o valor das datas...a assinatura é exatamente um ano antes dele falecer!

Rosil Cavalcanti é o autor de centenas de clássicos da música brasileira. Sebastiana, Aquarela Nordestina, Saudade de Campina Grande, Amigo Velho, Faz Força Zé...Rosil de Assis Cavalcanti nasceu em Macaparana,
PE.  Eu tive a honra de conhecer na década de 90, a viúva de Rosil, Maria das Neves-Dona Nevinha...

A capa desse disco vinil consta no livro biografia do músico pernambucano Rosil Cavalcanti. O livro “Pra Dançar e Xaxar na Paraíba: Andanças de Rosil Cavalcanti”, de  Rômulo Nóbrega e José Batista Alves, tem prefácio de Agnello Amorim.
Radialista, humorista, percussionista e compositor, Rosil Cavalcanti era radicado na Paraíba, foi autor de obras clássicas da música  brasileira, na voz de Jackson do Pandeiro, Marinês e Luiz Gonzaga, dentre outros intérpretes nacionais.

A biografia de Rosil Cavalcanti foi lançada em 2015 uma homenagem ao seu centenário de nascimento, 47 anos depois de sua morte, em 1968, aos 53 anos de idade, em Campina Grande, onde viveu a maior parte de sua vida e se projetou no Brasil.

O livro “Pra Dançar e Xaxar na Paraíba”, 444 páginas, editado pela gráfica Marcone, é enriquecido com vasta iconografia do biografado, suas fotos desde a infância, juventude, a vida de casado, em programa de rádio no papel do famoso personagem Capitão Zé Lagoa, além de imagens de Rosil com colegas de trabalho, artistas, músicos, suas caçadas e pescarias, capas e selos de discos.


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