Chico Buarque, educação, cultura e liberdade de expressão

"A educação e o acesso à cultura, ao conhecimento, a valorização dos saberes. É condição fundamental para a realização dos brasileiros como seres humanos plenos, com dignidade e altivez. Queremos a democratização e a popularização da cultura no país. Fortalecer os espaços de trocas culturais promovendo o acesso aos teatros, cinemas, exposições, sinfonias, amostras, apresentações folclóricas e festas tradicionais que celebrem a vida, a luta, a solidariedade e a diversidade do povo brasileiro.

Além disso, o povo tem o direito de organizar seus próprios meios de comunicação social, de forma associativa. E o Estado deve garantir os recursos para que exerça esse direito. É preciso democratizar os meios de comunicação, começando por acabar com o monopólio privado dos meios".

Matutei na citação acima pensando que durante a ditadura militar brasileira, compositores e artistas desempenharam um papel relevante na defesa dos ideais de liberdade e de cidadania.

A música brasileira, na sua complexidade conceitual, atingiu o prestígio que tem hoje graças à atuação dos compositores representativos dos anos 60, de nível universitário, e com forte engajamento social e político.

Chico Buarque, é um desses compositores, um dos defensores de princípios de cidadania e liberdade assumidos na luta contra o governo ditatorial instaurado em 1964.

Chico Buarque é um pensador d inventor.. da cultura nacional. Analise como ele enfoca e se a apropria da música como antídoto e saída para os males da nação, tendo como núcleo a canção Paratodos, homenagem feita por Chico Buarque aos compositores brasileiros.

"O meu pai era paulista / meu avô, pernambucano / o meu bisavô, mineiro / meu tataravô, baiano / meu maestro soberano / foi ant0nio brasileiro / foi antonio brasileiro / quem soprou esta toada / que cobri de redondilhas / pra seguir minha jornada / e com a vista enevoada / ver o inferno e maravilhas / nessas tortuosas trilhas / a viola me redime / creia, ilustre cavalheiro / contra fel, moléstia, crime / use dorival caymmi / vá de jackson do pandeiro / vi cidades, vi dinheiro / bandoleiros, vi hospícios / moças feito passarinho / avoando de edifícios / fume ari, cheire vinicius / beba nelson cavaquinho / para um coração mesquinho / contra a solidão agreste / luiz gonzaga é tiro certo / pixinguinha é inconteste / tome noel, cartola, orestes / caetano e joão gilberto / viva erasmo, ben, roberto / gil e hermeto / palmas para todos / os instrumentistas / salve edu, bituca, nara / gal, bethania, rita, clara / evoé, jovens a vista / o meu pai era paulista / meu avô, pernambucano / o meu bisavô, mineiro / meu tataravô, baiano / vou na estrada há muitos anos / sou um artista brasileiro"

Chico Buarque é hoje um escrito, o duplo do artista consagrado, que, em virtude de seu temperamento e de estratégias mercadológicas, cultiva o sonho de se transformar em artista invisível, não cedendo à solicitação esquizofrênica da mídia.



Roda de Sanfona, Caminhada e Workshop são atrações do III Festival Viva Dominguinhos



A organização do 3º Festival Viva Dominguinhos divulgou a programação do Palco Colunata. Nesse polo, haverá shows na sexta-feira (22) e no sábado (23). No palco principal, subirão nomes como Elba Ramalho, Dorgival Dantas e Flávio José. O evento ocorre de 21 a 23 de abril em Garanhuns, Agreste pernambucano.
Mais de 30 mil pessoas assistiram aos shows da segunda noite do 'Viva Dominguinhos'. O Festival 'Viva Dominguinhos' ocorre de 21 a 23 de abril em Garanhuns.

No "Colunata", a Banda do 71º BIMTz fará um "Concerto
Além dos palcos montados na Praça Cultural Mestre Dominguinhos e no Colunata, população e visitantes contarão com alguns projetos especiais: o Workshop "Desmistificando a Sanfona", a intervenção urbana "Dominguinhos em Quadros" e a Caminhada do Forró Viva Dominguinhos.

Programação do Palco Colunata:
22 de abril (sexta-feira)
Banda do 71 BIMTz - "Concerto para Dominguinhos"
Mateus Cordeiro e Deivinho
Banda Forró Total e Bezerra da Gaita
Grupo Cultural Luar do Sertão/Custódia "Dominguinhos, do Luar ao Sertão"
Daniel Gouveia
Genaro

23 de abril (sábado)
Os Coroas do Forró
Lucas do Acordeon e Banda
Ananias Júnior e Convidados
Projeto Roda de Sanfona com as participações de: Orquestra de Sanfonas de Garanhuns; Messias da Sanfona; Severino da Sanfona; Canarinho e Beija-Flor; Genivaldo/Brejão; Cícero Basílio/Correntes; Zezinho Barros; Cloves, do Trio Asa Branca; Zuza/Forró Pé Quente; Walmiro Sobral/Forró Fênix.
Nando Azevedo
Rogério Rangel

Programação do Palco Principal:
21 de abril (quinta-feira)
Forró Pesado
Cristina Amaral
Quinteto Violado
Jorge de Altinho

22 de abril (sexta-feira)
Mourinha do Forró
Flávio Leandro
Waldonys
Dorgival Dantas

23 de abril (sábado)
Kiara Ribeiro
Maciel Melo
Elba Ramalho
Flávio José.

O  "Projeto Roda de Sanfona" contará com participações de: Orquestra de Sanfonas de Garanhuns; Messias da Sanfona; Severino da Sanfona; Canarinho e Beija-Flor; Genivaldo/Brejão; Cícero Basílio/Correntes; Zezinho Barros; Cloves, do Trio Asa Branca; Zuza, do Forró Pé Quente; além de Walmiro Sobral, do Forró Fênix. Haverá ainda atrações como Nando Azevedo e Rogério Rangel.


Poeta Antonio Francisco e Dez cordéis num cordel só

Final de Semana longo! Aproveitei e reli a biografia de Antonio Francisco e mais uma vez a leitura transformadora do livro Dez Cordéis num Cordel Só.

"Como pode a natureza Num Clima tão quente e seco Numa terra indefesa Com tanta adversidade Criar Tamanha beleza". 

"Não temos coragem de cortar uma árvore bela pra fazer uma cadeira somente pra sentar nela. Achamos melhor ficarmos sentados na sombra dela"!

 Os versos são de Antonio Francisco e o diretor da editora Queima Bucha, Gustavo Luz comenta que o poeta Antonio Francisco é um caso raro!

Antonio é simples, sempre de bom humor com a vida. Nos dias atuais, onde a ganancia humana não tem limite é uma Riqueza saber da existência de Antonio Francisco. "Seu coração é de uma pureza rara, de uma bondade tão grande que é um pregador da Paz".

O sonho de Antonio Francisco é sempre de Paz. Conheci o poeta nascido em Mossoró, Rio Grande do Norte, através do pesquisador musical Higino Canuto Neto, na divisa Petrolina Juazeiro, nas margens do Rio São Francisco.

Antonio Francisco sabe usar a palavra para dizer as coisas mais difíceis. Antonio Francisco participou do Programa Nas Asas da Asa Branca-Viva Luiz Gonzaga e ali observei que estava diante de uma riqueza humana e cultural.

O poeta Antonio Francisco nasceu em Mossoró, filho de Francisco Petronilo de Melo e Pedra Teixeira de Melo. Graduado em História pela Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN). Poeta, cordelista, xilografo e compositor.

Somente aos 46 anos começou a carreira literária, já que era dedicado ao esporte, fazia muitas viagens de bicicleta pelo Nordeste. Muitos de seus poemas  são alvos de estudos e pesquisas de vários compositores do Rio Grande do Norte e de outros estados brasileiros, interessados na grande musicalidade que possuem. Antonio Francisco é atualmente tema de tese de mestrado e doutorados.

Em 15 de Maio de 2006, tomou posse na Academia Brasileira de Literatura de Cordel, na cadeira de número 15, cujo patrono é o saudoso poeta cearense Patativa do Assaré.

Antonio Francisco teve o livro 'Dez Cordeis num cordel só" indicado para o vestibular da Universidade do Rio Grande do Norte.


Repentistas e violeiros do Sertão do Pajeú estrelam quatro documentários inéditos

Há uma explicação lógica, baseada na antropologia, sociologia e na história, para a profusão de repentistas, cantadores e violeiros no Sertão do Pajeú. Segundo a crença de muitos moradores da região, no entanto, o fato de aquele ser um celeiro de poetas extraordinários, competentes tanto na escrita quanto nos versos improvisados, é uma espécie de bênção ou magia transcendental.

Difícil não concordar com ambas as versões para o mesmo fenômeno social. “Meca” dessas manifestações culturais, o município de São José do Egito impressiona pela maneira como a poesia está entranhada no cotidiano de pessoas de todas as idades. Tal qual pagadores de promessas, cineastas nordestinos têm dado atenção especial a esse universo, ao direcionar as lentes para o Pajeú, cuja vocação poética estará presente em quatro documentários de uma nova safra de filmes.

O primeiro deles a ganhar as telas será Bom dia, poeta!, dirigido por Alexandre Alencar e centrado na figura de Lourival Batista, ou Louro do Pajeú, um dos maiores expoentes da tradição repentista. O filme cumprirá o circuito de festivais cinematográficos e será negociado para veiculação em canais da tevê paga e talvez disponibilizado na internet.

Com 52 minutos, o filme é entremeado por declamações, cantorias e depoimentos de poetas de várias gerações. Ponto alto é a participação do escritor e dramaturgo Ariano Suassuna, falecido em 2014. Apontado como um grande incentivador da arte dos repentistas, ele próprio relembra episódio ocorrido quando tinha 20 anos e era estudante de direito. Durante as férias da universidade, Ariano foi visitar um primo no sertão do Ceará e teve a chance de ver apresentações de Dimas Batista, outro artista popular bastante lembrado. “Fiquei boquiaberto, encantado”, exclama.

Conforme explica Alexandre Alencar, o filme foi feito com o cuidado de não lançar sobre os poetas um olhar paternalista, como se fosse algo inusitado, curioso. A figura de Louro foi escolhida como fio condutor, segundo o cineasta, não somente por se tratar de um expoente, mas por traduzir um modo de vida. “Representa a essência daquela região, a opção de largar tudo para ser poeta, cantador. Na época em que ele fez isso, principalmente, a decisão gerava uma série de consequências, inclusive financeiras. Louro viveu da poesia, da viola, e o estilo de vida dele era centrado nisso”.

De tão emblemático para a arte da cantoria, Lourival Batista vai dar nome a um festival de cinema voltado para temáticas poéticas, atualmente em fase de planejamento. O Cine Louro será realizado anualmente, no Sertão do Pajeú, e fomentar tanto a produção quanto a exibição de filmes sobre diferentes manifestações da poesia.

Para o escritor e pesquisador Bráulio Tavares, a despeito da profusão de filmes sobre cantorias, o poeta Ivanildo Vila Nova está correto quando aponta uma proporção estável entre a o público da cantoria e o total da população. “Esse público não se expande, mas é fiel e se renova, passa de pai para filho. Crianças acompanham e aprendem poesias desde cedo, leem folhetos de cordel, assistem a cantorias desde muito cedo. Quem gosta, tem isso como uma das coisas mais importantes da vida”, comenta Bráulio, co-roteirista de Bom dia, poeta!

O silêncio da noite é que tem sido testemunha das minhas amarguras
O longo título do filme dirigido pelo cineasta Petrônio é a apropriação de um mote (estrofe utilizada como ponto de partida para um repente). Em produção desde 2010, o longa-metragem será inspirado na figura da poetisa Severina Branca, lembrada por criar motes considerados inteligentes e fazer a cabeça de vários cantadores das décadas de 1950 e 1960. A partir dela, o diretor amplia a temática. “O poeta que eu busco é a lembrança dos poetas antigos que se dedicavam 24 horas por dia à poesia. Esse tipo de poeta ainda estão por aí, e sempre reverenciam os mais antigos”. A obra deve ser finalizada em junho e estrear no segundo semestre de 2017.

Saudade
Projeto audiovisual liderado por Paulo Caldas, já acumula mais de 70 horas de depoimentos sobre o sentimento de saudade. Quando concluído, vai dar origem a duas obras, um longa de 90 minutos e uma série de TV de oito episódios, cada um com uma hora. Com filmagens em diversos países, o projeto foi buscar o olhar de São José do Egito sobre o tema. “Lá, a poesia se utiliza muito da palavra saudade. Um dos desafios é justamente encontrar maneiras de descrever a saudade de um jeito diferente das maneiras que já foram usadas. Os cantadores fazem isso com profundidade”, diz o diretor. A série e o longa devem ser concluídos no fim deste ano.

Ouro velho
Com direção de Lírio Ferreira e Cláudio Assis, o filme é “ciceroneado” pelo cantor  Lira (Lirinha), natural de Arcoverde. No longa, em fase de montagem, é feito uma espécie de mapeamento dos poetas do Pajeú. “O desejo foi depois que fui convidado pelos idealizadores do Cais do Sertão para fazer o curta 4 kordel. Teve a participação de Lirinha e a produção de Cláudio. Quando a gente viu a pesquisa, percebeu que era uma coisa muito rica. Pensamos em fazer uma minissérie, mas quando vi, estávamos fazendo um filme”. Ainda em fase de filmagens, o longa deve ser finalizado até o final do ano, e exibido em 2017.

Fonte: Instituro Lourival Batista/Felipe Torres/Diário Pernambuco


Prefeitura de Salgueiro abre inscrições para o 8º Festival da Sanfona

A Prefeitura de Salgueiro, por meio da Secretaria de Cultura e Esportes, estará recebendo inscrições para a 8ª edição do Festival da Sanfona, com o objetivo de promover os talentos da sanfona, na região. As inscrições vão até o dia 7 de abril. As inscrições são gratuitas e qualquer artista, independente do local onde resida, pode participar com três músicas, sendo duas nos gêneros forró, baião, xote, xaxado ou quadrilha e a terceira de gênero livre, escolhida a partir de uma lista com 62 títulos, disponível no edital do concurso.

O sanfoneiro deve gravar a própria interpretação dessas músicas em um CD, sem nenhuma identificação pessoal e colocá-la em um envelope junto à ficha de inscrição, às cópias do CPF e RG e a uma breve biografia.

A entrega pode ser feita pessoalmente, na Secretaria de Cultura e Esportes, pelos Correios, no endereço que consta no regulamento, ou pela internet, através do e-mail cultura@salgueiro.pe.gov.br.

Nesse último caso, devem ser anexados a ficha de inscrição preenchida, assinada e digitalizada, RG e CPF digitalizados e os três arquivos de áudio em formato .mp3 ou .wma.

No ato do preenchimento do formulário de participação, o concorrente deve escolher entre as categorias ‘Sanfona de 8 Baixos’, ‘Infanto-juvenil’ ou ‘sanfona livre’.

No site da Prefeitura de Salgueiro, em 15 de abril, será divulgada a relação dos 24 concorrentes selecionados para o evento que acontecerá nos dias 28, 29 e 30 de abril.

Os três primeiros vencedores na categoria ‘Sanfona Livre’ receberão os valores de R$ 3.000,00; R$ 2.000,00 e R$ 1.000,00. Os campeões, na categoria ‘8 Baixos’ serão premiados com R$ 3.000,00 e R$ 2.000,00 e na ‘Infanto-Juvenil’ com R$ 1.500,00 e R$ 1.000,00.

De acordo com o secretário de Cultura e Esportes, Marcos Cleuber, o Festival da Sanfona tem um papel de resgate, fortalecimento e estímulo da prática da sanfona em Salgueiro e região. “Com a Casa do Sanfoneiro e o Festival da Sanfona, os nossos artistas são mais valorizados. São os seguidores de Luís Gonzaga e uma cultura que não podemos perder. Tudo isso significa, também, uma busca incansável pela revelação de novos talentos”.

Nesta edição, não será permitida a participação de candidatos campeões nos dois últimos Festivais.


Vidas Secas pelo olhar de Raimundo Carrero

Prometido é devido, não é? Assim, começo falando de Vidas Secas, de Graciliano Ramos. Talvez o nosso maior artesão literário, mais modernista do que os próprios modernistas, ou porque fosse apenas considerado regionalista, o que nunca foi e jamais será, Graciliano Ramos revolucionou inteiramente a prosa de ficção brasileira mas não foi percebido. Ou foi notado pelo óbvio: a criação do romance desmontável - sem enredo fixo, aliás, sem enredo algum, de tal forma desmontável que pode começar por qualquer capítulo, sem prejuízo para o leitor. Romance sem enredo é, sem dúvida, uma revolução ficcional. Além disso, alguns personagens não têm nome.

Portanto, novidades revolucionárias- romance sem enredo, desmontável e personagens inominados: O soldado amarelo, o menino mais velho e o menino mais novo. O que representa muito. Acrescento ainda o narrador plural, o olhar e a voz do personagem e o falso monólogo interior. Muito além daquele que parecia ser o texto de um autor bem informado e, mais do que isso, inconformado - para não esquecer a rima.

Vidas Secas começa com um cenário natural narrado pelo olhar do narrador plural, embora com predominância do imperfeito, que sugere a presença de um narrador onisciente. É preciso destacar que o imperfeito é um tempo verbal que não começa e não termina. Foi Proust quem descobriu essa habilidade técnica em Flaubert. Sutil tempo psicológico. Nem começa e nem termina - por isso imperfeito.

 Escreve o autor na abertura: Na planície avermelhada os juazeiros alargavam duas manchas verdes. Os infelizes tinham caminhado o dia inteiro, estavam cansados e famintos. Ordinariamente andavam pouco, mas como haviam repousado bastante na areia do rio seco, a viagem progredira bem três léguas. Fazia horas que procuravam uma sombra. A folhagem dos juazeiros apareceu longe, através dos galhos pelados da catinga rala.

Aí há claramente a técnica do olhar do personagem através dos olhos do narrador plural. Mas quem é este narrador plural, até porque não existe o pronome nós? Graciliano esclarece no parágrafo seguinte, nomeando os donos dos olhos:

Arrastaram-se para lá, devagar, Sinha Vitória com o filho mais novo escanchado no quarto e o baú de folha na cabeça, Fabiano sombrio, cambaio, o aió a tiracolo, a cuia pendurada numa correia presa ao cinturão, a espingarda de pederneira no ombro. O Menino mais velho e a cachorra Baleia iam atrás.

Agora é possível definir os integrantes deste narrador plural: Sinha Vitória, o filho mais novo, Fabiano, o menino mais velho e Baleia. Eles veem e contam, incorporando também o narrador oculto, o maestro, este que organiza a narrativa internamente, reunindo olhares, vozes e ouvidos. E faz com que o cenário natural chegue com tanta simplicidade ao leitor. Antecipo que, mais tarde, cada um terá direito ao seu próprio monólogo.

Mas ainda agora o Menino mais velho assume o solo do texto ao entrar na agonia do desmaio. No parágrafo seguinte, ele vê e diz: Os juazeiros aproximaram-se, recuaram, sumiram-se. O Menino mais velho pôs-se a chorar, sentou-se no chão. Somente uma pessoa que está desmaiando pode dizer que os juazeiros aproximaram-se recuaram, sumiram-se. É aí é a voz - e não só o olhar - do menino.

Fonte: Raimundo Carrero/Diário de Pernambuco


Ney Vital sacode o forró com bom jornalismo


O rádio continua sendo o principal veículo de comunicação do Brasil. Aliado a rede de computadores está cada vez mais forte e potente. Na rádio Cidade Am 870, Juazeiro Bahia, o jornalista Ney Vital apresenta o Programa Nas Asas da Asa Branca-Viva Luiz Gonzaga, todos os sábados a partir das 7hs da manhã.

O programa é transmitido também via internet www.radiocidadeam870.com.br e segue uma trilogia amparada na cultura, cidadania e informação. "É a forma. O roteiro concreto para contar a história da música brasileira a partir da voz e sanfona de Luiz Gonzaga e seus seguidores", explica Ney Vital.

O programa Nas Asas da Asa Branca-Viva Luiz Gonzaga é um projeto que teve início em 1990, numa rádio localizada em Araruna, Paraíba. "Em agosto de 1989 Luiz Gonzaga, o  Rei do Baião fez a passagem e então, e na oportunidade, o hoje professor doutor em Ciência da literatura, Aderaldo Luciano fez o convite para participar de um programa de rádio. E até hoje continuo neste bom combate". 

O programa desse pesquisador e jornalista é o encontro da família brasileira. Ney Vital não promove rituais regionalistas, a mesquinhez saudosista dos que não se encontram com o povo a não ser na lembrança. Ao contrário, seu programa evoluiu para a forma de espaço reservado à cultura mais brasileira, universal, autêntica, descortinando um mar e sertões  de ritmos variados e escancarando a infinita capacidade criadora de nosso povo.

É o conteúdo dessa autêntica expressão nacional que faz romper as barreiras regionais, esmagando as falsificações e deturpações do que costuma se fazer passar como patrimônio do povo brasileiro.

Também por este motivo no programa o sucesso pré-fabricado não toca e o modismo de mau gosto passa longe."Existe uma desordem , inversão de valores no jornalismo e na qualidade das músicas apresentadas no rádio", avalia Ney Vital que recebeu o titulo Amigo Gonzaguiano Orgulho de Caruaru recentemente em evento realizado no Espaço Cultural Asa Branca. e o Troféu Viva Dominguinhos em Garanhuns.

Ney Vital usa a credibilidade e experiência de 25 anos atuando no rádio e tv. Nas filiadas do Globo TV Grande Rio e São Francisco foi um dos produtores do Globo Rural, onde colocou reportagens sobre Missa do Vaqueiro de Serrita e festa aniversário de Luiz Gonzaga e dos 500 anos do Rio São Francisco.

Formado em Jornalismo e com Pós-Graduação em Ensino de Comunicação Social pela UNEB/Universidade Federal do Rio Grande do Norte faz do programa um dos primeiros colocados na audiência do Vale do São Francisco, segundo as pesquisas.

O Programa Nas Asas da Asa Branca, ao abrir as portas à mais genuína música brasileira, cria um ambiente de amor e orgulho pela nossa gente, uma disseminação de admiração e confiança em nosso povo — experimentada por quem o sintoniza, dos confins do Nordeste aos nossos pampas, do Atlântico capixaba ao noroeste mato-grossense.

Ney Vital usa a memória ativa e a improvisação feita de informalidade marcando o estilo dos diálogos e entrevistas do programa. Tudo é profundo. Puro sentimento.O programa Flui como uma inteligência relâmpago, certeira e  hospitaleira.

"O programa incentiva o ouvinte a buscar qualidade de vida. É um diálogo danado de arretado. As novas ferramentas da comunicação permitem ficarmos cada vez mais próximo das pessoas, através desse mundo mágico e transformador que é a sintonia via rádio", finalizou Ney Vital.






Denise Dummont, a filha única de Humberto Teixeira, O Homem que Engarrafava Nuvens

Exatos trinta anos após a morte do pai, o compositor Humberto Teixeira (1915-1979), a atriz Denise Dummont ("O Beijo da Mulher Aranha", "A Era do Rádio") lançou o filme, o documentário "O Homem que Engarrafava Nuvens", que ela produziu, Lírio Ferreira ("Baile Perfumado") dirigiu.

Assisti naquele mesmo ano o lançamento em São Paulo, isto tornou para mim o filme mais emocionante. Em 2015 outras emoções. Fui prestigiar as festividades dos 100 anos de Humberto Teixeira, lá em Iguatu, Ceará. Conheci ali Denise Dummont. Vi lágrimas e sorrisos da filha do Doutor do Baião.
 

A brasilidade de Humberto Teixeira está impressa em cada cena de "O Homem que Engarrafava Nuvens", que une o passado e o presente do baião e ilustra suas ligações com outros gêneros musicais. Mostra esse Brasil que está vivo.

No filme assistimos cenas raras como a cena do filme "Arroz Amargo"(1949), de Giuseppe de Santis, em que a atriz italiana Silvana Mangano canta "O Baião de Ana" em espanhol.

Na entrevista para o Programa Nas Asas da Asa Branca-Viva Luiz Gonzaga, Denise, conta

que com a produção do filme incluiu um outro desafio, este de ordem pessoal. Foi a sua produção, afinal, que lhe permitiu superar definitivamente algumas mágoas do passado, marcado por uma relação difícil com o pai e o afastamento, imposto por ele, de sua mãe, a atriz Margot Bittencourt.

No filme, Denise tem uma conversa muito franca com a mãe - que morreu em 2007 - em que esclarece definitivamente questões sobre o difícil desquite entre os dois, depois do qual ela foi viver nos EUA com o novo marido, Luiz Jatobá. Advogado, Teixeira não permitiu à mãe levar a filha, que cresceu com ele no Brasil.

Humberto Teixeira assinou cerca de 500 canções, como as famosas "Asa Branca", "Baião", "Juazeiro" e "Assum Preto", Kalu...Humberto Teixeira, o doutor do baião", era advogado e foi criador de uma pioneira lei sobre direito autoral.


O nome O Homem que engarrafava Nuvens retrata o sentimento de Humberto Teixeira...amor pelo Nordeste, Iguatu, Brasil.


Crato, Cultura, Cego Aderaldo e o livro de Seridião Correia Montenegro

"Quem a paca cara compra
Paca cara pagará Oh! Violeiro do mundo
Dei-me atenção de um segundo
Pra meu lamento profundo
Que hoje decanto o retrato
Um grande vulto do mato
Mato de onde não fujo
Aderaldo Ferreira de Araújo
O Cego Aderaldo do Crato 


Ali nasceu o artista
De ferreiro a maquinista
Que mesmo perdendo a vista
Via com o coração
No pontear de um botão
Era jornal de matuto
Analfabeto e inculto
Orgulho desse meu baião /

 Ao poeta e trovador
Dos repentista, lendário
Da poesia operário
Onde estiver com amor
Do teu admirador
Receba estas rimas vagas
Como uma espécie de "paga"
No seu primeiro centenário"
 

Os versos acima é uma das mais belas interpretações do Rei do Baião, Luiz Gonzaga. A música me veio quando terminei de ler o lIVRO Crato-Princesa do Cariri, Capital da Cultura, Oasis do Sertão, da autoria de Seridião Correia Montenegro.
 

O livro reacendeu minha curiosidade pela vida e obra do Cego Aderaldo, nascido no Crato, o lendário cantador. Uma das mais belas histórias que já ouvi. Remeti a outro livro onde o Cego Aderaldo conta que os seus pés pisaram a poeira de muitos caminhos!

"Tenho comigo as lembranças mais gratas de minhas cantorias, ainda no começo  de minha vida. Percorri todas as serras, alcancei os chapadões, varei a caatinga, entrei no brejo...Por toda parte eu levava a minha voz...Cantei em Baturité, em Canindé...No Crato o meu solo verdejante do Cariri... Que terra boa, maravilhosa! Nunca meus lábios provaram melhor água"!

Lembrei de uma lágrima que chorei quando o ouvi revelar a dor de perder a visão. 

 “Eu ainda era pequeno
    mas me lembro bem
    de ver minha pobre Mãe
    em negra viuvez.
    Meu pai jazia morto
    Estendido em um caixão
    Chorei pela primeira vez!


 E a pobre minha Mãe
    Daquilo estremeceu:
    De uma moléstia forte
    A minha mãe morreu.
    Fiquei coberto de luto
    E tudo se desfez
    E eu chorei então
    Pela segunda vez.


 Então, o Deus da Glória,
    O mais sublime artista,
    Decretou lá do Céu,
    Perdi a minha vista.
    Fiquei na escuridão,
    Ceguei com rapidez
    E eu chorei então
    Pela terceira vez.
    Meus prantos se enxugaram.
    Das lágrimas que corriam
    Chegou-me a poesia
    E eu me consolei.
    Sem pai, sem mãe, sem Vista,
    Meus olhos se apagaram;
    Tristonhos se fecharam
    E eu nunca mais chorei".


No livro, o escrito Seridão Correia Montenegro, proporciona outras viagens culturais. Revela que através das pesquisas descobriu ser descendente de famílias do Crato e faz um autêntico invenário cultural da região dissertando sobre pessoas, prédios, sítios e monumentos históricos, uma miscigenação cultural valiosa.


"Seu Ademar" uma vida de paixão e dedicação ao Rádio

Um Café, boa prosa e a preocupação com o futuro do Rádio. Sim Rádio com R maiusculo

Apesar de sua reconhecida importância no Brasil, o Rádio tem sido objeto de poucas publicações. Nem mesmo a expansão dos cursos de graduação e a consolidação dos mestrados e doutorados modificaram de forma signicativa essa situação.
Em Petrolina, Pernambuco Ademar Mariano de Freitas, 75 anos, é merecedor de um capítulo a parte no quesito valorizar a história do Rádio e contribuir com o conhecimento das novas gerações.

"Seu Ademar" mostra, orgulhoso, o fruto de seu trabalho. Após o conserto, os rádios antigos e os toca-discos funcionam perfeitamente e dão um tom histórico a todos que visitam a sua casa.

Ele faz questão de contar a história de cada exemplar e como o Rádio ressurgiu em suas mãos. Segundo ele, o mais antigo é da década de 1940. "O mais antigo eu creio que é da Philips holandês valvulado. Na época, a Holanda já tinha FM. Eles usavam uma frequência um pouquinho diferente da nossa atual, eles tinham FM, AM e ondas curtas. O valvulado portátil é muito difícil de encontrar”, explica.

Há exemplares também da década de 1950, 1960, 1970 e 1990. São rádios de mesa, de carro, de cabeceira, amplificadores e até toca-discos. Entre as peças mais interessantes está um Rádio de 1950. Na coleção é possível encontrar Rádios como o ABC A Voz de Ouro, Transglobe-9 faixas, Semp,  Caravelle, Motoradio, Philco 8 faixas.

O Rádio ainda hoje é companheiro não apenas daqueles que gostam de boa música, mas também dos fãs de futebol. A mania de andar com um pequeno radinho no estádio de futebol fez surgir um rádio bem compacto na década de 1960. Seu Ademar tem versões dos famosos "radinhos de bolso".

A mágica do Rádio tocou Seu Ademar ainda menino e ele relembra o quanto era boa a vida no campo ao som dos passarinhos e do locutor de rádio, trazendo as melhores notícias do dia ou as músicas sertanejas do momento. Como esse tempo não volta mais, ele preserva e resgata o que ainda restou do tempo áureo do rádio no Brasil.

São mais de 60 aparelhos e cada um deles recebe depoimentos memorialísticos sobre ano, origem e o nome dos principais programas das emissoras de rádio. A casa de "Seu Ademar", sem exagero, podemos informar: é um Museu, Centro de Cultura Memória do Rádio...

Os Rádios estão espalhados na casa de "Seu Ademar". Na sala, na cozinha e até no quarto. "Já o conheci com Rádio. Casamos e hoje cada filho ganhou um desses rádios bem antigos para perpetuar o amor, a paixão pelo Rádio", revela Maria de Lurdes Lima Freitas, sorriso largo e amigável  ressalta que um dos programas mais apreciados são os da Madrugada da Globo, Rio de Janeiro, e os transmitidos na Rádio Nacional. São mais 50 anos casados. Uma sintonia perfeita de felicidade e muita comunicação".

Muito organizado "Seu Ademar" possui até uma oficina para restaurar", consertar os rádios quando necessário. Ele mesmo enfrenta a empreitada. Detalhe: todos os rádios estão funcionando perfeitamente.

"Seu Ademar" possui pelo Rádio um sentimento de companheiro e amigo. Estabele com os receptores uma oportunidade, vários presentes permanentes de recriar o ambiente mágico, imagético, cumplicidade e também demonstra carinho, fidelidade e agradecimento pelo maior veículo de comunicação, o Rádio.


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