ÉTICA E CREDIBILIDADE NO JORNALISMO

A profissão de jornalista tem como cliente o cidadão, o leitor, o telespectador. Nesse sentido, o jornalista se obriga — em virtude da qualidade do que vai oferecer — a ouvir, por exemplo, lados distintos que tenham participação numa mesma história. Ouvir todos os envolvidos, buscar a verdade, fazer as perguntas mais incômodas para as suas fontes em nome da busca da verdade é um dever de todo o jornalista. 

O assessor de imprensa, cuja atividade, eu repito, é digna, necessária, ética e legítima, tem como cliente não o cidadão, não o leitor, mas quem o emprega ou aquele que contrata os seus serviços. O que o assessor procura, com toda a legitimidade, é veicular a mensagem que interessa àquele que é o seu cliente, àquele que o contrata, e não há nada de errado com isso. É um ofício igualmente digno, mas não é jornalismo. A distinção entre os dois clientes estabelece uma distinção que corta de cima a baixo os dois fazeres.


PROJETO EM FEIRAS VALORIZA A TRADIÇÃO NORDESTINA DE CANTORIA DE VIOLA

As notas musicais tocadas nas violas de Chico de Assis e João Santana ecoam pelos corredores cheios da Feira do Guarapari, em Ceilândia Sul. O improviso dos versos entoados durante as apresentações diverte e alegra feirantes e clientes. Muitos dos que passam pelo palco param por alguns minutos para apreciar o show gratuito, promovido por meio do projeto cultural Repente na Feira.

A ideia de montar as apresentações foi do repentista Chico de Assis, 55 anos, que contou com incentivo do Fundo de Apoio à Cultura (FAC), da Secretaria de Cultura do Distrito Federal. Natural do Rio Grande do Norte e repentista há 35 anos, Chico invariavelmente conta com a parceria de João nos shows, mas também convida outros artistas, como Donzílio Luiz de Oliveira e Valdenor de Almeida, para integrarem o espetáculo.

O repentista explica que, diferentemente do que acontece nas feiras da Região Nordeste, o público do Distrito Federal  “não está habituado com esse tipo de apresentação. A gente tenta conquistar quem não tem o hábito de escutar o repente”, explica. Entre uma compra e outra, os frequentadores do local paravam em frente ao pequeno palco para apreciar os cantadores.

Entre eles, o educador físico João Henrique Souza, 28, gostou da novidade. “Achei a música muito legal e expressiva, além de trazer cultura para todos, valoriza as raízes dos moradores nordestinos”, disse e acrescentou ser favorável a eventos semelhantes. “Tudo o que a população quer é uma boa diversão próxima às suas casas, para espairecer a cabeça”.

Frequentador assíduo de feiras, o aposentado Edivaldo Delfino, 74, disse que veio de Pernambuco para a capital federal em 1971. “Quando ouvi a música, tive que parar para assistir. A apresentação traz mais um pouco da cultura nordestina para cá”, defende.

Satisfeito com a receptividade do público, o violeiro João Santana comentou que o projeto oferece oportunidade de acesso à cultura, tanto a quem não tem tempo quanto a quem não pode pagar por shows. “A gente encontra pessoas que se identificam com o estilo, que sentem saudades de sua raízes”, salientou.

Esse foi o sentimento do cearense Raimundo Romano dos Santos, 67. “La no meu Ceará, tem cantador demais, ao ouvir me traz uma nostalgia. É o tipo de música que eu escuto em casa, então eu acho bom demais”, assegura o aposentado.

Para a professora Ana Carolina Souza Silva, 27, a cultura nordestina deve ser incentivada. Com o filho Jorge, 1 ano, no colo ela achou a apresentação fantástica. “Estamos falando de Ceilândia, uma cidade construída por muitos nordestinos. O repente aproxima os moradores e interage com o ambiente de outra forma”, opinou. “Deveriam ter mais ações como essas e também expandir, trazendo o teatro, o mamulengo e outras manifestações culturais. Os trabalhadores estão aqui (na feira) para trabalhar e não têm muito tempo pra consumir cultura”, concluiu.

“Eu amo o ambiente da feira e lidar com as pessoas, também. A música traz um diferencial para o dia a dia do lugar, animando e deixando tudo divertido. Para mim, poderia ter show todas as semanas”, pediu a feirante Dalva Maria de Araújo, 74.

Estilo musical característico da Região Nordeste, é a interpretação de canto e poesia por dois cantadores, os repentistas. Eles improvisam versos de repente, por isso o nome,  sobre variados assuntos e costumam se apresentar, com a viola nordestina ou pandeiro, pelas feiras e espaços populares.



FESTIVAL SER TÃO MOVIMENTA SERRA TALHADA COM MAIS DE 30 APRESENTAÇÕES CULTURAIS

"Nação Nordestina" é como Santanna, O Cantador descreve a região do Nordeste do Brasil. A região abre suas fronteiras em festa para o Festival Ser Tão, que agita Serra Talhada com mais de 30 shows culturais de quarta-feira (27) a domingo (31). O objetivo é o de sempre: exaltar a cultura nordestina, celebrando a união de diversas manifestações culturais.

"A ideia é a gente elencar as linguagens artísticas e dentro de cada linguagem mostrar o Nordeste a partir de Serra Talhada, que é um município que possui uma história cultural muito forte com a música, com a dança, e tem um aquecimento muito forte com o audiovisual e a poesia também", explica o presidente da Fundação de Cultura de Serra Talhada, Anildomá Willams, responsável pela realização do festival, junto com a Prefeitura da Cidade e com apoio do Ministério da Cultura.

Homenageado do festival conjuntamente ao músico serratalhense Luizinho da Serra, Santanna acredita na mensagem que o festival procura passar. “Eu sou fazedor de cultura popular e acho que ela é a cédula de identidade de uma nação. E, no Brasil, existem duas nações: a nação gaúcha e a nordestina”, brinca o cantor. 

“Essa iniciativa vem justamente corroborar essa coisa de nação mais forte: é mais do que necessário que a nova geração passe a compartilhar e compreender o que há de tradição na nossa Nação Nordestina. Pernambuco para mim é o cérebro e a espinha dorsal do Nordeste”, referencia Santanna. Para o músico, é um privilégio ser homenageado em um festival que promove a cultura local. “Principalmente partindo de uma iniciativa como essa, de fortalecer a cultura popular”, nota. Santanna anima o público com repertório especial a partir das 00h da sexta-feira (29).

Durante os cinco dias de evento, vários artistas da cena musical pernambucana participam do festival, entre eles Targino Gondim, Maciel Melo,  Maestro Forró e a Orquestra da Bomba do Hemetério, Almir Rouche, Nádia Maia, Irah Caldeira, André Rio e Cezzinha. Além dos shows, a programação conta, ainda, com várias apresentações culturais: Caboclinho 7 Flexas de Goiana; Coco Popular de Aliança; Maracatu Nação Pernambuco; Boi Cara Branca de Limoeiro, entre outros.

"Estamos dando projeção para a Região a partir da valorização da nossa identidade, provocando discussões e debates. Nós estamos falando de conquistar o universo com os pés fincados no chão, fazendo a cultura de fato acontecer", afirma Anildomá. "Valorizamos o que é nosso, fortalecemos a identidade cultural do homem sertanejo. E, nesse momento, escolhemos trabalhar primeiro com a música por ela possibilitar uma maior projeção - ela voa mais rápido", finaliza.



REVISTA CONTEXTO TRAZ ENTREVISTA COM O FILÓSOFO LEONARDO BOFF

Está disponível a décima quarta edição da Revista Contexto, trazendo um panorama da educação em Petrolina e de temas contextualizados. São artigos, reportagens e notas, abordando questões ligadas
a educação, filosofia, história, cultura e comportamento.

Nesta edição, o periódico traz uma reportagem especial sobre leitura e escrita, uma entrevista exclusiva com o filósofo Leonardo Boff, um artigo sobre os cem anos da Guerra de Canudos, uma matéria com Klebson Barbosa, o aluno da Escola Municipal Luiza de Castro, que representou Petrolina no concurso ‘Ler Bem’ e uma entrevista com o prefeito da cidade Miguel Coelho, além de diversos artigos e informações.

Para o editor da Contexto, o jornalista e professor Jota Menezes, a revista tem se mantido eclética, procurando pautar-se pela qualidade dos conteúdos. “Como o próprio nome do periódico já deixa claro, temos uma preocupação de ‘contextualizar’ o conteúdo. É que o público leitor da revista é diverso e levamos isso em consideração, embora a revista tenha uma conotação educacional, entendemos que o mundo muda o tempo todo e não podemos ficar alheios a essa metamorfose em que as relações humanas e o conhecimento estão cada vez mais imbricados e complexos. A educação funciona como um efeito guarda chuva, pois tudo está de certa forma ligada a ela”, explica.

A diretora de Ensino da Secretária de Educação, Joelma Reis, ressalta que este ano a Contexto foi citada na Plataforma Sucupira, uma das mais qualificadas na indexação de conteúdos técnicos científicos. “Na Plataforma Sucupira foi feito um registro em 2017 com Qualis B-3 em Sociologia e B-4 em Ensino. É uma façanha que somente as revistas acadêmicas costumam atingir. A nossa é da Secretaria de Educação, por isso nos sentimos muito orgulhosos desse trabalho que dá visibilidade a cidade de Petrolina e aos seus educadores”, pontua.

A revista, de distribuição gratuita, está sendo entregue nas escolas, universidades e bibliotecas, além de estar disponível em plataforma virtual no endereço: https://issuu.com/revistacontextoeducacao/docs/revista_contexto_14_ . Um novo edital da Contexto será lançado em janeiro  de 2018 para a edição de junho. “Uma oportunidade para quem deseja publicar”, frisa  Jota Menezes.


THEREZA OLDAM: SÃO JOÃO DO ARARIPE 150 ANOS

Em 2018, o povoado do Araripe vai completar 150 anos. A professora e escritora Thereza Oldam é conhecedora dos episódios e sentimentos que nortearam a criação, o desenvolvimento e a consolidação do território exuense. Desde a época da colonização, quando a região ainda era habitada pelos índios Ançus, do tronco da nação Cariri. Passando pela chegada de seu fundador Leonel de Alencar Rego, até os dias atuais.

A professora escreveu no ano de 1968, uma apresentação para o disco Luiz Gonzaga-São João do Araripe. Escreveu Thereza Oldam:

"O Povoado do Araripe, tantas vezes cantado pelo Rei do Baião, Luiz Gonzaga, é o desdobramento da Antiga Fazenda do Barão de Exu. Domina-o até os dias atuais, a Casa Grande. de estilo Colonial e a Capela de São João Batista. O Povoado do Araripe, está situado à margem esquerda do Rio Brígida, próximo da Fazenda Caiçara, berço de Barbara de Alencar.

Para os descendentes direto dos primeiros povoadores, o São João do Araripe é único. É o culto das suas melhores tradições. Anualmente, os festejos juninos são um pretexto para a confraternização, pois no calor da fogueira, comendo milho assado, discutem política, exaltam os seus herois, choram seus mortos e pedem aos céus a oportunidade de voltar sempre, sempre ao Araripe.

Ali, no Araripe aprenderam a venerar São João Batista, ouvindo vozez de Sinhazinha e Nora, ecoando o coro da Capela. Quem dos seus desconhece o Barão do Exu, Sinhô Aires, Neném de João Moreira, Santana de Januário, Dona de Seu Sete. Qual dos seus meninos não sentiu o irresistível desejo de puxar a corda do sino da igreja?

O Povoado do Araripe é um santuário de fraternidade do presente com o passado. Seu fundador deu-lhe a fidalguia e tradição e um seu filho deu-lhe a melodia do baião, este filho é Luiz Gonzaga.

Luiz Gonzaga nasceu no Araripe e ai sempre viveu! Ninguém melhor do que ele preservou as suas tradições e podemos afirmar que Luiz Gonzaga é a encarnação do Araripe, no amor que dedica á sua terra, na exaltação de sua gente. 

Ainda menino, Luiz Gonzaga, correu por aqueles patamares, gritando o bode ou tocando forró, crepitava em seu peito a ternura do Araripe, sem saber porque. Era a voz de um pássaro, os costumes do sertão, a beleza das coisas...e fugiu...fugiu porque seu coração não comportaria aquele grito da alma. Era a voz da terra. Era a arte. 

E a arte explodiu: surgiu o artista, o Rei do Baião, o filho de Januário e Santana, o cantor do Araripe. E hoje (1968), ocasião de seu Centenário, o Povoado do Araripe recebe comovido a homenagem de Luiz Gonzaga. É uma mensagem de arte e de amor: da arte que nasceu dele e não cabe nele, do amor que o torna maior fazendo os outros felizes.

O Araripe pede a Deus para seu filho a eternidade da arte que o persegue.

Fonte: Professora e escritora Thereza Oldam, Exu, Pernambuco, 20 de fevereiro de 1968



COM LULA E CHICO BUARQUE, MST INAUGURA CAMPO DE FUTEBOL EM HOMENAGEM A SÓCRATES

A inauguração do campo Dr. Sócrates Brasileiro na escola Florestan Fernandes, do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), neste sábado (23) em Guararema (SP), tornou-se um ato de desagravo ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). 

O petista e o compositor Chico Buarque jogaram futebol ao lado de políticos como o ex-prefeito paulistano Fernando Haddad (PT), militantes e artistas. O rapper Mano Brown e o escritor Fernando Morais, entre outros, estavam na arquibancada.

Estava previsto um discurso de Lula no ato político que precedeu o jogo, mas o ex-presidente acabou por não falar. O jornalista Juca Kfouri foi o juiz da partida. Antes de iniciá-la, ele brincou que a partir daquele momento se chamaria Juca Moro e que um "tal de Lula" já havia sido avisado que começaria o jogo já advertido.

Em ambiente descontraído, Lula cobrou um pênalti, mas não marcou

A partida ocorre semanas antes do julgamento de Lula em segunda instância, nova etapa do périplo judicial que o petista terá de percorrer para se candidatar novamente à Presidência.

O Tribunal Regional Federal da 4ª Região marcou o julgamento do ex-presidente no caso do tríplex para o dia 24 de janeiro. Os militantes presentes foram convocados a comparecer às imediações da corte, em Porto Alegre, durante a sessão.


JURANDY DA FEIRA: CANTOR E COMPOSITOR, SÍNTESE DE UM TALENTO RECONHECIDO PELO EXIGENTE LUIZ GONZAGA

Este ano as festividades dos 105 anos de Luiz Gonzaga, em Exu, Pernambuco, contou com a presença de Jurandy da Feira. A voz de Jurandy e seus versos provocaram um turbilhão de Felicidades aos gonzagueanos de toda parte do Brasil, que vão a Exu, neste período do ano, na esperança de colher os bons frutos da música e memória de privilegiados que conviveram com o Rei do Baião.

Jurandy na vida e obra de Luiz Gonzaga é presente e futuro. É sÍntese de talento.

Morador do Rio de Janeiro há mais de 40 anos, Jurandy mantém a sua essência e nunca deixa de estar bem perto do Nordeste, ao tomar em consideração suas escolhas estéticas e de repertório. Em Exu, o cantor reviveu as emoções ao falar de Luiz Gonzaga e da cultura brasileira. 

Jurandy é o compositor entre outros sucessos das músicas Frutos da Terra, Nos Cafundó de Bodocó, Canto do Povo, além de Terra Vida Esperança. Para Jurandy, a resistência é o que faz sentido para seguir no meio musical, pois somente o talento não basta. 

A história conta que Luiz Gonzaga costumava acolher em casa compositores, em quem descobrisse afinidades, e acreditasse, obviamente, no talento. Depois de avisar que seriam gravados por ele, vinha o convite para ir ao Rio de Janeiro.

Jurandy Ferreira Gomes, é conhecido como Jurandy da Feira, o “da Feira” foi praticamente imposto por Luiz Gonzaga. Quando começou a aparecer como artista em sua cidade natal, Tucano, no sertão da Bahia, ele era chamado de Jurandy da Viola, por causa do violão, seu instrumento desde a adolescência.

“Quando Luiz Gonzaga gravou a primeira música minha, quando fui olhar no selo do disco. Estava lá Jurandy da Feira. Fui conversar com ele. Disse que aquilo não ia pegar bem na minha cidade, porque iam pensar que eu queria ser de Feira de Santana. Ele disse que não era de Feira de Santana, mas da feira, a feira do povo, do cantador. Acabei concordando, mas até hoje eu tenho que me explicar ao povo de lá”, conta Jurandy, em visita a Petrolina. 

Luiz Gonzaga em vida, sorria e se divertia com esta história e explicava: "Eu botei assim, para lembrar o lado de cantador, de poeta de cordel em feiras livres do Interior. O talento de Jurandy é de uma riqueza muito grande, igual a dia de feira."

Para o ano de 2018, Jurandy da Feira, está repleto de poesia, música e um novo CD.

O compositor tinha 24 anos quando conheceu o Rei do Baião. Foi levado a ele por José Malta, um jornalista, e produtor dos shows de Gonzagão. “Fomos para Exu, para a casa de Luiz Gonzaga. Passei uma semana lá. Mas era aquela coisa. Ninguém chegava a Gonzaga. Ele é que chegava às pessoas. Era fechado, meio cismado. Foi ele que se chegou pra mim, e perguntou sobre o violão que eu havia levado comigo. Se eu tinha um violão, por que não tocava? Quis saber se eu fazia músicas. Pediu para cantar para ele. Depois me disse que queria uma música que falasse de Bodocó”. 

Passou algum tempo e eu fiz Nos cafundó de Bodocó. O cafundó, foi porque eu achei que a cidade ficava longe de tudo. Naquela época ainda estavam asfaltando as estradas, e fui da Bahia até lá de Karmann-Ghia (carro esportivo, de dois lugares, saído de linha em 1971), a maior poeira, foi um sofrimento a viagem até o sertão pernambucano”.

Luiz Gonzaga gostou de Nos cafundó de Bodocó. Veio o inevitável convite para ir ao Rio. A música foi aprovada pelos produtores de Gonzagão na época, coincidentemente dois pernambucanos, Rildo Hora e Luiz Bandeira. Nos cafundó de Bodocó entrou num dos melhores álbuns de Luiz Gonzaga nos anos 70, Capim novo (1976). Lula gravaria mais outras três composições de Jurandy, que sacramentariam uma amizade que durou até o final da vida de Lua. 

O baiano, portanto, testemunhou os bons e maus momentos de Luiz Gonzaga em suas duas últimas décadas de vida: “Ele passou uma época em baixa. Várias vezes assisti a apresentações suas numa churrascaria chamada Minuano, na estrada Rio/São Paulo. Era aquele barulho de churrascaria. Mas quando ele dava o boa noite., pra começar a cantar, menino ficava quieto. Os adultos se calavam. Ficava silêncio enquanto ele cantava”.

Foi Luiz Gonzaga que levou Jurandy para gravadora, e ajudou a suas músicas serem gravadas por nomes como Trio Nordestino, Terezinha de Jesus. Atualmente Jurandy da Feira é um dos artistas mais admirados no meio da cultura brasileira e gonzagueana.

“Ele, Luiz Gonzaga, chegou a me prestigiar num show num colégio de padres em Tucano, minha terra natal. Passou a me apelidar de “minha paz”, porque quando chegava sempre desejava a ele: “Uma paz, seu Luiz”, relembra emocionado Jurandy.

Jurandy traz a poesia do ritmo da cultura brasileira na alma. É fartura de dia de Feira.  Luiz Gonzaga sabia reconhecer um fiel discípulo...Tenho Dito...


CANTAR O CIÚME Á BEIRA DO RIO SÃO FRANCISCO. QUE MOMENTO MÁGICO SERÁ ESSE

“Fui ver o show de Caetano Veloso em São Paulo. Magnífico. Extasiante. Sublime. O Mestre apresentou algumas de suas últimas primorosas obras, entremeadas por clássicos mais “antigos”.

Na letra de uma das canções que Caetano apresentou (“Funk Melódico”) há um verso contundente: “O ciúme é o estrume do amor”. Essa metáfora se relaciona com outra, também alusiva ao ciúme (de uma letra de Vinicius de Morais): “O ciúme é o perfume do amor”. As imagens, fortes, fortíssimas, são contraditórias, embora verdadeiras (ou não?).

Essas duas metáforas me trouxeram à mente uma canção inteira dedicada ao tema, também de Caetano Veloso. Trata-se de “O Ciúme”, de 1987. Pungentes, melodia, versos e interpretação nos fazem sentir na carne (como diz a própria letra) a força do ciúme como flecha bem no meio da garganta.

Não vou reproduzir aqui a letra inteira. Basta ao leitor entrar no site do próprio Caetano para encontrá-la (e, também, ouvir a inesquecível interpretação). Vou ater-me a algumas passagens do texto, que exigem do leitor/ouvinte alguns conhecimentos para a plena compreensão: “Dorme o sol à flor do Chico, meio-dia/ Tudo esbarra embriagado de seu lume/ Dorme ponte, Pernambuco, Rio, Bahia/ Só vigia um ponto negro: o meu ciúme/ (…) Velho Chico, vens de Minas/ De onde o oculto do mistério se escondeu/ Sei que o levas todo em ti, não me ensinas/ E eu sou só, eu só, eu só, eu/ Juazeiro, nem te lembras dessa tarde/ Petrolina, nem chegaste a perceber/ (…) Sobre toda estrada, sobre toda sala/ Paira, monstruosa, a sombra do ciúme”.

O caro leitor talvez saiba, mas não custa lembrar que Juazeiro (BA) e Petrolina (PE) são separadas pelo Chico, ou seja, pelo rio São Francisco. Unidas por uma ponte, são, como todas as cidades que vivem situação análoga, rivais (aliás, “rival” vem de “rivus”, do latim; significa “regato, ribeiro, corrente de água”). Que me diz agora o caro leitor da imagem da relação entre Petrolina e Juazeiro como pano de fundo para o ciúme?

Caetano se vale de outro detalhe “geográfico”: o rio São Francisco nasce em Minas Gerais (“Velho Chico, vens de Minas…”), e, como bem diz o grande poeta, “…vens de Minas, de onde o oculto do mistério se escondeu…”. Outra imagem antológica, que adensa ainda mais os caminhos tortuosos, ocultos, indecifráveis do ciúme. Existe algo mais misteriosamente oculto ou ocultamente misterioso do que Minas Gerais, suas montanhas e sua gente?

Os versos finais da letra são lapidares: “Sobre toda estrada, sobre toda sala/ Paira, monstruosa, a sombra do ciúme”. Profundo conhecedor dos meandros do idioma, Caetano não empregou a ordem direta no último verso, que certamente empobreceria e enfraqueceria a mensagem.

Para quem não entendeu, explico: na ordem direta, o verso final seria “A sombra do ciúme paira monstruosa”. Será que ainda preciso explicar os belíssimos efeitos da inversão da ordem “natural” dos termos?

Ler uma letra de música, um conto, um poema –uma obra literária, enfim– exige abertura d’alma, conhecimento, cultura, sensibilidade, noções de intertextualidade.

Cantar “O Ciúme” à beira do velho Chico. Que momento mágico será esse! Que inveja...

Fonte: Pasquale Cipro Neto-professor


POBREZA CRESCE NA AMÉRICA LATINA E AFETA 30,7% DA POPULAÇÃO


Após uma década inteira de redução, a pobreza e a extrema pobreza cresceram por dois anos consecutivos na América Latina, mostra o documento Panorama Social de 2017, lançado nesta quarta-feira (20/12) pela Comissão Econômica para América Latina e Caribe (Cepal). Segundo o relatório, apresentado no México com transmissão ao vivo para vários países, em 2016, 30,7% da população (186 milhões de pessoas) viviam nessas condições na região.


PERA, MAÇA E CAQUI SE ADAPTAM ÀS ALTAS TEMPERATURAS DO SERTÃO

Frutas como maçã, caqui e pera estão sendo produzidas no sertão de Pernambuco, ao lado da manga e da uva, que se tornaram tradicionais nas margens do Rio São Francisco. São fruteiras de clima frio que estão se adaptando às altas temperaturas. Depois de dez anos de pesquisa, os resultados agradam agricultores e cientistas.

Com temperatura que passa de 40ºC durante o dia, o vale do Rio São Francisco se tornou o principal polo exportador de uva e manga do Brasil. A região movimenta por ano em torno de R$ 1,1 bilhão com essas frutas.

Com o cultivo de manga e uva mais do que consolidado, a região vem inaugurando a produção de frutas ainda mais exigentes em baixas temperaturas. A sensação do momento é a pera.

Fora a pera, a pesquisa coordenada pelo doutor Paulo Lopes, agrônomo da Embrapa Semiárido, vem comprovando a viabilidade também de outras frutas, como o caqui: “O interessante do caqui é você ter a possibilidade de produzir no segundo semestre, quando não tem a fruta no mercado nacional”.

Das 23 variedades que entraram na pesquisa, a rama forte, a guiombo e a costata são as que vêm apresentando melhor desempenho. “Você consegue colocar as frutas produzidas aqui no Vale do São Francisco com preços até de dez vezes superiores em relação ao caqui comercializado nas regiões Sul e Sudeste no primeiro semestre”, afirma o agrônomo. 

Produção pelo Brasil:
A grande produção de caqui, maçã e pera no Brasil concentra-se nos estados do Sul e Sudeste. No que se refere ao caqui, São Paulo responde por 58% do total. Quanto à maça, Santa Catarina está na liderança com 51%. Na pera, o destaque fica por conta do Rio Grande do Sul, com 55% da colheita nacional. O que se quer nesse momento no Nordeste não é competir com a produção desses estados, mas aproveitar as janelas deixadas por eles durante o ano. E então, suprir o mercado nos meses de entressafra.

No caso da pera, a oportunidade de mercado é ainda maior, porque o Brasil não dá conta de produzir tudo o que consome e 95% dessa fruta vem de fora. “O intuito desse projeto é de diversificar a produção aqui no Vale do São Francisco e diversificar com culturas que sejam rentáveis, que sejam compatíveis com o rendimento com a uva, com a manga, com essas que já existem”, afirma Paulo Lopes.

A pesquisa teve início há dez anos e atendeu a um pedido da Companhia de Desenvolvimento do Vale do Rio São Francisco (Codevasf). O desafio foi grande para se conseguir uma produção assim. Mesmo assim, a adaptação foi um sucesso e surpreendeu.

Fonte: Globo Rural


AGRICULTORES OTIMISTAS COM PREVISÃO DE CHUVAS PARA O SEMIÁRIDO EM 2018

O verão - que começa na próxima quinta-feira, 21 - promete ter um regime de chuva regular na maior parte do país, sem grandes extremos como secas ou enchentes. A previsão é do meteorologista Luiz Cavalcanti, do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), em Brasília. 

"A perspectiva é de muitas chuvas nas regiões Sudeste, Centro-Oeste e particularmente na Região Sul. É um período que, essencialmente, é muito chuvoso. Estamos com chuvas bem marcantes e a tendência é que o verão permaneça como está terminando a primavera, com muita chuva nessas regiões”, disse.

Segundo o meteorologista, o fenômeno conhecido como La Niña, quando ocorre o resfriamento das águas do Oceano Pacífico, este ano é predominante, mas com pouca intensidade, o que deve contribuir para garantir uma normalidade climática no Brasil. Inclusive, haverá chuva no semiárido do Nordeste, que sofre com seca há sete anos.

“O La Niña tem se manifestado, mas com intensidade fraca, e a tendência é que neste verão seja o fenômeno predominante. Em função do La Niña, a gente prevê chuvas no semiárido já a partir de dezembro. Já temos bastante chuvas no sul do Maranhão e do Piauí. Nas partes oeste e norte da Bahia e em algumas regiões do Ceará, Pernambuco e Paraíba já ocorreram chuvas. Isto é prenúncio de que teremos uma estação diferente do que foi nos últimos cinco anos, que foi de muito seca”, afirmou Cavalcanti.



FUNDAÇÃO CASA GRANDE MEMORIAL DO HOMEM DO KARIRI COMPLETA 25 ANOS

A Fundação Casa Grande Memorial do Homem Kariri comemora 25 anos de história no dia 19 de dezembro de 2017, em Nova Olinda, no Cariri Cearense. O evento, que acontece a cada ano, desde a origem da entidade, promove a Renovação do Sagrado Coração de Jesus e Maria, momento de confraternização entre as famílias e amigos da instituição.

A Renovação do Sagrado Coração de Jesus e Maria é uma manifestação de fé comum às famílias do Cariri, momento e ato em que familiares e amigos revigoram a ligação com o sagrado, por meio de cânticos, rezas e pedidos com devoção.

Na Casa Grande a solenidade é realizada na sala de entrada, cuja parede frontal transforma-se em um santuário, todo ornamentado com imagens e outros elementos simbólicos da religiosidade, que retratam a fé e evocam a proteção aos moradores e visitantes.

Após os ritos espirituais, a festa se desdobra com o som, ritmo e alegria da Banda de Pifes Cabaçal dos Irmãos Aniceto, que desde os primeiros anos de existência da Casa Grande participa do ato da Renovação. Nesta celebração de 25 anos, junto com os Irmãos Aniceto estarão mais doze grupos de tradição popular da região. 

A história da Casa Grande começa na verdade 10 anos antes de sua fundação, com as andanças do casal de fundadores Alemberg e Rosiane pelo sertão nordestino da Chapada do Araripe. Nessas expedições, vendo, ouvindo e sentindo a mitologia do homem ancestral, documentando as lendas e achados arqueológicos, Alemberg e Rosiane já estavam idealizando o que viria ser a Casa Azul – espaço vivo de criação e produção cultural, que tem a valorização da infância como marca e que guarda fragmentos de memórias atemporais.

A comemoração dos 25 anos acontece de 15 a 20 de dezembro com palestras, shows, e vivências culturais. Na programação destacam-se a realização dos módulos de dois cursos de especialização que estão sendo realizados na Casa Grande: “Especialização em Arqueologia Social Inclusiva”, parceria com a URCA e o Instituto de Arqueologia do Cariri – doutora osiane Limaverde, e também a “Especialização em Gestão Cultural”, parceria com o Itaú Cultural/SP. E ainda o lançamento do livro “Arqueologia Social Inclusiva”, de Rosiane Limaverde, in memoriam, no dia 19 de dezembro, bem como a abertura da Exposição a Menina da Casa da Escadinha, na mesma data.


FAZENDA ARARIPE, EXU, EM 2018 COMPLETARÁ 150 ANOS

Carros do Mato Grosso do Sul, Tocantins, Piauí, Ceará, Maranhão, Goiás, São Paulo, Espírito Santo e vários outros cantos do Brasil se dirigiram, na manhã desta quarta-feira (13), para uma fazenda emblemática em Exu, no Sertão de Pernambuco, a Araripe. É que ela ainda guarda construções que marcaram a vida de Luiz Gonzaga, como casas nas quais viveram os pais Januário e Santana, a Igreja de São João Batista, a residência do Barão de Exu. Um monumento ainda mostra o local onde nasceu a criança que se tornaria o Rei do Baião, há exatos 105 anos.

A Fazenda Araripe fica a 12 quilômetros de Exu. Envolta de caatinga seca, distante 800 metros da entrada do terreno, leva ao local onde Luiz Gonzaga nasceu, no dia 13 de dezembro de 1912. Era dia de Santa Luzia, mês do Natal, nascimento de Jesus. Daí a explicação do nome escolhido para o caboclinho, Luiz Gonzaga do Nascimento, segundo filho do sanfoneiro Januário e da agricultora Santana. O padre que batizou o menino sugeriu chamá-lo de Luiz por ter nascido no dia de Santa Luzia; Gonzaga porque o nome completo de São Luiz era Luiz Gonzaga; e nascimento, porque dezembro é o mês do nascimento de Jesus.

Ao entrar na única "rua" da Fazenda, com poucas casas em cada lado da via, uma de cor lilás chama atenção. O movimento é tão grande lá dentro quanto nas calçadas, cheias de turistas. Ali viveu Chiquinha Gonzaga, irmã do velho Lua. Hoje, é dona Raimunda de Souza, quem habita o lugar, mais duas filhas e dois netos.

Ela fala, bastante orgulhosa, que seu pai, Jesus de Souza, era primo de Januário. Naquela época, primo de pai era tido como tio. E Santana foi madrinha dela. "Se eles eram boas pessoas? Ave Maria, demais. Eles tinham muita consideração por nós, um povo bom mesmo", lembrou dona Raimunda, monstrando as fotos dos célebres parentes penduradas nas paredes de reboco.

Agora, a lembrança que não sai da mente dela é a da chegada de Gonzagão, em 1946, após anos no Rio de Janeiro. Prestes a completar 18 anos, Luiz fugiu de casa após desavença com a a mãe para o Crato, no Ceará, onde ingressou no Exército. Pulou de quartel em quartel pelo Brasil, até chegar na capital carioca, onde também iniciou sua carreira artística, tocando sanfona. Só quando ingressou na gravadora RCA e tocou no rádio, considerou-se um artista "de verdade". Então, achou que era hora de regressar a Exu.

"Eu lembro como se fosse hoje. Tinha uns 13 anos. Luiz chegou. Eu tava na roça e mãe me buscou, dizendo que era para eu me arrumar. Fui na casa dele, fui apresentada a ele, que tava todo vestido de branco, sentado em um banco de [madeira] bodocó e a sanfona. Foi festa o dia todinho. Só de pensar que ele morreu, encho os olhos de água. Apesar de ser rei, ele tratava todo mundo igual", contou dona Raimunda. 

A cena de Luiz Gonzaga voltando para Exu já era famosa por causa da abertura da música "Respeita Januário", onde o sanfoneiro descreve o retorno. Muita gente também conheceu essa passagem por meio do filme "Gonzaga - De Pai Para Filho", de Breno Silveira. A casa de Januário ainda está na Fazenda Araripe, pintada de amarelo. Muita gente posa para fotos lá.

Os visitantes também registram imagens do casarão do Barão de Exu, que era dono das terras onde a cidade nasceria, no século 19. Ele também construiu a Igreja de São João Bastista, onde os restos mortais dele estão enterrados. A Igreja, inclusive, inspirou Luiz Gonzaga na canção "São João do Carneirinho". No terreno, ainda é possível ver a casa construída para Januário viver a partir de 1951. Hoje, o local é um restaurante.


PAULO WANDERLEY: O MAIOR COLECIONADOR E ESPECIALISTA NA OBRA DE LUIZ GONZAGA

O paraibano Paulo Wanderley Tomás da Silva é o maior colecionador e especialista na obra de Luiz Gonzaga — músico que conheceu quando era criança. Seu pai era o gerente do banco de Gonzaga em Exu. Também bancário por profissão, ele se tornou um colecionador de tudo o que diz respeito ao Rei do Baião. Reuniu mais 350 discos, catalogou mais de 700 músicas, mais de 3 mil fotografias, 400 revistas, cem DVDs, sete filmes, diversos programas de TV. “Além disso, mandei fazer réplicas das roupas que ele vestia nos shows. Elas já foram até usadas no filme “Gonzaga, de pai para filho”, do diretor Breno Silveira.

Ele foi o maior divisor de águas dentro da música popular brasileira. Introduziu instrumentos e novas sonorizações na MPB. Foi campeão em vendagem de discos. Depois dele, Dalva de Oliveira, Dolores Duran, Orlando Silva e João Gilberto gravaram baiões. Os maiores nomes da MPB — como Maria Bethânia, Gilberto Gil, Gal Costa — todos fizeram referência a Luiz Gonzaga. Se formos para o rock de Raul Seixas, ele dizia que tinha duas referências: Gonzaga e Elvis Presley.

*Gonzaga foi um grande marqueteiro de si mesmo?
Ele inventava e se reinventava. Se formos analisar conceitos atuais de empreendedorismo, os dele tinham aplicação quase perfeita. Tudo na vida dele era marketing. Na vida pessoal, ele era meio descontrolado, um cara generoso. Distribuiu mais de cem sanfonas, algumas das quais estariam custando hoje entre R$ 3 mil e R$ 4 mil. Deu muitas delas, inclusive para o Dominguinhos.

*Esse lado marqueteiro também se estendia às parcerias musicais, não é?
Com certeza. A primeira grande parceria foi com Manoelzinho Araújo, o rei da embolada. Mas Gonzaga era inquieto, e as parcerias ainda não lhe satisfaziam. A indumentária dele também foi mudando com o passar dos anos. Entre os anos 1940 e 1950, o chapéu de couro tinha pedrarias. No início da década de 1970, era branco e cinza. Nos anos 1980 usava um azul, redondinho, bem mais moderno. Gonzaga foi mudando a indumentária. Era tudo parte de sua estratégia de marketing.


Fonte: Leticia Lins-O Globo-2012



DIA NACIONAL DO FORRÓ: DATA HOMENAGEM AO DIA DO NASCIMENTO DE LUIZ GONZAGA

Hoje, 13 de dezembro, comemoram-se em todo país o Dia Nacional do Forró. A data é uma homenagem ao dia do nascimento do sanfoneiro que o Brasil conheceu – Luiz Gonzaga.

Foi instituído pela Lei nº 11.176, sancionada pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, em 6 de setembro de 2005, e que teve origem no Projeto de Lei nº 4265/2001, de autoria da deputada federal Luiza Erundina.

Em 13 de dezembro de 2012 o Brasil inteiro comemorou o Centenário de Luiz Gonzaga. A música brasileira deve muito a capacidade criativa deste talentoso artista e à sua sanfona branca , "do povo", como ele mandou gravar certa vez no instrumento.

O Nordeste continuaria existindo caso Luiz Gonzaga não tivesse aterrissado por lá há cem anos. Teria a mesma paisagem, os mesmos problemas. Seria o mesmo complexo de gentes e regiões. Comportaria os mesmos cenários de pedras e areias, plantas e rios, mares e florestas, caatingas e sertões.


Mas faltaria muito para adornar-lhe a alma. Sem Gonzaga quase seríamos sonâmbulos. Ele, mais que ninguém, brindou-nos com uma moldura indelével, uma corrente sonora diferente, recheada de suspiros, ritmos coronários, estalidos metálicos. A isso resolveu chamar de BAIÃO.


Luiz Gonzaga plantou a sanfona entre nós, estampou a zabumba em nossos corpos, trancafiou-nos dentro de um triângulo e imortalizou-nos no registro de sua voz. Dentro do seu matulão convivemos, bichos e coisas, aves e paisagens. Pela manhã, do seu chapéu, saltaram galos anunciando o dia, sabiás acalentando as horas, acauãs premeditando as tristezas, assuns-pretos assobiando as dores, vens-vens prenunciando amores.


Fonte: Aderaldo Luciano-professor doutor em ciência da literatura


VALDI GERALDO, O NEGUINHO DO FORRÓ, EXU, ALEGRIA E BELEZA DO SERTÃO

Sempre é bom lembrar: o grande celeiro de Luiz Gonzaga foi, até o final da carreira, o Nordeste. A cada viagem que fazia pela região descobria um compositor. Em Caruaru, foram Onildo Almeida e Janduhy Finizola; em Sumé, Paraíba, José Marcolino; em Pesqueira, Nelson Valença. Campina Grande, Rosil Cavalcanti.

E em Exu, na sua terra, valdi Geraldo, o
Neguinho do Forró é músico, compositor de quem Luiz Gonzaga gravou a música "Nessa Estrada da Vida" em 1984 no disco, Long Play, Danado de Bom. Neguinho do Forró é um desses talentosos compositores que contribuiram com o reinado de Luiz Gonzaga. 

Valdi é compositor do sucesso da música Nessa Estrada Vida, em parceria com Aparecido José. Ao ouvir a música Luiz Gonzaga teve paixão de primeira, tarimbado, o Lua, sabia quando estava diante de uma riqueza musical, viu que melodia, ritmo e harmonia são frutos do seu Reinado. Gravou. Hoje é uma das músicas mais interpretadas no cancioneiro brasileiro. Recebeu regravações de Dominguinhos, Jorge de Altinho, Waldonis, fiéis discípulos do Rei do Baião.

Com a morte de Luiz Gonzaga, em agosto de 1989, foi também em Valdi Geraldo que o Gonzaguinha, o poeta da resistência, que por centenas de vezes caminhou nas estradas, visitando lugares e construindo sonhos no pé da serra do Araripe pensando em concretizar o projeto do Parque Asa Branca. 

Desde 1999, quando conheci, Valdi Geraldo em Exu, tenho o maior respeito e admiração por este artista. Homem de Bem. Alma de cantador. Ele, não vive comercialmente da música, é funcionário do Ministério da Saúde. Em 2012 lançou um CD, Alegria e Beleza do Sertão, uma das composições mais belas da música brasileira, que se junta aos frutos de criatividade do poeta, diga-se, um dos mais humildes, ou seja, sabe tratar o povo mais simples, assim como tanto pedia Luiz Gonzaga.

Valdi Geraldo está marcado para a eternidade e o Brasil poderia ainda em Vida ser mais grato pela trajetória desse cantor e compositor. Caruaru, Pernambuco, através do pesquisador Luiz Ferreira souberam valorizar o artista e ele, em 2014, recebeu o título troféu Orgulho de Caruaru.

Luiz Gonzaga é citado por todos os compositores como um mestre na arte de sanfonizar as canções. Sanfonizar é um termo criado pelo próprio Luiz Gonzaga. O pesquisador José Teles, afirma que a maioria dos seus parceiros de Luiz Gonzaga não escondem que cederam parceria para o Rei do Baião, porém, geralmente, suavizam a revelação com um argumento: ninguém interpretaria a composição igual a ele. Ou ressaltam o talento de Gonzagão para “sanfonizar” as composições – ou seja, como usava seus dons de arranjador para enriquecê-las.



JORNALISTA E ESCRITORA PARAIBANA RECEBE TÍTULO DE CIDADÃ SINOPENSE

A jornalista e escritora Maria da Paz Cavalcante Sabino foi agraciada com o Título de Cidadã Sinopense Benemérita, na Sessão desta segunda-feira (11). A homenagem foi proposta pelos vereadores Joaninha e Luciano Chitolina e aprovada por unanimidade.

Natural da Paraíba, Maria da Paz reside em Sinop desde 1995, onde atuou como jornalista no extinto jornal “Diário do Norte” e como correspondente dos jornais A Folha, A Gazeta e Diário de Cuiabá.

Lançou seu primeiro livro intitulado “Contos que conto”, (em 2002); livro “O Mundo Fantástico da Formiga Zaroia”; (2004); livro “Mulheres que fazem História” (2015) – obra esta que traz 23 relatos de mulheres empreendedoras do município; livro “O câncer salvou minha vida”; livro “Homens que fazem História” (2017) – obra esta conta com 37 relatos de pioneiros e empreendedores do município de Sinop. Por este último livro, recebeu moção de aplauso da Câmara Municipal, por sua parcela de contribuição para a preservação histórica e cultural do município, tornando-se a obra fonte de pesquisa do processo de desenvolvimento do município.

Maria da Paz publica a revista bimestral “Saúde em Alta e Estilo”, que se encontra na 40ª edição. Há vários anos também realiza ações de estímulo e fomento à literatura em escolas do município, promovendo rodas de leituras e teatralização com os alunos.

“Essa homenagem representa o nosso reconhecimento pelas grandiosas contribuições da Maria da Paz para o jornalismo, história, literatura e cultura sinopense”, destacou o vereador Joaninha.


É PRECISO MANTER A VALORIZAÇÃO DA SANFONA DE 8 BAIXOS E TRADIÇÃO DO PAI DE LUIZ GONZAGA

O cenário musical brasileiro atual tem a presença de diversas mulheres que, como cantoras, compositoras ou instrumentistas, conseguem se sustentar com seu trabalho artístico. O que hoje parece natural, há cerca de um século era raro: mulheres que ousavam se manter neste meio eram vistas com preconceito e sofriam discriminação. Uma das responsáveis pela mudança de dessa postura revolucionári  e a abrir alas para muitas outras mulheres na música do Brasil: Chiquinha Gonzaga.


A compositora, pianista e maestrina é responsável por mais de duas mil canções populares, e entre elas está a primeira marchinha composta para o carnaval: "Ô abre alas", de 1889, que hoje faz parte do imaginário brasileiro. Seu aniversário, em 17 de outubro, é lembrado como o Dia Nacional da Música Popular Brasileira.

A sanfoneira de 8 Baixos, Chiquinha Gonzaga também enfrentou o machismo da sociedade carioca. Em  Pernambuco, igual a sua homônima, a irmã de Luiz Gonzaga, também seria vítima do mesmo tipo de preconceito ao arriscar as primeiras notas na sanfona de oito baixos do pai, mestre Januário. Proibida de tocar pela mãe, Dona Santana, Chiquinha, só aos 74 anos, pôde gravar um disco inteiro  dedicado ao instrumento. Méritos de Gilberto Gil, que bancou a idéia, produziu o CD e encorajou sua volta aos palcos.

Chiquinha e o compositor baiano ficaram amigos, durante as filmagens, de "Viva São João!", documentário dirigido por Andrucha Waddington. No filme, um entusiasmado relato das festas juninas em 19 cidades do Nordeste, os dois visitam Exu, cidade da família Gonzaga, e relembram histórias do rei do baião e do sertão pernambucano.

Na época Chiquinha contou a Gilberto Gil "que não gravava havia 16 anos e que adoraria tocar sanfona novamente, mas que não tinha patrocínio para tanto". Ganhou a simpatia e ele foi muito simpático e logo dizendo: 'Pode deixar, Dona Chiquinha, eu vou bancar o seu CD'", conta ela. "Apenas deixou avisado que precisaria viajar antes ao exterior para gravar um disco só com canções de um tal amigo dele (Bob Marley), mas que depois estaria no estúdio para iniciar as gravações", completa. 

Devoto do baião, Gil já tinha feito o mesmo agrado ao irmão mais velho de Chiquinha, mergulhado no ostracismo no fim da década de 60, depois do surgimento da bossa nova e da jovem guarda. O compositor baiano gravou "17 Légua e Meia", antigo sucesso de Gonzagão, no álbum "Gilberto Gil" - que contém "Cérebro Eletrônico"-, em 1969. Outro tropicalista, Caetano Veloso (exilado em Londres), repetiria a homenagem dois anos mais tarde, numa histórica regravação de "Asa Branca". 

O álbum "Pronde Tu Vai, Luiz?", lançado de forma independente, conta com a participação de Gilberto Gil na faixa-título, originalmente gravada por Gonzagão em 1954, num dueto com a irmã. Há outros convidados ilustres, como o tocador de gaita e acordeonista gaúcho Renato Borghetti.

Autora da maioria das canções (algumas delas em parceria com os filhos Sérgio e Zuca), ela toca instrumento com o mesmo vigor e paixão dos tempos de menina. Chiquinha lembra que esperava os pais partirem para o trabalho na roça para que ela pudesse pegar a sanfona num canto do quarto de Seu Januário. A farra durava pouco. Quase sempre era pega em flagrante pela mãe. "Larga isso, menina! Isso é coisa pra homem!", censurava Dona Santana.

A emancipação só veio em 1949, quando Luiz Gonzaga, já desfrutando da fama de sanfoneiro no Rio de Janeiro, como autor de "Baião", "Asa Branca" e "Juazeiro", comprou um caminhão e mandou buscar a família em Exu (Gonzagão queria que os parentes viajassem de avião, mas Seu Januário, indignado - ou com medo-, disse que não era urubu para andar pelos céus). 

Tanto Seu Januário como Dona Santana, enraizados em Pernambucano, nunca pensaram em deixar o Estado. Achavam, aliás, que o Sul do país não era lugar para o "menino" Luiz se aventurar. A viagem para o Rio de Janeiro durou vários dias ("tinha até fogão dentro do caminhão", lembra Chiquinha), mas valeu a pena, principalmente para a jovem cantora. 

A popularidade do irmão explodiu na década de 50 e Chiquinha, mesmo sem tocar sanfona, passou a cantar forró em pequenas casas noturnas do Rio. No embalo do irmão gravou cinco LPs e estrelou programas de rádio. 

Chiquinha lembra de histórias curiosas dessa fase. Como chegou a desfrutar de um relativo sucesso, algumas pessoas passaram a confundi-la com a musicista carioca de mesmo nome, morta 20 anos antes, em 1935. "Eu achava que esse tipo de confusão nunca aconteceria. Mas ficava assustava quando pediam para eu cantar 'Ô Abre-Alas' (marcha carnavalesca de estrondoso sucesso, composta em 1899)", recorda-se Chiquinha. 

Gonzagão, principal incentivador da irmã e seu padrinho musical, tratou de desfazer a confusão. Passou a apresentá-la aos donos de casas noturnas e empresários como "Chiquinha Gonzaga, a Cantadora de Forró". Ela lembra que, mesmo assim, sempre havia alguém que estranhava a ausência do piano clássico no palco. 

Chiquinha Gonzaga já faleceu e deixou um silêncio enorme para os apreciadores da Sanfona de 8 Baixos. 


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AMIGOS DE LUIZ GONZAGA PLANTARÃO UMBUZEIRO NAS FESTIVIDADES DOS 105 ANOS DO REI DO BAIÃO

No próximo sábado (16), em Exu, Pernambuco, durante as comemorações dos 105 anos de Luiz Gonzaga o Grupo de Amigos do Rei do Baião, vão realizar o plantio de árvores de Umbuzeiro. O objetivo dos gonzagueanos é estimular o plantio de árvores para tornar o meio ambiente mais sustentável

O projeto foi denominado “Amigos de Luiz Gonzaga plante 113 Árvores”. O nome do projeto foi idealizado porque todos do grupo são admiradores da obra e vida de Luiz Gonzaga. “Luiz Gonzaga cantou muito a natureza e ainda nos anos 80 já defendia a ecologia e o meio ambiente e nosso grupo não compreende como mesmo com tanto calor em nossa região, ainda cortam as poucas árvores que tem”, disse o empresário Italo Lino, ressaltando que o projeto contou desde o primeiro momento com o apoio das Lojas Neto Tintas.

"Estamos hoje realizando o desejo do meu pai, Neto Tintas, que partiu no último dia 15 de outubro e era um dos mais entusiasmados para este projeto ser realizado em Exu", declarou Italo.

Para o professor e biólogo Júlio Cesar silva, a iniciativa é importante para o meio ambiente.

Luiz Gonzaga, numa composição de João Silva homenageou o pé de Umbu. No cenário de vegetação quase sem vida, sem comida, o umbuzeiro exibe fartura. O umbuzeiro é a única árvore verde no meio da caatinga.  O segredo está embaixo da terra. As raízes têm batatas que funcionam como uma caixa d'água.

As pesquisas calculam que um umbuzeiro grande chega a acumular 1.500 litros de água. É por isso que ele atravessa todo o período de seca verde e dando frutos. Fonte de vitamina C e até de inspiração para os poetas nordestinos.

Mas até o umbuzeiro está sofrendo com a seca extrema. Segundo um estudo da Embrapa, em algumas regiões do Nordeste, como no sertão pernambucano, de cada quatro umbuzeiros, apenas um consegue sobreviver.


EXU 2018 II ENCONTRO DE SABERES DA CAATINGA: RAIZEIROS,BENZEDEIRAS E PARTEIRAS

Exu, localizada na Chapada do Araripe pernambucano e reconhecida internacionalmente como a terra do Rei do Baião, Luiz Gonzaga sediará o II Encontro de Saberes da Caatinga composto por adeptos de práticas e culturas milenares que ainda persistem no interior nordestino. o evento vai acontecer entre os dias 19 e 28 de janeiro de 2018.

Adeptos de práticas e culturas milenares que ainda persistem do interior do Nordeste vão se reunir na Chapada do Araripe para trocar experiências. No Encontro Saberes da Caatinga, cerca de 150 parteiras, rezadores e raizeiros pretendem fortalecer essas práticas de nascimento e cura, ligadas à natureza. 

O neurocientista, Sérgio Felipe de Oliveira, especialista em medicina e espiritualidade, fala sobre o assunto. “Hoje a Organização Mundial da Saúde (OMS) já admite a questão espiritual e existe muito estudo sobre espiritualidade na prática clínica. Quando a medicina oficial, o SUS (Sistema Único de Saúde), resolve dialogar com as benzedeiras, encontra-se um ponto que permite o integrativo e esse ponto beneficia o paciente. A força da fé é tremenda, mas precisa haver afeto e amor. Uma relação fria não abre caminhos. Uma relação de afeto e amor soluciona milhões de problemas”.

Os saberes populares estão presentes em duas políticas do Governo Federal: a política nacional de plantas medicinais e fitoterápicos considera "o valioso conhecimento tradicional associado ao uso de plantas medicinais" capaz de ajudar na qualidade de vida da população.

E, na política nacional de práticas integrativas complementares em saúde, que visa integrar a medicina tradicional e terapias alternativas, estão novamente as plantas medicinais.



A 5º EDIÇÃO DA FEIJOADA DO JOQUINHA GONZAGA MARCARÁ FESTIVIDADES DOS 105 ANOS DE LUIZ GONZAGA EM EXU

Os Gonzagueanos que participarão das festividades dos 105 anos de luiz Gonzaga, o Rei do Baião, em Exu, Pernambuco, terão um encontro na sombra do umbuzeiro, a partir das 11hs do sábado 16 dezembro, na Fundação  Vovô Januário, localizado na avenida Edmundo Dantas 620. Trata-se da feijoada do Joquinha, sobrinho de Luiz Gonzaga e neto de Januário. 

A entrada custará R$30 com direito a uma camisa. Para adquirir a camisa fone contato: 87 999472323. Além da tradição da feijoada o encontro é marcado pelo som da sanfona, triângulo e zabumba. Os fãs clubes de Caicó,  Paus dos Ferros (RN), Santa Cruz do Capibaribe, Grupo Gonzagão de Juazeiro, Bahia, Gonzagueanos de Petrolina e Juazeiro, Tropa Gonzaguiana, Belo Jardim, Garanhuns, Gravatá,  e de Senhor do Bonfim já confirmaram presença.

Joquinha Gonzaga é o mais legítimo representante da arte de Luiz Gonzaga. A festa de aniversário de Luiz Gonzaga acontecerá entre os dias 15 e 17 de dezembro em Exu.

A feijoada nasceu da necessidade de um lugar para marcar o encontro dos fãs e admiradores de Luiz Gonzaga que chegam de todos os lugares do Brasil para festejar a data de aniversário de Luiz Gonzaga.

"Sempre estou contando histórias, músicas de meu tio, músicas minhas, dos meus colegas. Valorizo a tradição que representa o que existe de melhor na música brasileira. É o forró, o xote, o baião e é assim que eu faço sempre, não fujo disso. Eu procuro sempre conversar com o público que tem uma admiração à minha família, Luiz Gonzaga, Zé Gonzaga, Daniel Gonzaga, Gonzaguinha. Esse é o meu estilo musical, o encontro que faço para o povo", diz Joquinha.

João Januário Maciel-Joquinha Gonzaga, nasceu em 01 de abril de 1952. Joquinha nome artístico dado pelo Rei do Baião. Joquinha é filho de Muniz, segundo Luiz Gonzaga irmã que herdou o dom de rezar muito.

Joquinha aos 12 anos ganhou uma sanfona de oito baixos, pé de bode viajou o Nordeste ao lado de Luiz Gonzaga. Ganhou gosto pelo instrumento e hoje é puxador de Sanfona, 120 baixos.


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