RIO PAJEÚ. O RIO FEITICEIRO, CULTURA DOS LUGARES DO SERTÃO

Pelas correntezas da música de Zé Dantas na voz de Luiz Gonzaga "Riacho do Navio", o Rio Pajeú é citado como a maior bacia hidrográfica do Estado. É na Serra da Balança, no município de Brejinho, próximo à divisa entre os estados da Paraíba e Pernambuco, que o famoso rio nasce, e sai desbravando o Sertão por suas passagens por várias cidades, a exemplo de Itapetim, Tuparetama, São José do Egito, Ingazeira e mais. A fluidez do rio também pauta a cultura dos lugares, e a sua importância virou tema de documentário.

“O Rio Feiticeiro”, produzido pela Luni e com direção de Alexandre Alencar, que assina também o roteiro ao lado e Aquiles Lopes e Lula Queiroga, retrata a variedade cultural que floresceu às margens do rio. "O Pajeú é um rio que nem sempre tem água, mas demarca uma região fundamental para a cultura de Pernambuco e do Nordeste. A presença dele é maior que o próprio manancial. A ideia surgiu da vivência e de várias incursões que fizemos pelo Sertão do Pajeú. Em 2016, o Canal Curta! abriu chamada pública para novos projetos, então convidamos Antônio Marinho, que é poeta do Pajeú, para esse trabalho. Estruturamos juntos uma pesquisa de localidades e personagens", conta Aquiles.

Segundo Alexandre, a produção audiovisual ganha molde a partir do desenvolvimento do projeto. "Documentário é uma obra aberta. Por mais que você tenha uma linha traçada, sempre vai depender do que encontrar ao longo da produção. Fomos percorrendo e encontrando cada detalhe. O rio é visivelmente presente na mente das pessoas. Algo que transcende a importância básica do rio. Ele inspira e encanta a todos", enfatizou.

O documentário, que teve como propósito realizar o trajeto físico do Pajeú, indo da nascente, em Brejinho, ao encontro com São Francisco, em Floresta, contou com 30 personagens do ramo cultural, percorrendo 14 cidades pernambucanas. Um dos personagens e também fio condutor da narrativa, o poeta Antônio Marinho, apresenta aos espectadores, de forma intimista, a história do que corta o Sertão de Pernambuco: "A poesia do Pajeú sempre é bem recepcionada em qualquer linguagem colocada ao público. O Pajeú está vivendo um momento mágico das expressões culturais. Sem dúvidas, o documentário é mais um olhar para poesia do Pajeú".

Existe, no semiárido de Pernambuco, um rio que nem sempre tem água, mas que mesmo assim é fundamental para a vida e a cultura sertanejas. Ao longo de suas margens vivem, há muitas gerações, centenas de poetas e artistas populares – criando um bioma cultural único. Um povo que mantém caudalosa a palavra como principal fonte inspiradora. Um lugar onde a poesia é tão forte que é ensinada em salas de aula e declamada durante as missas.

O documentário “O Rio Feiticeiro” percorre as 12 cidades dos 353 km ao longo do curso, encontrando as memórias afetiva, oral e textual dos artistas e revelando as novas gerações que bebem dessa fonte, perpetuando a tradição. O documentário é dirigido por Alexandre Alencar, um dos mais experientes e atuantes realizadores de Pernambuco. “O Rio Feiticeiro” tem como apresentador o jovem poeta Antônio Marinho, herdeiro legítimo das tradições poéticas da região do Pajeú, neto de Lourival Batista e filho de Zeto e Bia, todos autores referenciais para a poesia popular sertaneja.

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