REGRAS ELEITORAIS COMEÇAM A VALE NESTE SÁBADO

As principais proibições previstas na legislação eleitoral para evitar o uso da máquina pública durante a campanha eleitoral entram em vigor neste sábado (4). O início das restrições começa a valer três meses antes do primeiro turno, marcado para 4 de outubro. 

Durante o chamado período de defeso eleitoral, candidatos estão proibidos de comparecer a inaugurações de obras públicas. Além disso, sites governamentais devem retirar conteúdos que mencionem candidatos. Somente conteúdos de utilidade pública poderão ser mantidos. 

Conforme as regras eleitorais, as páginas oficiais de órgãos dos governos federal e estadual devem retirar do ar nomes, símbolos e imagens que possam identificar políticos ou seu trabalho na administração pública, ainda que a publicação tenha sido realizada em momento posterior ao dia 4 de julho. 

Está proibida a realização de publicidade institucional de obras, serviços e campanhas de órgãos públicos. A contratação de shows artísticos com recursos públicos também está proibida. 

Os pronunciamentos em cadeia de rádio e televisão estão vetados, mas poderão ser liberados previamente pela Justiça Eleitoral em casos de emergência.

As vedações estão previstas na Lei 9.504 de 1997, a chamada Lei das Eleições, e resoluções do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Contratações 

Agentes públicos estão proibidos de nomear funcionários públicos, dispensar sem justa causa, exonerar, retirar vantagens, transferir, dificultar ou impedir o exercício funcional dos servidores públicos. 


As contratações e demissões só poderão ser realizadas nos casos de nomeação ou exoneração de cargos em comissão, dispensa de funções de confiança ou para garantir o funcionamento de serviços públicos essenciais. 


Estão excluídas da proibição as nomeações para os cargos do Judiciário, Ministério Público, dos tribunais de contas e órgãos da Presidência da República. 


Os aprovados em concursos públicos só poderão ser nomeados se o certame tiver sido homologado até 4 de julho.


Recursos

Agentes públicos também não poderão fazer transferências voluntárias de recursos do governo federal aos estados e municípios e dos estados aos municípios. Os repasses só estarão liberados nos casos de execução de obras pré-existentes ou calamidade pública.


Convenções 

A partir deste domingo (5), está autorizada propaganda interna dos pré-candidatos às convenções partidárias, que poderão começar em 20 de julho. O uso de propaganda externa no rádio, TV ou outdoor está proibida. 


Para concorrer às vagas das eleições de outubro, os candidatos precisam ter seus nomes aprovados pelos partidos. A escolha é realizada por meio das convenções. 


Eleições

O primeiro turno será realizado no dia 4 de outubro, quando serão eleitos, deputados federais, estaduais, distritais, governadores, senadores e o presidente da República. O segundo turno está marcado para o dia 25, caso seja necessário.

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FESTIVAL JUÁ LITERÁRIA ACONTECE EM JUAZEIRO BAHIA ENTRE OS DIAS 20 A 25 DE JULHO

Entre os dias 20 e 25 de julho, Juazeiro será palco da segunda edição do Festival Juá Literária, realizado pela Prefeitura Municipal, por meio da Secretaria de Educação (Seduc). Com uma programação gratuita e diversificada, o evento tem como objetivo fortalecer a formação leitora, artística e cultural no município, reunindo apresentações musicais e poéticas, mesas de debate, bate-papos, contações de histórias, oficinas, atividades infantis e lançamentos de livros.

Entre as atrações mais aguardadas desta edição está O Teatro Mágico, projeto artístico idealizado por Fernando Anitelli que há mais de duas décadas encanta o público ao unir música, poesia, artes cênicas e elementos circenses em espetáculos marcados pela sensibilidade, reflexão e interação com a plateia.

No Juá Literária, o grupo apresentará o show de lançamento do álbum A Corda Bamba no Pescoço, trazendo ao público toda a força poética e a identidade artística que transformaram O Teatro Mágico em um dos projetos mais singulares da música brasileira contemporânea. A apresentação acontecerá na quinta-feira (23), às 19h30, no Espaço Canções do Rio, na Orla Nova.

Outro nome de destaque é o da cantora Sarah Leandro, natural de Bodocó, no Sertão do Araripe pernambucano. Filha dos músicos e compositores Cissa Leandro e Flávio Leandro, a artista construiu sua trajetória inspirada nas raízes da música nordestina e do forró, sendo formada em Canto Popular pelo Conservatório Pernambucano de Música.

Em 2025, Sarah lançou seu primeiro álbum solo, Sarah Leandro e o Forró de Bodocó, trabalho que traduz suas vivências sertanejas e sua profunda conexão com a cultura popular nordestina. Desde então, vem percorrendo o Nordeste com apresentações em importantes festivais e eventos culturais. A artista fará a abertura musical do festival no dia 20 de julho, às 18h30, na Tenda das Palavras, instalada na Arena do Centro de Cultura João Gilberto.

Na literatura, um dos grandes destaques é a escritora Emília Nuñez, vencedora do Prêmio Jabuti 2023 na categoria Literatura Infantil com a obra Doçura. Escritora, palestrante e curadora, ela é considerada uma das principais vozes da literatura infantil contemporânea brasileira.

Autora de livros como A Menina da Cabeça Quadrada, Capaz e A Última Gota, Emília desenvolve narrativas que abordam temas como infância, inclusão, diversidade, meio ambiente, leitura e o uso consciente das tecnologias, sempre com sensibilidade, criatividade e afeto.

Além desses convidados, o Festival Juá Literária contará com a participação de Adriana Calcanhotto, Oswaldo Montenegro, Marcelo Jeneci, Bárbara Carine, Aline Bei, Renato Braz, Bob Fernandes, Emiliano José, Juliana Linhares, Flaira Ferro, Jéssica Caitano, Lirinha, Bule Bule, Fabiano Piúba, Rodrigo França, Fátima Freire Dowbor, Luís Osete, Paulo Soares, Alexandre Leão, Danilo Ribeiro, Ricardo Ishmael, Fernanda Luz, Ivan Greg, Dubaia, Trio Matingueiros, Samba de Véio da Ilha do Rodeadouro, entre outros representantes da literatura, da música e da cultura popular brasileira.


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LEI PREVÊ RECUPERAR A VEGETAÇÃO DO BIOMA CAATINGA

Agora é lei: a Política Nacional para Recuperação da Vegetação da Caatinga, aprovada em maio de 2026 pelo Senado Federal, foi sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A Lei Nº 15.430, de 10 de junho de 2026, também cria o Programa Nacional para a Recuperação da Vegetação da Caatinga.

O principal objetivo da política é incentivar a recuperação das áreas degradadas do bioma, em consonância com o Plano de Ação Brasileiro de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca (PAB), que aponta o recaatingamento como uma das ações de destaque na convivência com o Semiárido.

Com a lei, o governo federal se compromete a:

Ampliar a produção sustentável de alimentos na região, contribuindo para a soberania e a segurança alimentar;

Contribuir para a garantia da segurança hídrica e da melhoria da qualidade e da disponibilidade da água; e Estimular a bioeconomia e o manejo florestal sustentável.

Dois dias antes, em 8 de junho, o Ministério do Meio Ambiente e Mudanças do Clima (MMA) lançou, por meio do Departamento de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca (DCDE), o Programa Recaatingar.

O foco do programa é recuperar 10 milhões de hectares de terras degradadas na Caatinga até 2045, utilizando a metodologia do recaatingamento, criada pela sociedade civil nordestina.

O público prioritário do Recaatingar é de agricultores e agricultoras familiares, assentados da reforma agrária, povos e comunidades tradicionais (incluindo fundo de pasto), povos indígenas e comunidades quilombolas.

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SANTANA, O CANTADOR, MANTÉM VIVA A HERANÇA DE LUIZ GONZAGA E DEFENDE O FORRÓ

Considerado um dos maiores intérpretes da música nordestina, Santanna, O Cantador, construiu uma trajetória de mais de 30 anos marcada pela valorização do forró tradicional e da cultura popular do Nordeste.

Natural de Juazeiro do Norte, no Ceará, o cantor e compositor conviveu com Luiz Gonzaga, o Rei do Baião, tornando-se um dos principais responsáveis por manter viva a musicalidade e os ensinamentos deixados pelo mestre.

Em entrevista à Rádio Folha FM 96,7, Santanna falou sobre sua relação com Luiz Gonzaga, a importância da cultura popular nordestina e os desafios para manter o forró tradicional em evidência nos festejos juninos.

“Nós temos uma festa e ela só se tornou grande desse jeito porque é diferente. Em lugar nenhum do mundo tem, só tem aqui”, afirma Santanna, O Cantador.

Em seus shows, Santanna costuma declamar poesias de renomados poetas populares, além de fazer questão de tocar o Hino de Pernambuco. Defensor da cultura nordestina, também levanta a bandeira da valorização dos artistas da terra e da preservação das tradições juninas.

 

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NEY VITAL SACODE O FORRÓ COM JORNALISMO

O Programa ‘Nas Asas da Asa Branca – Viva Luiz Gonzaga e seus Amigos’, apresentado aos domingos às 10h na Rádio Educadora do Cariri FM 102.1, no Crato (CE), recebeu uma Moção de Aplausos da Câmara de Vereadores. A homenagem, aprovada pelo Poder Legislativo, foi apresentada pelo vereador José Wilson da Silva Gomes (Wilson do Rosto) e aprovada por unanimidade.

A produção e apresentação do programa é do jornalista Ney Vital. O programa é pautado em músicas de Luiz Gonzaga, informações em defesa do meio ambiente, agroecologia (destacando a Floresta Nacional da Chapada do Araripe), a cultura da região do Cariri, seus cantadores de Pífano e violeiros.

Ney Vital, que atua há mais de 35 no jornalismo, agradeceu à Moção de Aplausos do presidente e aos demais vereadores.

Raiz cultural-‘Nas Asas da Asa Branca – Viva Luiz Gonzaga e seus Amigos’ segue uma trilogia amparada na cultura, cidadania e informação. Programa com roteiro usado para contar a história da música brasileira a partir da voz e sanfona de Luiz Gonzaga, seus amigos e seguidores.

“Fiquei surpreso e em dobro muito feliz. Moção de Aplausos para toda equipe da Rádio Educadora comandada pelo Padre Ricardo Pereira. A voz da Câmara Municipal representa a população do Crato e assim aumenta nosso compromisso com a vida e obra de Luiz Gonzaga, ética e condução do programa, visto que a Rádio Educadora vai completar 67 anos de serviços prestados à região do Cariri e ao Brasil“, afirmou Ney Vital.

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MARIA BETHANIA COMPLETA 80 ANOS

A presença de Maria Bethânia na música e na cultura brasileiras é marcante. Foi em 60 dos seus 80 de vida que a carreira da cantora se desenvolveu com grandes momentos, como quando saiu de Salvador, Bahia, para o Rio de Janeiro, enfrentar o desafio de substituir Nara Leão no Show do Opinião, em 1965.

O país estava sob a ditadura e o grupo do Teatro Arena de São Paulo se dispersou com a repressão da época. Foi quando a artista baiana subiu ao palco.

O dramaturgo Augusto Boal foi para o Rio e se integrou ao Centro Popular de Cultura da União Nacional de Estudantes (CPC da UNE) na intenção de criar um espetáculo em resposta à ditadura. Encontrou a resposta que desejava frequentando o restaurante Zicartola, um espaço político-cultural criado pelo compositor e cantor Cartola e pela esposa dele, Dona Zica.

No Zicartola, costumavam se reunir Zé Keti, Nara Leão e João do Vale, artistas do elenco original do Opinião, que estreou em dezembro de 1964. Entre as músicas estava Carcará, que marca a história de Maria Bethânia desde a estreia profissional da cantora..

Da jovem nascida Maria Bethânia Viana Telles Veloso, em 18 de junho de 1946, na cidade de Santo Amaro da Purificação, no recôncavo baiano, até os dias de hoje, foram muitas fases, sempre na busca do sentimento, de trazer as poesias, poemas e textos de grandes autores como Fernando Pessoa e Clarice Lispector, da preservação da cultura popular, do novo e de muita autonomia.

Três anos depois do Opinião, Bethânia já indicava que cabia a ela decidir o que queria cantar, se apresentando ao vivo na Boite Barroco, pequeno espaço musical em Copacabana. Fez a escolha do repertório com clássicos da MPB trazendo compositores como Noel Rosa, Tom Jobim, Torquato Neto, Gilberto Gil, Vinícius de Moraes, Assis Valente e Dorival Caymmi. Dali surgiu o disco Recital da Boite Barroco, até hoje aclamado.


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FESTAS JUNINAS: A ECONOMIA POR TRÁS DA FESTA, POR CARLOS FALCÃO

O São João não é apenas uma das maiores manifestações culturais da Bahia, mas também uma força econômica. A cada ano, a festa movimenta bilhões de reais, atrai milhões de visitantes e impulsiona setores estratégicos como turismo, comércio, agricultura, transporte e serviços. Mais do que tradição e entretenimento, os festejos juninos representam um poderoso motor de geração de renda, empregos e desenvolvimento para centenas de municípios baianos.

Em 2026, o governo do estado pretende destinar mais de R$ 146 milhões para apoiar a realização das festas em 282 municípios baianos. Os números impressionam. De acordo com estimativas do setor de turismo, o São João deve movimentar entre R$ 2,1 bilhões e R$ 2,5 bilhões na economia baiana este ano, consolidando-se como o segundo maior evento econômico do calendário festivo brasileiro, atrás apenas do Carnaval. Em 2025, cerca de 1,8 milhão de visitantes circularam pelo território baiano durante o período junino, injetando aproximadamente R$ 2,3 bilhões na economia estadual. A expectativa para 2026 é superar esses resultados.

O impacto é percebido principalmente no interior do estado. Cidades como Cruz das Almas, Amargosa, Santo Antônio de Jesus, Senhor do Bonfim, Ibicuí, Irecê, Jequié e Serrinha recebem milhares de visitantes, registrando altas taxas de ocupação hoteleira e forte crescimento no consumo local. Restaurantes, bares, pousadas, supermercados, postos de combustíveis e pequenos comerciantes experimentam um aumento significativo no faturamento durante o período.

Outro aspecto relevante é a geração de empregos. Os festejos criam milhares de vagas temporárias para músicos, técnicos de som e iluminação, montadores de estruturas, seguranças, ambulantes, motoristas, garçons, profissionais da limpeza e trabalhadores do setor de turismo. Para muitas famílias, a renda obtida em junho representa um importante complemento financeiro para os meses seguintes. A União dos Municípios da Bahia destaca que os festejos aquecem setores como comércio, agricultura, turismo e serviços, ampliando a arrecadação municipal e fortalecendo a economia local.

A agricultura familiar também é beneficiada. O aumento da demanda por milho, amendoim, mandioca, licores, frutas e outros produtos típicos impulsiona a produção rural, fortalecendo pequenos produtores e cooperativas espalhados pelo interior baiano. Trata-se de uma cadeia econômica que conecta o campo às cidades, distribuindo renda de forma descentralizada.

O São João é muito mais do que uma celebração tradicional, mas também um importante motor da economia baiana, que transforma cultura em desenvolvimento, criando oportunidades, ampliando a arrecadação dos municípios e contribuindo diretamente para o crescimento econômico da Bahia.


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MESTRE VITALINO RECEBE TÍTULO DE DOUTOR HONORIS CAUSA EM MEMÓRIA DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO

A Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) realiza, nesta sexta-feira (26), a cerimônia de outorga do título de Doutor Honoris Causa in memoriam ao Mestre Vitalino, um dos maiores nomes da arte popular brasileira. A solenidade ocorre no Auditório do Núcleo de Ciências da Vida (NCV), no Centro Acadêmico do Agreste (CAA), em Caruaru, às 15h, e será presidida pelo reitor Alfredo Gomes e pelo vice-reitor Moacyr Araújo.

A homenagem reconhece a relevância de Vitalino Pereira dos Santos (1909–1963) para a cultura popular nordestina. Natural de Caruaru, o artista destacou-se pela produção de esculturas em barro que retratam o cotidiano, o folclore e os costumes do Agreste de Pernambuco, alcançando projeção internacional. Seu trabalho tornou-se símbolo da arte popular e referência para gerações de artesãos.

A proposta de concessão do título partiu do Núcleo de Formação Docente do CAA e foi aprovada pelo Conselho Universitário (Consuni) em dezembro de 2025. O legado de Mestre Vitalino permanece vivo em acervos como o do Alto do Moura, em Caruaru, além de museus no Recife e no Rio de Janeiro, onde suas obras seguem sendo apreciadas como expressão autêntica da cultura brasileira.


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RÁDIO NACIONAL 90 ANOS

 Em um Brasil onde a maioria da população era analfabeta e o rádio era tanto uma promessa de falar com as massas como uma tecnologia para poucos, uma emissora nasceu com a pretensão de “representar” o país. A Rádio Nacional, que faz 90 anos em 2026, despontou desde os primeiros anos com uma programação considerada inovadora e ambiciosa.

Criada pela Companhia Estrada de Ferro São Paulo-Rio Grande e instalada no primeiro arranha-céu do Rio de Janeiro - o Edifício A Noite -, a Nacional deu seus primeiros passos apostando em formatos que eram novidade no Brasil.

Antes mesmo de ser estatizada pelo governo Getúlio Vargas e viver seu ápice, a rádio já tinha conquistado um lugar na história da comunicação.

Na série especial 90 anos em 90 histórias, a Nacional conta sua própria história com edições diárias até o dia 12 de setembro, aniversário da rádio. Todos os episódios são publicados na Radioagência Nacional. O resumo de cada semana vai ao ar na Agência Brasil.

Na época em que a emissora foi criada, outras rádios já existiam no país. O potencial de público era enorme, diante da limitação dos jornais impressos, como explica o professor da Universidade Federal Fluminense (UFF), João Batista de Abreu.

"O censo de 1940 indicava que o Brasil tinha em torno de 45 milhões de habitantes. Desses, 56% dos adultos eram analfabetos. Imagina o que isso significa em termos de abertura de informação. O primeiro veículo de comunicação popular, de massa, a falar para o analfabeto foi o rádio".

Por outro lado, segundo o professor da UFF, o aparelho era pouco acessível. Nessa época, um receptor de rádio tinha o tamanho de uma geladeira e custava o equivalente a R$ 8 mil em valores de hoje.

O primeiro episódio se aprofunda no contexto em que a Rádio Nacional nasceu, e a quarta edição fala da Segunda Guerra Mundial e do governo Getúlio Vargas:

Sede icônica- Nacional foi instalada em um símbolo modernista: o Edifício A Noite, casa da emissora por mais de 70 anos.

“É um marco na arquitetura brasileira, uma mudança nos parâmetros dessa arquitetura. Começa a transformar a cidade colonial portuguesa e 'afrancesada' por Pereira Passos em uma cidade americana, dos grandes arranha-céus", explica Alberto Taveira, arquiteto do Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac).

Hoje o edifício é tombado e reconhecido como patrimônio histórico e cultural pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). O segundo episódio conta melhor essa história:

Foi com as primeiras notas de Luar do Sertão, às 21h, que a PRE-8, Rádio Nacional do Rio de Janeiro, fez a primeira transmissão. E a voz inaugural foi a de Celso Guimarães, primeiro diretor de broadcasting da emissora: “Alô, alô, Brasil! Aqui fala a Rádio Nacional do Rio de Janeiro!”. 

Fora do ar, o evento de lançamento contou com ministros de Estado, embaixadores, parlamentares e membros da elite financeira da então capital federal.

"Foi fantástico, havia um avião divulgando uma grande festa pela cidade. A Rádio Nacional surgiu com pompa e circunstância", lembra Cristiano Menezes, ex-diretor da emissora.

Voltando às ondas do rádio, também teve discurso do presidente do Senado e até mesmo uma bênção direto do Palácio São Joaquim – a primeira transmissão externa da Nacional. Os detalhes estão no terceiro episódio:

Alcance nacional Quando foi criada, a Rádio Nacional contava com a concorrência de emissoras já populares, como a Mayrink Veiga. Mas o objetivo do grupo A Noite era ainda mais ambicioso: ultrapassar os limites do estado, como fala Lia Calabre, pesquisadora da Universidade Federal Fluminense e da Fundação Casa de Rui Barbosa, no quinto episódio da série.

"A Rádio Nacional vai ampliando a sua potência. Ela já começa, para as rádios do momento, com uma potência significativa, com uma pretensão de alcançar para além dos limites do estado, para que em alguns horários ela possa ser ouvida em boa parte do país, mas não todo. Mas o alcance realmente do conjunto do país, para além das fronteiras, para a Amazônia, para o Mato Grosso, ele vai se dar, efetivamente, com as ondas curtas e aí, sim, a rádio já estatizada. Mas havia, desde o nascimento, com o grupo privado que a criou, uma ideia e um desejo de ter uma rádio de alcance nacional."

Inovações no rádio-No início, a emissora tinha uma estrutura mínima: duas seções, uma artística e uma administrativa, e menos de 30 pessoas dividindo funções que hoje seriam de equipes inteiras. A programação era fragmentada, com espaços de 15 minutos para cada profissional.

Quem conta bem sobre este período é um dos nomes mais importantes da história da Rádio Nacional: Henrique Foréis Domingues, conhecido como Almirante.

"O primeiro contrato sério que eu tive foi na Rádio Nacional, em 1938. Não se fazia, não se usava muitos artistas. O artista era eu só. Eu só é que falava, eu que cantava, eu que fazia vozes. Eu fazia as vozes de homem, de mulher, de velho, de velha, de bêbado, de alemão, tudo isso."

Com a chegada de Almirante, a Nacional começa a mudar completamente a forma com que se fazia rádio. Ele foi um dos responsáveis por criar o conceito de “programa montado”, planejado e com novos formatos e participações novas a cada edição.

O repertório musical também fez história. O maestro Radamés Gnattali experimentou novas formações num tempo em que somente metade dos cantores interpretava música brasileira, como conta o professor e compositor Henrique Cazes.

"A equipe toda era muito bem preparada, era muito bem aparelhada. Isso é que fez com que tivesse um alto padrão profissional, isso que fez com que possibilitasse a experiência. O Radamés sempre andando um pouco à frente, né? E o Radamés, ele adere um pouco ao modelo de harmonização e de menos enfeite no arranjo que depois se consagraria na Bossa Nova e, principalmente, na MPB."


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INFELIZMENTE FESTA DE SÃO JOAO VIROU FESTIVAL DE MÚSICA QUALQUER, DIZ MACIEL MELO

 Maciel Melo vê ‘escanteio’ do forró no São João de Campina e Caruaru e defende “cada um no seu quadradoMaciel Melo confessou certo desânimo e desabafou: “Estou cansando de falar (...) Mas temos que brigar por nosso espaço, acho que isso passa, pode demorar. O São João é festa nossa, é tradição nossa. O turista que vem pra cá em junho ele vem para ouvir nossas tradições, nossa existência, culinária, dança, e folclore”, contextualizou.

Autor de grandes sucessos do forró, o cantor e compositor Maciel Melo criticou, na noite desta segunda-feira (8), o que chamou de “escanteamento” do gênero na programação das principais festas juninas do Nordeste, principalmente em Campina Grande e Caruaru, cujos eventos - para ele - viraram um “festival de música qualquer”. “Não sou contra gênero nenhum, mas cada qual no seu quadrado”, exclamou o artista, durante entrevista ao programa ‘Hora H’, da TV Norte Paraíba.

Conhecido pela canção “Caboclo Sonhador”, entre outras mais de 500 músicas, Maciel atribuiu a distorção aos gestores públicos. “Vocês estão acabando com nossas tradições”, bradou, em conversa com o jornalista Heron Cid.

Ele lembrou que o período junino é um espaço para a sonoridade do forró. “O cara vem aqui no meu terreiro, entra na minha casa, me bota pra fora e toma conta”, protestou o músico pernambucano, natural de Igaracy, no Vale do Pajeú.

Maciel Melo confessou certo desânimo e desabafou: “Estou cansando de falar (...) Mas temos que brigar por nosso espaço, acho que isso passa, pode demorar. O São João é festa nossa, é tradição nossa. O turista que vem pra cá em junho ele vem para ouvir nossas tradições, nossa existência, culinária, dança, e folclore”, contextualizou.

Na opinião de Maciel, cabe as gestões públicas o papel de selecionar as atrações e priorizar as bandas e artistas com identidade com a festa. “Tudo bem, vamos trazer outras pessoas, mas vamos dar prioridade os artistas que tem compromisso com nossa cultura e a festa em si, quem mantém essa cultura viva são os que moram aqui. Se eu for embora, Petrúcio amorim, Flávio José, quem vai manter essa tradição? Como diz Patativa do Assaré: cante lá que eu canto cá”, reforçou.

“Virou um festival de música qualquer (Campina Grande e Caruaru). O forró fica por último e estão dando prioridade a outros gêneros que não tem nada a ver com nosso São João e com a essência”, criticou Maciel Melo, referindo-se as duas principais festas da época no Nordeste.

“A consequência disso será que uma criança dessa daqui a 20 anos não saber quem foi Luiz Gonzaga, Dominguinhos, Marinês, não saber o que é o forró, não saber o que é nossa identidade. Dorgival falou sobre isso. Isso deve ser ensinado mesmo nas escolas”, enfatizou. 

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CONFIRA LISTA DE ESPÉCIES DA FAUNA AMEÇADAS DE EXTINÇÃO

A Lista Nacional Oficial de Espécies da Fauna Ameaçadas de Extinção passou por atualização após avaliações do estado de conservação conduzidas pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

Foram incluídas 180 espécies ou subespécies, como a arara-azul-grande (Anodorhynchus hyacinthinus), reclassificada como Vulnerável (VU), o bugio-preto (Alouatta caraya) e o tamanduaí (Cyclopes rufus). Outras 150 espécies foram retiradas da lista.

O novo documento reúne a Lista Nacional de Espécies da Fauna Ameaçadas de Extinção, com 790 espécies ou subespécies; além da Lista Nacional Oficial de Espécies de Fauna Extintas, com nove espécies.

O levantamento inclui mamíferos, aves, répteis, anfíbios e invertebrados terrestres, que foram classificados como Vulneráveis (VU), Em Perigo (EN), Criticamente em Perigo (CR), Possivelmente Extintas (CR-PE) e Extinta na Natureza (EW).

Os peixes e invertebrados aquáticos são classificados em outra lista também atualizada neste ano e divulgada no mês de abril.

A maior parte das espécies listadas são invertebrados terrestres, com 264 espécies ou subespécies ameaçadas de extinção. Há ainda 242 aves, 123 réoteis, 102 mamíferos e 59 anfíbios.

Das nove espécies presentes na Lista Nacional Oficial de Espécies da Fauna Extintas, seis são aves, duas são anfíbios e há um mamífero: o roedor de Vespucci (Noronhomys vespuccii), que ocorria em Fernando de Noronha.

Proteção da biodiversidade-De acordo com o ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, a lista é um dos instrumentos mais importantes para a proteção da biodiversidade brasileira.

“A lista reconhece, perante a nossa sociedade e o mundo, a situação das espécies brasileiras e também abre caminho para a construção de planos de recuperação e de conservação", afirma Capobianco.

O documento substituiu a última versão publicada em 2022 e resulta de um esforço conjunto com comunidade científica e organizações da sociedade civil.

“Poucos países no mundo têm a capacidade de avaliar sua biodiversidade na escala que o Brasil faz hoje”, reforça o presidente do ICMBio, Mauro Pires.

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EXU TERRA DE LUIZ GONZAGA E O PERÍODO JUNINO

No mês de junho de 2026, a jornalista Gabriela Castello Buarque/Folha de Pernambuco visitou Exu Pernambuco. A jornalista revela que a cidade de Exu, no Sertão de Pernambuco, terra do Rei do Baião, Luiz Gonzaga, mantém uma tradição secular de celebrar São João Batista de forma familiar e com muita devoção. 

Principal símbolo de resistência dessa tradição, a igreja de São João Batista, na Fazenda Araripe, Zona Rural de Exu, onde o Rei do Baião cresceu, é o epicentro de tudo. “A fé em São João Batista é o que traz as pessoas para celebrarem. E essa fé se juntou à música, que vem da raiz de seu Januário, pai de Luiz Gonzaga, que é muito forte para nós”, explica a administradora e pesquisadora da história de Exu, Maria Carlina Alencar, que reside no vilarejo desde a infância. 

As celebrações têm início no novenário dedicado ao santo, que começa no dia 14 de junho, com missa e o hasteamento da bandeira de São João Batista. Depois do novenário, além da quermesse, o forró é tradição. 

“Antigamente era o tradicional samba de latada (ritmo que passeia entre o forró e o samba), que acontecia todas as noites após a novena, depois veio o forró. Também era muito forte antigamente amanhecer o dia com os pífanos tocando na alvorada, era a coisa mais linda. Era bem mais simples, mas já era uma coisa muito significativa. Essa tradição sempre foi muito forte”, lembra Carlina. 

De acordo com a pesquisadora, foi depois de Januário José dos Santos, mais conhecido como Mestre Januário, sanfoneiro de oito baixos e pai de Luiz Gonzaga, que tocava nos sambas de latada, que o São João começou a ter outra característica.

"Foi assim que juntou a fé com a questão da música, que vem dessa raiz de Januário e que é muito forte para nós. Depois, Luiz Gonzaga foi crescendo, como adolescente também tocava, e assim o Araripe começou a ter toda essa festividade, não só religiosa como profana", relata Carlina.

Carlina afirma também que, conforme suas pesquisas, é possível que a estética do São João, como conhecemos hoje com fogueiras, fogos, zabumbas,  triângulo, sanfona, tenha nascido no Araripe. "É preciso  mais pesquisas, mas tudo indica que o São João, com a festividade dançante e todos esse elementos, nasceu aqui, no Araripe e foi transmitida por Luiz Gonzaga para o mundo todo", declara a administradora.

Gonzagão fazia questão de honrar suas vivências no Araripe e o amor que ele tinha por São João Batista em suas músicas:

"Falando de São João, se pensa em Luiz Gonzaga. Quando se tornou o Rei do Baião ele deu uma entrevista para o Globo Repórter, na igreja de São João Batista, e disse: 'todas as músicas juninas que eu componho, é lembrando daqui. São João Batista é o santo que me intuiu a ser o artista que sou'", completa a pesquisadora. 

Januário, também conhecido como o maior sanfoneiro da região do Sertão do Araripe, era devoto de São João e tinha como obrigação pessoal fazer uma fogueira com quase dois metros de altura quando morava no Povoado do Araripe. 

“Ele não admitia, mesmo velhinho e com os passos já curtos, que ninguém acendesse a sua fogueira. Colocava uma cadeira perto e ficava apreciando. Ali ele fazia também suas preces. Segundo a tradição, a fogueira de São João tem um poder tão forte que nos dá o direito até de escolhermos alguém como padrinho e madrinha”, conta João Batista Januário, vaqueiro e poeta, conhecido como João Gonzaga, filho adotivo de Januário. 

Adotado com três dias de nascido por Januário e a sua segunda esposa, Maria Raimunda de Jesus, João ressalta que a convivência com o pai foi de extrema importância para que ele mantivesse a tradição de São João da família, de não ser só uma festa dançante, mas uma celebração onde a espiritualidade está sempre presente.

“Sempre foi um legado de ‘matuto’ e até hoje essa tradição continua aqui no Exu. O primeiro café do dia após a fogueira tinha que ser passado nas brasas, para consagrar a festa e ter as bençãos de São João", completa João.

Um misticismo que, segundo o irmão e padrinho de batismo de Luiz Gonzaga, utilizava bastante em suas composições ao falar do Sertão. “Gostaria muito que o universo entendesse que São João é Luiz Gonzaga e Luiz Gonzaga é o próprio São João, porque até fazer prece nas suas músicas ele fazia, como em São João do Carneirinho”, afirma. 

“Ai São João, São João do Carneirinho

Você é tão bonzinho

Fale com São José, fale lá com São José

Peça pra ele me ajudar

Peça pra meu milho dá

20 espiga em cada pé”.

Durante o período junino, os moradores da área urbana costumam ir para os sítios e chácaras de famíliares na Zona Rural, que fazem as fogueiras e esperam os parentes que vem de fora. Na mesa, não podem faltar os tradicionais bolo de milho, pamonha e canjica. 

“A gente faz aquela festa na beira da fogueira, com bastante forró. Geralmente, o sanfoneiro já é alguém da família ou algum amigo da região. A maioria aqui já tem uma base”, comenta a diretora do Bordados em Cantos de Exu, Socorro Duarte.

O cantor e sanfoneiro Joquinha Gonzaga, sobrinho e sanfoneiro do Rei do Baião até a sua morte, assumiu a missão de levar adiante a tradição da família Gonzaga, inclusive da sanfona de oito baixos que sempre foi o símbolo da família.

“Começou com o meu avô Januário, que consertava sanfonas e era o maior sanfoneiro do Sertão. Ele passou esse conhecimento para a família, mas é uma sanfona que, infelizmente, está em extinção. Você não encontra mais tocador de oito baixos em qualquer lugar e, quando encontra, não tem espaço. Vejo muitos tocando oito baixos como eu, por admirar, pelo prazer, mas não vivendo da oito baixos”, lamenta o músico. 

Ainda segundo Joquinha, nas cidades onde o São João conta com grandes polos festivos, o forró tradicional tem perdido espaço. 

“O nosso São João está mudando, diria que piorando. O forró nunca cai, mas ele é injustiçado. Tem aparecido muitos artistas bons, mas infelizmente não estamos tendo espaço. Vão entrando outras pessoas no mercado da música, que julgam ter mais valor do que nós, e vão nos substituindo e assim transformando a nossa festa”, relatou o músico.

Cantor, compositor e instrumentista, Daniel Gonzaga, filho de Gonzaguinha e neto do Rei do Baião, corrobora o pensamento do primo Joquinha: "A invasão do espaço do São João e forró por artistas e público diferentes não é por acaso e não acontece organicamente. De certa forma, sim, porque é moldado pelo que o público quer ver nos festivais. Mas há muita coisa aí por trás. É preocupante sim, temo pelo nome da festa, de um dia não ser mais São João". 

Em relação ao fato de a tradição junina estar diretamente ligada à sua família, Daniel afirma que não acredita em uma "criação de um São João, porque isso vem de antes". Porém, concorda que a disseminação do arquétipo e imaginário da festa podem ser atribuídos aos seus parentes.

"O que eu entendo que aconteceu é que Luiz Gonzaga virou o próprio arquétipo do São João com seus discos juninos, que a gravadora colocava para sair sempre em época junina. Isso alimentou o imaginário desse São João que a gente vê. Então, esse arquétipo todo foi, sim, criado por imagens provenientes das músicas de Gonzaga", avalia o cantor.

Apaixonado pela terra do avô, Daniel conta que já ouviu muitas queixas em relação à celebração do ciclo junino na cidade.

"Já ouvi de pessoas coisas como: 'vim para o Exu achando que ia encontrar o maior São João do mundo. A cidade estava toda apagada e não tinha uma menção a São João, me frustrou muito'.  Na terra do Luiz Gonzaga não tem uma grande festa de São João, mas tem o início do arquétipo. Não é o poder público que leva para frente um arquétipo típico de festa junina como a gente conhece. É familiar, no sentido de haver festas em sítios e povoados", compartilha Daniel.

O instrumentista acredita que, mais cedo ou mais tarde, as novas gerações transformarão essa tradição. Uma vez que, passada para frente, "alguma coisa se transforma".

"É sempre uma dinâmica e é para ser assim, porque se a festa ficar parada no passado ela morre. O Exu sempre foi mais ou menos do jeitinho que ele é, um lugar muito duro, em que as tradições são feitas na rua e de uma forma popular. Eu nunca fui a uma festa junina no Exu, mas vejo a cultura popular acontecer na rua, com bandas de pífano, com o forró, e isso é bom porque percebemos a cultura quando ela acontece na rua, principalmente a cultura popular", completa o compositor.

De acordo com a secretária de cultura e turismo de Exu, Isa Apolinário, o objetivo da gestão do município é perpetuar as raízes e investir para que as tradições do povo não se percam em meio às modernidades.

“Procuramos sempre fortalecer o São João raiz, esse que quase não existe mais em lugar nenhum do mundo. Então aqui, a tradição é essa: cada casa faz sua fogueira, comemora com sua família, tanto na cidade quanto na zona rural, mas isso ocorre mais na Zona Rural. O nosso turismo e a nossa cultura é mais rural, então buscamos fortalecer isso”, explica a secretária.

A secretária de cultura e turismo de Exu, Isa Apolinário. Foto: Felipe Ribeiro/Folha de Pernambuco.

Com o objetivo de fortificar e divulgar as tradições e os costumes locais, a secretária desenvolveu um projeto de turismo de base comunitária com imersão cultural em diversas áreas e temas, como música, bordado, trabalho social, manejo do couro, culinária local e, é claro, o São João.  

“Nós oferecemos aos turistas que vem para Exu uma imersão cultural nas nossas comunidades, como o povoado do Araripe, para que possamos dar essa continuidade. Porque era isso que Luiz Gonzaga queria, era isso que ele gostava e é isso que os nossos visitantes também querem ver. E é fantástico, porque é divertido e gostoso, estar sentado com a sua família, com seus amigos, ao redor de uma fogueira, comendo, conversando”, detalha Isa.

Apesar de ter uma festa dimensionalmente pequena, mais íntima e tranquila, durante o São João, Exu não economiza quando o assunto é celebrar o Rei do Baião. 

No dia 2 de agosto, data que marca o aniversário de morte de Luiz Gonzaga, é feriado municipal instituído pela Câmara Municipal do Exu. A tradicional "Festa da Saudade" acontece no icônico Parque Aza Branca, última residência do Gonzagão e local que abriga o museu e o mausoléu do Rei do Baião. A celebração costuma iniciar pela manhã, com uma missa solene, seguida por apresentações gratuitas de forró pé-de-serra e artistas regionais ao longo do dia.

Em meados de dezembro, Exu realiza anualmente o Festival Viva Gonzagão, para celebrar o nascimento de Luiz Gonzaga. A data coincide com o feriado municipal do Dia de Santa Luzia, celebrado no dia 13, e a festa geralmente dura entre três e quatro dias.

“Em dezembro reunimos tudo isso no Festival Viva Gonzagão, que foi uma festa criada pelo próprio Luiz Gonzaga. Era a festa de aniversário dele e se tornou um festival porque todo mundo, do município, da zona rural, dos distritos, cidades vizinhas, de toda a região do Araripe, vem para Exu e comemora junto”, relata a secretária. 

Segundo Isa Apolinário, o Festival Viva Gonzagão busca sempre reunir na grade de programação amigos famosos de Luiz Gonzaga, como Fagner, Gilberto Gil, Elba Ramalho e vários outros artistas, além dos familiares que seguem na luta para dar continuidade ao legado do Rei do Baião.

 “O sobrinho dele, Joquinha Gonzaga, abre o festival todos os anos. Agora, Daniel Gonzaga, que é filho de Gonzaguinha e neto de Luiz Gonzaga, também participa dessa luta. O festival é tudo para nós. É o nosso São João, Carnaval, festa da Páscoa, vaquejada, é tudo isso junto”, conclui.

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A VIDA ERA SÓ UM SIMPLES JEITO DE SER, POR MACIEL MELO

O sinal fechado e o silêncio assombrando a madrugada. Do lado direito, uma marquise com os vergalhões expostos, minando gotas de ferrugem, como se lacrimejasse sobre o abandono de alguns retalhos humanos estendidos na calçada de um velho armazém.

Descrevi essa imagem ao ver uma fotografia, há muito tempo atrás, estampada na folha de Pernambuco. Um jornal que resiste e insiste em existir na contramão da velocidade tecnológica, que avassala sobre o olhar analógico de leitores que como eu, precisa apalpar e sentir o cheiro do papel.

Pois bem, mais adiante, um mendigo tenta acender uma ponta de cigarro que apanhou no chão da porta de um botequim, fazendo concha com as mãos. Vira prum lado, vira pro outro, numa peleja infinda entre o vento e a vontade de fumar.

O sinal vai abrir; volto o olhar para a realidade e me revolto com as incongruências da vida. Uns com tanto, outros com tão pouco; mas tudo depende do jeito de quem vê̂ a vida. Eu a vejo todo dia, e todo dia me decepciono com um mundo cada vez mais desumano, mais nocivo e mais demente com as coisas do coração.

Quando eu vejo a plebe rastejar sobre as vicissitudes causadas pela opressão, enquanto seus algozes multiplicam a miséria para chegarem ao poder, me dá́ um nó na garganta e engulo o choro para não engasgar a voz que afinei para cantar aquela canção que ainda não fiz.

O sinal abriu, sigo o trajeto que tracei na hora da saída, com destino à Rua da Hora. Lá, qualquer hora é hora de chegar; lá, somos Reis e Rainhas; lá́, não existe solidão; lá́, o garçom é meu amigo, e a menina da mesa ao lado me faz um aceno, me sorri, e diz que leu um texto onde eu afirmava que a vida era só́ um simples jeito de ser.

MACIEL MELO *Cantor e compositor

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PETRUCIO AMORIM E O DESABAFO: ESTÃO TIRANDO OS FORROZEIROS DOS PALCOS

 O cantor pernambucano fez um desabafo durante o show de sábado (20), no polo do Alto do Moura, em Caruaru, no Agreste pernambucano. Registros da declaração têm repercutido nas redes sociais.

O compositor pernambucano, nascido na cidade considerada a capital do forró, contou que tentaram retirá-lo da programação do palco e levar o show para a área rural do município.

“Estou muito triste, não era para eu estar aqui. Eles tinham me colocado lá na Zona Rural. Depois de muita conversa me trouxeram para cá”, revelou Petrúcio.

Ainda segundo ele, o show ficou marcado para o meio-dia, horário distante dos principais shows da programação.

Atualmente, aos 67 anos, o artista soma mais de 200 canções gravadas e mais de 15 trabalhos lançados entre LPs, CDs e DVDs. Entre os sucessos que ganharam o Brasil estão músicas como “Tareco e Mariola”, “Filho do Dono”, “Anjo Querubim” e tantas outras que se tornaram presença obrigatória no período junino.

Além do carinho do público, Petrúcio revelou que deve receber em breve um reconhecimento importante ao lado de Santanna, que lançou recentemente o projeto “Santanna, O Cantador canta Petrúcio Amorim”, reunindo interpretações de músicas compostas pelo pernambucano.

Segundo o artista, o trabalho já é considerado um sucesso e pode render uma premiação nacional ligada ao Prêmio da Música Brasileira, criado em 1987 pelo produtor Zé Maurício Machline e considerado uma das mais importantes premiações da música nacional.

“É um reconhecimento fenomenal. Tenho certeza de que esse trabalho terá um êxito muito grande”, afirmou.

Mesmo após 40 anos de carreira, Petrúcio diz viver uma das fases mais intensas da vida artística. Segundo ele, o período junino segue com agendas cada vez mais lotadas.

“Quando comecei, a gente fazia 10 ou 15 shows no São João. Hoje chegamos a fazer mais de 26 apresentações. Isso é uma alegria muito grande”, contou.

Ao final da entrevista, o cantor deixou uma mensagem de valorização da cultura nordestina e da tradição junina.

“Vamos manter acesa a chama da fogueira, da quadrilha, da canjica, do forró e da união. O São João é um presente da nossa cultura e precisa continuar vivo nas próximas gerações.”


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FAGNER VISITA EXPOSIÇÃO LUIZ GONZAGA 110 ANOS DO NASCIMENTO

 No último sábado (20), o cantor Raimundo Fagner visitou a exposição sobre o Rei do Baião, instalada no Parque Evaldo Cruz, em Campina Grande, Paraíba.

A mostra é inspirada na obra “Luiz Gonzaga 110 anos de nascimento”, do pesquisador Paulo Vanderley, e traz uma linha do tempo que passeia pela vida e obra de Luiz Gonzaga, apresentando as décadas musicais, álbuns e itens do acervo pessoal.

Fagner já gravou discos com Luiz Gonzaga, interpretando sucessos do mestre, e por anos nutriu uma grande amizade que ia além dos palcos e estúdios.

Em entrevistas, o cearense já destacou a conexão profissional e cultural com a obra e o legado deixado por “seu Lua”.

“Eu gravei com muita gente, muito artista, mas o trabalho com o Gonzaga tinha algo mais, uma coisa da região, mais nossa, do amor dele pelo Ceará também. Pelas nossas raízes. Tinha um pouco a mais nisso. E felizmente isso ficou registrado nos discos”, comentou.

Na sequência, o artista que cantou no Parque do Povo subiu ao palco principal, fazendo sua tradicional passagem de som. Ao reunir vários fãs em um só coro, Fagner abriu o repertório cantando “A Morte do Vaqueiro”, do Rei do Baião, reforçando o legado de Luiz Gonzaga para a música nordestina e para festas como o São João.


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ESTUDO APONTA QUE 85 PORCENTO DOS BRASILEIROS VÃO PARTICIPAR DE FESTAS JUNINAS

Pesquisa do Instituto Locomotiva sobre os festejos juninos apontou que 85% dos brasileiros maiores de 18 anos pretendem participar das comemorações de São João neste ano. O número é superior aos 81% de adultos interessados em ir a uma festa junina em 2025, mas próximo da margem de erro do levantamento, que é de 3%.

O estudo seguiu os parâmetros da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD/IBGE) e foi realizado entre 29 de abril e 6 de maio.

A pesquisa também investigou qual é o tipo de festa preferido do público. As festas juninas de rua e gratuitas lideram e foram mencionadas por 44% dos brasileiros. Os arraiais na casa de amigos ou familiares serão o destino de 39% dos entrevistados, enquanto as festas em igrejas ou quermesses são destino para 37%. Os entrevistados poderiam mencionar mais de um tipo de evento que pretendem participar. 

“Festa junina é uma das expressões mais bonitas de como o Brasil transforma cultura em encontro. A pesquisa mostra que essa celebração atravessa o país de jeitos diferentes, muda conforme a região, o território e a forma de viver de cada comunidade, mas preserva uma força comum: reunir pessoas em torno da tradição, da comida, da música e do pertencimento”, comentou Renato Meirelles, presidente do Instituto Locomotiva.

 Entre as regiões, a população do Nordeste aparece como a mais apaixonada pelo São João que acontece em eventos públicos. Cerca de 51% dos entrevistados pretendem ir a festas juninas de rua e gratuitas, o maior índice entre as regiões. No Sudeste, esse percentual chega a 44%, enquanto no Norte é de 43%. Já no Sul, a principal intenção é participar de festas na casa de amigos ou familiares, mencionada por 43%. No Centro-Oeste, as festas em igrejas ou quermesses aparecem como principal atividade, com 42%.



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DESERTIFICAÇÃO NO SEMIÁRIO É REFLEXO DO NOSSO MODO DE VIDA, DIZ CIENTISTA

Tão importante quanto a habilidade de explicar temas científicos com qualidade técnica, está a de fazê-lo com poesia. Para nossa sorte, o agrônomo e correspondente científico do Brasil junto à Convenção das Nações Unidas para o Combate da Desertificação (UNCCD) Aldrin Martin Pérez-Marín discorre sobre desertificação com essa exata maestria.

Dos aspectos geoecológicos às disputas geopolíticas, o assessor técnico do Instituto Nacional do Semiárido (Insa) explica de que maneira a estigmatização da Caatinga como uma terra inóspita, narrativa repetida em outras zonas áridas e semiáridas do globo, é responsável pela expansão da desertificação e das desigualdades socioeconômicas.

“A Caatinga tem uma dinâmica, uma dança da vida, que confunde aqueles que só enxergam beleza e abundância nas florestas na parte verde do Planeta”, reflete em entrevista exclusiva à Eco Nordeste. “É por isso que eu sempre digo: a Caatinga é verde de esperança. Porque ela lança luzes de esperança contra as mudanças climáticas”.

No Dia Mundial de Combate à Desertificação, celebrado neste 17 de junho, o pesquisador interliga a desertificação, a Caatinga, o El Niño e a crise climática ao modo de vida moderno que segue a lógica das commodities e do colonialismo. Confira:

Aldrin M. Pérez-Marín – A desertificação é um tema que se trata há muito tempo. Existe uma Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação, criada na Rio 92 a partir de um movimento histórico.

Aqui no Brasil, esse tema da degradação das terras semiáridas e áridas foi levantado pelo professor João de Vasconcelos Sobrinho, que foi pioneiro nos alertas sobre que no Nordeste brasileiro, o Sertão enfrentava problemas similares aos que se encontravam em outras partes africanas.

Essa convenção é um tratado internacional, do qual o Brasil é signatário, e ela traz diversos conceitos. Por exemplo, o que seria desertificação? Ela define que desertificação seria a degradação das terras, nas zonas áridas, semiáridas e sub-úmidas secas, resultante de vários fatores, incluindo as variações climáticas e reações humanas.

É um conceito que tem alguns complicadores. Primeiro porque ele diz que a desertificação só inclui zonas climáticas áridas, semiáridas e sub-úmidas secas. Elas são definidas em relação à quantidade de chuva que cai e a quantidade de chuva que se perde pela evaporação do solo e transpiração das plantas.

Quer dizer, a primeira análise que você pode trazer para isso é que em outras zonas climáticas não haveria desertificação, seria uma degradação ambiental, entende? E isso tem implicações profundas porque define, por exemplo, ações dos estados, dos países, do governo para agir.

Mas se você analisa a fundo, você pode dizer que a desertificação, neste contexto, nasce entre o clima e as nossas ações. Ou seja, o problema não é a terra, é o clima que muda e as pessoas que agem.

Em termos políticos, (a palavra) tem influência porque só se fica falando da degradação que ocorre no Semiárido brasileiro. E isso tem um problema crítico, porque se intensifica aquela visão sobre o Semiárido: de que o clima é responsável pela miséria e que a miséria gera subdesenvolvimento. Se intensifica esse processo de estigmatização da região.

A Caatinga e o Sertão sempre são vistos com um olhar que cria preconceito. Pegue a revista Veja de 1981 que na capa traz em letras fortes: “Tentando vencer a maldição do dinheiro perdido – Não é somente a seca que assusta o Nordeste, mas a imagem de região sem futuro, onde é inútil investir”.

E assim nasceu essa história de Mata Branca, Floresta Pobre, Terra Vazia. É porque, no imaginário, muitos enxergam beleza apenas nas florestas úmidas. Mas o que a Caatinga é? Ciclos.

Branca, cinza e verde. Quando ela está branca, ela indica paz e perspectiva. Quando ela está cinza, ele induz ao renascimento de uma riqueza desentendida, porque cinza é renascimento; e quando ela está verde, ela expressa a plenitude de uma floresta cheia de vida.

É uma dinâmica, uma dança da vida que confunde aqueles que só enxergam beleza e abundância nas florestas úmidas, nas florestas na parte verde do Planeta. É por isso que eu sempre digo: a Caatinga é verde de esperança. Porque ela lança luzes de esperança contra as mudanças climáticas.

CL – Em que sentido ela lança essa esperança?

APM – Ela vem demonstrando que sequestra carbono como nenhum outro bioma brasileiro, e se coloca como a segunda floresta seca que sequestra mais carbono; portanto, o clima global agradece.

E é por isso que essa narrativa (de miséria e inutilidade), que se estende pelas outras zonas áridas do Planeta, não se sustenta. Para você imaginar, as terras secas representam cerca de 47% do globo. Com as mudanças climáticas, você espera que essas áreas aumentem para 52%. O Brasil está em 12ª posição em termos de quantidade de área semiárida. (Agencia Eco Nordeste)


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RÁDIO NACIONAL NOVOS PORTAIS E MODERNIZA PRESENÇA DIGITAL

 A Empresa Brasil de Comunicação (EBC) lança nesta quarta-feira (17), às 12h, os novos portais das rádios Nacional e MEC. A iniciativa, parte das celebrações dos 90 anos da Rádio Nacional, comemorados em 12 de setembro, moderniza a presença digital das emissoras e oferece uma experiência de navegação mais intuitiva para o público, com melhorias em acessibilidade, desempenho e consumo de conteúdo em diferentes dispositivos.

Com a mudança, todas as informações das rádios Nacional e MEC passam a estar disponíveis em dois ambientes exclusivos: radionacional.ebc.com.br e radiomec.ebc.com.br.

O gerente de Transmídia e Portais da EBC, Daniel Roviriego, avalia que os novos sites representam um avanço importante na estratégia digital das rádios da EBC.

"Além de modernizarmos a experiência visual e a navegação, passamos a oferecer um player integrado que permite ao público continuar ouvindo a programação ao vivo ou sob demanda, enquanto acessa notícias, programas e outros conteúdos", explica.

"A inclusão de uma área dedicada a videocasts e a otimização para celulares e tablets acompanham as novas tendências de consumo de mídia e tornam nossos conteúdos mais acessíveis para diferentes públicos", completa.

Roviriego também lembra que mais novidades e melhorias serão implementadas no segundo semestre do ano e que todo o acervo construído ao longo dos anos no antigo site foi preservado e migrado para as novas plataformas.

Programas, notícias, reportagens e conteúdos históricos continuarão disponíveis, garantindo a manutenção da memória construída ao longo dos anos. Os portais contam, ainda, com páginas exclusivas para cada programa e uma central de podcasts.

A reformulação faz parte da estratégia da EBC de fortalecer a presença digital de seus veículos, ampliar o alcance das emissoras públicas e oferecer aos ouvintes uma experiência mais moderna, integrada e conectada às novas formas de consumo de conteúdo.

Sobre a Rádio Nacional-A marca faz parte da história do país e conta, atualmente, com oito emissoras próprias, em diferentes regiões do Brasil: Rádio Nacional do Rio de Janeiro, Rádio Nacional de São Paulo, Rádio Nacional de Brasília AM e FM, Rádio Nacional de Recife, Rádio Nacional de São Luís, Rádio Nacional da Amazônia e Rádio Nacional do Alto Solimões.

A Rádio Nacional foi fundada no Rio de Janeiro (RJ) pelo grupo do Jornal A Noite em 12 de setembro de 1936 com o prefixo PRE-8. Começou a ganhar força em 1940, quando foi incorporada à União e se firmou como fenômeno de expressão da cultura popular brasileira.

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17 DE JUNHO DIA MUNDIAL DE COMBATE À DESERTIFICAÇÃO

A preservação da Caatinga, bioma que ocupa grande parte do interior de Pernambuco, está no centro das estratégias do governo federal para conter o avanço da desertificação no Brasil. Com milhares de quilômetros quadrados do Semiárido já afetados pela degradação do solo, a aposta é combinar recuperação ambiental e apoio às comunidades que convivem com os efeitos da seca.

As iniciativas ganharam novo impulso com a retomada de políticas públicas voltadas ao tema, incluindo um plano nacional de combate à desertificação, a criação do Programa Recaatingar e uma nova legislação destinada à recuperação da vegetação nativa do bioma.

Neste 17 de junho, ocorre o Dia Mundial de Combate à Desertificação e à Seca, data criada pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1994 para alertar sobre os impactos da degradação dos solos e das mudanças climáticas. A desertificação é definida como um processo de degradação das terras em áreas áridas, semiáridas e subúmidas secas, provocado por fatores climáticos e pela ação humana, comprometendo a capacidade produtiva dos ecossistemas.

Segundo o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), o Brasil possui cerca de 1,5 milhão de quilômetros quadrados de áreas suscetíveis à desertificação, distribuídas em 1.649 municípios.

Em entrevista ao Diario de Pernambuco, o ministro do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, explicou que a maior parte dessas áreas está concentrada na Caatinga. “Nós temos no Brasil o que a gente chama de áreas suscetíveis à desertificação. Essas áreas são definidas pelo índice de aridez, que é estabelecido pela Convenção da ONU para o Combate à Desertificação (UNCCD).”

De acordo com o ministro, 57% das áreas suscetíveis à desertificação no país estão localizadas na Caatinga, seguida pelo Cerrado (26,7%), Pantanal (12,1%) e Mata Atlântica (4,2%).

A desertificação ocorre quando a perda de cobertura vegetal, o manejo inadequado dos recursos naturais e as condições climáticas adversas reduzem progressivamente a capacidade produtiva dos solos.

Segundo levantamento do Laboratório de Análise e Processamento de Imagens de Satélites (Lapis/UFAL), mais de 126 mil quilômetros quadrados do Semiárido brasileiro já apresentam processos de desertificação, o equivalente a 12,85% da região. A área é maior do que a de todo o estado de Pernambuco.


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A ULTIMA CARTA DO JORNALISTA E ESCRITOR RAIMUNDO CARRETO

 Ao longo dos últimos dois meses, Raimundo Carrero trouxe às páginas do Diario discussões sobre assuntos diversos que fervilham no mundo cultural brasileiro e pernambucano, sobretudo no universo da literatura.

O escritor, que faleceu na manhã desta terça-feira (16), aos 78 anos, em decorrência de um câncer, começou sua carreira do Diario, em 1969, como estagiário, e, mais de 30 anos depois, retornou ao jornal, passando a assinar uma coluna publicada semanalmente no caderno Viver.

Confira a seguir a última coluna publicada por Raimundo Carrero no Diario de Pernambuco, em 30 de maio de 2026.

Diálogos

-Vamos dormir, meu filho? Ouvia meu pai perguntar todas as noites, aí pelas 23h, convidando-me a apagar a luz no seu jeito sincero, leve, hábil, para não me incomodar. Deitado na rede, eu levantava o braço para chegar ao interruptor que balançava sobre meu peito, pendurado num fio branco que descia desde o teto. Ele sabia que eu estivera lendo, mas preferia não me incomodar, sugerindo a hora do sono. Dormíamos no mesmo quarto desde a morte da minha mãe, ele na cama e eu na rede, sempre ressonando alto de forma linear sem, no entanto, incomodar meu sono que permanecia em estado de vigília.

“Então eu me enfiava debaixo das cobertas e, com a luz de minha lanterna, como se estivesse em uma caverna, voltava a ler. Aquela camuflagem, em que a lanterna era um objeto salvador, transformava a leitura em uma aventura. Acrescentava a ela um caráter secreto e perigoso. Foi nessa posição de expedicionário, dissimulado sob minha tenda de lã, que li meus primeiros livros”.

Encontro nestes dois breves textos similitudes e diferenças básicas que me levam à análise do novo, atormentador e magnífico livro de José Castello, “Histórias Miseráveis” (Maralto Edições), que revela de forma leve e suave a aventura das primeiras leituras em lugares tão diversos e dispersos envolvendo duas crianças de caracteres definitivamente opostos e de comportamentos nada iguais, mas vivendo situações senão iguais, carregadas de sentido e de aproximação. Na verdade, chamo de diálogo esta técnica complexa da prosa contemporânea. 

São pais e filhos em lugares diferentes e distantes, mas já adivinhando entre si o caminho que leva à literatura de leitor, ou de criador, com uma lanterna na mão ou deitado numa rede esperando o sono do pai.O primeiro caso aconteceu comigo, aos 10 anos de idade; o segundo está no conto deste novo livro de Castello. Personagens silenciosos, sem uma palavra entre si. Que tipo de diálogo seria este, então? No meu livro “Os Segredos da Ficção”, catalogo cinco tipos de diálogo e aqui chego a mais este, a que chamo de diálogo sem resposta nas minhas anotações. Ismail Kadaré usa isso muito bem.

O que me interessa dizer é que desde as primeiras leituras, a literatura se apresenta como a vida, depois do primeiro golpe de ar, as cenas e os personagens vão surgindo, muitas vezes sem nenhum esforço. Os pais, tanto o de Castello quanto o meu, ocuparam lugares importantes e, daí em diante, muitos outros vão se jogando nas frases, nos parágrafos, nos capítulos, nos contos, nas novelas, nos romances, como disse Machado de Assis nos seus ensaios sobre a arte de escrever ficção: os enfeitiçados, cada um com seus caracteres, expondo suas personalidades, falando muito ou pouco. Aí o Bruxo de Cosme Velho citava o Hamlet, de Shakeaspeare, e a silenciosa Penélope de Ulisses, na “Odisseia”, de Homero.

O livro de contos de Castello é, na verdade, um romance de ótimos personagens desde aqueles pais que me referi no início. É contundente sem perder a elegância. Saboroso, sem deixar de ser dramático, não raro é trágico. Enfim, uma obra-prima.


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A BÍBLIA E O SEMIÁRIDO

“Tudo pela defesa do território.” Essa frase, que ecoa com força no Semiárido de hoje, serve também como um portal para compreender o passado. Ao olhar para os povos que habitaram as terras semiáridas descritas nos textos bíblicos, descobrimos muito mais do que relatos antigos: encontramos um espelho da nossa própria realidade. Aqueles povos criaram formas de captar água, desenvolveram o manejo de animais adaptados e, inspirados pelo clima quente e seco, transformaram a escassez em sabedoria. 

Os povos resistiram ao avanço de impérios e modelos opressores que tentavam apagar sua história e sua cultura. A partir dos fatos históricos dessas civilizações, observamos que a convivência com o clima só era possível graças à coletividade e a uma espiritualidade profunda, que alimentava a luta e servia como fonte de resistência. Um povo que luta, mas que também festeja, celebra a vida e se torna fonte de inspiração. Compreender a realidade de quem viveu naquela época é mergulhar em uma fonte que nos conecta diretamente com o Semiárido que vivemos hoje, provando que a mística da terra semiárida é atemporal. 

É fundamental compreender essa conexão e “beber da fonte” de outros tempos para fortalecer quem luta pelo território hoje. Afinal, a Bíblia nasceu em uma região de escassez hídrica em alguns períodos do ano, muito similar ao nosso Sertão.

Nossa caminhada deve muito às Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), pioneiras em ler o texto sagrado com o olhar de quem convive no território. Nelas, a Bíblia nunca foi um livro estático, mas uma ferramenta viva de interpretação da realidade. Essa metodologia permitiu que os povos do campo se vissem nos personagens bíblicos, transformando o estudo bíblico em um ato político e social.

Nas CEBs, os relatos sagrados foram resgatados como vivências reais de comunidades que enfrentavam desafios climáticos semelhantes aos nossos. Ali, a Bíblia deixou de ser um rito de isolamento para se tornar planejamento territorial: ler a Palavra era também planejar a cisterna, organizar o mutirão e defender o Fundo de Pasto. O povo não lia sobre um deserto distante, lia sobre a sua própria casa, encontrando na mística bíblica a força para afirmar que a vida no Semiárido é possível e que a convivência é uma missão espiritual e comunitária.

O assessor do Irpaa, Johann Gnadlinger, que estuda a relação entre as escrituras e o Semiárido há décadas, relata que a identificação com as escrituras é imediata: “A Leitura Popular da Bíblia a partir do Semiárido aproxima a vida dos povos dos relatos bíblicos com o cotidiano dos povos do semiárido. Assim como enfrentam a escassez de água, uma seca e criavam estratégias para armazenar recursos e produzir alimentos, assim encoraja o povo sertanejo a unir a luta por justiça social à preservação da Caatinga, à colheita da água da chuva e à convivência com o semiárido. Por isso, muitas vezes participantes de cursos e encontros sobre leitura bíblica no semiárido disseram: ‘Eu com minha vida estou me achando dentro da Bíblia!’”

Johann explica que essa aproximação se dá pelas semelhanças práticas da lida no campo: “Profetas como Amós, que era criador de cabras e cultivador e beneficiador de figos, dialogam assim diretamente com a realidade de quem cria um rebanho e beneficia umbu no semiárido.”

Durante séculos, fomos vítimas de uma visão que não era nossa. Os invasores europeus trouxeram o conceito equivocado de “Polígono das Secas”, tratando nosso clima como um erro a ser combatido. Essa lógica ignorou a sabedoria dos povos originários e comunidades tradicionais que já praticavam a convivência diária por sobrevivência, adaptando-se aos ciclos da natureza muito antes de o termo existir.

Esses povos já conheciam a dualidade da nossa mata: a Caatinga (Mata Branca), que repousa no cinza para resistir, e a Caatubi (Mata Verde), que pulsa vida ao primeiro sinal de chuva. A Bíblia valida essa visão ancestral ao provar que o Semiárido não é um erro, mas um ecossistema com leis próprias. Foi apenas há cerca de 40 anos que movimentos sociais e organizações eclesiais voltaram a questionar a lógica do “combate” (baseada no assistencialismo) para afirmar a Convivência (baseada na autonomia). Não se combate o clima, aprende-se com ele.

Ao sobrepor os mapas do Semiárido brasileiro e da Terra Santa, a semelhança é impressionante. Ambos compartilham chuvas irregulares, vegetação resiliente e a dependência vital do manejo da água. Essa identidade entre os dois territórios nos oferece saberes que dispensam grandes e devastadores projetos de irrigação:

Assim como as histórias bíblicas trazem pastores de cabras e ovelhas, o sertanejo encontra autonomia na criação de pequenos animais e na agricultura de sequeiro com sementes crioulas. Além disso, milênios antes das cisternas de placas, o povo bíblico já estocava água na rocha. Isso reforça a tese de que o problema não é a falta de chuva, mas nossa capacidade de guardá-la e geri-la como bem comum. Na Bíblia, privatizar fontes era pecado, pois água é para a vida. Esse princípio ecoa na nossa resistência contra aqueles que tentam controlar a água e o alimento.

O Semiárido deve ser compreendido, não combatido. A Bíblia ensina uma ética do cuidado com a criação que se traduz em políticas de convivência. Ler o texto sagrado no Semiárido permite entender parábolas de sementes e poços com uma clareza que um europeu jamais teria, pois o sertanejo lê a partir de sua sede e de sua luta pela terra.

O Salmo 23 nos fala de encontrar pasto na Caatubi e segurança nos recursos partilhados. Já o Provérbio 27:23-27 destaca a importância de conhecer e cuidar dos rebanhos, garantindo o sustento da casa através da abastança do leite das cabras. Estudar a Bíblia sob esta ótica é um ato de libertação: ela prova que a espiritualidade e a técnica de convivência são faces da mesma moeda.

Estudo bíblico: Cuidando da casa comum no Semiárido brasileiro 

Historicamente, o Irpaa sempre identificou nos espaços formativos uma ferramenta essencial para a desconstrução de preconceitos sobre o clima regional. O acervo institucional acumula ricas experiências de intercâmbios, cursos populares e  eventos tradicionais, desde 1993, já organizou 15 encontros bíblicos, que reuniram lideranças comunitárias, animadores/as sociais e agricultores/as familiares para debater o texto sagrado fincado na realidade, a exemplo dos marcantes Encontros do Uso da Bíblia no Semiárido e das turmas da Escola Bíblica Ecumênica.

Dando continuidade a esse legado metodológico, a equipe técnica do Irpaa passa atualmente por um processo de formação interna focado no estudo bíblico contextualizado, com o tema “Cuidando da casa comum no semiárido brasileiro”. Amparada no lema de Gênesis 2,15 “Deus nos colocou como homens e mulheres no semiárido brasileiro, para cuidar e preservá-lo”, a iniciativa voltada 40 pessoas de diferentes profissões que atuam na Instituição.

Assim, o estudo visa alinhar a equipe com a mística da Convivência, aprimorando as abordagens pedagógicas utilizadas em campo junto às comunidades, associações e movimentos sociais, fortalecendo a missão do Irpaa de promover o Bem Viver.

O cronograma atual do projeto estende-se de 2026 a 2027, estruturado em quatro semestres práticos:

1º Semestre (2026): A natureza e os povos da Bíblia (estudo do livro “Clima e Água na Bíblia”, ocorrido em 26 e 27 de março no Centro de Formação Dom José Rodrigues).

2º Semestre (2026): Ocupação e uso do solo (com visita de estudo a Canudos-BA, previsto para 16 a 18 de outubro). 

3º Semestre (2027): Povos e diversidade sociológica (com visita ao Santuário Padre Ibiapina-PB).

4º Semestre (2027): Problemas emergentes (gênero, juventude e economia solidária).

Esta ação formativa integra o plano de atividades do projeto Estudo Bíblico: Cuidando da casa comum no semiárido brasileiro, viabilizada financeiramente pela Missionsstelle (Apoio para a Missão), grupo solidário de leigos e leigas da Diocese de Linz, na Alta Áustria, contando também com o aporte de recursos próprios, apoio pessoal e execução do Irpaa.

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RÁDIO MEC PRESTA HOMENAGEM AO POETA THIAGO DE MELLO

 Vai ao ar neste domingo (7), às 12h30, na Rádio MEC, mais uma edição inédita do Conversa com o Autor. A jornalista Katy Navarro entrevista o poeta, educador e compositor Thiago Thiago de Mello, em programa que celebra o centenário de seu pai, o ícone da literatura Thiago de Mello (1926-2022), e seu primeiro livro de poesias, Uma varanda no meio do rio. 

Thiago de Mello nasceu no Rio de Janeiro, mas foi criado na Amazônia, ao lado do Rio Andirá, que banha Barreirinha, cidade no interior amazonense onde nasceu seu pai.

Durante o programa, ele conta como surgiu a ideia de escrever um livro durante a pandemia que apresenta textos, poemas e letras de músicas, além de cartas, e-mails, bilhetes e fotos de seus antepassados.  

Thiago também festeja o centenário de nascimento do pai, autor de livros célebres que marcaram a literatura brasileira, como Faz escuro mas eu canto, Os Estatutos do Homem e Silêncio e Palavra.

Amadeu Thiago de Mello foi um jornalista e diplomata que foi preso durante a ditadura e se exilou no Chile, onde conheceu Pablo Neruda e Paulo Freire, figuras históricas que influenciaram sua obra. 

Em paralelo ao trabalho na literatura, Thiago Thiago de Mello também está lançando o seu sexto álbum musical, intitulado Nada vai sumir, no qual canta sobre a Amazônia, o poder da memória e a impermanência.  

Sobre o Conversa com o Autor - Apresentado e produzido pela jornalista Katy Navarro, são quase 30 minutos de uma conversa que gira em torno dos lançamentos, títulos, curiosidades, processo criativo, sugestões de obras, leituras e as diversas narrativas literárias dos autores brasileiros. Em 2023, o programa completou uma década. 

Os episódios da nova temporada também ficam disponíveis em formato de videocast no canal da emissora pública no YouTube. 

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FENAJ DENUNCIA CONSTRAGIMENTOS A JORNALISTAS NOS EUA

A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) manifestou preocupação com relatos de profissionais de imprensa que atuam na cobertura da Copa do Mundo de 2026. Eles afirmam ter enfrentado episódios de constrangimento, restrições à circulação e dificuldades para exercer a atividade jornalística nos Estados Unidos, uma das sedes do evento ao lado de México e Canadá.

Em nota divulgada na quinta-feira (11), assinada pela Comissão de Mulheres Jornalistas e pela Comissão Nacional de Jornalistas pela Igualdade Social (Conajira), a Fenaj destacou como um dos casos mais graves o da jornalista Karine Alves, da TV Globo.

Segundo relato compartilhado pela profissional, ela foi retirada da fila regular da imigração durante o ingresso nos EUA, tratada de forma ríspida por agentes e submetida à revista do cabelo. Karine diz que o procedimento teria sido direcionado apenas a pessoas negras que chegavam ao país.

Para a Fenaj, o episódio representa um tratamento racista e xenófobo e se soma a outros relatos envolvendo profissionais de imprensa e torcedores que acompanham a competição.

A entidade também citou o caso do árbitro somali Omar Abdulkadir Artan, que foi impedido de ingressar nos EUA para participar do torneio.

Além dos episódios ocorridos nos postos de imigração, jornalistas relataram obstáculos impostos ao trabalho de cobertura esportiva, o que inclui restrições de circulação em espaços utilizados pelas seleções durante os treinamentos.

Diante desse cenário, a Fenaj informou que defenderá, no âmbito da Federação Internacional de Jornalistas (FIJ), o encaminhamento de um documento à Federação Internacional de Futebol (Fifa), para que a entidade assegure condições adequadas de trabalho aos profissionais credenciados para trabalhar durante as competições.

Entre as propostas estão a garantia de condições de trabalho seguras e livres de discriminação para todas as nacionalidades, a criação de mecanismos independentes para recebimento e apuração de denúncias de assédio, violência e discriminação, a adoção de protocolos específicos de proteção para mulheres jornalistas e o compromisso dos países anfitriões com a liberdade de imprensa, a liberdade de circulação e a independência profissional dos trabalhadores da comunicação.

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COPA DO MUNDO DE FUTEBOL E A CULTURA DO PERTECIMENTO

 Daqui a pouco mais de 24 horas, a Seleção Brasileira estreia na Copa do Mundo. Jogo duro contra Marrocos. A cada quatro anos, o sentimento de "Pra frente, Brasil" toma conta de boa parte da população, mas confesso que, desta vez, há algo diferente no ar. Veja bem a postagem do ator Selton Mello, um dos nomes mais importantes da nossa dramaturgia nas últimas décadas: "Nenhum interesse na Copa do Mundo. Nem sei quando a gente joga. Parei no Ronaldinho Gaúcho, Adriano, Romário, Ronaldo, Cafu, Kaká etc. Não há mais amor pela camisa nem paixão em defender o país. Não contagiam, não me pegam. Mais alguém assim?"

Fiquei, durante um bom tempo, com o questionamento de Selton Mello na cabeça. E, sim, há um clima diferente até agora em relação à Copa do Mundo. As ruas não estão pintadas quanto antes. As bandeirolas minguaram nos carros e nas janelas dos apartamentos. A paixão e fanatismo do brasileiro em relação ao futebol desapareceram? Talvez. Mas acredito que os fatores são outros.

O primeiro deles passa pelo convívio social. A pandemia deixou marcas profundas. A polarização política, também. Desde as eleições de 2018, o país mergulhou em um ambiente de permanente confronto entre esquerda e direita. Famílias se afastaram. Amizades acabaram interrompidas. O diálogo ficou mais difícil. E a Copa do Mundo sempre foi, acima de tudo, um grande momento de encontro.

Não é coincidência que até mesmo a tentativa de lançamento de uma terceira camisa vermelha da Seleção tenha se transformado em uma disputa ideológica. O que deveria ser apenas uma discussão esportiva virou mais um capítulo da guerra política. Quando tudo se transforma em embate, sobra menos espaço para a celebração coletiva.

Há ainda outro componente importante: a desconfiança. Embora Carlo Ancelotti tenha conseguido boa aprovação popular, como mostra a pesquisa Quaest de ontem, os brasileiros não parecem acreditar plenamente na capacidade da equipe de conquistar o hexa. Entramos na competição sem o favoritismo de outras épocas. E também existe um fator emocional. Sentimos falta dos grandes heróis. Pelé, Romário, Ronaldos, Garrincha. Craques que transcendiam o futebol. Personagens que mobilizavam até quem não acompanhava esporte. Não é apenas nostalgia. É a ausência de figuras capazes de criar identificação nacional. Neymar teve as suas chances e não vingou. Será que agora consegue?

Ainda assim, não acredito no desinteresse definitivo. Copa do Mundo tem uma capacidade única de despertar emoções adormecidas. Basta uma vitória convincente. Um gol decisivo. Uma classificação dramática. Se a Seleção embalar, a confiança volta. O entusiasmo reaparece. O amor pela camisa ressurge.

Porque, no fim das contas, a Copa continua sendo um dos raros momentos em que milhões de brasileiros olham para a mesma direção. Em tempos de tantas divisões, isso tem um valor enorme. Viva a Copa do Mundo. Ela ocorre apenas a cada quatro anos. Esse clima, essa expectativa e essa sensação de pertencimento são especiais demais para serem ignorados. Daqui a quatro anos, ninguém sabe onde estará. Nem mesmo se estará aqui para viver tudo isso novamente. Vale a pena aproveitar.

Roberto Fonseca/Correio Braziliense


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UNIVASF PROMOVE SEMINÁRIO SOBRE DESERTIFICAÇÃO NA BAHIA

 A Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf) sediará o Seminário sobre Combate à Desertificação na Bahia. O evento, que busca promover o diálogo sobre a desertificação e seus impactos ambientais, sociais e econômicos, acontecerá em 17 de junho, data que marca o Dia Mundial de Combate à Desertificação e à Seca. O seminário será realizado no Espaço Plural, em Juazeiro (BA), e é promovido pela Secretaria do Meio Ambiente do Estado da Bahia (Sema), em parceria com a Univasf. As inscrições estão abertas.

A participação é gratuita e aberta ao público em geral, especialmente a representantes de instituições públicas, organizações da sociedade civil, entidades de pesquisa, movimentos sociais e comunidades. Os interessados devem se inscrever por meio de formulário eletrônico.

A programação contará com atividades voltadas ao debate e ao intercâmbio de experiências sobre a desertificação na Bahia. A proposta é promover a troca de conhecimentos e fortalecer as estratégias estaduais de prevenção, mitigação e enfrentamento desse fenômeno.

O seminário terá início às 8h e seguirá até as 17h30, com mesa de abertura, o painel “Panorama da Desertificação na Bahia” e o “Carrossel de Experiências de Combate à Desertificação”. A atividade participativa tem como objetivo compartilhar conhecimentos, práticas e estratégias relacionadas ao enfrentamento da desertificação e à convivência com o Semiárido.

No dia 18 de junho, será realizada a oficina de Atualização do Plano de Ação Estadual de Combate à Desertificação (PAE-Bahia), destinada a representantes e especialistas convidados. A atividade apresentará a metodologia de revisão do Plano e promoverá a participação social e institucional na construção das diretrizes, ações e prioridades que orientarão as políticas de combate à desertificação e de convivência com o Semiárido no estado da Bahia.

As atividades contam ainda com a parceria de instituições baianas que integram a Comissão Nacional de Combate à Desertificação, entre elas o Instituto Regional da Pequena Agropecuária Apropriada (Irpaa), a Assessoria e Gestão em Estudos da Natureza, Desenvolvimento Humano e Agroecologia (Agendha) e a Escola Família Agrícola do Sertão (Efase).

Dúvidas sobre o evento podem ser encaminhadas para o e-mail dippa@sema.ba.gov.br.

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JOSÉ SOBRINHO VASCONCELOS E A ECOLOGIA

Para marcar o Mês do Meio do Meio Ambiente, as inscrições para o Prêmio Vasconcelos Sobrinho 2026 (PVS), estão abertas desta quarta-feira (10) até o dia 3 de julho. Voltado para o reconhecimento, divulgação e incentivo a boas práticas socioambientais e de manutenção do meio ambiente em Pernambuco, o prêmio é uma iniciativa do Governo de Estado, por meio da Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH), com apoio da Secretaria de Meio Ambiente, Sustentabilidade e de Fernando de Noronha (Semas). O PVS integra a programação da Semana do Meio Ambiente, que oficialmente vai de 31 de maio a 5 de junho, mas será estendida em Pernambuco com atividades até o dia 16 de junho.

O formulário para inscrição, assim como o regulamento e outras informações sobre o prêmio estão disponíveis durante o período de inscrições, (10/06 a 3/07) no portal da Agência CPRH ( www.cprh.pe.gov.br) , com a entrega da premiação prevista para dezembro em data ainda a ser defina. Podem concorrer ao PVS trabalhos ou iniciativas bem sucedidas, ações, experiências de pessoas físicas ou jurídicas, empreendedores, instituições privadas, públicas, associações brasileiras sem fins financeiros, com projetos realizados em Pernambuco, concluídos ou em fase final de conclusão.

A premiação considera as seguintes categorias: Bem-estar animal; Inovação tecnológica; Pesquisa ambiental; Projeto - Prática educacional (ensino fundamental e médio); Destaque municipal; Destaque Comunicação Ambiental; e Personalidade do Meio Ambiente (Exclusivamente para indicação de terceiros). Para o diretor-presidente da CPRH, José de Anchieta, o prêmio é uma "oportunidade para a sociedade conhecer e valorizar projetos ou pessoas que atuam na preservação do meio ambiente, além de contar com o reconhecimento do Governo estadual".

Quem foi Vasconcelos Sobrinho-Nascido em Moreno, na Região Metropolitana do Recife, em abril de 1908, João Vasconcelos Sobrinho formou-se em Engenharia Agrônoma pela antiga Escola Superior de Agricultura de São Bento, hoje, integrante da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE). Contribuiu fortemente com as causas ambientais, e foi fundador e diretor do Jardim Zoobotânico de Dois Irmãos, atual Parque Dois Irmãos. 

Também foi professor titular da disciplina de Ecologia da UFRPE, fundador e supervisor da Estação Ecológica de Tapacurá. Foi ainda diretor de instituições federais e estaduais, além de membro da Delegação Brasileira para a Conferência das Nações Unidas sobre Desertificação, em 1977. Vasconcelos Sobrinho publicou mais de 30 livros, sempre abordando estudos, observações, questões florestais e naturais ligadas às matas e regiões naturais de Pernambuco. Vasconcelos Sobrinho faleceu em maio de 1989, aos 81 anos.

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