SENADO APROVA PL QUE ESTABELECE DIRETRIZES PARA A RECUPERAÇÃO DO BIOMA CAATINGA

O Senado aprovou, nesta terça-feira (19/5), uma emenda ao Projeto de Lei 1990/2024, que institui a Política Nacional para a Recuperação da Vegetação da Caatinga. O texto original, de autoria da senadora Janaína Farias (PT/CE) e elaborado com apoio técnico do Instituto Escolhas, agora segue para sanção para sanção do presidente Lula. 

O projeto tem como objetivos recuperar áreas desmatadas do bioma; ampliar a produção sustentável de alimentos; aumentar a segurança hídrica e a melhorar a qualidade de água na Caatinga; e estimular a bioeconomia e o manejo florestal sustentável.

A Política Nacional prevê, entre outros itens, a participação de comunidades locais nas atividades de restauração e a capacitação de trabalhadores para atuação em cadeias produtivas sustentáveis.

O texto já havia sido aprovado pelo Senado em 2024 e pela Câmara dos Deputados no ano seguinte. Porém uma emenda fez com que o projeto voltasse à primeira etapa. Só na semana passada a emenda foi rejeitada pela Comissão de Meio Ambiente (CMA), levando o texto de volta ao Plenário, onde foi confirmado o projeto original.

Sérgio Leitão, diretor do Instituto Escolha aponta que essa é a primeira vez no Brasil que um projeto de lei voltado especialmente a uma política de recuperação de um bioma é aprovado. Para ele, o histórico de secas intensas em áreas de Caatinga, agravado pelo desmatamento, demonstra a urgência do tema.

“É uma região com mais de 1 milhão de hectares desmatados que precisam ser recuperados, porque é uma garantia de segurança hídrica para mais de 50 milhões de habitantes da região nordeste”, explica. 

A Caatinga é o único bioma exclusivamente brasileiro, abrangendo quase 11% do território nacional. Ela cobre áreas de todos os estados nordestinos, chegando ao norte de Minas Gerais, no Sudeste.

Um estudo do Instituto Escolhas, de 2024, aponta que a recuperação desse bioma pode trazer oportunidades para a região. Os dados mostram que o investimento de R$ 15,1 bilhões pode resultar em R$ 29,7 bilhões de receitas líquidas, com a geração de 466 mil empregos e a produção 7,4 milhões de toneladas de frutas, verduras e hortaliças. Também serão removidas mais de 702 milhões de toneladas de carbono da atmosfera, mitigando os efeitos adversos das mudanças climáticas.

Para o diretor do Instituto Escolhas, a expectativa é de que o projeto seja rapidamente sancionado. “Esperamos que ele seja uma das marcas comemorativas do Dia Internacional do Meio Ambiente este ano, no Brasil”, aponta. “Nossa expectativa é de que, até o dia 5 de junho, numa grande solenidade, o presidente Lula, que é nordestino e conhece o drama da seca, possa ter a honra de sancionar a lei voltada à recuperação desse bioma”.

Leitão lembra que, em agosto, acontecerá a COP da Convenção da Desertificação, na Mongólia, do qual o Brasil é signatário. “O tema desta edição será a esperança da recuperação. Ou seja, da necessidade vital que é o replantio daquilo que foi desmatado e é a garantia de sobrevivência de todas as população que vivem ameaçadas de desertificação, como é o Nordeste brasileiro”, declara.



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SEMINÁRIO VOZES DO SERTÃO REÚNE PROFISSIONAIS DE JUAZEIRO E PETROLINA

 O auditório da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), em Petrolina, sediou neste sábado (16) a primeira edição do Seminário Vozes do Vale, evento que reuniu radialistas, blogueiros, jornalistas e comunicadores de toda a região para debater o fortalecimento e a valorização da imprensa no Vale do São Francisco.

Idealizado pelo radialista Iranildo Nascimento, o encontro foi marcado por palestras, troca de experiências e homenagens a personalidades que contribuíram para a história da comunicação regional.

A programação contou com debates voltados ao aprimoramento profissional e à importância histórica da mídia local. A fonoaudióloga Natália Magno ministrou palestra sobre técnicas de voz e comunicação para profissionais da área.

Já a professora Andréa Cristiana Santos, diretora do Departamento de Ciências Humanas da Universidade do Estado da Bahia (UNEB), abordou o papel do rádio na cultura popular com o tema “O rádio fortaleceu a cultura popular e conquistou famílias”.

O jornalista Evaldo Costa também participou do seminário com a palestra “Como o rádio se fez indispensável?”, compartilhando experiências acumuladas em veículos como O Estado de S. Paulo, Jornal do Brasil e Diário de Pernambuco.

O evento contou ainda com a presença do prefeito de Juazeiro, Andrei Gonçalves, que destacou sua relação afetiva com o rádio.

“Sou fã do rádio desde garoto, quando acompanhava a programação das emissoras ao lado do meu pai. Vejo futebol na TV com o radinho no ouvido. Vocês são os amigos que falam no ouvido do povo.”

O prefeito de Petrolina, Simão Durando, não participou do evento e foi representado pelo secretário municipal de Comunicação, Junior Vilela.

Durante o seminário, foram homenageadas personalidades marcantes da história regional, entre elas Osvaldo Coelho, Dom Antônio Campelo e Osvaldo Benevides.

O encerramento ficou por conta do cantor Sérgio do Forró, que agradeceu o apoio da imprensa regional à sua trajetória artística e realizou uma apresentação musical.

A organização confirmou que o Seminário Vozes do Vale passará a ser itinerante. A próxima edição já está prevista para 2027, em Juazeiro, consolidando a iniciativa como um espaço permanente de integração e valorização dos profissionais da comunicação do Vale do São Francisco.

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NEY VITAL SACODE O FORRÓ NO RITMO DO JORNALISMO

 O Programa ‘Nas Asas da Asa Branca – Viva Luiz Gonzaga e seus Amigos’ agora tem novo horário e é apresentado aos domingos a partir das 10h na Rádio Educadora do Cariri FM 102.1, no Crato, Ceará.

Em defesa do Meio Ambiente e Valorização da Cultura Brasileira o jornalista Ney Vital recebeu Moção de Aplausos da Câmara de Vereadores, terra onde nasceu Padre Cícero. A homenagem, aprovada pelo Poder Legislativo, foi apresentada pelo vereador José Wilson da Silva Gomes (Wilson do Rosto) e aprovada por unanimidade.

A produção e apresentação do programa é do jornalista Ney Vital, colaborador da REDEGN. O programa é pautado em músicas de Luiz Gonzaga, informações em defesa do meio ambiente, agroecologia (destacando a Floresta Nacional da Chapada do Araripe e o Rio São Francisco), a cultura da região, seus cantadores de Pífano, aboiadores e violeiros.

‘Nas Asas da Asa Branca – Viva Luiz Gonzaga e seus Amigos’ segue uma trilogia amparada na cultura, cidadania e informação. Programa com roteiro usado para contar a história da música brasileira a partir da voz e sanfona de Luiz Gonzaga, seus amigos e seguidores.

Ney Vital considera o programa “o encontro da família brasileira”. Ele não promove rituais regionalistas, a mesquinhez saudosista dos que não se encontram com a arte e cultura, a não ser na lembrança. Ao contrário, o programa evoluiu para a tecnologia digital e forma de espaço reservado à cultura mais brasileira, universal, autêntica, descortinando um mar, cariri sertões de ritmos variados e escancarando a infinita capacidade criadora dos que fazem arte no Brasil.

É o conteúdo dessa autêntica expressão nacional que faz romper as barreiras regionais, esmagando as falsificações e deturpações do que costuma se fazer passar como patrimônio cultural brasileiro. Também por este motivo no programa o sucesso pré-fabricado não toca e o modismo de mau gosto passa longe.

“Existe uma desordem, inversão de valores no jornalismo e na qualidade das músicas apresentadas no rádio”, avalia Ney Vital que recebeu o Título de Cidadão de Exu, Terra de Luiz Gonzaga, título Amigo Gonzagueano Orgulho de Caruaru, e Troféu Luiz Gonzaga do Espaço Cultural Asa Branca de Caruaru e o Troféu Viva Dominguinhos-Amizade Sincera em Garanhuns.

Bagagem profissional-Ney Vital usa a credibilidade e experiência de 30 anos atuando no rádio e TV. Nas afiliadas da Rede Globo (TV Grande Rio e São Francisco), foi um dos produtores do Globo Rural, onde exibiu reportagens sobre Missa do Vaqueiro de Serrita e festa de aniversário de Luiz Gonzaga e dos 500 anos do Rio São Francisco, além de dezenas de reportagens pautadas no meio ambiente do semiárido e ecologia.

Membro da Rede Brasileira de Jornalismo, Ney Vital é formado em Jornalismo na Paraíba e com Pós-Graduação em Ensino de Comunicação Social pela Uneb/Universidade Federal do Rio Grande do Norte. 

“Nas Asas da Asa Branca, ao abrir as portas à mais genuína música brasileira, cria um ambiente de amor e orgulho pela nossa gente, uma disseminação de admiração e confiança de identidade cultural em nosso povo, experimentada por quem o sintoniza a RADIO EDUCADORA em todas as regiões do Brasil", finaliza Ney Vital.

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MÚSICA A FEIRA DE CARUARU COMPLETA 70 ANOS

Difícil imaginar a história de Caruaru hoje dissociada da sua feira e da canção “A Feira de Caruaru”, que se tornou símbolo maior da cultura da cidade e, também, da cultura pernambucana. Há exatos 70 anos, no ano de 1956, Onildo Almeida lançava a primeira versão da música. Para celebrar esse marco, nesta sexta-feira (8), chega em todas as plataformas de streaming a versão original de “A Feira de Caruaru”, gravada em 78 rotações na voz do autor da canção. O áudio original ganhou restauração com a resmasterização de Thiago Rad.

Essa é a versão que Luiz Gonzaga escutou pelos corredores da então Rádio Difusora de Caruaru e que pediu imediatamente para conhecer o autor, na época o jovem cantor e compositor, Onildo Almeida. Gonzagão foi levado pelo irmão de Onildo, Zé Almeida, para conhecê-lo. Onildo estava na técnica, na sala ao lado, e escuta do Rei do Baião a fala que já se tornou clássica: “Como é que você tem um negócio desse e não me amostra?” Onildo respondeu que a música estava nas mãos dele. A canção deu a Luiz Gonzaga o seu primeiro disco de ouro da carreira, 100 mil cópias em apenas dois meses.

Entretanto, a versão original de “A Feira de Caruaru” de 1956 de Onildo Almeida em 78 rotações também foi um sucesso local. Onildo, que se considerava um cantor romântico, não queria gravar o baião. Mas, em conversa com Genival Macedo, do selo Harpa, que lançou a primeira versão da canção, mudou de ideia e gravou a música nos estúdios da Rozenblit. “Foi um estouro, vendeu tudo”, relembra Onildo Almeida, ao falar de seu maior clássico e dessa versão emblemática.

ONILDO ALMEIDA: Com mais de 500 músicas gravadas, Onildo Almeida é um dos grandes compositores que ajudaram a moldar a cultura nordestina através da música. É dele clássicna voz não só de Luiz Gonzaga, como também de Marinês, Jackson do Pandeiro, Jacinto Silva, Gilberto Gil, Chico Buarque, Banda de Pífanos de Caruaru dos irmãos Biano, entre tantos outros. Onildo Almeida, que tem quase um século de vida, neste 2026 completa 98 anos, segue compondo e fazendo parcerias com novos artistas e também com outros de longa estrada. Patrimônio vivo da cultura, ele também carrega o título de doutor honoris causa. O artista, que desafia o tempo influenciando gerações, continua encantando plateias por onde passa. 

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RÁDIO NACIONAL 90 ANOS

Para comemorar as nove décadas da Rádio Nacional, a emissora pública lança a série Rádio Memória - 90 anos com um mergulho na história de um dos veículos de comunicação mais importantes do país. A novidade entra no ar em 12 de maio, a quatro meses da efeméride. Em formato de videocast, o programa reúne fatos marcantes e curiosidades que ajudam a contar a trajetória da emissora.

A cada encontro, o jornalista e apresentador Dylan Araújo recebe convidados que fazem parte dessa história para conversas que resgatam memórias e revelam bastidores de diferentes fases da Rádio Nacional. A emoção atravessa os episódios para conectar gerações que viveram – e ainda constroem – a programação nos dias atuais.

Os programas ficarão disponíveis no canal do YouTube da Rádio Nacional e recortes poderão ser acompanhados no dial para ampliação do alcance. O conteúdo é apresentado no Revista Rio, às 13h, para o Rio de Janeiro, e durante o Tarde Nacional local, às 15h, nas demais praças. Com material de acervo e entrevistas, a série presta homenagem a quem já passou pela emissora e valoriza quem segue mantendo vivo o legado da Rádio Nacional.

A iniciativa integra uma agenda de ações que celebram os 90 anos em 12 de setembro de 2026. Com o slogan "Do passado ao futuro. Sem Fronteiras", a emissora pública que integra a Empresa Brasil de Comunicação (EBC) se mantém atual e relevante. Ao longo de sua história, a Nacional se firmou como uma das principais rádios do país e referência cultural na Música Popular Brasileira, no jornalismo e nas transmissões esportivas.

De acordo com o gerente executivo de Rádios da EBC, Thiago Regotto, a ideia é agregar ao calendário comemorativo, produzir conteúdo que se torna o acervo do futuro e gerar engajamento a partir da efeméride.

"Sentimos a necessidade de fazer o mapeamento da memória oral de profissionais que passaram pela rádio ou que tenham contato com temas caros à emissora. Adaptamos o quadro Rádio Memória para o formato de videocast que lançamos quatro meses antes dos 90 anos da Rádio Nacional", explica

Paixão nacional, futebol marca estreia da série-O primeiro episódio da série de videocast Rádio Memória - 90 anos volta o olhar para o futebol no rádio e destaca como a Rádio Nacional ajudou a popularizar o esporte em todo o país. Para investigar o assunto, Dylan Araújo recebe os radialistas Eraldo Leite e Waldir Luiz, nomes consagrados no jornalismo esportivo que já integraram o time de profissionais da emissora.

O programa destaca o papel pioneiro da Rádio Nacional na consolidação da linguagem esportiva no rádio e na construção de uma cultura brasileira em torno do futebol. A edição lembra de que forma as transmissões esportivas ampliaram o alcance das partidas ao levar emoção a ouvintes de diferentes regiões. Entre narrações históricas e bastidores, o episódio mostra como o rádio transformou o futebol em um espetáculo coletivo, criou ídolos e aproximou o público dos clubes.

O papo também evidencia como a linguagem do futebol foi se atualizando ao longo do tempo - de expressões como "volante" e "ponta de lança" aos termos mais recentes, como "meia armador", "camisa 10 clássico", "falso 9", "linha alta" e "terço final".

Nos próximos programas, o videocast aborda temas como o samba e o choro. O primeiro assunto pauta o encontro com a cantora e compositora Dorina; o historiador, cantor e compositor Marquinho China e o jornalista, sociólogo e pesquisador Bruno Fillipo. Já o choro embala a conversa com a cantora e compositora Nilze Carvalho e o instrumentista Ronaldo do Bandolim. As entrevistas foram gravadas no Museu do Rádio, na sede da EBC, no Rio de Janeiro.

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VIVA O SÃO JOÃO, VIVAM OS BIANOS, POR PROFESSOR JOSÉ URBANO

Era 23 de junho de 1919/ uma data na qual o Nordeste se veste de alegrias para celebrar o seu personagem mais glorificado na religiosidade popular: João, o batista, personagem que figura nos evangelhos como o precursor de Jesus Cristo, do qual era primo.  

Na simplicidade da gente alagoana, mais uma sertaneja entrou em trabalho de parto, trazendo ao mundo nova vida, naquele dia de celebrações. 

Das primeiras lembranças, eis o relato: " _Não sei dizer, porque nasci lá, mas me criei assim: quando estava seco e não tinha o que comer, meu pai ia para outro canto melhor_ . Depois, quando ficava ruim de novo, a gente ia para outro lugar"  E continua  " _(Era) Tudo descalço, 'de pés'. Ninguém morria de fome só porque Deus não deixava. Passamos muita fome, pedimos esmola. O caminho era esse, não tinha outro"._ 

Mas a sina dos escolhidos para disseminar arte está traçada desde o nascimento.  E outro caminho aconteceu!  Aos 5 anos de idade, viu o seu genitor fundar um grupo musical, naquele momento denominado de banda cabaçal, terno de zabumba ou esquenta muié.  _Tudo simples demais, com instrumentos artesanais, e sem qualquer instrução, tocando "de ouvido_ ".

No currículo, uma tocada para o rei do Cangaço , em pessoa!  

Em 1939, tomaram a decisão e rumaram para Caruaru.  " _Chegamos de madrugada, no escuro, sem conhecer ninguém, ninguém.  Mas foi aqui que as coisas clarearam para a nossa família_ " conta o mestre.  Banda de Pífanos e feira, feitos um para o outro! 

Fico imaginando o encontro e diálogos na feira de Caruaru entre os *Bianos e Vitalino* , nosso mestre do barro, exímio tocador de pífanos...só Caruaru teve esse cenário e personagens por vários anos.

Em 1955, o pai da família veio a falecer, e profetizou que " _não deem fim a bandinha, ela vai sustentar vocês"._  Ele estava certo.  Muito mais do que um sustento, virou uma marca cultural do Brasil, e os projetou para fronteiras internacionais.   

Em 1972, chegou a experiência fonográfica e Gilberto Gil, um dos pais da Tropicália, vem a Caruaru, conhece o trabalho e grava Pipoca Moderna, encantado com a sonoridade deles.  Em 1975, Caetano Veloso - no embalo do novo movimento tropical - também se contagia e com letra e tudo, grava em seu disco Joia uma faixa musical.   Tornam-se os Beatles de Caruaru , segundo Gil, o responsável por apresentar o grupo ao Rio de Janeiro e vice-versa. 

" _Não sabia o que era ritmo nem show.  A gente tocava nas feiras e festas e aprendi música ouvindo chocalhos e passarinhos do sertão_ "  nos contou  Sebastião Biano. Pura genialidade!

No currículo, seis lps e dois Cds, um Grammy Latino em 2005 e a Ordem do Mérito Cultural, em 2006. Em 2019, homenageado no São João de Caruaru, referenciado por nossa prefeita Raquel Lyra, num gesto de absoluta sensibilidade cultural.  Na coleção do mestre do barro, banda de pífanos de Caruaru é uma marca que o mundo inteiro conhece.  E para mim, o simbolismo da banda se denominar de Caruaru, apesar de serem naturais de outro Estado e cidade.  Isso tem valor, mas não tem preço, formidável. 

 Vitalino e os Bianos, os responsáveis por projetar nossa cidade como polo cultural pelo Brasil e mundo a fora. 

O que é bom, o tempo jamais corrói.  Não modifica, se eterniza. E já vão *105 anos* de vida!

Parabéns, Sebastião Biano, obrigado por tudo, viva a cultura nordestina.

Professor_José Urbano-pesquisador e escritor

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ONILDO ALMEIDA AOS 98 ANOS COMEMORA OS 70 ANOS DA MÚSICA A FEIRA DE CARUARU

Aos 98 anos, Onildo Almeida comemora 70 anos da música 'A Feira de Caruaru': "Não vi o tempo passar."

Muitas feiras podem se vangloriar das suas cores e sabores, mas poucas possuem uma mística tão profunda que transborda para a música. A Feira de Caruaru, que é Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro e já era soberana em suas tradições desde o século 18, ganhou sua trilha sonora definitiva há 70 anos, quando Onildo Almeida compôs o clássico homônimo eternizado por Luiz Gonzaga.

Para celebrar essa história, a versão original de 1956 — na voz do próprio Onildo — foi resgatada. Após um processo de remasterização por Thiago Rad e produção por Kira Aderne, a gravação está disponível em todas as plataformas digitais desde a última sexta-feira (8).

Mesmo sem nunca ter negociado uma mercadoria sequer, Onildo consagrou-se como o maior “vendedor” da feira através de seus versos. A canção, que ganhou o mundo na voz do Rei do Baião, atravessou gerações e recebeu diversas releituras de artistas como Gilberto GIl, Chico Buarque, Marinês, Mestre Ambrósio, Banda de Pífanos de Caruaru, Anastácia, Oswaldinho do Acordeon e Israel Filho. “A feira já estava lá antes mesmo da cidade. E hoje, através dessa música, ela encontrou sua maior propaganda”, celebra o autor em entrevista ao Diario.

Acompanhando a sua mãe Flora Camila de Almeida aos sábados, ele observava a imensa variedade do pátio e tomava nota de cada detalhe. Como diz a letra, ali se encontrava “de tudo que há no mundo” — e, segundo Onildo, não era exagero. Por maior que a canção fosse, não incluiu tudo o que ele viu, como a inusitada comercialização de automóveis. “Toda cidade tem sua feira. Mas a de Caruaru tem uma diferença, porque vende tudo o que você imaginar”, explica.

Na década de 1950, Onildo dividia seu tempo entre o microfone da Rádio Difusora de Caruaru, onde apresentou programas de auditório, e as primeiras composições, que na época seguiam um estilo mais romântico.

Desafiando sua veia romântica, Onildo rendeu-se ao fascínio do comércio local e decidiu, por pura diversão, colocar o cotidiano da feira no ritmo do baião. Em 1956, ao lado de um conjunto de Caruaru e músicos do Recife, gravou a obra no estúdio da Rozenblit e viu as três mil cópias sumirem das prateleiras em 15 dias, mas o sucesso ainda não havia ultrapassado as fronteiras locais — o que só aconteceu após a música fisgar a atenção de Luiz Gonzaga.

Impressionado, o Rei do Baião fez questão de conhecer o jovem autor. O encontro selou uma amizade e resultou no pedido para gravar sua própria versão, lançada em 1957, que rendeu a Gonzagão o primeiro disco de ouro de sua carreira. ”Ele não gravava alguém só por ser amigo, não. O que importava para Gonzaga era a qualidade da obra”, relembra Onildo.

Para o músico, o relançamento vai além da memória afetiva e histórica. É também a reafirmação de que a Feira de Caruaru continua tão abundante quanto no tempo em que inspirou a canção. Tanto é que, aos 96 anos, ele e a esposa, Lenita, mantêm o hábito de visitar a feira todos os domingos, antes das 7h da manhã. “Continua sendo um lugar onde se encontra de tudo. O que muitas vezes falta na cidade, acaba aparecendo por lá”, garante.

Não poderia haver momento mais simbólico para este relançamento do que a chegada do ciclo junino. No dia 19 de junho, no Polo Camarão do São João de Caruaru, Onildo subirá ao palco ao lado da cantora Kira Aderne para um show histórico.

No repertório, além da emblemática “A Feira de Caruaru”, o público poderá ouvir clássicos como “Sanfoneiro Macho”, “Forrock” e “Forró dos Namorados”. Com uma vitalidade invejável rumo ao seu centenário, Onildo promete se apresentar com o fôlego de sempre: “Eu não vi o tempo passar. Deus me fez assim e continua me dando força. Não sinto que tenho 98 anos”, diz.

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ALBUM DOMINGUINHO VOLUME 2 DESTACA XOTE, FORRÓ E BAIÃO

O álbum “Dominguinho Vol.2”, fruto da parceria entre João Gomes, Jota.Pê e Mestrinho, estreou nesta sexta-feira (8) nas plataformas digitais repetindo a fórmula de seu antecessor. Entre releituras e canções autorais, o novo disco reúne 12 faixas e foi gravado no Centro Histórico de Salvador, na Bahia.

Assim como o primeiro “Dominguinho”, vencedor do Grammy Latino de Melhor Álbum de Música de Raízes em Língua Portuguesa em 2025, a continuação aposta na gravação acústica que mistura ritmos como forró, xote, baião, pop e MPB.

Com as repercussões positivas, o trio, para além da sequência, também anunciou a realização de um cruzeiro temático “Dominguinho em Alto-Mar”. O show marítimo acontecerá entre os dias 12 e 15 de dezembro a bordo do MSC Divina.

Entre os artistas que já confirmados estão Ney Matogrosso, Elba Ramalho e Seu Jorge.

Confira a tracklist completa do “Dominguinho Vol.2”:

Deusa Minha

Verão Sem Calor

Ligação Estranha

Lembra

Dois Mundos

Sábado à noite

Meu Cenário / Numa Sala de Reboco

A Vida é Você / Parte da Minha Vida

Filho do Dono

Onde Está Você

As Quatro Estações

Se Ela Dança Eu Danço

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JORNALISTA RAIMUNDO RODRIGUES PEREIRA MORRE AOS 85 ANOS

 A morte de Raimundo Rodrigues Pereira, neste 2 de maio de 2026, aos 85 anos, nos obriga a olhar para trás e reconhecer a dimensão de uma trajetória rara no jornalismo brasileiro — talvez a maior de todas.

Expulso do Instituto Tecnológico de Aeronáutica, Raimundo fez um movimento pouco convencional: deixou para trás a engenharia e escolheu o jornalismo como trincheira. Essa transição não foi apenas profissional, mas profundamente política. Em vez de cálculos e projetos técnicos, passou a lidar com a matéria viva da sociedade brasileira, buscando compreendê-la e transformá-la pela palavra.

Sua passagem pelas revistas Realidade e Veja marcou uma geração. Em Realidade, participou de um dos momentos mais criativos e ousados da imprensa nacional, ajudando a construir uma linguagem inovadora, investigativa e profundamente conectada com o país real. Em Veja, atuou em sua fase inicial, quando a revista ainda buscava um jornalismo mais analítico e ambicioso, antes de se transformar em outra coisa ao longo dos anos.

Mas foi sobretudo na imprensa alternativa, sob a sombra da ditadura, que Raimundo Rodrigues Pereira deixou sua marca mais profunda. Foi um dos fundadores do jornal Opinião, espaço decisivo de resistência intelectual e política. Em seguida, teve papel central na criação do Movimento, que se tornaria um dos mais importantes veículos de oposição ao regime militar, reunindo vozes críticas e ajudando a manter acesa a chama do debate público.

Sua inquietação jamais cessou. Raimundo também esteve à frente de projetos como o Retratos do Brasil e a revista Reportagem, sempre com o mesmo objetivo: compreender o Brasil em profundidade, dar voz aos silenciados e oferecer ao leitor instrumentos para pensar criticamente a realidade.

Mais do que os veículos que ajudou a fundar ou dirigir, foi sua postura que marcou época. Raimundo nunca se rendeu ao jornalismo acomodado, nem à falsa neutralidade que tantas vezes serve para mascarar interesses. Sua escrita era clara, firme, ancorada em princípios. Ele sabia de que lado estava — e nunca fez disso um segredo. Tampouco cedia na ferramenta que escolhera: o jornalismo rigoroso, bem apurado, colado nos fatos, sem concessões à propaganda.

Para quem teve o privilégio de acompanhar sua trajetória, fica a impressão de que Raimundo Rodrigues Pereira não apenas atravessou a história recente do Brasil, mas ajudou a moldá-la. Seu legado não está apenas nos textos ou nas publicações, mas na ideia de que o jornalismo pode ser, ao mesmo tempo, rigoroso e comprometido, crítico e transformador.

Durante muitos anos tive a honra de partilhar projetos com esse grande mestre. Convidei-o a participar em empreendimentos sob meu comando, como as revistas Página Aberta e Atenção!, e fui seu colaborador em empreitadas como a revista Reportagem. Foram tempos de ensinamentos inesquecíveis.

Sua morte encerra uma vida, mas não apaga sua presença. Ao contrário: em tempos de desinformação e de crise no jornalismo, sua trajetória se torna ainda mais necessária. Lembrá-lo é, também, assumir o compromisso de seguir adiante com sua missão.

Raimundo nasceu em Exu Pernambuco, terra de Luiz Gonzaga.

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75% DAS AMOSTRAS DAS FRUTAS E VEGETAIS NÃO ORGANICOS APRESENTAM ALGUM TIPO DE VENENO

Um levantamento recente divulgado pela Environmental Working Group acende um alerta sobre a presença de resíduos de pesticidas em alimentos consumidos diariamente. Segundo o relatório anual Guia do Consumidor para Pesticidas em Produtos Frescos, cerca de 75% das amostras de frutas e vegetais não orgânicos analisadas apresentaram algum tipo de resíduo químico, mesmo após lavagem e preparo.

O estudo, baseado em dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), analisou mais de 54 mil amostras de 47 alimentos diferentes. Os resultados mostram que pesticidas foram encontrados em praticamente todos os tipos de produtos, ainda que em níveis variados.

Entre as principais preocupações estão os chamados PFAS, conhecidos como “químicos eternos”, que permanecem no ambiente e no organismo por longos períodos. Substâncias como o fludioxonil, identificado em 14% das amostras, foram detectadas com alta frequência em frutas como pêssegos e ameixas.

Além da presença, o relatório também considera a toxicidade desses compostos. Estudos científicos citados pela entidade apontam possíveis impactos à saúde, como alterações hormonais, danos ao sistema nervoso e efeitos reprodutivos, especialmente preocupantes durante a infância e o desenvolvimento fetal.

Ainda há lacunas na pesquisa sobre os efeitos combinados de múltiplos pesticidas, o que pode representar riscos maiores do que a exposição a substâncias isoladas. Para orientar os consumidores, o guia divide os alimentos em duas listas: a “Clean Fifteen” (os 15 mais limpos) e a “Dirty Dozen” (os 12 mais contaminados).

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PRF INICIA CAMPANHA MAIO AMARELO

A Polícia Rodoviária Federal (PRF) lançou, nesta terça-feira (5), a edição 2026 do Maio Amarelo, campanha nacional de conscientização para a segurança no trânsito.

Com o tema No trânsito, enxergar o outro é salvar vidas, a iniciativa busca mobilizar motoristas e pedestres para reduzir acidentes, mortes e feridos nas rodovias do país.

O foco é reforçar a responsabilidade compartilhada no trânsito e ampliar a adesão a comportamentos mais seguros.

Dados da PRF mostram que, em 2025, foram registrados 72.483 sinistros de trânsito nas rodovias federais, com 6.044 mortes e 83.483 feridos.

Embora os três indicadores tenham apresentado redução em relação a 2024, os números ainda são considerados elevados. No mesmo período, o total de infrações chegou a 10.277.088, alta de 7,79%, o que evidencia, na avaliação da PRF, a persistência de condutas de risco.


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ESCRITOR E JORNALISTA SAMUEL BRITTO LANÇA LIVRO NESTA SEXTA-FEIRA (8) EM PETROLINA

O escritor e jornalista Samuel Britto lança, nesta sexta-feira (8), às 19h, no Senac Petrolina, o livro “A Impuderada do Sertão – Histórias de mulheres agredidas”. A obra aborda o combate à violência contra a mulher a partir de uma narrativa forte e provocativa.

Segundo romance do autor, o livro conta a trajetória de uma sertaneja preta que se recusa a repetir o ciclo de violência vivido por seus antepassados e decide romper com essa realidade, enfrentando e punindo homens agressores.

“Esse é um tema muito importante, que acabei desenvolvendo a partir do meu dia a dia no jornalismo, ao lidar constantemente com histórias e reportagens de mulheres vítimas de violência”, explica Samuel.

Natural de Arcoverde, o autor também presta uma homenagem ao Sertão por meio de sua escrita, contribuindo para desconstruir preconceitos sobre a região e valorizar suas riquezas culturais.

A obra conta com o apoio do Senac Pernambuco e já foi lançada em Recife, durante o Congresso Internacional de Inovação na Educação, juntamente com o primeiro livro do escritor, “Maria Caminhoneira Sertania e seus Contos Heroicos, Românticos e Sertanejos”. “É uma alegria lançar este trabalho em casa, neste Sertão de tantas riquezas que inspira o meu trabalho”, destaca o autor.

Violência – O combate à violência contra as mulheres, tema que inspirou o jornalista, tem se mostrado cada vez mais urgente. Segundo a Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher, o país registrou cerca de 1.470 casos de feminicídio em 2025, o maior número desde a tipificação do crime, em 2015, superando os registros de 2024 e projetando um cenário alarmante para 2026. A média indica que quatro mulheres são assassinadas diariamente por motivação de gênero.

Em Pernambuco, apenas nos dois primeiros meses de 2026, foram registrados mais de 8 mil casos envolvendo feminicídios, mortes intencionais e violência doméstica contra a mulher, segundo dados da Secretaria de Defesa Social (SDS).

Atento a esse cenário, o Senac Petrolina tem realizado ações de combate à violência de gênero. Na unidade, foi instalado o Banco Vermelho, símbolo internacional de enfrentamento ao feminicídio e à violência contra a mulher. A partir da iniciativa, os alunos participaram de rodas de conversa e palestras, com a presença de autoridades ligadas ao tema. Além das atividades presenciais, também foram promovidos encontros online, com palestras que reforçam a importância do combate à violência.

Serviço: Lançamento do livro “A Impuderada do Sertão”

Dia 8 de maio, às 19h

Local: Rua Dona Justina Freire de Souza, nº650, na Vila Mocó

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FIOCRUZ QUALIFICA PROFISSIONAIS DA SAÚDE PARA LIDAR COM OS IMPACTOS DOS JOGOS DE APOSTAS

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) Brasília, em parceria com o Ministério da Saúde, quer qualificar profissionais da saúde para lidar com os impactos dos jogos de aposta (bets) na população brasileira.

Para isso, a instituição vai ofertar a profissionais de saúde o curso Jogos de Aposta: Cuidado na Rede de Atenção Psicossocial, que está com inscrições abertas até 2 de junho por meio do site da Fiocruz.

Voltada para trabalhadores da Rede de Atenção Psicossocial e da Atenção Primária, a formação será ofertada na modalidade a distância, com carga horária de 45 horas. Serão ofertadas, ao todo, 20 mil vagas para o curso em todo o país.

Em nota, a Fiocruz avalia que as bets têm ampliado presença no Brasil, impulsionadas por plataformas digitais e pela inserção em diferentes setores da cultura.

“O fenômeno, de alcance massivo, tem gerado novos desafios para os serviços de saúde, especialmente diante do aumento de casos que envolvem prejuízos sociais, emocionais e financeiros, atingindo inclusive crianças e adolescentes.”


Estruturado em quatro módulos, o curso aborda desde o contexto histórico e os impactos contemporâneos dos jogos de aposta até estratégias de prevenção, intervenções psicossociais e fortalecimento do trabalho em rede. O conteúdo inclui atividades práticas voltadas à realidade dos serviços de saúde.

Segundo a Fiocruz, a formação tem como foco o desenvolvimento de competências como identificação de comportamentos de risco, construção de projetos terapêuticos singulares, acolhimento de famílias e atuação integrada no território.

Os participantes que concluírem o curso receberão certificado digital gratuito, emitido automaticamente pela plataforma.
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COMEÇA A VALER O PLANO NACIONAL DO LIVRO E DA LEITURA 2026-2030

Começam a valer nesta quarta-feira (29) novas metas de incentivo à leitura em todo o país. Pelos próximos dez anos, o Plano Nacional do Livro e Leitura 2026-2036 pretende ampliar o número de bibliotecas e facilitar o acesso da população a livros.

O documento, publicado no Diário Oficial da União, serve de instrumento para que estados, municípios e sociedade civil conheçam e implantem os novos normativos de gestão cultural aprovados desde 2023, como o Sistema Nacional de Cultura, o Programa Escola em Tempo Integral e o Sistema Nacional de Bibliotecas Escolares.

A base do plano é a compreensão de que a leitura e a escrita são instrumentos indispensáveis ao desenvolvimento das capacidades individuais e coletivas, de acordo com os princípios a seguir:

compreensão do livro como economia, da leitura como cidadania e da literatura como valor simbólico criativo;

valorização da leitura como ato criativo de construção de sentidos;

promoção do direito à literatura;

desenvolvimento da escrita criativa e literária;

garantia de acesso ao livro e a outros materiais de leitura.

Página exclusiva-O Ministério da Cultura lançou no dia 23 deste mês a nova página do Plano Nacional do Livro e Leitura. A navegação foi organizada em áreas temáticas que facilitam o acesso aos conteúdos. Entre os destaques estão as seções Políticas e Programas, Legislação, Guias e Cartilhas.

Após um período de desatualização desde o ciclo anterior (2006–2016), a retomada do Ministério da Cultura, em 2023, recolocou a construção do novo Plano como prioridade. A execução do plano envolve, além do Ministério da Cultura e da Educação, instâncias colegiadas responsáveis por sua governança.


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FLORESTA NACIONAL DO ARARIPE COMPLETA 80 ANOS NESTE SÁBADO 02 DE MAIO

A Floresta Nacional Araripe-Apodi, criada em 2 de maio de 1946, constitui a primeira Unidade de Conservação de sua categoria estabelecida no Brasil, cuja estratégia era conservar os recursos florestais, para manter as nascentes d’água que irrigavam os vales.

A Flona tem sua administração e gestão a cargo do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

Conhecida como o Oásis do Sertão, a FLONA é uma rica área de conservação ambiental, que abriga nascentes, fauna e flora diversificadas, além de paisagens únicas da Chapada do Araripe. O espaço também desempenha papel fundamental na preservação dos recursos hídricos e na manutenção do equilíbrio climático da região, sendo um dos principais patrimônios naturais do Cariri.

Por isso, celebrar sua existência, com respeito, cuidado e valorização, é um compromisso de todos que fazem parte desta região.

No dia 2 de maio, dia do aniversário da floresta, o Mirante do Caldas promoverá uma programação cultural com a Feira Mirarte, show musical Em-CANTA-mentos: uma Odisséia Musical e Ecológica, com Luiz Carlos Salatiel, Cleivan Paiva, Abidoral Jamacaru, Pachely Jamacaru, Pedro Paulo, Cláudio Mappa e Ney Alencar, às 20h; e a apresentação da Nazirê, às 22h, com o projeto Reggae Love.

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ENCONTRO DEBATE IMPORTÂNCIA DE JORNALISMO DIANTE DE INTELIGENCIA ARTIFICIAL

Os avanços das tecnologias de inteligência artificial (as IAs) e também da desinformação impõem às faculdades de jornalismo a necessidade de potencializar uma formação humana baseada em crítica e ética. Essa é uma das considerações da professora Marluce Zacariotti, da Universidade Federal do Tocantins (UFT), presidente da Associação Brasileira de Ensino de Jornalismo (Abej). 

Para ela, é indispensável que esses pilares sejam responsáveis para a permanente conquista da confiança social, em dias tão desafiadores. A pesquisadora está em Brasília para o 25º Encontro Nacional de Ensino de Jornalismo (ENEJor), na Faculdade de Comunicação da Universidade de Brasília (UnB). As atividades acontecem até 24 de abril.

Não precisa nova disciplina-A pesquisadora entende que a formação e a profissão passam por momentos que pedem reflexão e ações. Não se trata, então, apenas de aperfeiçoamento técnico, de acrescentar uma disciplina de inteligência artificial ou de combate à desinformação na matriz curricular. Para ela, esses temas devem ser trabalhados de forma transversal nas disciplinas do curso. “É preciso olhar para a pedagogia do jornalismo com o objetivo de reafirmar o papel clássico da atividade”, disse à Agência Brasil. 

A formação não deve abrir mão, segundo ela Marluce, de trabalhar a pesquisa jornalística e as metodologias de verificação de dados. Para ela, as tecnologias devem potencializar essas atividades, mas é preciso que seja reforçado o papel humano do fazer jornalístico. Olhar além dos muros da faculdade. Esse seria um papel da extensão universitária. Pensar em públicos e parcerias que vão colaborar com o aprendizado. “O jornalismo é um curso, por natureza, extensionista”. 

No evento em Brasília, ela citou que é fundamental que os cursos de jornalismo estabeleçam parcerias para reafirmar o papel da extensão no processo de ensino e aprendizagem.

As instituições podem ajudar à pedagogia para ajudar a decifrar o “novo universo”, a fim de identificar contextos econômicos e políticos. “É preciso entender que a gente vive nesse novo universo. Fechar as portas para isso é estar distante também dos nossos alunos”.

O viés social seria, então, inerente à formação. Dentro desse olhar humano que se exige do estudante e do jornalista, a formação, segundo entende, não deve vilanizar as tecnologias. Ela defende que os pesquisadores não devem olhar para as novidades de forma apocalíptica. 

“É preciso olhar e entender que são ferramentas que a gente precisa saber usar da melhor maneira possível. É não negar, mas aproveitar o potencial que elas podem ter para nos ajudar”. 

Para ela, há alunos também sem entender como fazer a utilização dessas ferramentas. O diálogo com os alunos é fundamental para a busca de soluções. 

Expor o método-Ela ressalta que é preciso que o jornalista seja formado com consciência cidadã. “É um caminho do qual não podemos abrir mão para o fortalecimento perante a sociedade. É preciso investir em educação midiática, a literacia midiática a fim de explicar para o público sobre o ecossistema mediático. 

Neste cenário, será preciso compreender as diferenças sobre o que fazem os jornalistas e o que realizam os influenciadores. “Muitas vezes, as pessoas não sabem se aquilo é uma informação jornalística produzida por profissionais, com visões, abordagens e contextualização do tema”. 

Sistema midiático-Não obstante, os professores devem levar em consideração que, na escalada da desinformação, o cenário é de completa reconfiguração do ecossistema midiático. Ela explica que os pesquisadores avaliam que as grandes corporações midiáticas são as big techs (gigantes de tecnologia) e não mais os veículos tradicionais. 

“Se antes a gente falava de impérios midiáticos, agora lidamos com forças um pouco mais ocultas porque a gente está lidando com algoritmos”, argumenta. Um sistema midiático em que cada indivíduo é um gerador de dados. Esse sistema midiático, “digitalizado e plataformizado”, requer colocar a crítica e a ética antes da técnica. 

Até por isso, ela diz que a formação em jornalismo deve prever uma preparação para encarar os desafios de forma responsável a fim de fazer o diferencial. “Não reproduzindo, mas produzindo com essas possibilidades tecnológicas”. 

Presença-A pesquisadora também destaca que a formação na profissão deveria priorizar aspectos presenciais. “O jornalismo é uma atividade coletiva, que exige a troca. É sempre muito difícil imaginar como fazer isso totalmente online”.

Da mesma forma, as redações coletivas no campo profissional são mais ricas de discussão do que o trabalho virtual. “Isso afeta, inclusive, o perfil do próprio jornalista”. O jornalista está cada vez mais na redação e menos na rua. Isso também tem relação com as condições precarizadas de trabalho.

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TVE EXIBE O DOCUMENTÁRIO XINGU, CARIRI, CARUARU, CARIOCA NESTA QUINTA-FEIRA (23)

Raízes, ancestralidade, história, música e memória são os elementos centrais da narrativa do documentário "Xingu, Cariri, Caruaru, Carioca". A obra mergulha na busca pelas origens do pife, instrumento musical que marcou a cultura nordestina. O filme será exibido pela TVE nesta quinta-feira (23), às 21h.

O documentário apresenta o músico Carlos Malta em busca das raízes do instrumento, investigando as transformações pelas quais ele passou ao longo do tempo até chegar aos dias atuais. Em sua viagem pela matriz histórica da sonoridade do pife, Malta transita entre as culturas populares e a cultura pop, debruçando-se sobre a influência indígena na musicalidade.

Lançado em 2017, com direção de Beth Formaggini, o documentário tem início na aldeia Kuikuro, onde apresenta os flautistas indígenas do Alto Xingu, no estado de Mato Grosso. Os pontos de parada seguintes são as comunidades do Cariri, no Ceará, e de Caruaru, em Pernambuco, até chegar ao Rio Carioca, no Rio de Janeiro.

"Xingu, Cariri, Caruaru, Carioca" foi premiado como melhor filme no Festival IN-EDIT SP/Barcelona, Festival In-Edit Brasil (8ª edição) e no 10º Encontro Nacional de Cinema e Vídeo dos Sertões, além de ter sido eleito melhor filme pelo júri popular na mostra competitiva de longas do Festival Iberoamericano de Cinema de Sergipe (Curta-SE).

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POBRES NÃO PODEM PAGAR POR IRRESPONSABILLIDADE DAS GUERRAS, DIZ LULA

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um duro discurso contra as guerras em curso e em defesa do fortalecimento do multilateralismo, na manhã deste sábado (18), em Barcelona, na Espanha. Ele participa da quarta reunião de alto nível do Fórum de Defesa da Democracia. 

O presidente está na Europa onde cumprirá agenda em três países. Em sua manifestação, Lula destacou que as consequências dos conflitos armados recaem sobre os mais pobres.

"O Trump invade o Irã e aumenta o feijão no Brasil, o milho no México, aumenta a gasolina em outro país. É o pobre que vai pagar pela irresponsabilidade de guerras que ninguém quer?", questionou.  

Lula destacou que os países têm outros problemas para enfrentar e o mundo "não está precisando de guerra".

"Temos mais de 760 milhões de pessoas passando fome, temos milhões de pessoas analfabetas, tivemos milhões de pessoas que morreram porque não tinha vacina contra a covid-19", continuou.

Lula observou que o mundo vive o período com o maior número de conflitos armados desde a Segunda Guerra Mundial e pediu ação coordenada da Organização das Nações Unidas (ONU).

"Precisamos exigir que o secretário-geral da ONU convoque reuniões extraordinárias, mesmo sem pedir aos cinco membros do Conselho de Segurança", afirmou.

O presidente criticou algumas das principais guerras em andamento, como a invasão da Ucrânia pela Rússia, a destruição da Faixa de Gaza por Israel e a o conflito dos Estados Unidos contra o Irã, no Oriente Médio.

"Nenhum presidente de nenhum país do mundo, por maior que seja, tem o direito de ficar impondo regras a outros países. Nenhum. E os cinco membros do Conselho de Segurança da ONU devem se reunir para mudar seu comportamento.Nós não podemos levantar todo dia de manhã, e dormir todo dia a noite, com tuíte de um presidente da República ameaçando o mundo, fazendo guerra. Ou seja, e todos eles tomam decisão sem consultar a ONU, da qual são eles membros e fazem parte do conselho", prosseguiu Lula.

O presidente brasileiro lamentou o silêncio dos países e pontuou que a democracia nas Nações Unidas depende do envolvimento dos países. "Fortalecer o multilateralismo depende de nós". (Agencia Brasil)


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RÁDIO EDUCADORA DO CARIRI: NAS ASAS DA ASA BRANCA O VOO GONZAGUEANO COM NEY VITAL

O Programa ‘Nas Asas da Asa Branca – Viva Luiz Gonzaga e seus Amigos’, apresentado aos domingos às 10h na Rádio Educadora do Cariri FM 102.1, no Crato (CE), recebeu no dia (16) de setembro de 2025  uma Moção de Aplausos da Câmara de Vereadores. A homenagem, aprovada pelo Poder Legislativo, foi apresentada pelo vereador José Wilson da Silva Gomes (Wilson do Rosto) e aprovada por unanimidade.

A produção e apresentação do programa é do jornalista Ney Vital. O programa é pautado em músicas de Luiz Gonzaga, informações em defesa do meio ambiente, agroecologia (destacando a Floresta Nacional da Chapada do Araripe), a cultura da região do Cariri, seus cantadores de Pífano e violeiros.

Ney Vital, que atua há mais de 35 no jornalismo, agradeceu à Moção de Aplausos do presidente e aos demais vereadores.

‘Nas Asas da Asa Branca – Viva Luiz Gonzaga e seus Amigos’ segue uma trilogia amparada na cultura, cidadania e informação. Programa com roteiro usado para contar a história da música brasileira a partir da voz e sanfona de Luiz Gonzaga, seus amigos e seguidores.

Fiquei surpreso e em dobro muito feliz. Moção de Aplausos para toda equipe da Rádio Educadora comandada pelo Padre Ricardo Pereira. A voz da Câmara Municipal representa a população do Crato e assim aumenta nosso compromisso com a vida e obra de Luiz Gonzaga, ética e condução do programa, visto que a Rádio Educadora vai completar 67 anos de serviços prestados à região do Cariri e ao Brasil“, afirmou Ney Vital.

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O DERRADEIRO ABOIO, POR ONALDO QUEIROGA

Se existe algo que lembra o sertão, sem dúvida, que é o aboio de um vaqueiro. Esse canto vagaroso que transparece um compasso que segue o ritmo da boiada e que termina por afervorar os animais, tem realmente a cara do Nordeste, apesar de também lembrar o interior das Minas Gerais, do Rio Grande do Sul, Mato Grosso, do Mato Grosso do Sul e do Goias. 

Parece que estou vendo, o vaqueiro tangendo o gado pelas veredas levando-o para as  pastagens e de volta ao curral. Ei boi! Ei boi! Boi, boi, boi. Com esse introito, o vaqueiro vai conduzindo os animais e construindo seus versos em forma de aboio, modalidade de origem moura, cultura trazida pelos escravos portugueses da Ilha da Madeira. 
Com versos centrados em temas agropastoris, o aboio é um dos mais belos traços da nossa cultura. Encantador  também é quando estamos diante de uma vaqueirama. Nessa reunião de vaqueiros para apartar o gado em meio ao movimento de apartação, eles aboiam, numa erupção de versos dolentes, parecem  conversar com o gado. O barulho do chocalho misturado com o mugido e os aboios, são sons místicos que ainda ecoam no sertão nordestino. 

Embrenhado nas ressequidas e cinzentas terras sertanejas, com suas indumentárias típicas e montados em seus cavalos, os vaqueiros desviam cactus espinhosos, buscam pegar no rabo do boi, levá-lo ao chão, dominá-lo e conduzi-lo ao curral. Toda essa cena é comumente retratada nos aboios que sonorizam o mundo chamado sertão. Falando em aboio, não podemos deixar de registrar que o Gonzagão foi um grande aboiador.  Uma simples incursão por sua obra constata este aspecto. Com o Padre João Câncio criou a própria "Missa do Vaqueiro", em Serrita, onde no curso das celebrações aboiou muitas vezes para uma imensidão de vaqueiros, que sob um causticante sol carregavam uma inquebrantável de fé. 

Conversando com Joquinha Gonzaga, seu sobrinho, ele me relatou que presenciou o derradeiro aboio. Imaginem Gonzaga muito doente, interno no Hospital Santa Joana, Recife, numa última madrugada, tomado pelas dores ósseas que lhe dominavam impiedosamente. Ele não gritava, me falou Joquinha com os olhos marejando: - "Não, doutor. Ele olhava para mim e Edeuzuíta Rabelo e aboiava. Aboiava com toda força de sua alma, e de forma dolente, ecoava um aboio tangendo um gado imaginário, aboiava como se tangesse as suas dores e sofrimentos. Eram aboios do adeus, algo que nos levava às lágrimas. Era um homem forte demais". 

O aboiador não morreu, nunca morrerá. Continua vivo nos aboios que ainda ecoam pelo Nordeste, denunciando injustiças e para mostrar a fortaleza e alegria de seu povo.

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ABRAHÃO COSTA ANDRADE, BOM POETA ME ACOMPANHA. POR HILDEBERTO BARBOSA FILHO

Abrahão Costa Andrade nasceu em 1974 tem formação em filosofia. Sua poesia tem acentos filosóficos, mas o poeta não se deixa cair na armadilha fácil do apelo doutrinário. Evita a teorização didática e investe, de maneira sólida e original, na energia poética das palavras e na espessura de um pensamento lírico que nos renova a percepção das coisas e do mundo.

Sua data de nascimento me diz que ele integra uma geração posterior a minha, que deu um Lúcio Lins, um José Antônio Assunção e um Águia Mendes. Sua geração é a de Edônio Alves Nascimento, Ed Porto, Antônio Mariano, André Ricardo Aguiar, Linaldo Guedes e, entre os mais novos, Astier Basílio e Bruno Gaudêncio, só para citar aqueles de presença visível e com inegável desenvoltura no trato com a linguagem.

Afroameríndia (tratado da sensibilidade) (1992); Mulãria da Macambária (1994); O idioma dos pães (1996); Educação do esquecimento (2009); Punhal a língua (2014) e A casca do tempo (poemas de tempo & desaforo) (2017) constituem, por enquanto, o seu patrimônio poético, numa demonstração de um esforço criador dos mais disciplinados e mais instigantes, se tenho como medida a meditação estética e a sondagem existencial.

Quero crer que, a partir deste instante de leitura e releitura de seus versos, sua arte expressiva ganha maturidade, sobretudo em Educação do esquecimento, já em seu talhe borgeano, e em A casca do tempo, que vejo e sinto como um pequeno tratado reflexivo acerca dessa categoria metafísica que tanto inquietou Santo Agostinho e Henry Bergson.

Mas não pense o leitor que as aporias e os silogismos do discurso filosófico enfeixam-se, aqui, no truque vazio dos hermetismos de ocasião em que tantos poetastros se comprazem, como se participassem de uma farra de cadáveres, embriagados com a sua própria podridão. Não. Em Abrahão Costa Andrade a realidade (o tempo, principalmente o tempo, a cidade, a casa, a irmã, as ideias e as emoções) não se esconde através da máscara dos falsos experimentalismos linguísticos, porém, revela-se, inteira e enigmática, na sua densidade semântica, na sua capacidade de ser e não ser, de ser mais e muito mais que aquilo a ser domado pelas táticas e artifícios de um paradigma estilístico.

Se no primeiro poema de A casca do tempo, “A cidade e seu duplo”, versos como “o rio sabe-se a si mesmo ∕ como a cidade nele se sabe”, lembram certos ecos cabralinos, embora esta elegia sobre o rio Tietê possa nos levar às águas escuras do longo poema de Mário de Andrade, Abrahão não perde, por sua vez, a autonomia de seu foco lírico, pois, nele, introduz o giroscópio da metalinguagem e amplia o espaço das margens, quem sabe, para uma terceira, misturando palavra e existência, como podemos inferir na possível mensagem destes versos magistrais:

o rio não está nem aí com o que se diga dele:

são confissões,

e o que vem de dentro já o atinge

anterior à fala;

é suporte para a sua autoimagem.

Para sondar o mistério do tempo e os outros motivos de sua seleção poética, o autor socorre-se de formas variadas. O minimalismo do haicai coexiste com a pegada mais expansiva de um texto como “Cotidiano”, na sua cadência aforismática, ou, em “Eu quero ficar em casa”, no seu tom monocórdico, quase prosaico, meio à Álvaro de Campos, mas com aquele sarcasmo tipicamente andradino, donde a poesia pode brotar com seus gumes de fogo, senão vejamos:

Não me chamem para vernissage, lançamentos

de livros ou de nave espacial. Nada tenho

de especial. Sou tranquilo e insuportável

como uma brasa. Por isso, deixem-me,

deixem-me ficar em casa.

“São Tomás de Aquino”, poema dedicado a Alda Costa Andrade, sua irmã, é dos mais tocantes, na sua prosódia subdividida em duas partes, visceralmente interligadas pelo timbre de fervor quase oracional que condiciona poeticamente o ritmo e a ideia que o formatam, na sua intrínseca estrutura artística. Leiamos a primeira parte, e veja, leitor, se tenho razão:

Filha, difícil é outro nome da vida.

É entre espinhos sempre que floresce a rosa.

Acertar é coisa de quem atira, e atirar,

Filha, é contra minha doutrina. Descalços os pés

Melhor sentes a terra que te fiz e de que te fiz.

E isso que chamas de fraquezas, não são.

Filha, é apenas o movimento bambo em direção

Ao eterno recomeço de uma alegria

Que a ti te preparo a cada instante. Olha!.

Outros poemas me parecem antológicos, a exemplo de “Coração precário”, “Palavras redondas”, “Bilhete”, “Agulha”, “Rochas”, “Ode ao presente”, “Ladra, é isso que é a morte”, “A tristeza é uma mendiga velha” e “Quando eu morrer eu quero me encontrar com Borges”. Em todos a poesia se faz aquela “metafísica instantânea” de que fala Gaston Bachelard.

Na Apresentação, a professora da Universidade Federal do Espírito Santo, Ester Abreu Vieira de Oliveira, afirma, como arremate de suas justas palavras: “Em sua poesia não há confecção intelectual que possa vir de um filósofo intelectual que é”. Assino embaixo.

Mas ainda diria: a poesia de Abrahão Costa Andrade, mormente aqui, neste A casca do tempo, no seu rigoroso equilíbrio entre som e sentido, para lembrar a exigência de Valéry, se tem acentos filosóficos como já disse, e se filosofia é sabedoria, o seu saber não vem das escolas, vem das vértebras incontornáveis da vida, da vida e sua “agitação feroz e sem finalidade”, para lançar mão do grande verso de Manuel Bandeira.

Sua poesia também traz a marca do leitor. Sua poesia também assume os riscos do diálogo. Há muitos textos entranhados nas malhas de seus versos. Há muitos versos que são plurais, não somente pela ambivalência das formas e dos metros, mas, sobremaneira, pelas provas polissêmicas, pelos indícios de sugestão estética, pela verticalidade do pensamento e pela verdade das emoções. Isto me parece mais que suficiente para dizer, sem titubeios e sem louvações ilusórias, lendo Abrahão Costa Andrade leio um dos mais fortes poetas de sua geração. Leio, não, releio e releio, porque um bom poeta me acompanha sempre. (Texto publicado no Jornal da Paraiba)

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NÚMERO DE ELEITORES COM MAIS DE 60 ANOS CRESCEU 74%, APONTA PESQUISA

Um levantamento realizado pela Nexus-Pesquisa e Inteligência de Dados a partir do Portal de Dados Abertos do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), revela que a chamada Geração Prateada, de pessoas 60+ aptas a votar, cresceu cinco vezes mais do que o eleitorado geral nos últimos 16 anos. 

Enquanto o número de eleitores de todas as faixas etárias cresceu 15% entre 2010 e 2026, o eleitorado 60+ aumentou 74% no período, o que revela expansão de 20,8 milhões em 2010 para 36,2 milhões em março deste ano.

Segundo a Nexus, os números podem aumentar ainda mais até o dia 6 de maio, que é o prazo final para o cadastro de eleitores no TSE. 

Até a data da coleta, 156,2 milhões de pessoas estavam aptas a participar do processo eleitoral no próximo mês de outubro, contra 135,8 milhões, em 2010. O levantamento sugere que em um cenário de polarização aguda, como ocorreu na eleição de 2022, obter o voto da população 60+ é estratégico.

De acordo com o CEO da Nexus, Marcelo Tokarski, a Geração Prateada pode definir o resultado das eleições deste ano. 

“É bastante plausível afirmar que a chamada Geração Prateada (60+) pode ser decisiva nas eleições, embora não se possa dizer que ela, sozinha, definirá o resultado”. 

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LULA CRITICA AMEAÇAS DE TRUMP AO MUNDO E DEFENDE PAPA LEÃO XIV

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta terça-feira (14), que a guerra dos Estados Unidos, liderada por Donald Trump, contra o Irã é inconsequente e que o presidente estadunidense não precisa ameaçar o mundo. Lula também foi solidário ao papa Leão XIV, que trocou críticas com Trump esta semana.

Para o presidente Lula, Trump faz jogo de narrativas na tentativa de agradar à população e para tentar passar a ideia de os Estados Unidos serem “país onipotente, daquele povo superior”. O brasileiro afirmou que admira os Estados Unidos como maior economia do mundo, mas que isso é resultado da capacidade de trabalho do povo do país norte-americano.

“Isso não é pelo autoritarismo do presidente. Isso é pela conjuntura econômica, pela importância do país, pelo grau de universidade que eles têm. Então, o Trump não precisava ficar ameaçando o mundo”, disse Lula.

“Essas ameaças do Trump não fazem bem para a democracia. Essa guerra do Irã é inconsequente”, acrescentou o presidente ao destacar as consequências do conflito na economia, sobretudo nos preços dos combustíveis.

No domingo (12), ao comentar as críticas do papa sobre as ações dos Estados Unidos no Irã e na Venezuela, Trump afirmou que Leão XIV é "terrível em política externa" e pediu que ele deixe de agradar a esquerda radical. O papa respondeu que não tem medo do presidente estadunidense e que acredita na mensagem de paz do Evangelho.

“Estive com ele [papa Leão XIV] e saí muito bem-impressionado. [Quero] ser solidário a ele, porque está correta a crítica que ele fez ao presidente Trump. Ninguém precisa ter medo de ninguém”, disse Lula em entrevista aos veículos Brasil247, Revista Fórum e DCM.


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PADRE CÍCERO, A FÉ OS PRECEITOS ECOLÓGICOS

 “O nome do padre Cícero / ninguém jamais manchará, / porque a fé dos romeiros / viva permanecerá, / pois nos corações dos seus / foi ele um santo de Deus / é e pra sempre será.” Tema de incontáveis folhetos de cordel espalhados pelas feiras sertão afora.

Quem já ouviu falar dos preceitos ecológicos do Padre Cicero, muitos o seguem como exemplo de fé e religiosidade, mas poucos sabem que ele foi um dos primeiros defensores do meio ambiente, do bioma caatinga.

Cícero Romão Batista nasceu em Crato, Ceará no dia 24 de março de 1844. Foi ordenado no dia 30 de novembro de 1870. Celebrou a sua primeira missa em Juazeiro em 1871. No dia 11 de abril de 1872 fixou residência em Juazeiro. Padre Cícero faleceu no dia 20 de julho de 1934, na cidade de Juazeiro.


A jornalista Camila Holanda escreveu que nas entranhas do Cariri do Ceará foi emergido uma versatilidade de ícones que, entrelaçados povoam o imaginário cultural que habita a região.


Nas terras do Ceará ouvi uma das mais belas histórias. Resumo: o teatrólogo, pesquisador cultural Oswaldo Barroso, ressalta um dos mais valiosos símbolos, a vigorosa força mítica e religiosa. Oswaldo, cidadão honorário de Juazeiro do Norte, diz que a primeira vez que esteve no Cariri foi nos anos 70 e a experiência fez com que suas crenças e certezas de ateu fossem desconstruídas e reconstruídas com bases nos sentimentos das novas experiências e epifanias vividas.


"Desde o início, não acreditava em nada de Deus. Mas quando fiz a primeira viagem ao Horto do Juazeiro do Norte, foi que eu compreendi o que era Deus. Isso mudou minha vida completamente", revelou Oswaldo.


Um outra narrativa importante encontrei na mitologia dos Indios Kariris. Nela a região é tratada como sagrada, centro do mundo, onde no final dos tempos, vai abrir um portal que ligará o Cariri  para a dimensão do divino.


A estátua do Padre Cícero encontra-se no topo da Colina. Muitos romeiros percorrem a Trilha do Santo Sepulcro. A pé eles percorrem às 14 estações trajeto marcado por frases e conselhos ambientais do Padre Cícero, que já alertava naquela época para os muitos desequilíbrios ambientais e impactos da agressão humana na natureza.


Padre Cicero descreveu os preceitos ecológicos:

1) Não derrube o mato, nem mesmo um só pé de pau;
2) Não toque fogo no roçado nem na caatinga;
3) Não cace mais e deixe os bichos viverem;
4) Não crie o Boi e nem o bode solto; faça cercados e deixe o pasto descansar para se refazer;
5) Faça uma cisterna no oitão de sua casa para guardar água de chuva;
6) Não plante em serra a cima, nem faça roçado em ladeira que seja muito em pé; deixe o mato protegendo a terra para que a água não a arraste e não se perca sua riqueza;
7) Represe os riachos de 100 em 100 metros, ainda que seja com pedra solta;
8) Plante cada dia pelo menos um pé de algaroba, de caju, de sabiá ou outra árvore qualquer, ate que o sertão todo seja uma mata só;
9) Aprenda tirar proveito das plantas da caatinga a maniçoba, a favela e a jurema; elas podem ajudar a conviver com a seca;
10) Se o sertanejo obedecer a estes preceitos a seca vai aos poucos se acabando o gado melhorando e o povo terá sempre o que comer, mas se não obedecer, dentro de pouco tempo o sertão todo vai virar um deserto só.

Rezemos com Fé! . Os sorrisos são a alegria da alma.
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