GOVERNO BOLSONARO EXCLUI ÓRGÃO GESTOR DO MEMORIAL QUILOMBO DOS PALMARES

Somado com um forte discurso anti-ambiental, cultural e histórico o governo de Jair Messias Bolsonaro tem feito do desmonte de políticas e órgãos públicos a essência de seu mandato. O futuro do Patrimônio Ambiental, histórico e Cultural brasileiro estão em xeque.

Uma portaria publicada no Diário Oficial da União de ontem terça-feira (10) extinguiu o comitê gestor do Parque Memorial Quilombo dos Palmares, em Alagoas. A decisão do presidente da Fundação Palmares, Sérgio Camargo, também exclui outros seis órgãos colegiados. 

O comitê foi criado após o reconhecimento da Serra da Barriga como Patrimônio Cultural do Mercosul em 2017. O grupo era composto por representantes da sociedade civil, líderes de religiões de matrizes africanas de Alagoas e pelo poder público, entre eles, a prefeitura de União dos Palmares, o Governo de Alagoas, o Iphan, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), a Universidade Federal de Alagoas (Ufal) e a Universidade Estadual de Alagoas (Uneal).

Com a exclusão, o poder de decisão sobre as ações que serão adotadas no local passa a se concentrar nas mãos do presidente da fundação. 

Além do comitê de Alagoas, foram extintos a Comissão Permanente de Tomada de Contas Especial; o Comitê de Governança; o Comitê de Dados Abertos; a Comissão Gestora do Plano de Gestão de Logística Sustentável; a Comissão Especial de Inventário e de Desfazimento de Bens e o Comitê de Segurança da Informação.

Zumbi dos Palmares, uma das principais lideranças negras da história do país. O nome faz referência ao Quilombo dos Palmares, maior espaço de resistência de escravos durante mais de um século no período colonial (1597-1704).

A Serra da Barriga foi tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em 1985. Em 2007, foi aberto o Parque Memorial Quilombo dos Palmares, próximo à cidade de União dos Palmares, a cerca de 80 quilômetros da capital do estado, Maceió. O espaço ainda é o único parque temático voltado à cultura negra no Brasil.

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SEMINÁRIO MARCA OS 120 ANOS DE GILBERTO FREYRE

Considerado um dos precursores na descentralização de uma visão colonizadora sobre a sociedade brasileira, o sociólogo Gilberto Freyre (1900-1987) colocou negros e indígenas na discussão sobre a formação de nossa identidade nacional. Neste domingo (15), o pensador completaria 120 anos de vida. Para celebrar a obra e a importância do pesquisador para a contemporaneidade, a Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj) promove, nestas quarta (11) e quinta-feira (12), o seminário “Gilberto Freyre: 120 anos de pioneirismo”, na Sala Calouste Gulbenkian, no campus Casa Forte, na Zona Norte do Recife.

Dentro da programação, conferência e mesas-redondas discutirão o papel de Gilberto Freyre para a sociologia e antropologia modernas. “Gilberto Freyre enxergava além de seu tempo. Até hoje, às vésperas de completar 120 anos, suas análises continuam norteando muitos estudiosos quanto aos aspectos históricos, sociopolíticos e tradicionais da cultura brasileira. A Fundaj criou esse seminário para homenagear seu criador em suas mais diversas faces. É um homem que precisa ser celebrado tanto quanto sua riqueza literária e seu intelecto ainda tão contemporâneo”, enfatiza o presidente da Fundaj, Antônio Campos, que fará a abertura da série de discussões, às 14h30.

Além da abertura, duas mesas-redondas serão realizadas. “As várias faces de um escritor”, que será comandada pelo ensaísta e presidente da Academia Pernambucana de Letras (APL), Lucilo Varejão Neto, vai abordar a perspectiva literária de Freyre na pesquisa científica-acadêmica. Nesta quinta, a antropóloga Fátima Quintas comanda a discussão “Memória e Contemporaneidade”, ao lado do secretário de Cultura de Pernambuco, Gilberto Freyre Neto; e o presidente da Fundaj, Antônio Campos; além dos professores Anco Márcio e André de Sena.

Para a antropóloga e imortal da APL Fátima Quintas, que idealizou o seminário, Gilberto Freyre deixou um legado na linguagem científica brasileira. “Foi o primeiro intérprete da sociedade brasileira, extremamente inovador. Ele escreveu um ensaio com uma literatura linda, quando na época os ensaios tinham uma linguagem dura e rígida. Neste ponto de vista, ele foi totalmente inovador e com uma linguagem sedutora na ciência”, afirma Fátima, que chegou a trabalhar junto ao sociólogo.

Depois dos ciclos de palestras, amanhã, a Fundação Joaquim Nabuco vai lançar o livro "Casa-Grande Severina 120 anos de Gilberto Freyre 100 anos de João Cabral de Melo Neto", uma obra que guarda os anais das palestras e conferências realizadas no Seminário Internacional Casa-Grande Severina, promovidos pela instituição no dezembro do ano passado.
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JUAZEIRO: AGRICULTORAS DA HORTA COMUNITÁRIA COMEMORAM O DIA INTERNACIONAL DA MULHER

As comemorações em homenagem ao dia Internacional da Mulher, na Horta Comunitária Povo Unido, do bairro João Paulo II, tiveram início cedinho, na manhã dessa segunda –feira (09). Palestras sobre empoderamento feminino, autocuidado marcaram o encontro promovido pelas agricultoras, pelo Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Juazeiro (STRJ) e pelo vereador Agnaldo Meira.

As agricultoras foram recepcionadas com um café da manhã coletivo. Em seguida, participaram de palestras com o corpo de bombeiros, sobre primeiros socorros. A moradora do bairro Antônio Guilhermino, Audenisse Souza Silva e colaboradora do Instituto Regional da Pequena Agropecuária Apropriada (IRPAA), realizou uma conversa com as mulheres a respeito do lugar de fala e empoderamento feminino.

Para a presidente da Horta Orgânica, Ana Cristina Novaes de Souza “foi um momento muito enriquecedor, que demonstrou a importância e força de nós mulheres do campo, no lar e no trabalho, afinal o lugar de mulher é onde ela quiser”, afirmou.

O STRJ também realizou um debate sobre o papel da mulher na agricultura familiar. “É importante a realização desses debates, para que as trabalhadoras possam visualizar os direitos alcançados ao longo dos anos e a luta pela manutenção dessas conquistas”, destacou Regina Lúcia Vieira.

O vereador Agnaldo Meira esteve presente a comemoração e destacou a importância do trabalho realizado pelas agricultoras da Horta Orgânica do bairro João Paulo II. “As mulheres agricultoras da horta do bairro João Paulo II tem desenvolvido um trabalho muito importante em nossa cidade, na garantia de uma alimentação saudável e precisamos potencializar a realização de eventos como esse, que destacam a importância da mulher, do trabalho feminino e dos seus espaços de ocupação”, finalizou Meira. (Fonte: Ascom Sheila Feitosa)
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MULHERES TRABALHADORAS SEM TERRA OCUPAM AS RUAS DE JUAZEIRO BAHIA CONTRA POLÍTICAS DO GOVERNO BOLSONARO

Na manhã desta segunda-Feira (9), mais de 600 mulheres Sem Terra ocuparam as ruas da cidade de Juazeiro (BA), em repúdio às políticas de privatização das terras e das águas implementadas pelo Governo Bolsonaro para o campo. A ação faz parte da Jornada Nacional de Luta das Mulheres pela Reforma Agrária, marcada por mobilizações em todo o Brasil.

Elas denunciam a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e o governo federal pelo não cumprimento do acordo de assentar 800 famílias Sem Terra, conforme termo de acordo celebrado em 2008, entre a Casa Civil, a Secretaria Geral da Presidência da República, a Codevasf, o Incra, a Ouvidoria Agrária Nacional e as famílias Sem Terra.

Segundo Naiara Santos, da direção estadual do MST, “a jornada de lutas das mulheres se intensifica no mês de março. Esse ano com o lema ‘Mulheres Sem Terra, Semeando Resistência’, traduz o que passamos diariamente em razão do patriarcado. Temos mais de 3.500 companheiras em Brasília lutando por nossos direitos, que estão sendo arrancados de nós, e hoje estamos aqui em Juazeiro lutando também e semeando a resistência que a mulher tem, principalmente a mulher Sem Terra”.

“O desgoverno de Bolsonaro tem afligido cada vez mais as mulheres, sejam elas do campo ou da cidade, e nossa ação hoje é um grito em alto e bom som, afirmando que não permaneceremos inertes frente aos desmandos e retrocessos, continuaremos em luta e semeando resistência”, finaliza.

Para as trabalhadoras Sem Terra “o governo federal, através de empresas como Codevasf e o Incra estão perseguindo e despejando as famílias Sem Terra acampadas no perímetro irrigado às margem do Rio São Francisco, com o objetivo de privatizar os bens naturais e entregar para o capital financeiro internacional”, afirmam as trabalhadoras.

No dia 25 de novembro de 2019 mais de 650 famílias foram despejadas violentamente dos acampamentos Abril Vermelho, em Juazeiro, Iranir de Souza e Irmã Dorothy, em Casa Nova. Vários tratores da Codevasf, escoltados pela Polícia Federal, destruíram casas, escolas, igrejas, postos de saúde e as plantações das famílias.

Para Fátima Santos, da direção estadual do MST, “a ação é uma das formas que as famílias Sem Terra encontraram para exigir das autoridades, em nível estadual e federal, em especial a Codevasf e o Incra, o respeito e o devido cumprimento do acordo firmado em 2008, assentando definitivamente as 800 famílias acampadas”.

“A ação de despejo da Codevasf junto com o governo federal teve caráter de perseguição, causando muito sofrimento às famílias e afetando diretamente a economia local dos municípios de Sobradinho, Juazeiro e Casa Nova. Pois, as famílias acampadas tinham uma produção diversificada de frutas, verduras, caprinos e psicultura que abastecia as feiras locais e o Mercado de Produtos de Juazeiro, aportando a economia mais de R$ 14 milhões por ano”, explica Santos.

Os perímetros são fruto do processo de transposição do Rio São Francisco, cujo objetivo é levar as águas do manancial aos pequenos agricultores e às comunidades carentes, porém, na prática, esse ideal não se concretiza.

Existe toda uma cadeia do agronegócio que disputa as áreas do perímetro com as famílias Sem Terra. Esse processo de disputa na via institucional tem travado o desenrolar das negociações com a Codevasf para garantir as diversas e reiteradas desapropriações.

Exemplo disso foi a última invasão da Polícia Federal aos acampamentos Abril Vermelho, Irmã Dorothy e Iranir, nos municípios de Casa Nova e Juazeiro, no dia 25 de novembro de 2019. Na ocasião, os policiais utilizaram violentamente da força, destruindo casas, escolas, lavouras, deixando um cenário de desolamento e guerra.

Buscando garantir seus direitos, em abril de 2007, cerca de mil famílias do MST construíram o acampamento Vale do Salitre, nas proximidades de uma das casas de bombas mantidas pela Codevasf. Um ano depois, um acordo feito com o governo da Bahia, governo federal e órgãos como o Incra e a Codevasf fez com que as famílias fossem transferidas para uma área em Sobradinho (BA), com a promessa dos órgãos que construiriam a estrutura necessária para um assentamento.

Entretanto, em 2020, apesar das diversas tratativas, o acordo ainda não foi cumprido pelos órgãos envolvidos, e as famílias continuam resistindo, apesar dos despejos, e exigindo o acesso à água e terra. (Coletivo MST Bahia)

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POETA ANTONIO FRANCISCO PARTICIPA DO CONGRESSO INTERNACIONAL DO LIVRO, LEITURA E LITERATURA DO SERTÃO 2020, NO MÊS DE MAIO EM PETROLINA

O poeta Antonio Francisco, conhecido como o Poeta da Paz, será um dos integrantes  um dos Congresso Internacional do Livro, Leitura e Literatura no Sertão 2020, em Petrolina, evento que será realizado entre os dias 04 e 09 de maio.

A programação da 5º edição do Clisertão vai contar com apresentações musicais, mesas redondas, exposições artísticas, feira de livros, visitas técnicas, exibições de filmes e conferências. 

No dia 04 de maio, às 18hs está previsto uma mesa redonda com o tema Zuada: declamação de poemas, música boa e ruim, karaokê e outros troços que fazemos porque somos... Humanos. Coordenação Vlader Nobre (UPE Campus Petrolina).

19h: Local-Universal: o mundo todo cabe na minha cabeça. Mesa com os escritores homenageados do 5.º Clisertão. Mediação do jornalista e escritor Carlos Laerte.

19h40: Conferência.  O texto como prótese reflexiva. Com a Profa. Dra. Lucia Santaella (PUC-São Paulo), vencedora do Prêmio Jabuti.

​20h30: “Ai Se Sêsse...” Recital com os poetas Chico Pedrosa (Olinda-PE), Gerado do Norte (Rio de Janeiro) e Antônio Francisco (Mossoró-RN).

Antonio Francisco é graduado em História pela Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN). Poeta popular, cordelista, xilógrafo e compositor. Aos 46 anos começou sua carreira literária, já que era dedicado ao esporte, fazia muitas viagens de bicicleta pelo Nordeste e não tinha tempo para outras atividades. Muitos de seus poemas  são alvos de estudos e pesquisas de vários compositores do Rio Grande do Norte e de outros estados brasileiros, interessados na grande musicalidade que possuem. Antonio Francisco é atualmente tema de tese de mestrado e doutorados. 

Muitos de seus poemas já são alvo de estudo de vários compositores do Rio Grande do Norte e de outros estados brasileiros, interessados na grande musicalidade que possuem. Em 15 de Maio de 2006, tomou posse na Academia Brasileira de Literatura de Cordel, na cadeira de número 15, cujo patrono é o saudoso poeta cearense Patativa do Assaré. 

"Como pode a natureza Num Clima tão quente e seco Numa terra indefesa Com tanta adversidade Criar Tamanha beleza. Não temos coragem de cortar uma árvore bela pra fazer uma cadeira somente pra sentar nela. Achamos melhor ficarmos sentados na sombra dela"!

Os versos são de Antonio Francisco e o diretor da editora Queima Bucha, Gustavo Luz comenta que o poeta Antonio Francisco é um caso raro!

Antonio é simples, sempre de bom humor com a vida. Nos dias atuais, onde a ganancia humana não tem limite é uma Riqueza saber da existência de Antonio Francisco. "Seu coração é de uma pureza rara, de uma bondade tão grande que é um pregador da Paz".

O sonho de Antonio Francisco é sempre de Paz. 

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I FESTIVAL INTERNACIONAL DO TEATRO LAMBE-LAMBE TEM EXPOSIÇÃO E APRESENTAÇÕES EM SALVADOR

1º Festival Internacional do Teatro Lambe-Lambe tem exposição e apresentações gratuitas em Salvador

Genuinamente soteropolitana, a arte do Teatro Lambe-Lambe completa 30 anos com a realização do 1º Festival Internacional do Teatro Lambe-Lambe, evento que terá vasta programação neste mês de março em Salvador.

O mês começou com a abertura de uma exposição, no Café Teatro Nilda Spencer, localizado na sede da Fundação Gregório de Mattos (FGM), na Barroquinha, e conta com ocupações em espaços públicos de Salvador, com mostras gratuitas em todos os finais de semana do mês.

Ao todo serão 12 dias com apresentações às sextas-feiras, sábados e domingos em diversos pontos da cidade. Sempre abertas ao público e ao ar livre. Campo Grande, Plataforma, Periperi, Cajazeiras, Rio Vermelho, Imbuí, Liberdade, Ribeira, Itapuã, Nazaré, Barbalho, entre outros bairros, integram a programação.

Gênero teatral criado na Bahia em 1980 pelas mãos de duas mulheres, as pedagogas e atrizes Denise Di Santos e Ismine Lima, o Teatro Lambe-Lambe consagra-se pela simplicidade do formato e pelo fazer artesanal.

Lúdico, itinerante, inclusivo e sustentável, o Teatro Lambe-Lambe tem como essência a magia dos antigos fotógrafos, e proporciona ao espectador uma experiência única e individual.

Confira a programação:
1º Festival Internacional do Teatro Lambe-Lambe
Exposição Teatro Lambe-Lambe
Abertura: 5 de março, 18h
Período: 6 a 29 de março de 2020
Local: Café Teatro Nilda Spencer
Visitação gratuita: segunda a sexta-feira, das 14h às 18h

Apresentações Gratuitas:
13 de março (sexta-feira) | 15h30
Praça da Inglaterra (Comércio) e Praça Largo da Ribeira
14 de março (sábado) | 15h30
Praça Ana Lúcia Magalhães (Pituba) e Praça Nelson Mandela (Liberdade)
15 de março (sábado) | 15h30
Av. Magalhães Neto (Pituba) e Praça do Imbuí
20 de março (sexta-feira) | 15h30
Praça Conselheiro Almeida Couto (Nazaré) e Praça Dorival Caymmi (Itapuã)
21 de março (sábado) | 15h30
Praça do Barbalho e Praça da Garibaldi
22 de março (domingo) | 15h30
Praça Marquês de Olinda (Garcia) e Praça de Santo Antônio
27 de março (sexta-feira) | 15h30
Quarteirão das Artes (Barroquinha)
28 de março (sábado) | 15h30
Largo de Santana (Rio Vermelho) e Praça João Amaral (Amaralina)
29 de março (domingo)
10h – Parque da Cidade
15h30 – Farol da Barra
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REPORTAGEM ESPECIAL: EU SOBREVIVI AO GARIMPO ILEGAL DE AMETISTA EM SENTO SÉ, SUAS HISTÓRIAS, MORTE E FÉ

Alan Gama é um dos sobreviventes do garimpo ilegal de pedras preciosas, localizado na Serra da Quixaba, na Bahia próxima de Sento Sé, às margens do rio São Francisco. É neste garimpo onde Alan "tentou a sorte" quando soube da descoberta uma jazida de ametista. Foi um dos primeiros a chegar no local.

"Ali não existe vida digna. Na serra, no garimpo apenas sobrevivemos. Não existe lei de Governo Federal, Estadual e Municipal, saúde, segurança. Existe um amontoada de gente  que parece formigas, catando, escavacando o solo. Todos ali, crianças, adultos, mulheres e homens sobrevivem dia e noite. O tempo é a esperança de ganhar muito dinheiro. Mas também há casos de quem investiu e perdeu tudo." conta Alan.

Sento Sé vive uma revolução desde a descoberta da pedra preciosa, uma jazida de ametistas no alto da Serra do Quixaba. "Tem gente ali de todos os cantos do país", revela Alan. 

Alan conta que no meio da caatinga, centenas de barracos feitos de paus de madeira e cobertos viram os bares, a mesa de sinuca e também alegria de um forró. "O garimpo faz girar a economia da cidade mesmo sem o cumprimento oficial, sem a presença do Governo Federal, Estadual e Municipal que lá no garimpo não existe".

"Hoje dou valor a um copo com água. No garimpo lógico a água não é tratada. Para beber, paga-se muito mais caro. Com a escassez, já se imagina que não dá para tomar banho todos os dias, apesar do calor sufocante".  A temperatura chega acima dos 40 graus. "A coragem e o destemor são marcas lá para poder atingir metas. Existe buracos e que não são revelados que já atingem mais de 150 metros de profundidade. Todos se arriscam a descer com apenas uma lanterna e quase sem ar. Mortes já existiram que não se divulga".

Alan conta que "toda a riqueza, as pedras mais valiosas financeiramente vão para a Ásia, pelas mãos principalmente de chineses. "É uma  exploração sem tamanhos que envolve todos os lados. Uma pedra de ametistas chega a valer 200 e R$ 300 pelo quilo da pedra bruta, mas  também pode pagar R$ 1.500, R$ 5 mil pelo quilo da pedra já apurada, martelada", explica Alan. 

E existe a presença da fé, de um Deus lá? Alan sorri e responde: A fé é ficar rico em dinheiro. Mas existe a fé sim. Sem ela a esperança também morre e lá o que se mais se tem é esperança, mesmo prevalecendo a injustiça social"

Povoando dramaticamente esta paisagem um texto de José Saramago, mostra esta realidade social e econômica, vagando entre o sonho e o desespero. Em Sento Sé existem centenas de garimpeiros que neste momento, dia e noites sobrevivem. Lá não existe a dignidade simples que só o trabalho pode conferir. 

Os garimpeiros de Sento Sé sofrem o longo calvário que tem sido a perseguição sofrida pelos trabalhadores sem a presença do Estado e das Políticas Públicas, uma perseguição contínua, sistemática, desapiedada, que causa mortes e vítimas mortais, cobrindo de luto a miséria dos homens de todos os estados do Brasil, com mais evidência para Bahia, Maranhão, Mato Grosso, Pará e Pernambuco, Minas Gerais, que contam, só eles, com a esperança de encontrar uma pedra preciosa e vender.

Há mais de 15 anos, pesquisadores e ambientalistas pedem que a área onde está a serra das ametistas e o seu entorno, numa extensão de quase oito mil quilômetros quadrados, seja transformado em uma unidade de conservação, o Parque Nacional do Boqueirão da Onça, com o propósito de preservar a caatinga, único bioma exclusivamente brasileiro.

Escrito no início dos ano 90, a reflexão de José Saramago continua atual:
“A partir de hoje chamar-me-eis Justiça. E a multidão respondeu-lhe:“Justiça, já nós a temos, e não nos atende.”
Disse Deus: “Sendo assim, tomarei o nome de Direito.”

E a multidão tomou a responder-lhe:
“Direito, já nós o temos, e não nos conhece.”

E Deus: “Nesse caso, ficarei com o nome de Caridade, que é um nome bonito”.

Disse a multidão: “Não necessitamos caridade, o que queremos é uma Justiça que se cumpra e um Direito que nos respeite.”

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