HUMBERTO TEIXEIRA, O DOUTOR DO BAIÃO-39 ANOS DE SAUDADES

No Museu da Imagem e do Som Alcântara Nogueira, em Iguatu-Ceará, está exposta uma flauta que tem uma importância fundamental na música brasileira. O seu dono, no entanto, nunca foi reconhecido exatamente pelo talento como flautista, nunca se arvorou a um Pixinguinha, ou Benedito Lacerda, dois grandes flautistas que viveram na sua época.

O dono dela é natural de Iguatu e começou a aprender música na flauta que lhe foi presenteada pelo pai. Teve como professor um tio músico, o maestro Lafaiete Teixeira. E o aprendizado contribuiu para que ele se tornasse um dos mais importantes compositores da MPB. Seu nome:
Humberto Cavalcanti de Albuquerque Teixeira, que em 2015 completou 100 anos de seu nascimento.

Humberto Teixeira morreu no dia 03 de outubro de 1979 no Rio de Janeiro.

O Doutor do Baião, como também era conhecido por ser formado em direito, tem uma extensa obra musical, e nem toda composta por baiões. No entanto, foi por este ritmo, estilizado em 1946, em parceria com o pernambucano Luiz Gonzaga, que ele fez fama e fortuna.

O encontro dos dois foi um destes acasos fundamentais que mudaram o curso da música brasileira. Em 1945 Luiz Gonzaga tinha na cabeça a ideia de criar uma nova dança, uma nova tendência musical, baseada nos ritmos que trouxe com ele do sertão de Pernambuco. 

Já começava a fazer sucesso com a Moda da mula preta e Xamego. Seu parceiro mais habitual na época era Miguel Lima. Um dia Gonzaga procurou Lauro Maia, compositor cearense, para juntos deflagrarem o novo ritmo. Maia esquivou­se da empreitada e sugeriu que Luiz Gonzaga procurasse seu cunhado, o advogado Humberto Teixeira.

Teixeira vinha de uma família classe média, o avô era chefe político da região, o coronel Francisco Alves Teixeira. Adolescente, foi mandado para estudar em Fortaleza, em seguida ao Rio de Janeiro, onde pretendia estudar medicina. Mas mudou de ideia, e fez direito. 

Passou a compor com parceiros durante o curso. A obra que considera inicial intitula­se Sinfonia do café, composta para um musical chamado Muiraquitã, que por influência de um colega de turma, participou o filho do Ministro da Aviação. A composição não fez sucesso, mas agradou a Alberto Byington Junior, presidente da gravadora Columbia (depois Continental). Que gostou da música e pediu que lhe encontrassem o autor.

Dias depois ele recebeu uma ligação de Braguinha, diretor musical da Columbia, pedindo que Humberto Teixeira comparecesse à Columbia porque a Sinfonia do café seria gravada. Cunhado de um compositor bem sucedido como Lauro Maia (casado com a irmã de Humberto), o caminho estava aberto.

Até o encontro com Luiz Gonzaga, o cearense tivera várias composições lançadas por artistas famosos do Rio. Nenhuma, porém, nem de longe chegou perto do que aconteceria com as parcerias que passou a assinar com o pernambucano de Exu, que apareceu em seu escritório, na Avenida Calógeras, Centro do Rio, numa tarde de outono de 1945.

Em entrevista (publicada em livro) ao pesquisador cearense Miguel Ângelo de Azevedo, conhecido como Nirez, Humberto Teixeira contou em detalhes o encontro inicial com Luiz Gonzaga: "Eu fechei praticamente o escritório, como eu fazia sempre que vinha negócio de música. Nós relembramos, retrospectamos em torno dos ritmos nordestinos, do Ceará, de Pernambuco, a terra ele... 

Naquele dia chegamos a duas conclusões muito interessantes. Uma delas é que a música ou o ritmo que iria servir de lastro para nossa campanha de lançamento da música do Norte, a música nordestina seria o baião. Nós achamos que era o que tinha características mais fáceis, mais uniformes, para se alcançar essa música". Ao final da reunião, a dupla estava com Asa branca praticamente pronta. Três dias mais tarde, fizeram Baião, lançada pelo grupo vocal Quatro Ases e um Curinga, em 1946, gravada por Luiz Gonzaga três anos depois.

Dos muitos parceiros que Luiz Gonzaga teve, foi com Humberto Teixeira, ao menos nos primeiros meses, que Gonzaga mais teve participação ativa na letra ou na música. Boa parte do que criaram na primeira safra do baião veio de melodias ou versos de domínio público. Asa branca, Juazeiro, Légua tirana, Baião de dois, eram temas que se cantavam sem que se soubesse a autoria. Um bom exemplo, é Baião de dois (1946), cujos versos iniciais são transcritos por Gustavo Barroso no livro Ao som da viola (1921): "S.José que moda é essa?/largue o prato e colher/homem não vai à cozinha/em lugar que tem mulher", praticamente os mesmo de Baião de dois: "Abdon que moda é essa?/deixa a trempe e a colher/homem não vai à cozinha/que é lugar
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TARGINO GONDIM E MATINGUEIROS PARTICIPARÃO DE EVENTO EM DEFESA DO RIO SÃO FRANCISCO

Os Movimentos Sociais e Políticos, com apoio dos Federação Regional dos Urbanitários, promoverão no próximo dia 06 em Juazeiro e Petrolina o Ato político e cultural todos pelo Rio São Francisco. O evento terá início a partir das 15hs.

De acordo com a coordenação do evento o Rio São Francisco está fortemente ameaçado por uma provável privatização da Chesf. "Caso se concretize, sabemos que haverá perdas irreparáveis à população nordestina, principalmente aos locais menos acessíveis", revela o texto divulgado nas redes sociais. 

Ainda de acordo com o texto Atualmente fragilizado, o Rio São Francisco não será tratado como prioridade pela iniciativa privada, tampouco continuarão os investimentos em projetos sociais para beneficiar a população ribeirinha e o controle do uso múltiplo do nosso Velho Chico não será garantido.

A programação consta de shows, manifestações culturais diversas, depoimentos e manifestos de apoio,passeata Petrolina/Juazeiro, serviços públicos (glicemia, medição de pressão arterial, outros), espaço infantil, apresentações de fanfarra, trabalhos escolares relacionados ao tema.

Participam do evento Matingueiros - Grupo Cultural e Musical, Sandro Cordas e banda Sonoridade de Sobradinho/Ba, João Sereno e banda, Targino Gondim. 
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POETA IVALDO BATISTA e a VALORIZAÇÃO DO CORDEL BRASILEIRO

Encontrei em Garanhuns, Pernambuco, durante o Festival Viva Dominguinhos, o poeta Ivaldo Batista. Ivaldo é poeta, escritor e cordelista. Nasceu em Carpina, Pernambuco, membro efetivo da União Brasileira de Escritores e do Instituto Histórico de Jaboatão dos Guararapes.

Ivaldo é formado em Historia pela Universidade Católica de Pernambuco, pós-graduado em História de Pernambuco, Bacharel em Teologia. 

Especialistas apontam que é inegável o sucesso que a literatura de cordel tem alcançado nos últimos tempos em todo o país. Alguns poetas, como o professor Ivaldo Batista, são
responsáveis por esta disseminação deste gênero poético Brasil afora. No matulão, Ivaldo Batista traz uma centena de cordeis. Entre eles Dominguinhos- O humilde Mestre da Sanfona.

Ivaldo falou de sua luta para levar aos quatro cantos do país seus versos: “Já teve ocasiões em que eu fui até Porto Alegre-RS, parando de cidade em cidade, deixando meus cordéis nas bibliotecas públicas e em museus”, comentou.

Sobre o avanço da literatura de cordel, Ivaldo diz que os poetas precisam se utilizar do advento da internet em seu favor e comenta um fato ocorrido com ele em decorrência do falecimento de Dominguinhos.

“Uma editora encomendou um cordel sobre a morte de Dominguinhos, eu entreguei o cordel pela manhã e eles fizeram uma pequena divulgação, à tarde já tinha gente de todo o mundo comentando aquele texto, então temos que tirar proveito destas ferramentas que estão aí”.

Ivaldo Batista já publicou mais de 150 folhetos. Participa de vários projetos em unidades escolares, museus e bibliotecas socializando a leitura do cordel e colaborando para valorizar o conhecimento.
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ENCONTRO NACIONAL DE GONZAGUEANOS 2017 EM CARUARU ACONTECERÁ EM NOVEMBRO

Caruaru, no Agreste Pernambuco, possui o título de Capital do Forró. Caruaru possui o Espaço Cultural Asa Branca do Agreste, considerada a verdadeira Academia Gonzagueana. O espaço foi idealizado pelo diretor, pesquisador e fundador Luiz Ferreira. Neste local todo mês de novembro acontece o grande encontro com os estudiosos e pesquisadores, especialistas da vida e obra de Luiz Gonzaga, os gonzagueanos, como também são conhecidos.

Este ano o evento acontecerá no dia 11 de novembro no Espaço Cultural Asa Branca, localizado no bairro Kennedy. Luiz Ferreira promove o encontro para homenagear compositores, cantores e personagens ligados a vida e obra de Luiz Gonzaga. Todo ano é entregue o troféu ‘Luiz Gonzaga – Orgulho de Caruaru’, criado em 2012.

O Grande Encontro dos Gonzagueanos de Caruaru tem o objetivo de manter viva a memória de Luiz Gonzaga. O grupo de amigos se reúne todos os anos e trocam idéias, experiências e falam sobre a vida e obra do Rei do Baião.

O Encontro dos Gonzagueanos é realizando anualmente desde 2012, sempre na segunda semana de Novembro sendo coordenado pelo diretor do Espaço Cultural e promovida pelo Fã Clube de Gonzagão do Nordeste. Assim como tem o apoio do Lions Vila Kennedy.

Este ano já confirmaram presença representações Gonzagueanas dos 9 estados do Nordeste. são Jornalistas, Escritores, Historiadores e Pesquisadores, palestrando e debatendo temas, logicamente, ligados e relacionados aos livros voltados a Historia da música brasileira a partir de Luiz Gonzaga. 

No dia 11 de Novembro os escolhidos para receber o Troféu Luiz Gonzaga Orgulho de Caruaru são:
01° Cylene Araújo – Cantora, escritora e Apresentadora – Recife/PE
02° Dorgival Melo – Empresário e Diretor do Lions – Caruaru/PE
03° General Juraszek – Ex-Comandante Militar do Nordeste e residente em Curitiba/PR  
04° Ivan Ferraz – Cantor, Compositor e Apresentador – Recife/PE
05° Jota Sobrinho – Farmacêutico Bioquímico, Cantor, Compositor e Radialista – Feira /BA
06° Juan Marques – Farmacêutico Bioquímico, Historiador e Radialista  – Cedro/CE
07° Juarez Majó – Cantor e Vocalista dos Caçulas do Baião – Tacaratú/PE
08° Maciel Muniz  - Jornalista e escritor – Divinópolis/MG
09° Pedro Sampaio – Poeta e Radialista – Fortaleza/CE
10° Reginaldo Silva – Museólogo – Juazeiro do Norte/CE
11° Romulo Nóbrega – Escritor, Pesquisador e Historiador – Campina Grande/PB
12° Roberto Magalhães – Ex-Governador de Pernambuco – Recife/PE
13° Valmir Silva – Cantor e Compositor – Caruaru/PE

Até o ultimo evento realizado em 2016 foram entregues o troféu a 35 personagens, entre os quais o primeiro a receber em  2012  foi João da Cruz  tocador de 8 baixos com  92 anos, tio do poeta Luiz Ferreira, único tocador deste gênero na família. Entre os primeiros também foi o compositor caruaruense Onildo Almeida, reconhecido aqui como o protagonista nesta referencia Gonzagueana ligada a Historia de caruaru. 

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Fórum reúne jornalistas e radialistas para discutir rumos da comunicação

Amadeu Alban, sócio-diretor criativo da Movioca, agência em São Paulo (SP) e Salvador (BA) e um dos profissionais mais respeitados no mercado de comunicação no Nordeste é Edson Martins, diretor de criação da Agência Mart Pet do Recife (PE), serão dois palestrantes do 5° Fórum de Comunicação do Vale do São Francisco (FOCOM).  

São publicitários e jornalistas premiados e com grande experiência na área de comunicação. Do Vale do São Francisco, profissionais renomados de blogs e agências de publicidade farão parte de uma mesa redonda, a exemplo de Carlos Britto, Edenevaldo Alves e Vinicius de Santana.
O FOCOM pretende reunir estudantes e profissionais da área para discutir os rumos da comunicação  - publicidade e jornalismo - em tempos de redes sociais. O evento é uma parceria entre a Faculdade São Francisco de Juazeiro (FASJ) e a Universidade do Estado da Bahia (Uneb) e Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf).
As inscrições ainda estão sendo feitas pela internet no link: https://www.even3.com.br/focom2017. O FOCOM  acontecerá no Centro de Cultura Joao Gilberto, das 19h às 22h.
SERVIÇO:
O que? V FOCOM
Quando: de 27 a 29 de Setembro de 2017
Onde: Centro de Cultura João Gilberto, Juazeiro-BA, das 19h às 22h.
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Jornalismo cultural regional: procura-se!

Muitos anos atrás, o jornalista Sérgio Rizzo e eu fomos convidados para uma palestra sobre jornalismo especializado na UVV (Universidade Vila Velha), no Espírito Santo. Rizzo iniciou sua exposição dando uma “bronca” simbólica nos capixabas, dizendo que, naquela manhã, havia passado numa banca de jornais e percebido que os cadernos culturais de lá noticiavam majoritariamente produtos e eventos culturais do eixo Rio-São Paulo, não priorizando as produções e eventos do estado.

Junto a essa história, adiciono um pensamento do talentosíssimo crítico e professor Paulo Emílio Sales Gomes, dita em tempos de Cinema Novo, mas que ainda é bastante válido nos dias de hoje. Gomes dizia que o pior filme nacional é mais importante para nós do que o maior filme internacional de todos os tempos. Jornalistas culturais, como o falecido Daniel Piza, chegaram a criticar duramente a frase de Paulo Emílio, considerando-a bairrista e simplória. Mas o que Gomes quis dizer, à época, é que o jornalismo cultural só terá leitores mais exigentes com os produtos brasileiros de arte e entretenimento se ela mesma cobrir amplamente estes produtos — no âmbito nacional e regional.

Aqui reside o valor máximo do jornalismo cultural regional. Jornais, revistas, sites e blogs precisam privilegiar a produção cultural local, para que esta seja uma fonte de reflexão e crítica, mas também, que sirva de incentivo para o incremento do ciclo de produção regional. Isso vale para absolutamente todas as áreas cobertas por este jornalismo especializado, a ver:

Teatro: uma das áreas que mais necessita da cobertura da imprensa regional, pois se ela não cobre — na forma de matéria, entrevista ou crítica — um espetáculo em cartaz na sua cidade, este espetáculo nunca terá existido, no sentido de formação de um circuito teatral regional. Mas a cobertura não deve ser apenas de peças com astros globais que aterrissam por lá, mas também grupos de teatro — experimentais e universitários — que fomentam esta arte na região.

Artes Visuais: Quantos pintores, escultores e outros artistas estão escondidos em todas as pequenas e médias cidades do país sem que nenhum veículo de imprensa coloque suas obras sob o holofote jornalístico? Falar do artista local é exercitar o pensamento crítico do jornalista, e também mostrar a importância da produção cultural regional para quem vive exatamente nesta região. E talvez seja o maior facilitador para catapultar o artista para o âmbito nacional e internacional.

Música: Talvez seja a área mais privilegiada pelo jornalismo cultural regional, justamente pelo fato de que apresentações em bares, casas noturnas e festas já possuam uma divulgação natural, para fins de divulgação e propaganda do evento. Ainda que a indústria fonográfica seja a mais cambaleante de todas as áreas culturais na atualidade, a música ainda consegue brotar com mais facilidade, no âmbito regional, e galgar espaços maiores graças a isso.

Cinema: o curta-metragem que um estudante da UVV fez e ganhou um festival nacional ou internacional é mais importante para o Espírito Santo do que a estreia de Velozes e Furiosos 8 no fim de semana, no sentido de mostrar uma produção cinematográfica local que seja criativa, rica e de grande potencial. O mesmo vale para produtoras e festivais, existentes em muitas pequenas e grandes cidades brasileiras, mas que muitas vezes ganham espaços pífios da imprensa e, depois, poucos espectadores.

Literatura: quantos romancistas, cronistas e poetas estão anônimos em várias cidades do Brasil, pois blogs, jornais e revistas locais têm receio — ou falta de equipe — para analisar, criticar e divulgar estes escritores? O jornalismo cultural literário no Brasil já sofre com a “síndrome do vira-lata” — divulgar ostensivamente a literatura midiática internacional em detrimento dos autores nacionais — quem dirá os escritores regionais sem os holofotes da imprensa.

Não é preciso muito esforço para mostrar que o jornalismo cultural das pequenas e médias cidades – ou seja, cidades que não sejam capitais – privilegia o que está fora delas. Um giro aleatório mostra isso facilmente, o que eu fiz na tarde de 30 de agosto. No site do jornal O Pioneiro, de Caxias do Sul (RJ), não havia nenhuma matéria cultural na home, apenas uma notícia de uma palestra de Ronaldo Fraga (que não é gaúcho) que ocorreria na cidade em breve. No Jornal de Caruaru (PE), diversas opções de editorias e segmentos no portal do veículo na internet. Mas cultura mesmo, só uma seção de Famosos com notícias sobre o Patati Patatá, Danilo Gentilli e Patrícia Abravanel.

Passeando pelo Centro-Oeste, em Anápolis (GO), não há sequer uma notícia cultural no portal, dentre as mais de 30 chamadas jornalísticas, nem mesmo uma seção de entretenimento existe no veículo. Pulando para O Jornal da Ilha (Parintins-AM), uma chamada central sobre a Unidos do Viradouro (de Niterói-RJ), outra matéria sobre os sambas-enredos do carnaval do Rio 2018, e (finalmente), uma matéria cultural local: um festival de miniaturas promovido pela prefeitura. Ao final, fotos do famoso Festival de Parintins e da Festa do Carmo. Encerrando o giro, sigo para o Tribuna de Minas, com notícias sobre a região de Juiz de Fora. Nele, um alívio: em meio a matérias sobre Fifh Harmony e Paris Jackson, um confortante cardápio de notícias culturais locais, sobre um curta-metragem local selecionado para festiva internacional, o desenhista juiz-forano Iriê Salomão e o Festival Aos Berros, de cinema e música.

Ainda que o belíssimo exemplo de jornalismo cultural regional da Tribuna de Minas seja uma exceção, ele serve como exemplo do quanto a cidade tem a ganhar — não só culturalmente, mas também com economia e turismo — ao fomentar um circuito local de divulgação, crítica e reflexões culturais. Ainda que muito do que se vê de jornalismo cultural regional seja notícias oficiais (prefeituras, assessorias de imprensa), já são de maior valor do que papaguear sobre a celebridade de Hollywood ou a peça da Claudia Raia em São Paulo. Não se está dizendo que uma coisa anula a outra, apenas diferenciando o valor de cada uma para os leitores locais.

É claro que, no âmbito regional, falar das carências — escolas, hospitais — e dos excessos — violência e corrupção — é mais importante jornalisticamente do que cultura. Mas subestimá-la é manter a roda girando a favor de quem já está ganhando: o eixo Rio-São Paulo e, num âmbito maior, o eixo EUA-Europa. A frase de Paulo Emílio nunca foi tão atual quanto hoje.

Fonte**Franthiesco Ballerini é jornalista, autor do livro ‘Jornalismo Cultural no Século 21’ e publica o site www.franthiescoballerini.com
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José Urbano: O Rock reverencia o Pífano de Caruaru

Mega evento musical no Brasil, o Rock in Rio acontece em mais uma edição, celebrando 32 anos de sua primeira edição, ocorrida em 1985.  Naquele momento da história, o nosso país estava iniciando a sua inserção no panorama internacional de musicalidade, que surge no século XX no ano de 1969, tendo como matriz o Woodstock, primeiro encontro do gênero, realizado no estado de Nova York, nos Estados Unidos.  

Aqui no Brasil, a cidade do Rock, definição do marketing para o grandioso evento, esse ano abriu espaço para uma apresentação musical da Banda de Pífanos Zé do Estado, personagem este de saudosa memória e fundador do referido grupo musical, na primeira metade do século passado.  O estilo musical é conhecido pelo Brasil todo como a Banda de Pífanos de Caruaru, porém a sua origem não é regional nem também pernambucana.  Inicialmente denominada de “banda cabaçal”, “terno de zabumba” ou ainda “esquenta mulher”, originalmente essa tradição nasce no vizinho estado de Alagoas, desde os tempos imperiais.  

No ano de 1924, os irmãos Manoel e Clarindo Benedito Biano formatam o que viria a ser denominada Banda de Pífanos de Caruaru, cidade que acolhe os seus componentes em meados dos anos 40.  Presença indispensável em todos os eventos folclóricos e culturais da região, no ano de 1971 o grupo grava no Rio de Janeiro o primeiro vinil do gênero, pela gravadora CBS.  Composta por pífanos de bambu e percussão feita com zabumba que utiliza pele de animais, com o acréscimo de metais dos pratos, a sonoridade imprime uma marca e alcança status internacional.  No ano de 1972, Gilberto Gil gravou em seu disco Expresso 2222 a música pipoca moderna, dando um novo impulso ao estilo autenticamente alagoano.  

O reconhecimento dessa grandiosa trajetória que percorre todo o século XX e chega ao terceiro milênio, acontece em 2004, quando o grupo Banda de Pífanos de Caruaru recebeu o prêmio de Melhor Álbum de Música Regional ou de Raízes Brasileiras na 5ª edição do Grammy Latino. Em 2006, recebem a Ordem do Mérito Cultural, concedida pela Presidência da República. Em 2016 a Câmara Municipal,  concede o título de Cidadão de Caruaru, mais um título de reconhecimento social pela grandeza dos trabalhos do grupo.  Na nossa cidade, nomes como João do Pife, Marcos do Pífano, Biu do Pife, Anderson que hoje coordena com muita maestria as atividades da Banda Zé do Estado, emprestam seus nomes e talentos musicais em prol dessa significativa tradição cultural nordestina.  

Nos anos 90, Gilberto Gil reacende o compromisso e admiração pelo referido estilo musical, quando os denomina Os Beatles de Caruaru, simpática denominação que usa como referência a banda inglesa que é marca universal de música, desde os anos 60.  Particularmente vejo de uma forma por demais positiva, a cultura nordestina alcançar espaços em palcos que atraem a atenção de toda a mídia do planeta.  Aplausos para a tradição, a religiosidade, o forró, o cangaço, os cordéis, o frevo, a ciranda, o maracatu e todos os estilos que formatam a identidade cultural do Nordeste, hoje com ênfase para as Bandas de Pífanos, e particularmente Zé do Estado e seus valiosos artistas.  

Fonte: Professor José Urbano
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