A Seleção Brasileira aposta, mais uma vez, em um camisa 9 diferente. O número terá um novo titular no Mundial nos Estados Unidos, México e Canadá. A peça que já foi vestida por Coutinho, Tostão e Zinho, e ficou ainda mais famosa com Ronaldo Fenômeno — até hoje considerado como um dos melhores donos da amarelinha — agora está nas costas de um paraibano.
Matheus Cunha foi eleito pelo técnico Carlo Ancelotti a herdar o peso gigante que essa camisa carrega para o Brasil, vencendo a concorrência diante de outros nomes importantes que estavam no ciclo pré-Copa, como Richarlison (Tottenham), Igor Jesus (Nottingham Forest), Gabriel Jesus (Arsenal), Vitor Roque (Palmeiras), Pedro (Flamengo) e João Pedro (Chelsea).
Mesmo vestindo a 9, Matheus Cunha faz um papel um tanto quanto peculiar. No esquema do treinador italiano, o atleta do Manchester United tem uma funcionalidade muito mais versátil e de mobilidade ao redor da grande área. A disputa para quem realmente irá exercer a função de centroavante está entre Endrick e Igor Thiago. Destaque nos amistosos pré-Copa, os brasilienses, em teoria, começarão na reserva, mas são peças importantes para momentos de necessidade.
Matheus Cunha foi confirmado no Mundial após viver tempestades antes de vislumbrar o nascer do Sol. O meia atacante era um dos cotados para disputar a Copa de 2022, mas não foi chamado por Tite na ocasião. Triste pela não convocação, viu o desempenho e a confiança caírem. Ficou fora do ciclo de Dorival Júnior, mas trabalhou calado em busca de realizar o sonho. Recuperou o bom futebol e virou peça chave do Wolverhampton, da Inglaterra. Em 2025, recebeu convite do português Rúben Amorim para integrar o plantel do Manchester United. Por 74 milhões de euros, mudou de cidade na Inglaterra e chegou com posto de craque nos Red Devils, herdando a camisa 10. Desde que chegou, são 10 gols e quatro assistências em 33 jogos.
A viagem foi longa antes de pisar em Manchester. Natural de João Pessoa, na Paraíba, Matheus Cunha começou a dar os primeiros passos por meio do futsal. Destacou-se no salão pelo Esporte Clube Cabo Branco e recebeu olhares de times maiores. Com ajuda do treinador Barão Xavier, arrumou as malas e foi jogar a Copa São Paulo de Futebol Júnior pelo Coritiba, em 2016.
Acabou levado para disputar um torneio na Suíça pelo clube paranaense, onde continuou sendo destaque e não demorou muito para a Europa abrir as portas para ele. Recebeu uma proposta do Sion, e mesmo com a desconfiança dos pais, Matheus se aventurou em solo suíço. Desde então, nunca mais saiu do Velho Continente. Rodou por Leipzig, Hertha Berlim, Atlético de Madrid e Wolverhampton até chegar ao Manchester United.
Pela Seleção Brasileira, Matheus Cunha sofreu oscilações. Teve a primeira convocação em setembro de 2020, mas demonstrou pouco no ciclo inicial. Ficou longe da Copa no Catar, manteve-se em pé diante das críticas e voltou a vestir a amarelinha com a chegada de Ancelotti. Em meio às tempestades, recebeu a chance de disputar as Olímpiadas-2020 (em 2021) com André Jardine. Brilhou. Gol na final diante da Espanha e ouro olímpico conquistado, justamente com a mesma camisa 9 que usará no Mundial.
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