DIA 20 NOVEMBRO: CONSCIÊNCIA NEGRA E O LEGADO DE ZUMBI DOS PALMARES

Ao se completarem 50 anos dos primeiros atos em comemoração ao 20 de novembro como Dia da Consciência Negra, a histórica Serra da Barriga, em União dos Palmares (AL), promove uma extensão programação especial em homenagem à data e a Zumbi, líder do Quilombo dos Palmares. No local, há um parque memorial visitado por pessoas de todo o mundo. 

O dono desse parque é a Fundação Cultural Palmares, ligado ao Ministério do Turismo, mas a entidade decidiu mudar a atitude observada em outros anos. Ignora a data e não realiza nem apoia qualquer evento no município alagoano, a 80 km de Maceió.

Quando era o mês da Consciência Negra, a fundação sempre trazia atrações e ajudava o município com ações e grupos culturais. Neste ano não foi dado nada, apenas o parque vai estar aberto", diz a secretária de Cultura de União dos Palmares, Elizabete de Oliveira Silva, citando que o órgão vem apenas realizando a manutenção de rotina para o parque ficar aberto. Criado em 2007, no alto da Serra da Barriga (que ocupa uma área de 27,92 km²), o parque recria o ambiente da República dos Palmares. Foi lá o maior e mais organizado refúgio de negros das Américas durante o período escravocrata, abrigando também índios e brancos. 

O local reconstitui as mais significativas edificações do Quilombo dos Palmares e teve Zumbi dos Palmares como seu último líder. Ele foi morto em 20 de novembro de 1695 —por isso a homenagem do Dia da Consciência Negra. Zumbi está inscrito no livro oficial de heróis da pátria desde 1996. 

HISTÓRIA: Em 20 de novembro é comemorado no Brasil o Dia da Consciência Negra. A data foi escolhida para lembrar a morte de Zumbi dos Palmares, uma das principais lideranças negras da história do país. O nome faz referência ao Quilombo dos Palmares, maior espaço de resistência de escravos durante mais de um século no período colonial (1597-1704).

A região que acolhia o núcleo do quilombo, Serra da Barriga, em Alagoas, ganhou desde 2017 reconhecimento internacional, a certificação da área como patrimônio cultural do Mercosul. 

A Serra da Barriga foi tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em 1985. Em 2007, foi aberto o Parque Memorial Quilombo dos Palmares, próximo à cidade de União dos Palmares, a cerca de 80 quilômetros da capital do estado, Maceió. O projeto envolveu a construção de instalações em referência a Palmares, como a casa de farinha (Onjó de farinha), casa do campo santo (Onjó Cruzambê ) e terreiro de ervas (Oxile das ervas). O espaço ainda é o único parque temático voltado à cultura negra no Brasil e recebe anualmente cerca de 8 mil visitantes.

O Quilombo dos Palmares surgiu no século 16. Residiam nele escravos fugidos das capitanias da Bahia e de Pernambuco. O local chegou a reunir até 30 mil pessoas no seu auge, no século 17, e era organizado em pequenos povoados, chamados de mocambos. Os principais eram Cerca Real do Macaco, Subupira, Zumbi e Dandara. O maior deles chegou a ter 6 mil pessoas, quase a mesma população do Rio de Janeiro à época.

Esses mocambos constituíam uma espécie de república. As decisões políticas eram tomadas pela reunião da liderança de cada um deles em conjunto com o chefe supremo. Essa posição de comando foi ocupada por Acotirene, sucedida por Ganga Zumba e, depois, por Zumbi. No tocante às relações afetivas, Palmares era uma sociedade poliândrica, em que mulheres podem ter relação com diversos homens.

Segundo Zezito de Araújo, professor de história e supervisor de Diversidade da Secretaria de Educação do Estado de Alagoas, Palmares ainda é lembrado muito pela dimensão do conflito, mas deveria ser conhecido por ter sido o primeiro grande movimento de resistência das Américas no período colonial e pela sua organização política.

“A Revolução Francesa é tida como o símbolo da liberdade, mas a luta de Zumbi aconteceu antes. Enquanto em Palmares tínhamos propriedade coletiva, produção para subsistência e para troca, na colônia tínhamos atividade agrícola para exportação e escravidão como base do trabalho. São sociedades opostas”, analisa. (Fonte: Uol e Agencia Brasil)

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CANTOR LUIZ DO HUMAYTÁ LANÇA VIDEOCLIPE DA MÚSICA "VOU ME EMBORA PRO SERTÃO", NA QUARTA (24)

O cantor, compositor, poeta Luiz do Humaytá além de ter iniciado no último dia 06 de novembro,  o Projeto Som na Caatinga, com participação especial do sanfoneiro Cicinho de Assis, traz mais uma novidade.

No próximo dia 24, quarta-feira, às 20h30, será lançado no canal youTube,, o primeiro videoclipe da música autoria do poeta Luiz do Humaytá,  "Vou me embora pro Sertão".

Neste segundo semestre do ano o cantor trouxe várias  novidades para os fãs e admiradores, ele ampliou o trabalho que agora pode ser encontrado no canal youTube e spotify, que é o serviço de streaming de música mais popular do mundo.

Luiz do Humaytá completou, em junho de 2021, 10 anos de vida profissional na música. Iniciou sua trajetória em 2011, ao criar a banda Forró Avulso em Salvador. Com essa banda, tocou na noite soteropolitana por 5 anos e também fez apresentações em outros estados, como Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul. Em 2016, iniciou carreira solo e se mudou para o sertão baiano, onde mora atualmente.

Neste ano de 2021, lançou o oitavo CD da carreira, o álbum Boemia Cult, em que interpreta grandes sucessos já consagrados da música romântica, além de alguns bregas clássicos.

O poeta, que mora na Fazenda Humaytá em Curaçá da Bahia, tem o nome de batismo de Luiz Carlos Forbrig. Quando foi para o sertão, passou a ser chamado de Luiz do Humaytá, contemplando, assim, esta peculiaridade, típica do sertanejo, de incorporar um adjetivo de identificação aos nomes.

O cantador é natural de Jabuticaba Velha, pequeno distrito de Palmeira das Missões, no interior do Rio Grande do Sul. Com os pais Anoly e Guilhermina, aprendeu a veia musical: a mãe era puxadeira dos cantos religiosos na igreja católica e o pai, tocador de gaita de boca.

DISCOGRAFIA CD’s

2012 ‡ Acústico

2014 ‡ Pé de Chão

2015 ‡ Luiz do Humaytá Canta Músicas Gaúchas

2016 ‡ Luiz do Humaytá e Forró Avulso – 5 Anos de Estrada

2017 ‡ Luiz do Humaytá Avulso

2019 ‡ Decanto o Sertão

2020 ‡ Luiz do Humaytá ao Vivo

2021 ‡ Boemia Cult

71 98869-4488 74 99914-8813 Luiz do Humaytá luizdohumayta@gmail.com


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MESTRE DA CULTURA RAIMUNDO ANICETO: UMA SAUDADE EM SOM DE PIFE

O Professor, mestre e doutor em Ciência da Literatura Aderaldo Luciano numa carta endereçada ao cantador cantor Beto Brito, relatou a certeza, "e vai colocar isso em um livro, que Deus era um tocador de pife e foi soprando nele, num pife feito de taboca, que deu vida ao Homem com seu sopro fiel".

Visitei no Crato, Ceará, o mestre da cultura de tocar pife, Raimundo Aniceto, 86 anos, nascido em 14 de fevereiro de 1934. Fui na casa do líder da Banda Cabaçal de Pife dos Irmãos Aniceto.  A Banda de Pífe é Patrimônio Cultural Imaterial.

No mês de outubro do ano passado (2020), a jornalista Beatriz Jucá, destacou em reportagem para o EL País, que se calou o pífano de Raimundo Aniceto. Mestre Raimundo Aniceto era o mais antigo dos integrantes da banda cabaçal Irmãos Aniceto. Enérgico mestre da cultura popular brasileira, Raimundo exaltava a ancestralidade do Cariri cearense e a magia do sertão na sonoridade do seu pífano e na dança. 

Raimundo era base de uma família que dança e toca há mais de 200 anos, inspirada na observação da natureza e na sonoridade transmitida de pai para filhos pelo ouvido. Raimundo era o último vivo de sua geração do grupo e já dedicava 80 de seus 86 anos à arte popular. Durante décadas, viajou pelo Brasil e pelo exterior para mostrar a força cultural dos seus. Mas nunca se afastou do seu rincão, o Crato.

Não se deslumbrou nem mesmo com a Europa, onde fez uma turnê em 2004. Surpreendeu-se, sim, com “o mundo de gente” que se juntou a cada apresentação feita em praças portuguesas e espanholas. 

Nos últimos anos, Raimundo aceitou o convite do Sesc-Ceará para transformar a própria casa onde morava em um museu aberto. Com muita generosidade, converteu seu lar em uma rica ponte para a magia cultural do sertão. O motivo? “Meu pai me ensinou como era a cultura. A cultura é coisa séria. É onde está nossa vida”, dizia.

Fotografias de apresentações dele e dos irmãos lotaram as paredes. Geladeira, fogão e cadeiras passaram a dividir o espaço dos cômodos com dezenas de objetos históricos do grupo formado ainda no século XIX ― todos os integrantes descendentes do índio Kariri José Lourenço da Silva (o Aniceto) e de Maria da Conceição. 

A história está colada em placas espalhadas na sala e no corredor: os meninos (seis filhos) passaram a ser chamados de Aniceto pelo apelido do pai. Ainda criança, começaram a produzir instrumentos musicais feitos de cabaça e taboca ― o alicerce da banda cabaçal.

O tradicional pífano de Raimundo Aniceto está acomodado sobre pregos cravados nas paredes, ao lado das coloridas vestimentas dos brincantes. Mas nunca ficou ali esquecido pelo mestre como mero adorno. Nem mesmo quando o AVC que sofreu há pouco mais de quatro anos lhe roubou a capacidade de falar palavra e parte da força da mão direita. 

Quando estive em sua casa-museu em agosto de 2019, Raimundo tentava conversar em um idioma próprio, já que sua dicção estava muito prejudicava pela doença. Cabia à sua esposa tentar traduzi-lo. A melhor coisa no mundo que achava era receber visita e encontrava um jeito de se comunicar ― se não era possível fazê-lo pelo verbo, o fazia pela força cultural que carregava em si.

A sala então virou espetáculo para uma plateia de três pessoas, onde ele dançava e brincava sua cultura popular, na época aos 85 anos. Pegava o pífano e tirava dele ainda algum som, mesmo com a falta de força nas mãos e no sopro. Sem pronunciar qualquer palavra, tentava ensinar aos visitantes a sua arte. 

Esta foi uma tarefa que assumiu durante toda a sua vida: disseminar e ensinar sua cultura para que ela siga viva mesmo quando seus parentes deixam este mundo. “Meu pai faleceu aos 104 anos e deixou essa banda. Seis filhos, que são tudo tocador e artista. Hoje a banda está repleta de sobrinho, filho já dos meninos que morreram”, contou Raimundo em uma entrevista ao músico Antônio Nóbrega, há alguns anos. “A gente quer continuar como meu pai deixou. É se acabando um, e nós botando outro pra não se acabar a tradição”.

Raimundo Aniceto Faleceu aos 86 anos. Mas a história da banda cabaçal criada pelo seu avô ao pé da chapada do Araripe, lá no Crato, deve continuar a ecoar. 

“Ele deixa um legado grande, fica tudo. Foi um grande homem, um grande pai e será sempre lembrado pela família e na cena cultural popular”, diz a filha, Socorro. 

O grupo Irmãos Aniceto agora segue com seus sobrinhos na dianteira. Não há como pegar uma zabumba feita com timbaúba e couro de bode, uma tarefa geralmente executada por Raimundo lá nos fundos de sua casa, sem lembrar do grande mestre. Sua casa-museu também seguirá aberta ao público. Como ele mesmo explicava: "A gente não quer deixar essa raiz se acabar mais nunca. Só se o mundo se acabar de uma vez só. Isso é uma alegria do nosso Brasil”.

Serviço
Museu Casa do Mestre Raimundo Aniceto – Crato

Onde: Rua Dr. Manuel Macêdo, bairro Seminário 

(Fonte: BEATRIZ JUCÁ/El País)

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USINA NUCLEAR: PERDEMOS A BATALHA, NÃO A GUERRA, AFIRMA PROFESSOR HEITOR SCALAMBRINI

USINA NUCLEAR: PERDEMOS A BATALHA, NÃO A GUERRA.

O título retrata o estado de ânimo e de espirito diante das últimas decisões do Supremo Tribunal Federal (STF), definindo que legislar sobre atividades nucleares cabe exclusivamente a União Federal. Este entendimento ocorreu após o ajuizamento, pelo Procurador Geral da República, de ações de inconstitucionalidade contra artigos e dispositivos de Constituições Estaduais que defendiam e protegiam suas populações e o meio ambiente, de uma “catástrofe nuclear”.  

Por exemplo, no caso de Pernambuco, o artigo 216 de sua Constituição Estadual restringia a instalação de usinas nucleares em seu território, desde que todas outras fontes energéticas já tivessem sido utilizadas. Segundo decisão do STF este dispositivo foi anulado, e assim, do ponto de vista jurídico, esta decisão vai facilitar a instalação de usinas nucleares em seu território, conforme defende o atual (des)governo federal.

As usinas nucleares, termoelétricas que transformam o calor produzido pelas reações nucleares em energia elétrica, é uma tecnologia em declínio de aceitação, principalmente pela possibilidade de ocorrer acidentes extremos, ou seja, vazamento de material radioativo para a atmosfera. Além do custo da energia gerada ser considerada uma das mais caras entre as opções energéticas para termoelétricas. Hoje seu custo por MWh está em torno de 4 vezes maior que o produzido pelas usinas solares fotovoltaicas e eólicas.


Países como a Alemanha, Itália, Áustria, Bélgica, entre outros, já abandonaram esta tecnologia. Na França e no Japão novas instalações de usinas nucleares sofrem grandes resistências, de inúmeros e representativos grupos sociais. Nota-se, mundialmente entre os povos, um posicionamento majoritário contrário à tecnologia nuclear, pois, além do risco de uma tragédia com espalhamento de material radioativo para o solo-terra-ar; as usinas nucleares são caras, sujas e perigosas.


Diferentemente daqueles que defendem tal tecnologia para o Brasil, a nucleoeletricidade em nada contribui para a transição energética. No Brasil real as usinas Angra I e Angra II contribuem com menos de 2% da potência total instalada na matriz elétrica. O Plano Nacional de Energia (PNE) 2050 projeta uma ampliação da geração nuclear entre 8 e 10 Gigawatts (GW). Mesmo que esta potência seja agregada à matriz elétrica nos próximos anos, a contribuição da fonte nuclear continuaria mínima e desnecessária para segurança energética do país.

Existem inequívocos interesses econômicos e militares em promover as usinas nucleares, em detrimento ao interesse público. Econômicos, pois são construções caras, 5 bilhões de dólares cada usina de 1.200 Megawatts (MW), obviamente de grande interesse dos vendedores dos equipamentos e das empreiteiras. Do ponto de vista militar, um acordo binacional está em pleno andamento com a França para a construção de submarinos nucleares com o apoio da França, cujo custo ao pais é estimado em 35 bilhões de reais. E sem dúvida na área militar, o desejo sempre desmentido é pela construção de artefatos nucleares, como a bomba nuclear. 

Assuntos gravíssimos e de interesse da sociedade brasileira, que impliquem consequências para as gerações futuras, não estão sendo devidamente debatidos. Um deles é a nuclearização do pais em um continente até então pouco provido de atividades nucleares.

Heitor Scalambrini Costa-Professor aposentado da Universidade Federal de Pernambuco

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FESTA LITERÁRIA OCUPA CENTRO HISTÓRICO DE SALVADOR

Entre as mais de 100 atividades previstas na programação deste ano da Festa Literária Internacional do Pelourinho (Flipelô), que começa nesta quarta-feira (17),  há espaço também para a música, o teatro, artesanato e a gastronomia.

De hoje (17) a domingo (21), quase uma centena de escritores, artistas, chefes e quituteiras convidadas pela Fundação Casa de Jorge Amado ocuparão os 123 espaços do Centro Histórico de Salvador (BA), destinados a celebrar a cultura, estimular a leitura e incrementar o turismo e o comércio na capital baiana. Este ano, o evento homenageia o escritor alagoano Graciliano Ramos (1892-1953), autor de Vidas Secas, São Bernardo e outros clássicos brasileiros.

Entre os escritores que confirmaram presença nas mesas de debates, bate-papos, saraus e apresentação de novos livros estão Itamar Vieira Júnior, autor do romance Torto Arado, que se tornou um recente fenômeno de vendas, e a ensaísta e crítica literária Heloísa Buarque de Hollanda, de Explosão Feminista e vários outros títulos, além de Ronaldo Correia de Brito, que, este ano, publicou o livro de crônicas A Arte de Torrar Café.

As atrações musicais estarão a cargo de Margareth Menezes, Paulinho Boca de Cantor (Novos Baianos), Jau (ex-Olodum) e a banda Sertanília, conhecida por fundir ritmos tradicionais do sertão (coco, maracatus, sambadas e terno de reis) à música erudita.

O acesso a todos os eventos presenciais será gratuito, mas quem não puder ir ao Pelô poderá acompanhar pelo canal do evento no YouTube – incluindo parte da programação infantil que, entre outras atrações, reservou espaço para a contação de histórias.

Vinte e oito bares e restaurantes do Centro Histórico vão integrar a chamada Rota Gastronômica Amados Sabores, oferecendo pratos exclusivos, inspirados no tema Amado Sertão – Comida Sertaneja da Bahia, a preços entre R$ 23 e R$ 69. A programação culinária contará ainda com oficinas gastronômicas a cargo do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac). Uma das oficinas, Vidas Secas: Comida de Sustança, tem relação com a obra mais famosa de Graciliano Ramos, abordando o preparo de pratos típicos como efó, farofa d´água, rabada e sarapatel. A conversa acontecerá na plataforma Microsoft Teams, nos dias 18 e 19.

Já a Rota das Artes será composta por dez ateliês de artistas visuais que atuam e vivem no Centro Histórico de Salvador. Percorrendo-a, o público interessado poderá apreciar, gratuitamente, pinturas, mosaicos e esculturas, com diferentes técnicas. Os ateliês participantes ficarão abertos ao público durante todos os dias da Flipelô, a partir das 10h.

A programação completa do evento está disponível em https://flipelo.com.br/programacao/. (Fonte: Agencia Brasil)
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LANÇAMENTO EM RECIFE DO 1º SALÃO DE TURISMO DO VALE DO SÃO FRANCISCO ACONTECE NESTA QUARTA (17)

O Vale do São Francisco possui riquezas culturais, históricas e naturais que ganham cada vez mais espaço no roteiro turístico dos brasileiros. É pensando no desenvolvimento das cidades dessa região que, em 2022, será realizado o 1º Salão de Turismo do Vale, no município de Petrolina.

 Em Recife, a proposta será apresentada oficialmente para empresários, operadores, guias turísticos e outros convidados no próximo dia 17 (quarta-feira), às 10h, no Centro Cultural Cais do Sertão, com um coquetel de lançamento. O evento conta com a participação do secretário de Turismo e Lazer de Pernambuco, Rodrigo Novaes. 

Na oportunidade, a Comissão Organizadora do salão apresentará o potencial da região, além dos objetivos, resultados esperados e metas do projeto pioneiro no sertão nordestino. A iniciativa já tem a parceria de mais de 20 cidades de Pernambuco e da Bahia, que enxergam na proposta a possibilidade de fomentar toda a cadeia turística do Vale do São Francisco.

"O desenvolvimento do nosso turismo passa pela discussão de políticas públicas para capacitação profissional e o fortalecimento dos negócios locais. O potencial é gigantesco e o salão vai funcionar também como uma grande vitrine turística das cidades ribeirinhas do Velho Chico", destaca Luciano Correia, um dos idealizadores da proposta.

Programado para acontecer nos dias 28 de abril a 1º de maio de 2022, o 1º Salão de Turismo do Vale do São Francisco terá uma estrutura de aproximadamente 5.000m², na orla de Petrolina, com exposições, palestras, workshops, simpósios, espaço gastronômico, artesanato local, rodadas de negócios e uma programação vasta de capacitações. 

O lançamento regional do salão aconteceu no último dia 04 de novembro, em Juazeiro-BA, cidade-irmã da pernambucana Petrolina, às margens do rio São Francisco. O evento contou com a presença de prefeitos e secretários de Turismo da região, representantes de instituições de ensino, lideranças políticas e outros convidados. Depois da capital pernambucana, a proposta será lançada também em Salvador-BA e Aracaju-SE.

Organização: Idealizado por Luciano Correia e Gilberto Pires, o 1º Salão de Turismo do Vale do São Francisco tem como realizadores a Cooperativa Mista de Profissionais, Produtores e Empreendedores Familiares do Submédio do São Francisco (Coopemvale) e a Criatur. A correalização do evento é da Secretaria de Turismo e Lazer de Pernambuco, por meio da Empresa Pernambucana de Turismo (Empetur),do Governo do Estado da Bahia e de mais de 20 prefeituras do Vale do São Francisco.

SERVIÇO: Coquetel de Lançamento em Recife do 1º Salão de Turismo do Vale do São Francisco

Data: 17 de novembro de 2021

Horário: 10h

Local: Centro Cultural Cais do Sertão - Recife (PE)

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TERRA YANOMAMI E O RETRATO DO ABANDONO: CRIANÇAS YANOMAMI SOFREM COM DESNUTRIÇÃO E FALTA DE ATENDIMENTO MÉDICO

Crianças doentes, desnutridas e sem atendimento médico. O Fantástico passou duas semanas dentro da terra Yanomami, a maior reserva indígena do Brasil, e constatou um cenário desolador.

Comunidade indígena constrói posto de saúde por conta própria após mortes por malária na Terra Yanomami.

No meio da selva amazônica, duas mães Yanomami com os filhos pequenos no colo deixam a comunidade Macuxi Yano em direção aonde viram o helicóptero seguir. Debaixo do sol forte, elas remam em uma canoa por duas horas, em busca de ajuda para as crianças, que ardem em febre.

O esforço, porém, é em vão: quando chegam na comunidade Xaruna, o helicóptero que poderia levá-los ao posto de saúde em Surucucu já tinha partido. Encontram apenas um técnico de enfermagem munido de frascos de dipirona, xarope para tosse e uma balança. Era a primeira visita de um profissional de saúde no local em cerca de dois anos.

Desoladas, as duas mães não escondem a angústia. Uma delas chora. Se de helicóptero a ida até o posto levaria 25 minutos, a pé, são 15 dias de caminhada pela floresta.

O posto em Surucucu, referência na região por ser a maior unidade de atendimento dentro da terra indígena, se resume a um barracão de madeira de chão batido e com estrutura precária.

Na unidade, uma outra mulher e o filho, também de Macuxi Yano, são atendidos depois de cinco dias atrás de socorro. A mãe, Maria Cláudia Yanomami, de 20 anos, chora ao relembrar a busca cansativa por assistência para o filho doente, Leo, de 2 anos. Nem todos conseguem como eles. Na semana anterior, um pajé da mesma comunidade dela morrera de malária por falta de atendimento.

As cenas evidenciam a precariedade na assistência de saúde nas comunidades na Terra Yanomami, atingida pela desnutrição e malária - situação em grande parte agravada pelo garimpo ilegal.

Com mais de 370 aldeias e quase 10 milhões de hectares que se estendem por Roraima, fronteira com a Venezuela, e o Amazonas, a reserva Yanomami, a maior do país, enfrenta problemas tão grandes quanto a sua extensão territorial.

Ao todo, são 28 mil indígenas que vivem isolados geograficamente em comunidades de difícil acesso, mas que, em grande parte, já sofreram alguma intervenção de fora, com a ocupação de não indígenas, como é o caso dos garimpeiros - estimados em 20 mil.

Durante quatro dias do mês de outubro o g1 acompanhou equipes do Fantástico e percorreram as comunidades Heweteu I, Heweteu II e Xaruna, que ficam no coração da floresta e estão entre as mais vulneráveis da região.

A viagem foi feita a convite do Conselho Distrital de Saúde Indígena Yanomami e Ye'kuana (Condisi-YY), em Boa Vista, e teve o apoio do Greenpeace, da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab) e da Hutukara Associação Yanomami.

O Condisi-YY é um órgão oficial, mas com autonomia, a quem compete fiscalizar as ações de saúde na região, de responsabilidade do Distrito Sanitário Especial Indígena Yanomami (Dsei-Y). O Dsei, por sua vez, é subordinado à Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) do Ministério da Saúde.

Em um cenário dramático, a reportagem registrou cenas inéditas e exclusivas de crianças extremamente magras, com quadros aparentes de desnutrição e de verminose, além de dezenas de indígenas doentes com sintomas de malária nas três comunidades visitadas, como em Heweteu II (na foto acima).

O procurador do Ministério Público Federal em Roraima, Alisson Marugal, ao analisar o material, classificou as imagens de "chocantes".

"São imagens chocantes e demonstram muito bem a realidade vivida pelo povo Yanomami. São imagens que não conseguimos observar por documentos, relatórios. Só o trabalho da imprensa consegue revelar o que acontece no interior da floresta. Os Yanomami estão sozinhos e invisibilizados."

O presidente do Condisi-YY, Júnior Herukaki Yanomami, que tem contato intenso com as comunidades, resume o drama:

"A saúde Yanomami está em colapso".

No entanto o coordenador do Dsei-Y, Rômulo Pinheiro, o distrito sanitário responsável por garantir a prestação de saúde aos Yanomami, minimiza a situação. Segundo ele, essa "não é uma realidade em toda a reserva".

Indicado pelo Ministério da Saúde para responder aos questionamentos da reportagem, ele atribui os problemas à complexa logística da Terra Yanomami e diz que "trabalha para somar". Ele atribui a responsabilidade a outros entes federados, embora a legislação diga que a saúde indígena compete exclusivamente à União.


"Sabemos que temos que melhorar, sim. Muita coisa tem que ser melhorada. Estamos trabalhando diuturnamente para melhorar essa situação, principalmente dessas regiões onde a reportagem foi feita. Estamos trabalhando, solicitando de outros órgãos, porque a saúde como um todo é tripartite, é competência da União, dos estados e dos municípios. Então, devemos todos, unidos, tentar combater esses problemas lá instalados", afirma Pinheiro.

No entanto, segundo o advogado do Conselho Indígena de Roraima (CIR), Ivo Cípio Aureliano, a responsabilidade da saúde indígena compete apenas à Sesai. Quando a situação é grave e o indígena precisa receber atendimento fora da reserva, o hospital para onde ele é levado pode até estar sob gestão estadual ou municipal, mas ele continua sob a guarda da Sesai.

"A atenção diferenciada à saúde dos povos indígenas é um direito conquistado na Constituição Federal de 1988 e regulamentado pela Lei nº 9.836 de 1999, conhecida como Lei Arouca, que estabelece o Subsistema de Atenção à Saúde Indígena do SUS com base nos Distritos Sanitários Especiais Indígenas, sob a responsabilidade do governo Federal. A criação da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), no ano de 2010, foi resultado disso", resume Aureliano.

O Ministério da Saúde também afirma ter destinado R$ 216 milhões à saúde Yanomami desde 2019. O montante foi para aquisição de insumos, bens, medicamentos, contratação de pessoas, entre outros.

A desnutrição infantil, de acordo com servidores da saúde que atuam no polo base de Surucucu, está diretamente ligada à malária e ao garimpo.

O avanço da extração ilegal de ouro contamina rios e destrói recursos naturais da floresta, afugentando a caça. Doentes, os adultos não conseguem buscar comida para a família ou cultivar plantações, o que impacta na dieta das crianças, as mais fragilizadas.

O isolamento geográfico e a falta de comunicação com as autoridades deixam as comunidades ainda mais vulneráveis. Ironicamente, é aos invasores que os indígenas recorrem quando, no limite, precisam de socorro e não o encontram.

Como não falam português, eles se valem de mímicas para vencer a barreira do idioma e explicar que necessitam de atendimento. Os garimpeiros, então, usam celular com internet via satélite para contatar os postos de saúde.

Foi o caso do bebê Leo, atendido em Surucucu:

"Ele está há dias com tosse, diarreia, febre. Não come direito e não anda por conta da fraqueza. O socorro demorou muito para chegar, a gente solicita, solicita e nada. Tive que procurar garimpeiros, que ligaram para pedir ajuda. Estou muito preocupada sem saber como salvar meu filho", conta a mãe, Maria Cláudia.

A indígena, a propósito, mesmo não falando uma palavra na língua portuguesa, tem esse nome por uma razão comum na Terra Yanomami: para facilitar na identificação, profissionais da saúde ou, às vezes, até garimpeiros, acabam escolhendo, informalmente, nomes em português para os Yanomami, que passam, então, a adotá-los.

COBRANÇAS AO GOVERNO FEDERAL: Para o gerente de povos isolados da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), Luciano Pohl, que acompanhou a missão conduzida pelo Condisi-YY, da qual a reportagem fez parte, a situação em que vivem os indígenas de comunidades Yanomami reflete a completa ausência do governo federal.

Segundo ele, é um cenário "que necessita de cuidados emergenciais" e "que a falta do estado está gerando um problema seríssimo para a população Yanomami".

"O estado está ausente, incapaz e inoperante. A gente vê uma estrutura do Dsei precária para atender a todas as comunidades, pouca gente, pouco remédio. A gente não vê a Funai. Chegamos a perguntar [aos indígenas] sobre a Funai e eles mal a conhecem. Então, isso é uma grande falta", diz. (Rede Globo e G1/Programa Fantástico)

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