CONFIRA LISTA DE ESPÉCIES DA FAUNA AMEÇADAS DE EXTINÇÃO

A Lista Nacional Oficial de Espécies da Fauna Ameaçadas de Extinção passou por atualização após avaliações do estado de conservação conduzidas pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

Foram incluídas 180 espécies ou subespécies, como a arara-azul-grande (Anodorhynchus hyacinthinus), reclassificada como Vulnerável (VU), o bugio-preto (Alouatta caraya) e o tamanduaí (Cyclopes rufus). Outras 150 espécies foram retiradas da lista.

O novo documento reúne a Lista Nacional de Espécies da Fauna Ameaçadas de Extinção, com 790 espécies ou subespécies; além da Lista Nacional Oficial de Espécies de Fauna Extintas, com nove espécies.

O levantamento inclui mamíferos, aves, répteis, anfíbios e invertebrados terrestres, que foram classificados como Vulneráveis (VU), Em Perigo (EN), Criticamente em Perigo (CR), Possivelmente Extintas (CR-PE) e Extinta na Natureza (EW).

Os peixes e invertebrados aquáticos são classificados em outra lista também atualizada neste ano e divulgada no mês de abril.

A maior parte das espécies listadas são invertebrados terrestres, com 264 espécies ou subespécies ameaçadas de extinção. Há ainda 242 aves, 123 réoteis, 102 mamíferos e 59 anfíbios.

Das nove espécies presentes na Lista Nacional Oficial de Espécies da Fauna Extintas, seis são aves, duas são anfíbios e há um mamífero: o roedor de Vespucci (Noronhomys vespuccii), que ocorria em Fernando de Noronha.

Proteção da biodiversidade-De acordo com o ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, a lista é um dos instrumentos mais importantes para a proteção da biodiversidade brasileira.

“A lista reconhece, perante a nossa sociedade e o mundo, a situação das espécies brasileiras e também abre caminho para a construção de planos de recuperação e de conservação", afirma Capobianco.

O documento substituiu a última versão publicada em 2022 e resulta de um esforço conjunto com comunidade científica e organizações da sociedade civil.

“Poucos países no mundo têm a capacidade de avaliar sua biodiversidade na escala que o Brasil faz hoje”, reforça o presidente do ICMBio, Mauro Pires.

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EXU TERRA DE LUIZ GONZAGA E O PERÍODO JUNINO

No mês de junho de 2026, a jornalista Gabriela Castello Buarque/Folha de Pernambuco visitou Exu Pernambuco. A jornalista revela que a cidade de Exu, no Sertão de Pernambuco, terra do Rei do Baião, Luiz Gonzaga, mantém uma tradição secular de celebrar São João Batista de forma familiar e com muita devoção. 

Principal símbolo de resistência dessa tradição, a igreja de São João Batista, na Fazenda Araripe, Zona Rural de Exu, onde o Rei do Baião cresceu, é o epicentro de tudo. “A fé em São João Batista é o que traz as pessoas para celebrarem. E essa fé se juntou à música, que vem da raiz de seu Januário, pai de Luiz Gonzaga, que é muito forte para nós”, explica a administradora e pesquisadora da história de Exu, Maria Carlina Alencar, que reside no vilarejo desde a infância. 

As celebrações têm início no novenário dedicado ao santo, que começa no dia 14 de junho, com missa e o hasteamento da bandeira de São João Batista. Depois do novenário, além da quermesse, o forró é tradição. 

“Antigamente era o tradicional samba de latada (ritmo que passeia entre o forró e o samba), que acontecia todas as noites após a novena, depois veio o forró. Também era muito forte antigamente amanhecer o dia com os pífanos tocando na alvorada, era a coisa mais linda. Era bem mais simples, mas já era uma coisa muito significativa. Essa tradição sempre foi muito forte”, lembra Carlina. 

De acordo com a pesquisadora, foi depois de Januário José dos Santos, mais conhecido como Mestre Januário, sanfoneiro de oito baixos e pai de Luiz Gonzaga, que tocava nos sambas de latada, que o São João começou a ter outra característica.

"Foi assim que juntou a fé com a questão da música, que vem dessa raiz de Januário e que é muito forte para nós. Depois, Luiz Gonzaga foi crescendo, como adolescente também tocava, e assim o Araripe começou a ter toda essa festividade, não só religiosa como profana", relata Carlina.

Carlina afirma também que, conforme suas pesquisas, é possível que a estética do São João, como conhecemos hoje com fogueiras, fogos, zabumbas,  triângulo, sanfona, tenha nascido no Araripe. "É preciso  mais pesquisas, mas tudo indica que o São João, com a festividade dançante e todos esse elementos, nasceu aqui, no Araripe e foi transmitida por Luiz Gonzaga para o mundo todo", declara a administradora.

Gonzagão fazia questão de honrar suas vivências no Araripe e o amor que ele tinha por São João Batista em suas músicas:

"Falando de São João, se pensa em Luiz Gonzaga. Quando se tornou o Rei do Baião ele deu uma entrevista para o Globo Repórter, na igreja de São João Batista, e disse: 'todas as músicas juninas que eu componho, é lembrando daqui. São João Batista é o santo que me intuiu a ser o artista que sou'", completa a pesquisadora. 

Januário, também conhecido como o maior sanfoneiro da região do Sertão do Araripe, era devoto de São João e tinha como obrigação pessoal fazer uma fogueira com quase dois metros de altura quando morava no Povoado do Araripe. 

“Ele não admitia, mesmo velhinho e com os passos já curtos, que ninguém acendesse a sua fogueira. Colocava uma cadeira perto e ficava apreciando. Ali ele fazia também suas preces. Segundo a tradição, a fogueira de São João tem um poder tão forte que nos dá o direito até de escolhermos alguém como padrinho e madrinha”, conta João Batista Januário, vaqueiro e poeta, conhecido como João Gonzaga, filho adotivo de Januário. 

Adotado com três dias de nascido por Januário e a sua segunda esposa, Maria Raimunda de Jesus, João ressalta que a convivência com o pai foi de extrema importância para que ele mantivesse a tradição de São João da família, de não ser só uma festa dançante, mas uma celebração onde a espiritualidade está sempre presente.

“Sempre foi um legado de ‘matuto’ e até hoje essa tradição continua aqui no Exu. O primeiro café do dia após a fogueira tinha que ser passado nas brasas, para consagrar a festa e ter as bençãos de São João", completa João.

Um misticismo que, segundo o irmão e padrinho de batismo de Luiz Gonzaga, utilizava bastante em suas composições ao falar do Sertão. “Gostaria muito que o universo entendesse que São João é Luiz Gonzaga e Luiz Gonzaga é o próprio São João, porque até fazer prece nas suas músicas ele fazia, como em São João do Carneirinho”, afirma. 

“Ai São João, São João do Carneirinho

Você é tão bonzinho

Fale com São José, fale lá com São José

Peça pra ele me ajudar

Peça pra meu milho dá

20 espiga em cada pé”.

Durante o período junino, os moradores da área urbana costumam ir para os sítios e chácaras de famíliares na Zona Rural, que fazem as fogueiras e esperam os parentes que vem de fora. Na mesa, não podem faltar os tradicionais bolo de milho, pamonha e canjica. 

“A gente faz aquela festa na beira da fogueira, com bastante forró. Geralmente, o sanfoneiro já é alguém da família ou algum amigo da região. A maioria aqui já tem uma base”, comenta a diretora do Bordados em Cantos de Exu, Socorro Duarte.

O cantor e sanfoneiro Joquinha Gonzaga, sobrinho e sanfoneiro do Rei do Baião até a sua morte, assumiu a missão de levar adiante a tradição da família Gonzaga, inclusive da sanfona de oito baixos que sempre foi o símbolo da família.

“Começou com o meu avô Januário, que consertava sanfonas e era o maior sanfoneiro do Sertão. Ele passou esse conhecimento para a família, mas é uma sanfona que, infelizmente, está em extinção. Você não encontra mais tocador de oito baixos em qualquer lugar e, quando encontra, não tem espaço. Vejo muitos tocando oito baixos como eu, por admirar, pelo prazer, mas não vivendo da oito baixos”, lamenta o músico. 

Ainda segundo Joquinha, nas cidades onde o São João conta com grandes polos festivos, o forró tradicional tem perdido espaço. 

“O nosso São João está mudando, diria que piorando. O forró nunca cai, mas ele é injustiçado. Tem aparecido muitos artistas bons, mas infelizmente não estamos tendo espaço. Vão entrando outras pessoas no mercado da música, que julgam ter mais valor do que nós, e vão nos substituindo e assim transformando a nossa festa”, relatou o músico.

Cantor, compositor e instrumentista, Daniel Gonzaga, filho de Gonzaguinha e neto do Rei do Baião, corrobora o pensamento do primo Joquinha: "A invasão do espaço do São João e forró por artistas e público diferentes não é por acaso e não acontece organicamente. De certa forma, sim, porque é moldado pelo que o público quer ver nos festivais. Mas há muita coisa aí por trás. É preocupante sim, temo pelo nome da festa, de um dia não ser mais São João". 

Em relação ao fato de a tradição junina estar diretamente ligada à sua família, Daniel afirma que não acredita em uma "criação de um São João, porque isso vem de antes". Porém, concorda que a disseminação do arquétipo e imaginário da festa podem ser atribuídos aos seus parentes.

"O que eu entendo que aconteceu é que Luiz Gonzaga virou o próprio arquétipo do São João com seus discos juninos, que a gravadora colocava para sair sempre em época junina. Isso alimentou o imaginário desse São João que a gente vê. Então, esse arquétipo todo foi, sim, criado por imagens provenientes das músicas de Gonzaga", avalia o cantor.

Apaixonado pela terra do avô, Daniel conta que já ouviu muitas queixas em relação à celebração do ciclo junino na cidade.

"Já ouvi de pessoas coisas como: 'vim para o Exu achando que ia encontrar o maior São João do mundo. A cidade estava toda apagada e não tinha uma menção a São João, me frustrou muito'.  Na terra do Luiz Gonzaga não tem uma grande festa de São João, mas tem o início do arquétipo. Não é o poder público que leva para frente um arquétipo típico de festa junina como a gente conhece. É familiar, no sentido de haver festas em sítios e povoados", compartilha Daniel.

O instrumentista acredita que, mais cedo ou mais tarde, as novas gerações transformarão essa tradição. Uma vez que, passada para frente, "alguma coisa se transforma".

"É sempre uma dinâmica e é para ser assim, porque se a festa ficar parada no passado ela morre. O Exu sempre foi mais ou menos do jeitinho que ele é, um lugar muito duro, em que as tradições são feitas na rua e de uma forma popular. Eu nunca fui a uma festa junina no Exu, mas vejo a cultura popular acontecer na rua, com bandas de pífano, com o forró, e isso é bom porque percebemos a cultura quando ela acontece na rua, principalmente a cultura popular", completa o compositor.

De acordo com a secretária de cultura e turismo de Exu, Isa Apolinário, o objetivo da gestão do município é perpetuar as raízes e investir para que as tradições do povo não se percam em meio às modernidades.

“Procuramos sempre fortalecer o São João raiz, esse que quase não existe mais em lugar nenhum do mundo. Então aqui, a tradição é essa: cada casa faz sua fogueira, comemora com sua família, tanto na cidade quanto na zona rural, mas isso ocorre mais na Zona Rural. O nosso turismo e a nossa cultura é mais rural, então buscamos fortalecer isso”, explica a secretária.

A secretária de cultura e turismo de Exu, Isa Apolinário. Foto: Felipe Ribeiro/Folha de Pernambuco.

Com o objetivo de fortificar e divulgar as tradições e os costumes locais, a secretária desenvolveu um projeto de turismo de base comunitária com imersão cultural em diversas áreas e temas, como música, bordado, trabalho social, manejo do couro, culinária local e, é claro, o São João.  

“Nós oferecemos aos turistas que vem para Exu uma imersão cultural nas nossas comunidades, como o povoado do Araripe, para que possamos dar essa continuidade. Porque era isso que Luiz Gonzaga queria, era isso que ele gostava e é isso que os nossos visitantes também querem ver. E é fantástico, porque é divertido e gostoso, estar sentado com a sua família, com seus amigos, ao redor de uma fogueira, comendo, conversando”, detalha Isa.

Apesar de ter uma festa dimensionalmente pequena, mais íntima e tranquila, durante o São João, Exu não economiza quando o assunto é celebrar o Rei do Baião. 

No dia 2 de agosto, data que marca o aniversário de morte de Luiz Gonzaga, é feriado municipal instituído pela Câmara Municipal do Exu. A tradicional "Festa da Saudade" acontece no icônico Parque Aza Branca, última residência do Gonzagão e local que abriga o museu e o mausoléu do Rei do Baião. A celebração costuma iniciar pela manhã, com uma missa solene, seguida por apresentações gratuitas de forró pé-de-serra e artistas regionais ao longo do dia.

Em meados de dezembro, Exu realiza anualmente o Festival Viva Gonzagão, para celebrar o nascimento de Luiz Gonzaga. A data coincide com o feriado municipal do Dia de Santa Luzia, celebrado no dia 13, e a festa geralmente dura entre três e quatro dias.

“Em dezembro reunimos tudo isso no Festival Viva Gonzagão, que foi uma festa criada pelo próprio Luiz Gonzaga. Era a festa de aniversário dele e se tornou um festival porque todo mundo, do município, da zona rural, dos distritos, cidades vizinhas, de toda a região do Araripe, vem para Exu e comemora junto”, relata a secretária. 

Segundo Isa Apolinário, o Festival Viva Gonzagão busca sempre reunir na grade de programação amigos famosos de Luiz Gonzaga, como Fagner, Gilberto Gil, Elba Ramalho e vários outros artistas, além dos familiares que seguem na luta para dar continuidade ao legado do Rei do Baião.

 “O sobrinho dele, Joquinha Gonzaga, abre o festival todos os anos. Agora, Daniel Gonzaga, que é filho de Gonzaguinha e neto de Luiz Gonzaga, também participa dessa luta. O festival é tudo para nós. É o nosso São João, Carnaval, festa da Páscoa, vaquejada, é tudo isso junto”, conclui.

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A VIDA ERA SÓ UM SIMPLES JEITO DE SER, POR MACIEL MELO

O sinal fechado e o silêncio assombrando a madrugada. Do lado direito, uma marquise com os vergalhões expostos, minando gotas de ferrugem, como se lacrimejasse sobre o abandono de alguns retalhos humanos estendidos na calçada de um velho armazém.

Descrevi essa imagem ao ver uma fotografia, há muito tempo atrás, estampada na folha de Pernambuco. Um jornal que resiste e insiste em existir na contramão da velocidade tecnológica, que avassala sobre o olhar analógico de leitores que como eu, precisa apalpar e sentir o cheiro do papel.

Pois bem, mais adiante, um mendigo tenta acender uma ponta de cigarro que apanhou no chão da porta de um botequim, fazendo concha com as mãos. Vira prum lado, vira pro outro, numa peleja infinda entre o vento e a vontade de fumar.

O sinal vai abrir; volto o olhar para a realidade e me revolto com as incongruências da vida. Uns com tanto, outros com tão pouco; mas tudo depende do jeito de quem vê̂ a vida. Eu a vejo todo dia, e todo dia me decepciono com um mundo cada vez mais desumano, mais nocivo e mais demente com as coisas do coração.

Quando eu vejo a plebe rastejar sobre as vicissitudes causadas pela opressão, enquanto seus algozes multiplicam a miséria para chegarem ao poder, me dá́ um nó na garganta e engulo o choro para não engasgar a voz que afinei para cantar aquela canção que ainda não fiz.

O sinal abriu, sigo o trajeto que tracei na hora da saída, com destino à Rua da Hora. Lá, qualquer hora é hora de chegar; lá, somos Reis e Rainhas; lá́, não existe solidão; lá́, o garçom é meu amigo, e a menina da mesa ao lado me faz um aceno, me sorri, e diz que leu um texto onde eu afirmava que a vida era só́ um simples jeito de ser.

MACIEL MELO *Cantor e compositor

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PETRUCIO AMORIM E O DESABAFO: ESTÃO TIRANDO OS FORROZEIROS DOS PALCOS

 O cantor pernambucano fez um desabafo durante o show de sábado (20), no polo do Alto do Moura, em Caruaru, no Agreste pernambucano. Registros da declaração têm repercutido nas redes sociais.

O compositor pernambucano, nascido na cidade considerada a capital do forró, contou que tentaram retirá-lo da programação do palco e levar o show para a área rural do município.

“Estou muito triste, não era para eu estar aqui. Eles tinham me colocado lá na Zona Rural. Depois de muita conversa me trouxeram para cá”, revelou Petrúcio.

Ainda segundo ele, o show ficou marcado para o meio-dia, horário distante dos principais shows da programação.

Atualmente, aos 67 anos, o artista soma mais de 200 canções gravadas e mais de 15 trabalhos lançados entre LPs, CDs e DVDs. Entre os sucessos que ganharam o Brasil estão músicas como “Tareco e Mariola”, “Filho do Dono”, “Anjo Querubim” e tantas outras que se tornaram presença obrigatória no período junino.

Além do carinho do público, Petrúcio revelou que deve receber em breve um reconhecimento importante ao lado de Santanna, que lançou recentemente o projeto “Santanna, O Cantador canta Petrúcio Amorim”, reunindo interpretações de músicas compostas pelo pernambucano.

Segundo o artista, o trabalho já é considerado um sucesso e pode render uma premiação nacional ligada ao Prêmio da Música Brasileira, criado em 1987 pelo produtor Zé Maurício Machline e considerado uma das mais importantes premiações da música nacional.

“É um reconhecimento fenomenal. Tenho certeza de que esse trabalho terá um êxito muito grande”, afirmou.

Mesmo após 40 anos de carreira, Petrúcio diz viver uma das fases mais intensas da vida artística. Segundo ele, o período junino segue com agendas cada vez mais lotadas.

“Quando comecei, a gente fazia 10 ou 15 shows no São João. Hoje chegamos a fazer mais de 26 apresentações. Isso é uma alegria muito grande”, contou.

Ao final da entrevista, o cantor deixou uma mensagem de valorização da cultura nordestina e da tradição junina.

“Vamos manter acesa a chama da fogueira, da quadrilha, da canjica, do forró e da união. O São João é um presente da nossa cultura e precisa continuar vivo nas próximas gerações.”


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FAGNER VISITA EXPOSIÇÃO LUIZ GONZAGA 110 ANOS DO NASCIMENTO

 No último sábado (20), o cantor Raimundo Fagner visitou a exposição sobre o Rei do Baião, instalada no Parque Evaldo Cruz, em Campina Grande, Paraíba.

A mostra é inspirada na obra “Luiz Gonzaga 110 anos de nascimento”, do pesquisador Paulo Vanderley, e traz uma linha do tempo que passeia pela vida e obra de Luiz Gonzaga, apresentando as décadas musicais, álbuns e itens do acervo pessoal.

Fagner já gravou discos com Luiz Gonzaga, interpretando sucessos do mestre, e por anos nutriu uma grande amizade que ia além dos palcos e estúdios.

Em entrevistas, o cearense já destacou a conexão profissional e cultural com a obra e o legado deixado por “seu Lua”.

“Eu gravei com muita gente, muito artista, mas o trabalho com o Gonzaga tinha algo mais, uma coisa da região, mais nossa, do amor dele pelo Ceará também. Pelas nossas raízes. Tinha um pouco a mais nisso. E felizmente isso ficou registrado nos discos”, comentou.

Na sequência, o artista que cantou no Parque do Povo subiu ao palco principal, fazendo sua tradicional passagem de som. Ao reunir vários fãs em um só coro, Fagner abriu o repertório cantando “A Morte do Vaqueiro”, do Rei do Baião, reforçando o legado de Luiz Gonzaga para a música nordestina e para festas como o São João.


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ESTUDO APONTA QUE 85 PORCENTO DOS BRASILEIROS VÃO PARTICIPAR DE FESTAS JUNINAS

Pesquisa do Instituto Locomotiva sobre os festejos juninos apontou que 85% dos brasileiros maiores de 18 anos pretendem participar das comemorações de São João neste ano. O número é superior aos 81% de adultos interessados em ir a uma festa junina em 2025, mas próximo da margem de erro do levantamento, que é de 3%.

O estudo seguiu os parâmetros da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD/IBGE) e foi realizado entre 29 de abril e 6 de maio.

A pesquisa também investigou qual é o tipo de festa preferido do público. As festas juninas de rua e gratuitas lideram e foram mencionadas por 44% dos brasileiros. Os arraiais na casa de amigos ou familiares serão o destino de 39% dos entrevistados, enquanto as festas em igrejas ou quermesses são destino para 37%. Os entrevistados poderiam mencionar mais de um tipo de evento que pretendem participar. 

“Festa junina é uma das expressões mais bonitas de como o Brasil transforma cultura em encontro. A pesquisa mostra que essa celebração atravessa o país de jeitos diferentes, muda conforme a região, o território e a forma de viver de cada comunidade, mas preserva uma força comum: reunir pessoas em torno da tradição, da comida, da música e do pertencimento”, comentou Renato Meirelles, presidente do Instituto Locomotiva.

 Entre as regiões, a população do Nordeste aparece como a mais apaixonada pelo São João que acontece em eventos públicos. Cerca de 51% dos entrevistados pretendem ir a festas juninas de rua e gratuitas, o maior índice entre as regiões. No Sudeste, esse percentual chega a 44%, enquanto no Norte é de 43%. Já no Sul, a principal intenção é participar de festas na casa de amigos ou familiares, mencionada por 43%. No Centro-Oeste, as festas em igrejas ou quermesses aparecem como principal atividade, com 42%.



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DESERTIFICAÇÃO NO SEMIÁRIO É REFLEXO DO NOSSO MODO DE VIDA, DIZ CIENTISTA

Tão importante quanto a habilidade de explicar temas científicos com qualidade técnica, está a de fazê-lo com poesia. Para nossa sorte, o agrônomo e correspondente científico do Brasil junto à Convenção das Nações Unidas para o Combate da Desertificação (UNCCD) Aldrin Martin Pérez-Marín discorre sobre desertificação com essa exata maestria.

Dos aspectos geoecológicos às disputas geopolíticas, o assessor técnico do Instituto Nacional do Semiárido (Insa) explica de que maneira a estigmatização da Caatinga como uma terra inóspita, narrativa repetida em outras zonas áridas e semiáridas do globo, é responsável pela expansão da desertificação e das desigualdades socioeconômicas.

“A Caatinga tem uma dinâmica, uma dança da vida, que confunde aqueles que só enxergam beleza e abundância nas florestas na parte verde do Planeta”, reflete em entrevista exclusiva à Eco Nordeste. “É por isso que eu sempre digo: a Caatinga é verde de esperança. Porque ela lança luzes de esperança contra as mudanças climáticas”.

No Dia Mundial de Combate à Desertificação, celebrado neste 17 de junho, o pesquisador interliga a desertificação, a Caatinga, o El Niño e a crise climática ao modo de vida moderno que segue a lógica das commodities e do colonialismo. Confira:

Aldrin M. Pérez-Marín – A desertificação é um tema que se trata há muito tempo. Existe uma Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação, criada na Rio 92 a partir de um movimento histórico.

Aqui no Brasil, esse tema da degradação das terras semiáridas e áridas foi levantado pelo professor João de Vasconcelos Sobrinho, que foi pioneiro nos alertas sobre que no Nordeste brasileiro, o Sertão enfrentava problemas similares aos que se encontravam em outras partes africanas.

Essa convenção é um tratado internacional, do qual o Brasil é signatário, e ela traz diversos conceitos. Por exemplo, o que seria desertificação? Ela define que desertificação seria a degradação das terras, nas zonas áridas, semiáridas e sub-úmidas secas, resultante de vários fatores, incluindo as variações climáticas e reações humanas.

É um conceito que tem alguns complicadores. Primeiro porque ele diz que a desertificação só inclui zonas climáticas áridas, semiáridas e sub-úmidas secas. Elas são definidas em relação à quantidade de chuva que cai e a quantidade de chuva que se perde pela evaporação do solo e transpiração das plantas.

Quer dizer, a primeira análise que você pode trazer para isso é que em outras zonas climáticas não haveria desertificação, seria uma degradação ambiental, entende? E isso tem implicações profundas porque define, por exemplo, ações dos estados, dos países, do governo para agir.

Mas se você analisa a fundo, você pode dizer que a desertificação, neste contexto, nasce entre o clima e as nossas ações. Ou seja, o problema não é a terra, é o clima que muda e as pessoas que agem.

Em termos políticos, (a palavra) tem influência porque só se fica falando da degradação que ocorre no Semiárido brasileiro. E isso tem um problema crítico, porque se intensifica aquela visão sobre o Semiárido: de que o clima é responsável pela miséria e que a miséria gera subdesenvolvimento. Se intensifica esse processo de estigmatização da região.

A Caatinga e o Sertão sempre são vistos com um olhar que cria preconceito. Pegue a revista Veja de 1981 que na capa traz em letras fortes: “Tentando vencer a maldição do dinheiro perdido – Não é somente a seca que assusta o Nordeste, mas a imagem de região sem futuro, onde é inútil investir”.

E assim nasceu essa história de Mata Branca, Floresta Pobre, Terra Vazia. É porque, no imaginário, muitos enxergam beleza apenas nas florestas úmidas. Mas o que a Caatinga é? Ciclos.

Branca, cinza e verde. Quando ela está branca, ela indica paz e perspectiva. Quando ela está cinza, ele induz ao renascimento de uma riqueza desentendida, porque cinza é renascimento; e quando ela está verde, ela expressa a plenitude de uma floresta cheia de vida.

É uma dinâmica, uma dança da vida que confunde aqueles que só enxergam beleza e abundância nas florestas úmidas, nas florestas na parte verde do Planeta. É por isso que eu sempre digo: a Caatinga é verde de esperança. Porque ela lança luzes de esperança contra as mudanças climáticas.

CL – Em que sentido ela lança essa esperança?

APM – Ela vem demonstrando que sequestra carbono como nenhum outro bioma brasileiro, e se coloca como a segunda floresta seca que sequestra mais carbono; portanto, o clima global agradece.

E é por isso que essa narrativa (de miséria e inutilidade), que se estende pelas outras zonas áridas do Planeta, não se sustenta. Para você imaginar, as terras secas representam cerca de 47% do globo. Com as mudanças climáticas, você espera que essas áreas aumentem para 52%. O Brasil está em 12ª posição em termos de quantidade de área semiárida. (Agencia Eco Nordeste)


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