ROMARIA DA TERRA E DAS ÁGUAS ACONTECE ENTRE OS DIAS 03 E 4 DE JULHO DE FORMA VIRTUAL

A 43ª Romaria da Terra e das Águas de forma virtual acontecerá nos 03 e 04 de julho de 2020. Com o Tema Terra e água: dons da vida no campo e na cidade e o Lema: “Em sua mão está a vida de toda criatura e o fôlego de toda humanidade” (Jó.12,10).

Queridas/os Romeiras e Romeiros da Terra e das Águas, das pastorais e movimentos, da reza e da luta, dos campos e das cidades! Que as Bênçãos do Bom Jesus, peregrino e companheiro, encontre todas/os com a alma cheia de esperança e os corpos repletos de ternura e resistência.

Quando se perguntou se não era o caso de suspender esta romaria logo se ouviu um grito unânime: não!  Mudamos o jeito, mas ao redor do Bom Jesus da Lapa, o grito dos pobres deverá estar presente. Sim! Faremos juntos uma “romaria virtual”.

O que significa dizer “virtual”? É uma palavra antiga do latim popular, utilizado pelos pobres após o desmoronamento do poderoso Império Romano. Vem da palavra latina Virtus, isto é: virtude. Hoje “virtual”, além de ser uma palavra utilizada em vários campos, conserva também, em si mesma, o sentido de uma potencialidade e possibilidade de reagir a um obstáculo. E para nós, significa conquistar um ânimo novo para superar dificuldades, com o nosso protagonismo e à luz que nos vem do Evangelho do Bom Jesus.

Romaria Virtual é então a Romaria de nossa força e coragem em recomeçar e continuar a caminhada! 

Mesmo que não possamos, neste ano, acolher os milhares de romeiros e romeiras tradicionais, vamos expressar nossa certeza, fundamentada na Palavra de Deus que nos é lançada, este ano, pelo sofrido personagem de Jó e pela atitude profética que ele nos desdobra com suas exigências de sinceridade que lhe dá coragem até de debater com o próprio Deus.

Esta 43ª Romaria da Terra e das Águas acontece num momento decisivo para a história da humanidade e da nossa relação com a Casa Comum, o Planeta Terra. Certamente deixará um marco profundo em nós na busca de autenticidade e de renovação. É para nos encorajar que Jó nos aponta para o Deus da Vida: Não tenham medo! “EM SUA MÃO ESTÁ A VIDA DE TODA CRIATURA E O FÔLEGO DE TODA HUMANIDADE” (Jó.12,10).

Sentimo-nos, portanto mais tranquilos com a obrigação de  preservar nossa saúde mantendo o isolamento social mas, em nossos corações, cresce um compromisso coletivo e responsável para com uma missão que nossa Romaria coloca em nossas mãos: Defendam e protejam a “Terra e água que  são dons da vida no campo e na cidade”.
PROGRAMAÇÃO

43ª ROMARIA DA TERRA E DAS ÁGUAS - VIRTUAL

Dia 03/07 (Sexta feira)

17:00h – MISSA DE ABERTURA da 43ª Romaria da Terra e das Águas

(Transmissão WebTV Bom Jesus, Youtube, Facebook, Instagram, etc.)

19:00h – NOVENA AO BOM JESUS – Os Clamores dos Povos da Terra e das Águas (Transmissão WebTV Bom Jesus, Youtube, Facebook, Instagram, etc)

Dia 04/07/2020 (Sábado)

6:45h - MISSA DA RESSURREIÇÃO

 (retransmitida pela TV Aparecida e os nossos canais)

14:30h às 16:30h – GRANDE PLENÁRIO da 43ª Romaria da Terra e das Águas

Depoimentos, reflexões, e palestra sobre o tema central da 43ª Romaria – transmitido pelo Streamyard Lives - (Facebook, Youtube, Instagram);

17:00h – MISSA DOS COMPROMISSOS da 43ª Romaria da Terra e das Águas.

19:00h às 21:00h – NOITE CULTURAL – Com a participação especial de  Zé Vicente e Gogó (Roberto Malvezzi) – transmitido pelo Streamyard Lives - (Facebook, Youtube, Instagram).
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FESTIVAL SÃO JOÃO NA REDE AFIRMA VALOR CULTURAL DO FORRÓ

A Paraíba apresentará 44 atrações no Festival São João na Rede, o maior evento online voltado para os festejos juninos, com mais de 200 artistas no elenco.

O evento foi aberto na sexta-feira (12), Dia dos Namorados, com o ‘Arraiá da Resistência, envolvendo artistas de todos os Estados. No sábado (13), a programação envolveu dança e debates, com a participação de coordenadores do Fórum Forró de Raiz avaliando a situação do forró no momento da pandemia.

Ontem  quinta-feira (18), teve a participação paraibana no evento começa às 18h, com falas do governador do Estado, João Azevedo, do secretário Damião Ramos Cavalcanti (Cultura), da produtora Joana Alves (coordenadora do Fórum Nacional de Forró de Raiz), do professor Climério de Oliveira (da UFPE, coordenador geral do Festival) e do jornalista Fernando Moura, que preside a Fundação Casa de José Américo.

O governador e o secretário falarão sobre as medidas que a Paraíba tem tomado em relação ao setor cultural neste período de pandemia, e sobre apoios levados às iniciativas como a do Festival São João na Rede.

Climério de Oliveira falará sobre detalhes do evento, reforçando o seu caráter social, uma vez que arrecada donativos em plataforma eletrônica para repassá-los aos artistas e demais trabalhadores da cadeia produtiva do forró que estão em situação de vulnerabilidade.

Joana Alves fará um rápido panorama da situação dos forrozeiros paraibanos e da luta da categoria por mais espaços para mostrar sua arte e reafirmar a cultura regional.

O jornalista Fernando Moura detalhará o conteúdo e as ações no Ano Cultural Sivuca, organizado e tocado pelo Governo do Estado para homenagear o grande mestre instrumentista e compositor paraibano.

Após a parte solene, será exibido o documentário ‘O poeta do Som’, sobre Sivuca. Daí em diante segue a programação artística.

Além dos shows, a participação paraibana no festival terá dança, forró com grupos infantis e sanfoneiros mirins, contação de história, oficinas de instrumentos musicais, de gastronomia nordestina, de indumentárias do Cavalo Marinho, cordel, documentário, clipes e apresentação de quadrilha junina.

Antes da participação das autoridades, haverá uma abertura musical, com a apresentação do clipe ‘Bandeira do Forró’ (de Mestre Chiquito e Beto Brito), música que se tornou hino em homenagem a forrozeiros, e trilha sonora da campanha para titulação do forró como patrimônio cultural imaterial do Brasil.

Na sexta-feira (19), a programação começa às 9h, com música feita por artistas mirins da Banda Caacttus e as sanfoneiras Julie Caldas e Iyvia Xavier. Breno Souza vai cantar Jackson do Pandeiro. Durante todo o dia, várias atividades serão apresentadas no streaming.

Os shows começam com apresentação do grupo folclórico Eita (18h35) e se encerram com apresentação da banda Forró Caçuá (23h).

Quem faz: Na Paraíba, o Festival São João na Rede conta com parceria do Governo do Estado da Paraíba.

O evento foi formatado pelo Fórum Nacional Forró de Raiz (e suas representações estaduais), a Associação Cultural Balaio Nordeste (de João Pessoa-PB) e a Associação Respeita Januário (Recife-PE). Esta última é responsável pela pesquisa de campo que baseará o processo de transformação do forró em patrimônio cultural imaterial do Brasil, via Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
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"NÃO SE PODE PENSAR EM ENSINO REMOTO COM EXCLUSÃO. TEMOS QUE PENSAR NOS ALUNOS QUILOMBOLAS, DAS ÁREAS RURAIS E NÃO PODEMOS REFORÇAR DESIGUALDADES, AFIRMA EX-REITOR DA UNIVASF

O retorno das aulas totalmente presenciais nas universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), de Pernambuco (UPE) e Federal do Vale do São Francisco (Univasf) só deve acontecer no próximo ano. Na manhã desta quinta-feira (18), reitores e ex-reitores das instituições de ensino superior participaram de um debate virtual sobre como as universidades públicas de Pernambuco estão enfrentando a pandemia da Covid-19. O evento on-line foi promovido pela Academia Pernambucana de Ciências (APC).

Para 2020, as universidades devem adotar um modelo de ensino híbrido, uma junção do ensino remoto e o formato presencial. "Vivemos um contexto de imprevisibilidade e não podemos causar nenhum tipo de exclusão", disse o reitor da UFPE, Alfredo Gomes, no evento. A universidade deve criar ainda um semestre suplementar - além de 2020.1 e 2020.2 - com dois meses de duração e com quantidade limitada de disciplinas.

A ex-reitora da UFRPE Maria José de Sena enfatizou que o modelo remoto ainda não deve ser adotado pelas instituições públicas de ensino superior do estado. "Devemos lembrar que 50% dos nossos alunos são cotistas e vêm do ensino público. Não vamos nivelar essas decisões pensando na fatia que tem condições. Também precisamos pensar nos nossos docentes. Muitos não têm como dar aulas nesse formato", afirmou.

Maria José defendeu que as universidades tenham um diagnóstico das comunidades acadêmicas. "Não há condições para retorno remoto sem acesso à tecnologia para 100%", pontuou. A UFPE está fazendo uma pesquisa on-line para ouvir a comunidade acadêmica sobre o uso de tecnologias digitais e condições de vida. Os formulários virtuais estão disponíveis para estudantes, docentes e técnicos da instituição.

O reitor da UPE, Pedro Falcão, destacou que a universidade estadual está oferecendo um curso não-obrigatório para que professores tenham formação em aulas remotas.

"Nossos estudantes entraram nos cursos na modalidade presencial. Outra questão é que professores não têm formação para isso. Oferecemos curso para os docentes. Não é obrigatório e, mesmo para os que estão fazendo, há um tempo para que estejam formados", esclareceu. Falcão informou que a UPE tem 12 polos de educação a distância (EAD) e cinco cursos nessa modalidade. "Esses cursos não pararam. Os cursos EAD foram criados, tanto o currículo como os professores e alunos, para ter esse formato", disse.

Sobre a situação no Sertão, o ex-reitor da Univasf Julianeli Tolentino pontuou que nem todos os estudantes da instituição tem acesso à internet. 

"Existe uma preocupação com o acesso de estudantes a equipamentos, como computador, notebook, smartphone, e à internet. Além disso, será que todos têm um ambiente para estudo? Não podemos pensar em ensino remoto com exclusão. Não podemos privilegiar apenas quem tem acesso. Temos que pensar nos alunos quilombolas, das áreas rurais e não podemos reforçar desigualdades", afirmou. Segundo Tolentino, uma comissão foi formada na Univasf para discutir como e quando haverá acessibilidade para todos e como ficarão as aulas práticas, por exemplo.

PORTARIA: Na última quarta-feira (17), uma portaria do Ministério da Educação (MEC), publicada no Diário Oficial da União, estendeu a autorização de aulas a distância em instituições federais de ensino superior até 31 de dezembro. O documento, motivado pelas medidas de contenção à pandemia da Covid-19, também flexibiliza estágios e práticas em laboratório, que podem ser feitos a distância nesse período, exceto para cursos da área de saúde.

Em março, o MEC havia publicado a primeira portaria tratando sobre o tema. A validade era de 30 dias. O prazo foi prorrogado pela terceira vez. De acordo com a nova portaria, as instituições de ensino terão autonomia para definir o currículo de substituição das aulas presenciais, a disponibilização de recursos a estudantes e a realização de atividades durante o período. As instituições podem suspender as atividades acadêmicas presenciais pelo mesmo prazo. No entanto, essas atividades devem ser "integralmente repostas" quando for seguro o retorno ao ensino presencial. (Fonte: Diário de Pernambuco)
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VOLUME ÚTIL DA BARRAGEM DE SOBRADINHO SERÁ DE 89,86% NO DIA 23 DE JUNHO

O mês de abril e maio, as informações foram positivas, o momento histórico, depois de 11 anos, os reservatórios do Nordeste, em especial os da Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf), voltaram a atingir volume útil maiores que 90%. No Rio São Francisco, Sobradinho e Boa Esperança, no Rio Parnaíba, atingiu 100%.

Atualmente o Reservatório de Itaparica, em Pernambuco, passa por um processo de transferência de água, recebendo volume de Sobradinho (BA), para equilibrar os níveis dos reservatórios do São Francisco. O objetivo é elevar o volume de Itaparica a 90% de sua capacidade.

Desta forma, ao longo dos meses de maio e junho, a Chesf, juntamente com o Operador Nacional do Sistema Elétrico – ONS, realiza ações nesse sentido, com a expectativa de atingir o nível de armazenamento determinado.

No dia 23 de junho, véspera de São João, o volume útil da Barragem de Sobradinho, que vem diminuindo, depois de ter atingido 95%, vai chegar a 89,89%. A afluência (água que chega) é de 1.020 metros cúbicos por segundo e defluência (água que sai), 1600 metros cúbicos por segundo.

A reportagem do BLOG NEY VITAL esteve na Colônia de Pescadores do Angary e o nível da água continua subindo, todavia, de acordo com os moradores "não vai atingir as casas".

A situação é de normalidade, de acordo com a assessoria de imprensa da Chesf e bastante favorável e esta situação possibilitará o atendimento aos usos múltiplos, durante o próximo período seco, motivo de comemoração por parte de todos os usuários do Velho Chico.
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MINISTRO DA EDUCAÇÃO, ABRAHAM WEINTRAUB É DEMITIDO DO CARGO

O ministro da Educação, Abraham Weintraub, anunciou nesta quinta-feira (18) que deixará o cargo. A confirmação foi dada em um vídeo publicado por Weintraub, em que o ministro aparece ao lado do presidente Jair Bolsonaro. O nome do substituto não foi informado.

Nesta quarta, a comentarista do G1 e da GloboNews Cristiana Lôbo informou que o governo pretende indicar Weintraub para o Banco Mundial, em Washington. Lá, o Brasil lidera um grupo de nove países e, sendo o maior acionista, tem a prerrogativa de indicar o diretor da área.

"É um momento difícil, todos os meus compromissos de campanha continuam de pé. Busco implementá-lo da melhor forma possível. A confiança você não compra, você adquire. Todos que estão nos ouvindo agora são maiores de idade, sabem o que o Brasil está passando. E o momento é de confiança. Jamais deixaremos de lutar por liberdade. Eu faço o que o povo quiser", afirma Bolsonaro no vídeo. (Fonte G1)
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COMITÊ DA BACIA DO RIO SÃO FRANCISCO APROVA PROJETOS VOLTADOS À SUSTENTABILIDADE HÍDRICA NO SEMIÁRIDO

Presente em todos os estados do Nordeste e em parte do Sudeste (norte de Minas Gerais e norte do Espírito Santo), o clima semiárido está associado ao importante bioma da Caatinga. Correspondendo a aproximadamente 11% do total do território brasileiro e 50% do território da bacia hidrográfica do rio São Francisco. O semiárido tem características próprias: baixa ocorrência de chuva, altas temperaturas e longos períodos de estiagem. Por isso, o Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco aprovou, no final do ano passado, a contratação de oito projetos voltados à sustentabilidade hídrica no semiárido.

Serão realizados dois projetos por região fisiográfica da bacia do rio São Francisco, classificados a partir dos critérios definidos no Ofício Circular de Chamamento Público CBHSF N° 02/2019. Os projetos selecionados receberão até R$ 1 milhão, financiados por meio de recursos financeiros oriundos da cobrança pelo uso das águas do rio São Francisco,com contratação feita pela Agência Peixe Vivo.

De acordo com a Agência Peixe Vivo, já foram elaborados os termos de referência para a contratação de consultoria especializada. Essa consultoria irá elaborar novos termos de referência para a execução dos projetos aprovados. Também foram iniciados os procedimentos para lançamento dos atos convocatório associados a essa contratação.

Os projetos do Alto São Francisco atenderão os municípios de São João da Ponte, Varzelândia e Miravânia, em Minas Gerais. “Água para beber, vidas para cuidar”e “Ações de revitalização dos recursos hídricos no município de Miravânia no semiárido mineiro” são as propostas que preveem a implantação de cisternas para captação das águas das chuvas para consumo humano, mobilização social e capacitação nas comunidades rurais da bacia do São Francisco; e a implantação de pequenas barragens de acumulação de água em riachos intermitentes, respectivamente.

Já na região do Médio São Francisco os municípios que receberão as ações financiadas pelo CBHSF serão Macaúbas e Barra do Mendes, ambos na Bahia. Em Macaúbas a proposta é implantar cisternas para captação das águas das chuvas para consumo humano e capacitação das famílias beneficiadas. Já em Barra dos Mendes, a proposta é para captação das águas das chuvas para produção de alimentos.

No Submédio São Francisco, a proposta “Salvando as veias do São Francisco – a luta para recuperar rios e nascentes nas serras de Jaguarari-BA” vai atender a cidade de Jaguarari com a construção de barragens subterrâneas, barreiros e outras estruturas para recarga dos aquíferos na região.

Além disso os municípios de Macururé (BA), Pariconha (AL), Betânia, Carnaíba, Carnaubeira da Penha, Iguaraci, Mirandiba, Santa Cruz da Baixa Verde e Triunfo, em Pernambuco, serão atendidos pela proposta “Bênçãos do São Francisco – sustentabilidade socioambiental, hídrica, energética, alimentar e nutricional no Submédio São Francisco”, que pretende implantar sistemas de coleta e manejo da água de chuvas, de reuso de águas cinzas, fogões geoagroecológicos, sistema de energia fotovoltaica e estruturar barragens conceito base zero, além de promover o plantio e manejo de reservas agroecológicas de mandacarus e palmas e realizar serviços de assessoria à extensão rural.

No Baixo São Francisco, a proposta “Segurança hídrica e controle da desertificação através de energia fotovoltaica e Sistemas Agroflorestais” vai atender a cidade alagoana de Inhapi, com o emprego de sistema fotovoltaico para sistemas agroflorestais. O segundo projeto vai beneficiar Cacimbinhas, Canapi, Dois Riachos, Ouro Branco e Poço das Trincheiras, em Alagoas; Pedro Alexandre eSanta Brígida, na Bahia; as cidades deIati, Paranatana eSaloá, emPernambuco; além de Cedro de São João, Feira Nova, Gracho Cardoso, Itabi e Monte Alegre de Sergipe, em Sergipe. Todas as comunidades receberão a implantação de sistemas de coleta e manejo da água de chuvas, de reuso de águas cinzas, fogões geoagroecológicos, sistema de energia fotovoltaica, além de ações de estrutura das barragens conceito base zero e sistemas de produção agroecológicos e socioambientais, plantio e manejo de reservas agroecológicas de mandacarus e palmas e serviços de assessoria à extensão rural. (Fonte: *Texto: Juciana Cavalcante *Foto: Edson Oliveira)
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GERALDO AZEVEDO CELEBRA FESTAS JUNINAS COM DISCO E DIZ QUE NÃO LEMBRA TER FICADO TANTO TEMPO LONGE DOS PALCOS

Tanto quanto a vida na estrada, especialmente este mês, Azevedo sente falta das festas de Santo Antônio, São João e São Pedro. Devido à pandemia de Covid-19, os arrasta-pés de 2020 ou acontecerão em transmissões pela internet ou estão adiados para quando o contágio pelo vírus estiver controlado.

Há décadas um dos artistas mais requisitados para as festividades juninas, Azevedo, desta vez, celebra essa cultura com um disco. "Arraiá de Geraldo Azevedo", gravado ao vivo, foi lançado há duas semanas, e é o registro de um show que o cantor apresenta há mais de dez anos.

"Todo mês de junho eu faço o Nordeste e depois vou ao Rio de Janeiro. Quando comecei a fazer os shows de São João, ainda era muito mais de canções próprias -xotes, xaxados, baiões. Depois, comecei a inserir clássicos. Não podia deixar de cantar Jackson do Pandeiro e Luiz Gonzaga, eles são os mentores."

"Arraía", registrado no Circo Voador, onde Azevedo se apresenta anualmente em junho há 11 anos, traz no repertório clássicos atemporais do forró nordestino. Só de Luiz Gonzaga, aparecem trechos de "Olha pro Céu", "São João na Roça", "ABC do Sertão", "Xote das Meninas" e "Sabiá", mas ainda há espaço para "Óia Eu Aqui de Novo", de Antônio de Barros, "Petrolina e Juazeiro", de Jorge de Altinho, e "O Canto da Ema", conhecida na voz de Jackson do Pandeiro, entre outras.

A influência dessas músicas, diz Azevedo, vem da infância. "Hoje a gente sabe que o forró virou nacional, mas nasci na zona rural de Petrolina. A expectativa era grande. A gente juntava madeira para a fogueira, todas as casa tinham. Além dos fogos, ainda limitados, existiam superstições. Eu, por exemplo, tive padrinho e madrinha de São João, daqueles rituais na fogueira."
Do interior de Pernambuco, ele lembra de assar milho na fogueira, do clima de paquera nos convites para dançar quadrilha, das comidas típicas e dos jogos. "A gente não tinha luz elétrica e dormia umas 20h, mas no São João a fogueira iluminava a noite toda, e durava muito."

Já conhecido, Azevedo chegava a ficar intoxicado com a fumaça das fogueiras nas turnês juninas pelo estado natal. Até passou a pedir uma barraca com comidas típicas no camarim. "Era uma das coisas que eu sentia falta, virei pessoa pública. Pedia à produção para montar no camarim. Com munguzá, canjica, doce de macaxeira."

Além da memória junina, "Arraía" tem versões puxadas para o forró de "Espumas ao Vento" (famosa na voz de Fagner) e de músicas conhecidas de Azevedo, entre elas "Moça Bonita" e "Sétimo Céu".

Mais do que o repertório autoral, o cantor insere a própria estética no forró. É um mistura das características mais tradicinoais do estilo com a linguagem desenvolvida pelo próprio Azevedo a partir dos anos 1970, em discos como "Bicho de 7 Cabeças". Também com os contemporâneos e parceiros de Grande Encontro, Elba Ramalho, Alceu Valença e Zé Ramalho.

Para o cantor, que incrementa as músicas com bateria, guitarras e percussões, o forró pé-de-serra -de sanfona, piano e zabumba- segue o mais autêntico até hoje. Ainda assim, o estilo perdeu espaço nos últimos anos, tanto para a música sertaneja quanto para o forró eletrônico, de nomes como Calcinha Preta e Limão com Mel, que aproximam o ritmo à música brega.

O cenário começou a mudar nos anos 1990, lembra Azevedo. Ele chegou a brigar com uma prefeita de Campina Grande, na Paraíba, depois que Elba Ramalho foi substituída em uma das noites de festa por Zezé di Camargo & Luciano.

"Porra, é uma festa nordestina. Tantos dias para você botar esses artistas para tocar... Aí me tiraram do São João e nunca mais me contrataram. E começou a ter mais Calcinha Preta, Daniel, Leonardo e tal. O povo nordestino, carente de ver esses artistas de perto, aplaudia a prefeitura de certa forma."

"São experiências, só acho que realmente se perdeu um pouco. Mas o Brasil tem essa diversidade maravilhosa, essa riqueza musical. Temos que aceitar democraticamente."

Essa percepção, diz o cantor, falta ao atual governo nacional. "Não entende a necessidade do povo brasileiro. Além da [relação com a] ciência, tudo isso. E tem essas manifestações antidemocráticas apoiadas pelo presidente, sempre ao lado de militares. A gente fica preocupado."

Azevedo sempre foi contrário a ditadura militar, desde quando começou a cantar no Recife, interagindo com movimentos estudantis, até fazer quadrinhos críticos para jornais clandestinos. Mas diz que nunca militou por nenhum partido.

Ainda assim, foi preso duas vezes. Na primeira, em 1969, ficou enclausurado por 40 dias. "Levei choque, enfiaram coisa nas minhas unhas e deram muita porrada". Na segunda vez, já nos anos 1970, a situação foi mais complicada.

"Fui preso com minha mulher na época, com os amigos dela, que estavam ligados [a movimentos organizados]. Mas até provar que eu não tinha nada a ver, era muito difícil."

Segundo o cantor, a prisão aconteceu porque tinha distribuídos panfletos contrários à censura após uma reunião com outros nomes da cultura, entre eles Caetano Veloso e Glauber Rocha. Mas ele lembra de ter sido confundido com outra pessoa pelas características físicas –passaram dias chamando-o de "Valério".

Antes de começar a dar entrevistas sobre o assunto, Azevedo ficou anos sem detalhar as torturas publicamente. "Tinha certa vergonha. Fui muito humilhado."

Por exemplo, descobriram que eu era cantor e falavam 'você vai cantar para mim'. Imagine, você encapuzado, nu, e eles ao redor de você, falando para cantar. E você prisioneiro. Se não cantasse, levava porrada. Eu terminava cantando e, mesmo depois de cantar, eles continuavam. Aquilo era muito humilhante."

"E você apanha sem poder se defender. É muito ruim. Ao mesmo tempo, dei uns quatro ou cinco chutes naqueles filhos da puta. Sabe como é, né? Na hora, você reage feito um animal acuado, um bicho."

Festejando o São João de casa, Geraldo Azevedo também lamenta a impossibilidade de reagir contra o governo nas ruas e vê com preocupação a possibilidade de retorno aos anos de chumbo. Aos 75 anos, contudo, ele trabalha diariamente em suas músicas, prepara lives e aguarda o retorno à sua segunda casa, os palcos. "Como em toda tempestade, espero que venha um momento de bonança logo." (Fonte: FolhaPress)
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