Neste momento em que todo nordestino já está preparando as sandálias e contando os dias para o São João, o coração bateu mais forte com a notícia da entrega para a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) do dossiê de candidatura do Forró Tradicional ao título de Patrimônio Imaterial da Humanidade.
A entrega do documento foi formalizada nesta terça-feira (31), em Brasília, pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), pelo Ministério da Cultura (MinC) e pelo Ministério das Relações Exteriores (MRE).
Pedro Santos, coordenador da Câmara Temática de Cultura do Consórcio Nordeste e secretário de Cultura da Paraíba, relembrou a atuação do bloco para o levantamento de informações e para as ações de visibilidade do gênero no Brasil e no mundo.
“Promovemos eventos em Portugal e na França. Estivemos em duas ocasiões reunidos com a Delegação Permanente do Brasil junto à Unesco, inclusive levamos os forrozeiros para falar um pouco sobre a importância da salvaguarda das Matrizes Tradicionais do Forró. Além de termos dado apoio ao Iphan na mobilização dos estados nordestinos e na produção de materiais audiovisuais que integraram o dossiê submetido à Unesco”, explicou.
“E hoje recebemos essa notícia maravilhosa! É um momento simbólico, um momento para a gente celebrar e desejar sucesso a essa candidatura que eu tenho certeza que vai ser exitosa”, completou.
A secretária de Cultura de Pernambuco, Cacau de Paula, também comemorou a formalização da candidatura. “É mais um avanço importante para fortalecer e valorizar a força da cultura nordestina e da cultura popular!”
O Forró Tradicional, também conhecido como Forró de Raiz, representa uma imersão na identidade e tradição nordestina e brasileira, que envolve desde a música e dança, como baião, xaxado, xote, arrasta-pé, até instrumentos musicais, como sanfona, zabumba e triângulo, passando pelo cordel, bandas pífano e mestres rabequeiros, e todas técnicas, práticas e saberes que envolvem o fazer e o viver o Forró.
Para a ministra da Cultura, Margareth Menezes, a entrega “é um gesto de reconhecimento, reparação e afirmação da cultura brasileira no cenário internacional. Estamos falando de uma expressão profundamente ligada à formação do nosso povo, à memória das migrações, à força criativa do Nordeste e à capacidade da cultura de manter vivos os vínculos entre território, identidade e pertencimento”, afirmou.
Para o presidente do Iphan, Leandro Grass, a candidatura reflete a consolidação da retomada da política do patrimônio cultural vivida pelo país. “A cultura brasileira voltou a ser reconhecida e valorizada mundialmente”, destacou.
Com a entrega do dossiê, a Unesco inicia uma série de processos internos para analisar as documentações da candidatura. Não existe um prazo determinado para a apreciação.
O Forró Raiz é conhecido como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil, pelo Iphan, desde 2021.
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