CANTOR E COMPOSITOR ASSISÃO É INSULTADO E GANHA APOIO DE AMIGOS E FÃS

O apresentador Murilo Couto, que integra a equipe do programa The Noite, do Sistema Brasileiro de Televisão, causou indignação na internet ao comparar o cantor serra-talhadense Assisão a um cachorro, bêbado, drogado, velho e zumbi.

Em um vídeo publicado no Instagram, ontem sábado (25), Couto insultou o músico pernambucano ao dizer que ele “parece um cachorro”. “Olha esse velho, cara. É uma mistura de Reginaldo Rossi com Valderrama, Jesus Cristo e um mendigo. Mano, que diabo é isso? Parece um cachorro!”, disparou o humorista.

Dezenas de cantores a exemplo de Jorge de Altinho, Alcimar Monteiro, Flávio Leandro publicaram mensagem de apoio a Assisão e pediram respeito ao cantor. A cantora Elba Ramalho gravou um videio e declarou ser Assisão um dos maiores nomes da música brasileira.

Assisão é responsável pelos maiores sucessos na voz do Trio Nordestino, a exemplo de Forró Pesado.

O insulto surgiu quando Assisão chegou a fazer uma live, no último dia 17, por um bom objetivo: arrecadar mantimentos e ajudar pessoas desassistidas em razão da pandemia causada pelo novo coronavírus.


Em sua conta oficial, no Instagram, Assisão publicou uma foto, no dia 22, celebrando as doações do público: “Alô forrozeiros, estou aqui com coração cheio de gratidão, recebendo as doações resultado da nossa live! A todos os nossos familiares, fãs, amigos e empresas, que fizeram as doações, muito obrigado!”

Assisão prometeu realizar uma segunda Live. A data ainda será confirmada.

O deputado Sebastião Oliveira declarou que além de Assisão, o humorista faltou com respeito com seus admiradores, familiares, amigos e pernambucanos, principalmente os sertanejos, que são reconhecidos pela sua raça, honestidade e força.

"Achando pouco, Murilo Couto, ao chamar ironicamente Assisão de velho, mostrou que é um ser humano que não tem o menor apreço com as pessoas de mais idade, que são justamente as que precisam de mais atenção e carinho de nossa parte. Murilo Couto, saiba que Assisão não está sozinho. Estou solidário ao meu conterrâneo e ídolo, para o que for necessário. Saiba também que Assisão é um patrimônio da cultura pernambucana. Reconhecer o erro dignifica. Retrate-se publicamente. É mínimo que esperamos de você.

A deputada federal Marília Arraes (PT-PE) quem se solidariza com o músico de Serra Talhada disse "Assisão é um dos patrimônios do povo pernambucano". Desrespeitar Assisão é agredir a nossa cultura e o nosso povo. #RespeiteAssisao”, escreveu em uma rede social, repudiando a atitude do comediante Murilo Couto.

"Como sertanejo pernambucano, acompanho desde a minha adolescência, o músico, compositor e cantor, Assisão de Serra Talhada. Assisão, senhor comediante, não é apenas um compositor e cantor Assisão faz parte do patrimônio histórico e cultural de Pernambuco e do Brasil.

Suas palavras de desrespeito a Assisão feriram e agrediram a nossa cultura e o nosso povo, pernambucano e brasileiro.

Senhor Murilo Couto, respeite Assisão, respeite Pernambuco, respeite o Brasil, que assim, o senhor também será respeitado." Deputado Gonzaga Patriota

“Falta de respeito com um artista que tem mais de 50 anos de carreira e mais de 700 composições. Serra Talhada-PE tem orgulho de ter o Rei do Forró como filho”, repreendeu o internauta Ranielly Batista.

Francisco de Assis Nogueira, Assisão, nasceu no dia 05 de maio de 1941 na Fazenda Escadinha, município de Serra Talhada, Pernambuco. Já aos 11 anos de idade começou suas atividades artísticas como compositor. Embora não tenha nenhuma formação em música, pois nunca frequentou nenhuma escola de música, é exímio compositor, tendo sido chamado por Dominguinhos de “o maior sanfoneiro de boca do Nordeste”, tal sua versatilidade em compor sem ter conhecimento musical. 

O início de suas atividades profissionais como cantor começou com o lançamento de um compacto e até o presente momento já gravou vários discos. Seus maiores sucessos, no entanto, aconteceram nos anos de 1987, 1988 e 1989. No trabalho de 1987 foram vendidas cerca de 210 mil cópias. Em 1988 foram 180 mil cópias e em 1989, 190 mil cópias. 

Somente nestes anos foram quase 600 mil cópias vendidos de seus trabalhos em todo país, o que lhe concedeu três discos de ouro consecutivos, além do título de “rei do forró”. Suas músicas são tocadas em todas as regiões do país. Com a agenda sempre completa, Assisão é um dos artistas mais requisitados do Nordeste. Já compôs mais de 800 músicas, destas mais de 200 já foram gravadas, por ele e por muitos outros artistas, entre estes Elba Ramalho que gravou Eu quero meu Amor.

"Um infeliz falou do meu querido Assisão nascido lá no sertão
que faz meu povo feliz com seu sotaque raiz
representando o Nordeste de alegria se veste
Pra cantar como um concriz quem falou dele esquece

Que é cego quem não conhece acultura do seu pais" (Jorge de Altinho)

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JURANDY DA FEIRA PREPARA LIVE PARA ENTRETER AMIGOS E FÃS DA MÚSICA BRASILEIRA

Em contato com a reportagem do BLOG NEY VITAL, o cantor e compositor Jurandy da Feira informou que vai realizar uma live. A data e hora ainda não foi confirmado pelo poeta considerado um dos nomes mais importantes da música brasileira, devido a versatilidade que vai do forró ao samba.

Morador do Rio de Janeiro há mais de 40 anos, Jurandy mantém a sua essência e nunca deixa de estar bem perto do Nordeste, ao tomar em consideração suas escolhas estéticas e de repertório. Jurandy é o compositor entre outros sucessos das músicas Frutos da Terra, Nos Cafundó de Bodocó, Canto do Povo, além de Terra Vida Esperança. Para Jurandy da Feira, a resistência é seu alimento e é o que faz sentido para seguir no meio musical, pois somente o talento não basta. 

A história conta que Luiz Gonzaga costumava acolher em casa compositores, em quem descobrisse afinidades, e acreditasse, obviamente, no talento. Depois de avisar que seriam gravados por ele, vinha o convite para ir ao Rio de Janeiro. Jurandy teve o privilégio de ser um amigo de Luiz Gonzaga.

Jurandy Ferreira Gomes é conhecido como Jurandy da Feira, o “da Feira” foi praticamente imposto por Luiz Gonzaga. Quando começou a aparecer como artista em sua cidade natal, Tucano, no sertão da Bahia, ele era chamado de Jurandy da Viola, por causa do violão, seu instrumento desde a adolescência.

“Quando Luiz Gonzaga gravou a primeira música minha, quando fui olhar no selo do disco. Estava lá Jurandy da Feira. Fui conversar com ele. Disse que aquilo não ia pegar bem na minha cidade, porque iam pensar que eu queria ser de Feira de Santana. Ele disse que não era de Feira de Santana, mas da feira, a feira do povo, do cantador. Acabei concordando, mas até hoje eu tenho que me explicar ao povo de lá”, conta Jurandy.

Jurandy revela que Luiz Gonzaga em vida, sorria e se divertia com esta história e explicava: "Eu botei assim, para lembrar o lado de cantador, de poeta de cordel em feiras livres do Interior". 

Em depoimento o rei do Baião apontava que o "talento de Jurandy é de uma riqueza muito grande, igual ao dia de feira nos sertões brasileiros."

Para o ano de 2020, Jurandy da Feira, está repleto de poesia, mesmo respeitando todas as regras de distanciamento social, motivado pela pandemia, então a forma encontrada é cantar nas plataformas digitais.

O compositor tinha 24 anos quando conheceu o Rei do Baião. Foi levado a ele por José Malta, um jornalista, e produtor dos shows de Gonzagão. 

“Fomos para Exu, para a casa de Luiz Gonzaga. Passei uma semana lá. Mas era aquela coisa. Ninguém chegava a Gonzaga. Ele é que chegava às pessoas. Era fechado, meio cismado. Foi ele que se chegou pra mim, e perguntou sobre o violão que eu havia levado comigo. Se eu tinha um violão, por que não tocava? Quis saber se eu fazia músicas. Pediu para cantar para ele. Depois me disse que queria uma música que falasse de Bodocó”. 

Passou algum tempo e Jurandy mostrou a música Nos cafundó de Bodocó, conta o compositor. O cafundó, foi porque eu achei que a cidade ficava longe de tudo. Naquela época ainda estavam asfaltando as estradas, e fui da Bahia até lá de Karmann-Ghia (carro esportivo, de dois lugares, saído de linha em 1971), a maior poeira, foi um sofrimento a viagem até o sertão pernambucano”.

Luiz Gonzaga gostou da composição e gravou Nos cafundó de Bodocó. Veio o inevitável convite para ir ao Rio de Janeiro. A música foi aprovada pelos produtores de Gonzagão na época, coincidentemente dois pernambucanos, Rildo Hora e Luiz Bandeira. 

Nos cafundó de Bodocó entrou num dos melhores álbuns de Luiz Gonzaga nos anos 70, Capim novo (1976). Lula gravaria mais outras três composições de Jurandy, que sacramentariam uma amizade que durou até o final da vida de Lua.

O baiano Jurandy da Feira, portanto, testemunhou os bons e maus momentos de Luiz Gonzaga em suas duas últimas décadas de vida: “Ele passou uma época em baixa. Várias vezes assisti a apresentações suas numa churrascaria chamada Minuano, na estrada Rio/São Paulo. Era aquele barulho de churrascaria. Mas quando ele dava o boa noite., pra começar a cantar, menino ficava quieto. Os adultos se calavam. Ficava silêncio enquanto ele cantava”.

Foi Luiz Gonzaga que levou Jurandy para gravadora, e ajudou a suas músicas serem gravadas por nomes como Trio Nordestino, Terezinha de Jesus. Atualmente Jurandy da Feira é um dos artistas mais admirados no meio da cultura brasileira e gonzagueana.

“Ele, Luiz Gonzaga, chegou a me prestigiar num show num colégio de padres em Tucano, minha terra natal. Passou a me apelidar de “minha paz”, porque quando chegava sempre desejava a ele: “Uma paz, seu Luiz”, relembra emocionado Jurandy.

Jurandy traz a poesia do ritmo da cultura brasileira na alma. É fartura de dia de Feira. Luiz Gonzaga sabia reconhecer um fiel discípulo.
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ECOLOGIA: OPARÁ-RIO QUE É MAR (RIO SÃO FRANCISCO) E A INEXPLICÁVEL AÇÃO HUMANA

O plástico, em forma de garrafas, sacos ou tampas, é um dos principais depredadores do Rio São Francisco. A reportagem do BLOG NEY VITAL, flagrou dezenas de formas da poluição nas margens do Rio São Francisco. 

Com a vazão em 1600 metros cúbicos por segundo, o Opará, na linguagem indigena, Rio que é Mar, o Velho Chico, vem dando sinais de aumento do volume de água e com isto, mostra "cada vez mais as cicatrizes provocadas pela ação do homem em suas margens".

Quem tem o privilégio de cruzar a Ponte Presidente Dutra, entre as cidades de Petrolina (em Pernambuco) e Juazeiro (na Bahia) e admirar a beleza do Rio São Francisco, nem imagina o quanto o Velho Chico durante estes últimos 10 anos sofreu e continua sendo depredado. Depois de nascer na Serra da Canastra, em Minas Gerais, a 1,2 mil metros de altitude, e antes de desaguar no Oceano Atlântico, a quase 3 mil quilômetros de distância, na Praia de Peba, em Alagoas, o velho Chico recebe uma carga imensurável de poluição.

Segundo dados do Conselho Pastoral dos Pescadores, ligado a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), somente na região do Submédio, onde estão situados municípios como Juazeiro e Paulo Afonso (BA) e Petrolina, Ouricurí e Serra Talhada (PE) - e Baixo São Francisco, entre os estados de Alagoas e Sergipe, centenas de pescadores são prejudicados com a redução na quantidade e qualidade do pescado. (Texto e Foto: Ney Vital-jornalista)
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PROFESSOR DE ORATÓRIA LANÇA EBOOK GRATUITO COM TÉCNICAS PARA VENCER MEDO DE FALAR EM PÚBLICO

Já está disponível para ser baixado gratuitamente o ebook "10 passos para vencer o medo de falar  em público". Desenvolvido  pelo professor de Oratória  Paulo Ricardo Moreira, de forma clara e didática, o livro digital mostra o caminho para quem deseja aprimorar a comunicação pessoal e ser bem-sucedido em discursos e apresentações.

Há anos treinando pessoas a desenvolverem suas habilidades na  comunicação, Paulo Ricardo afirma que cada técnica apresentada no ebook já teve sua eficácia testada na prática. "Pessoas que chegavam inseguras ao nosso curso de Oratória e mal conseguiam ficar de pé para discursar, após o uso desse método, venceram o medo de falar em público e hoje fazem apresentações incríveis. Muitos profissionais que antes fugiam de câmeras e microfones. agora concedem entrevistas em rádio e TV". Afirmou.

Quem deseja ter acesso ao ebook basta acessar o site: www.pauloricardomoreira.com.br e baixar gratuitamente. 
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ORAÇÃO PELO RIO SÃO FRANCISCO EM TEMPOS DE POUCOS RIOS

Ás 18 horas, sempre guardo na correria da vida e do trabalho, a oração da Hora do Anjo. Estes dias olhando o Rio São Francisco ouvindo as canções de Padre Zezinho lembrei da Oração do Rio São São Francisco em tempos de poucos Rios. Assim escutei do amigo Aderaldo Luciano. Assim reproduzo:

O Rio São Francisco não nasce na Serra da Canastra. Digo isso porque a correria estressante das ruas do Rio de Janeiro me oprime. Os olhos dessas crianças nuas me espetam e essa população de rua dormindo pelas calçadas me joga contra o muro. Esse Cristo economiza abraços e atende a poucos.

Só uma coisa me alenta hoje: a saudade do meu santo rio. O Rio São Francisco, o Velho Chico, Chiquinho. Escuto o murmurar de suas verdes águas: — Deixai vir a mim as criaturas... E assim foi feito. Falar de desrespeito e depredação tornou-se obsoleto. Denunciar matanças e desmatamentos resultou nulo. Orar e orar. Pedir ao santo do seu nome a sua oração.

Lá do Cristo Redentor da cidade de Pão de Açúcar, nas Alagoas, um moleque triste escutou a confissão das águas. Segundo ele, o Velho Chico dizia: “Ó, Senhor, criador das águas, benfeitor dos peixes, escultor de barrancas e protetor de homens fazei de mim bem mais que um instrumento de tua paz. Se paz não mais tenho faz-me levar um pouquinho aos que em mim confiam. Paz para as lavadeiras que, em Própria, choram a sua fome de pão. Que, em Brejo Grande, soltam lágrimas pelos filhos mortos no sul do país. Que, em Penedo, já perderam a fé de serem tratadas como gente sã.

Onde houver o ódio dos poderosos que eu leve o amor dos pequeninos. O amor dos que cavam a terra a plantam o aipim. Dos que cavam a terra e usam-na como cama e lençol para sempre. Dos que querem terra para suas mãos, para os seus grãos, para a sua sede. O amor que não é submisso, mas escravizado. O amor que tem coragem de um dia dizer não. Coragem diante das balas e das emboscadas, das más companhias e da solidão.

Onde houver a ofensa dos governos que eu leve o perdão dos aposentados e servidores públicos. O perdão, nunca a omissão. A luta, porque perdoar não requer calar. Perdoar não quer dizer parar. Como minhas águas, tantas e tantas vezes represadas, mas nunca paradas e que, quando em minha fúria, carregam muralhas, absorvem barreiras e escandalizam Três Marias, Xingó e Paulo Afonso.

Onde houver a discórdia dos que mandam que eu leve a união dos comandados. A suprema união dos que sonham com as mudanças, dos que querem quebrar hegemonias e oligarquias. A discórdia dos reis contra a união dos plebeus. Um povo unido é força de Deus, dizia o velho bendito e sejais bendito, Senhor. A união das águas, a união das lágrimas, a união do sangue e a união dos mesmos ideais.

Onde houver a dúvida dos que fraquejam, que eu leve a fé dos que constroem seu tempo. Na adversidade, meio ao deserto e ao clima árido, a fé dos que colhem uvas e mangas em minhas margens. Dos que colhem arroz em minhas várzeas, dos que criam peixes com minhas águas em açudes feitos. A fé dos xocós lá em Poço Redondo. A fé que cria cabras nos Escuriais. Dos que colhem cajus e criam gado em Barreiras e outros cafundós.

Onde houver o erro dos governantes que eu leve a verdade de Canudos. O bom senso dos conselheiros de encontro à insanidade dos totalitários. Os canhões abrindo fendas na cidade sitiada e a verdade expondo cada vez mais a ferida da loucura na caricatura da História. O confisco da poupança e o rombo na previdência. O fim da inflação e o pão escasso, o emprego rarefeito, a dignidade estuprada em cada lar de nordestinos.

Onde houver o desespero das crianças da Candelária que eu leve a esperança das mães de Acari. E aqui, Senhor, te peço com mais fé. A dor dos deserdados, dos que perderam seus pais, filhos ou irmãos, seja de fome, doença ou assassínio, inundai-os com as águas esmeraldas da justiça. A justiça da terra e dos céus. Pintai de verde o horizonte das famílias daqueles que foram jogados mortos em minhas águas. Eles não foram poucos.

Onde houver a tristeza dos solitários que eu leve a alegria das festas de São João. Solitário eu banho muitas terras e em todas, das Gerais, do Pernambuco, das Alagoas e do Sergipe, não há tristeza ao pé da fogueira, nas núpcias entre a concertina e o repente, entre a catira e o baião.. Das festas do Divino ao Maior São João do Mundo, deixai-me levar, Senhor, o sabor de minhas águas juninas e seus fogos de artifícios.

Onde houver as trevas da ignorância que eu leve a luz do conhecimento e da sabedoria. A escuridão dos homens dementes que teimam em querer ferir-me de morte seja massacrada pela luz de um futuro negro, sem água potável, sem terra e sem ar.. Dai-me esse poder, de entrar nas mentes e nos corações, de espraiar-me pelos mil recantos dos que querem mal à nossa casinha, nossa pequena Terra. O homem sábio seja sempre sábio e contamine os povos com ensinamentos de preservação.

Ó, Senhor, dai-me vocação para consolar os que se lamentam de má sorte. Fazei-me compreender porque tanto mal há nos corações. Sobretudo, Senhor, não autorizeis que eu deixe de ser o Rio São Francisco, que há tantos anos não foge do seu leito, espalha e espelha vida em abundância. Que, embora tenha dado, quase nada recebo, que perdoando sempre, continuo sendo morto enquanto todos pensam que serei eterno.”

Fonte: ( Aderaldo Luciano é doutor e mestre em Ciência da Literatura, pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, professor, poeta, escritor e músico )
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MINISTÉRIO PÚBLICO AJUÍZA AÇÃO PARA GARANTIR PRESERVAÇÃO DA CACHOEIRA VÉU DE NOIVA EM JACOBINA

O Ministério Público estadual ajuizou ação civil pública para garantir a preservação e proteção ambiental da Cachoeira do Véu de Noiva, localizada no Distrito de Itaitú, em Jacobina. Segundo a ação, ajuizada pelo promotor de Justiça Pablo Almeida, o local tem sofrido degradação decorrente “de exploração turística predatória”. 

Exames laboratoriais apontaram a presença de coliformes fecais e outros contaminantes na água, que é utilizada por diversos moradores da comunidade. Conforme a ação, o Estado e o Município não têm realizado a devida fiscalização diária da Cachoeira, onde não há qualquer controle de acesso.

De acordo com o promotor de Justiça, a Cachoeira recebe uma grande quantidade de turistas e no local, frequentemente, há acúmulo de lixo. Fiscalização realizada pelo MP encontrou resto de fogueiras, churrasqueira, garrafas de vidro e outros resíduos de festas. Segundo a ação, a Cachoeira recebeu em 2018 até 200 visitas por dia, conforme livro de registro da Associação de Ação Social e Preservação das Águas (ASPAFF), que contabilizou 800 visitantes em um período de quatro dias, inclusive turistas de outros estados, como Ceará, Rio de Janeiro e São Paulo.

O promotor de Justiça pontua que “os impactos têm sido percebidos pelos moradores de Itaitú, a ponto de criarem um Movimento em Defesa da Cachoeira Véu de Noiva”. A degradação e a necessidade da implementação urgente de medidas de proteção da Cachoeira foram discutidas em reunião, realizada em 2018, com os órgãos públicos estadual e municipal e alvos de recomendação expedida pelo MP. Pablo Almeida lembrou que, inclusive, o MP destinou R$ 105 mil provenientes de acordo celebrado com empresas regionais de energia eólica para o início da estruturação de uma Unidade de Conservação no local.

O MP solicita à Justiça que determine, em decisão liminar, a realização pelo Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema) e pelo Município de trabalhos de proteção, recuperação e preservação da Cachoeira, com a adoção de medidas como a alocação de equipes de guarda-parque; a instalação de guarita, sistema de videomonitoramento,  lixeiras ecológicas e placas de sinalização; o isolamento de áreas de camping não autorizadas, entre outras. 

Foi solicitada também a proibição aos órgãos públicos de construir ou demolir, licenciar ou autorizar a construção de casas, condomínios ou loteamos em um raio de 500 metros da Cachoeira, sem que antes haja parecer do Inema, perícia técnica solicitada pela Justiça e anuência do Conselho Gestor do Parque Sete Passagens. O promotor também solicita à Justiça que estabeleça a contagem dos prazos para adoção das medidas a partir do final da situação de emergência decorrente da pandemia da Covid-19. (Fonte: MPBA)

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CÁTIA DE FRANÇA: HÓSPEDE DA NATUREZA, A FORÇA E ENERGIA DA MÚSICA BRASILEIRA

Catarina Maria de França Carneiro, nasceu na capital da Paraíba, em 1947. Cantora, compositora, instrumentista, escritora. É alfabetizada pela mãe por meio de canções. Estuda piano desde os quatro anos, deixando o instrumento aos 15, quando ingressa num colégio interno em Pernambuco. Passa a tocar violão e envereda pela música popular. Aprende também flauta, sanfona e percussão. Em Recife, faz teatro, leciona música e toca em casas noturnas.

No final dos anos 1960, viaja pela Europa integrando o grupo folclórico da Fundação Artístico-Cultural Manuel Bandeira. De volta ao Brasil, muda-se para o Rio de Janeiro, onde integra as bandas de Zé Ramalho, Amelinha e Sivuca (1930-2006). Em 1970, interpreta a canção “Mariana” (parceria com o poeta e jornalista Diógenes Brayner) em compacto duplo com as quatro canções vencedoras do IV Festival Paraibano de MPB. Trabalha em trilhas sonoras para cinema e teatro, entre as quais o filme Cristais de Sangue (1975), de Luna Alkalay (1947).

Apadrinhada pelo compositor e produtor Zé Ramalho, grava seu primeiro trabalho pela CBS, 20 Palavras ao Redor do Sol (1979), que conta com a participação de Sivuca, Dominguinhos (1941-2013), Sérgio Boré, Chico Batera, Lulu Santos e Bezerra da Silva (1927-2005). O disco inclui composições de sua autoria, como “Coito das Araras” e “Kukukaya”, e poemas de João Cabral de Melo Neto (1920-1999), musicados por ela. No ano seguinte, lança o álbum Estilhaços. Em 1982, participa do Projeto Pixinguinha, ao lado de Jackson do Pandeiro (1919-1982) e Anastácia (1941), e apresenta-se na série Seis e Meia, com Teca Calazans (1940), ambos promovidos pela Fundação Nacional de Artes (Funarte).

Em 1985, lança o LP Feliz Demais, pela Continental e, em 1986 grava o LP Olinda, com participação da Banda Azymuth. Em 1990, fixa residência na Paraíba, onde integra a ONG e o Projeto Malagueta, que divulga o acervo cultural da Paraíba. Lança o CD Avatar (1998) pelo selo CPC Umes, do qual participam Chico César, Xangai e Quinteto de Cordas da Paraíba. Publica cordéis e livros infanto-juvenis, entre os quais A Peleja de Lampião Contra a Fibra Ótica, Saga de Zumbi e Falando da Natureza Naturalmente.

Em 2005, lança o CD Cátia de França Canta Pedro Osmar, interpretando músicas do cantor, compositor e instrumentista paraibano. Em 2012, grava o CD independente No Bagaço da Cana um Brasil Adormecido, com a Camerata Arte Mulher, formada por musicistas eruditas da Paraíba e inspirado em textos de José Lins do Rego (1901-1957).

Criada em um ambiente ilustrado, em que, segundo a compositora, “faltava manteiga, mas tinha livro”, Cátia de França cria a partir de colagens de suas referências literárias e musicais. Estas vão da música clássica ao blues, passando por Luiz Gonzaga (1912-1989), Jackson do Pandeiro, Elvis Presley (1935-1977), Beatles, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Jorge Ben Jor e o Clube da Esquina. O contato com a gravadora recifense Rozemblit - que lança, em 1975, o disco Paêbirú de Zé Ramalho e Lula Côrtes (1949-2011) -, também influencia seu trabalho, que define como “popular mundial”.

Da leitura de João Cabral de Melo Neto resulta a canção “20 Palavras ao Redor do Sol”, nome de seu primeiro disco. Em outras canções, como “O Bonde”, condensa diferentes personagens de José Lins do Rêgo (1901-1957), que remetem à Recife do início do século XX. Na canção “Itabaiana”, alude ao clima de euforia da feira desta cidade, também recorrente nos romances de Rêgo. Outra composição marcante, “Kukukaya (Jogo da Asa da Bruxa)”, provém do folclore cigano da Bulgária. Inscrita numa estética pós-hippie, dialoga com canções de caráter esotérico de Zé Ramalho e Raul Seixas (1945-1989).

No segundo álbum, Estilhaços, encontra-se uma sonoridade mais eclética, abarcando gêneros musicais do litoral e do interior, como forró, xote, ciranda e cantos de aboio, cujas harmonizações são construídas sob o modo mixolídio1. A intertextualidade com José Lins do Rêgo se faz presente na canção “Meu Boi Surubim”, gravada com a cantora Clementina de Jesus (1902-1987). Apesar de o encarte do disco citar apenas Guimarães Rosa (1908-1967), nela faz referências ao boi javanês, o boi fujão, e aos meninos do pastoreio, personagens que se resgatam o universo literário de Lins do Rego. Já a música “Poço das Pedras” enfatiza a relação do homem com o rio, o que remete à inclusão de temas ecológicos na música popular nos anos 1980.

Ao longo de sua trajetória, o ritmo é aspecto que mais sofre mudanças. Em seus primeiros trabalhos, ele é complexo, quase indefinido, sincopado pelo canto, tanto pelo andamento como pelo acento das frases melódicas. Já o álbum Feliz Demais integra teclado e bateria eletrônica, resultando numa sonoridade menos orgânica, diluída em seus trabalhos posteriores. Em Avatar, retoma as características sonoras dos primeiros trabalhos, tanto na concepção dos arranjos como na forma de cantar.

A compositora ganha projeção no cenário musical nos anos 1970, junto com outros cantores, compositores e instrumentistas nordestinos que, naquele momento, conquistam espaço na indústria fonográfica do eixo Rio-São Paulo. A tendência em mesclar as referências regionais a elementos do rock e da cultura pop perpassa a obra desses músicos. 

Vivenciando os desdobramentos da contracultura do final dos anos 1960, estes artistas sintetizam diversas vertentes, passando pelo folk, o baião e o rock psicodélico. Ela se destaca nesse grupo como única mulher que compõe, toca e interpreta as próprias canções. Além disso, tem papel importante na instrumentação de discos de outros artistas, como a cantora Amelinha, que grava duas de suas composições: “Coito das Araras” e “Ponta do Seixas”.

Comparada a outros nomes de sua geração, como Geraldo Azevedo, Elba Ramalho, Alceu Valença e Fagner, sua discografia não é extensa e a penetração no mundo pop dos grandes centros urbanos é bem menor. Isso se deve ao fato de não se render a mudanças propostas pelas gravadoras para tornar sua música mais comercial, o que torna seu trabalho apreciado por um público mais restrito.
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