MARIO QUINTANA: ELES PASSARÃO...EU PASSARINHO

 "Todos esses que aí estão/ Atravancando meu caminho,/ Eles passarão.../ Eu passarinho!"

Versos simples, pontiagudos e bem-sacados sobre coisas cotidianas com a habilidade de um cronista. Textos curtos, mas intensos. O estilo marcante da poesia do gaúcho Mario Quintana (1906-1994), nascido há 120 anos, combina tão bem com a lógica das redes sociais que sua poesia acabou ganhando uma nova vida em posts contemporâneos, compartilhada mesmo por quem nem sequer sabe a autoria de tais versos.

"Ele faz parte das referências poéticas das pessoas comuns", diz o professor e escritor Miguel Sanches Neto, reitor na Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG). Para ele, os textos atribuídos a Quintana, "verdadeiramente ou falsamente", demonstram que seu estilo "se impôs nos frequentadores das redes sociais".

"Dadas as referências ao banal, à experiência humana de renúncia e de amor à vida, sua poesia é um pão e vinho sagrados, que se multiplicam entre os que têm fome de poesia", analisa.

O escritor contemporâneo Saulo Florentino, que tem se debruçado sobre a presença da literatura nas redes sociais, associa essa fama atual de Quintana ao seu jeito de poetizar "sem se distanciar, sem confundir profundidade com complexidade". "Tantas pessoas sentem que ele escreveu algo especialmente para elas", diz.

Florentino concorda que o estilo curto, sintético, do poeta gaúcho parece feito para a era das redes. "A sociedade atual vive da circulação de frases. As pessoas se acostumaram a pequenos comprimidos de poesia", define.

Tal protagonismo digital tem como efeito colateral os versos erroneamente atribuídos a Quintana. "Isso também diz algo interessante", avalia Florentino. "Mostra que existe uma espécie de imaginário coletivo sobre quem foi Mario Quintana e que, quando alguém encontra uma frase melancólica ou delicada, acredita que a mesma foi escrita por ele."

Para o escritor contemporâneo, existe um "reconhecimento involuntário da identidade estética e textual" de Mario Quintana.

Criador do canal no YouTube Elite da Língua, o professor de literatura Emerson Rossetti vê na poética de Quintana uma tríade de elementos que funcionam muito bem na era das redes. "São aspectos convergentes", afirma.

O primeiro é a simplicidade de sua linguagem. "Com grande apelo poético que atrai bastante a atenção", diz. Outro ponto é a escolha dos temas — privilegiando o cotidiano e a busca do sentido para as coisas banais da vida. "A terceira questão, muito importante, é a sua expressão sintética", acrescenta o professor. "Os versos do Quintana são curtos e isso tem a ver com o gosto do leitor de hoje, que procura essa economia de expressão nos tempos da internet."

Para o cantor e compositor Márcio de Camillo, que desde 2018 tem um espetáculo infantil chamado Crianceiras Mario Quintana, a poética do gaúcho ficou pop "porque o verso é uma maneira rápida de leitura".

Para ele, as redes estão "democratizando mais a poesia" e, neste fenômeno, autores "com versos fantásticos" como Quintana acabam funcionando.

E a poética de Quintana se encaixa no universo infantil da adaptação de Camillo. "Crianças e seus pais acabam consumindo poesia de uma maneira divertida", argumenta Camillo.

"Mario Quintana conquistou um lugar especial na literatura brasileira porque soube fazer algo aparentemente simples, mas muito difícil: encontrar poesia nas coisas comuns", contextualiza o linguista Vicente de Paula da Silva Martins, professor na Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA).

"Ele não precisava recorrer a grandes acontecimentos ou a uma linguagem complicada para falar de questões profundas. Uma rua silenciosa, uma lembrança de infância, um objeto antigo ou a passagem do tempo podiam se transformar, em seus versos, em reflexões sobre a vida."

"Além disso, Quintana tinha uma maneira muito própria de brincar com as palavras, criando versos que pareciam conversas, mas que carregavam muita reflexão. Sua poesia consegue unir profundidade e simplicidade, fazendo o leitor sorrir e, ao mesmo tempo, pensar", afirma Martins.

E viraliza nas redes porque "consegue dizer muito usando poucas palavras", destaca Martins. Nada mal para alguém que morreu longe da fama em 1994 — depois de viver o auge aos 60 anos, seis décadas atrás.

Mario de Miranda Quintana nasceu em Alegrete, a mais de 500 quilômetros de Porto Alegre, em 30 de julho de 1906. Era o caçula de três filhos. Aos 13, mudou-se com os pais para a capital gaúcha.

Estudou no Colégio Militar de Porto Alegre e trabalhava na farmácia do pai. Foi na escola que começou a desenvolver seu talento literário, publicando textos em jornalzinho interno e fazendo sucesso entre professores e alunos.

Segundo a sinopse biográfica disponibilizada pelo Instituto Moreira Salles (IMS), que desde 2009 abriga o acervo do poeta, na adolescência ele "trocava o estudo de desenho pela leitura" de obras como do russo Fiódor Dostoiévski (1821-1881) — e isso teria causado sua reprovação na matéria escolar, em 1921.

Mario de Miranda Quintana nasceu em Alegrete, a mais de 500 quilômetros de Porto Alegre, em 30 de julho de 1906. Era o caçula de três filhos. Aos 13, mudou-se com os pais para a capital gaúcha.

Estudou no Colégio Militar de Porto Alegre e trabalhava na farmácia do pai. Foi na escola que começou a desenvolver seu talento literário, publicando textos em jornalzinho interno e fazendo sucesso entre professores e alunos.

Segundo sinopse biográfica disponibilizada pelo Instituto Moreira Salles (IMS), que desde 2009 abriga o acervo do poeta, na adolescência ele "trocava o estudo de desenho pela leitura" de obras como do russo Fiódor Dostoiévski (1821-1881) — e isso teria causado sua reprovação na matéria escolar, em 1921.

O  IMS ainda atesta que o jovem Quintana não era dos melhores nem em álgebra nem em geografia, mas "as notas altas em francês eram prenúncio do tradutor que ele seria no futuro".

O caminho das letras começou a ser pavimentado em 1924, quando, aos 18 anos, conseguiu emprego na Livraria do Globo, que depois se tornaria importante editora de livros. Inicialmente, Quintana trabalhava como desempacotador.

Gradualmente passou a integrar o quarteto que faria da livraria a lendária editora — a partir de 1928, Edições da Livraria do Globo; depois de 1956, Editora Globo. Eram eles os amigos Henrique Bertaso (1906-1977), o filho do dono do empreendimento; o escritor Erico Verissimo (1905-1975); e o editor Mauricio Rosenblatt (1906-1988).

Era uma trupe que trabalhava junto durante o dia e se divertia durante a noite. No livro Um Certo Henrique Bertaso, Verissimo conta algumas dessas histórias. Por exemplo, a do jantar organizado na casa de um amigo imigrante italiano que tinha, entre os bibelôs decorativos, um gigantesco ovo de avestruz sobre a mesinha de centro.

"Não sei que demônio me soprou ao ouvido a ideia de começar um jogo, já que aquele 'objeto' oval se parecia um pouco com a bola usada no futebol norte-americano", escreveu. E então ele detalhou que foi um amigo arremessando o gigante ovo para o outro até que alguém "teve a trágica ideia de jogar a improvisada bola para Mario Quintana".

"Ora, o nosso querido poeta, que não é bem deste mundo, ergueu-se de repente, recuando e recusando agarrar aquela coisa branca que arremessavam sobre ele…", relatou Verissimo.

"O ovo caiu sobre a mesa e partiu-se, espalhando sobre a toalha um líquido gosmento, dum amarelo sujo, e dum fedor sulfuroso de podridão milenar — um fedor pré-histórico, que nos entrava pelas narinas, medonho, ácido, apocalíptico, como um resumo de todas as decomposições do mundo através dos séculos… um horror!"

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O RÁDIO E A MODERNIDADE DIGITAL

Quando grupos de mídia querem falar sobre a relevância da radiodifusão no Brasil, usualmente destacam a confiança da população no rádio, TV, jornais e revistas no combate à desinformação. Nesses tempos de IA, em que tudo é manipulável, não é segredo que a mídia tradicional tem se tornado um dos principais pilares da democracia. Ainda assim, existe um nítido descompasso que abala a sustentabilidade do setor. 

Diversas pesquisas apontam a liderança da mídia tradicional em confiança. TV, rádio, jornais e revistas também são massivamente consumidos pelos brasileiros em todas as plataformas. Mesmo assim, o dinheiro da publicidade segue rumo às plataformas digitais controladas por um punhado de gigantes de tecnologia. Pior, o destino deste dinheiro é cada vez a mídia programática, o que, na prática, significa menos receita até mesmo para os grupos de mídia que se digitalizam. 

O investimento publicitário realizado por meio de agências no Brasil somou R$ 28,9 bilhões em 2025, crescimento de 10% em relação ao ano anterior, segundo dados do Painel Cenp-Meios. A verba cresce, mas a receita da mídia tradicional encolhe.

Se nosso conteúdo é confiável e seguro, e principalmente, altamente eficiente para vender produtos e comunicar mensagens para uma imensa parte da população, por que estamos perdendo terreno para as gigantes de tecnologia?]

Passamos uma década explicando ao mercado que os anúncios em nossos meios aparecem ao lado de conteúdo verificado, num ambiente sem fraude, sem bots, sem o adjacente tóxico que assombra a open web. Vale notar que nem mesmo as gigantes de tecnologia questionam a qualidade do conteúdo em mídia tradicional. Prova disso é que usam conteúdo de mídia tradicional para treinar suas IAs e até o YouTube diz que quer virar TV.

Talvez o nosso problema seja usar argumentos racionais sobre segurança de conteúdo, quando para CEOs, CFOs e executivos que decidem onde alocar os orçamentos de mídia, isso seja irrelevante. 

Quem assina o cheque não perde o sono ao investir no Google e Meta, mesmo diante das sucessivas polêmicas dessas empresas. Qualquer executivo medianamente informado sabe que Google e Meta foram condenadas por viciarem até menores de idade em seus apps. Alguém ainda pode dizer que desconhece o fato de as gigantes de tecnologia lucrarem com polarização e fraudes em suas plataformas? 

Porém, o que realmente tira o sono dos executivos é o medo de vender menos que seus concorrentes. Ou seja, a mídia tradicional precisa mostrar que, além de confiável e brand-safety, é melhor para vender do que as outras plataformas. 

E esta é uma das maiores ironias do mercado de comunicação, porque o rádio, a TV, os jornais e as revistas ainda são altamente efetivos para mover negócios. Não somente por serem mais seguras e confiáveis, mas simplesmente pelo fato de que são amplamente consumidas pelos brasileiros. E mais, hoje nos tornamos até mais baratos em comparação às plataformas das gigantes de tecnologia.

O problema não é a TV, rádio ou mídias tradicionais em geral medirem menos ou possuírem menos dados. Em muitos aspectos, medimos demais, mas medimos a coisa errada. Alcance, frequência e viewability são ideias abstratas para CFOs, CEOs e donos de negócio. Confiabilidade e brand safety, também. Veja o exemplo da TV, bilhões de dólares deixam de ser investidos no mundo todo pelo fato de ainda não termos uma métrica cross-media universal.

Obviamente, as gigantes de tecnologia dificultam o lançamento de soluções de medição que indiquem números negativos para elas mesmas. Afinal, o mercado usa números criados pelas próprias plataformas. Ainda assim, as empresas de tecnologia criaram uma narrativa poderosa de infalibilidade de seus próprios números e soluções. É uma grande falácia.

Nesta semana, clientes da Meta, que até pouco estavam encantados com a perspectiva de comprar anúncios criados por IA nas plataformas do Instagram e Facebook, descobriram que as peças não raro continham problemas como imagens distorcidas e informações incorretas. Quando os clientes cobraram uma solução, a Meta respondeu que a culpa era de quem produziu os anúncios, ou seja, do cliente e não da plataforma.

No sucesso, o mérito é da Meta. No erro, a culpa é do cliente que “não entende a tecnologia”. Não faz sentido nem é racional, mas o encanto da ciência é poderoso. Mesmo com a IA ainda sendo falha e insuficiente para resolver demandas de mídia, é uma narrativa que atrai clientes. 

Estamos fora desse jogo porque, em boa medida, não estamos falando a língua dos CFOs, CEOs e executivos, que querem ver números que indiquem vendas. Simples assim.

A Tenk TV, associação das três principais emissoras da Noruega, fez a publicidade em TV crescer mais rápido que o mercado. Alcançaram uma alta recorde de 7,9%, com o streaming (BVOD) já superando o YouTube e mais anunciantes aumentando o investimento em TV (de 10% em 2024 para 17% em 2025).

As emissoras norueguesas se uniram em torno do objetivo comum de reconquistar a verba das redes sociais. Para isso, alinharam discurso, dados, eventos e pesquisas. Focaram nos pontos fortes da TV, evitaram a mídia programática em favor de negociações diretas, ofereceram soluções coletivas de MMM, levaram anunciantes em viagens de estudo e passaram a modernizar a medição para representar melhor a TV nos dados locais. Agora miram o mercado de PMEs. 

A lição dos noruegueses é agir como bloco, e não como concorrentes. Essa é uma das formas mais eficazes de atrair investimentos em disputas com big techs.

A mídia tradicional tem uma oportunidade enorme em um mundo pautado pela IA. Mas precisamos ser mais ambiciosos e organizados. Se não temos os bilhões de dólares das multinacionais de tecnologia, devemos ampliar as alianças entre os grupos tradicionais para produzir pesquisas e mostrar resultados da mesma forma que fazem as gigantes de tecnologia. Também precisamos de soluções de publicidade unificadas, mais acessíveis e exclusivas de veículos tradicionais.

Gigantes de tecnologia publicam constantemente resultados (pesquisados por eles mesmos) que mostram sua efetividade e como entregam valor ao cliente. Nossos esforços ainda são limitados neste sentido. Além de estudos mais amplos mostrando a eficiência da mídia tradicional, precisamos lutar por maior regulação do setor digital, como fizeram a Austrália, o Canadá e a União Europeia.

Entidades de setor nunca foram tão importantes, como mostra a Tenk TV. Elas são uma forma eficiente de alinhar e organizar demandas institucionais e criar oportunidades. Enquanto persistir a ideia de que concorremos uns com os outros, seguiremos sendo consumidos por adversários maiores e mais poderosos. Apenas ter conteúdo seguro e confiável, infelizmente, hoje não é o bastante.

Guilherme Ravache – consultor digital, colunista e palestrante, com publicações de artigos sobre inovação, marketing e mídia no Valor Econômico. Jornalista com passagens pelas redações da Folha de S. Paulo, Revista Época

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HUBERTO CABRAL É INTERNADO EM JUAZEIRO DO NORTE, CEARÁ

O jornalista cratense Huberto Cabral, de 89 anos, foi internado na tarde desta terça-feira (28) no Hospital Regional do Cariri (HRC), em Juazeiro do Norte, após apresentar suspeita de Acidente Vascular Cerebral (AVC). Segundo a unidade hospitalar, ele está sendo acompanhado pela equipe médica e responde bem ao tratamento. NotíciasCrajubar

De acordo com o diretor do HRC, Wilton Almeida, Huberto Cabral deu entrada na unidade por volta das 13h e passou por atendimento de emergência. 

"Já foi recebido, medicado, foram tomados todos os exames dele necessários. Os médicos estão fechando o diagnóstico para ver o que é precisamente. Os exames de emergência já foram feitos e ele está sendo bem acompanhado", informou Wilton ao jornalista Franzé Souza.

Em nota, a Rádio Educadora do Cariri FM, onde Huberto Cabral atua como colaborador desde a fundação da emissora, há 67 anos, pediu orações pela recuperação do jornalista.

"A Família Rádio Educadora do Cariri FM pede orações a todos e aguarda novas informações do HRC, na torcida pela breve recuperação do colega colaborador", diz o comunicado.

Com mais de sete décadas dedicadas ao jornalismo, Huberto Cabral é considerado um dos maiores memorialistas do Cariri e frequentemente chamado de "enciclopédia viva" da região por sua memória sobre fatos históricos. NotíciasCrajubar

Ele cobriu acontecimentos marcantes do Ceará e entrevistou presidentes da República, como Castello Branco, Ernesto Geisel, José Sarney, Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva. Em reconhecimento à contribuição para a preservação da memória regional, recebeu, em 2019, o título de Doutor Honoris Causa da Universidade Regional do Cariri (Urca).


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Fórum pede compromisso de candidatos com comunicação democrática

O Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC) vai lançar, no próximo sábado (1º), uma carta de compromisso com a defesa da democracia e com a comunicação democrática para toda a sociedade. A ideia é buscar a adesão pública de candidatos e pré-candidatos às eleições deste ano.

O documento traz uma série de pontos com o objetivo de fortalecer a democratização da comunicação no Brasil. Segundo o FNDC, também são propostas para defender a comunicação pública, comunitária e educativa, além de fazer frente ao monopólio das grandes empresas de comunicação digital.

Soberania Tecnológica e Infraestrutura Nacional: investimento no desenvolvimento de aplicações próprias gratuitas para reduzir a dependência de corporações estrangeiras. Proibir a privatização de empresas como Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro) e Dataprev.

Regulação da tecnologia de Inteligência Artificial: firmar regras para o desenvolvimento e uso da Inteligência Artificial voltadas à garantia de direitos que vetem o uso com risco excessivos (como reconhecimento facial na segurança pública), combatam o racismo e a violação de direitos.

Proteção a Jornalistas e Comunicadores: fortalecimento de programas de proteção contra violências e intimidações, especialmente para profissionais da comunicação e comunicadores que atuam em territórios de conflito.

Proibição da Propriedade de Mídia por Políticos: efetivar o Artigo 54 da Constituição para impedir que pessoas detentoras de mandato possuam concessões de rádio e TV.

Fortalecimento e independência da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) e demais empresas públicas de comunicação: garantir orçamento adequado, autonomia editorial, concurso público para as empresas de comunicação pública. Restabelecer o Conselho Curador da EBC e expandir a Rede Nacional de Comunicação Pública.

A leitura da carta, com todos os compromissos, será feita no Sindicato dos Jornalistas de São Paulo. Também será feito o anúncio das primeiras campanhas que aderiram ao documento

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FAZENDA NORMANDIA, CARUARU E A AGRICULTURA FAMILIAR

A crise do clima também chega à nossa mesa, ameaçando a segurança alimentar. Em Caruaru, no Agreste pernambucano, o Assentamento Normandia mostra que a resposta a esse desafio pode nascer da terra e da resistência. 

Prova disso é que, há mais de 30 anos, famílias agricultoras vêm construindo um modelo de produção agroecológica que abastece escolas e creches do Agreste à Zona da Mata, chegando até o Recife.  

Símbolo da luta camponesa e um dos territórios mais produtivos do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) do Brasil, Normandia nos faz questionar: que agricultura queremos? 

Em 2025, o Brasil viveu o pior ano em intoxicações por agrotóxicos dos últimos 11 anos,  conforme sinaliza levantamento da Repórter Brasil com base em dados do Ministério da Saúde. 

Esse foi o mesmo período em que o Brasil bateu recordes de aprovação de pesticidas. Apenas em 2025, foram 914 novos registros, 38% a mais do que o ano anterior, segundo dados do Ministério da Agricultura e Pecuária publicados no Diário Oficial da União. 

Solo de terra arada com brotos de plantas agrícolas sob céu parcialmente nublado e vegetação ao fundo.

A produção do assentamento é o cultivo livre de agrotóxicos e transgênicos, um modelo que preserva o solo e a biodiversidade da Caatinga | Foto: Andréia Vitório

No Assentamento Normandia, a história é diferente: famílias agricultoras produzem alimentos a partir da agroecologia, respeitando a biodiversidade e a saúde do solo, sem o uso de agrotóxicos. 

É nesse contexto que ocorre, por exemplo, o plantio do milho crioulo, cultivado em parceria com a Cooperativa de Produção Agropecuária Normandia (CoopaNor), envolvendo agricultoras e agricultores assentados, que funcionam como verdadeiros guardiões da soberania alimentar da região. 

Por lá, a prática do armazenamento de sementes, que atravessa gerações, segue contribuindo para a autonomia produtiva dessas comunidades. 

Nada de alimentos ultraprocessados. O que se vê em Normandia é a adoção de boas práticas de manejo do solo considerando as especificidades do bioma Caatinga para a produção de alimentos como a macaxeira, um dos pilares da agricultura familiar e da alimentação no Brasil, em especial no Nordeste brasileiro. 

“Apesar da nossa dificuldade hídrica, ela consegue resistir tanto quanto a gente. Um pingo de água já faz ela desenvolver. A macaxeira tem nos salvado durante toda nossa história”, conta a agricultora e assentada Mauricéia Matias. 

Bancas de lona branca da feira da agricultura familiar expõem frutas e hortaliças sob grandes árvores ao ar livre.

A produção de alimentos no Assentamento Normandia é diversificada e baseada em práticas agroecológicas. Na imagem, produtos destinados à comercialização | Foto: Andréia Vitório

Nada se perde: “aproveitamos 100% dela. A gente mói a maniva, que serve para a ração animal. Aquela primeira casca, quando a macaxeira vai para a agroindústria ser beneficiada, volta para a terra para fazer o processo de adubação natural. Já a segunda casca serve para alimentação animal”, exemplifica.

A agroindústria beneficia parte da produção à vácuo e há também uma unidade de pães e bolos à base da macaxeira, conhecida por muitos como aipim ou mandioca. Enquanto a produção segue seu ritmo nos moldes agroecológicos, a comercialização é ainda desafiadora.

“A gente tem saberes, inclusive de nossos antepassados, de produção e colheita, mas na hora de comercialização, há uma certa timidez de não saber o valor que esse produto tem”, comenta Mauricéia. “Não estou dizendo que tem que ser caro, mas tem que ser justo, levar em conta o tempo que a gente dedica a essas produções que não têm agrotóxicos e contam com matérias-primas mais selecionadas. Isso tem que fazer diferença”, destaca.

Outra vantagem para o consumidor é saber de onde vem o alimento que está consumindo. Isso faz ainda mais sentido quando lembramos que 90% de toda a cultura de milho no Brasil é transgênica, segundo dados da Embrapa. 

Mas não no Assentamento Normandia: testes químicos e genéticos confirmaram que o cuscuz flocão de milho da marca Normandia é um produto livre de organismos geneticamente modificados (transgênicos) e da contaminação de agrotóxicos. Produzido por agricultores familiares do Assentamento a partir de milho crioulo, o flocão foi lançado oficialmente em 2025. 

Assentamento Normandia-Em 1993, 247 famílias de trabalhadores rurais sem-terra, provenientes dos arredores de Caruaru, Agreste Pernambucano, ocuparam a Fazenda Normandia, que contava com 1.100 hectares improdutivos. Juntas, começaram a plantar hortaliças, milho, feijão e abóbora para vender na feira.  Também construíram casas de taipa e uma escola. 

Nascia, assim, a primeira experiência de educação em assentamentos da região. A ocupação durou quatro anos.  Em 1997, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) oficializou o assentamento das famílias na área.

Organizado em agrovilas, o assentamento reúne hoje 41 famílias, cada uma com seu quintal produtivo, em uma área de 568,58 hectares | Foto: Andréia Vitório

Organizado em agrovilas, o assentamento reúne hoje 41 famílias, cada uma com seu quintal produtivo, em uma área de 568,58 hectares. Além disso, Normandia é conhecido por abrigar, desde 1998, o Centro de Formação Paulo Freire, espaço de eventos de formação e mobilização política, responsável por aproximar saberes tradicionais, populares, políticos e acadêmicos para o fortalecimento da agricultura familiar e suas boas práticas, mantendo viva a semente da resistência. 



 






 




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FORMAÇÃO DE JUVENTUDES PARA A CONVIVÊNCIA COM O SEMIÁRIDO

Foi com lágrimas e abraços apertados, como demonstração de afeto construído pela aproximação ao longo de 14 dias de convivência e também com mística e ato simbólico do plantio de duas árvores de licuri, que chegou ao fim, na segunda-feira (20), a 32ª Escola de Formação de Juventudes para a Convivência com o Semiárido (EFJCSA). 

Nas diversas falas ao longo do encerramento, frases como “saio daqui com o coração rebelde em busca de mudanças” e “vou levar o que aprendi aqui para minha comunidade” ilustram muito do que a EFJCSA representa. A programação contou com atividades e discussões intensas sobre temas sociais urgentes, como a luta antirracista, a diversidade de gênero e os desafios atuais enfrentados pelas juventudes; também houve estudos a respeito de diversos assuntos relacionados à Convivência com o Semiárido, que perpassam desde os cuidados básicos com o solo, a criação, a água e as práticas nos quintais produtivos até os assuntos mais estruturantes, como educação contextualizada, os direitos ainda negados às comunidades rurais, as possibilidades para a geração de renda e as políticas públicas voltadas para a agricultura familiar. 

Com o tema “Corpo, terra, água e memória: ancestralidade e saúde no Semiárido”, essa tradicional Escola de Formação, realizada pelo Instituto Regional da Pequena Agropecuária Apropriada (Irpaa), reuniu, nesta edição, 40 jovens dos estados da Bahia, Alagoas, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco e Piauí. Nesse sentido, mais uma vez, a EFJCSA proporcionou o encontro de uma diversidade de vozes, rostos e vivências. E o resultado, novamente, foi a construção de um espaço de rica troca de saberes e que mantêm a esperança em uma juventude que faz acontecer, que assume o protagonismo das suas histórias e o compromisso com a coletividade, a defesa dos territórios e as causas sociais populares. 

“Uma das coisas que levo, com certeza, é a diversidade de opções que o Semiárido nos dá para sobreviver, para nosso sustento, para cuidar dele também. O Semiárido é muito resiliente e isso nos proporciona refazer nossa trajetória por diversos caminhos. Levando sempre em consideração que, nesses caminhos, a gente precisa mantê-lo (o Semiárido, os biomas) de pé, que a vida depende do nosso cuidado”, ressalta a jovem participante Brice Reis, integrante da Rede Pintadas – Cooperação e articulação no semiárido baiano, do município de Pintadas-BA.

Para o jovem oceanógrafo que atua como assessor de pescadoras artesanais em Recife-PE e  integrante do Projeto Jandaíras, Matthews Rocha, os conhecimentos da Escola de Formação o inspiram a trabalhar a Convivência com a realidade dele:

“O que aprendi aqui tá para além do Semiárido, se a gente pensar o nosso litoral, o agreste, a gente pode fazer relações, confluências com outros biomas, com outros espaços, outras pessoas e organizações. Levo muito aprendizado, muita gratidão por tudo que aprendi aqui (…) Aprendi com a juventude que é possível viver bem onde quer que a gente esteja, porque a gente não é só futuro, a gente é presente; a gente tem apresentado perspectivas de vida, de viver bem onde a gente está vivendo, nos nossos territórios, nas nossas comunidades”. 

Matthews complementa ainda sobre a importância das discussões relacionadas à contextualização do ensino e que, diante da realidade atual, é preciso mesmo ter “uma educação antirracista, uma educação feminista, anticapacitista, que sabe dialogar, que sabe escutar, que sabe conviver com as pessoas, sabendo que cada pessoa tem algo a dizer e a ensinar”.

As abordagens de assuntos como as oportunidades para a juventude em suas respectivas realidades e da sucessão rural chamaram a atenção da participante Mirela Nascimento. “Não precisa sair da nossa vida no meio rural atrás de empregos na cidade, que é o que acontece muito. Eu acredito que você pode sim ter uma vida muito melhor trabalhando no rural”, defende. 

Mirela, que participa de um projeto voltado a jovens multiplicadores no Assentamento Vieira dos Carlos, em Trairi-CE, também destacou o tema da ancestralidade, pautado nessa edição da Escola: “Não tem um presente e um futuro sem a ancestralidade, sem um passado, porque todos nós temos uma história e essa história foi construída com os nossos antepassados”. 

O técnico em agropecuária e estudante de agronomia João Pedro Bueno ressalta que os conhecimentos também vão contribuir para o trabalho desenvolvido na área da Assessoria Técnica e Extensão Rural (ATER), pois ele atua como Agente Comunitário Rural (ACR) e nas ações do Projeto Dom Helder Câmara em Cajazeiras-PI.

"Aprendi muito, desde a questão da conservação dos solos e das águas (…) Essa imersão foi muito importante para a  minha a vida, porque a partir desse momento, vai agregar bastante para levar para a minha comunidade e para todas as pessoas que eu trabalho com a assistência técnica”.

Vivências de intercâmbios no Território 

Além de todas as atividades teóricas e práticas realizadas no Centro de Formação do José Rodrigues, a roça do Irpaa, também houve visitas a lugares marcantes do Território Sertão do São Francisco e que representam uma parte significativa das lutas dos povos do Semiárido: a força da coletividade que Canudos ensina; o impacto da construção da Barragem de Sobradinho na vida das famílias que viviam na região; a potência que é a Educação Contextualizada e a Pedagogia da Alternância, representadas pelas práticas da Escola Família Agrícola de Sobradinho; os cuidados com Velho Chico e a vitrine da Agricultura Familiar e do Cooperativismo, no Armazém da Caatinga em Juazeiro.

Em cada vivência, as juventudes puderam conhecer detalhes da história, refletir sobre as narrativas não contadas oficialmente, os desafios atuais e o quanto cada um/a pode se inspirar para seguir construindo um futuro melhor. Nesse sentido, o jovem Matthews enfatizou o que os intercâmbios significaram:

“Se não fosse pela Escola de Formação talvez eu nunca estivesse em Canudos, talvez eu nunca estivesse em Sobradinho. São lugares diferentes do ponto de vida dos destinos que foram impostos para aquele território. Canudos é esse lugar de muita resistência, que nos mostra que Canudos foi uma construção de resistência, na base da luta, da solidariedade, da Convivência com o Semiárido. Canudos é um lugar que inspira, principalmente nós, a construir um presente, um futuro melhor para nossas comunidades mostra que os movimentos sociais, as lutas populares, os grupos organizados vêm apresentando alternativas há muitos anos para um mundo melhor, uma vida melhor, com base na solidariedade, da fraternidade, do amor, companheirismo (…) Tem muita história que às vezes são invisibilizadas; acho que só com os intercâmbios a gente consegue ter essa capacidade de olhar, de sentir; estando lá pisando naquele chão, olhando com os nossos olhos, abrindo o coração para tudo aquilo que está na nossa frente”.

A jovem Brice Reis afirma que as reflexões em Sobradinho são importantes para compreender os detalhes históricos e quais os impactos causados por grandes empreendimentos, como a barragem: “Quando você conhece a história você percebe que aquela paisagem bonita nasceu da extinção de uma cultura, de todo um costume, de um povo. Então isso acaba deixando a gente reflexivo a respeito do solo que estamos pisando hoje: quem foi que pisou antes de nós?”.

A partir das avaliações dos intercâmbios em todos os espaços, em resumo, a juventude demonstrou a necessidade de conhecer cada vez mais as realidades, de se apropriar da história, de se inspirar nos ensinamentos dos antepassados e de estar atenta aos desafios e potencialidades dos tempos atuais.  

Durante a mística de encerramento da Escola, o presidente do Irpaa, José Moacir dos Santos, agradeceu a participação de cada jovem e reforçou o papel fundamental da juventude no trabalho de multiplicação de saberes. “Vocês têm um conhecimento que a maioria das pessoas não tem. Então, a gente volta com mais esse compromisso: ‘vou ser aquele que me calei, com medo das dificuldades’ ou vou ser ‘aquela que me juntei com outras tantas que tem aí e tocamos essa luta para a frente’?”, estimulou.

“Vamos continuar fazendo essa formação e construir essa rede de lutas por esse Semiárido vivo, por esse Semiárido rico, com nós dentro e vivendo bem. Essa é a ideia dessa Escola”, concluiu Moacir.

A 32ª EFJCSA  foi apoiada por projetos do Irpaa com a cooperação internacional, a exemplo do “Agenda 2030 no Semiárido Baiano”. Esta edição também contou com o apoio do “Projeto Baraúnas dos Sertões”.

Texto: Eixo Educação e Comunicação do Irpaa | Fotos: Eixo Educação e Comunicação do Irpaa e participantes da 32ª EFJCSA

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56 MISSA DO VAQUEIRO DE SERRITA.

A 56ª edição da Missa do Vaqueiro reuniu milhares de fiéis e vaqueiros neste domingo (26), no Parque Estadual João Câncio, em Serrita, no Sertão Central. Considerada uma das mais importantes manifestações de fé e cultura popular do Nordeste.

Compreender que a história vem se tecendo com a força da própria vida. E por isto, disse o cantador Virgilio Siqueira, daí não ser possível guardar na própria alma a transbordante força de uma causa. Daí não ser possível retornar, afinal, a gente nem sabe ao certo se de fato partiu algum dia...

Tengo/legotengo/lengotengo/lengotengo … O vaqueiro nordestino/morre sem deixar tostão/o seu nome é esquecido/ nas quebradas do Sertão ...” Os versos ecoam pelo lugar, realçados pelo trote dos animais e o balançar natural dos chocalhos trazidos pelos donos, todos em silêncio. É música. É arte.

Cada arte emociona o ser humano e maneira diferente! Literatura, pintura e escultura nos prendem por um viés racional, já a música nos fisga pelo lado emocional. Ao ouvir música penetramos no mundo das emoções, viajamos sem fronteiras.

Realizada anualmente sempre no quarto domingo do mês de julho, a Missa do Vaqueiro tem em suas origens uma história que foi consagrada na voz de Luiz Gonzaga e criada com os amigos Padre João Câncio e Pedro Bandeira.

A Morte do Vaqueiro, música composta por Nelson Barbalho, ainda ecoa nos sertões brasileiros: Raimundo Jacó, um vaqueiro habilidoso na arte de aboiar. Reza a lenda que seu canto atraía o gado, mas atraía também a inveja de seus colegas de profissão, fato que culminou em sua morte numa emboscada. O fiel companheiro do vaqueiro na aboiada, um cachorro, velou o corpo do dono dia e noite, até morrer de fome e sede.

A história de coragem se transformou num mito do Sertão e três anos após o trágico fim, sua vida foi imortalizada pelo canto de Luiz Gonzaga. O Rei do Baião, que era primo de Jacó, transformou “A Morte do Vaqueiro” numa das mais conhecidas e emocionantes canções brasileiras. Luiz Gonzaga queria mais. Dessa forma, ele se juntou a João Câncio dos Santos, na época padre que ao ver a pobreza e as injustiças sociais cometidas contra os sertanejos passou a pregar a palavra de Deus vestido de gibão, para fazer do caso do vaqueiro Raimundo Jacó o mote para o ofício do trabalho e para a celebração da coragem.

Assim, em 1970, o Sítio Lajes, em Serrita, onde o corpo de Raimundo Jacó foi encontrado, recebe a primeira Missa do Vaqueiro. De acordo com a tradição, o início da celebração é dado com uma procissão de mil vaqueiros a cavalo, que levam, em honras a Raimundo Jacó, oferendas, como chapéu de couro, chicotes e berrantes, ao altar de pedra rústica em formato de ferradura. 

A missa, uma verdadeira romaria de renovação da fé, acontece sempre ao ar livre. A Missa do Vaqueiro enche os olhos e coração de alegria e reflexões. Poetas e cantadores se fazem presente ao evento e iluminam com uma mágica leveza rimas e versos nos improvisos da inteligência. Vaqueiros e suas mãos calejadas, rostos enrugados pelo sol iluminam almas.

Em Serrita ouvimos sanfonas tocando alto o forró e o baião. Corpo e espírito ali em comunhão. A música do Quinteto Violado, composto por Janduhy Filizola é fonte de emoção. A presença de Jesus Cristo está no pão, cuscuz, rapadura e queijo repartidos/divididos na liturgia da palavras.

Emoção! Forte Emoção é que sinto na Missa do Vaqueiro ao ouvir sanfona e violeiros:

“Quarta, quinta e sexta-feira/sábado terceiro de julho/Carro de boi e poeira/cerca, aveloz, pedregulho/Só quando o domingo passa/É que volta os viajantes aos seu locais primitivos/Deixa no caminho torto/ o chão de um vaqueiro morto úmido com lágrimas dos vivos.

E aqui um assunto místico: quando o gado passa diante do mourão onde se matou uma rês, ou está esticado um couro, é comum o gado bater as patas dianteiras no chão e chorar o sentimento pelo “irmao” morto. O boi derrama lágrimas e dá mugidos em tons graves e agudos, como só acontece nos sertões do Nordeste!

Assim eu escutei e aqui reproduzo...

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