JOSE SARNEY: as orações de quem faz a guerra não são ouvidas por Deus

O presidente dos Estados Unidos tem estarrecido o mundo com suas exóticas colocações, que, no mínimo e no máximo, representam um jogo de faz-e-esconde, o que tem mantido as nações em suspense sem saber por onde ele quer ir e para onde vai. Parece os versos do grande poeta português José Régio: "Se ao que busco saber nenhum de vós responde, / Por que me repetis: 'vem por aqui'? / Prefiro escorregar nos becos lamacentos, / Redemoinhar aos ventos, / Como farrapos, arrastar os pés sangrentos, / A ir por aí… […] Ninguém me diga: 'Vem por aqui'! / A minha vida é um vendaval que se soltou. / É uma onda que se alevantou. / É um átomo a mais que se animou… / Não sei por onde vou, / Não sei para onde vou / — Sei que não vou por aí!"

A última dele foi a de que iria destruir uma civilização, isto é, a milenar civilização persa, como se isso fosse possível. Em seguida, afirmou que o Irã seria consumido pelo fogo, numa tragédia igual àquela de Sodoma e Gomorra. Mas no dia seguinte, já na quarta-feira, pensando melhor, Trump voltou atrás e, numa boa volta, resolveu parar com essa coisa escatológica de fim do mundo e negociou uma trégua em troca da abertura do Estreito de Hormuz.

Essa guerra com o Irã sempre foi difícil de ser entendida ou de se aceitar a razão, a sem-razão, de sua fúria, nem as alegadas justificativas. O fato que é difícil de explicar é, depois de destruída — obliterada — a capacidade iraniana de enriquecimento do urânio, como esse país produziria uma bomba atômica que pudesse ameaçar Estados Unidos e/ou Israel. Israel e Irã sempre pregaram a mútua destruição, mas os ataques sempre partiram de Israel.

O que ficou evidente é que, enquanto os Estados Unidos negociavam um acordo com o Irã, os israelenses descobriram onde as lideranças iranianas iriam se reunir para discutir os termos desse acordo e, imediatamente, Netanyahu convenceu Donald Trump de que deviam aproveitar essa reunião para eliminar todas as lideranças iranianas. Com o assassinato desses líderes, cairiam o governo iraniano e o regime teocrático, assegurando uma vitória total com menor custo do que o de uma guerra. Daí a afirmação inicial de Trump de que em quatro dias a guerra estaria acabada.

Isso bastou para convencer Trump a entrar em uma guerra sem uma análise mais aprofundada de que, com o componente religioso e dogmático que leva ao fanatismo do povo, liquidados os seus líderes, outros apareceriam imediatamente em substituição àqueles, sem solução de continuidade. Talvez os estudos tenham sido feitos, mas se sabe que Trump não lê nem ouve nada que não esteja na televisão — e, por isso, logo demitiu o chefe da Inteligência americana que disse ter avisado que o Irã não era uma ameaça. Não previu as consequências que adviriam ao comércio mundial com o comprometimento das exportações do Golfo Pérsico, nem tomou providências para proteger as bases americanas na região. Ignorou que pelo Estreito de Hormuz transitavam 20% de todo o consumo mundial de petróleo.

O fracasso dessa ausência de qualquer plano estratégico imediatamente aflorou, e o resultado é que a economia mundial entrou em crise, com impactos considerados mais graves que os da crise de 1972, quando houve o famoso choque do petróleo. A guerra não obedeceu a nenhuma das previsões feitas pelo Sr. Trump nesse jogo de faz-e-desfaz, e ele teve de desmentir-se, aplicar sua técnica de negociação TACO — Trump Always Chicken Out, isto é, sempre se acovarda e desiste — e lutar desesperadamente por um acordo de paz.

Trump não acredita na revolta da opinião pública dos Estados Unidos, que hoje está sendo divulgada: 60% da população é contra sua decisão de fazer essa guerra levado pelo israelense Netanyahu — que aproveitou o momento para mais uma vez destruir o Líbano, várias vezes massacrado pelo vizinho mais forte.

Se soube agora que, no ano passado, o Pentágono chamou o Núncio Apostólico para dizer que, se o papa não aderisse ao trumpismo, os americanos fariam um novo papado paralelo — como o de Avignon. O papa, que está com Deus e não com o diabo, sabe por onde vai e não se abalou, continuou dizendo que as orações de quem faz a guerra não são ouvidas por Deus.

Temos que, com o papa, rezar para que o cessar-fogo, mesmo com intermitência, acabe com os crimes contra os civis e dure até poder surgir um espaço para a paz.

A paz é o que o povo americano e o resto do mundo querem.

José Sarney — ex-presidente da República, escritor e imortal da Academia Brasileira de Letras

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PROFISSÃO DE DOULA É REGULAMENTADA POR PROJETO DE LEI

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou nesta quarta-feira (8) o projeto de lei que regulamenta o exercício da profissão de doula, que é a profissional que oferece apoio físico, emocional e informacional à gestante, especialmente durante o parto normal.

O texto foi aprovado no mês passado pela Câmara dos Deputados, depois de ter passado pelo Senado. 

A norma federal lista várias atribuições da doula antes, durante e após o período do parto. Na gravidez, a profissional poderá facilitar o acesso da gestante a informações sobre gestação, parto e pós-parto baseadas em evidências científicas atualizadas, além de incentivá-la a buscar uma unidade de saúde para o acompanhamento pré-natal.

De acordo com o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, o texto atende uma antiga reivindicação das mulheres no país e vai ajudar no enfrentamento contra a violência obstetrícia e reduzir o que chamou de "indústria de cesarianas" no Brasil. O ministro disse que não houve vetos ao texto.

"Os estudos que mostram que se se a doula acompanhou o pré-natal, se a doula acompanhou o parto, a violência foi menor. O índice de cesárea foi menor. O sofrimento foi menor e a gratidão das mulheres no momento tão importante da geração da vida foi melhor", destacou o ministro durante cerimônia de sanção no Palácio do Planalto.

Ao celebrar a sanção da lei, o presidente Lula lembrou que um outro projeto, ainda em tramitação no Congresso Nacional, deverá regulamentar a profissão de parteira tradicional, compondo assim um corpo de funções para humanizar o atendimento às gestantes do país.

Pelo texto sancionado, a presença da doula, de livre escolha da gestante, não exclui a presença de acompanhante, já garantida pela legislação. Essa garantia de presença abrange a rede pública e a rede privada durante todo o período de trabalho de parto e pós-parto imediato, em todos os tipos de parto, inclusive em casos de intercorrências e situações de abortamento.

Para o exercício da profissão, a nova lei exige diplomas de ensino médio e de curso de qualificação profissional específica em doulagem que, se expedidos por instituições estrangeiras, deverão ser revalidados no Brasil.

A lei também permite a continuidade de atuação aos que, na data de publicação, exerciam, comprovadamente, a atividade há mais de três anos.

Também a partir da vigência, os cursos deverão ter carga horária mínima de 120 horas.

A doula poderá, durante o parto, orientar e apoiar a gestante em relação à escolha das posições mais confortáveis a serem adotadas durante o processo; auxiliar a gestante a utilizar técnicas de respiração e vocalização para obter maior tranquilidade; e utilizar recursos não farmacológicos para conforto e alívio da dor da parturiente, como massagens, banhos mornos e compressas mornas.

No pós-parto, a doula poderá orientar e prestar apoio aos cuidados com o recém-nascido e ao processo de amamentação.

"É o tratamento diferenciado, é o saber conversar, é o saber tratar, é o saber acolher e o acolhimento muda a vida das pessoas, do ponto de vista emocional e afeta diretamente esse tratamento humano, esse tratamento da vida, que é ter realmente um filho com dignidade", disse a senadora Eliziane Gama (PT-MA), relatora do projeto no Senado.

Por outro lado, a nova lei proíbe às doulas utilizar ou manusear equipamentos médico-assistenciais, realizar procedimentos médicos, fisioterápicos ou de enfermagem, administrar medicamentos e interferir nos procedimentos técnicos dos profissionais de saúde.

Para a ministra das Mulheres, Márcia Lopes, a nova lei beneficia não apenas a gestante, mas toda a família, e assegura uma proteção mais integral às mulheres em um momento tão delicado que é a gravidez.

"Porque a gente entra na sala de parto apavorada, não sabe o que vai acontecer, e quer que seja rápido, e a doula vai acalmando a gente, a doula vai conversando, vai dialogando. É uma lei que, de fato, humaniza, de fato enfrenta a violência obstétrica", afirmou.

*Com informações da Agência Câmara de Notícias.





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ECOVALE: RAIZES E REIVENÇÃO DA COMUNICAÇÃO NO VALE DO SÃO FRANCISCO

Criado em 2010, no campus III da Universidade do Estado da Bahia (UNEB) em Juazeiro-BA, o Encontro de Comunicação do Vale do São Francisco (ECOVALE) nasceu com o objetivo de pensar a comunicação a partir do interior, deslocando o olhar dos grandes centros para as realidades do Semiárido. Ao longo dos anos, o evento se consolidou como um espaço de formação, troca de experiências e construção coletiva do conhecimento na área da comunicação.

Na primeira edição, realizada em 2010, o tema “Jornalismo e suas múltiplas linguagens” abriu espaço para discutir a atuação do jornalista em diferentes formatos. Oficinas de assessoria, diagramação, educomunicação, crítica cinematográfica e fotografia já mostravam o caráter prático e formativo do encontro.

No ano seguinte, o II ECOVALE trouxe o tema “200 anos de imprensa da Bahia” para refletir sobre a trajetória da imprensa e o cenário da comunicação, com foco nas experiências regionais. Em 2013, a terceira edição avançou para o debate sobre “Novas mídias e movimentos sociais”, conectando o local ao global e discutindo o impacto das tecnologias na comunicação.

Em 2016, a quarta edição destacou um tema que continua atual na nossa realidade. “Assessoria, redes sociais e empreendedorismo: desafios do mercado de trabalho”. O jornalista e egresso da UNEB, Pablo Luan, que participou de várias edições entre 2014 e 2019, relembra a importância desse momento. Segundo ele, as discussões sobre empreendedorismo já apontavam caminhos que hoje são realidade no mercado, como o trabalho autônomo, a atuação em redes sociais e a multiplicidade de funções do jornalista. Para Pablo, o ECOVALE sempre trouxe debates que permanecem relevantes ao longo do tempo e ajudam a preparar os estudantes para um cenário profissional em constante transformação.

A quinta edição, em 2019, abordou o “Jornalismo e outras narrativas comunicacionais”, ampliando o olhar para além das formas tradicionais de fazer jornalismo. Já a sexta edição, realizada após o período mais crítico da pandemia de Covid-19, trouxe o tema “os desafios da comunicação e educação em rede” e marcou também as comemorações dos 20 anos do curso de Jornalismo em Multimeios do campus Juazeiro.

Agora, em 2026, o ECOVALE chega à sua 7º edição, que acontece entre os dias 7 e 10 de abril, em Juazeiro. Com o tema “Processos de reinvenção no jornalismo”, o evento propõe discutir as mudanças estruturais na área da comunicação, como a plataformização da informação  e os desafios impostos pela desinformação.

A estudante de jornalismo, Laise Ribeiro, destaca a importância desse debate, especialmente para quem está prestes a entrar no mercado de trabalho. Para ela, o tema chega em um momento decisivo, já que muitos estudantes se deparam com uma realidade profissional em constante mudança. Ribeiro também ressalta o papel do evento na formação prática, lembrando sua experiência como monitora na edição anterior, que possibilitou vivenciar de perto a organização e a dinâmica do Encontro. Nesta edição, ela participa novamente, agora ainda mais interessada nas discussões que podem ajudar a compreender e lidar com as transformações do jornalismo.

Além dos debates, oficinas e apresentações de trabalhos, a abertura do evento será marcada por uma homenagem a nomes importantes da comunicação no Vale do São Francisco, como Inah Torres e Marcelino Ribeiro (in memoriam), junto com Luiz Manoel Guimarães, serão reconhecidos com o Prêmio Carranca de Jornalismo, que celebra trajetórias marcantes de comunicadores na região.

Mais do que um evento acadêmico, o ECOVALE se tornou um espaço de escuta, reflexão e fortalecimento do jornalismo regional. Para a professora Andréa Cristiana Santos, o Encontro tem um papel fundamental na construção de um olhar sobre o jornalismo no Vale. Segundo ela, o evento contribui para a formação de estudantes e profissionais, fortalece a identidade regional e cria um ambiente de diálogo sobre temas emergentes que impactam o presente e o futuro da profissão.

Ao longo dos anos, o Ecovale tem se consolidado como um espaço de formação crítica e de integração entre a universidade e a comunidade. O evento traz temas que se entrelaçam ao longo de sua trajetória, além de valorizar os saberes regionais.

Por Gabriel Matos e Maria Helena Almeida, estudantes de jornalismo e colaboradores do MultiCiência.


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07 DE ABRIL DIA DO JORNALISTA

Relatório divulgado pela organização não governamental Repórteres sem Fronteira (RSF) destaca o combate à desinformação e o incentivo à educação midiática como medidas para a garantir o jornalismo íntegro e de confiança pelos próximos 10 anos.

O documento recém-lançado contribui para os debates sobre a profissão, lembrada nesta terça-feira no Brasil, como o Dia do Jornalista (7).

A instituição apresenta quatro cenários hipotéticos de onde estará o jornalismo no Brasil daqui a uma década e seis estratégias possíveis para que a sociedade possa contar, ao fim desse período, com “um jornalismo íntegro e de confiança”.

Os quatro cenários, construídos pelo Laboratório de Estudos sobre Organização da Pesquisa e da Inovação (Lab-GEOPI) da Unicamp para o RSF, distinguem-se pelo domínio das plataformas digitais; pelo fortalecimento do jornalismo; pela alta fragmentação da informação produzida e pelo fim do jornalismo.

“O futuro, provavelmente, vai ser muito mais uma mistura dos elementos dos diferentes cenários do que um cenário estanque”, explica Sérgio Lüdtke, coordenador de Projetos da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) e editor-chefe do Projeto Comprova. Lüdtke participou do comitê consultivo do projeto do RSF.

As seis estratégias envolvem:

tornar o método jornalístico amplamente adotado e difundido;

enfrentar a desinformação;

fortalecer redes de cooperação entre organizações de jornalismo e universidades;

diversificar modelos de financiamento do jornalismo;

investir em educação midiática;

defender a regulação do jornalismo.

Desafios-De acordo com a entidade, os riscos para a comunicação virtual decorrentes da falta de clareza entre conceitos como notícia, opinião, desinformação e propaganda, em um ambiente político polarizado, fazem parte da atualidade e influenciam toda essa construção.

A isso se soma o fato de as pessoas alimentam suas convicções a partir do que acreditam ser realidade, de acordo com o conteúdo selecionado pelo algoritmo da rede social.

 “O método jornalístico é um elemento central de apreensão da realidade e do debate público, que está no cerne da qualidade democrática”, resume Artur Romeu, diretor do escritório do RSF para América Latina, na apresentação do relatório.

Plataformas digitais-Para Samira de Castro, presidente da Federação Nacional dos Jornalistas, o futuro aponta para o cenário de domínio das plataformas digitais.

“Desde os grandes veículos [de comunicação] até a chamada mídia independente alternativa, todos necessitam escorar sua produção jornalística pelas plataformas digitais.”

Segundo ela, que também atuou no comitê consultivo, o jornalismo é refém da política de algoritmo dos meios digitais. “Essas [plataformas] são controladas por empresas multinacionais com total opacidade da sua política algorítmica.”

De acordo com o diretor do escritório do RSF, Artur Romeu, o jornalismo passa a operar dentro das regras que são cada vez mais arquitetadas por essas grandes empresas.

“[O jornalismo] torna-se dependente dos canais de distribuição das plataformas digitais, na medida em que cada vez mais pessoas consomem notícias e informação através dessas plataformas.”

O efeito da “plataformização” é a desvalorização do jornalismo. Essa se deu quando passou a competir “de igual para igual com a desinformação e com a propaganda, e passou a ser vista como mais uma narrativa”, acrescenta Sérgio Lüdtke.

Ele acrescenta que o uso de inteligência artificial pode agravar o esvaziamento da profissão e substituir jornalistas nas atividades de apuração e escrita.



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PROCESSOS DE REIVENÇÃO NO JORNALISMO

A Universidade do Estado da Bahia (Uneb), Campus III, em Juazeiro, realizará de 7 a 10 deste mês o 7° Encontro de Comunicação do Vale do São Francisco (Ecovale), com o tema "Processos de Reinvenção no Jornalismo". O evento visa promover a troca de experiências entre alunos, professores e pesquisadores da área, além de estimular reflexões sobre o campo da comunicação. Durante quatro dias ocorrerão diversas atividades incluindo oficinas, debates e palestras sobre mudanças no campo profissional, transformações das práticas profissionais, conectando as mudanças econômicas e sociais que reconfiguram o ofício de narrar os acontecimentos nas rotinas produtivas.

Nesta edição, o Ecovale vai conceder pela primeira vez,   o "Prêmio Carranca de Jornalismo" - em caráter de honraria a três profissionais  que atuaram nos meios de comunicação  do Vale do São Francisco, sendo dois deles In memoriam: os jornalistas Marcelino Ribeiro e Inah Torres. O terceiro homenageado é o jornalista Luiz Manoel Guimarães que por  décadas atuou no jornal A Tarde, de Salvador. 

A importância de um prêmio de jornalismo para reconhecer profissionais atuantes vai além da simples celebração. De acordo com a coordenadora do curso de Jornalismo em Multimeios, Carla Paiva, a Uneb já fez duas décadas de contribuição no campo acadêmico, formando profissionais que atuam na região e outros estados, além de fortalecer a troca de experiências entre discentes e meios de comunicação da região.

O prêmio é uma justa honraria de reconhecimento e validação sobre aqueles que tiveram ou tem uma trajetória marcante no jornalismo do Vale do São Francisco", ressalta a coordenadora. Para a diretora do DCH-III, Andréa Cristiana, o Prêmio Carranca de Jornalismo é também uma forma de endossar e reconhecer o valor dos meios de comunicação do Vale e seus profissionais que diariamente estão na linha de frente produzindo, compartilhando informações de forma ética e profissional na construção da cidadania e liberdade de expressão coletiva.

HOMENAGEADOS-Nesta primeira edição do prêmio, os homenageados são o jornalista baiano Luiz Manoel Guimarães Pereira, natural de Remanso (BA) que ingressou na década 1970, na Universidade Federal da Bahia. Foi estagiário no Diário de Notícias e na Tribuna da Bahia e trabalhou por na assessoria de imprensa da reitoria da UFBA. Em Salvador, foi repórter da Geral, Polícia, Política e Esportes. Na década de 1990, retornou a Juazeiro para fazer parte da sucursal do A Tarde na região, foi repórter e editor até assumir a chefia da sucursal, função em que permaneceu até outubro de 2010, quando se aposentou.

Em memória de dois grandes profissionais da comunicação já falecidos, o prêmio reconhece a importância de Marcelino Ribeiro  e Inah Torres. O jornalista Marcelino Ribeiro fez carreira no serviço público, atuando por mais de vinte anos na Embrapa, como supervisor do Núcleo de Comunicação Organizacional.  Jornalista e colunista social com longa trajetória profissional na região, a pernambucana Inah Torres, natural de Caruaru, foi pioneira no lançamento de uma revista do gênero "Com Você".

Sua primeira incursão profissional, ainda na década de 1970, foi na rádio Emissora Rural e depois na Grande Rio AM. Depois atuou como colunistas no extinto O Pharol. Ainda escreveu para o Jornal do Commércio e no Diário de Pernambuco, com colunas falando sobre o sertão do Vale do São Francisco. Inah Torres também integrou a AIP Associação de Imprensa de Pernambuco, Sindicato dos Radialistas de Pernambuco e ABRAJET Associação brasileira de jornalistas de turismo. A jornalista faleceu em janeiro de 2025 em Petrolina.

Serviço ECOVALE - Encontro de Comunicação do Vale do São Francisco 

Datas: 7 a 10 de abril.

Local: UNEB, DCH - Campus III.

Inscrições: https://www.even3.com.br/vii-ecovale-704323/ 

Programação 

07/04 17h: Credenciamento 

18h: Conferência de Abertura "A datificação do trabalho do jornalista e a integridade da informação" com Rasali Fígaro (USP) 

19h: Homenagem ao dia do jornalista.

08/04

14h: Mesa - Jornalismo dá trabalho: Práticas e Processos de Reinvenção com Flávia Santos, Tamara Leal e Angélica Santa Cruz.

16h: Mesa - Processos de Reinvenção no Audiovisual com Renato Nery, Fernando Pereira e Severo Filho.

09/04

14h: Oficinas e Experiências Práticas Simultâneas

10/04

14h: Mesa - Novas Práticas da Comunicação Pública e Cidadania com Elka Macedo, Lorena Simas e Rogério Pelizzari.

16h: Mostra de Experiências de Estágio e Mostra de Produtos do Curso

18h: Cacos Convida: Palco Aberto

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SOLDADINHO DO ARARIPE

A temporada reprodutiva 2025–2026 do Soldadinho-do-araripe (Antilophia bokermanni) chega ao fim apresentando resultados animadores para a conservação de uma das aves mais raras do planeta. O monitoramento realizado no Geossítio Arajara, na região da Chapada do Araripe, registrou 12 ninhos

na área da Gruta do Farias – reconhecida como o local de descobrimento da espécie em 1996.

Endêmico da Chapada do Araripe, o soldadinho-do-araripe é uma ave criticamente ameaçada de

extinção e depende diretamente das áreas de mata úmida associadas às nascentes da região para

sobreviver. Por isso, cada ciclo reprodutivo bem-sucedido representa um avanço importante para a

preservação da espécie.

A reprodução da ave, que começou em 29 de setembro e seguiu até o final de março, foi

acompanhada de perto pela equipe de manutenção do Complexo Arajara Park, sob a coordenação de

Marcos Xavier, supervisor de infraestrutura da empresa, e contou com ações efetivas de cuidado para

garantir o desenvolvimento dos ninhos e o crescimento dos filhotes.

Primeiro ninho da temporada

O primeiro ninho da temporada foi identificado no dia 29

de outubro. Pouco tempo depois, foram registrados os

primeiros ovos: o primeiro no dia 10 de novembro e o

segundo no dia 12.

Após o período de incubação, o primeiro filhote nasceu

no dia 30 de novembro, seguido pelo segundo no dia 1º

de dezembro. Esse intervalo entre os nascimentos é

considerado natural na espécie.

Com o crescimento dos filhotes, novos avanços foram

observados. No dia 21 de dezembro, um dos filhotes

deixou o ninho pela primeira vez, enquanto o outro

começou a realizar seus primeiros ensaios de voo. Dois

dias depois, no dia 23 de dezembro, ambos já haviam

abandonado o ninho, concluindo com sucesso mais um

ciclo reprodutivo.

Monitoramento ajuda a proteger a espécie

O acompanhamento constante também permite agir rapidamente em situações de risco. Durante o

monitoramento de um dos ninhos, fortes chuvas danificaram o suporte natural da estrutura,

colocando um filhote em risco de queda no córrego abaixo.

Diante da situação, a equipe de monitoramento realizou uma intervenção para reestruturar o suporte

do ninho e garantir sua estabilidade, permitindo que o filhote continuasse seu desenvolvimento com

segurança.

Registros mostram cuidados parentais

Entre os registros feitos durante o acompanhamento da temporada estão imagens da fêmea

alimentando os filhotes, já em estágio avançado de desenvolvimento. Esse momento marca a fase em

que os jovens estão próximos de deixar o ninho e iniciar sua vida fora do abrigo.

O monitoramento desses eventos fornece informações importantes sobre o comportamento da

espécie e contribui para estratégias de conservação.

Símbolo da biodiversidade da Chapada do Araripe

Descoberto pela ciência em 1996, o Soldadinho-do-araripe tornou-se um símbolo da biodiversidade

da Chapada do Araripe e um indicador da qualidade ambiental da região.

A sobrevivência da espécie depende da preservação das matas e nascentes da Chapada. Cada novo

filhote representa um passo importante para garantir o futuro dessa ave única, encontrada

exclusivamente no sul do Ceará.

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MAESTRO SPOCK SOLTA A VOZ E CELEBRA SUAS RAÍZES EM DISCO INÉDITO QUE VAI DE ABOIO AO ROCK

A relação entre o frevo e o Maestro Spok é quase umbilical. Mas, ao se despir do ritmo, há outro Spok. Não o maestro, mas o pequeno Inaldo que ouvia Jackson do Pandeiro com o pai. Não o saxofonista, mas o músico que sonhava com as palavras. E, sobretudo, o herdeiro de uma ancestralidade africana. Esse Spok, até então desconhecido, aparece em “Raízes”, seu álbum recém-lançado que já está disponível nas plataformas digitais.

Antes de chegar ao público, a revelação de suas raízes veio para o próprio Spok. Ao submeter o próprio DNA a um teste, ele descobriu que sua linhagem materna atravessou o Atlântico vinda do Camarões, mais especificamente da etnia Tikar. "Isso mexeu totalmente com a minha vida", destaca ele em entrevista ao Diario.

Finalmente, ele começaria a trilhar um caminho que desejava desde muito antes de saber tocar qualquer instrumento de sopro. “A poesia sempre esteve dentro de mim. Tudo pelo desejo de ser repentista”, explica.

“Raízes” tece um diálogo inédito para o músico, isso é fato. Mas o estranhamento, se existe, não passa da abertura. É tudo tão íntimo e honesto que a estranheza cede lugar à delicadeza. Faixa a faixa, o público conhece esse Spok que compõe e canta, percorrendo um território híbrido onde se encontram galope à beira-mar, aboio, rock, maracatu e rap.

As letras do disco transitam entre espiritualidade e memória, com homenagens a Xangô e a símbolos dos terreiros, os quais Spok transforma em ambiente de reflexão e reverência às suas próprias origens.

Nesse processo, contou com a assistência do Grupo Bongar, que participa da faixa-título. “Às vezes, o ritmo que eu imaginava para um orixá não era aquele. Os meninos me mostravam o caminho certo. Me diverti e aprendi muito”, conta.

Companheiros históricos como Lenine, Maciel Melo, Chico César e Zeca Baleiro também participam e acrescentam o tom pessoal ao disco, assim como a sua filha Ylana. “Todos eles têm uma importância muito grande na minha vida e no que me formou até hoje”, celebra Spok.

Ainda que vários parceiros de Spok estejam presentes, “Raízes” tem personalidade própria. Mérito do artista, que assume o protagonismo da musicalidade e da sua trajetória. “Não é um trabalho igual a nenhum deles. Isso me deixa muito feliz. Eu enxergo o que é possível. Eu trabalho com as minhas verdades. O que me fortalece é ser eu”, exalta o artista.

Coeso do início ao fim, o álbum se destaca em faixas como "Bela África" (feat.Chico César) e "Kaô" (feat.Lenine) e o encerramento em grande estilo com "Aboio de Um Vaqueiro" (feat.Maciel Melo), que entrelaça repente e rock.

Se o exame de DNA abriu uma porta, “Raízes” mostrou que há muitas outras adiante. “Agora não vou mais parar”, promete Spok, que já vislumbra levar o disco ao palco. Uma missão prazerosa, mas também desafiadora, para quem está trocando o saxofone pelo microfone.

"Venho treinando essa parte de cantar e me comunicar com o público", diz. O público também vai precisar se acostumar, mas ele já está preparado para os inevitáveis pedidos de frevo. “Quando acabar o show, eu posso tocar os clássicos para eles”, garante.

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