COVID-19: NÚMERO DE INFECTADOS DISPARA EM JUAZEIRO/PETROLINA E DEVE ULTRAPASSAR 1070 CASOS NESTA QUARTA (24)

São 1069 pessoas infectadas somando os casos da doenças confirmadas em Juazeiroe Petrolina. A situação se torna crítica e preocupa autoridades sanitárias e governamentais.

Durante live no início da noite de ontem terça-feira (23) véspera de São João o governador da Bahia Rui Costa informou que o município de Juazeiro registrou aumento no número de casos da Covid-19 e entra no "radar da luz vermelha" do governo do estado.

Rui Costa esclareceu que Juazeiro é uma das cidades que teve grande crescimento da taxa de contaminados nos últimos cinco dias. "Esses municípios chamam a atenção. Esses casos isolados têm que chamar a atenção, porque eles puxam a média para cima. Tem que atuar nesses focos. Hoje são quatro focos, merecem luz vermelha e atenção máxima para a gente atuar neles e reduzir os números", pontuou o governador.

A Secretaria da Saúde em Juazeiro apresentou no último boletim ontem terça-feira (23), os dados que os casos confirmados subiram para 418 o número de pacientes positivos para a doença. Em Petrolina, de acordo com a secretaria de saúde são 651 pessoas infectadas.

O diretor-executivo da Organização Mundial da Saúde (OMS), Michael Ryan, disse que a porcentagem de testes de coronavírus que dão resultado positivo no Brasil, de 31%, indica que o número real de pessoas contaminadas no país pode estar subestimado.

De acordo com Ryan, o Brasil ainda testa uma parcela muito pequena da população. “Nos países que aplicam grande número de testes, a porcentagem de positivos fica perto de 5%”. Segundo os cálculos do Imperial College, que têm base no número de mortos declarados na última semana, há uma subnotificação de casos de infecção por coronavírus no Brasil.

Segundo o centro de pesquisa britânica, o Brasil registra 34% dos casos possíveis. O dado informa que o número de brasileiros infectados pode ser o triplo do informado. De acordo com a Folha de São Paulo, o Imperial College parte da premissa de que a taxa de mortalidade por caso de coronavírus é 1,38% — para cada morte relatada havia 72,5 pessoas infectadas.

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EM PLENO ANO ELEITORAL, POLÍTICOS ENCARAM SÃO JOÃO SEM O CORPO A CORPO EM BUSCA DE VOTO

Tradicionalmente, o período junino no Nordeste é marcado por festas e também pela participação de políticos e lideranças partidárias nessas comemorações, sobretudo em ano eleitoral. No entanto, em função da pandemia do novo coronavírus, as festividades em homenagem a São João estão suspensas e até mesmo as habituais fogueiras estão proibidas. As medidas foram tomadas para minimizar os efeitos da crise sanitária e afetam, por tabela, “a forma tradicional de fazer política”, como destaca o cientista político Antonio Lucena. 

Apesar das restrições, Antonio Lucena ressalta que os atores político podem recorrer a outros meios como reuniões online” para se manter em contato com a população. Ele pondera, contudo, que essas medidas não alcançam o “mesmo nível” da participação nas festividades juninas.  A cientista política Priscila Lapa, por sua vez, salienta que o São João é uma oportunidade para que os políticos mobilizem seus cabos eleitorais, direcionem recursos para patrocinar arraiais, quadrilhas e que, com a pandemia, não há possibilidade de fazer isso, tornando o momento “especialmente desafiador para quem vai disputar uma eleição”. 

“A existência da pandemia nesse momento coloca as pessoas numa situação de muita ansiedade e até um clima meio de nostalgia, de você sentir falta daquilo que você não pode mais acessar. Então, uma agenda política nesse momento parece um pouco inapropriada”, argumenta Priscila. Para ela, não há clima para falar de eleição. “As pessoas estão muito desmobilizadas para o processo eleitoral. O clima da campanha ainda não chegou e não chegaria se a gente estivesse sem pandemia porque as campanhas estão cada vez mais curtas. Fica muito mais desafiador para aquelas pessoas que vão precisar repensar as estratégias de aproximação com eleitorado, a começar desta festividade”, complementa. 

Prefeito de Afogados da Ingazeira e presidente da Associação Municipalista de Pernambuco (Amupe), José Patriota (PSB) destaca que todos os gestores municipais estão se adaptando aos meios disponíveis, mas reforça que a pandemia prejudica porque apresenta uma nova realidade. “Não tem festa. Nós temos o costume e a cultura do corpo a corpo, do abraço, mas a linha é de recolhimento, de cautela. Está tudo muito restritivo, recolhido”, explica. 

O deputado federal Lucas Ramos (PSB), pré-candidato à Prefeitura de Petrolina, reforça que as festas juninas fazem parte do calendário político e eleitoral de qualquer liderança. “(Sem a pandemia) A gente estaria no maior São João do Brasil, que é o de Petrolina, aguardando o início da missa do vaqueiro no próximo domingo, e tudo isso suspenso. Esse momento requer responsabilidade por parte dos políticos, principalmente. Os políticos tem que dar o exemplo, a gente tem que experimentar uma nova forma de curtir o São João”, afirma. No entanto, ele reconhece que as restrições atrapalham esse calendário eleitoral. “Impede de estar nas ruas fazendo o que a gente mais gosta, que é trabalhando, pedindo voto, mostrando a cara”, complementa. 

 também deputado estadual Sivaldo Albino (PSB), pré-candidato em Garanhuns, lamenta a falta de contato com o eleitorado. “Se tivesse dentro da normalidade - porque geralmente a convenção é em junho e julho - estaríamos na pré-campanha. Então, isso afeta diretamente no contato. A diferença é que é para todo mundo. Não é para um candidato, um político. Isso (a restrição) é para todo mundo. Até porque não tem polos para você visitar, então fica uma coisa equilibrada, mas claro que é um cenário muito ruim você não tem um contato daquilo que você é habituado a fazer, a conviver”, explica.

Já a prefeita de Cumaru, Mariana Medeiros (PP), que deve disputar a reeleição, aponta que, apesar da tradição do período, o foco é superar o novo coronavírus. “O município está tranquilo, temos apenas um óbito, mas focamos no trabalho de conscientização”, explica. O município não terá festa ou fogueiras. “O importante é salvar vidas. Vai vir o São João do próximo ano”, complementa. (Folha Pernambuco)
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VIVA LUIZ GONZAGA DO NASCIMENTO, SEMPRE NA MIRA DE NOSSOS CORAÇÕES

O Nordeste continuaria existindo caso Luiz Gonzaga não tivesse aterrissado por lá há cem anos. Teria a mesma paisagem, os mesmos problemas. Seria o mesmo complexo de gentes e regiões. Comportaria os mesmos cenários de pedras e areias, plantas e rios, mares e florestas, caatingas e sertões. Mas faltaria muito para adornar-lhe a alma. Sem Gonzaga quase seríamos sonâmbulos.

Ele, mais que ninguém, brindou-nos com uma moldura indelével, uma corrente sonora diferente, recheada de suspiros, ritmos coronários, estalidos metálicos. A isso resolveu chamar de BAIÃO.

Gonzaga plantou a sanfona entre nós, estampou a zabumba em nossos corpos, trancafiou-nos dentro de um triângulo e imortalizou-nos no registro de sua voz. Dentro do seu matulão convivemos, bichos e coisas, aves e paisagens. Pela manhã, do seu chapéu, saltaram galos anunciando o dia, sabiás acalentando as horas, acauãs premeditando as tristezas, assuns-pretos assobiando as dores, vens-vens prenunciando amores.

O olhar de Gonzaga furou o ventre de todas as coisas e seres, escaneou suas vísceras, revirou seus mistérios, escrutinou suas entranhas. A mão do homem deslizou pelas teclas sensíveis da concertina, seus dedos pressionaram os pinos, procurando os sons baixos e harmônicos. Os pés do homem organizavam o primeiro passo, sentindo o caminho, testando o equilíbrio. A cabeça erguida, o queixo pra frente, a barriga desforrada e o pulmão vertendo cem mil libras de oxigênio, vibrando as cordas vocais: era Lua nascendo.

O peito de Gonzaga abrigava o canto dolente e retorto dos vaqueiros mortos e a pabulagem dos boiadeiros vivos. As ladainhas e os benditos aninhavam-se por ali buscando eternidade. Viva Luiz Gonzaga do Nascimento, sempre na mira de nossos corações. (Texto: Aderaldo Luciano-mestre e doutor em Ciência da Literatura)
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AGROVALE AMPLIA DOAÇÕES DE ÁLCOOL 70% AOS MUNICÍPIOS DA REGIÃO


O município de Petrolina-PE recebeu nesta terça-feira (23) um reforço de mais 7 mil litros de álcool 70% para o combate ao novo Coronavírus (Covid -19).O produto, amplamente utilizado na higienização e assepsia, foi entregue à Secretaria de Saúde e faz parte de um programa social da Agrovale que já contabiliza a doação de 132 mil litros às unidades e serviços de saúde de municípios da Bahia e de Pernambuco.

O programa começou em março, logo que apareceram os primeiros casos da pandemia, com a doação ao sistema público baiano de 100 mil litros de álcool in natura. Depois, as cidades de Juazeiro e Petrolina receberam 10 mil litros de álcool 70% cada uma.

Na semana passada o município pernambucano de Santa Maria da Boa Vista, foi contemplado com 5 mil litros de álcool 70% e a direção da empresa sucroalcooleira informou que já está em tratativas para doação do produto também aos municípios de Cabrobó, Lagoa Grande, Salgueiro e Dormentes, em Pernambuco.

Segundo o secretário de Saúde de Santa Maria da Boa Vista, Nelson Eduardo, a doação chegou em boa hora. "Já regularizamos os estoques do álcool 70% no Hospital de urgência e emergência Monsenhor Ângelo Sampaio, nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), no Programa de Saúde da Família (PSF) e nos postos dos bairros e do interior além de associações comunitárias", detalhou o secretário, ressaltando ainda que a doação garante o fornecimento do produto pelos próximos dois meses. (Fonte: CLAS Comunicação & Marketing)
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VIRGÍLIO SIQUEIRA: POR OUTROS LUIZES

Virgilio Siqueira. Poeta, compositor e escritor. Nasceu no dia 6 de maio de 1956 na então Vila de Santa Cruz, município de Ouricuri, no sertão do Araripe pernambucano. Virgilio é o autor de Cânticos de sol e de chuva. Auto de Natal da caatinga. Um de suas músicas mais conhecidas é em parceria com Maciel Melo, Retinas e Nos Tempos de Menino.  Maciel Melo e Virgílio Siqueira  pretendem reeditar o disco "Desafio das Léguas" (1987).

Aqui Virgilio Siqueira presenteia os leitores com os versos de "Por Outros Luizes". Confira: 

POR OUTROS LUÍZES
.Luiz, cadê Santo Antônio
São Pedro, cadê São João?
Promessas pra matrimônio
Folguedo, cadê baião?
E o encantado patrimônio
Dos luares do sertão?
.
Parece que a nossa festa
É tão somente a saudade
Do que não houve nem resta
Ou suposta felicidade
De algum namoro esquecido
Quiçá, um sonho tingido
Com as tintas da mocidade
.
Luiz, cadê Santo Antônio
São Pedro, cadê São João?
Promessas pra matrimônio
Fogueira, cadê rojão?
E o prateado plenilúnio
Das quebradas do sertão?
.
Parecemos-nos vencidos
Entre fanfarra e festança
Entre conceitos perdidos
Numa inversão que avança
Entre o mercante e o mercado
Entre o cercante e o cercado
Entre quem toca e quem dança
.
Luiz, cadê Santo Antônio
São Pedro, cadê São João?
Promessas pra matrimônio
Quadrilha com marcação
Parece que o infortúnio
Devastou lira e sertão!
.
Parece que as raízes
Não se fizeram luzir
Para que outros Luízes
Se fizessem refulgir
Na essência de um novo canto
E, na ressonância do encanto
O Rei se fizesse ouvir
.
Virgílio Siqueira
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MESTRE CAMARÃO: NA VÉSPERA DE SÃO JOÃO COMPLETARIA 80 ANOS

No documentário Milagres de Santa Luzia, do cineasta Sérgio Roizenblit, cuja narrativa apresenta um mergulho em histórias de diversos sanfoneiros brasileiros, o saudoso Mestre Dominguinhos declara, com a afetividade e admiração que lhe eram características: “Um velho amigo de muitos e muitos anos, Camarão tinha uma banda que já tocava em ritmo de baião e forró músicas dos Beatles e um bocado de coisa que esse povo pensa que está inovando hoje em dia”. 

Dominguinhos explicava com gratidão a trajetória de Reginaldo Alves Ferreira, o Mestre Camarão. Camarão foi considerado Patrimônio Vivo até 2015, quando faleceu. Toda a importância de suas criações para a música brasileira, principalmente em se tratando de forró, fez com que o selo alemão Analog Africa se interessasse pela obra do artista para a coletânea The imaginary soundtrack to a Brazilian western movie.

Nesta terça-feira, 23 de junho de 2020, Mestre Camarão se vivo fosse no plano terrestre, completaria 80 anos. A grande inovação de Camarão foi uma visão social: considerado como pioneiro na criação do primeiro grupo de forró do país, que se chamava “A Bandinha do Camarão”, o mestre também manteve uma escola de música.

A técnica à frente da sanfona logo o transformaria em referência musical no Nordeste e no Brasil. Camarão é apontado como criador da primeira banda de forró do país e o pioneiro na introdução de metais nos conjuntos. No currículo, carregou a experiência de ter dirigido a Orquestra Sanfônica de Forró de Caruaru, a primeira do gênero.

Gravou 27 discos , entre 78 rpm, LPs e CDs. Em 2001, fez os arranjos das sanfonas e tocou sanfona e baixo sanfonado em todas as faixas do CD "Xote pé de serra", de Santana, entre outros trabalhos extraordinários.

O rei do Baião Luiz Gonzaga, dizia que 'Camarão toca muito e  faz ate desenho quando aperta a sanfona. Em suas mãos a sanfona chora ou ri, dependendo do seu estado de espírito e motivo musical."

Nascido no município de Brejo da Madre de Deus, Pernambuco mais precisamente na região de Fazenda Velha, Reginaldo, filho de Antônio, que era sanfoneiro, começou sua trajetória com a sanfona de oito baixos ainda criança, pois aos sete anos já tocava.

 “Era tradição entre os agricultores festejar, uma coisa bem interiorana mesmo. Meu avô e bisavô eram muito envolvidos com as questões agrícolas e comemoravam tocando nas festas e nos sambas. Meu pai foi criado no meio de sanfonas, violeiros e repentistas e tinha uma ligação forte com o instrumento dele”, afirma o professor, historiador e músico Salatiel D’ Camarão, filho do Mestre. Mais tarde, na década de 1960, foi para Caruaru integrar a banda como sanfoneiro da Rádio Difusora de Caruaru, onde conheceu com Luiz Gonzaga, Sivuca e Onildo Almeida.

O sanfoneiro e cantor Marquinhos Café, nascido em Caruaru, Pernambuco e residente em Salvador, tem uma atenção especial pela vida e obra do Mestre Camarão. O pai de Marquinhos Café, seu Antônio era amigo de Camarão e levou o então menino para ter umas aulas de vida e aprendizado na sanfona.

 "Fui aluno do mestre. Gratidão eterna a você meu mestre Camarão e que Deus Ilumine e proteja eternamente", escreveu Marquinhos em suas redes sociais.

Marquinhos Café hoje (23), apresenta uma live São João da Alegria, às 16hs e um dos homenageados é o mestre Camarão.
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CANAL BRASIL ESTREIA SÉRIE DOCUMENTAL OURO VELHO, MUNDO NOVO, DE CLAÚDIO ASSIS E LÍRIO FERREIRA

A poesia popular na divisa entre Pernambuco e Paraíba é o tema da série documental “Ouro Velho, Mundo Novo”, dirigida por Cláudio Assis e Lírio Ferreira, que estreia nesta quarta-feira, dia 24, no Canal Brasil. 

Com apresentação do cantor Lirinha, a série faz um mapeamento da poesia popular na divisa de Pernambuco com a Paraíba. 

A atração, nomeada a partir de duas cidades fronteiriças de ambos os estados, mostra como as rimas foram responsáveis por conduzir, ao longo dos anos, a sabedoria popular centenária da região.

Ao conversar com artistas e personalidades locais, os diretores traçam um paralelo entre e a seca e as trovas, apresentam a influência do cordel nas rimas e mostram como as paisagens do sertão foram capazes de inspirar os versos dos moradores, com destaque para o depoimento do jornalista e conterrâneo Xico Sá, que atribui igual importância à produção local a escritos do russo Vladimir Maiakovski, um dos mais importantes poetas do século passado.

Ouro Velho, Mundo Novo (2020)
INÉDITO e EXCLUSIVO
Estreia: quarta, dia 24/06, às 18h45
Direção: Cláudio Assis e Lírio Ferreira
Classificação: Livre
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