FILÓSOFOS ANALISAM CLIMA DE COPA COM PARTICIPAÇÃO DO BRASIL NO OSCAR

A final da Copa do Mundo 2026 será em 19 de julho, mas, no Brasil, o clima já está instaurado – só que em razão do cinema. Com o país disputando a 98ª edição do Oscar em cinco categorias – quatro com “O agente secreto” e uma com Adolpho Veloso, diretor de fotografia de “Sonhos de trem” –, bares, restaurantes e boates estão organizando eventos para acompanhar a transmissão da cerimônia, na noite deste domingo (15).

A convocação à “torcida organizada” se repete em diversas outras cidades do país. No ano passado, com “Ainda estou aqui” em campo, não foi diferente – a vitória do longa de Walter Salles como Melhor Filme Internacional, conquistando a primeira estatueta do país, foi comemorada como um gol decisivo.

Kleber Mendonça Filho diz que campanha de 'O agente secreto' ao Oscar 'nunca pareceu eleição'

Há um consenso, em espaços de reflexão sobre fenômenos sociais contemporâneos, como a academia, de que as razões que justificam o frisson em torno da presença brasileira no Oscar extrapolam os filmes em si.

Rosto do ator Wagner Moura, no filme O agente secreto, está no centro da Bandeira do Brasil levada por foliões do bloco Pitombeira, no carnaval do Recife

Professor da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da UFMG, Verlaine Freitas destaca o aspecto da identidade nacional, ou seja, o desejo socialmente compartilhado de que um representante cultural brasileiro seja mundialmente reconhecido.

“Por esse lado, parece-me que virtualmente qualquer filme, seja com conteúdo político, como estes dois brasileiros recentes, ou algum outro, despertaria o mesmo entusiasmo na corrida para o Oscar”, diz. Ele pondera, contudo, que tanto no caso de “O agente secreto” quanto no de “Ainda estou aqui”, o ingrediente político é determinante, já que ambos denunciam o autoritarismo da época da ditadura militar brasileira.

Verlaine Freitas observa que, junto com a premiação do filme como produto cultural, como obra de arte, há também o reconhecimento do valor da mensagem política de luta contra as injustiças, a destruição da democracia ou o atentado aos direitos humanos.

“Se isso procede, é de se supor que essa torcida por 'O agente secreto' no Oscar se dê muito mais entre pessoas identificadas com a esquerda do que com a direita política”, pontua.

Também professor do Departamento de Filosofia da Fafich, Helton Adverse endossa a avaliação de Freitas. Segundo ele, além da apreciação estética, há fatores políticos, sociológicos, antropológicos e até psicológicos determinantes da modo como a presença de “O agente secreto” no Oscar é percebida.

“Esse clima de Copa do Mundo, de torcida, tem a ver com o fato de a sociedade estar fortemente politizada e, portanto, forçosamente marcada pela divisão, isso a que se tem chamado de polarização, e que se reflete sobre todo o corpo social”, diz.


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COLETIVO QUILOMBOLAS LANÇA DOCUMENTÁRIO E PEDE PROTEÇÃO

 Ter quer deixar a própria casa, não dormir em paz, temer pela própria segurança e da comunidade. No documentário “Cafuné”, lançado nessa quinta-feira (12) pelo coletivo de mulheres da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq), relatos evidenciam a urgência de uma política de proteção eficaz a defensoras dos direitos humanos que vivem em comunidades tradicionais em todo o país. 

Realizado por iniciativa da entidade, o filme foi dirigido por Gabriela Barreto, Maryellen Crisóstomo e Nathália Purificação e faz parte de um projeto mais amplo (de mesmo nome) das representantes quilombolas a ser entregue ao governo federal. A iniciativa integra estratégia de sensibilização do poder público, incluindo também o Congresso Nacional. 

O nome "Cafuné" para o projeto (e para o filme) refere-se à tentativa de proporcional algum tipo de aconchego às mulheres que vivem permanentemente em risco, ameaçadas por conflitos agrários e pelas vulnerabilidades com a deficiência de políticas públicas.

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ALCEU VALENÇA COMEMORA 80 ANOS

As oito décadas de vida do cantor e compositor Alceu Valença vão ser comemoradas com a turnê 80 Girassóis, que estreia no próximo sábado (14), no Rio de Janeiro. Em seguida, o emblemático representante da música pernambucana seguirá para São Paulo, Salvador, Florianópolis, Curitiba, Brasília, Recife, Fortaleza, Belém e Belo Horizonte, com patrocínio master do Banco do Brasil. 

Os shows estão programados para ocorrer até junho, e Alceu completará os 80 anos em 1º de julho.

“Esta turnê vai ser uma maravilha. Está sendo muito bem projetada pela minha esposa, Yanê [Montenegro], e Júlio Moura. A gente tem sócios em vários estados para fazer esta turnê”, disse Alceu em entrevista à Agência Brasil. 

O show deste fim de semana será na Farmasi Arena, na Zona Sudoeste da capital fluminense. Com Alceu, estarão no palco os músicos Tovinho (teclados e direção musical), Cássio Cunha (bateria), Zi Ferreira (guitarra), Nando Barreto (baixo), André Julião (sanfona), Costinha (flautas) e participação ainda de Lui Coimbra (violas e violoncelo) e Natalia Mitre (percussão). 

Alceu contou que a temporada é resultado de seis meses de ensaios, tudo gravado em áudio e vídeo, e destacou as projeções que vão ser exibidas durante as apresentações. 

“Esse show tem umas projeções incríveis feitas por Rafael Todeschini. A Yanê participa também. Projeções simplesmente maravilhosas, e, dentro desse acervo meu, até minha mãe e meu pai vão aparecer”.

A todos que o perguntam sobre a ação do tempo em sua vida desde quando era menino, em São Bento do Una, Alceu conta que vive no presente, passado e futuro, em uma Embolada do Tempo, que é o título de uma das suas músicas. Durante a entrevista, ele declama parte da letra. 

“O tempo em si/ Não tem fim/ Não tem começo/ Mesmo pensado ao avesso/ Não se pode mensurar”.

E continua: "Buraco negro/ A existência do nada/ Noves fora, nada, nada/ Por isso nos causa medo". "Tempo é segredo/ Senhor de rugas e marcas/ E das horas abstratas/Quando paro pra pensar". "Você quer parar o tempo/ E o tempo não tem parada".

A turnê não se restringe aos shows. Algumas das cidades por onde ela passar também receberão exposições de artes plásticas e sessões de filmes. Alceu destacou que é cineasta e já fez participações como ator em diversas produções. 

“Fiz o papel principal no filme de Sérgio Ricardo [também cantor e compositor] A Noite do Espantalho. Depois, fiz um filme chamado A Luneta do Tempo”, contou.

O cantor acrescentou que tem um acervo grande de filmes realizados em diversos países como França, Alemanha, Suíça, Portugal, Espanha, Estados Unidos e Brasil. 

“Eu sempre gostei da arte de cinema e levava câmeras comigo. Tenho muita coisa. São outras partes do meu trabalho. Não é só a música. É a trajetória”. 

Seleção das músicas - A escolha das músicas, segundo Alceu, seguiu um método que ele próprio definiu: encadeá-las conforme os temas de cada uma.

“É uma narrativa poética. Por exemplo, Martelo Agalopado, que é uma música que advém do cantador, faz parte da cultura do sertão profundo, onde nasci, em São Bento do Una. Logo depois, vem o repertório de Luiz Gonzaga, porque ele faz parte disso e se completa. Outra, é de quando eu era criança e gostava de correr de Cavalo de Pau [nome de uma das músicas ]”, descreveu. 

O lado folião não podia faltar e está representado, tanto na presença que costuma ter em Olinda como em shows de trios elétricos no período da folia. Em São Paulo, há mais de dez anos, e no Recife, em um período mais recente, ele comanda o bloco Bicho Maluco Beleza, arrastando 1 milhão de pessoas. 

Também estará na turnê o "Alceu caminhador", o cara que vive aqui e lá. “Coração Bobo eu compus em Paris, quando morei lá, com saudade muito grande de Jackson do Pandeiro e Geraldo Azevedo. Tem uma outra que compus falando sobre ruas, Pelas ruas que andei, e falo das ruas do Recife. Tem uma com lembranças de Nova York, que compus aqui, no Rio de Janeiro”, relatou.

Anunciação-O processo para compor as suas obras é diverso e, na música Anunciação, ele o classifica como um surto criativo. Alceu revelou que, andando em Olinda, criou uma música na flauta com que estava aprendendo a tocar. Quando entrava em casa, uma moça elogiou o que tinha ouvido.

"'Alceu que música bonita que você estava tocando? Que coisa mais linda’. 'Você achou?' Perguntei. A música ia se perder se ela não tivesse falado”, afirmou.

Ao chegar na cozinha, Alceu pegou um papel de pão e começou a fazer a letra, escrita a lápis, de Anunciação. 

O artista contou que existem diversas postagens nas redes sociais de pessoas que relatam a ligação dessa música com o nascimento de crianças.

“Olha o que eu encontro! Se você sair comigo por aí, todo dia é a mesma coisa. Mulheres dizendo que tinham dificuldades, e o filho nasceu [ao som da música], outras que não tinham. Tem quem diz que fez o parto ouvindo a música e crianças pequenas que dizem que ouviam desde que estavam no bucho [barriga da mãe]. Tô brincando”, disse sorrindo. 

Alceu comemora os números de acessos das suas músicas na plataforma de streaming de áudio Spotify, na qual Anunciação alcançou 200 milhões. Já no YouTube, Belle de Jour conta com mais de 300 milhões. 

A inspiração é uma marca de projetos que Alceu participou ao longo da vida. Mesclando o clássico com o popular, sua jornada tem concertos com orquestras do Brasil e do exterior. 

“Eu advenho da cultura do sertão pernambucano profundo. Lá, eu ouvia aboios, toadas de vaqueiros”, recordou. 

Essa trajetória quase seguiu outro caminho: Alceu quis ser advogado e fazer concurso para promotor. Chegou a se formar, mas não seguiu na carreira, confirmando uma frase que lembra ter ouvido da mãe, que dizia que ele veio ao mundo para levar alegria às pessoas.

“Coisa boa que se confirmou, porque se não tivesse se confirmado, seria chato para ela e para mim”. 

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TOADA ASA BRANCA COMPLETA 79 ANOS DA PRIMEIRA GRAVAÇÃO

A letra da música Asa Branca completa nesta terça-feira (3) 79 anos da gravação na voz de Luiz Gonzaga. No dia 3 de março de 1947 Luiz Gonzaga gravava pela primeira vez nos estúdios da RCA, no Rio de Janeiro, a canção que ficaria imortalizada como hino dos nordestinos. Uma composição dele com então advogado, nascido em Iguatu, Ceará,  Humberto Teixeira continua no imaginário do povo brasileiro.

A gravação foi acompanhada pelo grupo de Regional do Canhoto. Ao fim do trabalho, Canhoto, líder do grupo, olha para Luiz Gonzaga e diz que a "letra era música para cego pedir esmolas". A história conta que o músico saiu dos estúdios e zomba com um chapéu pedindo esmolas ao som da canção. Mal sabia Canhoto que Asa Branca iria ser um nos maiores sucessos da música brasileira.

A letra Asa Branca, de Humberto Teixeira, recebeu até elogios e uma reflexão do escritor José Lins do Rego: é um dos mais belos versos da literatura brasileira.

O professor e historiador Armando Andrade diz que a identidade do cantor se confunde com a letra de Asa Branca. É nela que se misturam o homem, a música e seu povo. "A partir de Asa Branca o Brasil viu o drama através da voz do próprio nordestino. É dessas coisas que a poesia e a literatura conseguem fazer, transportar através da linguagem as pessoas a vivenciar a dor do outro" diz.

Outra característica marcante de Asa Branca é a saudade do amor perdido com o exílio forçado devido a seca. Se os clássicos traziam as guerras como o motivo da partida do homem e a promessa de volta para o grande amor, em Asa Branca, é a seca que expulsa o homem e a ave, numa metáfora que se estende à condição humana.

"Talvez aí resida a universalidade e aceitação pelo grande público, além de retratar a real condição das famílias nordestinas. A promessa da volta do homem para seu grande amor está presente desde a literatura grega, como a Odisséia. É um tema universal com que todos se identificam", diz Armando Andrade.

A força de Asa Branca pôde ser vista em 2009, quando a Revista Rolling Stone Brasil, publicou uma lista com as 100 maiores músicas da história do país. Um honroso 4º lugar, ficando atrás de clássicos como Carinhoso, Águas de Março e Construção. 

O tempo passou e Asa Branca segue inspirando artistas de outras gerações. Anderson do Pife, que mora em Caruaru, no Agreste de Pernambuco, diz que enquanto estudante de música, acredita que a letra é parte de um método brasileiro de ensino de música popular. "Essa melodia composta por conjuntos e de fácil execução, traduz o início de uma trajetória musical para quase todos os que iniciam seus estudos com ou sem ajuda de profissionais da área", diz.

Ele disse ainda que a música retrata poesia, cotidiano, paisagem e todo o referencial histórico do Nordeste. "Eis o hino do Nordeste e a primeira música que aprendi a tocar. Essa é a força que representa a Asa Branca em minha vida", finaliza.

O professor doutor em Ciência da Literatura, Aderaldo Luciano, ressalta que o  "Nordeste continua existindo caso Luiz Gonzaga. Tem a mesma paisagem, os mesmos problemas, comporta os mesmos cenários de pedras e areias, plantas e rios, mares e florestas, caatingas e sertões".

De acordo com o pesquisador mais que ninguém, Luiz Gonzaga brindo com uma moldura indelével, uma corrente sonora diferente, recheada de suspiros, ritmos coronários, estalidos metálicos. 

"Luiz Gonzaga plantou a sanfona entre nós, estampou a zabumba em nossos corpos, trancafiou-nos dentro de um triângulo e imortalizou-nos no registro de sua voz. Dentro do seu matulão convivemos, bichos e coisas, aves e paisagens. Pela manhã, do seu chapéu, saltaram galos anunciando o dia, sabiás acalentando as horas, acauãs premeditando as tristezas, assuns-pretos assobiando as dores, vens-vens prenunciando amores. O seu peito abrigava o canto dolente e retotono dos vaqueiros mortos e a pabulagem dos boiadeiros vivos. As ladainhas e os benditos aninhavam-se por ali, buscando eternidade", finalizou Aderaldo.

Redação redeGN Fotos Arquivo Ney Vital

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ANA DAS CARRANCAS, A DAMA DO BARRO VOLTA A GANHAR DESTAQUE COM LANÇAMENTO DE LIVRO

A obra e a trajetória da Dama do Barro, Ana das Carrancas, voltam a ganhar destaque no livro “Curadoria, memória e contemporaneidade: reflexões sobre a exposição Os Olhos Cegos do Rio”, de autoria de André Vitor Brandão. A publicação será lançada também nas versões em audiobook e e-book no dia 3 de março, às 19h, no Museu Ana das Carrancas. Na oportunidade, também será lançado o documentário “Ser mulher, ser Negra, Ser Nordestina”, de Raquel Marques, neta da artista.

“O livro propõe uma investigação sensível e crítica sobre a produção artística de Ana das Carrancas, articulando sua trajetória criativa às dimensões simbólicas do território, da memória e da cultura ribeirinha”, explica o autor.

A obra, fruto da graduação do autor em Licenciatura em Artes Visuais, apresenta uma análise dos processos que envolveram a construção da exposição, desde a concepção curatorial até as estratégias educativas e as escolhas expográficas, evidenciando os diálogos entre tradição e contemporaneidade.

Ao longo do livro, Brandão estimula o debate sobre as práticas curatoriais no contexto nordestino e reafirma a potência da arte como campo de resistência, identidade e reinvenção cultural.

A publicação conta com o incentivo do Funcultura. O lançamento da obra em suas três versões conta acontece com o incentivo da Lei Paulo Gustavo do município de Petrolina. O projeto tem a realização da Qualquer um dos 2 Produções Artísticas, apoio do Sesc Petrolina e do Museu Ana Das Carrancas. O evento terá tradução simultânea em Libras, a Língua Brasileira de Sinais

O Autor -  André Vitor Brandão é doutorando em Formação de Professores e Práticas Interdisciplinares (UPE), mestre em Educação, Cultura e Territórios Semiáridos (UNEB), especialista em Dança Educacional e Artes Cênicas (CENSUPEG) e licenciado em Artes Visuais (Univasf). Investiga como a arte produzida no Vale do São Francisco desenvolve metodologias decoloniais que tensionam e rompem com imposições e opressões históricas sobre o território. Suas pesquisas atravessam ecologias, cosmologias, resistências, estéticas e memórias da região. Atua nas áreas de dança, artes visuais, gestão cultural e curadorias contemporâneas.

Serviço: Data: 3 de março

Horário 19h

Local: Museu Ana das Carrancas (R. Martiniano Cândido Silva – Cohab Massangano)


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SEGUNDO GRITO SALVE A CHAPADA ACONTECE NO CRATO, SÁBADO (28)

 É ali no caminho de Luiz Gonzaga, no rumo da descida de Exu, Pernambuco para o Crato, Ceará que o Movimento Salve a Chapada do Araripe dará o segundo grito do ano, no sábado (28). O fole vai roncar em nome da causa mais urgente. É grito agora ou deserto logo mais. O evento acontece às 8h na Praça Siqueira Campos, Crato – CE

O jornalista Xico Sá alerta que Uma das áreas de proteção ambiental mais devastadas do país, a região da Chapada do Araripe vive mais uma nova ameaça — nem tão nova assim — de grupos pesados do agronegócio. Com latifúndios prontinhos para o cultivo da soja, a “caixa d´água do sertão”, como é definida a chapada, corre perigo.

"Oásis de umidade que junta as terras do Ceará, Pernambuco e Piauí, o fim da mata seria um desastre para o Nordeste. Quase uma atualíssima Guerra dos Bárbaros (1683–1713), aquela que dizimou os Kariris e outros povos indígenas das nossas bandas. Um dos lugares mais importantes do Nordeste, a Chapada do Araripe, que abrange os territórios de Ceará, Pernambuco e Piauí, está sob ameaça. O agronegócio predador está devastando um local tido como “oásis” no meio do sertão", diz Xico Sá.

Segundo o Relatório Anual de Desmatamento (RAD 2024) do MapBiomas, a  Área de Proteção Ambiental (APA) da Chapada do Araripe registrou 5.965 hectares desmatados, se tornando a terceira unidade de conservação mais desmatada do país, em 2024. 

Os dados do ano passado (2025) ainda não foram contabilizados, mas matérias na imprensa já indicam aquisição de aproximadamente 30 mil hectares para o agronegócio, podendo chegar a 100 mil. E tudo isso com apoio do Governo do Estado e dos seus órgãos de fiscalização. 

"A quem interessa esse “desenvolvimento”? Interessa ao povo do Cariri? De onde virá a água? Quais serão os impactos causados pelo despejo indiscriminado de agrotóxicos? A gente se une nesse chamado pela defesa deste patrimônio do Brasil. Vamos salvar a Chapada do Araripe", conclama os movimentos sociais!

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BIOMA CAATINGA: AÇÃO CIVIL PÚBLICA SOLICITA QUE TODAS AS LICENÇAS AMBIENTAIS SEJAM CONDICIONADAS AO ICMBio

 O Ministério Público Federal (MPF) ajuizou uma Ação Civil Pública (ACP) com pedido de urgência para que todas as licenças ambientais concedidas na Área de Proteção Ambiental (APA) da Chapada do Araripe sejam condicionadas à análise prévia e à manifestação técnica obrigatória do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

Na ação, o MPF sustenta que a medida é necessária diante do avanço considerado crítico do desmatamento na região. Segundo o órgão, o atual modelo de licenciamento tem ocorrido de forma fragmentada, com municípios e o Estado analisando empreendimentos apenas dentro de seus limites territoriais, sem considerar os impactos cumulativos sobre o ecossistema da Chapada, que é ambientalmente indivisível.

De acordo com o documento apresentado à Justiça Federal, a ausência de uma avaliação integrada compromete os objetivos de preservação da unidade de conservação. O MPF aponta ainda que muitos municípios enfrentam limitações estruturais e técnicas, recorrendo a mecanismos autodeclaratórios sem fiscalização efetiva.

“Esse cenário é potencializado pela falta de estrutura e pela incapacidade técnica da maioria dos municípios, que utilizam de forma indiscriminada mecanismos auto declaratórios sem qualquer fiscalização efetiva”, destaca o MPF na ação.

Licença só com anuência do ICMBio-Entre os principais pedidos formulados pelo Ministério Público está a obrigatoriedade de que o ente local — seja município ou Estado — só emita licença ambiental mediante anuência expressa e favorável do ICMBio. Caso o parecer técnico do órgão federal seja contrário, o licenciamento deverá ser obrigatoriamente indeferido.

Pela proposta, caberá ao ICMBio emitir parecer técnico avaliando a compatibilidade do empreendimento com:

 A integridade ecológica da unidade de conservação;

 Os objetivos que fundamentaram sua criação;

 As diretrizes estabelecidas no Plano de Manejo da APA.

A ação está sob análise da Justiça Federal.

Patrimônio estratégico do Nordeste

A Chapada do Araripe é considerada estratégica para o Nordeste brasileiro. Além de seu reconhecido patrimônio geológico e paleontológico, a área desempenha papel fundamental no equilíbrio climático e no ciclo hidrológico da região.

A APA abrange territórios dos estados do Ceará, Pernambuco e Piauí, reunindo uma das maiores riquezas fossilíferas do país e importante biodiversidade da Caatinga.


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O JORNALISMO QUE IGNORA OU DISTORCE FATOS É TUDO, MENOS JORNALISMO, DIZ RICARDO NOBLAT

Há quase 60 anos no batente, aprendi que o editorial expressa a posição oficial de um veículo de comunicação sobre temas relevantes e atuais, sem assinatura individual.

Caracteriza-se por argumentação consistente, linguagem formal e impessoal, servindo para influenciar o público e definir a linha editorial da instituição. A página dos editoriais abria espaço para artigos de opinião assinados por nomes de peso nas letras e no espectro político, desde que não radicalmente discrepantes das do jornal.

Aos poucos, no embalo das idas e vindas da democracia, a página dos editoriais passou a abrigar artigos que contradiziam em muitos aspectos a opinião do próprio jornal. Foi um avanço.

Aprendi com o tempo que não era, e que não é bem assim. A opinião do dono do veículo se impõe também na hora de se escolher o que se publica, e no destaque que se dá aos fatos.

A grande mídia, por exemplo, não gosta de Lula, jamais gostou ou gostará faça ele o que for. Mas gosta de Tarcísio de Freitas e não disfarça sua irritação por vê-lo fora da sucessão presidencial.

Então, protege Tarcísio na medida do possível, e hostiliza Lula com assiduidade.

Leio em títulos: “Desfile sobre Lula abre brecha para condenação por ilícito eleitoral, dizem especialistas”. Ao ler a notícia, vejo que os ditos especialistas se dividem quanto ao assunto.

Como os leitores, cada vez mais, se limitam a ler títulos, e nas redes sociais só se interessam por vídeos curtos, o que está no título vira verdade. Desenforma-se a pretexto de informar.

A chacina de 122 pessoas no Complexo do Alemão, no Rio, foi tratada pela mídia como uma “megaoperação” policial contra o crime organizado, e não como chacina ou massacre, o que é crime.

Por que foi assim? Para não se indispor com a opinião pública que apoiou a matança por achar que bandido bom é bandido morto? Ou por que compartilha da mesma opinião?

Antigamente, os jornalistas detestavam a interferência dos leitores no seu ofício, um erro. Hoje, a valorizam em excesso. Querem likes. Renderam-se à ditadura dos algoritmos. É mais cômodo.

O Hamas, que governou Gaza e invadiu Israel, é chamado de grupo terrorista pela grande mídia. Mas o revide desproporcional de Israel nunca foi chamado de terrorismo de Estado, o que é.

Lula taxou de genocídio a morte em Gaza de mais de 70 mil palestinos, a maioria mulheres e crianças. Israel segue os matando por lá. Por aqui, o mundo desabou sobre a cabeça de Lula.

Se aqui o jornalismo não vive ameaçado por Lula, nos Estados Unidos, sob o comando de Donald Trump, ocorre justamente o oposto. No berço da democracia, ele está sendo sufocado.

Não foi por encomenda, não há provas, que a escola Acadêmico de Niterói exaltou Lula na avenida. Por mais que se busque provas com lupa, nenhuma foi encontrada de que Lula violou as leis.

Mas deseja-se condená-lo a qualquer preço para enfraquecê-lo e – quem sabe? – derrotá-lo nas próximas eleições.

Qualquer um de nós é livre, e deve ser, para ter sua opinião. Eu tenho as minhas e as exponho às críticas. Mas o jornalismo que ignora fatos ou que os distorce não é jornalismo digno desse nome.

É outra coisa. Um negócio como outro qualquer.


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EVENTOS DA CULTURA ESTÃO SENDO ENGOLIDOS PELA CULTURA DE EVENTO, DIZ PESQUISADOR

O historiador e escritor Luiz Antonio Simas nasceu, literalmente, em um terreiro. Neto de uma ialorixá alagoana que se mudou para o Rio de Janeiro, onde abriu um terreiro, o autor de Samba de enredo — História e arte, escrito em parceria com Alberto Mussa, e O corpo encantado das ruas e Maracanã — Quando a cidade era terreiro, Simas gosta de falar em religiões de matriz europeia para se referir ao cristianismo e diz que a fé é um problema do Ocidente, que a inventou.

 "Fui a clássica criança de terreiro. O que você experiencia como criança se naturaliza na sua vida. E um elemento básico da minha vida, da minha formação, da minha realidade foi esse: cresci sendo civilizado pelas culturas de terreiro, a ponto de costumar dizer uma pequena provocação: a fé foi um problema existencial e filosófico que o Ocidente colocou e vocês que se virem com ela."

Pensador e historiador da música, em especial o samba, e das manifestações culturais brasileiras, com olhar afetuoso para o carnaval, Simas acredita que a folia é um momento de vivência da experiência humana coletiva, mas passou por mudanças nos últimos anos que reconfiguraram alguns de seus aspectos. No Sambódromo, por exemplo, há excesso de empreendedorismo e falta de povo. Nas ruas, o movimento cresceu com bloquinhos e cordões, mas o folião já não quer mais se esconder atrás da fantasia, como antigamente, e necessita ser visto e identificado.

 "O carnaval é um evento da cultura, tem uma organicidade que é muito importante. Uma escola, um bloco, não existem porque desfilam, eles desfilam porque existem. Isso faz uma diferença enorme. Só que estamos vivendo uma fase em que os eventos da cultura estão sendo engolidos pela cultura do evento", diz o pesquisador, que é um dos autores do samba-enredo Lonã Ifá Lukumi (ou enredo sobre o oráculo Ifá), que embalou o desfile do carnaval de 2026 da escola Paraíso do Tuiuti.

Para Simas, os sambas-enredo devem ser analisados como documentos históricos e estão profundamente ligados às conjunturas brasileiras da época em que foram criados. Ele diz, por exemplo, que o início do século 21 foi de abundância de dinheiro para as escolas de samba. O país passava por momento de prosperidade econômica e grandes corporações investiram em patrocínios que renderam até sambas-enredo, caso da Varig e da Tam Linhas Aéreas, ambas temas dos sambas da Beija-Flor e do Salgueiro no carnaval de 2002.

 "Uma disputa pelo mercado de propagandas da aviação civil. Isso cria uma situação paradoxal: ao mesmo tempo que o dinheiro estava jorrando, a qualidade dos enredos caía, e isso repercute na qualidade do samba- enredo, que é feito sob encomenda", diz Simas. 

A crise que veio entre 2015 e 2017 teve o efeito oposto: a situação financeira das escolas piorou, mas a qualidade dos sambas melhorou.

 "O Brasil mergulhou numa crise política e econômica, a crise das commodities, o processo de impeachment da Dilma, depois Temer e Bolsonaro, o Rio teve um prefeito, Marcelo Crivella, de designação religiosa que demoniza explicitamente o carnaval, ele se vangloriava de ter sido exorcista na África. Imagina! Paradoxalmente, isso melhorou a qualidade dos enredos, porque as escolas passaram a apostar em enredos com densidade cultural maior, e isso repercute na melhoria dos  sambas", explica.

Em entrevista, Luiz Antonio Simas reflete sobre o carnaval de hoje, as contradições entre a festa e as denominações religiosas que a condenam e a importância das manifestações populares para a cultura brasileira. 

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BEATRO JOSÉ LOURENÇO COMPLETARIA NESTA QUINTA-FEIRA 80 ANOS DE NASCIMENTO

 Em celebração aos 80 anos de morte do Beato José Lourenço, o Centro Cultural Daniel Walker recebe, no dia 12 de fevereiro, às 14h, a palestra "Os últimos dias do Beato José Lourenço", que propõe uma reflexão histórica sobre a trajetória de uma das figuras mais emblemáticas da religiosidade e da resistência social no Cariri. O evento é realizado pela Prefeitura de Juazeiro do Norte, Ceará, por meio da Secretaria Municipal de Cultura, com o apoio do Instituto Cultural do Vale Caririense e do Cariri das Antigas.

O encontro contará com a participação dos palestrantes Bibi Saraiva, historiador de Exu (Pernambuco); Mazé Sales, pesquisador e descendente de remanescentes do Caldeirão; e Antônio Santos, pesquisador. Após a palestra, os participantes serão convidados a participar de uma missa em sufrágio da alma do Beato José Lourenço, na Capela do Socorro, seguida de visita ao túmulo.

Nascido em Pilões, Paraíba, José Lourenço foi líder da comunidade do Caldeirão da Santa Cruz do Deserto, experiência comunitária desmantelada pelo Governo do Estado do Ceará em 1936. Em maio de 1937, o acampamento de remanescentes foi atacado pela polícia, em uma ação que resultou em um número estimado de 200 a 1.000 mortos, episódio marcado como um dos mais violentos da história social do Nordeste. A atuação do Beato José Lourenço foi pautada e incentivada pelo Padre Cícero. Ao falecer, em 1946, manifestou o desejo de ser sepultado em Juazeiro do Norte, desejo que foi atendido.

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Fotógrafo brasileiro vence prêmio internacional com ensaio sobre água e identidade

 O fotojornalismo brasileiro obteve reconhecimento internacional no concurso de histórias fotográficas “Walk of Water”, realizado pela organização OneWater junto à UNESCO. João Alberes, de 23 anos, faturou o Prêmio Regional América Latina e Caribe na categoria Juventude. A iniciativa internacional busca promover reflexões quanto aos significados da água através de imagens.

A conquista reconhece a série fotográfica “Onde a Água Mora”. O trabalho foi desenvolvido no município de Feira Nova, cidade natal de João. Situada no agreste Pernambuco, a cerca de 77 quilômetros de Recife, as imagens trazem um olhar sensível e profundo sobre a relação entre água, território e identidade no interior do nordeste brasileiro. Os trabalhos premiados passam a integrar exposições internacionais em espaços como a Conferência da ONU, em Nova Iorque, e o Quartel-General da UNESCO, em Paris.

Imagens como a do pescador José Firmino, que navega em seu pequeno barco em reservatório artificial de água, destaca histórias de um cotidiano marcado pelos desafios de acesso à água, o que termina por revelar narrativas de resiliência e pertencimento.

O ensaio traz à tona como a água é capaz de moldar modos de vida, práticas culturais e mesmo a permanência de comunidades em seus territórios. O fotógrafo conta que o título do trabalho nasceu da relação íntima entre território, vida e sobrevivência, e explica que a série integra uma pesquisa autoral mais ampla. “Ao ver a convocatória do concurso, decidi submeter a imagem de Seu Zemir, que mora literalmente à beira da barragem e tira da pesca o seu sustento. Fiquei muito surpreso e emocionado com esse prêmio. Feliz demais”, conta Alberes.

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DIA DO FREVO

 Dia do Frevo, 09 de fevereiro. Confira texto do músico Antonio Nobrega:

Comemora-se o dia do frevo. O frevo foi elevado à condição de patrimônio imaterial da humanidade. Como se vê, o frevo está em alta. Mas frevo para quê? Por que frevo?

Foi o escritor Ariano Suassuna quem, indiretamente, apresentou-me a ele. Com seu convite para integrar o Quinteto Armorial, dei início a uma viagem de aprendizado dos cantos, danças e modos de representar presentes em manifestações populares como o reisado, o maracatu, o caboclinho e sobretudo o frevo.

Com o passar dos anos, esses aprendizados foram se conectando a estudos e reflexões sobre a cultura brasileira em geral e a popular em particular. Esse casamento entre conhecimento empírico e teórico foi conduzindo-me à constatação de que vivemos num país que reluta em aceitar-se integralmente.

Que outra razão para tal desperdício de insumos culturais tão vastos e de tão imensa riqueza simbólica como o nosso reservatório de ritmos presente em batuques, cortejos e folguedos; de formas e gêneros poéticos –quadrões, décimas, galope à beira-mar; de passos e sincopados armazenados no nosso imaginário corporal popular?

E o que temos feito com tudo isso? Empurrado para o gueto da chamada cultura folclórica, regional ou popular, falsamente antagonizante daquela que se convencionou denominar de cultura erudita. Há mais de cem anos que a "entidade" frevo vem despejando no país, especialmente em Recife, volumoso material simbólico.

Esse "material" foi se formando dentro daquilo que venho denominando de uma linha de tempo cultural popular brasileira. Essa "entidade" frevo materializou-se por meio de um gênero de música instrumental, o frevo-de-rua, orgânica forma musical onde palhetas e metais dialogam continuamente, ancorados pela regular marcação do surdo e a sacudida movimentação da caixa; uma dança, o passo do frevo, imenso oceano de impulsos gestuais e procedimentos coreográficos; e dois gêneros de música cantada: o frevo-canção e o frevo-de-bloco, cada um com características particulares tanto de natureza poético-literária quanto musical. Um valioso armazém de representações simbólicas.

Mais do que preservar o frevo, nossa tarefa está em amplificar, dinamizar, trazer para a órbita de nossa cultura contemporânea os valores, procedimentos e conteúdos presentes nessa "instituição" cultural.

Essa ação amplificadora poderia abranger escolarização musical – por que não se estuda frevos em nossas escolas de música?–; a prática da dança – a riqueza lúdica e criadora proporcionada pelo seu multifacetário estoque de movimentos–; a valorização de modelos de construção e integração social advindos do mundo-frevo. Tudo isso ajudaria ao Brasil entender-se melhor consigo mesmo e com o mundo em que vivemos.

O frevo é uma das representações simbólicas mais bem-acabadas e representativas que o povo brasileiro construiu. Assim como o samba, o choro, o baião, uma entidade transregional cuja imaterialidade poderemos transmudar em matéria viva operante se tivermos a suficiente compreensão do seu significado e alcance sociocultural.

Antonio Nobrega-músico, brincante da música brasileira, da dança, do teatro e do 'universo do circo, da criança e da cultura popular

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UFRGS ADOTA MANUAL COM ORIENTAÇÕES PARA COMUNICAÇÃO ANTIRRACISTA

A Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) anunciou a ampliação da política interna de equidade racial. A instituição seguirá as diretrizes de comunicação presentes no Manual de Boas Práticas Antirracistas na Comunicação Digital, elaborado pela Rede Jornalistas Pretos em conjunto com o Instituto Peregum.

O documento reúne orientações para combater estereótipos, desinformação e discursos discriminatórios no ambiente digital. Segundo a UFRGS, a iniciativa busca ampliar a presença, o protagonismo e a voz da população negra nos meios de comunicação da universidade.

O processo envolveu jornalistas e estudantes de Jornalismo negros do Rio Grande do Sul e contou com apoio do Sindicato de Jornalistas Profissionais do estado (SindJoRS), da Associação Rio-Grandense de Imprensa (ARI) e do curso de Jornalismo da Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação (Fabico/UFRGS).

Entre os princípios adotados pela universidade estão:

a seleção de bancos de imagens que não reforcem visões eurocentradas;

a consulta a coletivos e especialistas para qualificar abordagens;

a garantia de protagonismo às pessoas negras;

o respeito à autoidentificação racial, de gênero e etnia.

As diretrizes também orientam a evitar estereótipos, sobretudo em coberturas policiais, o uso responsável e contextualizado de imagens sensíveis, a análise crítica do que é visibilizado ou invisibilizado nas fotografias, e a promoção de diversidade real nas representações.

Outro ponto central é a ampliação do banco de fontes sugeridas para entrevistas, com a inclusão de especialistas negros, indígenas e de outros grupos minorizados. O objetivo é evitar a repetição sistemática de referências exclusivamente brancas.


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JOAO SERENO HOMENAGEIA LENDAS DA TERRA DA ALEGRIA-JUAZEIRO BAHIA

Juazeiro, no norte da Bahia, acaba de presentear o Brasil com mais uma novidade musical. O SomGon, ritmo criado pelo músico João Sereno, fez sua estreia no Carnaval antecipado da cidade e já desponta como forte candidato a embalar os próximos festejos pelo país.

Com uma batida de matriz ternária — dançante, envolvente e impossível de ignorar —, o SomGon chega para somar à rica tradição musical de uma terra que já deu ao mundo nomes como João Gilberto, pai da Bossa Nova, e Ivete Sangalo, rainha do axé.

E foi justamente para celebrar essa herança que João Sereno construiu o lançamento do novo ritmo em forma de tributo. Durante a apresentação, o artista prestou homenagens a figuras que moldaram a identidade cultural juazeirense: a dupla Neto e Mundinho, o composito Galvão, o cantor e comporitor Mauriçola, o sanfoneiro Raimundinho do Acordeon, o compositor irreverente Manuka Almeida e Targino Gondim — músico consagrado que atualmente ocupa a Secretaria de Cultura do município.

Uma cidade que exporta alegria

Não é por acaso que Juazeiro carrega o título de "Terra da Alegria". Às margens do Rio São Francisco, o município sempre foi celeiro de artistas que levaram o nome da Bahia para além das fronteiras. Agora, com o SomGon, João Sereno reafirma essa vocação e propõe um som que dialoga com o passado, mas olha para o futuro.

"O ritmo já nasce com identidade própria, mas carrega no DNA tudo o que a gente aprendeu ouvindo os mestres daqui", resume o cenário quem acompanhou de perto a recepção calorosa do público durante o Carnaval.

O que esperar

Com potencial para trilhas de festa, mas também para composições mais elaboradas, o SomGon se apresenta como gênero versátil. A expectativa é que novos artistas abracem a proposta e ajudem a expandir o repertório do ritmo nos próximos meses.

Juazeiro, mais uma vez, mostra que sua música não conhece fronteiras.


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MUITO ALÉM DA FOLIA: DESCUBRA JUAZEIRO, O DESTINO QUE ENCANTA NO CARNAVAL

Juazeiro é muito mais do que palco de um dos carnavais mais vibrantes do interior da Bahia. Localizada às margens do Rio São Francisco, a cidade recebe quem chega com sol o ano inteiro, paisagens encantadoras e um povo acolhedor, que transforma cada visita em uma experiência inesquecível. Durante o Carnaval, essa energia se multiplica, misturando festa, cultura, sabores e natureza em um só destino.

Entre um trio elétrico e outro, Juazeiro convida o visitante a desacelerar e explorar sua rica história, marcada por personagens importantes da música e da cultura brasileira, além de espaços que preservam a memória e a identidade do Vale do São Francisco. Museus, centros culturais, mercados tradicionais e monumentos à beira-rio ajudam a contar a trajetória da cidade e fortalecem o sentimento de pertencimento de quem passa por aqui.

Para completar, o lazer se espalha por ilhas, orlas, praças e parques, com opções que vão do descanso à aventura. Gastronomia diversa, passeios fluviais, esportes aquáticos, enoturismo e experiências no campo fazem de Juazeiro um destino completo, perfeito para quem vem pelo Carnaval e acaba ficando pelo encanto do Velho Chico.

HISTÓRIA E CULTURA

Paço Municipal de Juazeiro – Seculte (Centro)

Memorial Casa da Bossa Nova (Centro)

Estátua de João Gilberto (Orla II)

Estátua do Nego D'água (Angari)

Vapor Saldanha Marinho – "Vaporzinho" (Orla II)

Mercado Joca de Souza Oliveira (Centro)

Acervo Maria Franca Pires (UNEB – São Geraldo)

Aqueduto do Horto Florestal (UNEB – São Geraldo)

Museu Regional do São Francisco, terça a sexta-feira das 14h as 18h (Centro)  

SOL E RIO

Ilha do Fogo


Ilha do Rodeadouro


Ilha de Nossa Senhora


Prainha da Orla II (Marinha)


Ilha do Massangano (Petrolina)


Ilha do Maroto


Cachoeira do Salitre (Distrito do Salitre)


Dunas do Velho Chico (Casa Nova)



GASTRONOMIA – ORLA I


22 bares e restaurantes



GASTRONOMIA – ORLA II


Vila Bossa Nova (Centro Gastronômico)


7 bares e restaurantes



AR LIVRE


Orla e Orla II


Parque Fluvial


Mirante da Orla II (vista do pôr do sol)


Praça da Catedral Nossa Senhora das Grotas


Praça Aprígio Duarte Filho (Jacaré)


Praça Dr. José Inácio da Silva (Misericórdia)


Praça Cordeiro de Miranda (São Tiago Maior)


Praça do Índio (Largo 2 de Julho)


Parque Municipal Lagoa de Calu (Alto da Maravilha)



LAZER, PASSEIOS E AVENTURA


Travessia de barca entre Juazeiro e Petrolina


Catamarã River Beer


Caiaque


Stand Up Paddle


Bike Boat


Piquenique na Orla


Canoa Havaiana


Rapel na Ponte


Tirolesa


Kitesurf


Passeios de lancha e jet ski



PARQUE FLUVIAL


Pista de cooper e ciclovia


Quadras poliesportivas


Pista de skate


Academia de Saúde



ENOTURISMO


Vapor do Vinho


Navegação pelo Lago de Sobradinho com música ao vivo, almoço a bordo, parada para banho e visita à Vinícola Terra Nova (Miolo), com degustação de vinhos, brandy e espumantes.


(87) 98130-5630 | Instagram: @vapordovinho



AGRONEGÓCIO E AGROTURISMO


Agropecuária Santa Isabel


Referência em agroturismo e turismo pedagógico em Juazeiro, com imersão na fruticultura irrigada, parreirais em latada, produção de uvas e mangas e aprendizado sobre as tecnologias do Vale do São Francisco.


(74) 99137-0032 | Instagram: @agropecuaria.santaisabel


 Lucas Oliveira - Ascom/PMJ


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PROFETAS DA CHUVA AVALIAM INVERNO REGULAR DURANTE ENCONTRO NO CRATO

A esperança de um bom inverno marcou o tom da quarta edição do Encontro dos Profetas da Chuva do Cariri, reunindo os saberes tradicionais. O evento foi realizado nesta sexta-feira, 23, em Crato. Um momento de compartilhar o conhecimento ancestral sobre as previsões do inverno no sertão. Participaram 11 profetas do Crato, Juazeiro do Norte, Barbalha e Quixadá. Mais chuvas nos meses de fevereiro e março deste ano foram previstas por alguns profetas, mas com perspectiva de fortes precipitações em algumas localidades.

A abertura foi realizada com apresentações culturais, incluindo os Irmãos Aniceto e a Banda da Outra Banda, com o tradicional forró. Técnicos, estudantes, agricultores e professores estiveram presentes. O encontro foi realizado através da Secretaria de Desenvolvimento Rural e Recursos Hídricos do Crato e do Instituto Federal do Ceará, contando com a coordenação do professor Kael Rocha, e do secretário executivo do Desenvolvimento Rural do Crato, Tiago Ribeiro.

Leitura da natureza-Os trovões no final de julho e começo de agosto do ano passado apontavam para um inverno muito bom em 2026. É o que disse o profeta Zilcélio Alves. A partir dessa experiência, ele afirmou que a perspectiva de um grande inverno está praticamente descartada para este ano. "Mas em março e abril teremos boas chuvas", afirma. Ele destacou experiências com pedra de sal, ninho de pássaro, casa de João de Barro, além das florações de pé de juá, produção frutífera do oiti, entre outras.

O profeta José Flávio ressaltou que os últimos meses foram de pouca chuva, mas em fevereiro e março a expectativa é haver uma melhora e o agricultor ter uma colheita boa. "Não podemos desistir dessa coragem que o Nordestino tem de termos um bom inverno", salienta.

Já Manoel Costa atestou que somente a partir do dia 15 de fevereiro haverá um inverno mais regular. Ele alerta para a redução das chuvas principalmente por conta do desmatamento.

O professor do IFCE, Danusio Sousa, fez uma breve apresentação dos índices relacionados às chuvas no ano passado, e as perspectivas para esse ano, conforme a meteorologia. Segundo ele, o fenômeno El Nino pode vir mais forte nos próximos meses provocando a redução das chuvas. "A gente espera que esse ano o agricultor consiga uma produção maior", diz.

O  profeta Cícero Leite, num tom de alerta, ressaltou o risco das chuvas de maior intensidade em cidades da região. A líder indígena Wanda Cariri expôs um pouco dos saberes do Povo Cariri e a importância das populações tradicionais. "A ciência surge com os povos originários e somos uma família que se auto afirma nesse território Cariri, no Poço Dantas", completa. Ela destacou a importância de ter profetas mulheres na análise das previsões e citou como exemplo a experiência de Rosa Cariri. (Texto/Fotos: Elizangela Santos)

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FESTIVAL MULHERES NO FORRÓ ACONTECE EM EXU, TERRA DE LUIZ GONZAGA

A cidade de Exu, berço cultural de Luiz Gonzaga, se prepara para receber, entre os dias 05 e 07 de fevereiro de 2026, o Festival Mulheres no Forró, evento pioneiro na região ao apresentar uma programação artística 100% feminina. O festival surge para celebrar, valorizar e dar visibilidade ao protagonismo da mulher no forró, gênero fundamental da cultura nordestina.
O festival integrará ações afirmativas à sua programação. O objetivo é promover conscientização, divulgando amplamente os canais de denúncia e informações sobre prevenção ao feminicídio e ao combate à violência contra a mulher, reforçando o compromisso social do evento.
Esta primeira edição do Festival Mulheres no Forró faz uma homenagem (In Memorian), a Sra. Maria Morena, figura proeminente na cultura do Exu.
Segundo a presidente do Coletivo Exu Criativo, Marlla Teixeira, a iniciativa é um marco. "O Festival Mulheres no Forró nasce para corrigir uma invisibilidade histórica. Dar à luz, no coração do Sertão, um palco onde apenas mulheres brilham é uma forma poderosa de valorizar nosso protagonismo, nossa arte e nossa força na construção desta cultura. Este festival é um ato de reconhecimento e um farol para as futuras gerações de artistas", afirma.
O Presidente da Associação Serra Cultural, Henrique Brandão, reforça o caráter pioneiro do evento. "Temos a honra de realizar na terra de Luiz Gonzaga o primeiro festival da região com uma grade 100% feminina. Mais do que uma sequência de shows, é uma afirmação cultural. Esta iniciativa vai agregar um novo e fundamental capítulo na valorização das mulheres no forró e na cultura nordestina como um todo, mostrando a diversidade e a potência da nossa música", destaca.
Todas as atividades do festival são gratuitas e abertas ao público. A programação está estruturada em oficinas, debates e shows, promovendo uma imersão cultural.
Dia 05/02 (Escola Municipal Josefa Cândida):
   09h – Oficina de Sanfona com Écore Nascimento.
   10h – Oficina de Canto com Madame Forró.
 Dia 06/02 (Câmara de Vereadores do Exu):
   14h – Mesa de Debates com artistas e autoridades para discutir "O protagonismo feminino e os rumos do forró".
Dia 06/02 (Estátua de Luiz Gonzaga – Em frente ao Parque Aza Branca):
   20h – Noite de Shows com Caminhada das Sanfonas, Hanna Camilly, Camylla Ferreira, Natália Gomes, Fabíola Leite e Sarah Leandro.
 Dia 07/02 (Estátua de Luiz Gonzaga – Em frente ao Parque Aza Branca):
  · 20h – Noite de Shows com Madame Forró, Écore Nascimento, Júlia Lorena, Monique D’ângelo, Izabelly Diniz e Gabi Cysneiros.
Importante: Todos os shows contarão com tradução em Libras, garantindo acessibilidade. O festival também orienta o público sobre a importância da preservação ambiental, solicitando a correta destinação de resíduos durante os dias do evento. Haverá coleta seletiva de resíduos.
Realização e Incentivo-O Festival Mulheres no Forró é uma realização do Coletivo Exu Criativo, do Ministério da Cultura e do Governo do Brasil, com produção da Associação Serra Cultural. O evento conta com incentivo da Lei Rouanet e patrocínio do Banco do Nordeste.
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ARTIGO: VOCÊ ESTÁ CONFUSO

 

Você está confuso? “Todos estão confusos, embora a maioria se envergonhe de confessar e troque a compreensão pelo achismo. Na nossa Babel contemporânea todos se arrogam o direito de pontificar sobre tudo”. Confira texto de Marília Fiorillo-Professora de Filosofia Política e Retórica da Escola de Comunicações e Artes da USP. 

Você está confuso? Não se exaspere, não se culpe, não desconfie que está com alguma dissociação cognitiva. Simplesmente, não dê bola: todos estão confusos, embora a maioria se envergonhe de confessar e troque a compreensão pelo achismo. Na nossa Babel contemporânea todos se arrogam o direito de pontificar sobre tudo, e as redes sociais estão aí para disseminar os palpites mais estapafúrdios, travestidos de opinião abalizada. Vale o parecer do estrategista militar sobre novos vírus. Vale a cartomante explicando a mecânica quântica. Vale tudo e qualquer coisa. Lógico! Porque tudo não passa de pretexto para botar a cara na tela, angariar milhares de seguidores e, suprassumo do sucesso, tornar-se um influencer.

O dilema das fake news foi superado pelo problema das news propriamente ditas. Mesmo quando são verificáveis (não mentirosas), as noticias andam tão voláteis que tanto faz se atualizar hoje, pois amanhã novos fatos desmentirão os fatos de 24 horas atrás. Uma potência invade um país latino-americano, em seguida era só ameaça, em seguida vai invadir mesmo. Ou democracia não se negocia, com a ressalva de que depende do dia. Esse carrossel de vaivéns alimenta o gosto pela procrastinação. Adiar é a pedida. É um game de soma zero. Daí os bocejos de tédio e extrema desconfiança. Daí o triunfo do “tanto faz”, do cansaço e da apatia. Pode apostar: você não está confuso. É o mundo que está uma balbúrdia geral.


Não é a primeira vez, nem será a última em que os donos do poder se entretêm conosco, nossas perplexidades e batalhas, como faziam os deuses do Olimpo na célebre partida Grécia versus Troia, conhecida como Ilíada. Talvez a novidade seja a aceleração deste caos. Como ainda é cedo para desanuviar horizontes e traçar perspectivas, vamos cultivar, mesmo que por um momento de calma, a “arte de perder”, exatamente como escreveu a poeta Elizabeth Bishop. “A arte de perder não é nenhum mistério. Tantas coisas contêm em si o acidente de perdê-las, que perder não é nada sério. Perca um pouquinho a cada dia. Aceite, austero, a chave perdida, a hora gasta bestamente. 

A arte de perder não é nenhum mistério. Depois perca mais rápido, com mais critério: Lugares, nomes, a escala subsequente da viagem não feita. Nada disso é sério. Perdi o relógio de mamãe. Ah! E nem quero lembrar a perda de três casas excelentes. A arte de perder não é nenhum mistério. Perdi duas cidades lindas. E um império que era meu, dois rios, e mais um continente. Tenho saudade deles. Mas não é nada sério” (Poemas escolhidos, tradução de Paulo Henriques Britto).

Marília Fiorillo-Professora de Filosofia Política e Retórica da Escola de Comunicações e Artes da USP. 

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A ROTA CAMINHOS DE LUIZ GONZAGA. POR FLÁVIO PAIVA

Depois de cruzar a divisa entre Ceará e Pernambuco pelo topo da Chapada do Araripe, um dos primeiros lugares emblemáticos que se encontra é Tabocas, distrito de Exu, terra originária da etnia Ançu, da nação Cariri. Para chegar a essa reserva de mundo bucólico com pouco mais de dois mil habitantes, é preciso deixar a PE-585 e descer ladeira adentro em uma paisagem formada por escarpas, casas de fazendas, pastagens, roças e riachos até chegar à vila cheia de histórias e referências culturais.

Casas com fachadas coloridas, ruas de calçamento em pedra tosca e um céu tinindo de azul pontuado por nuvens de cúmulos pareciam esperar pacientemente a nossa chegada. Sentado em uma cadeira de balanço na entrada da sua bodega, estava um dos ricos personagens do lugar, o João Barela. Aquele típico ambiente de venda de secos e molhados do interior tem uma particularidade inusitada: pendurados no teto de madeira, pôsteres de Lampião, Bin Laden, Saddam Hussein e Che Guevara, entre outras figuras que o dono do estabelecimento recorre como chama para puxar assunto.

Mas a conversa fica boa mesmo é quando ele começa a contar da sua relação com Luiz Gonzaga no tempo em que ambos moravam no Rio de Janeiro. A admiração fabuladora que ele tem pelo Rei do Baião está visualmente em destaque na pintura disposta entre Lampião e Padre Cícero, logo na fachada do prédio. Ali, matriculamos a entrada na “Rota Caminhos de Gonzaga”, um dos roteiros conceituais que a secretária de Cultura e Turismo de Exu, Isa Apolinário, vem trabalhando com sua equipe, tendo o suporte de Júnior dos Santos, expert em turismo de base comunitária, que estava com a Andréa e comigo nessa vivência significativa.

O sertão-lembrança do cancioneiro de Gonzaga rapidamente me trouxe uma imagem musical involuntária: “Lá no meu pé-de-serra / deixei ficar meu coração”, sua primeira parceria com Humberto Teixeira. Embalado por esse xote comovente, visitei três museus orgânicos que remetem à indumentária característica de um artista que levou o país a abraçar sua região pela grandeza da cultura. Os mestres Zé Venceslau, Xico Aprígio e Tonho dos Couros estavam todos em suas oficinas, e o que não faltou foi uma rodada de bem-humoradas histórias de gibão e chapéu-de-couro. Não à toa que o Rei do Baião encantou o Brasil com o artesanato coureiro daquelas paragens.

A particularidade permanente encontrada nas pessoas e no mundo vivido por elas em plenitude agita camadas de signos poéticos e sonoros como uma mediação sensível entre o lugar e a música de Luiz Gonzaga. Tudo tem algo a dizer, do canto das casacas-de-couro às sombras frescas que negam o domínio absoluto do sol. Aparentemente quieta, a região se oferece com familiaridade à reconstituição dos conectivos cruzados que nos aproximam da substância telúrica que propaga, em um afetivo reouvir do tempo social nordestino, sua labuta, suas crenças, sua diáspora e seus ritmos.

A estrada de terra termina no asfalto da BR-122, e tomamos o rumo da cidade de Exu, tendo a presença de Luiz Gonzaga por todo canto, porque ele está no ar que se respira naquela cartografia que nos conduz pela intimidade fecunda de sua obra. É como se cada exuense estivesse a nos dizer que seu pertencimento também nos pertence. Não tinha como ser diferente, com o povo de um lugar que acompanhou seu rei por todo o país, recebendo aplausos calorosos pelo brilho radiante da cultura nordestina, e que, como memória viva, continua sentado no alpendre natural do sopé da Chapada do Araripe. (Fonte: Jornal O POVO-Foto: Flávio Paiva)

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ATO POLÍTICO CULTURAL EM DEFESA DA CHAPADA DO ARARIPE ACONTECE SÁBADO (24)

O Movimento Salve a Chapada do Araripe realiza, no próximo sábado, 24 de janeiro, um ato político-cultural em defesa da Chapada do Araripe — território estratégico para a segurança hídrica, ambiental, cultural e social do Nordeste. A mobilização acontece em Exu (PE), com concentração às 16h, na Chácara Espaço Curart – Saberes da Caatinga / Posto da Serra, seguida de cortejo pela BR – Rodovia Asa Branca até a Escola Municipal Joaquim Ulisses de Carvalho, no Triângulo do Posto da Serra.

Conhecida como a “Caixa d’Água do Sertão”, a Chapada do Araripe abriga nascentes, aquíferos e uma biodiversidade fundamental para os estados do Ceará, Pernambuco e Piauí. Nos últimos anos, o território vem sofrendo pressões crescentes provocadas pelo desmatamento, queimadas, avanço do agronegócio e pela fragilização das políticas públicas de proteção ambiental. Esse cenário tem mobilizado comunidades locais, pesquisadores, ativistas, artistas, movimentos sociais e instituições.

O ato integra a programação do Encontro de Saberes e antecede o II Seminário Salve a Chapada, que acontece no dia 27 de janeiro de 2026, também em Exu. A iniciativa busca dar visibilidade pública às ameaças que atingem a Chapada, fortalecer a mobilização popular e cobrar ações efetivas do poder público. A programação contará com manifestações culturais, participação de artistas, músicos, ativistas, povos e comunidades tradicionais, além de falas políticas e distribuição de materiais informativos.

O movimento também articula a construção de uma Carta de Compromisso com a Chapada, que será apresentada às autoridades competentes. O evento é aberto ao público e convida toda a população do Cariri, Sertão do Araripe e demais interessados a participarem.


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