A VIDA ERA SÓ UM SIMPLES JEITO DE SER, POR MACIEL MELO

O sinal fechado e o silêncio assombrando a madrugada. Do lado direito, uma marquise com os vergalhões expostos, minando gotas de ferrugem, como se lacrimejasse sobre o abandono de alguns retalhos humanos estendidos na calçada de um velho armazém.

Descrevi essa imagem ao ver uma fotografia, há muito tempo atrás, estampada na folha de Pernambuco. Um jornal que resiste e insiste em existir na contramão da velocidade tecnológica, que avassala sobre o olhar analógico de leitores que como eu, precisa apalpar e sentir o cheiro do papel.

Pois bem, mais adiante, um mendigo tenta acender uma ponta de cigarro que apanhou no chão da porta de um botequim, fazendo concha com as mãos. Vira prum lado, vira pro outro, numa peleja infinda entre o vento e a vontade de fumar.

O sinal vai abrir; volto o olhar para a realidade e me revolto com as incongruências da vida. Uns com tanto, outros com tão pouco; mas tudo depende do jeito de quem vê̂ a vida. Eu a vejo todo dia, e todo dia me decepciono com um mundo cada vez mais desumano, mais nocivo e mais demente com as coisas do coração.

Quando eu vejo a plebe rastejar sobre as vicissitudes causadas pela opressão, enquanto seus algozes multiplicam a miséria para chegarem ao poder, me dá́ um nó na garganta e engulo o choro para não engasgar a voz que afinei para cantar aquela canção que ainda não fiz.

O sinal abriu, sigo o trajeto que tracei na hora da saída, com destino à Rua da Hora. Lá, qualquer hora é hora de chegar; lá, somos Reis e Rainhas; lá́, não existe solidão; lá́, o garçom é meu amigo, e a menina da mesa ao lado me faz um aceno, me sorri, e diz que leu um texto onde eu afirmava que a vida era só́ um simples jeito de ser.

MACIEL MELO *Cantor e compositor

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PETRUCIO AMORIM E O DESABAFO: ESTÃO TIRANDO OS FORROZEIROS DOS PALCOS

 O cantor pernambucano fez um desabafo durante o show de sábado (20), no polo do Alto do Moura, em Caruaru, no Agreste pernambucano. Registros da declaração têm repercutido nas redes sociais.

O compositor pernambucano, nascido na cidade considerada a capital do forró, contou que tentaram retirá-lo da programação do palco e levar o show para a área rural do município.

“Estou muito triste, não era para eu estar aqui. Eles tinham me colocado lá na Zona Rural. Depois de muita conversa me trouxeram para cá”, revelou Petrúcio.

Ainda segundo ele, o show ficou marcado para o meio-dia, horário distante dos principais shows da programação.

Atualmente, aos 67 anos, o artista soma mais de 200 canções gravadas e mais de 15 trabalhos lançados entre LPs, CDs e DVDs. Entre os sucessos que ganharam o Brasil estão músicas como “Tareco e Mariola”, “Filho do Dono”, “Anjo Querubim” e tantas outras que se tornaram presença obrigatória no período junino.

Além do carinho do público, Petrúcio revelou que deve receber em breve um reconhecimento importante ao lado de Santanna, que lançou recentemente o projeto “Santanna, O Cantador canta Petrúcio Amorim”, reunindo interpretações de músicas compostas pelo pernambucano.

Segundo o artista, o trabalho já é considerado um sucesso e pode render uma premiação nacional ligada ao Prêmio da Música Brasileira, criado em 1987 pelo produtor Zé Maurício Machline e considerado uma das mais importantes premiações da música nacional.

“É um reconhecimento fenomenal. Tenho certeza de que esse trabalho terá um êxito muito grande”, afirmou.

Mesmo após 40 anos de carreira, Petrúcio diz viver uma das fases mais intensas da vida artística. Segundo ele, o período junino segue com agendas cada vez mais lotadas.

“Quando comecei, a gente fazia 10 ou 15 shows no São João. Hoje chegamos a fazer mais de 26 apresentações. Isso é uma alegria muito grande”, contou.

Ao final da entrevista, o cantor deixou uma mensagem de valorização da cultura nordestina e da tradição junina.

“Vamos manter acesa a chama da fogueira, da quadrilha, da canjica, do forró e da união. O São João é um presente da nossa cultura e precisa continuar vivo nas próximas gerações.”


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FAGNER VISITA EXPOSIÇÃO LUIZ GONZAGA 110 ANOS DO NASCIMENTO

 No último sábado (20), o cantor Raimundo Fagner visitou a exposição sobre o Rei do Baião, instalada no Parque Evaldo Cruz, em Campina Grande, Paraíba.

A mostra é inspirada na obra “Luiz Gonzaga 110 anos de nascimento”, do pesquisador Paulo Vanderley, e traz uma linha do tempo que passeia pela vida e obra de Luiz Gonzaga, apresentando as décadas musicais, álbuns e itens do acervo pessoal.

Fagner já gravou discos com Luiz Gonzaga, interpretando sucessos do mestre, e por anos nutriu uma grande amizade que ia além dos palcos e estúdios.

Em entrevistas, o cearense já destacou a conexão profissional e cultural com a obra e o legado deixado por “seu Lua”.

“Eu gravei com muita gente, muito artista, mas o trabalho com o Gonzaga tinha algo mais, uma coisa da região, mais nossa, do amor dele pelo Ceará também. Pelas nossas raízes. Tinha um pouco a mais nisso. E felizmente isso ficou registrado nos discos”, comentou.

Na sequência, o artista que cantou no Parque do Povo subiu ao palco principal, fazendo sua tradicional passagem de som. Ao reunir vários fãs em um só coro, Fagner abriu o repertório cantando “A Morte do Vaqueiro”, do Rei do Baião, reforçando o legado de Luiz Gonzaga para a música nordestina e para festas como o São João.


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ESTUDO APONTA QUE 85 PORCENTO DOS BRASILEIROS VÃO PARTICIPAR DE FESTAS JUNINAS

Pesquisa do Instituto Locomotiva sobre os festejos juninos apontou que 85% dos brasileiros maiores de 18 anos pretendem participar das comemorações de São João neste ano. O número é superior aos 81% de adultos interessados em ir a uma festa junina em 2025, mas próximo da margem de erro do levantamento, que é de 3%.

O estudo seguiu os parâmetros da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD/IBGE) e foi realizado entre 29 de abril e 6 de maio.

A pesquisa também investigou qual é o tipo de festa preferido do público. As festas juninas de rua e gratuitas lideram e foram mencionadas por 44% dos brasileiros. Os arraiais na casa de amigos ou familiares serão o destino de 39% dos entrevistados, enquanto as festas em igrejas ou quermesses são destino para 37%. Os entrevistados poderiam mencionar mais de um tipo de evento que pretendem participar. 

“Festa junina é uma das expressões mais bonitas de como o Brasil transforma cultura em encontro. A pesquisa mostra que essa celebração atravessa o país de jeitos diferentes, muda conforme a região, o território e a forma de viver de cada comunidade, mas preserva uma força comum: reunir pessoas em torno da tradição, da comida, da música e do pertencimento”, comentou Renato Meirelles, presidente do Instituto Locomotiva.

 Entre as regiões, a população do Nordeste aparece como a mais apaixonada pelo São João que acontece em eventos públicos. Cerca de 51% dos entrevistados pretendem ir a festas juninas de rua e gratuitas, o maior índice entre as regiões. No Sudeste, esse percentual chega a 44%, enquanto no Norte é de 43%. Já no Sul, a principal intenção é participar de festas na casa de amigos ou familiares, mencionada por 43%. No Centro-Oeste, as festas em igrejas ou quermesses aparecem como principal atividade, com 42%.



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DESERTIFICAÇÃO NO SEMIÁRIO É REFLEXO DO NOSSO MODO DE VIDA, DIZ CIENTISTA

Tão importante quanto a habilidade de explicar temas científicos com qualidade técnica, está a de fazê-lo com poesia. Para nossa sorte, o agrônomo e correspondente científico do Brasil junto à Convenção das Nações Unidas para o Combate da Desertificação (UNCCD) Aldrin Martin Pérez-Marín discorre sobre desertificação com essa exata maestria.

Dos aspectos geoecológicos às disputas geopolíticas, o assessor técnico do Instituto Nacional do Semiárido (Insa) explica de que maneira a estigmatização da Caatinga como uma terra inóspita, narrativa repetida em outras zonas áridas e semiáridas do globo, é responsável pela expansão da desertificação e das desigualdades socioeconômicas.

“A Caatinga tem uma dinâmica, uma dança da vida, que confunde aqueles que só enxergam beleza e abundância nas florestas na parte verde do Planeta”, reflete em entrevista exclusiva à Eco Nordeste. “É por isso que eu sempre digo: a Caatinga é verde de esperança. Porque ela lança luzes de esperança contra as mudanças climáticas”.

No Dia Mundial de Combate à Desertificação, celebrado neste 17 de junho, o pesquisador interliga a desertificação, a Caatinga, o El Niño e a crise climática ao modo de vida moderno que segue a lógica das commodities e do colonialismo. Confira:

Aldrin M. Pérez-Marín – A desertificação é um tema que se trata há muito tempo. Existe uma Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação, criada na Rio 92 a partir de um movimento histórico.

Aqui no Brasil, esse tema da degradação das terras semiáridas e áridas foi levantado pelo professor João de Vasconcelos Sobrinho, que foi pioneiro nos alertas sobre que no Nordeste brasileiro, o Sertão enfrentava problemas similares aos que se encontravam em outras partes africanas.

Essa convenção é um tratado internacional, do qual o Brasil é signatário, e ela traz diversos conceitos. Por exemplo, o que seria desertificação? Ela define que desertificação seria a degradação das terras, nas zonas áridas, semiáridas e sub-úmidas secas, resultante de vários fatores, incluindo as variações climáticas e reações humanas.

É um conceito que tem alguns complicadores. Primeiro porque ele diz que a desertificação só inclui zonas climáticas áridas, semiáridas e sub-úmidas secas. Elas são definidas em relação à quantidade de chuva que cai e a quantidade de chuva que se perde pela evaporação do solo e transpiração das plantas.

Quer dizer, a primeira análise que você pode trazer para isso é que em outras zonas climáticas não haveria desertificação, seria uma degradação ambiental, entende? E isso tem implicações profundas porque define, por exemplo, ações dos estados, dos países, do governo para agir.

Mas se você analisa a fundo, você pode dizer que a desertificação, neste contexto, nasce entre o clima e as nossas ações. Ou seja, o problema não é a terra, é o clima que muda e as pessoas que agem.

Em termos políticos, (a palavra) tem influência porque só se fica falando da degradação que ocorre no Semiárido brasileiro. E isso tem um problema crítico, porque se intensifica aquela visão sobre o Semiárido: de que o clima é responsável pela miséria e que a miséria gera subdesenvolvimento. Se intensifica esse processo de estigmatização da região.

A Caatinga e o Sertão sempre são vistos com um olhar que cria preconceito. Pegue a revista Veja de 1981 que na capa traz em letras fortes: “Tentando vencer a maldição do dinheiro perdido – Não é somente a seca que assusta o Nordeste, mas a imagem de região sem futuro, onde é inútil investir”.

E assim nasceu essa história de Mata Branca, Floresta Pobre, Terra Vazia. É porque, no imaginário, muitos enxergam beleza apenas nas florestas úmidas. Mas o que a Caatinga é? Ciclos.

Branca, cinza e verde. Quando ela está branca, ela indica paz e perspectiva. Quando ela está cinza, ele induz ao renascimento de uma riqueza desentendida, porque cinza é renascimento; e quando ela está verde, ela expressa a plenitude de uma floresta cheia de vida.

É uma dinâmica, uma dança da vida que confunde aqueles que só enxergam beleza e abundância nas florestas úmidas, nas florestas na parte verde do Planeta. É por isso que eu sempre digo: a Caatinga é verde de esperança. Porque ela lança luzes de esperança contra as mudanças climáticas.

CL – Em que sentido ela lança essa esperança?

APM – Ela vem demonstrando que sequestra carbono como nenhum outro bioma brasileiro, e se coloca como a segunda floresta seca que sequestra mais carbono; portanto, o clima global agradece.

E é por isso que essa narrativa (de miséria e inutilidade), que se estende pelas outras zonas áridas do Planeta, não se sustenta. Para você imaginar, as terras secas representam cerca de 47% do globo. Com as mudanças climáticas, você espera que essas áreas aumentem para 52%. O Brasil está em 12ª posição em termos de quantidade de área semiárida. (Agencia Eco Nordeste)


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RÁDIO NACIONAL NOVOS PORTAIS E MODERNIZA PRESENÇA DIGITAL

 A Empresa Brasil de Comunicação (EBC) lança nesta quarta-feira (17), às 12h, os novos portais das rádios Nacional e MEC. A iniciativa, parte das celebrações dos 90 anos da Rádio Nacional, comemorados em 12 de setembro, moderniza a presença digital das emissoras e oferece uma experiência de navegação mais intuitiva para o público, com melhorias em acessibilidade, desempenho e consumo de conteúdo em diferentes dispositivos.

Com a mudança, todas as informações das rádios Nacional e MEC passam a estar disponíveis em dois ambientes exclusivos: radionacional.ebc.com.br e radiomec.ebc.com.br.

O gerente de Transmídia e Portais da EBC, Daniel Roviriego, avalia que os novos sites representam um avanço importante na estratégia digital das rádios da EBC.

"Além de modernizarmos a experiência visual e a navegação, passamos a oferecer um player integrado que permite ao público continuar ouvindo a programação ao vivo ou sob demanda, enquanto acessa notícias, programas e outros conteúdos", explica.

"A inclusão de uma área dedicada a videocasts e a otimização para celulares e tablets acompanham as novas tendências de consumo de mídia e tornam nossos conteúdos mais acessíveis para diferentes públicos", completa.

Roviriego também lembra que mais novidades e melhorias serão implementadas no segundo semestre do ano e que todo o acervo construído ao longo dos anos no antigo site foi preservado e migrado para as novas plataformas.

Programas, notícias, reportagens e conteúdos históricos continuarão disponíveis, garantindo a manutenção da memória construída ao longo dos anos. Os portais contam, ainda, com páginas exclusivas para cada programa e uma central de podcasts.

A reformulação faz parte da estratégia da EBC de fortalecer a presença digital de seus veículos, ampliar o alcance das emissoras públicas e oferecer aos ouvintes uma experiência mais moderna, integrada e conectada às novas formas de consumo de conteúdo.

Sobre a Rádio Nacional-A marca faz parte da história do país e conta, atualmente, com oito emissoras próprias, em diferentes regiões do Brasil: Rádio Nacional do Rio de Janeiro, Rádio Nacional de São Paulo, Rádio Nacional de Brasília AM e FM, Rádio Nacional de Recife, Rádio Nacional de São Luís, Rádio Nacional da Amazônia e Rádio Nacional do Alto Solimões.

A Rádio Nacional foi fundada no Rio de Janeiro (RJ) pelo grupo do Jornal A Noite em 12 de setembro de 1936 com o prefixo PRE-8. Começou a ganhar força em 1940, quando foi incorporada à União e se firmou como fenômeno de expressão da cultura popular brasileira.

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17 DE JUNHO DIA MUNDIAL DE COMBATE À DESERTIFICAÇÃO

A preservação da Caatinga, bioma que ocupa grande parte do interior de Pernambuco, está no centro das estratégias do governo federal para conter o avanço da desertificação no Brasil. Com milhares de quilômetros quadrados do Semiárido já afetados pela degradação do solo, a aposta é combinar recuperação ambiental e apoio às comunidades que convivem com os efeitos da seca.

As iniciativas ganharam novo impulso com a retomada de políticas públicas voltadas ao tema, incluindo um plano nacional de combate à desertificação, a criação do Programa Recaatingar e uma nova legislação destinada à recuperação da vegetação nativa do bioma.

Neste 17 de junho, ocorre o Dia Mundial de Combate à Desertificação e à Seca, data criada pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1994 para alertar sobre os impactos da degradação dos solos e das mudanças climáticas. A desertificação é definida como um processo de degradação das terras em áreas áridas, semiáridas e subúmidas secas, provocado por fatores climáticos e pela ação humana, comprometendo a capacidade produtiva dos ecossistemas.

Segundo o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), o Brasil possui cerca de 1,5 milhão de quilômetros quadrados de áreas suscetíveis à desertificação, distribuídas em 1.649 municípios.

Em entrevista ao Diario de Pernambuco, o ministro do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, explicou que a maior parte dessas áreas está concentrada na Caatinga. “Nós temos no Brasil o que a gente chama de áreas suscetíveis à desertificação. Essas áreas são definidas pelo índice de aridez, que é estabelecido pela Convenção da ONU para o Combate à Desertificação (UNCCD).”

De acordo com o ministro, 57% das áreas suscetíveis à desertificação no país estão localizadas na Caatinga, seguida pelo Cerrado (26,7%), Pantanal (12,1%) e Mata Atlântica (4,2%).

A desertificação ocorre quando a perda de cobertura vegetal, o manejo inadequado dos recursos naturais e as condições climáticas adversas reduzem progressivamente a capacidade produtiva dos solos.

Segundo levantamento do Laboratório de Análise e Processamento de Imagens de Satélites (Lapis/UFAL), mais de 126 mil quilômetros quadrados do Semiárido brasileiro já apresentam processos de desertificação, o equivalente a 12,85% da região. A área é maior do que a de todo o estado de Pernambuco.


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