JOÃO SERENO FAZ LIVE NO SÁBADO (25)

Assim, eu fico quando você aparece..." Esse é o convite que o músico, poeta e compositor João Sereno faz no próximo sábado (25) durante a live 'Um bom som pra você'.
A transmissão, pelo canalYouTube / sincroniafilmes e de joaosereno começa a partir das 20h e promete momentos incríveis da trajetória desse artista juazeirense, que é parceiro e tem músicas gravadas com nomes como Dominguinhos, Maciel Melo e Flávio Leandro.
Na live, onde terá o acompanhamento luxuoso da sanfona de Ivan Greg, da bateria de Celso Rodrigues e do baixo de Luiz Maia, João Sereno vai cantar músicas conhecidas do público a exemplo de Mania do tempo, Coitado de eu, Tempo Menino, Aurora e o Sol e Sapateiro.
Para resgatar os festejos juninos, da mais autêntica tradição nordestina, João Sereno também vai fazer um momento todo especial reverenciando São João e São Pedro com muita alegria e forró no pé. A live é uma realização da Sincronia Filmes com direção de Alexandre Justino e apoio da Clas Comunicação e Marketing. Durante o evento o público pode participar fazendo doações ao artista através de pick pay. (Fonte: Class Comunicação e Marketing)
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PLANTIO DE ÁRVORES NÃO PODE SER PANACEIA PARA A SOLUÇÃO DE PROBLEMAS AMBIENTAIS, DIZ PESQUISADOR

O plantio de árvores tem sido promovido globalmente como panaceia para solução de problemas ambientais complexos como mudanças climáticas e extinção de espécies. Em artigo publicado na revista Science, o professor Pedro H. S. Brancalion, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP, em Piracicaba, adverte que “é preciso planejar estratégias de controle e degradação florestal, equilibrando objetivos sociais, ecológicos  e econômicos, além de promover a articulação entre governo, empresas e comunidade científica para se obter resultados positivos”. 

O texto Tree planting is not a simple solution, publicado na Science, tem como autores Brancalion e  a pesquisadora Karen Holl, da Universidade da Califórnia (EUA). Trata-se de um artigo de perspectiva ou artigo opinativo, que geralmente é escrito por especialistas renomados da área de pesquisa em questão e que apresenta uma síntese do conhecimento existente sobre o tema, identifica lacunas de conhecimento e aponta caminhos futuros para a pesquisa.

Embora não desmereça as iniciativas de plantios de árvores, as quais considera bem-vindas e podem ajudar a gerar benefícios para a natureza e sociedade, o engenheiro agrônomo aponta que “não se pode ter uma visão romanceada da questão e achar que somente plantando árvores irá se resolver questões complexas”, afirma Brancalion ao Jornal da USP.

O artigo faz ressalva também às organizações e aos fóruns mundiais que apregoam o reflorestamento como ação isolada, sem considerar peculiaridades e necessidades regionais. Cita como exemplo o plano anunciado pelo Fórum Econômico Mundial de 2020, realizado em janeiro em Davos, na Suíça, que teve como uma de suas propostas o plantio e proteção de um trilhão de árvores pelo planeta. O encontro, que reuniu lideranças de vários países, deu relevância às mudanças climáticas e políticas ambientais. Um dos discursos marcantes foi o da jovem ativista Greta Thunberg, que tratou dos riscos advindos da poluição e da atenção aos alertas da ciência sobre esse assunto.

Segundo o pesquisador, é preciso envolvimento social e integração de ocupação e outros usos do solo. No Brasil, existem diversos exemplos em que mudas de árvores foram plantadas e não foram para frente, porque estavam em áreas tradicionalmente usadas para pastagens e foram reocupadas pelo gado pouco tempo após o plantio.

Como contraponto, e exemplo positivo, o professor cita o trabalho que vem sendo desenvolvido há alguns anos na Mata Atlântica do Brasil. As ações do Pacto pela Restauração da Mata Atlântica (PRMA), criado em 2009, buscam dialogar com  os diversos atores da sociedade,  a fim de obter bons resultados e benefícios sociais e econômicos para todos por meio da recuperação florestal. O Pacto tem sido um modelo de sucesso copiado em todo o mundo, diz o engenheiro que  é também vice-coordenador do PRMA.

Brancalion rebate inclusive que o simples plantio de novas árvores impacte as mudanças climáticas.  “O reflorestamento pode compensar, no melhor dos cenários, apenas em um terço das emissões de gases de efeito estufa”, diz o professor ao Jornal da USP.  Em sua opinião, é preciso ações interligadas de áreas diferentes e a intensificação da fiscalização ambiental para proteção das florestas já existentes, o que poderia ser mais efetivo em alguns contextos para reduzir a emissão de gases de efeito estufa.

Sobre o aspecto da biodiversidade, o pesquisador diz que o assunto exige parcimônia, porque dependendo de onde forem plantadas, as novas árvores poderão provocar, inclusive, danos ao meio ambiente, como é o caso dos campos e dos cerrados. “Quando árvores são inseridas nesses ecossistemas, o sombreamento poderá levar à morte de várias espécies de ervas nativas, algumas inclusive ameaçadas de extinção”, explica.

Sobre a região amazônica, Brancalion diz que é uma área de muitas complexidades, exigindo, assim, planejamento igualmente complexo. São inúmeros os interesses sociais, econômicos e ecológicos envolvidos de uso do solo e da mata, e que de alguma forma estes vieses precisam ser colocados à mesa para discussão e definição de ações, para não agravar ainda mais os conflitos ali existentes. São as demarcações de terras indígenas, regularização fundiária de grandes áreas de produtores rurais (de soja, por exemplo), pastagens, invasão de terras por grileiros e exploração de madeireiros e garimpeiros.

Para a região amazônica, o pesquisador entende que seja preciso reconstruir as políticas de conservação ambiental brasileiras para coibir o desmatamento e a degradação ambiental, leis que, na visão do engenheiro, sofreram duros golpes na atual gestão federal. Como exemplos, cita o afrouxamento de leis de redução de multas por crimes ambientais e o sucateamento de órgãos de preservação e fiscalização ambiental, como o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMbio).

O artigo Tree planting is not a simple solution pode ser lido no site da Science.

Mais informações: e-mail pedrob@usp.br,com Pedro Brancalion

Fonte: Jornal USP Por: Ivanir Ferreira)
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CELEBRAÇÃO DOS 31 ANOS DE MORTE DE LUIZ GONZAGA TERÁ LIVE DEDICADA AO PARQUE ASA BRANCA

No próximo dia 02 de agosto, o cantor e sanfoneiro Luiz Gonzaga, o Rei do Baião, completa 31 anos de falecimento. Este ano, devido o decreto de distanciamento social não terá aglomeração no Parque Asa Branca, localizado em Exu, Pernambuco, terra onde nasceu o Rei do Baião.

Todos os anos é celebrada a 'Festa da Saudade do Gonzagão. As homenagens ao músico acontecem no Parque Aza Branca, local onde estão o acervo, o museu e o mausoléu do artista. De acordo com o presidente da organização não governamental (ONG) que administra o parque, Francisco Parente Júnior, as celebrações "este ano serão diferentes para podermos preservar vidas".

De acordo com Junior Parente, o Rei do Baião Luiz Gonzaga vai ser celebrado em agosto pelos forrozeiros da banda Fulô de Mandacaru. O trio, além de prestar homenagem ao "Velho Lua", que em agosto completa 31 anos de partida, vai cantar também para conseguir doações e ajudar o memorial erguido na cidade e que se encontra com problemas estruturais.

Administrado pela ONG Aza Branca, o espaço recebe mais de 60 mil visitantes anualmente e segue sem faturamento há algum tempo, sem recursos para sua manutenção. O imóvel está, por exemplo, com o quarto do Rei do Baião interditado.

As principais fontes de receita do espaço são as vendas dos ingressos para o museu, que custam R$ 4, além da comercialização de artigos de couro como chapéus e sandálias.

Entretanto, em decorrência da pandemia, o espaço foi fechado e sem visitantes, zerou o faturamento do local, cujo valor para se manter aberto é em média de R$ 15 mil por mês. Os recursos arrecadados com o show virtual da Fulô de Mandacaru vão ser destinados para o espaço. 

A live da Fulô de Mandacaru acontece no sábado (01).

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JORNALISTA E RADIALISTA JOSÉ PAULO DE ANDRADE MORRE AOS 78 ANOS, VÍTIMA DE COVID-19

O jornalista e radialista José Paulo de Andrade, de 78 anos, morreu na manhã desta sexta-feira (17), em São Paulo. Ele estava internado no Hospital Albert Einstein desde o dia 7 de julho após ser diagnosticado com coronavírus.

Ele trabalhou por 57 anos na Rádio Bandeirantes e ficou conhecido por apresentar o programa "O Pulo do Gato" desde que estreou em 1973. Ele começou a trabalhar na rádio como narrador esportivo em 1963.

Zé Paulo, como era chamado pelos amigos, também era bacharel de Direito formado pela Faculdade de Direito do Largo São Francisco, da Universidade de São Paulo (USP). Ele começou a carreira profissional em 1960 como radioescuta do plantão esportivo da Rádio América de São Paulo.

O jornalista também participou de debates políticos na televisão e foi âncora de telejornais como Titulares da Notícia, Jornal de São Paulo, Rede Cidade, Band Cidade e Entrevista Coletiva. Ainda na TV Bandeirantes, interpretou Don Diego/Zorro em As Aventuras do Zorro, em 1969.

O Grupo Bandeirantes lamentou a morte do apresentador. "Com uma voz firme, amplo conhecimento político-econômico, são-paulino fanático e um dos maiores formadores de opinião do Brasil, José Paulo tinha um coração gigante e um caráter ímpar. Com 57 anos de Rádio Bandeirantes, José Paulo de Andrade deixará um legado indiscutível, um vazio enorme e muitas saudades", disse, em nota.

Ele deixa mulher e dois filhos.

Detalhe: Em 2018, o produto jornalístico mais longevo da história do rádio brasileiro, o programa  ‘O Pulo do Gato’ passou a ter espaço para além das ondas radiofônicas. No ano em que completou 45 anos ininterruptos no ar, a atração da Rádio Bandeirantes ganhou vez no mercado editorial. O livro Esse Gato Ninguém Segura, escrito pelo jornalista Claudio Junqueira, apresenta dados e curiosidades sobre o programa que há décadas ocupa a grade da Rádio Bandeirantes, e tinha a condução de José Paulo de Andrade.


Uma das curiosidades contadas no livro é justamente em relação a José Paulo de Andrade. Na publicação, o autor conta que o comunicador só não foi o titular da atração desde o início de sua história por “birra” de Hélio Ribeiro. Na hora de estrear o noticiário, em 2 de abril de 1973, o então diretor artístico da Rádio Bandeirantes escolheu Rafael Gióia Junior para o comando do programa. O período do apresentador e político à frente do conteúdo durou apenas duas semanas. Desde então, Zé Paulo – como o experiente comunicador também é conhecido – e ‘O Pulo do Gato’ se tornaram sinônimos, conforme enfatiza o escritor.


“No título [do livro], O Zé Paulo está ‘dentro’ do nome ‘O Pulo do Gato’. Não dá para separar um do outro. A ligação é muito forte, um complementa o outro. O Zé Paulo é ‘O Pulo do Gato’ e ‘O Pulo do Gato’ é o José Paulo de Andrade”, afirmou Claudio Junqueira em entrevista ao BandNews TV. 


Em meio ao trabalho de produção da obra, o autor destaca que realizou pesquisas para decifrar quais os fatores responsáveis pelo sucesso do programa, que atualmente é transmitido de segunda a sexta-feira, das 5h30 às 7h. “O segredo é o Zé Paulo”, enfatiza o jornalista responsável pelo trabalho literário.


O livro Esse Gato Ninguém Segura surgiu como trabalho acadêmico. Isso porque o programa da Rádio Bandeirantes foi tema da dissertação de mestrado defendida por Claudio Junqueira. O profissional estudou comunicação e cultura midiática na Universidade Paulista (Unip). 


Na academia, ele realizou mais de 30 entrevistas para ter acesso a detalhes, informações e dados referentes ao programa. Foram dois anos de dedicação, incluindo idas e vindas ao Centro de Documentação e Memória do Grupo Bandeirantes de Comunicação. Distribuído pela editora Letras do Pensamento, o livro foi organizado e adaptado por Marc Tawil.


“O sentimento que fica é o de dever cumprido. O dever de revelar ao ouvinte do programa detalhes importes sobre a concepção, criação e produção de um dos jornalísticos mais importantes e ouvidos do rádio brasileiro. Além disso, agradeço a Deus a possibilidade e a oportunidade de poder condensar toda história vitoriosa do matutino nesses últimos 45 anos e prestar uma homenagem ao Zé Paulo, um dos maiores jornalistas e radialistas do país. O ouvinte e o Zé mereciam essa publicação”. É o que conta Claudio Junqueira à reportagem do Portal Comunique-se.




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COVID: UM RETRATO DAS MÊS SOLTEIRAS NA PANDEMIA

Um retrato das mães solo na pandemia, é uma uma reportagem da Revista AzMina. Jornalismo, tecnologia e informação contra o machismo. AzMina é um instituto sem fins lucrativos que combate os diversos tipos de violência que atingem mulheres brasileiras.

A Revista AzMina produz reportagens exclusivas sobre a situação da mulher no Brasil.

Confira:
Se antes a conta já não fechava para a gente, agora é ainda pior”. O desabafo de Fabiana Rodrigues da Silva, 35 anos, mãe de Alex, de 2 anos, ressoa nas mais de 11 milhões de mães solo no Brasil que vivem diariamente o impacto da pandemia causada pelo novo coronavírus, de acordo com dados levantados pelo IBGE em 2018. 

Mães solo são as mulheres que são as únicas ou principais responsáveis pela criança. Elas, que já viviam uma rotina muitas vezes de tripla jornada para dar conta da criação dos filhos, do trabalho e da casa, estão em uma situação de ainda mais vulnerabilidade devido à crise de saúde que assola o país e impõe o isolamento social como medida para tentar evitar a propagação da covid-19.

“Mesmo estando vulnerável à covid-19, não tenho nem a possibilidade de estar doente nesse momento. Eu trabalho e ganho por hora, além de estar sozinha com meu filho, por isso tenho muito medo de alguma coisa acontecer comigo porque não tem outra pessoa para ficar responsável por ele”, destaca Silva. “Ao mesmo tempo, não dá para parar. As necessidades do meu filho não param. Uma coisa é eu estar com fome e outra é meu filho. Como você fala para uma criança que não tem comida?”

Professora de dança, a mineira que mora há mais de dez anos em São Paulo viu todos os seus contratos de trabalho serem cancelados desde que foi decretado o isolamento social na capital paulista, no dia 24 de março. Sem contar com uma rede de apoio na cidade ou ter ajuda do pai da criança, ela teve que pedir dinheiro emprestado e depender de outras pessoas. Depois de 45 dias em isolamento social, recebeu a primeira parcela da Renda Emergencial Básica, que oferece um auxílio de R$ 1.200, por três meses, para mães sem cônjuge, o equivalente ao que uma família de dois adultos que estejam no trabalho informal recebe. De acordo com o Governo Federal, o pagamento do auxílio deve ser prorrogado por mais dois meses, mas ainda não há definição sobre o assunto e nem se o valor será mantido ou haverá redução.

“Nesses dez anos em que eu moro em São Paulo, sempre consegui sobreviver de dança, tinha um lugar de conforto por trabalhar com o que eu gosto e conseguir pagar minhas contas. Porém, quando parou tudo foi muito desesperador, porque eu não sabia como iria me manter e criar meu filho”, conta a mãe de Alex. 

egundo Thaiz Leão, co-coordenadora da Frente Parlamentar de Primeira Infância do Estado de São Paulo e Diretora Executiva do Instituto Casa Mãe, o isolamento, medida necessária em tempos de pandemia de covid-19, já era uma prática vivida pelas mães, principalmente as chefes de família. 

“As mães já sofrem com isso, porque a dimensão da infância e do compartilhamento social do cuidado dos filhos não existe. O que temos hoje é um agravamento, porque as poucas fontes de compartilhamento desse cuidado, como escola, o acesso ao trabalho e ao mundo, foram limitadas para essas mães para dentro da casa delas”, analisa Leão. “Os vínculos se quebram, a economia cai e o cuidado triplica. As crianças estão dentro de casa, e sabemos bem em quem recai essa responsabilidade, ainda mais no caso de mães solo, que já não têm com quem dividir essas demandas”.

Também designer e autora do livro “O exército de uma mulher só” (Editora Belas Letras), que mostra a sua história, desde o teste de farmácia até o parto do filho, Vicente, hoje com 6 anos, Leão afirma que existe uma grande distância entre o que se espera e se cobra da mães e a realidade que elas vivem: “A experiência que definimos hoje de maternidade é desumana, violenta, de solidão e sobrecarga. A questão agora não é nem mais segurar a curva, mas não cair do precipício, porque já estávamos na beirada antes mesmo de chegar o coronavírus”

Assim como a professora de dança Fabiana Rodrigues da Silva, a maioria das mães solo no país são negras (61%), segundo o IBGE. A raça dessas mulheres impõe ainda mais barreiras de acesso a direitos básicos que são agravados pela pandemia. No Brasil, 63% das casas chefiadas por mulheres negras estão abaixo da linha da pobreza, segundo a Síntese dos Indicadores Sociais, do IBGE. Em 2018, segundo o estudo, esse valor equivalia a aproximadamente R$ 145 mensais, por pessoa.

As mulheres negras enfrentam maior restrição a condições de moradia, saneamento básico e internet nos arranjos em que são as chefes da família. A proporção das mães negras solo com filhos é maior em relação às mães brancas em casas com ao menos uma inadequação, como a falta de banheiro exclusivo, construção feita com material não- durável ou mais de três moradores por quarto. Proporcionalmente, a cada 100 mães solo com filhos com menos de 14 anos, 4,6 mulheres negras não contam com um banheiro exclusivo – entre as mulheres brancas, a proporção cai para 1,4. 

A desigualdade racial também se reflete no acesso a saneamento básico e internet, já que 42% mulheres negras não contam com saneamento básico e 28% não têm internet, em comparação a 28% e 23% das mulheres brancas, respectivamente. Em meio a mudanças nas dinâmicas de trabalho, com preferência para trabalho em casa e chamadas de vídeo, a falta de conectividade impacta diretamente na fonte de renda dessas mulheres.

Mãe de Alex, Fabiana da Silva está nesse grupo de mulheres. Com o retorno de um de seus trabalhos, agora no formato home office, e das atividades do seu filho por meio virtual, ela enfrenta a falta de estrutura para trabalhar em casa, gravar vídeos e acessar o material escolar do filho, já que não tem internet própria em casa e teve o orçamento reduzido drasticamente.

Negra e lésbica, a graduanda de serviço social Dara Ribeiro é mãe de Aisha, de 11 anos, e conhece bem as vulnerabilidades das mães solo que enfrentam racismo e lesbofobia: “Acredito que ser mulher negra é resistir e ser resiliente. Não temos um minuto de paz, mas sempre seguimos. Quanto a ser sapatão, as pessoas nunca acreditaram na minha orientação sexual por eu ser mãe, e muitos homens não respeitam isso. Para mim, o mais importante é que meus filhos me respeitam”.

Natural de Santos, Ribeiro mora em São Paulo há 17 anos  e conta que sua rotina foi completamente impactada pelo novo coronavírus, já que tem que conciliar seus estudos, trabalho e as tarefas da escola de sua filha: “A pandemia é um agravante para nós mães solo. Tudo ficou mais sobrecarregado do que antes. Eu não perdi o emprego, mas meu contrato acaba em agosto e já é uma pressão a mais com que vou ter que lidar”, disse.

REDES DE APOIO: Além da sobrecarga e das dificuldades financeiras, um dos impactos da pandemia de covid-19 é na saúde mental das mães solo. Menos falado, mas muito presente, os efeitos psicológicos são importantes. A Organização das Nações Unidas (ONU) destacou a necessidade de aumentar urgentemente o investimento em serviços de saúde mental nesse período e pontua que “quem correm um risco particular são as mulheres, particularmente aquelas que estão fazendo malabarismos com a educação em casa e trabalhando em tarefas domésticas.”

Fabiana da Silva concorda e destaca a importância de poder contar com uma rede de apoio e ajuda psicológica: “Fazer parte de uma rede de mães que estão passando pela mesma situação faz você sentir que não está sozinha. Além disso, por meio da rede, consegui o acompanhamento com uma psicóloga preta, que é essencial para eu passar por esse momento”.

Ela faz parte do projeto “Segura na Curva das Mães”, idealizado pelo Instituto Casa Mãe e o Coletivo Massa, criado para identificar e localizar mães em situação de vulnerabilidade causada pela pandemia do novo coronavírus e garantir apoio emergencial para este grupo. A iniciativa oferece suporte emocional e financeiro a mulheres afetadas pelo isolamento social. Foram mapeadas mais de 700 mães em todo o país nesse contexto.

As redes de apoio, que se fortaleceram neste período para ajudar financeira e psicologicamente mulheres mais vulneráveis, tentam suprir parte das necessidades não cumpridas pelo Estado. Mesmo para as mulheres chefes de família que conseguem receber a Renda Emergencial Básica, o auxílio raramente é suficiente. Depois de quase quatro meses desde o primeiro caso de coronavírus registrado no Brasil e a marca de mais de um milhão de pessoas infectadas no país, os inúmeros desafios das mães solo nesta pandemia parecem longe do fim. (Fonte:Revista AzMina)
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A PARAÍBA NÃO CUIDA DE SEUS TOCADORES DE SANFONA DE OITO BAIXOS

A Paraíba não cuida de seus tocadores de fole de oito baixos. A Paraíba não os respeita. Outro dia iniciei a busca por elementos biográficos de Zé do X, o tocador de fole pé-de-bode. A partir do cruzamento de dados fui estabelecendo um caminho para sua vida carioca. Zé do X, cujo nome verdadeiro ainda não descobri, nasceu, possivelmente na região de Guarabira, na Paraíba do Norte. 

Veio para o Rio de Janeiro, foi tocar no programa de rádio do Coronel Narcisinho, na antigo Rádio Guanabara. Com a repercussão do fole, gravou vários LPs e fazia a festa nas casas de shows e nos forrós cariocas. Foi um dos pioneiros tocando um instrumento quase impossível de se tocar. O enigma, o mistério, parece seguir o paraibano desde o nome artístico. Esse X coloca uma espécie de véu sobre sua personalidade, sobre sua ascendência, sobre sua trajetória. Tentamos desvendar, como um detetive, esse processo de invisibilidade. Conversamos com vários músicos, entre eles Leo Rugero, Luizinho Calixto, Perpétuo Borborema e Zé do Gato, mas ficamos onde estamos, parados, quase sem informação. Mas isso não lhe rouba o mérito de tocador paraibano, dono de alguma desenvoltura nas teclas e boa música. A Paraíba nunca lhe deu um X de atenção.

Na semana passada, assisti com muita sustança a transmissão da TV Nordestina, pelo YouTube, do show de comemoração do aniversário de Zé Calixto. O protagonista, no fole de 8 baixos, foi seu irmão Luizinho Calixto. Zé foi responsável por transportar o pé-de-bode para o andor dos instrumentos filosóficos. Em suas mãos, o fole dilui-se em imaterialidade, transfere-se em alma, substância fluídica, música que não se pode aprisionar. Zé Calixto é o pai de todos os tocadores. Afirmo isso pedindo permissão aos grandes tocadores, desde Gerson Filho a Abdias, desde Severino Januário a Truvinca, desde Negrão dos 8 baixos a Geraldo Correia. A família Calixto foi escolhida para ser a responsável pela salvaguarda do fole na Paraíba.

 O patriarca João de Deus era tocador. Zé, Bastinho e Luizinho encaminharam-se para os discos. A música fez morada entre o clã e estabeleceu-se como senhora na alma e no corpo de Zé Calixto. Vê-lo tocando causa-nos uma certa miragem, somos guiados para um outro território que não o dimensional, um lago imaginário, uma realidade paralela, um transe, uma viagem, boa e duradoura. Todavia, apesar da maestria e excelência, a Paraíba não cuida de Zé Calixto. A Paraíba não preserva Zé Calixto. A Paraíba parece que não ama Zé Calixto e ignora completamente Zé do X. Tragédia.
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LIVRO: VERSOS EM PANDEMIA RETALHOS DE UM TEMPO SERÁ LANÇADO NESTA QUINTA (16)

Poetas, professores e apaixonados por literatura lançam hoje (16)  um livro de poesia sobre a pandemia ak no Vale. Título: Versos em Pandemia: retalhos de um tempo.

A transmissão do lançamento acontece às 18hs no canal youTube: profvadernobre

1. A proposta do Livro partiu da ideia de dois professores da área de Literatura que resolveram organizar um movimento de produção literária sobre o período complexo advindo da maior pandemia do nosso tempo. A sugestão de produzir poemas veio através das nas redes sociais e, devido ao apelo dos envolvidos, tudo foi transformado em um livro físico, que também tem o objetivo de marcar cronológica e artisticamente o momento atual, os sentimentos das pessoas em relação ao que a humanidade está enfrentando.

2. Os organizadores são o professor Roberto Remígio, do IF Sertão e o professor Vlader Nobre, da UPE.

3. O convite foi realizado pelas redes sociais (facebook, instagram, whatsapp) e surgiram dezenas de poetas, na maioria amadores, profissionais liberais, professores, estudantes, advogados, empresários, músicos, donas de casa, jornalistas, na grande maioria, sem envolvimento com a produção literária. Os fatos que unem essas pessoas são o gosto pela Literatura e a vontade de demonstrar os seus sentimentos, suas angústias e esperanças, em relação ao momento presente.

4. Os poemas foram produzidos pelos interessados, enviados por e-mail, selecionados pelos organizadores em uma comissão de professores da área e as imagens que compõem o livro também foram produzidas e cedidas pelos autores, muitos deles, amantes da fotografia. A capa é do  designer Arthur sobre fotografia do professor Roberto Remígio.

*Alguns autores: Gilberto Santana,  Rildo Remígio, Vlader Nobre, Teresa Leonel, Inês, Jaquelyne,  Ricardo Souza, Marli Melo, Romana de Fátima, Daniel Gomes, Laecio de Barros, Socorro Tavares, Socorro Miranda, Monzitti Bauman, Thiê Gomes,  Claudete Galvão, Marta Veronica,  João Trapiá, Danilo Crisóstomo, Claudiana Margarida, Mariza Auxiliadora, Thiago Jerônimo, Paulo Henrique,  Jota Menezes.

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