MOVIMENTOS SOCIAIS E AMBIENTALISTAS SÃO CONTRA O USO DAS ÁGUAS DO RIO SÃO FRANCISCO PARA A CONSTRUÇÃO DE UMA NOVA USINA HIDRELÉTRICA

Conforme divulgado neste BLOG NEY VITAL, a construção de uma nova hidrelétrica no rio São Francisco, 25 anos após a inauguração da UHE Xingó, última usina a entrar em operação no rio em 1994, ganhou força com a inclusão da UHE Formoso no Plano de Parcerias de Investimentos (PPI) do governo federal. O presidente Jair Bolsonaro assinou decreto que enquadra a UHE Formoso no PPI, segundo publicação no Diário Oficial da União de 25 de maio de 2020. A usina, de 306 MW, tem investimento previsto de R$ 1,8 bilhão e seria construída 12 quilômetros a montante da cidade mineira de Pirapora, sendo a nona UHE instalada no Velho Chico.

Empreendimentos qualificados ao PPI são tratados como prioridade nacional, o que agiliza diversos processos e atos de órgãos públicos necessários para que eles avancem, segundo o governo.No caso da hidrelétrica de Formoso, a qualificação no programa federal foi aprovada “para fins de apoio ao licenciamento ambiental e de outras medidas necessárias à sua viabilização”, de acordo com o decreto.

Segundo o Ministério de Minas e Energia (MME), a Hidrelétrica Formoso “poderá contribuir com o atendimento à demanda de energia do país, de acordo com os critérios de expansão da oferta, continuidade do suprimento frente à entrada de fontes intermitentes de energia no Sistema Interligado Nacional (SIN), reservação de água e regulação do Rio São Francisco”. 

O MME esclareceu também que o empreendimento esta em fase de licenciamento, sob responsabilidade da Quebec Engenharia. Neste momento, a empresa aguarda a liberação do Ibama para emissão da Autorização para Captura, Coleta e Transporte de Material Biológico (ABIO). A expectativa da Quebec Engenharia é a de que o Estudo de Viabilidade Técnica e Econômica (EVTE) seja entregue à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) ainda este ano de 2020.

“O licenciamento é a principal dificuldade do empreendimento visto que o processo ainda demanda a emissão da ABIO para início das campanhas de campo de meio biótico. Com isso, diversas outras demandas devem ser realizadas para apresentação do EIA [Estudo de Impacto Ambiental] e sequência do processo de licenciamento”, disse o gerente de Desenvolvimento da Quebec Engenharia. Vieira disse quevárias etapas do processo de engenharia já foram concluídas, incluindo a topografia, locação dos eixos e implantação de marcos, estando em andamento as etapas de medições de vazão e descargas sólidas.

Segundo Leôncio Vieira, a UHE Formoso tem cronograma de construção de 36 meses a partir da plena autorização para início das obras e definição do concessionário.

O anúncio de que o Governo federal faz ambientalistas questionarem a necessidade e a viabilidade do projeto e temerem o impacto do empreendimento na natureza.

De acordo com os ambientalistas hidroelétricas trazem vários prejuízos, não só pela inundação de áreas naturais e desvio de leitos de rios, como também pelo dióxido de carbono emitido pela decomposição da matéria orgânica que se forma nas áreas alagadas.

A cantora barranqueira de Pirapora, Priscilla Magela é contra a construção da UHE Formoso. “Questionamos a viabilidade e a necessidade desse projeto que trará morte ao Rio São Francisco e as suas comunidades. O Brasil tem potencial para produção de energia limpa como a eólica, e a solar, por exemplo”.

Priscilla Magela comenta que foi criada uma rede social contra a construção da hidrelétrica no Instagram, @velhochicovive. “O objetivo é divulgar a campanha contra a construção da hidrelétrica Formoso em Pirapora e ampliar o debate para a população. O que queremos é o Rio São Francisco vivo”.

O presidente do Fórum Mineiro de Comitês de Bacias Hidrográficas (FMCBH) e presidente do Comitê da Bacia do Rio das Velhas (CBH Rio das Velhas), Marcus Vinícius Polignano disse que foi pego de surpresa pela publicação do decreto. “Fomos surpreendidos pelo Governo Federal com a publicação desse decreto. Precisamos discutir sobre a construção da hidrelétrica em Pirapora no âmbito dos Comitês de Bacia do Alto São Francisco. O FMCBH está aberto a discussão e esta disposto a ajudar o CBHSF no debate”, afirmou Polignano.
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CAATINGA SOFRE COM ALTOS ÍNDICES DE DESERTIFICAÇÃO E VELHO CHICO CONTABILIZA PREJUÍZOS

“O impacto da desertificação na Caatinga é enorme. Esse processo aumenta o carreamento de sedimentos para dentro da calha principal do rio, trazendo efeitos já bem conhecidos ao Velho Chico”, é o que afirma o professor da Universidade Federal do Vale do São Francisco, Renato Garcia.

A Caatinga, único bioma exclusivamente brasileiro, tem aproximadamente 126.336 km² de área deserta ou em fase de desertificação. Um levantamento feito pelo Laboratório de Análise e Processamento de Imagens de Satélite (Lapis), realizado no período de 2013 a 2017 aponta que cerca de 13% do território do Semiárido brasileiro está desertificado. Além dos fatores que incluem as condições naturais, o que tem dado uma enorme parcela de contribuição para esse resultado é a ação humana. 

Em geral, as ações estão relacionadas às atividades econômicas com o uso intensivo do solo, a contaminação de rios com metais e agrotóxicos, além da mineração. O desmatamento e as queimadas estão entre as práticas mais destrutivas, já que deixam a terra vulnerável aos eventos climáticos, reduzindo capacidade de retenção de água e nutrientes.

Originalmente o processo de desertificação se inicia com a degradação da cobertura vegetal que acarreta uma série de efeitos. Ao passar por um desmatamento severo o solo fica desprotegido e tende a perder nutrientes, ficando suscetível à erosão.

 “Isso afeta os organismos que vivem no solo e são responsáveis por permitir a reciclagem da matéria orgânica. Esse princípio, chamado ciclagem de nutrientes, é fundamental para a sobrevivência e manutenção do ecossistema. Sem esse processo, a recuperação da vegetação e da biodiversidade em geral na área é extremamente difícil, isto é, a área não se recuperará sozinha e o processo de desertificação já estará em curso”, afirma Garcia.

De acordo com o Instituto Letras Ambientais, responsável por divulgar a condição da vegetação nas áreas suscetíveis à desertificação no Semiárido brasileiro e em áreas do entorno, quando os solos e a vegetação chegarem a um estado de degradação considerado muito grave, a regeneração das espécies e da produtividade das terras se tornam irreversíveis. Com essa perda genética e biológica, a conservação da Caatinga fica sob ameaça. E quando o bioma está sob ameaça, a saúde humana também sofre o impacto, considerando fatores como insegurança alimentar, comprometimento da qualidade da água e contaminação do ar e do solo, além da mudança na distribuição de vetores de doenças e desastres climáticos, responsáveis por doenças infecciosas e crônicas, desnutrição e mortalidade. O tema sobre os prejuízos da desertificação, degradação das terras e seca sobre a saúde humana foi debatido em 2019 na 14ª Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD), em Nova Deli, na Índia.

Com o objetivo de minimizar o impacto da seca e da desertificação no Brasil, foi instituída a Política Nacional de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca (Lei 13.153/ 2015).

“São questões complexas que demandam um constante acompanhamento por meio da assistência técnica e extensão rural, o que na maioria das vezes não existe. O certo é que devemos cada vez mais discutir a questão no âmbito da bacia do São Francisco conforme disposto no Plano Diretor, que dá uma ênfase muito grande e adequada às questões relacionadas ao Semiárido. O Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco está atento a toda essa problemática e vem investindo recursos oriundos da cobrança pelo uso da água em diversos projetos que estão sendo desenvolvidos, alguns deles sendo licitados, para enfrentar de forma sistemática e científica o avanço da desertificação na bacia do Rio São Francisco”, afirmou o advogado e membro do CBHSF Marcelo Ribeiro.

Embora o problema seja grave, é possível seguir o caminho inverso realizando o uso consciente dos recursos naturais, recuperando as matas ciliares, promovendo o reflorestamento e uso de tecnologias sociais, por exemplo, para captação e armazenamento de água da chuva. (Fonte: Assessoria de Comunicação CBHSF: TantoExpresso Comunicação e Mobilização Social *Texto: Juciana Cavalcante *Foto: Edson Oliveira)



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SALVE O RIO SÃO FRANCISCO: COMUNIDADES TRADICIONAIS PRECISAM DO VELHO CHICO VIVO

Algumas comunidades se tornaram tradicionais na bacia hidrográfica do rio São Francisco. Os Vazanteiros, os Quilombolas, as comunidades dos Fundos e Fechos de Pasto, os povos indígenas são alguns desses povos que não só vivem na região, como sobrevivem do rio.

A comunidade dos Fundos e Fechos de Pasto teve origem no século XVII, mas foi redescoberta apenas recentemente. Seu modo de vida é mais tradicional, eles criam animais e praticam a agricultura pelos sertões da Caatinga e do Cerrado da bacia hidrográfica do rio São Francisco, vivendo basicamente em posses familiares ou comunitárias, como o fundo das roças destinadas a criatório de caprinos, ovinos (fundos) e gado (fechos).

Os Vazanteiros são comunidades que vivem e trabalham nas áreas inundáveis do Médio São Francisco, mais precisamente na região Norte de Minas Gerais e em algumas outras localidades fora da bacia. Eles trazem consigo raízes indígenas e negras, mas recebem bastante influência da vida ribeirinha da bacia. Essas comunidades são caracterizadas pelo modo de vida ligado ao rio, habitam as ilhas e barrancos do rio São Francisco e vivem para observá-lo, já que suas moradias e meios de sustento dependem do nível da água para realizar a pesca, agricultura, a criação animal e o extrativismo, associados aos ciclos da enchente, cheia, vazante e seca.

70 mil índios habitam a bacia do rio São Francisco. São 32 povos indígenas vivendo e sobrevivendo desse rio que, apesar de estar pedindo socorro, sustenta muitas e muitas famílias, inclusive as dos próprios índios. Apesar de sofrerem com a degradação do rio São Francisco, que está sendo prejudicado com a gana do crescimento econômico e com problemas ambientais, o Velho Chico é para os índios fonte de subsistência e referência de vida e cultura.

Já os Quilombolas, tem a presença forte na Bahia e em Minas Gerais. A origem dos negros na bacia do São Francisco firmou-se quando foi desenvolvida extensivamente a pecuária em suas margens, por volta do século XVII. Desde então, são conhecidos lugares chamados “quilombos”, local para onde os escravos iam quando fugiam para ganhar sua autonomia.

O Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco está sempre promovendo encontros com essas comunidades, com o objetivo de discutir a situação delas, dos seus direitos e também programas sobre a revitalização do rio São Francisco. Nesse sentido, há um ano o Comitê entregou à comunidade indígena Pankará, de Pernambuco, o sistema de abastecimento de água, totalmente financiado com os recursos advindos da cobrança pelo uso da água. 

Também os quilombolas do povoado de Resinas, em Sergipe, recebeu uma estrada vicinal de acesso ao povoado. Está em andamento o projeto de construção de um sistema de abastecimento de água para a tribo dos Kariri-Xocó, de Alagoas. Buraquinhos (MG), quilombo onde vivem 25 famílias, também foi beneficiado com a reforma da estrada que o povoado ao município de Chapada Gaúcha.

Essas comunidades dependem do rio São Francisco. Por isso, precisamos manter o Velho Chico Vivo! Entre nessa luta com a gente. (Fonte: Vire Carranca)

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CONSTRUÇÃO DE UMA NOVA BARRAGEM HIDRELÉTRICA E AMEAÇA DO GOVERNO FEDERAL DE INSTALAÇÃO UMA USINA NUCLEAR PÕE EM RISCO O RIO SÃO FRANCISCO

Além de todos os enormes desafios que o Rio São Francisco e sua bacia hidrográfica enfrentam historicamente, existe sempre a possibilidade de surpresas que adicionam novas e potenciais dificuldades à dura tarefa de construir nesse curso de águas estratégico para o Brasil uma gestão de recursos hídricos que se mostre sustentável e à altura da diversidade de interesses de uma vastíssima porção do território brasileiro.

A decisão do governo federal de inserir, em colaboração com o governo de Minas Gerais, mais uma barragem hidrelétrica na região a montante da cidade ribeirinha de Pirapora e as incessantes iniciativas para ressuscitar a construção de um complexo nuclear no Sertão de Pernambuco, utilizando águas do Velho Chico à altura do município de Itacuruba, dão mostras que, independentemente das administrações que se sucedem à frente do governo central, a postura das administrações federais é basicamente a mesma, ou seja, a repetição de um modelo de utilização das águas franciscanas que já se mostra totalmente defasado face às novas realidades hidrológicas, climatológicas, econômicas, sociais e ecossistêmicas do grande rio da integração nacional.

Salta aos olhos que o uso hegemônico das águas franciscanas para a geração de energia hidrelétrica já entrou em crise há muito tempo, seja pelo influxo das novas características das vazões declinantes do Rio São Francisco, seja pela entrada em cena de um novo padrão climático que impõe períodos cada vez mais severos de estiagem, seja pela expansão das populações e dos demais usos múltiplos das águas da bacia hidrográfica, só para citar três fatores essenciais que tornam a ideia dessa nova barragem totalmente discutível à luz daquilo que é melhor para o interesse público.

Quanto à ideia de construção do complexo nuclear na região do semiárido é iniciativa que continua cercada de inúmeros fatores de dúvida quanto à sua oportunidade, eficácia, relação custo benefício, qualidade da tecnologia a ser utilizada e sobretudo quanto aos dramáticos aspectos ambientais e de risco embutidos em um tipo de empreendimento que vários países do mundo, com desenvolvimento de ponta, estão pouco a pouco abandonando porque o problema do lixo nuclear gerado e os impactos de um acidente são simplesmente insuportáveis sobretudo para países economicamente vulneráveis como é o caso do Brasil e de sua região Nordeste.

Quanto a esse último aspecto é bom lembrar que o Rio São Francisco não tem “plano B” como estamos cansados de alertar em relação ao desastre nacional que seria o comprometimento das águas do Velho Chico caso haja novos rompimentos de barragens de rejeito de minério capazes de atingi-lo de forma irreversível. Em relação a um acidente nuclear ou até mesmo um vazamento sério de radioatividade a tragédia seria ainda maior visto que o Rio São Francisco, com a contribuição das águas dos seus afluentes, responde pela disponibilidade hídrica do Norte de Minas Gerais, da região semiárida brasileira e por nada menos do que 70% da disponibilidade hídrica de todo o Nordeste brasileiro e sua enorme população.

É de lamentar que tais iniciativas, como é recorrente há décadas, se façam sempre sob a égide de um centralismo prepotente que ignora o grande contencioso de conflito que tais empreendimentos embutem, o que, no mínimo, aconselharia aos responsáveis por tais iniciativas terem o cuidado de ouvir a todos os estados, populações, segmentos de usuários, municípios que serão diretamente afetados por obras e equipamentos dessa natureza.

Se as coisas caminhassem conforme preceitua a Lei Nacional das Águas, ou seja, a Lei 9.433, que estabelece os princípios participativos, de compartilhamento e descentralização na gestão dos recursos hídricos, o encaminhamento de propostas de teor tão polêmico seria bem diferente do que se mostra atualmente. E aí seria possível demonstrar que empreendimentos como os que estamos tratando aqui simplesmente vão na contramão do Pacto das Águas que é preciso construir na Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco se quisermos, efetivamente, garantir a segurança hídrica que o Brasil vai precisar no presente século.

Além de geração hidrelétrica é preciso entender que as águas do Velho Chico atendem à irrigação, à indústria, à mineração, à agricultura familiar, à aquicultura, à navegação, à pesca artesanal, ao turismo, à prioridade das prioridades que é a captação de água para abastecimento humano e também à vida aquática tão agredida por décadas de uso predatório. Tudo isso somado às vazões que se destinarão ao Projeto da Transposição indica que a hidrelétrica e a usina nuclear precisam de um amplo, tecnicamente sólido e democrático debate antes que decisões unilaterais, que não olham a bacia como um todo, sejam tomadas à revelia da sociedade.

Anivaldo de Miranda Pinto
Presidente do Comitê Bacia Hidrográfica do São Francisco

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MÚSICA DE FÁTIMA E BIRA MARCOLINO ESCRITA HÁ MAIS DE 20 ANOS RETRATA AUSÊNCIA DOS FESTEJOS JUNINOS 2020


O São João 2020 não foi fácil para nenhum nordestino. Para os paraibanos, então, deixar de lado uma das maiores festas do estado trouxe até tristeza. Há mais de 20 anos, em 1996, Bira Marcolino, compositor paraibano, escrevia junto a irmã, Fátima Marcolino, a música Siá Filiça. Mas o fato é que nenhum dos dois jamais imaginaria que ela representaria com tanta força um mês que jamais significou "vontade de chorar". Hoje, dia de São Pedro, também haverá mais silêncio. E mais saudade.

As lives, no entanto, foram a garantia de que ao menos forró não faltaria para os amantes da festa junina. Santanna, O Cantador, e Flávio José representaram o autêntico forró pé de serra na véspera de São João, fazendo a alegria de tantos forrozeiros, assim como a cantora Elba Ramalho e tantos outros artistas.

Bira Marcolino, no entanto, é alguém que poucos conhecem, mas que merece a sua devida importância, principalmente neste ano em que o São João nos deixou escorrer pelos olhos a dor da saudade. Nascido na cidade de Prata, no Cariri da Paraíba, Bira já morou em varias cidades.

"Cadê a lenha da fogueira
Siá Filiça
Cadê o milho pra assar
Cadê aquele teu vestidinho de chita

Que tu vestia pra dançar
Cadê aquele sanfoneiro
Que eu pedia pra tocar
A canção da minha terra
Um forró de pé-de-serra
Que eu ajudava a cantar
Quando me lembro disso tudo
Siá Filiça
Me dá vontade de chorar"
A música marcou o período junino porque fez qualquer nordestino lembrar dos simbolismos que marcam essa época: o vestido de chita, o milho, a fogueira, balão e o sanfoneiro. Bira e Fátima jamais imaginariam que ela realmente fosse representar dor em algum momento.

Mas quem é Siá Filiça? Siá vem do termo "sinhá", uma espécie de abreviação. E Filiça vem de Felícia, uma senhora que morava na cidade da Prata, na Paraíba, e que todos gostavam muito de brincar com ela quando eram pequenos. Segundo Bira, ela sempre andava com uma lenha. Certo dia, ele estava com a irmã em Caruaru e pensou em "Siá Filiça", que era como chamavam Felícia, e a irmã disse que dava uma boa música.

Então começaram a escrever. Fátima Marcolino foi a autora da frase: "minha esperança ainda dorme, e eu com pena de acordar", que retrata um pouco a espera e o desejo de que a pandemia do coronavírus passe, e o São João volte a ser como era.

Quando foi escrita, muitos artistas queriam gravar a música. O primeiro foi Ezequias Rodrigues, que gravou com voz e violão. Depois veio Santanna e Ademário Coelho, da Bahia. Mas foi com O Cantador que a música fez sucesso.

Hoje, Bira tem 61 anos. Para um compositor de forró, deixar o São João morrer seria até um crime. "O São João está na veia da gente, o forró está na veia da gente. Sem São João a gente se sente fora d'água, mas não deixa de ouvir não. Eu fiz meu São João sozinho, no mato", conta.

A música foi a grande emoção da live de Santanna na véspera de São João. Quem assistiu, certamente se emocionou. Antes de cantar, disse algumas palavras: "vou me despedir de vocês com uma música... eu não vou pedir desculpa por me emocionar, porque é a emoção que move o mundo. A emoção é impressionante. Me despeço de vocês com essa canção, que é a música que melhor representa o São João este ano".

Ao fim, tirou o chapéu. Ali, estava representada a tristeza, mas também a esperança de todos se reencontrarem novamente entre público e palco, forró, xaxado e baião.

"A música foi que me escolheu, me escolheu como intérprete principal dela. Ela faz parte da minha vida. Ela foi eleita a música do São João desse ano, e o sentimento é muito grande. A gente que é sertanejo, a gente sabe o que significa uma festa junina para nós. Eu fico impressionado como a música Siá Filiça entra na vida das pessoas", relata.(Por Dani Fechine, G1 PB)
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LINGUIÇA DE PEIXE DE SOBRADINHO, BAHIA É DESTAQUE DURANTE O FESTIVAL SÃO JOÃO DA MINHA TERRA

A iguaria chama a atenção pela originalidade e sabor. A linguiça de peixe de Cida Pescadora, que integra a Cooperativa de Produção e Comercialização de Derivados de Peixes de Sobradinho (COOPES),  empreendimento atendido pelo Centro Público de Economia Solidária do Sertão do São Francisco (CESOL-SSF) em Juazeiro-BA, esteve entre os ingredientes de uma das receitas apresentadas pelo chefe de cozinha Guga Rocha, durante a programação virtual de lives do Festival de Economia Solidária São João da Minha Terra, que aconteceu entre os dias 22 a 24 de junho.

A receita Linguiça de Tilápia ao Molho Barbecue foi apresentada no dia 23 de junho e o preparo foi pensado com ingredientes oriundos de cinco empreendimentos dos Centro Públicos de Economia Solidária do Estado da Bahia. "É uma maravilha ter um produto artesanal de uma pescadora nas mãos de um cozinheiro renomado como Guga Rocha", enfatizou Maria Aparecida Mendes.   

A linguiça de peixe é apenas um dos itens presentes na carta de produtos da pescadora. Filé de tilápia, cafta, bolinhos, kibe, peixe em pó estão entre os alimentos beneficiados por Cida em Sobradinho, conhecida como Terra da Barragem, localizada no interior baiano. Os alimentos chamam a atenção e a curiosidade dos clientes do Vale do São Francisco, que visitam a loja de Economia Solidária Empório Meu Sertão.  

A história de Maria Aparecida Mendes começou há 35 anos, com o trabalho de beneficiamento, aproveitamento e agregação de valor ao pescado. A relação de amor e carinho com a profissão despertou o interesse de Cida em confeccionar produtos derivados do peixe.

"Descobri que poderia fazer tudo que se faz com carne usando o peixe. Não tinha linguiça, comecei a fazer. Hoje tenho uma carta com cerca de 100 produtos. Trabalho por linhas: restaurante e supermercado; barzinho e lanchonete; merenda escolar e salgados", explicou Cida.

EMPODERAMENTO: Atualmente, Maria Aparecida Mendes realiza cursos de capacitação para mulheres pescadoras sobre beneficiamento e agregação de valor ao pescado, em feiras e eventos em todo estado. "Meu foco é a mulher pescadora e como sofri discriminação, decidi empoderar outras mulheres da comunidade", pontuou a pescadora.  

 A iniciativa surgiu após perceber a exploração do trabalho feminino com o pescado e a desvalorização desta atividade em Sobradinho. Para sair dessa situação, a solução encontrada por Cida foi vender o peixe diretamente na mão do consumidor final.

"Tratava o peixe e ia vender na casa das donas de casa e elas passaram a ver que o trabalho que eu oferecia era melhor do que o que ela comprava na mão do atravessador ", enfatizou a pescadora.

FESTIVAL SÃO JOÃO DA MINHA TERRA- O Festival virtual de Economia Solidária São João da Minha Terra foi uma iniciativa da Secretaria de Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (SETRE) e dos 13 Centro Públicos de Economia Solidária do estado da Bahia. A comercialização dos produtos aconteceu no período de 13 a 24 de junho e a programação de lives contou com a apresentação de diversos artistas como Targino Gondim, Del Feliz, Adelmário Coelho, além da presença de chefes de cozinha renomados como Bela Gil, Guga Rocha e Rosa Gonçalves.  

Quem quiser experimentar a linguiça de peixe, bolinhos, cafta e filé de tilápia pode ir até a loja Empório Meu Sertão, que fica na Rua Canafistola, nº 148, Centenário, em Juazeiro. Para maior comodidade e segurança, as compras também estão sendo feitas na internet no link: https://balcao.online/emporiomeusertao. As entregas delivery são feitas em Juazeiro e Petrolina e estão sujeitas a taxa.

Encontre seu produto:
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Loja física: Rua Canafistola, nº 148, Centenário, Juazeiro-BA - (De segunda a sexta, das 8h às 12h).

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AUMENTO DO NÚMERO DE CASOS PELA COVID-19 EM JUAZEIRO TEM REPERCUSSÃO NACIONAL

Esta semana cidades de todo o Brasil recuaram na reabertura, numa tentativa de conter a alta de casos que se seguiu à flexibilização do isolamento social. E fica a pergunta: qual é o momento de dar um passo à frente sem ter que dar um outro para trás?

No nosso país, cada município, cada estado, têm autonomia para decidir como vai combater o coronavírus. A questão é que muitos dos 5.570 municípios parecem estar tomando decisões sem ouvir os especialistas nem combinar com o vizinho.

Os números da pandemia disparam, as autoridades percebem que avançaram o sinal, e voltam atrás na reabertura dos negócios. E enquanto os governantes tropeçam no vai e vem das decisões, o único que avança, mesmo, é o vírus. Ele que, ao contrário dos municípios, não tem limites, já chegou a praticamente 90% deles.

O programa do Fantástico/TV Globo de ontem domingo (28) trouxe uma reportagem mostrando esse recuo de alguns municípios. Na reportagem, foi realizado um levantamento com um ranking que dá o panorama da situação nas cidades ao redor do Brasil na luta contra a Covid-19.

A reportagem selecionou a evolução de casos acumulados nos municípios com mais de 100 mil habitantes no país nos últimos 14 dias - com dados do Ministério da Saúde de 14 de junho até o último sábado (27). Esse período foi escolhido porque é o tempo que os especialistas afirmam ser necessário para que as medidas tomadas comecem a ter efeito.

Entre as 10 cidades que mais sofrem com o aumento de casos, a cidade de Juazeiro, Bahia é citada. Segundo os dados apresentados são 223,12% (crescimento de 4,46 vezes.

De acordo com os dados da Secretaria da Saúde em Juazeiro até ontem o número de pacientes positivos infectados chega a 585 pessoas. Juazeiro ainda registra a recuperação de 186 pessoas, ou seja, estas pessoas estão clinicamente curadas.

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