Rio São Francisco e as dificuldades de encontrar o mar

Aos 73 anos, nascido e criado em Piaçabuçu, onde o Rio São Francisco encontra o mar, Durvan Gonçalves é, ele próprio, uma foz e voz – de memórias. Aposentado há pouco mais de uma década, passou a vida inteira dentro do rio.

“Sou do tempo em que os pescadores voltavam para casa com o barco forrado”. A fartura era tanta que Seu Durval, como é conhecido no município de 19 mil habitantes, situado no estado de Alagoas, criou 12 filhos, todos “estudados”, como faz questão de ressaltar. “Estamos vendo o rio morto, morto… Antes era canoa cheia de pilombetas, agora nem pra comer”, afirma, olhando desolado para aquele pedaço de São Francisco sendo engolido pelo mar.

A situação na cidade é, de fato, crítica. Piaçabuçu encontra-se entre os municípios mais afetados pela salinização das águas, ocasionada pela baixa vazão do São Francisco. Sem forças para correr para o mar, o rio vem sendo invadido por ele. 

Texto: Vitor Luz e Fotos: Edson Oliveira
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Sanfoneiro da Banda Fulô de Mandacaru defende legado de Luiz Gonzaga

Em rede nacional estive com a Banda Fulô de Mandacaru no Programa do Ratinho. Realizei algumas reflexões sobre o atual contexto da Cultura Popular e gostaria de compartilhar com vocês. 

Inicialmente ficamos muito felizes em mais uma vez representar nosso povo em rede nacional. Esse fato muito nos orgulha, pois a Fulô de Mandacaru conquistou o mérito artístico nacional através da vontade popular, desenvolvendo Cultura Popular, como foi no Superstar em 2016, levando nosso Forró.

São 16 anos de luta em defesa do Forró, e principalmente do legado Gonzagueano.
Quando citei acima "É Nordeste na Cabeça" quero usa-lo como metáfora para sensibilizar e provocar uma reflexão sobre a atual penumbra musical das festas juninas, e gostaria de dividir esse sentimento com vocês. Ontem, mais uma vez, fiquei com a esperança renovada em ver que estamos no caminho certo, em defender uma concepção da música popular brasileira que é extremamente respeitada pela qualidade e credibilidade conquistada pelo nosso grande mestre, LUIZ GONZAGA.

O apresentador Ratinho, fez questão de apresentar o programa inteiro com o chapéu de couro na cabeça, além de receber com imensa gratidão uma obra em barro da minha terra, do Alto do Moura, do País de Caruaru! Além de todo carinho e respeito com nosso trabalho, Ratinho perguntou se era melhor ir para Caruaru ou Campina Grande no São João desse ano.
Olha que coincidência do destino? Exatamente no mesmo dia em que os órgãos competentes pela captação, planejamento e execução do São João de Campina Grande divulgam uma programação que é extremamente criticada nas redes sociais por não valorizar a Cultura Popular e os verdadeiros artistas que fizeram essa grandiosa festa ao longo dos anos. 

Ressalto que nossa crítica não está voltada ao povo de Campina Grande, muito pelo contrário, estes cidadãos e cidadãs é que estão defendendo, em sua maioria, a tradição e a necessidade da valorização dos verdadeiros forrozeiros para o evento. É importante destacar que temos verdadeiros forrozeiros na programação, mas uma minoria.

Fiz questão de convidar Ratinho para o São João de Caruaru e defender em rede nacional nossa cidade, nosso turismo, nossa cultura. Meu objetivo não é de aumentar a rivalidade entre as cidades, mas despertar que Caruaru não cometa o mesmo erro da hipervalorização do "breganejo" em uma Festa de São João. Essa mesma crítica estendo às demais festas juninas em todo Nordeste, mesmo fazendo parte da maioria delas. Estou defendendo a cultura, tradição e educação, não apenas um cachê.

Por fim, deixo minha reflexão visando contribuir para um debate maduro, coeso e argumentativo sobre qual legado queremos deixar para as futuras gerações.  Respeito todas manifestações culturais, e gostaria do mesmo respeito com a nossa, do meu povo, o cidadão e cidadã nordestino(a) e toda nossa tradição! Cultura é Educação!

Numa geração em que alguns artistas utilizam o sufixo "ÃO" ou "ÕES", como algo que desejem passar uma mensagem de grandiosidade ou supremacia capital, venho reafirmar que meu maior ídolo utiliza esse mesmo sufixo, "ÃO", mas com uma concepção cultural completamente diferente, ele chama-se GONZAG"ÃO"!
Vamos refletir? É Nordeste na Cabeça!!!

Fonte: Armandinho do Acordeon-Sanfoneiro da Banda Fulo de Mandacaru- É doutorando em Educação pela Universidade Federal da Paraíba
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Blog Ney Vital ganha novo formato. Mais moderno e ágil

O blog do jornalista Ney Vital ganhou novo formato. A página www.neyvital.com.br integra a Ablogpe-Associação dos Blogueiros de Pernambuco tem agora um layout mais moderno. A mudança agrega novas ferramentas, dinamizando ainda mais a apresentação do conteúdo para os leitores.

Abordando artigos sobre música brasileira, literatura, informações culturais,  política, meio ambiente, o blog Ney Vital  é uma referência em conteúdo e acessos: O endereço www.neyvital.com.br recebe mais de 100 mil visualizações.  Com  a renovação, o blog agora pode ser visualizado em qualquer dispositivo. 

Ney Vital é jornalista. Pós-Graduado em Ensino de Comunicação Social, onde defendeu na Universidade Estadual da Bahia a tese O Jornalismo e a  produção de Sentido na Obra de Luiz Gonzaga. Trabalhou com editor e produtor de jornalismo das afiliadas Globo em Petrolina e Juazeiro. Foi assessor de imprensa do Incra-Superintendência do Vale do São Francisco.
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Pianista Arthur Moreira Lima apresenta "Um Piano pela Estrada" tocando Mozart, Luiz Gonzaga, Villa Lobos e Beethoven

Considerado um dos melhores pianistas do país, o carioca Arthur Moreira Lima começou a estudar música aos seis anos de idade, e já aos nove tocou um concerto de Mozart com a Orquestra Sinfônica Brasileira. Precoce, o intérprete estudou em Paris e em Moscou e ganhou importantes concursos internacionais, como o Concurso Chopin de Varsóvia, o Concurso de Leeds, na Inglaterra, e o Tchaikovsky, em Moscou.


Além de interpretar grandes nomes da música clássica, a exemplo de Bach, Beethoven e Mozart, Arthur Moreira Lima é reconhecido pelo seu trabalho de resgate das raízes culturais brasileiras, com releituras de Villa-Lobos, Ernesto Nazareth e Pinxinguinha. Com mais de 50 anos de carreira, o músico já gravou nos Estados Unidos, Inglaterra, Rússia, Japão, Suíça, Bulgária e Polônia.

Os moradores do Vale do São Francisco terão a oportunidade de assistir o projeto "Um piano pela estrada", que fez o consagrado pianista Arthur Moreira Lima percorrer o Brasil em 531 apresentações, ao longo de 14 anos.

Arthur Moreira estará em Petrolina no dia 16 às 19hs na Praça Dom Malan. Em Juazeio-Bahia a apresentação acontece na Orla II, às 19hs.

"O objetivo é um só: levar a música clássica ao alcance de todos. A música erudita acaba sendo vista como uma coisa imponente e elitista. Por que precisa ser assim? A arte vem do povo e é do povo. Fico satisfeito comigo mesmo ao ver que consegui sair do pedestal que, muitas vezes, artistas do meu meio se colocam", explica Arthur, que tem no currículo apresentações com orquestras internacionais, como as de Berlim, Viena, Moscou e Praga.

O repertório mescla o erudito e o popular, com obras de Mozart, Beethoven, Chopin, Villa-Lobos, Pixinguinha e Luiz Gonzaga. "Juntei músicas clássicas que se tornaram populares, pois qualquer um conhece, e músicas populares que viraram clássicas, já que resistiram ao tempo e encantam qualquer ouvinte", conta.

"Sou um pouco pernambucano também. Meu pai era de Garanhuns", revela o pianista.

Com seu caminhão-teatro, Arthur teve a oportunidades que poucos instrumentistas já tiveram: tocar em todos os estados do País, além do Distrito Federal. "Literalmente, já fui do Oiapoque ao Chuí. Eu e minha produção já visitamos quase todos os rincões do Brasil. Já nos metemos até no meio da Amazônia, percorrendo rios para chegar aos nossos destinos", recorda.

"O que me deixa gratificado é a recepção do nosso trabalho. A cada ano que passa, mesmo com as dificuldades, o público só aumenta. É a prova de que tudo que as pessoas só precisam de uma oportunidade para conhecer e gostar de música", relembra.

Com mais de 50 anos de carreira, o músico não pensa em abandonar seu projeto itinerante nem tão cedo.


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Feira Nacional da Reforma Agrária celebra Festa da Colheita com participação de Targino Gondim

A Feira Nacional da Reforma Agrária ocorre entre os dias 4 e 7 de maio, no Parque da Água Branca, na capital paulista. 

A feira terá uma programação cultural com tenda literária, seminários, apresentações teatrais e shows. Entre as apresentações musicais, estão confirmados além de Targino Gondim e Chico Cesar, Tulipa Ruiz, Tico Santa Cruz, Liniker e os Caramelows, Pereira da Viola, entre outros. 

Durante a feira, caminhões com mais de 200 toneladas de alimentos, produzidos em 23 estados, além do Distrito Federal, estão em São Paulo com mais de 500 agricultores que fazem parte do MST para participar da feira.


A questão da alimentação saudável é um tema central que o movimento quer trazer para a sociedade. “Estamos debatendo soberania alimentar, mas agora, mesmo para quem nunca passou fome na vida, não tem a segurança de saber o que está comendo. Até chegar na nossa mesa, alguém já decidiu a forma de produção, quanto veneno usou, se é transgênico”.

João Paulo Rodrigues, da coordenação nacional do MST, diz que este é um momento de celebração para a população camponesa. “É um momento de reunir todo o nosso campo popular, em um momento difícil que vive a sociedade brasileira, para celebrar as conquistas. É trazer a festa da colheita do campo aqui para a cidade”, disse. Segundo o coordenador, este também será um momento de crítica e reflexão sobre a conjuntura política do país e sobre o modelo de desenvolvimento do campo brasileiro.



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Professora Clarissa Loureiro comenta livro "Dias de febre na cabeça", de Nivaldo Tenório

A Obra “ Dias de febre na cabeça” de Nivaldo Tenório vai além do conto que a nomeia, sintetizando todas as suas narrativa na palavra INCÔMODO. As personagens vivenciam “febres” que se desdobram em linguagens e situações peculiares determinadas por enredos aflitos. 

Por isso, é uma obra que prende, fere, excita o leitor do século XXI que encontra nestas narrativas temas tabus contemporâneos despejados em sua face como um vômito engolido diariamente pela necessidade de se alimentar uma velada saúde mental e física. São personagens eterna ou momentaneamente doentes. E, por isso, são tão atraentes no que escondemos de nós mesmos. Destaco entre as estórias grupos temáticos.

1- A febre desregrada:“Silvio”, “Medo”, “ Caledoscópio” e “ Quebra-cabeça” são textos que se identificam pela INTENSIDADE DA FEBRE que leva as personagens a situações extremas que associam morte e libertação. Exterminar a família, incendiar a casa, suicidar-se são escolhas instantâneas para as personagens se libertarem de pesos maiores do que os carregados por Sísifo. Nestas narrativas e nas dos próximos grupos, a casa tem o sentido antropológico e poético encontrado em “ A poética do espaço” de Bachelard. Ela é espaço simbólico de memória queparalisa e, ao mesmo tempo, desperta situações de febre, sendo a atmosfera que constrói a pisique dos protagonistas.

2- A febre que degrada: “ Pulgas”, “ Reforma” e “Dias de Febre na cabeça” são textos cujo passado é um sujeito argente que vai degradando os personagens até chegarem a uma situação limite. É um passado- presente alimentando a decadência: seja física nas mordidas de um pulga, seja social na queda de um homem a condição dostoievskiana a “ homem do subsolo”, seja existencial, na trágica decisão do suicídio gradativo na casa onde se viveram-se febres físicas.

3- A febre que rega: “ Entardecer” e “ Depois da Chuva” ressignificam a febre, fazendo dela um artifício da esperança encontrada na caixa de Pandora. É necessário encoleirar-se de febre para abandonar os fantasmas amorosos do passado ou a família doente do presente. Talvez, este seja o maior legado da obra. Há sempre um depois....da CHUVA, DA FEBRE, DO CÂNCER.


Fonte: Clarissa Loureiro-professora da UPE. Doutora em Teoria da Literatura
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Assisão e o Grupo de Xaxado Cabras de Lampião iniciam aulas espetáculos

A II edição do Projeto Forró dos Cangaceiros – aula-espetáculo do cantor Assisão e do Grupo de Xaxado Cabras de Lampião – percorre as escolas das rede estadual de Pernambuco durante o mês de maio e junho. A cidade escolhida para a estreia é Tuparetama, no Sertão do Pajeú. O evento acontecerá neste sábado (6), a partir das 20h, no Balaio Cultural, para a Escola de Referência em Ensino Médio (EREM) Cônego Olímpio Tôrres.

Nesta edição, o cantor Assisão convidou o Grupo Cabras de Lampião para reforçar o projeto, que consiste em apresentações musicais e aulas sobre a cultura nordestina, com ritmos como o xaxado e pé de serra, forró dos cangaceiros e forró autêntico.

Além de Tuparetama, o projeto passará pelas cidades de Calumbi, Camaragibe, Vicência, Custódia, Limoeiro, Aliança e Carnaíba. (Foto/Ascom)

Francisco de Assis Nogueira, Assisão, nasceu no dia 05 de maio de 1941, na Fazenda Escadinha, município de Serra Talhada, Pernambuco. 

Já aos 11 anos de idade, começou as suas atividades artísticas como compositor. Embora não tenha nenhuma formação em música, é exímio compositor, tendo sido chamado por Dominguinhos de “o maior sanfoneiro de boca do Nordeste”, tamanha sua versatilidade em compor sem ter conhecimento musical. 

“Quando menos espero, surge a inspiração e as músicas saem naturalmente”. Possuidor de uma enorme sensibilidade, ele é capaz de saber antecipadamente quais as músicas que farão sucesso. O início de suas atividades profissionais como cantor começou com o lançamento de um compacto e atualmente já gravou vários discos. 

Seus maiores sucessos, no entanto, aconteceram nos anos de 1987, 1988 e 1989. No trabalho de 1987, foram vendidas cerca de 210 mil cópias. Em 1988, 180 mil cópias e em 1989, 190 mil. Somente nestes anos foram quase 600 mil cópias vendidas de seus trabalhos em todo país, o que o concedeu três “discos de ouro” consecutivos e o título de “Rei do Forró”. 

As músicas dele são tocadas em todas as regiões do Brasil. Das 600 canções autorais, 200 já foram gravadas por outros artistas.
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