LIVRO RETRATA O LADO MATERNO DE ELIS REGINA

Há uma Elis Regina que pertence à memória coletiva do Brasil, aquela cuja voz arrebatadora e presença de palco a transformaram em um dos maiores nomes da música brasileira. Existe, porém, uma outra Elis, menos conhecida, que conheceu as alegrias, os dilemas e as imperfeições de exercer a maternidade.

Depois da sua morte em 19 de janeiro de 1982, quando morreu aos 36 anos, restaram para os filhos João Marcello Bôscoli, Pedro Mariano e Maria Rita as lembranças de uma convivência interrompida cedo demais. Algumas se apagaram, outras permaneceram vivas – mas boa parte passou a ser reconstruída no documentário “Elis & Eu”, disponível a partir desta terça-feira (25) no Universal+. O filme revisita a relação entre mãe e filhos e apresenta a artista em sua dimensão mais materna e humana.

Dirigido pelo cineasta André Bushatsky, o longa expande para o audiovisual, de forma ainda mais profunda e afetiva, as memórias do produtor musical João Marcello reunidas no livro “Elis e eu – 11 anos, 6 meses e 19 dias com minha mãe”, publicado em 2019. Ao longo de 80 minutos, a perspectiva íntima do primogênito, que viveu 12 anos ao lado da mãe, é o fio condutor de “Elis & Eu”.

“Nem sempre a pessoa por trás de um grande artista é tão interessante quanto a obra que ela produz. No caso da Elis, acho que havia uma sintonia entre as duas coisas”, destaca João Marcello em entrevista ao Diario.

Seu depoimento se entrelaça a imagens de arquivo e entrevistas inéditas com pessoas que fizeram parte da trajetória da cantora, como o filho Pedro Mariano, a cantora e amiga Wanderléa, a ex-secretária pessoal Celina Silva, o jornalista Julio Maria, autor da biografia “Elis Regina – Nada Será Como Antes” (2015), e o guitarrista e diretor musical Natan Marques, que acompanhou Elis em seu último show.

Em um dos relatos, Natan revela os bastidores da escolha de “Como Nossos Pais”, de Belchior, para o disco “Falso Brilhante” (1976). Ele sugeriu que os arranjos da canção fossem inspirados em “Something” (1969), dos Beatles. “Eu não sabia disso. Na hora, essa informação puxou lembranças de situações em que eu tive a oportunidade de estar perto e acompanhar como Elis tomava suas decisões”, conta João.

O passado também ganha uma dimensão visual por meio de sequências dramatizadas que reconstituem episódios da vida de Elis e da infância de João Marcello. Para interpretar a cantora, o filme convidou Lilian Menezes, que já havia vivido Elis no espetáculo “Elis, A Musical”. Os atores mirins Antônio Menqui e Victor Constantino representam o filho aos 6 e 9 anos, respectivamente.

Essa reconstrução, reservou novas perspectivas até para quem viveu essa história de perto. “Antes, eu precisava fechar os olhos para visitar essas memórias. Agora posso vê-las de olhos abertos”, celebra João.

Um dos relatos mais marcantes do documentário remonta aos primeiros meses de vida de João Marcello, quando ele enfrentou sérias complicações de saúde e os médicos chegaram a avisar Elis de que o bebê provavelmente não sobreviveria àquela noite. Diante da possibilidade de perder o filho, ela o colocou sobre o peito e passou a madrugada inteira conversando com ele, em uma espécie de despedida. Na manhã seguinte, porém, João apresentou uma melhora inesperada. Surpreso com a recuperação, o médico ouviu o relato de Elis e teria dito: “A sua voz salvou o seu filho”.

Uma história que ficou fora do documentário, mas que ajuda a dimensionar a mulher que Elis foi, aconteceu em sua última passagem pelo Recife, dois anos antes de sua morte. Entre 13 e 17 de dezembro de 1979, ela apresentou o espetáculo “Essa Mulher” no Teatro do Parque. A primeira sessão foi dedicada ao estudante pernambucano conhecido como Cajá, que estava preso.

No segundo dia, após ser ameaçada, Elis foi mais sutil. Entrou no palco sem o baterista Dudu Portes e disse que não poderia iniciar o espetáculo sem ele. O músico estava escondido em meio à plateia. “Vem cá, já. Não posso começar o espetáculo sem você”, disse ela. O público entendeu o recado e aplaudiu. “Essa história já diz muito sobre quem ela era. Acho que o filme honra justamente essa mulher”, conclui João Marcello.

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CIÊNCIA BRASILEIRA DEBATE RESTAURAÇÃO DO BIOMA CAATINGA E COMBATE À DESERTIFICAÇÃO

A restauração da Caatinga, a conservação da biodiversidade e o fortalecimento das ações ambientais estão entre os temas presentes nos debates da COP17, acompanhados pelo g1 em Ulaanbaatar, Mongólia. No Pavilhão Brasil, a Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf) participa das discussões sobre desenvolvimento sustentável, regularização ambiental e restauração da Caatinga. No Sertão de Pernambuco, a universidade mantém, há cerca de 18 anos, projetos de pesquisa, monitoramento e recuperação ambiental no Núcleo de Desertificação de Cabrobó.

Um dos painéis apresentados na programação do Pavilhão Brasil foi “Environmental Licensing as a Tool to Drive Sustainable Development” (“Licenciamento Ambiental como Ferramenta para Promover o Desenvolvimento Sustentável”). O painel teve como um dos participantes Renato Garcia Rodrigues, professor e pesquisador das áreas de ecologia e conservação da Univasf, que conversou com o g1 Petrolina durante a COP17, em Ulaanbaatar. A atividade tratou da experiência dos programas ambientais desenvolvidos para o Projeto de Integração do Rio São Francisco.

Renato também apresentou outro painel na COP17, intitulado “From Environmental Regularization to Restoration at Scale: Strengthening Institutional Capacity to Combat Desertification in the Caatinga” (“Da Regularização Ambiental à Restauração em Escala: Fortalecendo a Capacidade Institucional para Combater a Desertificação na Caatinga”).

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MINISTROS DEFENDEM EXIGÊNCIA DE DIPLOMA PROFISSIONAL EM JORNALISMO

Os ministros Flávio Dino e Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), defenderam a necessidade de reavaliar o marco regulatório do exercício profissional do jornalismo no Brasil, incluindo a dispensa da exigência de diploma em Jornalismo.

As declarações ocorreram durante julgamento na Primeira Turma do STF sobre um pedido de direito de resposta relacionado a uma reportagem exibida pela TV Globo sobre denúncias de abusos sexuais.

Ao devolver um pedido de vista, Flávio Dino afirmou que a decisão da Corte que afastou a obrigatoriedade do diploma tornou mais complexa a discussão sobre as garantias constitucionais relacionadas ao exercício profissional do jornalismo, especialmente diante da expansão das redes sociais.

O ministro ressaltou que respeita o entendimento firmado pelo STF, mas indicou que o tema pode voltar a ser analisado pela Corte. Segundo Dino, a possibilidade de qualquer pessoa se apresentar como jornalista traz novos desafios para a definição e a proteção das prerrogativas associadas ao jornalismo profissional.

Na sequência, Alexandre de Moraes concordou com a necessidade de aprofundar a reflexão sobre o tema e defendeu a possibilidade de regulamentação da atividade, inclusive com a adoção de regras de transição para profissionais que já atuam no setor.

Moraes também destacou os impactos das redes sociais sobre o conceito de liberdade de imprensa e a necessidade de preservar a atividade jornalística profissional como instrumento de garantia do direito à informação e de fortalecimento da democracia.

DECISÃO 2009: Em 2009, o STF decidiu que o diploma de curso superior em Jornalismo não era requisito obrigatório para o exercício da profissão.

No julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 511.961, por 8 votos a 1, o Plenário afastou a exigência prevista no Decreto-Lei nº 972/1969. Na ocasião, a maioria dos ministros entendeu que a obrigatoriedade não havia sido recepcionada pela Constituição Federal de 1988 por representar uma restrição às liberdades de expressão, informação e imprensa.

A decisão permanece vigente e estabelece o atual marco jurídico sobre a exigência de formação específica para o exercício profissional do jornalismo. 

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JOSE MIGUEL WISNIK LANÇA LIVRO SOBRE MÚSICA E LITERATURA

 Está no ar o 167º episódio do 451 MHz, o podcast dos livros. Este episódio traz uma conversa com o grande ensaísta José Miguel Wisnik, que está lançando a coletânea de ensaios Viagem do recado: música e literatura (Companhia das Letras), sobre os caminhos cruzados entre a música e a literatura no Brasil. Wisnik fala no programa da sua obsessão pelo conto “O recado do morro”, de Guimarães Rosa, que inspirou o ensaio que dá nome ao livro, e também reflete sobre a mistura entre fala e escrita. O episódio foi realizado com o apoio da Lei Rouanet – Incentivo a Projetos Culturais.

José Miguel Wisnik é, a um só tempo, instrumentista, compositor, professor de literatura e ensaísta. Geralmente, quem exerce esses talentos costuma separá-los. Mas, no caso, Wisnik não segmenta as habilidades e as atividades. Essa singularidade é uma das razões do olhar original que lança sobre a literatura e sobre a canção brasileira na série de ensaios reunidos no novo livro,  Viagem do recado: música e literatura (Cia das Letras), tema do projeto Sempre um papo, hoje, às 19h30, na Caixa Cultural, com mediação do jornalista Matheus Leitão. Caetano Veloso, Chico Buarque, Villa-Lobos, Tom Jobim, Guimarães Rosa, Gilberto Gil e Mario de Andrade são alguns dos personagens dos ensaios. E, nesta entrevista ao Correio, Wisnik fala sobre como concilia os talentos, as confluências entre música e literatura e força da canção popular brasileira como desaguadouro das inquietações e invenções de múltiplas linguagens.   

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TEU CEU CELESTINO É TEMA DO CONCURSO DE FOTOGRAFIAS EM PETROLINA

Depois do sucesso em 2025, a Prefeitura Municipal lançou o edital para as inscrições da 2ª edição do Concurso de Fotografias de Petrolina. Fotógrafos e amantes da fotografia são convidados para participar e mostrar seu talento.Este ano, a Prefeitura, através da Secretaria Executiva de Cultura, escolheu como tema ‘Teu Céu Celestino’, uma homenagem ao artista visual petrolinense Celestino Gomes.As inscrições são realizadas exclusivamente pelo Mapa Cultural de Petrolina através do Link: http://mapacultural.petrolina.pe.gov.br/, até o dia 7 de Setembro.

O concurso é gratuito, cada concorrente poderá enviar duas fotos, mas apenas uma será classificada. Vale ressaltar que 60% da premiação será destinada para moradores de Petrolina, que comprovem residência no município há pelo menos 12 meses. Serão premiadas 20 fotografias, cada vencedor receberá um prêmio no valor de R$ 2 mil reais. Além do reconhecimento e do valor em dinheiro, os vencedores terão suas obras exibidas em uma exposição. Ao fim da mostra, as imagens passarão a compor o acervo público municipal.

Sobre o Tema A proposta convida os concorrentes a revisitarem, por diferentes olhares, todo o universo contido na obra do grande artista Celestino Gomes. Cores, paisagens sertanejas, figuras populares e muita imaginação. Celestino construiu uma obra marcada por sua forma singular de enxergar o cotidiano. Ao resgatar seu nome e sua trajetória, o concurso também valoriza a história local e reconhece a contribuição de quem ajudou a construir a identidade cultural petrolinense. Dúvidas sobre o edital podem ser encaminhadas para o e-mail: fotografiapetrolina@gmail.com.

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IPAC INICIA PROCESSO PARA RECONHECER MATRIZES TRADICIONAIS DO FORRÓ

O Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (Ipac) abriu um processo para reconhecer as Matrizes Tradicionais do Forró como Patrimônio Cultural Imaterial do estado. A abertura do procedimento foi publicada no Diário Oficial do Estado.

O processo foi aberto em 20 de junho de 2026 e, de acordo com o Ipac, ainda serão realizados estudos técnicos e elaborado um dossiê sobre a manifestação cultural.

Após essa etapa, o processo poderá resultar no registro definitivo das Matrizes Tradicionais do Forró como patrimônio imaterial da Bahia, com a inscrição no livro de registro correspondente.

O procedimento é baseado na legislação estadual que estabelece normas de proteção e estímulo à preservação do patrimônio cultural da Bahia.

O registro como patrimônio imaterial busca reconhecer e preservar manifestações culturais que fazem parte da identidade e da memória da população. No caso do forró, o processo considera suas matrizes tradicionais e os saberes e práticas associados a essa expressão cultural.


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AVANÇO DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL CORRÓI FINANCIAMENTO DO JORNALISMO PROFISSIONAL NO BRASIL

O avanço da Inteligência Artificial (IA) por meio dos resumos que buscadores oferecem na internet vem derrubando o tráfego direto de internautas em sites jornalísticos, prejudicando o financiamento do jornalismo profissional no Brasil. Isso ocorre porque parte dos usuários tem deixado de clicar nos links diretos dos sites, restringindo a pesquisa aos resumos das IAs.

Essa mudança vem ganhando força, principalmente, a partir de maio de 2024 com o AI Overviews do Google (resumos gerados por IA, em português). Segundo especialistas, a novidade tem ainda o potencial de prejudicar a integridade da informação que circula no país em meio à proliferação das fake news impulsionadas pelas mesmas plataformas por trás das IAs que dominam o mercado.

Um projeto de lei (PL 2338 de 2023) em tramitação na Câmara, o Marco Regulatório da IA, prevê que as plataformas digitais paguem pelos direitos autorais das obras e reportagens usadas pela tecnologia, o que poderia fortalecer o jornalismo profissional frente à crise no setor.

Porém, o tema não avançou no último semestre, apesar da prioridade anunciada ao projeto pelo presidente da Câmara, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB).

A Associação de Jornalismo Digital (Ajor), que representa 152 veículos on-line no Brasil, aponta que um de cada quatro desses portais de notícias perdeu, em 2025, mais de 20% da audiência.

“A queda de tráfego nos sites das associadas advindo de ferramentas de busca, uma preocupação generalizada na indústria jornalística, se mostra verdadeira no contexto das associadas”, concluiu a pesquisa da Ajor.

A diretora de Relações Institucionais da associação, Carla Egydio, explicou à Agência Brasil que a queda é “preocupante” por prejudicar a atração de publicidade e o financiamento calculado a partir das “métricas de audiência”.

“O ecossistema jornalístico hoje vive um cenário de crise. Parte da publicidade já migrou, principalmente, para plataformas digitais. Os veículos que se financiavam, sobretudo por publicidade, têm uma dificuldade muito grande de manter seus negócios. Esse resumo da IA aprofunda um contexto de crise do jornalismo”, disse a diretora.

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