Na manhã desta quinta-feira (17), uma audiência pública promovida pela 16ª Vara Federal da Seção Judiciária do Ceará apresentou os principais pontos do novo Plano de Manejo da Área de Proteção Ambiental (APA) da Chapada do Araripe, instrumento que estabelece diretrizes para a proteção e o uso adequado de uma unidade de conservação. O encontro está marcado para as 8h30, no auditório do Núcleo de Prática Jurídica (NPJ), no campus Lagoa Seca. NotíciasCeará
Durante a audiência, o chefe do ICMBio Araripe apresentou os principais pontos do Plano de Manejo. A audiência foi aberta ao público e contou com a participação de autoridades públicas federais, estaduais e municipais convidadas.
A realização da audiência ocorre após o ICMBio informar à Justiça Federal o cumprimento da determinação de aprovar e dar publicidade ao Plano de Manejo da APA. O documento foi aprovado por meio da Portaria ICMBio nº 3.607, de 4 de agosto de 2026, e está disponível para consulta no site da autarquia.
Para o professor de engenharia ambiental do IFCE, Basílio Silva Neto, a preocupação não é apenas a perda da paisagem, mas um desequilíbrio ambiental. "A gente tá perdendo todo um equilíbrio ambiental que foi gerado durante a evolução daquela área. A natureza tem uma série de conjunções que foi construída durante muito tempo, toda essa cobertura vegetal. Essa conjunção está dentro do contexto de solo, clima e relevo. E essas interações geram paisagens únicas", diz o professor.
Ele chama atenção, inclusive, para a perda de áreas que podem também oferecer valores econômicos. "Então você está desmatando áreas imensas com até 500 hectares e você não sabe que tipo de vegetação que tinha naquele local ou que essências. Você poderia fazer uma extração racional daquilo. Nós podemos estar perdendo muito em produtos orgânicos que poderiam ser gerados para a indústria farmacêutica. Temos que garantir a geração de renda, mas com a conservação do meio ambiente e com a valorização dos hábitos culturais e principalmente de forma equitativa, para que toda a sociedade venha a se beneficiar com isso", diz Basílio.
Outra questão abordada pelo pesquisador é a das queimadas, agravadas pelas mudanças climáticas. Preocupação também de ao menos 42% dos brasileiros que foram impactados pelos incêndios florestais deste ano, de acordo com uma pesquisa Datafolha.
"Há um grande risco de desertificação, como a gente já vê no sertão. Quando você retira a vegetação, você está mudando a condição do solo de infiltrar água, o que vem a comprometer a recarga dos aquíferos no vale. A questão do desmatamento na APA necessita atualmente de uma racionalização de políticas públicas, porque o sistema de monitoramento através do sensoriamento remoto, imagens de satélite, ele já nos dão uma visão muito clara. A gente já sabe a situação, cabe agora políticas públicas para que a gente consiga dar um equilíbrio do uso dessa área tão importante".
A APA da Chapada do Araripe abrange municípios dos estados do Ceará, Pernambuco e Piauí. No Ceará, fazem parte da unidade: Abaiara, Altaneira, Araripe, Assaré, Barbalha, Brejo Santo, Campos Sales, Crato, Farias Brito, Jardim, Jati, Missão Velha, Nova Olinda, Penaforte, Porteiras, Potengi, Salitre e Santana do Cariri. Em Pernambuco, estão incluídos Araripina, Bodocó, Cedro, Exu, Ipubi, Moreilândia, Serrita e Trindade. No Piauí, fazem parte Alegrete do Piauí, Caldeirão Grande do Piauí, Caridade do Piauí, Curral Novo do Piauí, Francisco Macedo, Fronteiras, Marcolândia, Padre Marcos, São Julião e Simões.
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