BAIXA UMIDADE EM PETROLINA/JUAZEIRO COLOCA SAÚDE EM ATENÇÃO

A Prefeitura de Petrolina, por meio da Secretaria de Serviços Públicos e Defesa Civil, alerta a população para o aviso de baixa umidade relativa do ar emitido pelo Instituto Nacional de Meteorologia (INMET). O alerta classificado como Perigo Potencial teve início nesta terça-feira (13) e segue durante a semana.

De acordo com o INMET, a umidade relativa do ar na região pode variar entre 20% e 30%, índice considerado abaixo do ideal para a saúde humana. Embora o risco seja classificado como baixo, a condição pode provocar desconfortos respiratórios, ressecamento da pele, irritação nos olhos e nas vias aéreas, além de aumentar a possibilidade de incêndios florestais.

Atenta ao bem-estar da população, a gestão municipal reforça a importância da adoção de medidas preventivas, especialmente para crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias. Entre as principais orientações estão: ingerir bastante líquido ao longo do dia, evitar atividades físicas intensas nos horários mais secos, reduzir a exposição direta ao sol nas horas mais quentes e manter ambientes arejados.

A Prefeitura de Petrolina segue monitorando a situação e orienta que, em caso de necessidade, a população busque mais informações junto à Defesa Civil, pelo telefone 199, ou ao Corpo de Bombeiros, pelo 193. A gestão municipal reafirma seu compromisso com a saúde e a segurança do povo petrolinense, atuando de forma preventiva e integrada para minimizar os impactos das condições climáticas adversas.

Texto: Iana Lima - Assessoria de Comunicação da Secretaria de Serviços Públicos e Defesa Civil. Foto: Prefeitura de Petrolina.

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HÁ UMA ÁRVORE IMENSA NO CENTRO DO MUNDO. POR EDMERSON DOS SANTOS REIS

Há uma árvore imensa no centro do mundo. À primeira vista, seus galhos parecem representar nações, seus troncos parecem carregar discursos de liberdade, suas folhas balançam como se anunciassem a democracia ao vento. Muitos a contemplam com reverência, acreditando que ela sustenta a vida coletiva. Mas poucos se abaixam para observar o solo que a alimenta.

O problema nunca foi a árvore em si. O problema sempre foi o chão. Esse solo, escuro e aparentemente fértil, é composto por camadas antigas de pactos silenciosos, acordos econômicos excludentes, interesses travestidos de neutralidade, riquezas acumuladas sobre a fome alheia. É um húmus histórico de iniquidades. Nele repousam restos de povos silenciados, culturas subjugadas, territórios saqueados, direitos relativizados. É dessa terra que brota a seiva que percorre o tronco e alimenta cada galho visível.

As raízes da árvore não são inocentes. Elas se aprofundam nesse terreno e dele retiram sua força. Por isso, mesmo quando perde folhas, quando alguns galhos são quebrados pela pressão das lutas sociais, quando certos discursos parecem murchar diante das denúncias, a árvore continua viva. Mais ainda: continua frutificando. Seus frutos, embora muitas vezes embalados como progresso, carregam sementes de repetição, novas formas de dominação, novas estratégias de controle, novas linguagens para velhas desigualdades. Assim, brotam outras árvores semelhantes, em diferentes territórios, sob outras bandeiras, mas nutridas pela mesma lógica e essência do capital, que transforma vidas em recurso e dignidade em mercadoria.

A tragédia está em acreditar que basta podar galhos. Que basta reformar a copa. Que basta trocar algumas folhas. A transformação verdadeira exige coragem para tocar o solo. Exige remexer a terra, questionar seus nutrientes, desnaturalizar seus pactos. Exige interromper o ciclo da seiva que carrega privilégios para cima enquanto deixa a base ressecada. É preciso adubar esse chão com outros valores: justiça, solidariedade, escuta dos povos, reconhecimento das diferenças, cuidado com a vida em todas as suas expressões.

Quando o solo muda, a árvore muda.

Quando a seiva se transforma, os frutos também se transformam.

E quando os frutos mudam, as sementes deixam de reproduzir a lógica da iniquidade e passam a germinar novas possibilidades de mundo.

Talvez o nosso tempo histórico não seja o de derrubar árvores, mas o de cultivar outros solos. Solos onde a dignidade não seja exceção, mas regra. Onde cada criança, jovem, mulher, homem, idoso, cada corpo diverso, cada povo, possa fincar suas próprias raízes sem medo de ser arrancado. Solos onde a humanidade floresça não pela força do mercado, mas pelo potencial da vida partilhada.

Porque no fim, o futuro não depende da árvore que hoje domina a paisagem, depende da terra que estamos dispostos a cuidar. Essa terra ela começa nas minhas relações, na família, na  vizinhança, escola, no bairro, na sociedade e, se materializando no planeta.

Por Edmerson dos Santos Reis[1 Edmerson dos Santos Reis é Pedagogo, Mestre e Doutor em Educação. Professor Pleno da Univerisade do Estado da Bahia, no Departamento de Ciências Humanas – Campus III, em Juazeiro - BA

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VITÓRIA DO FILME AGENTE SECRETO TEM FORTE REPERCUSSÃO NAS REDES SOCIAIS

Conforme publicado na REDEGN, em plena madrugada o filme brasileiro O Agente Secreto ganhou, na noite deste domingo (11), dois troféus do Globo de Ouro, um de Melhor Filme em Língua Não Inglesa e Melhor Ator para Wagner Moura (foto). É a primeira vez que o país conquista duas premiações na mesma edição do evento.

A conquista do longa dirigido por Kleber Mendonça Filho gerou reação imediata nas redes sociais. Políticos, atores e críticos repercutiram a conquista.

O presidente Lula escreveu em seu perfil no X: “Melhor Filme de Língua não Inglesa e Melhor Ator de Drama. Uma dupla vitória de O Agente Secreto no @goldenglobes para entrar para a história do cinema brasileiro. Dia de glória e reconhecimento ao talento de nossos artistas. Quanta honra foi receber, em agosto do ano passado, parte do elenco e da produção do filme para uma sessão no Cine Alvorada. Eu e Janja guardamos na nossa memória cada momento daquela noite extraordinária. As portas estarão sempre abertas para a arte e a cultura brasileiras”.

Ator do mundo-O deputado federal Guilherme Boulos também fez uma postagem na mesma rede social: “Wagner Moura melhor ator do mundo! O Globo de Ouro premiou não apenas um ator extraordinário, mas um brasileiro que nunca teve medo de estar do lado certo. Parabéns, meu irmão!”.

Rosana Hermann, roteirista e colunista da Folha de S.Paulo, foi ao seu perfil no X e postou: “Um filme sobre memória. Sobre trauma de uma geração. Discurso lindo do gigante Wagner Moura. Viva a cultura brasileira!”.

Erika Hilton, deputada federal, escreveu: “Parabenizo o ator Wagner Moura, assim como todos os trabalhadores envolvidos na produção e promoção do filme O Agente Secreto, pelo mais do que merecido Globo de Ouro de Melhor Ator em Filme de Drama. Por mais um ano, uma atuação brasileira foi premiada e celebrada em um dos mais importantes prêmios de Hollywood. Uma atuação estelar, e que só foi possível dentro de um filme feito com excelência, com uma direção primorosa e um elenco maravilhoso. E tudo isso também só foi possível com apoio e financiamento. O Agente Secreto recebeu R$ 7,5 milhões do Fundo Setorial do Audiovisual. Perto dos gastos do nosso país com supersalários e com bolsa-empresário, isso não é nada. Mas, na cultura, cada real investido movimenta um setor inteiro. Vira investimento, emprego, faturamento e, agora, como podemos ver, mais um grande prêmio”.

Eduardo Paes, prefeito do Rio de Janeiro, postou o seguinte: “Wagner Moura é gigante. O prêmio é mais do que merecido e reconhece uma atuação forte e emocionante em O Agente Secreto”.  Margareth Menezes, ministra da Cultura, comemorou a vitória da película brasileira. Ela escreveu: “UAUUUUUU! O Agente Secreto ganhou o Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro! Parabéns!!!”.

O apresentador Serginho Groisman também usou sua conta no X para comemorar a vitória do filme brasileiro: "O Agente Secreto. Parabéns! Nosso cinema brasileiro brilha!"


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INSETICIDAS PODEM COMPROMETER CAPACIDADE DE VOAR DE ABELHAS, APONTA PESQUISA

Uma pesquisa desenvolvida pela cientista Juliana Coutinho, da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), revelou que inseticidas podem comprometer a habilidade de voar das abelhas – insetos que são importantes polinizadores na produção de alimentos e contribuem para a biodiversidade e segurança alimentar global.

O estudo, que foi publicado na revista Brazilian Journal of Biology, foi realizado no Laboratório de Entomologia da UFCG, no campus de Pombal, no Sertão paraibano, e avaliou os níveis de toxicidade dos inseticidas na sobrevivência e capacidade de voo da abelha africanizada Apis mellifera.

Abelhas adultas foram expostas aos inseticidas do tipo Clorantraniliprole e Ciantraniliprole de dois modos: por meio da pulverização direta sobre as abelhas e ingestão de dieta contaminada.

A pesquisa apontou que ambos os inseticidas causaram baixa mortalidade, porém a capacidade de voo das abelhas foi afetada pelo modo de exposição por pulverização direta nas maiores doses testadas.

Apesar do pequeno número de mortes, qualquer prejuízo na mobilidade dos insetos pode proporcionar falhas na sua capacidade de polinização e redução drástica na obtenção de alimento.

De acordo com o professor Ewerton Marinho, que orientou o estudo da pesquisa de mestrado de Juliana Coutinho, os resultados do trabalho são importantes para orientar produtores sobre inseticidas mais prejudiciais.

"É preciso avaliar os inseticidas em condições reais de campo, considerando fatores ambientais como temperatura, vento e horário de aplicação", afirmou.

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O NOVO VELHO ROTEIRO PARA O FIM DO MUNDO: UMA REFLEXÃO SOBRE COMO DISCUTIMOS AS CRISES CLIMÁTICAS

O Novo Velho Roteiro Para o Fim do Mundo: uma reflexão sobre como discutimos as crises climáticas (Fonte: Por Maria Helena Almeida Estudante do curso de Jornalismo da Uneb campus DCH III – artigo de opinião desenvolvido na disciplina redação II)

Vivemos em um tempo onde as ausências definem uma sociedade que mercantiliza até o fim do mundo, como se transformar crises em produto fosse uma forma de resolver problemas. Esse conceito, ecoado pelo escritor e ativista indígena Ailton Krenak, explica a lógica mais nociva dos planos comerciais atuais. A crítica à modernidade aparece, então, não só no cotidiano, mas também nos desfechos da 30ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas (COP 30), marcada por uma ambiguidade econômica que interrompe o avanço dos acordos climáticos. Realizada no final de 2025, na cidade de Belém do Pará, considerada o coração da Amazônia por sua posição geográfica, importância cultural e econômica, a conferência permanece atual não apenas pela proximidade temporal, mas por expor contradições estruturais que seguem moldando as negociações climáticas globais.   

O que se esperava ser um momento de ação definitiva para as crises climáticas, com o peso simbólico e real da Amazônia guiando o centro do debate, tornou-se ironicamente a celebração da inércia e da desorganização. O esvaziamento político ficou evidente nas falhas logísticas e até no incêndio que paralisou temporariamente as negociações, que acabou funcionando como uma metáfora da própria crise ambiental, como se o fogo simbolizasse o abafamento das vozes que exigem urgência.

A maior evidência dessa paralisia foi a ausência de um plano claro para proibir o uso de combustíveis fósseis, como petróleo, carvão e gás, no documento final. Essa lacuna não é apenas um descuido, mas revela a força das empresas petrolíferas dentro das conferências climáticas. Segundo o relatório Cumplicidade na Destruição III, instituições financeiras como BlackRock, Citigroup, JPMorgan Chase, Vanguard e Bank of America investiram mais de 18 bilhões de dólares, entre 2017 e 2020, em empresas responsáveis pela destruição de territórios indígenas. Esses investimentos alimentam conflitos, pressionam comunidades tradicionais e ampliam violências. Paradoxalmente, são justamente as Terras Indígenas que guardam 56 por cento de todo o carbono estocado na Amazônia brasileira.

Os números reforçam a gravidade da situação. Pesquisadores da The Conversation apontam que, entre 2019 e 2021, a Amazônia perdeu mais de 10 mil quilômetros quadrados de floresta por ano, 56,6% a mais que no período anterior. Nas Terras Indígenas, o desmatamento cresceu 153%; nas Unidades de Conservação, 63,7%. Ao mesmo tempo, avançaram as campanhas de desinformação climática, que distorcem dados, confundem a população e travam políticas ambientais. Esse ambiente favorece quem lucra com a destruição e enfraquece soluções reais.

A contradição se aprofundou na postura do próprio Brasil durante a conferência. Enquanto buscava se apresentar como líder ambiental, o governo defendeu a exploração de petróleo na Margem Equatorial, próxima à Foz do Amazonas. A justificativa era financiar a transição energética, mas ambientalistas e lideranças indígenas classificaram a proposta como incoerente. A região tem ecossistemas sensíveis e comunidades tradicionais que seriam diretamente afetadas. Insistir em abrir uma nova fronteira petrolífera na Amazônia evidencia que, na prática, o lucro ainda fala mais alto do que a ciência e a proteção da vida.

Enquanto isso, cerca de três mil representantes indígenas levaram propostas baseadas em conhecimentos tradicionais, soluções sustentáveis aprimoradas ao longo de séculos. Mesmo assim, quase nada do que apresentaram entrou no texto final. Isso reforça uma injustiça histórica: os povos que mais protegem a Amazônia seguem como os menos ouvidos quando as decisões são tomadas.

O fechamento da COP 30 deixa uma mensagem preocupante. A política internacional parece preferir falar sobre a crise em vez de enfrentar quem realmente a causa. A falta de compromisso com a redução dos combustíveis fósseis, a postura contraditória do Brasil e a influência dos interesses financeiros mostram que a conferência que deveria representar um novo começo terminou repetindo a lógica de sempre, que transforma o planeta e o futuro em mercadoria, enquanto o relógio climático continua correndo.

A COP 30, sediada na Amazônia, terminou não como um farol de esperança, mas como um espelho da modernidade. Ao priorizar os bilhões de dólares do capital fóssil e ignorar a urgência da floresta e dos povos indígenas, a conferência apenas repetiu a lógica denunciada por Krenak. O roteiro traçado em Belém é, na verdade, o velho roteiro de sempre, adiar a vida pelo lucro, reafirmando a trágica vocação da sociedade em mercantilizar o próprio fim do mundo.

Por Maria Helena Almeida Estudante do curso de Jornalismo da Uneb campus DCH III – artigo de opinião desenvolvido na disciplina redação II





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DESMATAMENTO: MEIO AMBIENTE RECONHECE QUE É PRECISO ATUAR ALÉM DA FISCALIZAÇÃO

São os dois maiores biomas do país. O sistema deter, do INPE, emite alertas em tempo real. Na Amazônia, o monitoramento é feito desde 2016. Os índices mais altos foram registrados em 2022, com mais de 10 mil quilômetros quadrados de florestas derrubadas. De lá para cá, o desmatamento vem caindo.

Em 2025, a área sob alerta foi de 3.817 quilômetros quadrados, quase 9% a menos que em 2025. Foi a terceira queda seguida, e o melhor resultado em oito anos.  

O desmatamento caiu, mas o ritmo da queda também vem diminuindo. Isso mostra o tamanho do desafio para que o país consiga cumprir a meta de zerar o desmatamento ilegal até 2030.  

O ministério do Meio Ambiente reconhece que é preciso atuar além da fiscalização:  

"Investir em atividades produtivas sustentáveis, investir em atividades econômicas com a floresta em pé, investir em melhorar a produção nas áreas já desmatadas", diz André André Lima, secretário de Controle de Desmatamento/ Ministério do Ambiente.
Pelo segundo ano consecutivo, os satélites do Inpe identificaram uma redução na área destruída no cerrado, que foi de 5.357 quilômetros quadrados. Os estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia registraram os maiores índices.  

Para o presidente do instituto cerrados, o bioma tem características que dificultam o combate ao desmatamento.  

"São reduções que ainda vêm de um numero muito alto. O Cerrado já tem mais de 50% da sua área desmatada. A gente precisava frear esse desmatamento de uma maneira muito mais severa", diz Yuri Salmona, diretor do Instituto Cerrados.

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TECNOLOGIA NÃO PODE SUBSTITUIR SENSIBILIDADE HUMANA, DIZEM FOTÓGRAFOS

Não era momento de mexer na câmera quando o repórter-fotográfico Joédson Alves ouviu de uma mãe, na cidade de Irecê (BA), sobre a dor de perder dois filhos para a fome. Ficou sem palavras.

“Naquele dia, não consegui conter a emoção”.

Naquela cobertura sobre a seca no Nordeste, na década de 1990, o profissional sabia que era preciso registrar, mas também pensar sobre o melhor caminho quando a câmera veio às mãos. 

A imagem da mãe com os filhos de frente de casa foi a estratégia para sensibilizar o público, tanto quanto a cena o impactaria.

 Para ele, que tem 35 anos de profissão, as modernas tecnologias que sempre desafiam e até facilitam a vida do profissional da imagem não substituem o trabalho do ser humano que faz muito mais do que ajustar máquinas e clicar em um botão.  

Nesta quinta-feira (8), Dia do Fotógrafo, a data provoca reflexões sobre o trabalho que, como tantos outros, sofre o impacto dos avanços da inteligência artificial.

Atualmente, Joédson é gerente executivo de Imagem, Arte e Web da Empresa Brasil de Comunicação (EBC).

“O papel do fotógrafo em uma agência pública de jornalismo é fundamental para garantir o direito à informação e para a construção da memória coletiva do país”, afirmou.

Ele contextualiza que, em uma agência pública, a tecnologia está a serviço do interesse coletivo, mas é o profissional da fotografia quem define o enquadramento, o momento e a narrativa visual. 

“A combinação entre conhecimento técnico, responsabilidade social e inovação tecnológica fortalece a credibilidade da informação e assegura que a imagem cumpra seu papel como documento jornalístico e histórico”, destacou.

Essa atividade continua apaixonante, ainda que com as novidades tecnológicas, conforme destaca outro profissional, o professor de Fotojornalismo Lourenço Cardoso, do Centro Universitário de Brasília (Ceub). Ele pondera que os alunos ficam cada vez mais curiosos não só com as máquinas, mas com a potencialidade da criação humana a partir da sensibilidade aliada à tecnologia.  

O pesquisador entende que a digitalização democratizou os processos, porque a fotografia nasceu em um contexto de exclusão em vista dos altos custos com equipamentos e revelações em papel.

“A mecanização dos últimos 100 anos associada à fotografia digital permitiu que a possibilidade de produção de fotografia se expandisse para além das condições de privilégio”, afirma o professor Lourenço Cardoso.

O pesquisador avalia que a fotografia está inserida no mesmo rol das produções artísticas que atravessam a subjetividade. A fotografia é muito mais do que clicar em botões.

“Depois que se aprende a operar os equipamentos, a pessoa descobre que a fotografia é muito mais profunda do que o que a máquina consegue oferecer. Ela é, antes de tudo, um resultado de subjetividade”, diz o professor. 

"Fotógrafo é mais importante agora"
Ainda a respeito desse raciocínio, o fotógrafo Ricardo Stuckert, que tem mais de 30 anos de profissão e faz parte da quarta geração de profissionais da área da família, afirma que as fotos não apenas documentam os acontecimentos, mas também são testemunhos reais que capturam a essência e a emoção do que vivemos. 

“Com o avanço das tecnologias, especialmente a inteligência artificial, a presença do fotógrafo se torna ainda mais importante. Embora a IA possa gerar imagens, falta a sensibilidade e o olhar que só um fotógrafo pode trazer”, argumenta o secretário de Produção e Divulgação de Conteúdo Audiovisual do governo federal. 

Stuckert avalia que as imagens têm o poder de transcender palavras e oferecer uma perspectiva única sobre a realidade.

“Assim, registrá-las se torna um ato de resistência contra a desinformação e uma forma de garantir que a memória coletiva permaneça viva”, explica. 

Benefícios da IA-A respeito da influência da inteligência artificial, Joédson Alves, da EBC, acrescenta que as empresas fabricantes e desenvolvedoras de equipamentos têm se preocupado em garantir que os arquivos fotográficos ofereçam registros e provas de que a imagens foram feitas por seres humanos.

Ele exemplifica que, nas coberturas mais difíceis, os profissionais precisam garantir responsabilidade social e ética com a informação que captam. 

“A utilização da IA é benéfica para o fotojornalismo porque garante agilidade, desde que não retire a ação do fotógrafo e a sensibilidade humana”. 

O professor Lourenço Cardoso adverte que as imagens produzidas por IA se valem de uma série de bases de dados que já foram produzidos. “Mas ela não cria ou inova. Não há impressão de subjetividade naquilo”.

Para ele, os problemas que podem ser colocados em relação à fotografia podem já ter sido tratados no passado quando se discutiu a mecanização da produção fotográfica. 

“Em alguns momentos, foi discutido que fazer fotografia morreria com os novos mecanismos", diz.

"E o tempo mostrou que a subjetividade é insubstituível e o olhar atravessado por essa percepção sobre o mundo resulta em resultados fotográficos que fazem sentido para o outro, que impactam, que mobilizam e que tocam os corações”. (Agencia Brasil)
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