FESTIVAL QUARITERÊ DESTACA MEMÓRIAS E SABERES DE MULHERES NEGRAS

O Sesc Petrolina realiza, entre os dias 30 de julho e 1º de agosto, a terceira edição do Festival Quariterê, iniciativa da Rede Sesc PE de Bibliotecas que promove a valorização das mulheres negras como produtoras de conhecimento, memória, cultura e redes de cuidado nos territórios.

Inspirado na trajetória de Tereza de Benguela, liderança do Quilombo do Quariterê no século XVIII, o festival reconhece e amplia os saberes, fazeres e tecnologias sociais produzidos pelas comunidades negras e suas contribuições para a construção da identidade coletiva.

Nesta edição, o festival traz como tema “Memórias negras territoriais: pensar a contribuição dos saberes e fazeres das mulheres negras, trazendo uma cartografia da identidade”, propondo reflexões sobre as experiências, trajetórias e contribuições das mulheres negras para a cultura e a memória dos territórios.

A programação gratuita inclui debates, apresentações musicais, contação de histórias, oficinas e atividades recreativas. Entre os destaques está o encontro “Cartografias Negras do Vale: mulheres quilombolas e suas trajetórias”, com representantes das comunidades Mata de São José e Rodeadouro, além da apresentação musical do grupo Curimba de Yá, no dia 30, às 19h, no Teatro Dona Amélia.

O festival também recebe a arte-educadora e contadora de histórias Nini Kemba Nayo, do coletivo LiteafroInfantil, de Salvador (BA), com apresentações de oralidade e uma oficina de contação de histórias no dia 1º de agosto, voltada para crianças. As inscrições para a oficina podem ser realizadas mediante a doação de 1kg de alimento não perecível para pessoas em situação de vulnerabilidade atendidas pelo programa Sesc Mesa Brasil.

O festival conta ainda com brincadeiras de origem africana, oficina de autodefesa para mulheres, o encontro “Poesia no Jardim de Ana” e a ação gastronômica “Sabores Ancestrais – comidas afro-brasileiras”, realizada no restaurante da unidade. A programação completa está disponível no site do Sesc Pernambuco:  www.sescpe.org.br.


 


 


 



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VEREDAS DA RESISTÊNCIA REALIZA 4 EDIÇÃO ENTRE CANUDOS E UAUÁ COM CAMINHADA E PROGRAMAÇÃO CULTURAL

A IV edição das Veredas da Resistência será realizada entre os dias 23 e 26 de julho. A caminhada de aproximadamente 65 quil&o circ;metros ocorre entre o Parque Estadual de Canudos e o município de Uauá, no sertão baiano. A iniciativa reúne cerca de 60 caminhantes de diferentes regiões da Bahia e de outros estados brasileiros para uma imersão na história, na cultura e nos aspectos socioambientais da Caatinga.

A programação tem início na quinta-feira (23), no Parque Estadual de Canudos, com atividades culturais e rodas de conversa. Na manhã de sexta-feira (24), o grupo inicia a travessia, passando por comunidades rurais e locais emblemáticos da Guerra de Canudos. A chegada a Uauá está prevista para o domingo (26), às 12h, quando será realizada a I Feira da Resistê ncia, espaço voltado ao encontro, à troca de experiências e ao fortalecimento das redes de trabalhadores e trabalhadoras da cultura, da Caatinga, do campo e da cidade.

Mais do que uma atividade de ecoturismo ou aventura, a Veredas da Resistência propõe uma experiência de educação patrimonial, memória e valorização dos territórios do Semiárido. Ao longo dos três dias de caminhada, os participantes percorrem trechos historicamente conhecidos como "Madeira da Discórdia", visitando lugares que marcaram os combates da Guerra de Canudos, como Alto da Favela, Vale da Morte e Lagoa de Sangue, além das comunidades de Mandaipó, Barra da Fortuna, Algodões e Maria Preta.

Durante o percurso, os caminhantes são acolhidos pelas comunidades locais, onde acontecem os acampamentos. A alimentação é preparada por mulheres da região com produtos da agricultura familiar, valorizando a culinária sertaneja e fortalecendo a economia local.

A programação inclui apresentações musicais, intervenções artísticas, exibição de documentários, rodas de conversa e atividades formativas conduzidas por pesquisadores, lideranças comunitárias, agricultores, artistas e moradores que compartilham conhecimentos sobre a Guerra de Canudos, os povos tradicionais, os sistemas de Fundo de Pasto, as agroflorestas, a ancestralidade afro-indígena e a preservação da Caatinga.

Segundo a organização, a caminhada também busca ampliar o debate sobre a importância da conservação do bioma e das formas de vida construídas historicamente pelas populações sertanejas.

Para a organizadora Mayara Andrade, moradora de Uauá, a iniciativa representa "uma oportunidade de adentrar os aspectos socioambientais, territoriais e culturais que permeiam a Caatinga do Semiárido baiano".

Realizada desde 2019, a Veredas da Resistência passou a receber inscrições abertas ao público a partir de 2023. A expedição adota diferentes modalidades de participação para ampliar o acesso de pessoas interessadas, incluindo alternativas de financiamento para quem não possui condições financeiras de custear integralmente a experiência.

A iniciativa conta com apoio das Prefeituras de Canudos e Uauá, da Coopercuc e de parceiros locais.

Além da caminhada, a programação reafirma Canudos como referência histórica de resistência popular. Mais de um século após a Guerra de Canudos, o percurso convida os participantes a refletirem sobre a memória do conflito, os desafios contemporâneos do Semiárido e a permanência das comunidades que seguem construindo formas de resistência cultural, social e ambiental.

PROGRAMAÇÃO

23 de julho (quinta-feira) – Canudos

17h30 – Intervenção Artística

Grupo de Capoeira Esquiva (Canudos)

Museu Casa de Vó Izabel

19h – Programação Musical

Banda de Pífanos de Canudos Velho

Terreiro de Dona Maria Botão

20h30 – Veredas dos Saberes

Roda de conversa com Dona Maria Botão, Dona Zefinha e Dona Tereza

Tema: Histórias de vida e as histórias de Canudos passadas de geração em geração

Mediação: João Batista

24 de julho (sexta-feira) – Algodões

7h – Intervenção Artística

Canudos: Memórias de Maria Domingas – Mel do Cumbe

12h – Veredas dos Saberes

Seu Alcides e Fabrício Bianchini

Tema: Fundo de Pasto e os desafios da Mata Branca para sobreviver, resistir e permanecer

16h30 às 18h – Intervenções da Banda de Pífanos de Canudos Velho

18h – Apresentação dos alunos da Escola Municipal Miguel Avelino Gomes

19h – Veredas dos Saberes

Dona Edite, Rita dos Santos e Nathalia Alves

Tema: Mulheres, lutas, vitórias e histórias das comunidades

Mediação: Gorete Cardoso

20h – Jam Sertaneja

Mel do Cumbe

Jarbas Nogueira

Lucas Sanfoneiro

21h30 – Fogueira e Leito Aberto

Intervenções artísticas livres

25 de julho (sábado) – Maria Preta

13h – Veredas dos Saberes

Diana Dias e Marcela Santana

Tema: Presença e ancestralidade afro-indígena na Caatinga contadas pelas mulheres que atuam nas comunidades tradicionais

Mediação: Lorrayne Trindade

13h40 – Canudos: Memórias de Maria Domingas – Mel do Cumbe

19h – Homenagem a Dona Maria Trindade

Exibição de documentário e bate-papo com Taiane Costa

Tema: Agroflorestas e Recaatingamento

Mediação: Egídio Trindade

20h30 – Show

Junior do Acordeon e Banda

26 de julho (domingo) – Uauá

10h – Abertura da I Feira da Resistência

12h – Chegada dos caminhantes

12h30 – Canudos: Memórias de Maria Domingas – Mel do Cumbe

13h – Mística de encerramento e agradecimentos

14h30, 16h, 17h30 e 19h – DJ EmersonBEAT

15h – Jarbas Nogueira e Grupo Circuladô

16h30 às 17h30 – Apresentações de quadrilhas

18h – Lucas Sanfoneiro e Forró Tabuleiro

19h30 – Encerramento


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GRANDE SERTÃO VEREDAS 70 ANOS. LIVRO CONTINUA A DESPERTAR LEITURAS E DEBATES

Depois de 70 anos de seu lançamento, o livro Grande Sertão: Veredas de Guimarães Rosa continua encantando leitores e é comemorado por especialistas. Para o professor, economista e imortal da Academia Brasileira de Letras (ABL), Eduardo Giannetti, é um dos livros mais ousados e inovadores da literatura brasileira.

Na observação dele, Grande Sertão: Veredas tem “um cuidado e um apuro formal, inexcedível” e, ao mesmo tempo, é resultado de uma entrega criativa de Guimarães Rosa, a ponto de dizer que praticamente transcrevia alguma coisa que vinha de fora dele. “Ele chega a dizer que é um experimento quase mediúnico”, seguiu em entrevista à Agência Brasil.

“Grande Sertão combina dois elementos. Tem um lado de pesquisa de apuro formal, de um cuidado lapidar com a linguagem hiperconsciente, mas, ao mesmo tempo, é resultado de uma possessão. Ele diz que se sentia tomado por alguma coisa que ele não sabe de onde”, completou.

Sobre esse assunto, Giannetti lembrou de uma expressão que acha muito boa, usada por Rosa em uma entrevista. “‘De repente, o diabo me cavalga’. O milagre do processo criativo de Guimarães Rosa é justamente essa combinação”.

O escritor João Guimarães Rosa deu a personagens de Grande Sertão: Veredas, nomes de pessoas do seu conhecimento - Divulgação/ Centro Cultural São Paulo

A criatividade do autor mineiro era tanta que entre 1946 e 1956 produziu paralelamente Grande Sertão: Veredas e Corpo de Baile, uma coletânea de novelas. Os dois foram concluídos e lançados em 1956, depois de começarem a ser escritos em Paris, na França; continuarem em Bogotá, na Colômbia; e em 1951, na volta de Rosa para o Rio de Janeiro.

“O Grande Sertão era uma história do Corpo de Baile, que ele desmembrou e tornou um romance independente”, disse, em entrevista à Agência Brasil, o jornalista Leonêncio Nossa, autor da primeira biografia sobre o escritor mineiro.

A viagem com um amigo ao interior mineiro foi a inspiração para escrever Grande Sertão: Veredas, obra marcante da literatura brasileira. 

“Esse livro começou quando ele fez uma viagem pelo interior de Minas com o amigo Pedro Barbosa Moreira e percorreu toda a região de Veredas. Ele passou a usar esse ambiente das veredas e buritizais na obra dele Grande Sertão, porque o primeiro [Sagarana] nem tinha”, informou o biógrafo.

Assim como Guimarães Rosa, que levou dez anos para concluir Grande Sertão, o jornalista passou esse mesmo tempo estudando e pesquisando a vida do mineiro, que contou em João Guimarães Rosa, biografia, a primeira publicação deste tipo dedicada a ele. 

“Ele é considerado o mais inventivo dos nossos escritores e ninguém nunca escreveu uma biografia dele. Havia uma demanda de biografar o maior escritor brasileiro de todos os tempos”, pontuou.

Leonêncio Nossa começou a levantar dados e a colher informações para trabalhar na biografia em 2006 e gostou do que conheceu. “A vida dele é muito agitada, apesar de ter sido escritor. Viveu tempos de guerra com riscos de morte e [essa história] não estava descrita. Foi uma surpresa a cada dia”, contou.

“O que me chamou muita atenção é que desde criança ele tinha um projeto de literatura e a vida toda se dedicou a esse projeto. Era um homem que vivia para contar histórias”, disse, acrescentando que Rosa nasceu em Cordisburgo e depois foi levado pelo avô para estudar em Belo Horizonte.

Características-O biógrafo revelou que Rosa deu a personagens de Grande Sertão: Veredas, nomes de pessoas do seu conhecimento, tanto da família e da cultura quanto da política. Entre os jagunços do romance, está, por exemplo, o Dos Anjos, que é referência a Augusto dos Anjos e também parentes: o avô dele, o major Luiz Guimarães. 

“Ele trouxe pessoas com quem convivia, de certa forma, para dentro do romance, que tem um caráter muito autobiográfico, algo que não estava colocado antes da biografia”, comentou.

Rosa tinha ainda outro comportamento interessante: enquanto escrevia o livro, ele ouvia programas da Rádio Nacional com artistas como as cantoras Marlene, Emilinha Borba, Ademilde Fonseca e Virgínia Lane. O cinema também o inspirava e um dos filmes que assistiu durante a produção de Grande Sertão foi Os Sete Samurais, do diretor Akira Kurosawa.

Além disso, trabalhava muito na divulgação dos seus livros. No lançamento de Sagarana, foram publicados mil exemplares. O autor ficou com 500 cópias e fez uma lista das pessoas mais importantes que escreviam em jornais do país e mandou o livro para elas. 

“Mandou para Getúlio Vargas, para Monteiro Lobato, Carlos Drummond de Andrade. O Rosa trabalhava muito na divulgação”, relatou Nossa, informando ainda que o lançamento de Grande Sertão: Veredas foi na Livraria José Olímpio, na Rua do Ouvidor, centro do Rio, no dia 16 de julho de 1956.

Linguagem-Quando o livro foi lançado, recebeu muitas críticas, especialmente pela linguagem popular dos personagens usada por Rosa e identificada como "de outro planeta".

“Os personagens que os críticos diziam que falavam como em Marte na verdade falavam como o povo do interior do Brasil. Mostrou que parte da intelectualidade desconhecia este ‘outro planeta’, que é o Brasil”, contou Nossa.

“Rosa disse uma vez que as pessoas achavam que ele tinha inventado uma língua. ‘Eu não inventei uma língua. Os vaqueiros de Minas Gerais, da Bahia, de Goiás falam assim’. Parte da intelectualidade não entendeu o Grande Sertão”, observou o biógrafo.

Leonêncio reforçou a avaliação lembrando que o começo do livro é com a palavra “nonada”, que muita gente pensa ser um neologismo. 

“Na verdade, era muito recorrente nos jornais brasileiros que escreviam, por exemplo, ‘o governo acha que “nonada” o que ocorre com a população’. O Rosa usa palavras que não são mais usadas no seu livro e aí acham que é um neologismo”, afirmou, completando que há neologismos na obra do escritor, mas não é só isso.

Ao mesmo tempo em que era considerado um livro difícil, destacou o jornalista, estava sempre entre os mais vendidos. “Isso já em 56. O que ocorre é que a musicalidade no linguajar dos personagens causa muita empatia, tanto que é um livro que deve ser lido em voz alta porque com a musicalidade é fácil de entender”, apontou.

Registros-A cantora e compositora Adriana Calcanhoto que tem nas obras de Guimarães Rosa uma fonte de inspiração, destacou que se não o escritor não tivesse usado a linguagem no livro correria o risco de não ter mais registros daquela forma de falar popular. 

“É um trabalho extraordinário que ele faz, antes da escrita dele do Grande Sertão, é da compilação que ele faz daquela fala e aí, claro tem o gênio dele na escrita e na história”, disse em entrevista à Agência Brasil.

“É uma leitura obrigatória. Grande Sertão é um livro que todo mundo tem que ler pelo menos uma vez. Quando você lê ele mais de uma vez, e é um clássico, por isso, é outro livro e a gente é outra pessoa depois disso”, apontou, destacando ainda a aceitação mundial da obra.

“É uma coisa louca que seja mundialmente, porque é difícil tradução. É um livro que interessa ao mundo todo, exatamente por ser tão regional e universal. Cada ano que passa, ele só cresce”, observou.

Cadeira 2-Ocupar a cadeira 2 que já foi de Guimarães Rosa na ABL não é a única proximidade que Eduardo Giannetti tem com o escritor que aprendeu a admirar ainda na infância. Lendo a biografia de Leonêncio Nossa, descobriu que tem um parentesco com o escritor.

“Uma coisa que me deixou bastante surpreso e até emocionado lendo a biografia do Leonêncio é que o Guimarães Rosa é meu parente. O pai do Guimarães Rosa se chamava Florduardo e o apelido era Fulô, que era primo do meu bisavô João Pinheiro. Ele chegou a morar na casa do pai do Guimarães Rosa”.

Esse fato não era de conhecimento da família do acadêmico e isso ele ainda não chegou a conversar com o biógrafo que esclareceu essa linhagem. “O Guimarães Rosa a certa altura, jovem ainda, esboçou o desejo em cartas ao pai, de escrever uma biografia do João Pinheiro que é meu bisavô lá de Caeté. Ele admirava muito João Pinheiro ouvindo as histórias que o pai contava do primo”, apontou Giannetti.

“Ainda por cima teve isso”, disse satisfeito, confirmando que fechando o círculo, a cadeira 2 tinha que ser ocupada por ele. “Como diria o Guimarães ‘nada nesse mundo é por acaso’. A grande pena é que os meus pais não sobreviveram para saber que o Guimarães vem de uma família mineira muito próxima que é a de João Pinheiro, avô do meu pai”, comentou o acadêmico.

Ao saber que ocuparia a cadeira 2 se sentiu “um pouco oprimido, um pouco opressivo”, mas reconheceu que foi bom porque suscitou um emprenho renovado de aprofundamento na obra de Rosa, resultando em um ensaio que escreveu para a Revista Piauí, publicado na edição de junho. Fez ainda uma versão compacta do ensaio destinada à publicação da edição comemorativa dos 70 anos de Grande Sertão: Veredas que foi lançada pela editora Companhia das Letras.

“Fico feliz sempre que me chamam para falar de Guimarães Rosa”, revelou Giannetti.

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DESEMBARGADOR ONALDO QUEIROGA VISITA AREIA PARAIBA, PATRIMÔNIO NACIONAL DA CULTURA

O presidente da Comissão de Cultura e Memória do Tribunal de Justiça da Paraíba (TJPB), desembargador Onaldo Queiroga, realizou, na quinta-feira (9), uma visita institucional à Comarca de Areia, no Brejo paraibano. Acompanhavam a comitiva o coordenador de Apoio aos Núcleos, Comitês e Comissões (Coapo), Romero Cavalcanti, e o servidor Marcos Alcântara.

No Fórum da Comarca, a equipe foi recebida pela diretora da unidade, juíza Alessandra Varandas Paiva, acompanhada da gerente, Vera Lúcia. Ainda no Fórum, o desembargador Onaldo Queiroga se encontrou com o promotor de Justiça Renato Martins Leite e a defensora pública Laura Neuma Câmara Bonfim Sales.

Durante a agenda, foi realizada uma inspeção no acervo documental histórico do Fórum. A iniciativa é dar continuidade ao trabalho iniciado em abril, quando os documentos passaram por um processo de identificação e triagem conduzido pelos assessores da Comissão, Patrício Fontes e Marcos Alcântara, com o apoio das servidoras Auricélia da Silva, do Arquivo do Fórum de Areia, e Jacira Bezerra, do Arquivo Geral do TJPB.

Após essa etapa, o material selecionado será encaminhado à Sala de Arquivo Histórico do Tribunal, em João Pessoa, onde passará pelos processos de higienização, conservação e digitalização.

Durante a triagem, a equipe técnica separou os documentos passíveis de preservação daqueles que apresentavam elevado grau de deterioração, comprometidos por agentes biológicos e sem condições de restauração. A ação integra o trabalho desenvolvido pela Comissão de Cultura e Memória, que busca identificar, preservar, sistematizar e disponibilizar informações históricas dos acervos das comarcas mais antigas da Paraíba.

"As caixas de processos já selecionadas serão transferidas para João Pessoa ainda neste mês de julho. O objetivo é dar continuidade ao trabalho de preservação e, em breve, disponibilizar esse acervo ao público em formato digital. A proposta é reunir documentos de relevante valor histórico para integrar o Memorial do Judiciário, contribuindo para a preservação da memória institucional do Tribunal de Justiça e da própria história da Comarca de Areia", destacou o desembargador Onaldo Queiroga.

Já no Casarão José Rufino, localizado no Município, o presidente da Comissão de Cultura e Memória do TJPB esteve reunido com representantes do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e da Secretaria Municipal de Turismo e Cultura. Na pauta, trataram sobre a adequação do espaço histórico para a implantação do Centro de Memória no local. 

Conforme pontuou, o desembargador Onaldo Queiroga, discutiram sobre as ações a serem realizadas para a adequação do espaço histórico, com a finalidade de preservar e valorizar um dos principais bens culturais de Areia, que é o Casarão José Rufino.  

Na reunião, trataram sobre o reordenamento do convênio entre as instituições, como passo necessário para viabilizar a permanência do Iphan no processo, além de possibilitar avanços na captação de recursos para melhorias no imóvel. “Com isso, a expectativa é consolidar um espaço voltado à preservação da história, à educação patrimonial e ao fortalecimento dos vínculos entre a sociedade e o patrimônio cultural de Areia”, explicou o desembargador Onaldo Queiroga.

Durante a agenda, representantes do Iphan detalharam o papel do Escritório Técnico que atua em Areia desde 2018, explicando que o órgão oferece assessoria técnica, elabora projetos de restauração e conservação, autoriza obras, fiscaliza o patrimônio e promove ações de educação patrimonial. 

A Prefeitura de Areia, representada pelo secretário municipal de Turismo e Cultura, Rinaldo Bandeira, reafirmou o compromisso da gestão com a preservação do patrimônio histórico e com a criação de um espaço de memória no Casarão José Rufino. “A iniciativa reforça a parceria entre o poder público municipal, o TJPB e o IPHAN para dar novo fôlego a um dos mais importantes bens patrimoniais do município”.

Para o chefe da divisão técnica do Iphan na Paraíba, Orlando Cavalcante, a parceria fortalece a preservação do patrimônio histórico de Areia, pois além do tombamento, o Instituto pode oferecer instrumentos de gestão do centro histórico com a instalação do Escritório Técnico, vinculado ao Casarão José Rufino. 

“Além de ser um espaço de memória, fortalece os vínculos com a sociedade a partir do espaço de diálogo em contato direto com os proprietários do patrimônio tombado", salientou.


Por sua vez, a chefe do escritório técnico do Iphan em Areia, Natállia Azevêdo, observou que “os proprietários e cidadãos podem contar com assistência técnica antes das intervenções que desejam realizar, resultando no acompanhamento contínuo do patrimônio, o que favorece o gerenciamento das obras autorizadas de acordo com as normas de preservação”.





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ENIGMAS DO EU, POR ONALDO QUEIROGA

Quantos segredos guarda o eu? São infinitos os enigmas do "eu". Nele sempre há um algo que nos surpreende, contrariando qualquer expectativa. Será que podemos prever ações e atitudes dos outros? A história humana mostra que jamais seremos capazes de penetrar no "eu". 

No nosso âmago temos a capacidade, dentro do nosso imaginário, de viajar por pensamentos insondáveis, que, em horas certas ou incertas, se revelam em atos ou em omissões. Mas o certo é   que quando o medo habita o "eu", a tristeza galopa para mostrar-se iminente, fechando os espaços para a coragem. Quando paredes divisórias residem no "eu", o perdão é desprezado, tornando nosso coração ponto frágil sem espaço para o amor. Quando a tentação caminha pela sala do "eu", os pecados dominam nossas ações, provocando traições e ingratidões. Quando a inveja se faz presente no "eu", os fardos se elevam de peso, nos afastando de Deus. 
No eu, existem desertos imensos, esquinas que nos levam à escuridão, mas também à fé. Do "eu" emergem os mistérios dos sonhos, das visões e das sombras. Nele encontramos a maldade, que impõe sofrimento. E a área dos pântanos nos transmite a humildade de caminhar por solos difíceis de transpor. No "eu" também há o pavilhão do egoísmo e nele existem submundos que se exteriorizam por meio do olho gordo.
A desconfiança que multiplica a insegurança do homem, afasta-o da paz. Mas é preciso olhar para o rio da perseverança, que nos permite romper desfiladeiros e nos braços da fé vencer os obstáculos e, no final, abraçar o amor. O "eu" também é poético, é filho da Lua e do violão. Nele, Deus instalou enigmas, tantos quantos guardam as profundezas oceânicas. Com isso, é de se indagar: O que seria do homem sem os segredos do eu? 

 Onaldo Queiroga escrito, juiz, atual Desambargador Tribunal de Justiça da Paraiba
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NEY VITAL SACODE O FORRÓ NO RITMO DO JORNALISMO

O Programa ‘Nas Asas da Asa Branca – Viva Luiz Gonzaga e seus Amigos’ agora tem novo horário e é apresentado aos domingos a partir das 10h na Rádio Educadora do Cariri FM 102.1, no Crato, Ceará.

Em defesa do Meio Ambiente e Valorização da Cultura Brasileira o jornalista Ney Vital recebeu Moção de Aplausos da Câmara de Vereadores, terra onde nasceu Padre Cícero. A homenagem, aprovada pelo Poder Legislativo, foi apresentada pelo vereador José Wilson da Silva Gomes (Wilson do Rosto) e aprovada por unanimidade.

A produção e apresentação do programa é do jornalista Ney Vital, colaborador da REDEGN. O programa é pautado em músicas de Luiz Gonzaga, informações em defesa do meio ambiente, agroecologia (destacando a Floresta Nacional da Chapada do Araripe e o Rio São Francisco), a cultura da região, seus cantadores de Pífano, aboiadores e violeiros.

‘Nas Asas da Asa Branca – Viva Luiz Gonzaga e seus Amigos’ segue uma trilogia amparada na cultura, cidadania e informação. Programa com roteiro usado para contar a história da música brasileira a partir da voz e sanfona de Luiz Gonzaga, seus amigos e seguidores.

Ney Vital considera o programa “o encontro da família brasileira”. Ele não promove rituais regionalistas, a mesquinhez saudosista dos que não se encontram com a arte e cultura, a não ser na lembrança. Ao contrário, o programa evoluiu para a tecnologia digital e forma de espaço reservado à cultura mais brasileira, universal, autêntica, descortinando um mar, cariri sertões de ritmos variados e escancarando a infinita capacidade criadora dos que fazem arte no Brasil.

É o conteúdo dessa autêntica expressão nacional que faz romper as barreiras regionais, esmagando as falsificações e deturpações do que costuma se fazer passar como patrimônio cultural brasileiro. Também por este motivo no programa o sucesso pré-fabricado não toca e o modismo de mau gosto passa longe.

“Existe uma desordem, inversão de valores no jornalismo e na qualidade das músicas apresentadas no rádio”, avalia Ney Vital que recebeu o Título de Cidadão de Exu, Terra de Luiz Gonzaga, título Amigo Gonzagueano Orgulho de Caruaru, e Troféu Luiz Gonzaga do Espaço Cultural Asa Branca de Caruaru e o Troféu Viva Dominguinhos-Amizade Sincera em Garanhuns.

Bagagem profissional-Ney Vital usa a credibilidade e experiência de 30 anos atuando no rádio e TV. Nas afiliadas da Rede Globo (TV Grande Rio e São Francisco), foi um dos produtores do Globo Rural, onde exibiu reportagens sobre Missa do Vaqueiro de Serrita e festa de aniversário de Luiz Gonzaga e dos 500 anos do Rio São Francisco, além de dezenas de reportagens pautadas no meio ambiente do semiárido e ecologia.

Membro da Rede Brasileira de Jornalismo, Ney Vital é formado em Jornalismo na Paraíba e com Pós-Graduação em Ensino de Comunicação Social pela Uneb/Universidade Federal do Rio Grande do Norte. 

“Nas Asas da Asa Branca, ao abrir as portas à mais genuína música brasileira, cria um ambiente de amor e orgulho pela nossa gente, uma disseminação de admiração e confiança de identidade cultural em nosso povo, experimentada por quem o sintoniza a RADIO EDUCADORA em todas as regiões do Brasil", finaliza Ney Vital.

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JACKSON DO PANDEIRO 44 ANOS DE SAUDADES

 Negro, de uma família pobre, com baixas expectativas, como muitos, mas que se tornou um Rei, como poucos. Essa é a história de José Gomes Filho, que viu que tinha muito Zé na Paraíba e se transformou em Jackson do Pandeiro, hoje reconhecido como um dos maiores nomes da história da música nordestina. Se a realeza não veio de berço, a verve artística de Jackson veio. O pai de Sebastiana, que completaria 100 anos neste sábado (31), teve na mãe, Flora Mourão, a maior inspiração para entrar no mundo da música.

Jackson nasceu na zona rural de Alagoa Grande, na região do Brejo da Paraíba. O pai era o oleiro José Gomes, conhecido como Zé Preto. A mãe era Flora Mourão, uma mulher que pode ser considerada à frente do seu tempo. Natural de Timbaúba, em Pernambuco, ela chegou ao município paraibano ainda adolescente. Foi parar lá com um grupo de coco no qual se apresentava na região, conheceu Zé Preto e se casou. Além de Jackson, ou José Gomes Filho, o casal teve outros dois filhos, Severina e João.

Flora tocava em feiras, batizados e casamentos na região. E através da arte ajudava no sustento da família. Ela dividia a chefia familiar com o marido Zé Preto, que não gostava do lado artístico da esposa, mas respeitava.

Já o menino José acompanhava as apresentações e era encantado pelo trabalho da mãe. As rodas de coco de Flora Mourão criaram uma consciência artística no filho primogênito e foram fundamentais para a formação dele como músico. Nestes momentos ele começou a memorizar os passos e as batidas do coco.

E foi exatamente ao lado da mãe que José ou Jack, como os amigos chamavam - já que ele gostava de imitar o astro dos faroestes Jack Perrin - estreou como artista. Um zabumbeiro do grupo de Flora adoeceu e faltou à apresentação. José tocou no lugar dele. O menino tinha apenas nove anos. Era o primeiro passo da carreira daquele que mais tarde seria chamado de Rei do Ritmo e ficaria marcado por um outro instrumento, que adotaria como sobrenome.

"O que se sabe sobre Flora é muito pouco, mas o suficiente para a gente entender como Jackson chegou a ser o que foi, tendo ela como base. A influência veio dela. Como Januário influenciou Luiz Gonzaga, Flora Mourão influenciou Jackson de forma penetrante”, afirma o jornalista e biógrafo de Jackson do Pandeiro, Fernando Moura.

Antes do reinado de Jackson, Flora reinou. Ela foi considerada uma das mais respeitadas coquistas da região, entre o final da década de 1910 e 1930. A cantora se afastou das apresentações após o nascimento do terceiro filho, João. Pouco tempo depois, Zé Preto morreu e a família começou a enfrentar dificuldades, chegando a passar fome. Flora então decidiu ir embora com os filhos para Campina Grande, buscando uma melhoria de vida.

“Eles tinham familiares em Campina Grande e decidiram se mudar, mas foram a pé, demoraram quase uma semana para chegar”, destaca Fernando Moura.

O ano era 1931. José Gomes filho tinha apenas 11 anos, a irmã Severina, 6 anos, e João, apenas um. Em Campina Grande, o lado artístico de José afloraria de uma vez por todas. Mas ele também precisou trabalhar pesado para sustentar a mãe e os irmãos. O futuro Rei do Ritmo foi servente de pedreiro, pintor de paredes, limpador de fossas e ajudante de padeiro. Ele também ganhava algum dinheiro como baterista em casas noturnas. Nessa época era conhecido como Zé Jack.

Em 1937, a mudança definitiva. Trabalhando numa padaria, durante o carnaval um grupo passou cantando. Jackson foi atrás e viu que o queria de verdade era manter o legado de Flora como artista.

Já acompanhado do Pandeiro, José, ou Zé Jack, fez carreira em Campina Grande até 1944, ano em que se mudou para João Pessoa. Na capital paraibana ele passou a integrar a Orquestra Tabajara.

Flora Morreu em 1946 sem ver o sucesso do filho, que viria sete anos depois. Já em Recife, fazendo parte do elenco da Rádio Jornal do Commercio, José ganhou o nome que lhe consagraria. Virou Jackson do Pandeiro por ideia de um diretor da emissora, que achou o nome mais sonoro e melhor para o marketing.

Em 1953, Jackson lança a música 'Sebastiana', de autoria de Rosil Cavalcanti, em um programa de rádio na capital pernambucana. O lançamento foi meio de improviso, pois o Rei do Ritmo estava preparado para apresentar outra música. O produtor do programa pediu que ele mudasse em cima da hora e meio que evocou a figura de Flora no pedido. “Você vai cantar aquele negócio que 'cê' canta, aqueles 'coquinho', do tempo da sua mãe”, revelou o próprio Jackson ao relembrar o pedido no programa 'Ensaio', da TV Cultura, nos anos 70.

O som acabou alavancando o nome do paraibano. No mesmo ano, ele é contratado pela gravadora Copacabana e lança o primeiro disco que, além de 'Sebastiana', tinha 'Forró em Limoeiro'.

Jackson estourou com o ritmo da mãe, mas não passou só por ele. Muito pelo contrário. Passeou pelo forró, samba, baião, frevo e outros.

Além de ser inspiração, Flora também foi homenageada por Jackson em algumas músicas. Em 'Xexeu da Bananeira' ele relembra as apresentações artísticas da mãe. A composição tem versos como 'Ô Menina bonita, formosa, brejeira/Que só sai de casa para fazer a feira/Arrastando a saia, levanta poeira'.

Em 'Verdadeiro Amor', Jackson fala do sentimento por ela. 'Mãe é o grande tesouro/Cheio de sublimação/ O segundo nazareno/Na história do perdão', é um dos trechos do samba.

Jackson morreu em 1982, vítima de embolia pulmonar, em Brasília. Ele teve uma carreira de altos e baixos e gravou mais de 100 discos. Inspirou e até hoje inspira artistas, nomes como Gilberto Gil, Alceu Valença, Geraldo Azevedo e muitos outros beberam na fonte do que foi produzido por aquele menino pobre que foi a pé de Alagoa Grande para Campina Grande e se tornou rei. "Jackson é um pilar, se a gente for pensar na música brasileira, popular, ele é um dos alicerces", afirma o cantor pernambucano Lenine.

Por mais que Flora Mourão, a maior inspiração, não tenha visto o filho se tornar o músico que se tornou, Jackson nunca esqueceu da mãe durante o seu reinado. Até o último show que fez, Jackson levou na mala um vestido branco que Flora usava nas apresentações com o grupo de coco. "Mais que uma mestra, ela foi a fonte inspiradora (..). Mais que uma mãe, foi um ícone", ressalta Fernando Moura na biografia de Jackson. (Jornal da Paraiba)


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