Quantos segredos guarda o eu? São infinitos os enigmas do "eu". Nele sempre há um algo que nos surpreende, contrariando qualquer expectativa. Será que podemos prever ações e atitudes dos outros? A história humana mostra que jamais seremos capazes de penetrar no "eu".
No nosso âmago temos a capacidade, dentro do nosso imaginário, de viajar por pensamentos insondáveis, que, em horas certas ou incertas, se revelam em atos ou em omissões. Mas o certo é que quando o medo habita o "eu", a tristeza galopa para mostrar-se iminente, fechando os espaços para a coragem. Quando paredes divisórias residem no "eu", o perdão é desprezado, tornando nosso coração ponto frágil sem espaço para o amor. Quando a tentação caminha pela sala do "eu", os pecados dominam nossas ações, provocando traições e ingratidões. Quando a inveja se faz presente no "eu", os fardos se elevam de peso, nos afastando de Deus.
No eu, existem desertos imensos, esquinas que nos levam à escuridão, mas também à fé. Do "eu" emergem os mistérios dos sonhos, das visões e das sombras. Nele encontramos a maldade, que impõe sofrimento. E a área dos pântanos nos transmite a humildade de caminhar por solos difíceis de transpor. No "eu" também há o pavilhão do egoísmo e nele existem submundos que se exteriorizam por meio do olho gordo.
A desconfiança que multiplica a insegurança do homem, afasta-o da paz. Mas é preciso olhar para o rio da perseverança, que nos permite romper desfiladeiros e nos braços da fé vencer os obstáculos e, no final, abraçar o amor. O "eu" também é poético, é filho da Lua e do violão. Nele, Deus instalou enigmas, tantos quantos guardam as profundezas oceânicas. Com isso, é de se indagar: O que seria do homem sem os segredos do eu?
Onaldo Queiroga escrito, juiz, atual Desambargador Tribunal de Justiça da Paraiba
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