NEY VITAL SACODE O FORRÓ NO RITMO DO JORNALISMO

O Programa ‘Nas Asas da Asa Branca – Viva Luiz Gonzaga e seus Amigos’ agora tem novo horário e é apresentado aos domingos a partir das 10h na Rádio Educadora do Cariri FM 102.1, no Crato, Ceará.

Em defesa do Meio Ambiente e Valorização da Cultura Brasileira o jornalista Ney Vital recebeu Moção de Aplausos da Câmara de Vereadores, terra onde nasceu Padre Cícero. A homenagem, aprovada pelo Poder Legislativo, foi apresentada pelo vereador José Wilson da Silva Gomes (Wilson do Rosto) e aprovada por unanimidade.

A produção e apresentação do programa é do jornalista Ney Vital, colaborador da REDEGN. O programa é pautado em músicas de Luiz Gonzaga, informações em defesa do meio ambiente, agroecologia (destacando a Floresta Nacional da Chapada do Araripe e o Rio São Francisco), a cultura da região, seus cantadores de Pífano, aboiadores e violeiros.

‘Nas Asas da Asa Branca – Viva Luiz Gonzaga e seus Amigos’ segue uma trilogia amparada na cultura, cidadania e informação. Programa com roteiro usado para contar a história da música brasileira a partir da voz e sanfona de Luiz Gonzaga, seus amigos e seguidores.

Ney Vital considera o programa “o encontro da família brasileira”. Ele não promove rituais regionalistas, a mesquinhez saudosista dos que não se encontram com a arte e cultura, a não ser na lembrança. Ao contrário, o programa evoluiu para a tecnologia digital e forma de espaço reservado à cultura mais brasileira, universal, autêntica, descortinando um mar, cariri sertões de ritmos variados e escancarando a infinita capacidade criadora dos que fazem arte no Brasil.

É o conteúdo dessa autêntica expressão nacional que faz romper as barreiras regionais, esmagando as falsificações e deturpações do que costuma se fazer passar como patrimônio cultural brasileiro. Também por este motivo no programa o sucesso pré-fabricado não toca e o modismo de mau gosto passa longe.

“Existe uma desordem, inversão de valores no jornalismo e na qualidade das músicas apresentadas no rádio”, avalia Ney Vital que recebeu o Título de Cidadão de Exu, Terra de Luiz Gonzaga, título Amigo Gonzagueano Orgulho de Caruaru, e Troféu Luiz Gonzaga do Espaço Cultural Asa Branca de Caruaru e o Troféu Viva Dominguinhos-Amizade Sincera em Garanhuns.

Bagagem profissional-Ney Vital usa a credibilidade e experiência de 30 anos atuando no rádio e TV. Nas afiliadas da Rede Globo (TV Grande Rio e São Francisco), foi um dos produtores do Globo Rural, onde exibiu reportagens sobre Missa do Vaqueiro de Serrita e festa de aniversário de Luiz Gonzaga e dos 500 anos do Rio São Francisco, além de dezenas de reportagens pautadas no meio ambiente do semiárido e ecologia.

Membro da Rede Brasileira de Jornalismo, Ney Vital é formado em Jornalismo na Paraíba e com Pós-Graduação em Ensino de Comunicação Social pela Uneb/Universidade Federal do Rio Grande do Norte. 

“Nas Asas da Asa Branca, ao abrir as portas à mais genuína música brasileira, cria um ambiente de amor e orgulho pela nossa gente, uma disseminação de admiração e confiança de identidade cultural em nosso povo, experimentada por quem o sintoniza a RADIO EDUCADORA em todas as regiões do Brasil", finaliza Ney Vital.

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JACKSON DO PANDEIRO 44 ANOS DE SAUDADES

 Negro, de uma família pobre, com baixas expectativas, como muitos, mas que se tornou um Rei, como poucos. Essa é a história de José Gomes Filho, que viu que tinha muito Zé na Paraíba e se transformou em Jackson do Pandeiro, hoje reconhecido como um dos maiores nomes da história da música nordestina. Se a realeza não veio de berço, a verve artística de Jackson veio. O pai de Sebastiana, que completaria 100 anos neste sábado (31), teve na mãe, Flora Mourão, a maior inspiração para entrar no mundo da música.

Jackson nasceu na zona rural de Alagoa Grande, na região do Brejo da Paraíba. O pai era o oleiro José Gomes, conhecido como Zé Preto. A mãe era Flora Mourão, uma mulher que pode ser considerada à frente do seu tempo. Natural de Timbaúba, em Pernambuco, ela chegou ao município paraibano ainda adolescente. Foi parar lá com um grupo de coco no qual se apresentava na região, conheceu Zé Preto e se casou. Além de Jackson, ou José Gomes Filho, o casal teve outros dois filhos, Severina e João.

Flora tocava em feiras, batizados e casamentos na região. E através da arte ajudava no sustento da família. Ela dividia a chefia familiar com o marido Zé Preto, que não gostava do lado artístico da esposa, mas respeitava.

Já o menino José acompanhava as apresentações e era encantado pelo trabalho da mãe. As rodas de coco de Flora Mourão criaram uma consciência artística no filho primogênito e foram fundamentais para a formação dele como músico. Nestes momentos ele começou a memorizar os passos e as batidas do coco.

E foi exatamente ao lado da mãe que José ou Jack, como os amigos chamavam - já que ele gostava de imitar o astro dos faroestes Jack Perrin - estreou como artista. Um zabumbeiro do grupo de Flora adoeceu e faltou à apresentação. José tocou no lugar dele. O menino tinha apenas nove anos. Era o primeiro passo da carreira daquele que mais tarde seria chamado de Rei do Ritmo e ficaria marcado por um outro instrumento, que adotaria como sobrenome.

"O que se sabe sobre Flora é muito pouco, mas o suficiente para a gente entender como Jackson chegou a ser o que foi, tendo ela como base. A influência veio dela. Como Januário influenciou Luiz Gonzaga, Flora Mourão influenciou Jackson de forma penetrante”, afirma o jornalista e biógrafo de Jackson do Pandeiro, Fernando Moura.

Antes do reinado de Jackson, Flora reinou. Ela foi considerada uma das mais respeitadas coquistas da região, entre o final da década de 1910 e 1930. A cantora se afastou das apresentações após o nascimento do terceiro filho, João. Pouco tempo depois, Zé Preto morreu e a família começou a enfrentar dificuldades, chegando a passar fome. Flora então decidiu ir embora com os filhos para Campina Grande, buscando uma melhoria de vida.

“Eles tinham familiares em Campina Grande e decidiram se mudar, mas foram a pé, demoraram quase uma semana para chegar”, destaca Fernando Moura.

O ano era 1931. José Gomes filho tinha apenas 11 anos, a irmã Severina, 6 anos, e João, apenas um. Em Campina Grande, o lado artístico de José afloraria de uma vez por todas. Mas ele também precisou trabalhar pesado para sustentar a mãe e os irmãos. O futuro Rei do Ritmo foi servente de pedreiro, pintor de paredes, limpador de fossas e ajudante de padeiro. Ele também ganhava algum dinheiro como baterista em casas noturnas. Nessa época era conhecido como Zé Jack.

Em 1937, a mudança definitiva. Trabalhando numa padaria, durante o carnaval um grupo passou cantando. Jackson foi atrás e viu que o queria de verdade era manter o legado de Flora como artista.

Já acompanhado do Pandeiro, José, ou Zé Jack, fez carreira em Campina Grande até 1944, ano em que se mudou para João Pessoa. Na capital paraibana ele passou a integrar a Orquestra Tabajara.

Flora Morreu em 1946 sem ver o sucesso do filho, que viria sete anos depois. Já em Recife, fazendo parte do elenco da Rádio Jornal do Commercio, José ganhou o nome que lhe consagraria. Virou Jackson do Pandeiro por ideia de um diretor da emissora, que achou o nome mais sonoro e melhor para o marketing.

Em 1953, Jackson lança a música 'Sebastiana', de autoria de Rosil Cavalcanti, em um programa de rádio na capital pernambucana. O lançamento foi meio de improviso, pois o Rei do Ritmo estava preparado para apresentar outra música. O produtor do programa pediu que ele mudasse em cima da hora e meio que evocou a figura de Flora no pedido. “Você vai cantar aquele negócio que 'cê' canta, aqueles 'coquinho', do tempo da sua mãe”, revelou o próprio Jackson ao relembrar o pedido no programa 'Ensaio', da TV Cultura, nos anos 70.

O som acabou alavancando o nome do paraibano. No mesmo ano, ele é contratado pela gravadora Copacabana e lança o primeiro disco que, além de 'Sebastiana', tinha 'Forró em Limoeiro'.

Jackson estourou com o ritmo da mãe, mas não passou só por ele. Muito pelo contrário. Passeou pelo forró, samba, baião, frevo e outros.

Além de ser inspiração, Flora também foi homenageada por Jackson em algumas músicas. Em 'Xexeu da Bananeira' ele relembra as apresentações artísticas da mãe. A composição tem versos como 'Ô Menina bonita, formosa, brejeira/Que só sai de casa para fazer a feira/Arrastando a saia, levanta poeira'.

Em 'Verdadeiro Amor', Jackson fala do sentimento por ela. 'Mãe é o grande tesouro/Cheio de sublimação/ O segundo nazareno/Na história do perdão', é um dos trechos do samba.

Jackson morreu em 1982, vítima de embolia pulmonar, em Brasília. Ele teve uma carreira de altos e baixos e gravou mais de 100 discos. Inspirou e até hoje inspira artistas, nomes como Gilberto Gil, Alceu Valença, Geraldo Azevedo e muitos outros beberam na fonte do que foi produzido por aquele menino pobre que foi a pé de Alagoa Grande para Campina Grande e se tornou rei. "Jackson é um pilar, se a gente for pensar na música brasileira, popular, ele é um dos alicerces", afirma o cantor pernambucano Lenine.

Por mais que Flora Mourão, a maior inspiração, não tenha visto o filho se tornar o músico que se tornou, Jackson nunca esqueceu da mãe durante o seu reinado. Até o último show que fez, Jackson levou na mala um vestido branco que Flora usava nas apresentações com o grupo de coco. "Mais que uma mestra, ela foi a fonte inspiradora (..). Mais que uma mãe, foi um ícone", ressalta Fernando Moura na biografia de Jackson. (Jornal da Paraiba)


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LITERATURA DO VALE DO SÃO FRANCISCO GANHA DESTAQUE NO JUAZEIRO DA BAHIA

A literatura regional volta a ocupar um lugar de destaque na programação do Festival Juá Literária. A Prefeitura de Juazeiro, por meio da Secretaria de Educação (Seduc), divulga a lista dos autores selecionados para o Cais da Palavra, espaço dedicado ao lançamento de obras de escritores e escritoras do Vale do São Francisco.

Nesta edição, o edital bateu recorde de participação, com quase 100 inscrições. Desse total, 30 autores foram selecionados por uma comissão de curadoria para integrar a programação do festival.

A ação faz parte do Festival Juá Literária 2026, que acontecerá entre os dias 20 e 25 de julho, como parte das comemorações pelo aniversário de Juazeiro. Durante o evento, os autores contemplados participarão de mesas literárias e terão a oportunidade de lançar, divulgar e comercializar suas obras em um dos mais importantes encontros literários do Nordeste.

Confira a lista dos autores selecionados no site oficial da Prefeitura de Juazeiro, por meio do endereço eletrônico: www.juazeiro.ba.gov.br. 




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HUBERTO CABRAL, O JORNALISTA QUE CONVIVEU COM LUIZ GONZAGA, PATATIVA DO ASSARÉ E PADRE VIEIRA

Em plena atividade na Rádio Educadora do Cariri, FM 102.1, na cidade do Crato Ceará, o jornalista e cerimonialista, Huberto Cabral, é um dos Patrimônios da História Cultural e da educação Brasileira. Considerado uma ‘enciclopédia viva’ da história regional e reconhecido como uma das personalidades históricas do Cariri é Doutor Honoris Causa título aprovado por unanimidade pelo Conselho Superior da Universidade Regional do Cariri (URCA), em 2024.

Nascido no dia 20 dezembro de 1936, Huberto Cabral caminha para completar 90 anos. Em conversa com o colaborador da REDEGN, jornalista Ney Vital, Huberto Cabral, demostrou o motivo de carregar e espalhar sabedoria na alma refletida em palavras de humildade.

No passado teve atividades em jornais, como O Levita, que foi um dos editores, que passou a editar ainda no Seminário, e depois a Ação, porta-voz da Diocese do Crato. Huberto Cabral também atuou na amplificadora cratense, pioneiro no serviço de auto-falante da região do Cariri. Com a fundação da Rádio Araripe do Crato, primeira emissora do interior cearense, Huberto Cabral passou a atuar na emissora dos Diários Associados, maior conglomerado de mídia da América Latina.

Chamado de ‘enciclopédia viva do Crato’, Huberto passou a ser uma testemunha ocular de episódios históricos da cidade, e uma das fontes essenciais de muitos acontecimentos. "É um guardião e documentos de notável relevância, além de ser requisitado com frequência por pesquisares de universidades da região, além da imprensa, para dar depoimentos relevantes para pesquisar acadêmicas e matérias que são veiculadas junto à imprensa".

Huberto é um jornalista que entrevistou até presidente da República. Mas é o assunto Cariri que faz os olhos brilharem. "Estive com Luiz Gonzaga, Patativa do Assaré, Padre Antônio Vieira, Zé Clementino, Pedro Bandeira, figuras geniais. É uma vida de muitas histórias", diz Huberto Cabral.

Ele conta que Luiz Gonzaga tinha grande amizade pelo Crato e cita: Luiz Gonzaga, ao deixar sua terra natal e fugir para Fortaleza, passou pelo Crato, pegou um trem na estação com destino à Fortaleza, onde serviu no quartel do 23º BC. "Quando menino, o pai de Luiz Gonzaga, seu Januário e a mãe Santana vinham sempre que podia para o Crato onde comercializava seus produtos na feira, principalmente farinha".

Huberto Cabral é testemunha vivo da história que Luiz Gonzaga participou de alguns momentos marcantes do Crato. Em 1946, por exemplo, ele retorna ao Crato para animar e tocar em leilões da festa de São Francisco. Maçom que era, Luiz Gonzaga teve vários trabalhos filantrópicos desenvolvidos a favor do bem estar do povo.

Em 1951 Luiz Gonzaga esteve presente à inauguração da Rádio Araripe, primeira emissora de rádio do Interior do Ceará, junto com o pai, Januário, e o irmão, Zé Gonzaga. Em 1953 Luiz Gonzaga participou da festa do centenário do Crato realizando show na Praça da Sé. Em 1974 recebeu o título de cidadão cratense outorgado pela Câmara Municipal em iniciativa do vereador Ivan Veloso.

Em 1987 na Expocrato o presidente da Comissão Gestora, Francisco Henrique Costa, promoveu grande show folclórico na história da exposição numa homenagem a quatro heróis do ciclo do Jumento. “Pela primeira vez e única vez reuniram-se no palco Luiz Gonzaga, Patativa do Assaré, Padre Antonio Vieira e José Clementino que foram saudados pelo violeiro Pedro bandeira”. revela Hubeto Cabral.

Huberto Cabral já foi agraciado com a Comenda Bárbara de Alencar, a maior do Município do Crato, além dos diplomas da Câmara Municipal do Crato, Mérito Legislativo e Jornalista João Brígido dos Santos, e a Comenda Irineu Pinheiro, do Instituto Cultural do Cariri – ICC.

Atualmente aos domingos 7hs da manhã e ao meio dia, Huberto Cabral apresenta e produz os programas de rádio transmitidos pela Educadora FM 102.1.

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RÁDIO NACIONAL 90 ANOS

A Rádio Nacional completa neste ano nove décadas de existência reafirmando seu papel histórico como um dos principais veículos de comunicação do país. A emissora, que hoje integra o conglomerado de mídia da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), é reconhecida como a maior rádio pública da América Latina, destacando-se por sua ampla capilaridade e pela presença multiplataforma no cenário radiofônico.

A Rádio Nacional foi fundada no Rio de Janeiro (RJ) pelo grupo do Jornal A Noite em 12 de setembro de 1936 com o prefixo PRE-8. Começou a ganhar força em 1940, quando foi incorporada à União e se firmou como fenômeno de expressão da cultura popular brasileira. Teve papel fundamental na transmissão de notícias para todo o território brasileiro com o Repórter Esso, apresentado pelo jornalista Heron Domingues e que se tornou sucesso de audiência. Na época, a emissora chegava a receber milhares de cartas por dia enviadas por ouvintes de todo país.

Atualmente, a Rádio Nacional é a única emissora brasileira com atuação simultânea em FM para todos os estados, operando também em AM e Ondas Curtas (OC) de alta potência, o que faz o sinal chegar em lugares remotos e para além das fronteiras brasileiras. A programação também pode ser acompanhada pela internet via streaming, garantindo alcance para diferentes realidades geográficas e sociais do país.

O presidente da EBC, Andre Basbaum, comenta que a Rádio Nacional carrega uma trajetória que se mescla com a própria história da comunicação brasileira.

 “Ao completar 90 anos, a Rádio Nacional reafirma sua relevância como patrimônio da comunicação pública e como serviço essencial para a população. Sua força está justamente na capacidade de unir tradição e presença contemporânea, em uma infraestrutura tecnológica robusta que permite chegarmos mais longe, em lugares onde muitas vezes não há nenhum outro veículo de comunicação. Celebrar a Rádio Nacional é reconhecer que ela segue viva, atual e comprometida com a missão de informar. O direito à informação está expresso em nossa Constituição Federal e é uma bússola para a nossa atuação na EBC”, declara Basbaum.

A rede própria da Rádio Nacional conta com cinco emissoras FM localizadas no Rio de Janeiro (RJ), São Paulo (SP), Brasília (DF), São Luís (MA) e Tabatinga (AM), além de presença em AM na capital federal. Em Recife (PE), a Rádio Nacional é operada em parceria com a Empresa Pernambuco de Comunicação (EPC).  

A transmissão da Rádio Nacional da Amazônia para longas distâncias, por sua vez, acontece por meio de transmissores de ondas curtas (OC) instalados no Parque do Rodeador, localizado a cerca de 40km do centro de Brasília (DF) e que se configura como um dos maiores complexos de transmissão radiofônica do país. Inaugurado em 11 de março de 1974, o parque completou 50 anos em 2024. A sua área abriga quatro conjuntos de antenas gigantes, sendo uma de ondas médias, com 142 metros de altura, além de mais três conjuntos com torres mais altas, atingindo 147 metros para as ondas curtas. O projeto foi desenvolvido com os recursos mais modernos da época para obter maior ganho e alcance de transmissão.

O sistema próprio da EBC para a Rádio Nacional é complementado por um pilar estratégico: a Rede Nacional de Comunicação Pública (RNCP) de Rádios, que hoje é formada por 168 emissoras espalhadas por todo o Brasil. Essa rede amplia a presença da Rádio Nacional por meio de parcerias com emissoras públicas, educativas e culturais em todas as cinco regiões do país. A articulação fortalece o caráter público da comunicação e garante diversidade regional na programação.

Segundo os acordos firmados com a EBC, essas parceiras devem retransmitir um mínimo de quatro horas da programação da Rádio Nacional, não sendo obrigatória a simultaneidade. As emissoras também devem transmitir um mínimo de uma hora de produção local por dia.

Em 2026, a estratégia de expansão da RNCP vai levar o sinal da Rádio Nacional para mais localidades, ampliando o seu raio de atuação de alcance. Em março, por exemplo, as rádios da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM) passaram a integrar a rede. Vale destacar que, também em março, entrou em operação na cidade de Fortaleza (CE) a Rádio Educativa FM 86,7, neste caso integrando conteúdos da Rádio MEC e produções locais.

Com uma programação diversa e estrutura capilarizada, a Rádio Nacional tem conquistado cada vez mais ouvintes nos últimos anos. Dados do Ibope mostram que, tanto no ano de 2024 quanto no de 2025, a rede alcançou mensalmente mais de 400 mil ouvintes. As estatísticas referem-se apenas às praças do Rio de Janeiro (RJ), São Paulo (SP), Distrito Federal e Recife (PE), onde a EBC possui medição de audiência. Na prática, esse número é ainda maior – não é aferida, por exemplo, a audiência registrada pela Rádio Nacional da Amazônia em ondas curtas.

A Nacional no Rio de Janeiro, especificamente, teve aumento de 49% de ouvintes entre os anos de 2024 e 2025. E, já em 2026, a Rádio Nacional FM de Brasília teve resultados históricos de audiência no Distrito Federal. A emissora alcançou, no primeiro bimestre do ano, a maior participação de mercado (share) de toda a série histórica de medições, iniciada em 2010. A emissora mantém uma curva contínua de crescimento: os anos de 2023, 2024 e 2025 concentram três das quatro melhores performances da rádio nos últimos 15 anos, com participações de 1,36%, 1,42% e 1,49%, respectivamente.

A infraestrutura de ondas curtas da Rádio Nacional destaca-se também por sua importância diante de eventos climáticos e tragédias ambientais. Um dos exemplos refere-se às tempestades que castigaram o Rio Grande do Sul em 2024. Com o objetivo de ampliar a prestação de serviços para a comunidade impactada pelas enchentes, foi criado à época o programa “Sintonia com o Sul” com programação dedicada à divulgação de informações para a região afetada. Para esse objetivo ser concretizado, uma parte das antenas do Parque do Rodeador foi direcionada para o sul do país.

Também faz parte da EBC a Rádio Nacional do Alto Solimões. A sua programação combina as notícias locais e nacionais com protagonismo para a produção e a cultura regional. Referência na cidade amazonense de Tabatinga (AM), onde está localizada, a rádio também faz a diferença para os moradores da região do Alto Solimões. A emissora FM interliga nove municípios e serve de ponte de informação e comunicação com a população urbana, povos indígenas e comunidades tradicionais da Tríplice Fronteira entre Brasil, Colômbia e Peru.

No ambiente digital, a Radioagência Nacional integra o sistema público de comunicação e atua como um importante eixo de distribuição de conteúdo jornalístico. Pautada pela missão de levar informação gratuita, plural e de qualidade, a plataforma disponibiliza reportagens, boletins e matérias especiais que podem ser acessadas por emissoras de rádio de todo o país. Os conteúdos produzidos pelo Radiojornalismo da EBC e veiculados pela Rádio Nacional também estão disponíveis no site.

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POETA PATATIVA DO ASSARÉ 24 ANOS DE SAUDADES

 

A cidade de Assaré, no Sul do Ceará, está recebendo o Festival Patativa do Assaré – Minha Terra, Minha Gente, Minha Vida – 24 Anos de Memória, evento que iniciou nesta terça-feira (7) e marca o lançamento dos Circuitos Criativos do Cariri. A programação, realizada no Memorial Patativa do Assaré, segue até esta quarta-feira 8. 

O encontro reúne pesquisadores, artistas, poetas, violeiros, grupos culturais e representantes de instituições em homenagem aos 24 anos da memória do maior poeta cearense, além de promover a valorização da cultura popular. Patativa morreu em 8 de julho de 2002.

“Patativa do Assaré transformou a cultura popular em um patrimônio reconhecido dentro e fora do Ceará. Iniciar os Circuitos Criativos a partir de sua memória fortalece esse legado e cria novas oportunidades para que sua obra continue sendo preservada, estudada e compartilhada por meio da cultura e das iniciativas desenvolvidas no território”, afirma a  presidente da Fundação Memorial Patativa do Assaré e neta do poeta, Avaí Gonçalves,.

Mais cedo, o público pôde acompanhar conferências e mesas de debate sobre literatura de cordel e autoria feminina. Também houve o lançamento do cordel “Os tesouros das mãos do povo assareense”, de Milena Matias, que homenageia personalidades da cultura local, além de apresentações culturais e exposição. 

Já nesta quarta-feira (8), a programação contará com encontro temático sobre o legado poético de Patativa, recital de poesia, cantoria de viola, apresentações da cultura tradicional, feira criativa, exposição de artesanato, gastronomia regional e encerramento musical em celebração à cultura popular do Cariri. 

O evento inaugura os Circuitos Criativos do Cariri, projeto desenvolvido pelo Sebrae Ceará que conecta os municípios de Assaré, Salitre e Potengi através da valorização da cultura, do turismo, da economia criativa e dos saberes tradicionais. O festival foi a primeira grande ação pública do projeto. 

“Os Circuitos Criativos do Cariri são um reconhecimento de que a cultura é uma das maiores riquezas do nosso território. Iniciar essa trajetória a partir da memória de Patativa do Assaré é uma forma de homenagear um legado que continua inspirando gerações e de mostrar que a arte, a tradição e os saberes populares são capazes de fortalecer a identidade regional e impulsionar novas oportunidades para o Cariri”, destaca Elizangela Melo, gerente do Sebrae Cariri.

A ação acontece em parceria com a Secretaria de Cultura de Assaré, o Instituto Federal do Ceará (IFCE) – Campus Juazeiro do Norte, a Universidade Federal do Ceará (UFC), a Universidade Estadual do Ceará (UECE), a Universidade Federal do Cariri (UFCA) e Sesc Crato. Também integram a iniciativa instituições, coletivos culturais e lideranças comunitárias.


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MISSA DO VAQUEIRO DE SERRITA: ASSIM OUVI E AQUI REPRODUZO

Compreender que a história vem se tecendo com a força da própria vida. E por isto, disse o cantador Virgilio Siqueira, daí não ser possível guardar na própria alma a transbordante força de uma causa. Daí não ser possível retornar, afinal, a gente nem sabe ao certo se de fato partiu algum dia...

“Tengo/legotengo/lengotengo/lengotengo … O vaqueiro nordestino/morre sem deixar tostão/o seu nome é esquecido/ nas quebradas do Sertão ...” Os versos ecoam pelo lugar, realçados pelo trote dos animais e o balançar natural dos chocalhos trazidos pelos donos, todos em silêncio. É música. É arte.

Cada arte emociona o ser humano e maneira diferente! Literatura, pintura e escultura nos prendem por um viés racional, já a música nos fisga pelo lado emocional. Ao ouvir música penetramos no mundo das emoções, viajamos sem fronteiras.

A viagem dessa vez é o destino Serrita, Pernambuco, município próximo a Exu, terra onde nasceu Luiz Gonzaga, ali no sítio Lages, um primo do Rei do Baião, no ano de 1951, Raimundo Jacó, homem simples, sertanejo autêntico, tendo por roupa gibão, chapéu de couro tombou assassinado.

Realizada anualmente sempre no quarto domingo do mês de julho, a Missa do Vaqueiro tem em suas origens uma história que foi consagrada na voz de Luiz Gonzaga e criada com os amigos Padre João Câncio e Pedro Bandeira, violeiro e o único que vive e participa da Missa. Pedro Bandeira atualmente mora em Juazeiro do Norte, Ceará.

Este ano a Missa do Vaqueiro de Serrita completa 56 anos.

A música composta por Nelson Barbalho, ainda ecoa nos sertões brasileiros: Raimundo Jacó, um vaqueiro habilidoso na arte de aboiar. Reza a lenda que seu canto atraía o gado, mas atraía também a inveja de seus colegas de profissão, fato que culminou em sua morte numa emboscada. O fiel companheiro do vaqueiro na aboiada, um cachorro, velou o corpo do dono dia e noite, até morrer de fome e sede.

A história de coragem se transformou num mito do Sertão e três anos após o trágico fim, sua vida foi imortalizada pelo canto de Luiz Gonzaga. O Rei do Baião, que era primo de Jacó, transformou “A Morte do Vaqueiro” numa das mais conhecidas e emocionantes canções brasileiras. Luiz Gonzaga queria mais. Dessa forma, ele se juntou a João Câncio dos Santos, na época padre que ao ver a pobreza e as injustiças sociais cometidas contra os sertanejos passou a pregar a palavra de Deus vestido de gibão, para fazer do caso do vaqueiro Raimundo Jacó o mote para o ofício do trabalho e para a celebração da coragem.

Assim, em 1970, o Sítio Lajes, em Serrita, onde o corpo de Raimundo Jacó foi encontrado, recebe a primeira Missa do Vaqueiro. De acordo com a tradição, o início da celebração é dado com uma procissão de mil vaqueiros a cavalo, que levam, em honras a Raimundo Jacó, oferendas, como chapéu de couro, chicotes e berrantes, ao altar de pedra rústica em formato de ferradura. 

A missa, uma verdadeira romaria de renovação da fé, acontece sempre ao ar livre. A Missa do Vaqueiro enche os olhos e coração de alegria e reflexões. O poeta cantador de Viola, Pedro Bandeira se faz presente ao evento e o peso dos seus mais de 80 anos ilumina com uma mágica leveza rimas e versos nos improvisos da inteligência. Vaqueiros e suas mãos calejadas, rostos enrugados pelo sol iluminam almas.

Em Serrita ouvimos sanfonas tocando alto o forró e o baião. Corpo e espírito ali em comunhão. A música do Quinteto Violado, composto por Janduhy Filizola é fonte de emoção. A presença de Jesus Cristo está no pão, cuscuz, rapadura e queijo repartidos/divididos na liturgia da palavras.

Emoção! Forte Emoção é que sinto na Missa do Vaqueiro ao ouvir sanfona e violeiros:

“Quarta, quinta e sexta-feira/sábado terceiro de julho/Carro de boi e poeira/cerca, aveloz, pedregulho/Só quando o domingo passa/É que volta os viajantes aos seu locais primitivos/Deixa no caminho torto/ o chão de um vaqueiro morto úmido com lágrimas dos vivos.

E aqui um assunto místico: quando o gado passa diante do mourão onde se matou uma rês, ou está esticado um couro, é comum o gado bater as patas dianteiras no chão e chorar o sentimento pelo “irmao” morto. O boi derrama lágrimas e dá mugidos em tons graves e agudos, como só acontece nos sertões do Nordeste!

Assim eu escutei e aqui reproduzo...

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