LEI PREVÊ RECUPERAR A VEGETAÇÃO DO BIOMA CAATINGA

Agora é lei: a Política Nacional para Recuperação da Vegetação da Caatinga, aprovada em maio de 2026 pelo Senado Federal, foi sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A Lei Nº 15.430, de 10 de junho de 2026, também cria o Programa Nacional para a Recuperação da Vegetação da Caatinga.

O principal objetivo da política é incentivar a recuperação das áreas degradadas do bioma, em consonância com o Plano de Ação Brasileiro de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca (PAB), que aponta o recaatingamento como uma das ações de destaque na convivência com o Semiárido.

Com a lei, o governo federal se compromete a:

Ampliar a produção sustentável de alimentos na região, contribuindo para a soberania e a segurança alimentar;

Contribuir para a garantia da segurança hídrica e da melhoria da qualidade e da disponibilidade da água; e Estimular a bioeconomia e o manejo florestal sustentável.

Dois dias antes, em 8 de junho, o Ministério do Meio Ambiente e Mudanças do Clima (MMA) lançou, por meio do Departamento de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca (DCDE), o Programa Recaatingar.

O foco do programa é recuperar 10 milhões de hectares de terras degradadas na Caatinga até 2045, utilizando a metodologia do recaatingamento, criada pela sociedade civil nordestina.

O público prioritário do Recaatingar é de agricultores e agricultoras familiares, assentados da reforma agrária, povos e comunidades tradicionais (incluindo fundo de pasto), povos indígenas e comunidades quilombolas.

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SANTANA, O CANTADOR, MANTÉM VIVA A HERANÇA DE LUIZ GONZAGA E DEFENDE O FORRÓ

Considerado um dos maiores intérpretes da música nordestina, Santanna, O Cantador, construiu uma trajetória de mais de 30 anos marcada pela valorização do forró tradicional e da cultura popular do Nordeste.

Natural de Juazeiro do Norte, no Ceará, o cantor e compositor conviveu com Luiz Gonzaga, o Rei do Baião, tornando-se um dos principais responsáveis por manter viva a musicalidade e os ensinamentos deixados pelo mestre.

Em entrevista à Rádio Folha FM 96,7, Santanna falou sobre sua relação com Luiz Gonzaga, a importância da cultura popular nordestina e os desafios para manter o forró tradicional em evidência nos festejos juninos.

“Nós temos uma festa e ela só se tornou grande desse jeito porque é diferente. Em lugar nenhum do mundo tem, só tem aqui”, afirma Santanna, O Cantador.

Em seus shows, Santanna costuma declamar poesias de renomados poetas populares, além de fazer questão de tocar o Hino de Pernambuco. Defensor da cultura nordestina, também levanta a bandeira da valorização dos artistas da terra e da preservação das tradições juninas.

 

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NEY VITAL SACODE O FORRÓ COM JORNALISMO

O Programa ‘Nas Asas da Asa Branca – Viva Luiz Gonzaga e seus Amigos’, apresentado aos domingos às 10h na Rádio Educadora do Cariri FM 102.1, no Crato (CE), recebeu uma Moção de Aplausos da Câmara de Vereadores. A homenagem, aprovada pelo Poder Legislativo, foi apresentada pelo vereador José Wilson da Silva Gomes (Wilson do Rosto) e aprovada por unanimidade.

A produção e apresentação do programa é do jornalista Ney Vital. O programa é pautado em músicas de Luiz Gonzaga, informações em defesa do meio ambiente, agroecologia (destacando a Floresta Nacional da Chapada do Araripe), a cultura da região do Cariri, seus cantadores de Pífano e violeiros.

Ney Vital, que atua há mais de 35 no jornalismo, agradeceu à Moção de Aplausos do presidente e aos demais vereadores.

Raiz cultural-‘Nas Asas da Asa Branca – Viva Luiz Gonzaga e seus Amigos’ segue uma trilogia amparada na cultura, cidadania e informação. Programa com roteiro usado para contar a história da música brasileira a partir da voz e sanfona de Luiz Gonzaga, seus amigos e seguidores.

“Fiquei surpreso e em dobro muito feliz. Moção de Aplausos para toda equipe da Rádio Educadora comandada pelo Padre Ricardo Pereira. A voz da Câmara Municipal representa a população do Crato e assim aumenta nosso compromisso com a vida e obra de Luiz Gonzaga, ética e condução do programa, visto que a Rádio Educadora vai completar 67 anos de serviços prestados à região do Cariri e ao Brasil“, afirmou Ney Vital.

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MARIA BETHANIA COMPLETA 80 ANOS

A presença de Maria Bethânia na música e na cultura brasileiras é marcante. Foi em 60 dos seus 80 de vida que a carreira da cantora se desenvolveu com grandes momentos, como quando saiu de Salvador, Bahia, para o Rio de Janeiro, enfrentar o desafio de substituir Nara Leão no Show do Opinião, em 1965.

O país estava sob a ditadura e o grupo do Teatro Arena de São Paulo se dispersou com a repressão da época. Foi quando a artista baiana subiu ao palco.

O dramaturgo Augusto Boal foi para o Rio e se integrou ao Centro Popular de Cultura da União Nacional de Estudantes (CPC da UNE) na intenção de criar um espetáculo em resposta à ditadura. Encontrou a resposta que desejava frequentando o restaurante Zicartola, um espaço político-cultural criado pelo compositor e cantor Cartola e pela esposa dele, Dona Zica.

No Zicartola, costumavam se reunir Zé Keti, Nara Leão e João do Vale, artistas do elenco original do Opinião, que estreou em dezembro de 1964. Entre as músicas estava Carcará, que marca a história de Maria Bethânia desde a estreia profissional da cantora..

Da jovem nascida Maria Bethânia Viana Telles Veloso, em 18 de junho de 1946, na cidade de Santo Amaro da Purificação, no recôncavo baiano, até os dias de hoje, foram muitas fases, sempre na busca do sentimento, de trazer as poesias, poemas e textos de grandes autores como Fernando Pessoa e Clarice Lispector, da preservação da cultura popular, do novo e de muita autonomia.

Três anos depois do Opinião, Bethânia já indicava que cabia a ela decidir o que queria cantar, se apresentando ao vivo na Boite Barroco, pequeno espaço musical em Copacabana. Fez a escolha do repertório com clássicos da MPB trazendo compositores como Noel Rosa, Tom Jobim, Torquato Neto, Gilberto Gil, Vinícius de Moraes, Assis Valente e Dorival Caymmi. Dali surgiu o disco Recital da Boite Barroco, até hoje aclamado.


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FESTAS JUNINAS: A ECONOMIA POR TRÁS DA FESTA, POR CARLOS FALCÃO

O São João não é apenas uma das maiores manifestações culturais da Bahia, mas também uma força econômica. A cada ano, a festa movimenta bilhões de reais, atrai milhões de visitantes e impulsiona setores estratégicos como turismo, comércio, agricultura, transporte e serviços. Mais do que tradição e entretenimento, os festejos juninos representam um poderoso motor de geração de renda, empregos e desenvolvimento para centenas de municípios baianos.

Em 2026, o governo do estado pretende destinar mais de R$ 146 milhões para apoiar a realização das festas em 282 municípios baianos. Os números impressionam. De acordo com estimativas do setor de turismo, o São João deve movimentar entre R$ 2,1 bilhões e R$ 2,5 bilhões na economia baiana este ano, consolidando-se como o segundo maior evento econômico do calendário festivo brasileiro, atrás apenas do Carnaval. Em 2025, cerca de 1,8 milhão de visitantes circularam pelo território baiano durante o período junino, injetando aproximadamente R$ 2,3 bilhões na economia estadual. A expectativa para 2026 é superar esses resultados.

O impacto é percebido principalmente no interior do estado. Cidades como Cruz das Almas, Amargosa, Santo Antônio de Jesus, Senhor do Bonfim, Ibicuí, Irecê, Jequié e Serrinha recebem milhares de visitantes, registrando altas taxas de ocupação hoteleira e forte crescimento no consumo local. Restaurantes, bares, pousadas, supermercados, postos de combustíveis e pequenos comerciantes experimentam um aumento significativo no faturamento durante o período.

Outro aspecto relevante é a geração de empregos. Os festejos criam milhares de vagas temporárias para músicos, técnicos de som e iluminação, montadores de estruturas, seguranças, ambulantes, motoristas, garçons, profissionais da limpeza e trabalhadores do setor de turismo. Para muitas famílias, a renda obtida em junho representa um importante complemento financeiro para os meses seguintes. A União dos Municípios da Bahia destaca que os festejos aquecem setores como comércio, agricultura, turismo e serviços, ampliando a arrecadação municipal e fortalecendo a economia local.

A agricultura familiar também é beneficiada. O aumento da demanda por milho, amendoim, mandioca, licores, frutas e outros produtos típicos impulsiona a produção rural, fortalecendo pequenos produtores e cooperativas espalhados pelo interior baiano. Trata-se de uma cadeia econômica que conecta o campo às cidades, distribuindo renda de forma descentralizada.

O São João é muito mais do que uma celebração tradicional, mas também um importante motor da economia baiana, que transforma cultura em desenvolvimento, criando oportunidades, ampliando a arrecadação dos municípios e contribuindo diretamente para o crescimento econômico da Bahia.


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MESTRE VITALINO RECEBE TÍTULO DE DOUTOR HONORIS CAUSA EM MEMÓRIA DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO

A Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) realiza, nesta sexta-feira (26), a cerimônia de outorga do título de Doutor Honoris Causa in memoriam ao Mestre Vitalino, um dos maiores nomes da arte popular brasileira. A solenidade ocorre no Auditório do Núcleo de Ciências da Vida (NCV), no Centro Acadêmico do Agreste (CAA), em Caruaru, às 15h, e será presidida pelo reitor Alfredo Gomes e pelo vice-reitor Moacyr Araújo.

A homenagem reconhece a relevância de Vitalino Pereira dos Santos (1909–1963) para a cultura popular nordestina. Natural de Caruaru, o artista destacou-se pela produção de esculturas em barro que retratam o cotidiano, o folclore e os costumes do Agreste de Pernambuco, alcançando projeção internacional. Seu trabalho tornou-se símbolo da arte popular e referência para gerações de artesãos.

A proposta de concessão do título partiu do Núcleo de Formação Docente do CAA e foi aprovada pelo Conselho Universitário (Consuni) em dezembro de 2025. O legado de Mestre Vitalino permanece vivo em acervos como o do Alto do Moura, em Caruaru, além de museus no Recife e no Rio de Janeiro, onde suas obras seguem sendo apreciadas como expressão autêntica da cultura brasileira.


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RÁDIO NACIONAL 90 ANOS

 Em um Brasil onde a maioria da população era analfabeta e o rádio era tanto uma promessa de falar com as massas como uma tecnologia para poucos, uma emissora nasceu com a pretensão de “representar” o país. A Rádio Nacional, que faz 90 anos em 2026, despontou desde os primeiros anos com uma programação considerada inovadora e ambiciosa.

Criada pela Companhia Estrada de Ferro São Paulo-Rio Grande e instalada no primeiro arranha-céu do Rio de Janeiro - o Edifício A Noite -, a Nacional deu seus primeiros passos apostando em formatos que eram novidade no Brasil.

Antes mesmo de ser estatizada pelo governo Getúlio Vargas e viver seu ápice, a rádio já tinha conquistado um lugar na história da comunicação.

Na série especial 90 anos em 90 histórias, a Nacional conta sua própria história com edições diárias até o dia 12 de setembro, aniversário da rádio. Todos os episódios são publicados na Radioagência Nacional. O resumo de cada semana vai ao ar na Agência Brasil.

Na época em que a emissora foi criada, outras rádios já existiam no país. O potencial de público era enorme, diante da limitação dos jornais impressos, como explica o professor da Universidade Federal Fluminense (UFF), João Batista de Abreu.

"O censo de 1940 indicava que o Brasil tinha em torno de 45 milhões de habitantes. Desses, 56% dos adultos eram analfabetos. Imagina o que isso significa em termos de abertura de informação. O primeiro veículo de comunicação popular, de massa, a falar para o analfabeto foi o rádio".

Por outro lado, segundo o professor da UFF, o aparelho era pouco acessível. Nessa época, um receptor de rádio tinha o tamanho de uma geladeira e custava o equivalente a R$ 8 mil em valores de hoje.

O primeiro episódio se aprofunda no contexto em que a Rádio Nacional nasceu, e a quarta edição fala da Segunda Guerra Mundial e do governo Getúlio Vargas:

Sede icônica- Nacional foi instalada em um símbolo modernista: o Edifício A Noite, casa da emissora por mais de 70 anos.

“É um marco na arquitetura brasileira, uma mudança nos parâmetros dessa arquitetura. Começa a transformar a cidade colonial portuguesa e 'afrancesada' por Pereira Passos em uma cidade americana, dos grandes arranha-céus", explica Alberto Taveira, arquiteto do Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac).

Hoje o edifício é tombado e reconhecido como patrimônio histórico e cultural pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). O segundo episódio conta melhor essa história:

Foi com as primeiras notas de Luar do Sertão, às 21h, que a PRE-8, Rádio Nacional do Rio de Janeiro, fez a primeira transmissão. E a voz inaugural foi a de Celso Guimarães, primeiro diretor de broadcasting da emissora: “Alô, alô, Brasil! Aqui fala a Rádio Nacional do Rio de Janeiro!”. 

Fora do ar, o evento de lançamento contou com ministros de Estado, embaixadores, parlamentares e membros da elite financeira da então capital federal.

"Foi fantástico, havia um avião divulgando uma grande festa pela cidade. A Rádio Nacional surgiu com pompa e circunstância", lembra Cristiano Menezes, ex-diretor da emissora.

Voltando às ondas do rádio, também teve discurso do presidente do Senado e até mesmo uma bênção direto do Palácio São Joaquim – a primeira transmissão externa da Nacional. Os detalhes estão no terceiro episódio:

Alcance nacional Quando foi criada, a Rádio Nacional contava com a concorrência de emissoras já populares, como a Mayrink Veiga. Mas o objetivo do grupo A Noite era ainda mais ambicioso: ultrapassar os limites do estado, como fala Lia Calabre, pesquisadora da Universidade Federal Fluminense e da Fundação Casa de Rui Barbosa, no quinto episódio da série.

"A Rádio Nacional vai ampliando a sua potência. Ela já começa, para as rádios do momento, com uma potência significativa, com uma pretensão de alcançar para além dos limites do estado, para que em alguns horários ela possa ser ouvida em boa parte do país, mas não todo. Mas o alcance realmente do conjunto do país, para além das fronteiras, para a Amazônia, para o Mato Grosso, ele vai se dar, efetivamente, com as ondas curtas e aí, sim, a rádio já estatizada. Mas havia, desde o nascimento, com o grupo privado que a criou, uma ideia e um desejo de ter uma rádio de alcance nacional."

Inovações no rádio-No início, a emissora tinha uma estrutura mínima: duas seções, uma artística e uma administrativa, e menos de 30 pessoas dividindo funções que hoje seriam de equipes inteiras. A programação era fragmentada, com espaços de 15 minutos para cada profissional.

Quem conta bem sobre este período é um dos nomes mais importantes da história da Rádio Nacional: Henrique Foréis Domingues, conhecido como Almirante.

"O primeiro contrato sério que eu tive foi na Rádio Nacional, em 1938. Não se fazia, não se usava muitos artistas. O artista era eu só. Eu só é que falava, eu que cantava, eu que fazia vozes. Eu fazia as vozes de homem, de mulher, de velho, de velha, de bêbado, de alemão, tudo isso."

Com a chegada de Almirante, a Nacional começa a mudar completamente a forma com que se fazia rádio. Ele foi um dos responsáveis por criar o conceito de “programa montado”, planejado e com novos formatos e participações novas a cada edição.

O repertório musical também fez história. O maestro Radamés Gnattali experimentou novas formações num tempo em que somente metade dos cantores interpretava música brasileira, como conta o professor e compositor Henrique Cazes.

"A equipe toda era muito bem preparada, era muito bem aparelhada. Isso é que fez com que tivesse um alto padrão profissional, isso que fez com que possibilitasse a experiência. O Radamés sempre andando um pouco à frente, né? E o Radamés, ele adere um pouco ao modelo de harmonização e de menos enfeite no arranjo que depois se consagraria na Bossa Nova e, principalmente, na MPB."


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