RÁDIO NACIONAL NOVOS PORTAIS E MODERNIZA PRESENÇA DIGITAL

 A Empresa Brasil de Comunicação (EBC) lança nesta quarta-feira (17), às 12h, os novos portais das rádios Nacional e MEC. A iniciativa, parte das celebrações dos 90 anos da Rádio Nacional, comemorados em 12 de setembro, moderniza a presença digital das emissoras e oferece uma experiência de navegação mais intuitiva para o público, com melhorias em acessibilidade, desempenho e consumo de conteúdo em diferentes dispositivos.

Com a mudança, todas as informações das rádios Nacional e MEC passam a estar disponíveis em dois ambientes exclusivos: radionacional.ebc.com.br e radiomec.ebc.com.br.

O gerente de Transmídia e Portais da EBC, Daniel Roviriego, avalia que os novos sites representam um avanço importante na estratégia digital das rádios da EBC.

"Além de modernizarmos a experiência visual e a navegação, passamos a oferecer um player integrado que permite ao público continuar ouvindo a programação ao vivo ou sob demanda, enquanto acessa notícias, programas e outros conteúdos", explica.

"A inclusão de uma área dedicada a videocasts e a otimização para celulares e tablets acompanham as novas tendências de consumo de mídia e tornam nossos conteúdos mais acessíveis para diferentes públicos", completa.

Roviriego também lembra que mais novidades e melhorias serão implementadas no segundo semestre do ano e que todo o acervo construído ao longo dos anos no antigo site foi preservado e migrado para as novas plataformas.

Programas, notícias, reportagens e conteúdos históricos continuarão disponíveis, garantindo a manutenção da memória construída ao longo dos anos. Os portais contam, ainda, com páginas exclusivas para cada programa e uma central de podcasts.

A reformulação faz parte da estratégia da EBC de fortalecer a presença digital de seus veículos, ampliar o alcance das emissoras públicas e oferecer aos ouvintes uma experiência mais moderna, integrada e conectada às novas formas de consumo de conteúdo.

Sobre a Rádio Nacional-A marca faz parte da história do país e conta, atualmente, com oito emissoras próprias, em diferentes regiões do Brasil: Rádio Nacional do Rio de Janeiro, Rádio Nacional de São Paulo, Rádio Nacional de Brasília AM e FM, Rádio Nacional de Recife, Rádio Nacional de São Luís, Rádio Nacional da Amazônia e Rádio Nacional do Alto Solimões.

A Rádio Nacional foi fundada no Rio de Janeiro (RJ) pelo grupo do Jornal A Noite em 12 de setembro de 1936 com o prefixo PRE-8. Começou a ganhar força em 1940, quando foi incorporada à União e se firmou como fenômeno de expressão da cultura popular brasileira.

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17 DE JUNHO DIA MUNDIAL DE COMBATE À DESERTIFICAÇÃO

A preservação da Caatinga, bioma que ocupa grande parte do interior de Pernambuco, está no centro das estratégias do governo federal para conter o avanço da desertificação no Brasil. Com milhares de quilômetros quadrados do Semiárido já afetados pela degradação do solo, a aposta é combinar recuperação ambiental e apoio às comunidades que convivem com os efeitos da seca.

As iniciativas ganharam novo impulso com a retomada de políticas públicas voltadas ao tema, incluindo um plano nacional de combate à desertificação, a criação do Programa Recaatingar e uma nova legislação destinada à recuperação da vegetação nativa do bioma.

Neste 17 de junho, ocorre o Dia Mundial de Combate à Desertificação e à Seca, data criada pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1994 para alertar sobre os impactos da degradação dos solos e das mudanças climáticas. A desertificação é definida como um processo de degradação das terras em áreas áridas, semiáridas e subúmidas secas, provocado por fatores climáticos e pela ação humana, comprometendo a capacidade produtiva dos ecossistemas.

Segundo o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), o Brasil possui cerca de 1,5 milhão de quilômetros quadrados de áreas suscetíveis à desertificação, distribuídas em 1.649 municípios.

Em entrevista ao Diario de Pernambuco, o ministro do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, explicou que a maior parte dessas áreas está concentrada na Caatinga. “Nós temos no Brasil o que a gente chama de áreas suscetíveis à desertificação. Essas áreas são definidas pelo índice de aridez, que é estabelecido pela Convenção da ONU para o Combate à Desertificação (UNCCD).”

De acordo com o ministro, 57% das áreas suscetíveis à desertificação no país estão localizadas na Caatinga, seguida pelo Cerrado (26,7%), Pantanal (12,1%) e Mata Atlântica (4,2%).

A desertificação ocorre quando a perda de cobertura vegetal, o manejo inadequado dos recursos naturais e as condições climáticas adversas reduzem progressivamente a capacidade produtiva dos solos.

Segundo levantamento do Laboratório de Análise e Processamento de Imagens de Satélites (Lapis/UFAL), mais de 126 mil quilômetros quadrados do Semiárido brasileiro já apresentam processos de desertificação, o equivalente a 12,85% da região. A área é maior do que a de todo o estado de Pernambuco.


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A ULTIMA CARTA DO JORNALISTA E ESCRITOR RAIMUNDO CARRETO

 Ao longo dos últimos dois meses, Raimundo Carrero trouxe às páginas do Diario discussões sobre assuntos diversos que fervilham no mundo cultural brasileiro e pernambucano, sobretudo no universo da literatura.

O escritor, que faleceu na manhã desta terça-feira (16), aos 78 anos, em decorrência de um câncer, começou sua carreira do Diario, em 1969, como estagiário, e, mais de 30 anos depois, retornou ao jornal, passando a assinar uma coluna publicada semanalmente no caderno Viver.

Confira a seguir a última coluna publicada por Raimundo Carrero no Diario de Pernambuco, em 30 de maio de 2026.

Diálogos

-Vamos dormir, meu filho? Ouvia meu pai perguntar todas as noites, aí pelas 23h, convidando-me a apagar a luz no seu jeito sincero, leve, hábil, para não me incomodar. Deitado na rede, eu levantava o braço para chegar ao interruptor que balançava sobre meu peito, pendurado num fio branco que descia desde o teto. Ele sabia que eu estivera lendo, mas preferia não me incomodar, sugerindo a hora do sono. Dormíamos no mesmo quarto desde a morte da minha mãe, ele na cama e eu na rede, sempre ressonando alto de forma linear sem, no entanto, incomodar meu sono que permanecia em estado de vigília.

“Então eu me enfiava debaixo das cobertas e, com a luz de minha lanterna, como se estivesse em uma caverna, voltava a ler. Aquela camuflagem, em que a lanterna era um objeto salvador, transformava a leitura em uma aventura. Acrescentava a ela um caráter secreto e perigoso. Foi nessa posição de expedicionário, dissimulado sob minha tenda de lã, que li meus primeiros livros”.

Encontro nestes dois breves textos similitudes e diferenças básicas que me levam à análise do novo, atormentador e magnífico livro de José Castello, “Histórias Miseráveis” (Maralto Edições), que revela de forma leve e suave a aventura das primeiras leituras em lugares tão diversos e dispersos envolvendo duas crianças de caracteres definitivamente opostos e de comportamentos nada iguais, mas vivendo situações senão iguais, carregadas de sentido e de aproximação. Na verdade, chamo de diálogo esta técnica complexa da prosa contemporânea. 

São pais e filhos em lugares diferentes e distantes, mas já adivinhando entre si o caminho que leva à literatura de leitor, ou de criador, com uma lanterna na mão ou deitado numa rede esperando o sono do pai.O primeiro caso aconteceu comigo, aos 10 anos de idade; o segundo está no conto deste novo livro de Castello. Personagens silenciosos, sem uma palavra entre si. Que tipo de diálogo seria este, então? No meu livro “Os Segredos da Ficção”, catalogo cinco tipos de diálogo e aqui chego a mais este, a que chamo de diálogo sem resposta nas minhas anotações. Ismail Kadaré usa isso muito bem.

O que me interessa dizer é que desde as primeiras leituras, a literatura se apresenta como a vida, depois do primeiro golpe de ar, as cenas e os personagens vão surgindo, muitas vezes sem nenhum esforço. Os pais, tanto o de Castello quanto o meu, ocuparam lugares importantes e, daí em diante, muitos outros vão se jogando nas frases, nos parágrafos, nos capítulos, nos contos, nas novelas, nos romances, como disse Machado de Assis nos seus ensaios sobre a arte de escrever ficção: os enfeitiçados, cada um com seus caracteres, expondo suas personalidades, falando muito ou pouco. Aí o Bruxo de Cosme Velho citava o Hamlet, de Shakeaspeare, e a silenciosa Penélope de Ulisses, na “Odisseia”, de Homero.

O livro de contos de Castello é, na verdade, um romance de ótimos personagens desde aqueles pais que me referi no início. É contundente sem perder a elegância. Saboroso, sem deixar de ser dramático, não raro é trágico. Enfim, uma obra-prima.


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A BÍBLIA E O SEMIÁRIDO

“Tudo pela defesa do território.” Essa frase, que ecoa com força no Semiárido de hoje, serve também como um portal para compreender o passado. Ao olhar para os povos que habitaram as terras semiáridas descritas nos textos bíblicos, descobrimos muito mais do que relatos antigos: encontramos um espelho da nossa própria realidade. Aqueles povos criaram formas de captar água, desenvolveram o manejo de animais adaptados e, inspirados pelo clima quente e seco, transformaram a escassez em sabedoria. 

Os povos resistiram ao avanço de impérios e modelos opressores que tentavam apagar sua história e sua cultura. A partir dos fatos históricos dessas civilizações, observamos que a convivência com o clima só era possível graças à coletividade e a uma espiritualidade profunda, que alimentava a luta e servia como fonte de resistência. Um povo que luta, mas que também festeja, celebra a vida e se torna fonte de inspiração. Compreender a realidade de quem viveu naquela época é mergulhar em uma fonte que nos conecta diretamente com o Semiárido que vivemos hoje, provando que a mística da terra semiárida é atemporal. 

É fundamental compreender essa conexão e “beber da fonte” de outros tempos para fortalecer quem luta pelo território hoje. Afinal, a Bíblia nasceu em uma região de escassez hídrica em alguns períodos do ano, muito similar ao nosso Sertão.

Nossa caminhada deve muito às Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), pioneiras em ler o texto sagrado com o olhar de quem convive no território. Nelas, a Bíblia nunca foi um livro estático, mas uma ferramenta viva de interpretação da realidade. Essa metodologia permitiu que os povos do campo se vissem nos personagens bíblicos, transformando o estudo bíblico em um ato político e social.

Nas CEBs, os relatos sagrados foram resgatados como vivências reais de comunidades que enfrentavam desafios climáticos semelhantes aos nossos. Ali, a Bíblia deixou de ser um rito de isolamento para se tornar planejamento territorial: ler a Palavra era também planejar a cisterna, organizar o mutirão e defender o Fundo de Pasto. O povo não lia sobre um deserto distante, lia sobre a sua própria casa, encontrando na mística bíblica a força para afirmar que a vida no Semiárido é possível e que a convivência é uma missão espiritual e comunitária.

O assessor do Irpaa, Johann Gnadlinger, que estuda a relação entre as escrituras e o Semiárido há décadas, relata que a identificação com as escrituras é imediata: “A Leitura Popular da Bíblia a partir do Semiárido aproxima a vida dos povos dos relatos bíblicos com o cotidiano dos povos do semiárido. Assim como enfrentam a escassez de água, uma seca e criavam estratégias para armazenar recursos e produzir alimentos, assim encoraja o povo sertanejo a unir a luta por justiça social à preservação da Caatinga, à colheita da água da chuva e à convivência com o semiárido. Por isso, muitas vezes participantes de cursos e encontros sobre leitura bíblica no semiárido disseram: ‘Eu com minha vida estou me achando dentro da Bíblia!’”

Johann explica que essa aproximação se dá pelas semelhanças práticas da lida no campo: “Profetas como Amós, que era criador de cabras e cultivador e beneficiador de figos, dialogam assim diretamente com a realidade de quem cria um rebanho e beneficia umbu no semiárido.”

Durante séculos, fomos vítimas de uma visão que não era nossa. Os invasores europeus trouxeram o conceito equivocado de “Polígono das Secas”, tratando nosso clima como um erro a ser combatido. Essa lógica ignorou a sabedoria dos povos originários e comunidades tradicionais que já praticavam a convivência diária por sobrevivência, adaptando-se aos ciclos da natureza muito antes de o termo existir.

Esses povos já conheciam a dualidade da nossa mata: a Caatinga (Mata Branca), que repousa no cinza para resistir, e a Caatubi (Mata Verde), que pulsa vida ao primeiro sinal de chuva. A Bíblia valida essa visão ancestral ao provar que o Semiárido não é um erro, mas um ecossistema com leis próprias. Foi apenas há cerca de 40 anos que movimentos sociais e organizações eclesiais voltaram a questionar a lógica do “combate” (baseada no assistencialismo) para afirmar a Convivência (baseada na autonomia). Não se combate o clima, aprende-se com ele.

Ao sobrepor os mapas do Semiárido brasileiro e da Terra Santa, a semelhança é impressionante. Ambos compartilham chuvas irregulares, vegetação resiliente e a dependência vital do manejo da água. Essa identidade entre os dois territórios nos oferece saberes que dispensam grandes e devastadores projetos de irrigação:

Assim como as histórias bíblicas trazem pastores de cabras e ovelhas, o sertanejo encontra autonomia na criação de pequenos animais e na agricultura de sequeiro com sementes crioulas. Além disso, milênios antes das cisternas de placas, o povo bíblico já estocava água na rocha. Isso reforça a tese de que o problema não é a falta de chuva, mas nossa capacidade de guardá-la e geri-la como bem comum. Na Bíblia, privatizar fontes era pecado, pois água é para a vida. Esse princípio ecoa na nossa resistência contra aqueles que tentam controlar a água e o alimento.

O Semiárido deve ser compreendido, não combatido. A Bíblia ensina uma ética do cuidado com a criação que se traduz em políticas de convivência. Ler o texto sagrado no Semiárido permite entender parábolas de sementes e poços com uma clareza que um europeu jamais teria, pois o sertanejo lê a partir de sua sede e de sua luta pela terra.

O Salmo 23 nos fala de encontrar pasto na Caatubi e segurança nos recursos partilhados. Já o Provérbio 27:23-27 destaca a importância de conhecer e cuidar dos rebanhos, garantindo o sustento da casa através da abastança do leite das cabras. Estudar a Bíblia sob esta ótica é um ato de libertação: ela prova que a espiritualidade e a técnica de convivência são faces da mesma moeda.

Estudo bíblico: Cuidando da casa comum no Semiárido brasileiro 

Historicamente, o Irpaa sempre identificou nos espaços formativos uma ferramenta essencial para a desconstrução de preconceitos sobre o clima regional. O acervo institucional acumula ricas experiências de intercâmbios, cursos populares e  eventos tradicionais, desde 1993, já organizou 15 encontros bíblicos, que reuniram lideranças comunitárias, animadores/as sociais e agricultores/as familiares para debater o texto sagrado fincado na realidade, a exemplo dos marcantes Encontros do Uso da Bíblia no Semiárido e das turmas da Escola Bíblica Ecumênica.

Dando continuidade a esse legado metodológico, a equipe técnica do Irpaa passa atualmente por um processo de formação interna focado no estudo bíblico contextualizado, com o tema “Cuidando da casa comum no semiárido brasileiro”. Amparada no lema de Gênesis 2,15 “Deus nos colocou como homens e mulheres no semiárido brasileiro, para cuidar e preservá-lo”, a iniciativa voltada 40 pessoas de diferentes profissões que atuam na Instituição.

Assim, o estudo visa alinhar a equipe com a mística da Convivência, aprimorando as abordagens pedagógicas utilizadas em campo junto às comunidades, associações e movimentos sociais, fortalecendo a missão do Irpaa de promover o Bem Viver.

O cronograma atual do projeto estende-se de 2026 a 2027, estruturado em quatro semestres práticos:

1º Semestre (2026): A natureza e os povos da Bíblia (estudo do livro “Clima e Água na Bíblia”, ocorrido em 26 e 27 de março no Centro de Formação Dom José Rodrigues).

2º Semestre (2026): Ocupação e uso do solo (com visita de estudo a Canudos-BA, previsto para 16 a 18 de outubro). 

3º Semestre (2027): Povos e diversidade sociológica (com visita ao Santuário Padre Ibiapina-PB).

4º Semestre (2027): Problemas emergentes (gênero, juventude e economia solidária).

Esta ação formativa integra o plano de atividades do projeto Estudo Bíblico: Cuidando da casa comum no semiárido brasileiro, viabilizada financeiramente pela Missionsstelle (Apoio para a Missão), grupo solidário de leigos e leigas da Diocese de Linz, na Alta Áustria, contando também com o aporte de recursos próprios, apoio pessoal e execução do Irpaa.

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RÁDIO MEC PRESTA HOMENAGEM AO POETA THIAGO DE MELLO

 Vai ao ar neste domingo (7), às 12h30, na Rádio MEC, mais uma edição inédita do Conversa com o Autor. A jornalista Katy Navarro entrevista o poeta, educador e compositor Thiago Thiago de Mello, em programa que celebra o centenário de seu pai, o ícone da literatura Thiago de Mello (1926-2022), e seu primeiro livro de poesias, Uma varanda no meio do rio. 

Thiago de Mello nasceu no Rio de Janeiro, mas foi criado na Amazônia, ao lado do Rio Andirá, que banha Barreirinha, cidade no interior amazonense onde nasceu seu pai.

Durante o programa, ele conta como surgiu a ideia de escrever um livro durante a pandemia que apresenta textos, poemas e letras de músicas, além de cartas, e-mails, bilhetes e fotos de seus antepassados.  

Thiago também festeja o centenário de nascimento do pai, autor de livros célebres que marcaram a literatura brasileira, como Faz escuro mas eu canto, Os Estatutos do Homem e Silêncio e Palavra.

Amadeu Thiago de Mello foi um jornalista e diplomata que foi preso durante a ditadura e se exilou no Chile, onde conheceu Pablo Neruda e Paulo Freire, figuras históricas que influenciaram sua obra. 

Em paralelo ao trabalho na literatura, Thiago Thiago de Mello também está lançando o seu sexto álbum musical, intitulado Nada vai sumir, no qual canta sobre a Amazônia, o poder da memória e a impermanência.  

Sobre o Conversa com o Autor - Apresentado e produzido pela jornalista Katy Navarro, são quase 30 minutos de uma conversa que gira em torno dos lançamentos, títulos, curiosidades, processo criativo, sugestões de obras, leituras e as diversas narrativas literárias dos autores brasileiros. Em 2023, o programa completou uma década. 

Os episódios da nova temporada também ficam disponíveis em formato de videocast no canal da emissora pública no YouTube. 

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FENAJ DENUNCIA CONSTRAGIMENTOS A JORNALISTAS NOS EUA

A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) manifestou preocupação com relatos de profissionais de imprensa que atuam na cobertura da Copa do Mundo de 2026. Eles afirmam ter enfrentado episódios de constrangimento, restrições à circulação e dificuldades para exercer a atividade jornalística nos Estados Unidos, uma das sedes do evento ao lado de México e Canadá.

Em nota divulgada na quinta-feira (11), assinada pela Comissão de Mulheres Jornalistas e pela Comissão Nacional de Jornalistas pela Igualdade Social (Conajira), a Fenaj destacou como um dos casos mais graves o da jornalista Karine Alves, da TV Globo.

Segundo relato compartilhado pela profissional, ela foi retirada da fila regular da imigração durante o ingresso nos EUA, tratada de forma ríspida por agentes e submetida à revista do cabelo. Karine diz que o procedimento teria sido direcionado apenas a pessoas negras que chegavam ao país.

Para a Fenaj, o episódio representa um tratamento racista e xenófobo e se soma a outros relatos envolvendo profissionais de imprensa e torcedores que acompanham a competição.

A entidade também citou o caso do árbitro somali Omar Abdulkadir Artan, que foi impedido de ingressar nos EUA para participar do torneio.

Além dos episódios ocorridos nos postos de imigração, jornalistas relataram obstáculos impostos ao trabalho de cobertura esportiva, o que inclui restrições de circulação em espaços utilizados pelas seleções durante os treinamentos.

Diante desse cenário, a Fenaj informou que defenderá, no âmbito da Federação Internacional de Jornalistas (FIJ), o encaminhamento de um documento à Federação Internacional de Futebol (Fifa), para que a entidade assegure condições adequadas de trabalho aos profissionais credenciados para trabalhar durante as competições.

Entre as propostas estão a garantia de condições de trabalho seguras e livres de discriminação para todas as nacionalidades, a criação de mecanismos independentes para recebimento e apuração de denúncias de assédio, violência e discriminação, a adoção de protocolos específicos de proteção para mulheres jornalistas e o compromisso dos países anfitriões com a liberdade de imprensa, a liberdade de circulação e a independência profissional dos trabalhadores da comunicação.

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COPA DO MUNDO DE FUTEBOL E A CULTURA DO PERTECIMENTO

 Daqui a pouco mais de 24 horas, a Seleção Brasileira estreia na Copa do Mundo. Jogo duro contra Marrocos. A cada quatro anos, o sentimento de "Pra frente, Brasil" toma conta de boa parte da população, mas confesso que, desta vez, há algo diferente no ar. Veja bem a postagem do ator Selton Mello, um dos nomes mais importantes da nossa dramaturgia nas últimas décadas: "Nenhum interesse na Copa do Mundo. Nem sei quando a gente joga. Parei no Ronaldinho Gaúcho, Adriano, Romário, Ronaldo, Cafu, Kaká etc. Não há mais amor pela camisa nem paixão em defender o país. Não contagiam, não me pegam. Mais alguém assim?"

Fiquei, durante um bom tempo, com o questionamento de Selton Mello na cabeça. E, sim, há um clima diferente até agora em relação à Copa do Mundo. As ruas não estão pintadas quanto antes. As bandeirolas minguaram nos carros e nas janelas dos apartamentos. A paixão e fanatismo do brasileiro em relação ao futebol desapareceram? Talvez. Mas acredito que os fatores são outros.

O primeiro deles passa pelo convívio social. A pandemia deixou marcas profundas. A polarização política, também. Desde as eleições de 2018, o país mergulhou em um ambiente de permanente confronto entre esquerda e direita. Famílias se afastaram. Amizades acabaram interrompidas. O diálogo ficou mais difícil. E a Copa do Mundo sempre foi, acima de tudo, um grande momento de encontro.

Não é coincidência que até mesmo a tentativa de lançamento de uma terceira camisa vermelha da Seleção tenha se transformado em uma disputa ideológica. O que deveria ser apenas uma discussão esportiva virou mais um capítulo da guerra política. Quando tudo se transforma em embate, sobra menos espaço para a celebração coletiva.

Há ainda outro componente importante: a desconfiança. Embora Carlo Ancelotti tenha conseguido boa aprovação popular, como mostra a pesquisa Quaest de ontem, os brasileiros não parecem acreditar plenamente na capacidade da equipe de conquistar o hexa. Entramos na competição sem o favoritismo de outras épocas. E também existe um fator emocional. Sentimos falta dos grandes heróis. Pelé, Romário, Ronaldos, Garrincha. Craques que transcendiam o futebol. Personagens que mobilizavam até quem não acompanhava esporte. Não é apenas nostalgia. É a ausência de figuras capazes de criar identificação nacional. Neymar teve as suas chances e não vingou. Será que agora consegue?

Ainda assim, não acredito no desinteresse definitivo. Copa do Mundo tem uma capacidade única de despertar emoções adormecidas. Basta uma vitória convincente. Um gol decisivo. Uma classificação dramática. Se a Seleção embalar, a confiança volta. O entusiasmo reaparece. O amor pela camisa ressurge.

Porque, no fim das contas, a Copa continua sendo um dos raros momentos em que milhões de brasileiros olham para a mesma direção. Em tempos de tantas divisões, isso tem um valor enorme. Viva a Copa do Mundo. Ela ocorre apenas a cada quatro anos. Esse clima, essa expectativa e essa sensação de pertencimento são especiais demais para serem ignorados. Daqui a quatro anos, ninguém sabe onde estará. Nem mesmo se estará aqui para viver tudo isso novamente. Vale a pena aproveitar.

Roberto Fonseca/Correio Braziliense


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