SOLDADINHO DO ARARIPE

A temporada reprodutiva 2025–2026 do Soldadinho-do-araripe (Antilophia bokermanni) chega ao fim apresentando resultados animadores para a conservação de uma das aves mais raras do planeta. O monitoramento realizado no Geossítio Arajara, na região da Chapada do Araripe, registrou 12 ninhos

na área da Gruta do Farias – reconhecida como o local de descobrimento da espécie em 1996.

Endêmico da Chapada do Araripe, o soldadinho-do-araripe é uma ave criticamente ameaçada de

extinção e depende diretamente das áreas de mata úmida associadas às nascentes da região para

sobreviver. Por isso, cada ciclo reprodutivo bem-sucedido representa um avanço importante para a

preservação da espécie.

A reprodução da ave, que começou em 29 de setembro e seguiu até o final de março, foi

acompanhada de perto pela equipe de manutenção do Complexo Arajara Park, sob a coordenação de

Marcos Xavier, supervisor de infraestrutura da empresa, e contou com ações efetivas de cuidado para

garantir o desenvolvimento dos ninhos e o crescimento dos filhotes.

Primeiro ninho da temporada

O primeiro ninho da temporada foi identificado no dia 29

de outubro. Pouco tempo depois, foram registrados os

primeiros ovos: o primeiro no dia 10 de novembro e o

segundo no dia 12.

Após o período de incubação, o primeiro filhote nasceu

no dia 30 de novembro, seguido pelo segundo no dia 1º

de dezembro. Esse intervalo entre os nascimentos é

considerado natural na espécie.

Com o crescimento dos filhotes, novos avanços foram

observados. No dia 21 de dezembro, um dos filhotes

deixou o ninho pela primeira vez, enquanto o outro

começou a realizar seus primeiros ensaios de voo. Dois

dias depois, no dia 23 de dezembro, ambos já haviam

abandonado o ninho, concluindo com sucesso mais um

ciclo reprodutivo.

Monitoramento ajuda a proteger a espécie

O acompanhamento constante também permite agir rapidamente em situações de risco. Durante o

monitoramento de um dos ninhos, fortes chuvas danificaram o suporte natural da estrutura,

colocando um filhote em risco de queda no córrego abaixo.

Diante da situação, a equipe de monitoramento realizou uma intervenção para reestruturar o suporte

do ninho e garantir sua estabilidade, permitindo que o filhote continuasse seu desenvolvimento com

segurança.

Registros mostram cuidados parentais

Entre os registros feitos durante o acompanhamento da temporada estão imagens da fêmea

alimentando os filhotes, já em estágio avançado de desenvolvimento. Esse momento marca a fase em

que os jovens estão próximos de deixar o ninho e iniciar sua vida fora do abrigo.

O monitoramento desses eventos fornece informações importantes sobre o comportamento da

espécie e contribui para estratégias de conservação.

Símbolo da biodiversidade da Chapada do Araripe

Descoberto pela ciência em 1996, o Soldadinho-do-araripe tornou-se um símbolo da biodiversidade

da Chapada do Araripe e um indicador da qualidade ambiental da região.

A sobrevivência da espécie depende da preservação das matas e nascentes da Chapada. Cada novo

filhote representa um passo importante para garantir o futuro dessa ave única, encontrada

exclusivamente no sul do Ceará.

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MAESTRO SPOCK SOLTA A VOZ E CELEBRA SUAS RAÍZES EM DISCO INÉDITO QUE VAI DE ABOIO AO ROCK

A relação entre o frevo e o Maestro Spok é quase umbilical. Mas, ao se despir do ritmo, há outro Spok. Não o maestro, mas o pequeno Inaldo que ouvia Jackson do Pandeiro com o pai. Não o saxofonista, mas o músico que sonhava com as palavras. E, sobretudo, o herdeiro de uma ancestralidade africana. Esse Spok, até então desconhecido, aparece em “Raízes”, seu álbum recém-lançado que já está disponível nas plataformas digitais.

Antes de chegar ao público, a revelação de suas raízes veio para o próprio Spok. Ao submeter o próprio DNA a um teste, ele descobriu que sua linhagem materna atravessou o Atlântico vinda do Camarões, mais especificamente da etnia Tikar. "Isso mexeu totalmente com a minha vida", destaca ele em entrevista ao Diario.

Finalmente, ele começaria a trilhar um caminho que desejava desde muito antes de saber tocar qualquer instrumento de sopro. “A poesia sempre esteve dentro de mim. Tudo pelo desejo de ser repentista”, explica.

“Raízes” tece um diálogo inédito para o músico, isso é fato. Mas o estranhamento, se existe, não passa da abertura. É tudo tão íntimo e honesto que a estranheza cede lugar à delicadeza. Faixa a faixa, o público conhece esse Spok que compõe e canta, percorrendo um território híbrido onde se encontram galope à beira-mar, aboio, rock, maracatu e rap.

As letras do disco transitam entre espiritualidade e memória, com homenagens a Xangô e a símbolos dos terreiros, os quais Spok transforma em ambiente de reflexão e reverência às suas próprias origens.

Nesse processo, contou com a assistência do Grupo Bongar, que participa da faixa-título. “Às vezes, o ritmo que eu imaginava para um orixá não era aquele. Os meninos me mostravam o caminho certo. Me diverti e aprendi muito”, conta.

Companheiros históricos como Lenine, Maciel Melo, Chico César e Zeca Baleiro também participam e acrescentam o tom pessoal ao disco, assim como a sua filha Ylana. “Todos eles têm uma importância muito grande na minha vida e no que me formou até hoje”, celebra Spok.

Ainda que vários parceiros de Spok estejam presentes, “Raízes” tem personalidade própria. Mérito do artista, que assume o protagonismo da musicalidade e da sua trajetória. “Não é um trabalho igual a nenhum deles. Isso me deixa muito feliz. Eu enxergo o que é possível. Eu trabalho com as minhas verdades. O que me fortalece é ser eu”, exalta o artista.

Coeso do início ao fim, o álbum se destaca em faixas como "Bela África" (feat.Chico César) e "Kaô" (feat.Lenine) e o encerramento em grande estilo com "Aboio de Um Vaqueiro" (feat.Maciel Melo), que entrelaça repente e rock.

Se o exame de DNA abriu uma porta, “Raízes” mostrou que há muitas outras adiante. “Agora não vou mais parar”, promete Spok, que já vislumbra levar o disco ao palco. Uma missão prazerosa, mas também desafiadora, para quem está trocando o saxofone pelo microfone.

"Venho treinando essa parte de cantar e me comunicar com o público", diz. O público também vai precisar se acostumar, mas ele já está preparado para os inevitáveis pedidos de frevo. “Quando acabar o show, eu posso tocar os clássicos para eles”, garante.

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EVENTO DA EBC REÚNE TV E RÁDIOS PÚBLICAS NO MÊS DE MAIO

A Empresa Brasil de Comunicação (EBC) realiza, nos dias 18 e 19 de maio, o Encontro da Rede Nacional de Comunicação Pública (RNCP) 2026, na Sala Funarte Sidney Miller, no edifício Gustavo Capanema, no Rio de Janeiro. 

O evento, exclusivo para 330 emissoras integrantes da Rede, reunirá representantes de rádios e TVs públicas de todo o país para promover cooperação institucional, trocar experiências e aprofundar estratégias de fortalecimento da comunicação pública brasileira.

O convite oficial foi assinado pelo diretor-geral da EBC, David Butter, que destaca no documento que o evento reforça os objetivos centrais da Rede, ou seja, “aprimorar o ecossistema público de comunicação e incentivar o intercâmbio de boas práticas entre as emissoras”. Também foi informada a necessidade de inscrição prévia e a responsabilidade de cada instituição pelos custos de deslocamento e participação.

Durante o encontro, emissoras poderão apresentar cases de sucesso, experiências editoriais, modelos de gestão, projetos de inovação e práticas colaborativas que contribuam para o desenvolvimento da RNCP. As propostas devem ser manifestadas no momento da inscrição, conforme orientação do ofício encaminhado às afiliadas.

Logo após o encontro da RNCP, entre 20 e 22 de maio, o edifício Gustavo Capanema também sediará o 7º Simpósio Nacional do Rádio, realizado pela EBC — por meio da Rádio Nacional — em parceria com o Grupo de Pesquisa Rádio e Mídia Sonora da Intercom. O evento é aberto ao público e celebra os 90 anos da Rádio Nacional, marco histórico da radiodifusão brasileira.

Com o tema Rádio Nacional 90 Anos: Memória, Inovação e Duturos da Mídia Sonora, o simpósio reunirá pesquisadores, estudantes, profissionais e especialistas para debater os desafios contemporâneos do rádio, papel social, evolução estética e tecnológica, e os caminhos possíveis para o futuro da mídia sonora em um ambiente cada vez mais marcado pela plataformização, pela inteligência artificial e por novas formas de escuta.


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CURSO SOBRE AGROECOLOGIA, SAÚDE E SUSTENTABILIDADE NO SEMIÁRIDO ESTÁ COM INSCRIÇÕES ABERTAS

Contribuir para a qualificação de estudantes, profissionais e integrantes de comunidades tradicionais, a partir de uma abordagem interdisciplinar que integra agroecologia, saúde coletiva e sustentabilidade. Este é o objetivo do I Curso de Formação em Agroecologia, Saúde e Sustentabilidade no Semiárido, promovido pela Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), por meio do Programa Escola Verde (PEV) e do Núcleo de Estudos em Agroecologia do Vale do São Francisco (Neovasf). 

A formação será realizada nos dias 11, 12, 18 e 19 de abril, com atividades on-line e práticas. O curso é gratuito e aberto ao público, sendo voltado para estudantes, docentes, técnicos, agricultores, lideranças de comunidades quilombolas e indígenas e demais interessados na temática.

Os interessados podem se inscrever no site do curso. As atividades on-line serão realizadas por meio do canal do PEV no YouTube, enquanto a aplicação prática ocorrerá em territórios do Vale do São Francisco. Os participantes que alcançarem frequência mínima de 70% terão direito a certificado de 30 horas, emitido por meio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico.

A programação está organizada em diferentes eixos temáticos, incluindo produção agroecológica, manejo sustentável da água, segurança alimentar, saúde da família, plantas medicinais, economia solidária e tecnologias aplicadas ao contexto rural. As atividades contemplam aulas expositivas, estudos de caso, oficinas e planejamento de ações voltadas à realidade das comunidades participantes.

O professor Paulo Ramos, do Colegiado de Ciências Sociais da Univasf e coordenador do PEV, afirma que a formação foi pensada a partir das demandas das comunidades tradicionais do Semiárido, com destaque para comunidades quilombolas, indígenas e de fundo de pasto. “Este curso nasce do reconhecimento de que as comunidades quilombolas, indígenas e de fundo de pasto são detentoras de conhecimentos fundamentais para a convivência com o Semiárido. Nosso objetivo é valorizar esses saberes e promover um diálogo horizontal com o conhecimento científico”, destacou.

Segundo Ramos, a iniciativa busca aproximar a formação acadêmica das demandas concretas das populações atendidas, promovendo uma atuação comprometida com o desenvolvimento social e com a valorização dos saberes locais. “A proposta é que o conhecimento construído ao longo do curso seja efetivamente aplicado nos territórios, contribuindo para a autonomia das comunidades, a segurança alimentar e a sustentabilidade dos sistemas produtivos locais, sempre respeitando as especificidades de cada grupo”, ressaltou o professor.

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EVOCAR RAÍZES CULTURAIS DOS ALUNOS TRANSFORMA A AULA, DIZ PESQUISADOR

A sala de aula não pode ser espaço hermético de mera reprodução de pensamentos e que não encoraje a participação e ousadia dos alunos. Mais do que isso, todo professor tem a obrigação de privilegiar a raiz e o saber cultural dos estudantes. Essa é a visão que o artista e pesquisador pernambucano Lucas dos Prazeres, de 42 anos, tem levado Brasil afora em programas de capacitação que chegam a redes públicas de ensino. 

“A brincadeira vira a base da pedagogia. É necessário promover a cultura de cada região para que os alunos possam reconhecer as raízes do seu próprio território”, afirma.

As premissas do artista vão ao encontro do que exige a Lei nº 11.645/2008, que completou, em março, 18 anos. A legislação tornou obrigatório o estudo da história e cultura afro-brasileira e indígena em estabelecimentos de ensino fundamental e médio, públicos e privados de todo o Brasil.

Lucas dos Prazeres afirma que a "tecnologia" que deve ser desenvolvida é a da rede de apoio comunitária típica dos povos tradicionais, em uma lógica de que cuidar da criança está além dos pais biológicos.

O artista, educador e mestre em cultura popular capacita, nesta semana 60 professores do Distrito Federal em um projeto promovido pela Caixa Cultural.

“É uma formação que se chama ‘Reaprender Brincando’. É um olhar que traz a cultura, as brincadeiras das tradições populares para dentro da ementa escolar”.

Ele defende a união de ensino e identidade sob uma proposta inclusiva, antirracista e representativa sem cair na ideia de que a arte deve ser apenas contemplada durante as atividades escolares.

Para o artista, a cultura está na dimensão cotidiana de cada lugar. Por isso, o caminho seria praticar todas as disciplinas com base nas histórias do município, do bairro e no modo de vida de cada comunidade. Lucas dos Prazeres afirma que seu grande aprendizado foi no  Morro da Conceição, onde nasceu e se criou. 

“Lá é uma encruzilhada de saberes, onde a diversidade cultural de Pernambuco se encontra e convive harmoniosamente na mesma praça”,diz.

Ele conta que o início das proposições da mãe, Lúcia, e da tia, Conceição, está relacionado a uma história de 1981. A família tinha uma creche-escola comunitária que recebia material do governo do estado e da prefeitura. “O material didático não correspondia à realidade daquelas crianças”. Havia textos, por exemplo, que indicavam que uma criança havia visitado a fazenda do vovô. “Tinha bastante criança na escola, mas nenhuma delas tinha um familiar com fazenda”.

Território-Lucas dos Prazeres explica que cabe aos professores de todos os níveis da educação formal (e informal) incluir a arte em sala. Até em áreas menos conhecidas para essas ousadias, como as de exatas. Sejam adultos ou crianças. “É preciso, por exemplo, conectar a primeira infância com a sua própria história, com a sua própria cultura em termos de território nacional e construir identidade cultural desde o início”, defendeu. 

Para o pesquisador, os gestores precisam entender que cultura na escola não é apenas levar um artista para fazer uma apresentação e cantar na festa. “É muito mais profundo do que isso. É necessário utilizar a cultura popular como ferramenta de aprendizado”.

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UNIVASF: DINOSSAURO DESCOBERTO EM PESQUISA ESTÁ ENTRE OS TRÊS MAIORES DO BRASIL

A descoberta da terceira maior espécie de dinossauro já encontrada no Brasil foi liderada por um pesquisador da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf). A pesquisa alcançou um novo marco neste mês de março: a espécie foi descrita no periódico Journal of Systematic Palaeontology e recebeu o nome de Dasosaurus tocantinensis, em homenagem à região do Maranhão onde foi encontrada, criando um novo gênero e uma nova espécie no Brasil. 

O estudo também identificou um parentesco entre a espécie brasileira e uma da Espanha, reforçando evidências de dispersão de espécies por rotas entre a Europa e a América do Sul há mais de 120 milhões de anos.

A pesquisa paleontológica sobre o achado foi liderada pelo professor do Colegiado de Geologia da Univasf, Elver Mayer. Os fósseis do dinossauro foram descobertos em 2021 no município de Davinópolis, no sudoeste do Maranhão, durante as obras de construção de um terminal ferroviário da Brado Logística.

Após três anos de estudos sobre os fósseis, o dinossauro, com idade estimada em cerca de 100 milhões de anos, teve seu grupo ancestral-descendente definido como os saurópodes. Dentro dessa classificação, foi identificado que o animal pertence aos titanossauriformes, que, apesar da semelhança, não são titanossauros. O grupo é caracterizado pelo pescoço alongado, cabeça pequena e alimentação herbívora, conforme descrito no Journal of Systematic Palaeontology. 

“A importância da publicação é que ela é um marco na descrição formal da espécie. Adiciona uma nova espécie de dinossauro para o conhecimento que a gente tem no Brasil”, enfatizou Mayer. O nome Dasosaurus tocantinensis tem significado ligado à sua região de origem. “Tocantinensis” faz referência ao Tocantins, enquanto “Dasos” deriva do termo grego, que significa “floresta”, em alusão ao ambiente florestal do Maranhão e à vegetação amazônica presente na região onde os fósseis foram encontrados.

Segundo o professor, a novidade representa mais do que a identificação de uma nova espécie. A descoberta do esqueleto permitiu não apenas a descrição do animal, mas também a identificação de relações evolutivas com espécies encontradas em outros continentes. A escavação detalhada e a pesquisa paleontológica também ajudam a compreender como o animal morreu, como ocorreu sua incorporação ao registro geológico e de que forma os ossos chegaram ao local onde foram encontrados. “São coisas que a gente vai conseguir responder a partir desse primeiro trabalho”, disse o docente.

A espécie Garumbatitan morellensis, que possui parentesco com a encontrada no Maranhão, foi descrita em 2023 na Espanha e apresenta idade geológica um pouco mais antiga do que a espécie brasileira. Modelagens biogeográficas indicam que o grupo provavelmente se originou na Europa e que os ancestrais do Dasosaurus tocantinensis se dispersaram por rotas que ligavam os continentes, alcançando a América do Sul entre 140 e 120 milhões de anos atrás, por meio do norte da África, quando esses territórios ainda estavam mais próximos.

As semelhanças entre as espécies incluem um conjunto de cristas presentes nas vértebras. O Dasosaurus tocantinensis possui vértebras caudais com três estrias de cada lado, uma característica encontrada exclusivamente no Garumbatitan morellensis. O fêmur de ambas as espécies também apresenta semelhanças, embora haja diferenças em alguns ângulos anatômicos. “Isso é um ponto importante também, porque diz um pouco sobre a questão de angulação que esses ossos adotaram durante o movimento de locomoção entre os continentes”, comentou Mayer.

Atualmente, os fósseis do Dasosaurus tocantinensis estão no Centro de Pesquisa em História Natural e Arqueologia do Maranhão, localizado no Centro Histórico. “Essa descoberta foi importante também por criar a ligação entre 11 instituições públicas brasileiras que trabalharam em parceria, com profissionais de diferentes especialidades. Acho isso muito positivo para a ciência nacional”, afirmou Mayer.

Segundo o professor, a descoberta mostra que o Nordeste do Brasil é uma região-chave para compreender a história evolutiva dos saurópodes e de outros grupos mais restritos. Esses avanços ampliam o conhecimento sobre a diversidade biológica dos dinossauros no Brasil e no mundo. “A importância da descoberta está em trazer não só um novo personagem, mas também o cenário e uma história, uma biografia para ele”, concluiu.

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POETA E CANTADOR ALDY CARVALHO LANÇA NESTA TERÇA-FEIRA (31)

O Povoado de Caboclo, localizado no município de Afrânio, preserva uma das expressões mais fiéis da arquitetura colonial do sertão, com casario tombado e cenário que remete ao início do povoamento da região. A localidade já serviu de cenário para filme e documentários entre outras atrativos artísticos. Agora ganha as páginas da literatura de cordel. Nesta próxima terça-feira (31), o poeta e cantador petrolinense Aldy Carvalho vai lançar no espaço O Casarão, centro de Petrolina, sua nova obra "Caboclo em Cordel" – lançado pela (Editora Nova Alexandria).

Com ilustrações na linguagem das xilogravuras fiéis aos cenários naturais do povoado, assinadas por João Gomes de Sá, o autor primeiro  traduz  diante seu vasto conhecimento literário e poético endossados por suas publicações de vários gênero, e mais uma vez, entrega sua fidelidade  com abordagens fiéis às suas origens sertanejas, e assim,  destaca com maestria o valor inestimável da  literatura de cordel, patrimônio cultural imaterial brasileiro, valorizada pela sua síntese única de poesia popular, narrativa e arte visual através da xilogravura ."Cordel é vivo, pujante. Por tantos fatos narrados, pela beleza que emana entre cantares rimados. É cultura popular, feita para registrar temas diversificados", assinala Aldy.

Nas primeiras estrofes de sua brilhante narrativa, o poeta e cantador convida o leitor a fazer uma viagem ao túnel do tempo, se transportando para Afrânio e especialmente, a comunidade do Caboclo, cujos versos apontam: "Um lugar privilegiado pelo seu legado histórico/ No Nordeste destacado".

Nas páginas adiante, Aldy traduz com entusiasmo de um poeta a garimpar histórias e memórias de um lugar de pertencimento a um povo sertanejo bravio. Nos versos iniciais, ele conecta Caboclo às suas origens como um lugarejo que "conta histórias do passado e do presente/Que projeta tanto sonhos/Os sonhos de sua gente/ Terra de bons cidadãos/De bons costumes cristãos/ E de futuro pungente.

Natural de Petrolina e  radicado em São Paulo há décadas,  ele nunca perdeu o foco de suas origens de caatingueiro.  Aldy Carvalho mantém sua obra fidedigna às coisas e causos dos Sertões. A ideia do Caboclo em Cordel era um sonho que vinha sendo alimentado por com o auxílio intelectual do arquiteto Cosme Cavalcanti (falecido em 2023) que presidia a comissão de revitalização do Caboclo.

Desde a infância Aldy já vinha arquivando em suas memórias, histórias orais de moradores do lugar. Há poucos anos fez diversas visitas ao povoado, dando início à chamada "narrativa do olhar" alinhando seu povo, costumes, saberes e seus cenários naturais para a textualidade poética".

Através dos versos finais, o poeta arremata seu encantamento para que o leitor também se atine a mergulhar na comunidade em meio à passagem do tempo. "O futuro de caboclo /Depende da juventude /Que herdará dos seus avós/ Coragem, força, atitude/De lutar com valentia/E preservar a alegria/De viver em plenitude/Do povoado de Caboclo/ Você pode ter certeza/Simplicidade e magia/ Completam sua beleza/ Seja velho ou seja novo/ O abraço de seu povo/ É de sua natureza. E assim Caboclo se firma/ Como joia do Sertão/ Pernambuco lhe consagra /O respeite e afeição/ Neste cordel como herança/Se reafirma a esperança/ Guardá-lo no coração.

No prefácio de abertura, a pesquisadora Geida Maria Cavalcanti de Souza direciona o autor para suas origens e arremata que "Poetizar Caboclo fez Aldy sentir-se da terra, enriquecer a tradição oral nordestina. Impossível conhecer Caboclo e não se apaixonar por tudo que esse povoado, localizado no Sertão de São Francisco, tem "tem para oferecer a cada um". 

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