FILÓSOFOS ANALISAM CLIMA DE COPA COM PARTICIPAÇÃO DO BRASIL NO OSCAR

A final da Copa do Mundo 2026 será em 19 de julho, mas, no Brasil, o clima já está instaurado – só que em razão do cinema. Com o país disputando a 98ª edição do Oscar em cinco categorias – quatro com “O agente secreto” e uma com Adolpho Veloso, diretor de fotografia de “Sonhos de trem” –, bares, restaurantes e boates estão organizando eventos para acompanhar a transmissão da cerimônia, na noite deste domingo (15).

A convocação à “torcida organizada” se repete em diversas outras cidades do país. No ano passado, com “Ainda estou aqui” em campo, não foi diferente – a vitória do longa de Walter Salles como Melhor Filme Internacional, conquistando a primeira estatueta do país, foi comemorada como um gol decisivo.

Kleber Mendonça Filho diz que campanha de 'O agente secreto' ao Oscar 'nunca pareceu eleição'

Há um consenso, em espaços de reflexão sobre fenômenos sociais contemporâneos, como a academia, de que as razões que justificam o frisson em torno da presença brasileira no Oscar extrapolam os filmes em si.

Rosto do ator Wagner Moura, no filme O agente secreto, está no centro da Bandeira do Brasil levada por foliões do bloco Pitombeira, no carnaval do Recife

Professor da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da UFMG, Verlaine Freitas destaca o aspecto da identidade nacional, ou seja, o desejo socialmente compartilhado de que um representante cultural brasileiro seja mundialmente reconhecido.

“Por esse lado, parece-me que virtualmente qualquer filme, seja com conteúdo político, como estes dois brasileiros recentes, ou algum outro, despertaria o mesmo entusiasmo na corrida para o Oscar”, diz. Ele pondera, contudo, que tanto no caso de “O agente secreto” quanto no de “Ainda estou aqui”, o ingrediente político é determinante, já que ambos denunciam o autoritarismo da época da ditadura militar brasileira.

Verlaine Freitas observa que, junto com a premiação do filme como produto cultural, como obra de arte, há também o reconhecimento do valor da mensagem política de luta contra as injustiças, a destruição da democracia ou o atentado aos direitos humanos.

“Se isso procede, é de se supor que essa torcida por 'O agente secreto' no Oscar se dê muito mais entre pessoas identificadas com a esquerda do que com a direita política”, pontua.

Também professor do Departamento de Filosofia da Fafich, Helton Adverse endossa a avaliação de Freitas. Segundo ele, além da apreciação estética, há fatores políticos, sociológicos, antropológicos e até psicológicos determinantes da modo como a presença de “O agente secreto” no Oscar é percebida.

“Esse clima de Copa do Mundo, de torcida, tem a ver com o fato de a sociedade estar fortemente politizada e, portanto, forçosamente marcada pela divisão, isso a que se tem chamado de polarização, e que se reflete sobre todo o corpo social”, diz.


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COLETIVO QUILOMBOLAS LANÇA DOCUMENTÁRIO E PEDE PROTEÇÃO

 Ter quer deixar a própria casa, não dormir em paz, temer pela própria segurança e da comunidade. No documentário “Cafuné”, lançado nessa quinta-feira (12) pelo coletivo de mulheres da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq), relatos evidenciam a urgência de uma política de proteção eficaz a defensoras dos direitos humanos que vivem em comunidades tradicionais em todo o país. 

Realizado por iniciativa da entidade, o filme foi dirigido por Gabriela Barreto, Maryellen Crisóstomo e Nathália Purificação e faz parte de um projeto mais amplo (de mesmo nome) das representantes quilombolas a ser entregue ao governo federal. A iniciativa integra estratégia de sensibilização do poder público, incluindo também o Congresso Nacional. 

O nome "Cafuné" para o projeto (e para o filme) refere-se à tentativa de proporcional algum tipo de aconchego às mulheres que vivem permanentemente em risco, ameaçadas por conflitos agrários e pelas vulnerabilidades com a deficiência de políticas públicas.

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ALCEU VALENÇA COMEMORA 80 ANOS

As oito décadas de vida do cantor e compositor Alceu Valença vão ser comemoradas com a turnê 80 Girassóis, que estreia no próximo sábado (14), no Rio de Janeiro. Em seguida, o emblemático representante da música pernambucana seguirá para São Paulo, Salvador, Florianópolis, Curitiba, Brasília, Recife, Fortaleza, Belém e Belo Horizonte, com patrocínio master do Banco do Brasil. 

Os shows estão programados para ocorrer até junho, e Alceu completará os 80 anos em 1º de julho.

“Esta turnê vai ser uma maravilha. Está sendo muito bem projetada pela minha esposa, Yanê [Montenegro], e Júlio Moura. A gente tem sócios em vários estados para fazer esta turnê”, disse Alceu em entrevista à Agência Brasil. 

O show deste fim de semana será na Farmasi Arena, na Zona Sudoeste da capital fluminense. Com Alceu, estarão no palco os músicos Tovinho (teclados e direção musical), Cássio Cunha (bateria), Zi Ferreira (guitarra), Nando Barreto (baixo), André Julião (sanfona), Costinha (flautas) e participação ainda de Lui Coimbra (violas e violoncelo) e Natalia Mitre (percussão). 

Alceu contou que a temporada é resultado de seis meses de ensaios, tudo gravado em áudio e vídeo, e destacou as projeções que vão ser exibidas durante as apresentações. 

“Esse show tem umas projeções incríveis feitas por Rafael Todeschini. A Yanê participa também. Projeções simplesmente maravilhosas, e, dentro desse acervo meu, até minha mãe e meu pai vão aparecer”.

A todos que o perguntam sobre a ação do tempo em sua vida desde quando era menino, em São Bento do Una, Alceu conta que vive no presente, passado e futuro, em uma Embolada do Tempo, que é o título de uma das suas músicas. Durante a entrevista, ele declama parte da letra. 

“O tempo em si/ Não tem fim/ Não tem começo/ Mesmo pensado ao avesso/ Não se pode mensurar”.

E continua: "Buraco negro/ A existência do nada/ Noves fora, nada, nada/ Por isso nos causa medo". "Tempo é segredo/ Senhor de rugas e marcas/ E das horas abstratas/Quando paro pra pensar". "Você quer parar o tempo/ E o tempo não tem parada".

A turnê não se restringe aos shows. Algumas das cidades por onde ela passar também receberão exposições de artes plásticas e sessões de filmes. Alceu destacou que é cineasta e já fez participações como ator em diversas produções. 

“Fiz o papel principal no filme de Sérgio Ricardo [também cantor e compositor] A Noite do Espantalho. Depois, fiz um filme chamado A Luneta do Tempo”, contou.

O cantor acrescentou que tem um acervo grande de filmes realizados em diversos países como França, Alemanha, Suíça, Portugal, Espanha, Estados Unidos e Brasil. 

“Eu sempre gostei da arte de cinema e levava câmeras comigo. Tenho muita coisa. São outras partes do meu trabalho. Não é só a música. É a trajetória”. 

Seleção das músicas - A escolha das músicas, segundo Alceu, seguiu um método que ele próprio definiu: encadeá-las conforme os temas de cada uma.

“É uma narrativa poética. Por exemplo, Martelo Agalopado, que é uma música que advém do cantador, faz parte da cultura do sertão profundo, onde nasci, em São Bento do Una. Logo depois, vem o repertório de Luiz Gonzaga, porque ele faz parte disso e se completa. Outra, é de quando eu era criança e gostava de correr de Cavalo de Pau [nome de uma das músicas ]”, descreveu. 

O lado folião não podia faltar e está representado, tanto na presença que costuma ter em Olinda como em shows de trios elétricos no período da folia. Em São Paulo, há mais de dez anos, e no Recife, em um período mais recente, ele comanda o bloco Bicho Maluco Beleza, arrastando 1 milhão de pessoas. 

Também estará na turnê o "Alceu caminhador", o cara que vive aqui e lá. “Coração Bobo eu compus em Paris, quando morei lá, com saudade muito grande de Jackson do Pandeiro e Geraldo Azevedo. Tem uma outra que compus falando sobre ruas, Pelas ruas que andei, e falo das ruas do Recife. Tem uma com lembranças de Nova York, que compus aqui, no Rio de Janeiro”, relatou.

Anunciação-O processo para compor as suas obras é diverso e, na música Anunciação, ele o classifica como um surto criativo. Alceu revelou que, andando em Olinda, criou uma música na flauta com que estava aprendendo a tocar. Quando entrava em casa, uma moça elogiou o que tinha ouvido.

"'Alceu que música bonita que você estava tocando? Que coisa mais linda’. 'Você achou?' Perguntei. A música ia se perder se ela não tivesse falado”, afirmou.

Ao chegar na cozinha, Alceu pegou um papel de pão e começou a fazer a letra, escrita a lápis, de Anunciação. 

O artista contou que existem diversas postagens nas redes sociais de pessoas que relatam a ligação dessa música com o nascimento de crianças.

“Olha o que eu encontro! Se você sair comigo por aí, todo dia é a mesma coisa. Mulheres dizendo que tinham dificuldades, e o filho nasceu [ao som da música], outras que não tinham. Tem quem diz que fez o parto ouvindo a música e crianças pequenas que dizem que ouviam desde que estavam no bucho [barriga da mãe]. Tô brincando”, disse sorrindo. 

Alceu comemora os números de acessos das suas músicas na plataforma de streaming de áudio Spotify, na qual Anunciação alcançou 200 milhões. Já no YouTube, Belle de Jour conta com mais de 300 milhões. 

A inspiração é uma marca de projetos que Alceu participou ao longo da vida. Mesclando o clássico com o popular, sua jornada tem concertos com orquestras do Brasil e do exterior. 

“Eu advenho da cultura do sertão pernambucano profundo. Lá, eu ouvia aboios, toadas de vaqueiros”, recordou. 

Essa trajetória quase seguiu outro caminho: Alceu quis ser advogado e fazer concurso para promotor. Chegou a se formar, mas não seguiu na carreira, confirmando uma frase que lembra ter ouvido da mãe, que dizia que ele veio ao mundo para levar alegria às pessoas.

“Coisa boa que se confirmou, porque se não tivesse se confirmado, seria chato para ela e para mim”. 

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TOADA ASA BRANCA COMPLETA 79 ANOS DA PRIMEIRA GRAVAÇÃO

A letra da música Asa Branca completa nesta terça-feira (3) 79 anos da gravação na voz de Luiz Gonzaga. No dia 3 de março de 1947 Luiz Gonzaga gravava pela primeira vez nos estúdios da RCA, no Rio de Janeiro, a canção que ficaria imortalizada como hino dos nordestinos. Uma composição dele com então advogado, nascido em Iguatu, Ceará,  Humberto Teixeira continua no imaginário do povo brasileiro.

A gravação foi acompanhada pelo grupo de Regional do Canhoto. Ao fim do trabalho, Canhoto, líder do grupo, olha para Luiz Gonzaga e diz que a "letra era música para cego pedir esmolas". A história conta que o músico saiu dos estúdios e zomba com um chapéu pedindo esmolas ao som da canção. Mal sabia Canhoto que Asa Branca iria ser um nos maiores sucessos da música brasileira.

A letra Asa Branca, de Humberto Teixeira, recebeu até elogios e uma reflexão do escritor José Lins do Rego: é um dos mais belos versos da literatura brasileira.

O professor e historiador Armando Andrade diz que a identidade do cantor se confunde com a letra de Asa Branca. É nela que se misturam o homem, a música e seu povo. "A partir de Asa Branca o Brasil viu o drama através da voz do próprio nordestino. É dessas coisas que a poesia e a literatura conseguem fazer, transportar através da linguagem as pessoas a vivenciar a dor do outro" diz.

Outra característica marcante de Asa Branca é a saudade do amor perdido com o exílio forçado devido a seca. Se os clássicos traziam as guerras como o motivo da partida do homem e a promessa de volta para o grande amor, em Asa Branca, é a seca que expulsa o homem e a ave, numa metáfora que se estende à condição humana.

"Talvez aí resida a universalidade e aceitação pelo grande público, além de retratar a real condição das famílias nordestinas. A promessa da volta do homem para seu grande amor está presente desde a literatura grega, como a Odisséia. É um tema universal com que todos se identificam", diz Armando Andrade.

A força de Asa Branca pôde ser vista em 2009, quando a Revista Rolling Stone Brasil, publicou uma lista com as 100 maiores músicas da história do país. Um honroso 4º lugar, ficando atrás de clássicos como Carinhoso, Águas de Março e Construção. 

O tempo passou e Asa Branca segue inspirando artistas de outras gerações. Anderson do Pife, que mora em Caruaru, no Agreste de Pernambuco, diz que enquanto estudante de música, acredita que a letra é parte de um método brasileiro de ensino de música popular. "Essa melodia composta por conjuntos e de fácil execução, traduz o início de uma trajetória musical para quase todos os que iniciam seus estudos com ou sem ajuda de profissionais da área", diz.

Ele disse ainda que a música retrata poesia, cotidiano, paisagem e todo o referencial histórico do Nordeste. "Eis o hino do Nordeste e a primeira música que aprendi a tocar. Essa é a força que representa a Asa Branca em minha vida", finaliza.

O professor doutor em Ciência da Literatura, Aderaldo Luciano, ressalta que o  "Nordeste continua existindo caso Luiz Gonzaga. Tem a mesma paisagem, os mesmos problemas, comporta os mesmos cenários de pedras e areias, plantas e rios, mares e florestas, caatingas e sertões".

De acordo com o pesquisador mais que ninguém, Luiz Gonzaga brindo com uma moldura indelével, uma corrente sonora diferente, recheada de suspiros, ritmos coronários, estalidos metálicos. 

"Luiz Gonzaga plantou a sanfona entre nós, estampou a zabumba em nossos corpos, trancafiou-nos dentro de um triângulo e imortalizou-nos no registro de sua voz. Dentro do seu matulão convivemos, bichos e coisas, aves e paisagens. Pela manhã, do seu chapéu, saltaram galos anunciando o dia, sabiás acalentando as horas, acauãs premeditando as tristezas, assuns-pretos assobiando as dores, vens-vens prenunciando amores. O seu peito abrigava o canto dolente e retotono dos vaqueiros mortos e a pabulagem dos boiadeiros vivos. As ladainhas e os benditos aninhavam-se por ali, buscando eternidade", finalizou Aderaldo.

Redação redeGN Fotos Arquivo Ney Vital

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ANA DAS CARRANCAS, A DAMA DO BARRO VOLTA A GANHAR DESTAQUE COM LANÇAMENTO DE LIVRO

A obra e a trajetória da Dama do Barro, Ana das Carrancas, voltam a ganhar destaque no livro “Curadoria, memória e contemporaneidade: reflexões sobre a exposição Os Olhos Cegos do Rio”, de autoria de André Vitor Brandão. A publicação será lançada também nas versões em audiobook e e-book no dia 3 de março, às 19h, no Museu Ana das Carrancas. Na oportunidade, também será lançado o documentário “Ser mulher, ser Negra, Ser Nordestina”, de Raquel Marques, neta da artista.

“O livro propõe uma investigação sensível e crítica sobre a produção artística de Ana das Carrancas, articulando sua trajetória criativa às dimensões simbólicas do território, da memória e da cultura ribeirinha”, explica o autor.

A obra, fruto da graduação do autor em Licenciatura em Artes Visuais, apresenta uma análise dos processos que envolveram a construção da exposição, desde a concepção curatorial até as estratégias educativas e as escolhas expográficas, evidenciando os diálogos entre tradição e contemporaneidade.

Ao longo do livro, Brandão estimula o debate sobre as práticas curatoriais no contexto nordestino e reafirma a potência da arte como campo de resistência, identidade e reinvenção cultural.

A publicação conta com o incentivo do Funcultura. O lançamento da obra em suas três versões conta acontece com o incentivo da Lei Paulo Gustavo do município de Petrolina. O projeto tem a realização da Qualquer um dos 2 Produções Artísticas, apoio do Sesc Petrolina e do Museu Ana Das Carrancas. O evento terá tradução simultânea em Libras, a Língua Brasileira de Sinais

O Autor -  André Vitor Brandão é doutorando em Formação de Professores e Práticas Interdisciplinares (UPE), mestre em Educação, Cultura e Territórios Semiáridos (UNEB), especialista em Dança Educacional e Artes Cênicas (CENSUPEG) e licenciado em Artes Visuais (Univasf). Investiga como a arte produzida no Vale do São Francisco desenvolve metodologias decoloniais que tensionam e rompem com imposições e opressões históricas sobre o território. Suas pesquisas atravessam ecologias, cosmologias, resistências, estéticas e memórias da região. Atua nas áreas de dança, artes visuais, gestão cultural e curadorias contemporâneas.

Serviço: Data: 3 de março

Horário 19h

Local: Museu Ana das Carrancas (R. Martiniano Cândido Silva – Cohab Massangano)


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SEGUNDO GRITO SALVE A CHAPADA ACONTECE NO CRATO, SÁBADO (28)

 É ali no caminho de Luiz Gonzaga, no rumo da descida de Exu, Pernambuco para o Crato, Ceará que o Movimento Salve a Chapada do Araripe dará o segundo grito do ano, no sábado (28). O fole vai roncar em nome da causa mais urgente. É grito agora ou deserto logo mais. O evento acontece às 8h na Praça Siqueira Campos, Crato – CE

O jornalista Xico Sá alerta que Uma das áreas de proteção ambiental mais devastadas do país, a região da Chapada do Araripe vive mais uma nova ameaça — nem tão nova assim — de grupos pesados do agronegócio. Com latifúndios prontinhos para o cultivo da soja, a “caixa d´água do sertão”, como é definida a chapada, corre perigo.

"Oásis de umidade que junta as terras do Ceará, Pernambuco e Piauí, o fim da mata seria um desastre para o Nordeste. Quase uma atualíssima Guerra dos Bárbaros (1683–1713), aquela que dizimou os Kariris e outros povos indígenas das nossas bandas. Um dos lugares mais importantes do Nordeste, a Chapada do Araripe, que abrange os territórios de Ceará, Pernambuco e Piauí, está sob ameaça. O agronegócio predador está devastando um local tido como “oásis” no meio do sertão", diz Xico Sá.

Segundo o Relatório Anual de Desmatamento (RAD 2024) do MapBiomas, a  Área de Proteção Ambiental (APA) da Chapada do Araripe registrou 5.965 hectares desmatados, se tornando a terceira unidade de conservação mais desmatada do país, em 2024. 

Os dados do ano passado (2025) ainda não foram contabilizados, mas matérias na imprensa já indicam aquisição de aproximadamente 30 mil hectares para o agronegócio, podendo chegar a 100 mil. E tudo isso com apoio do Governo do Estado e dos seus órgãos de fiscalização. 

"A quem interessa esse “desenvolvimento”? Interessa ao povo do Cariri? De onde virá a água? Quais serão os impactos causados pelo despejo indiscriminado de agrotóxicos? A gente se une nesse chamado pela defesa deste patrimônio do Brasil. Vamos salvar a Chapada do Araripe", conclama os movimentos sociais!

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BIOMA CAATINGA: AÇÃO CIVIL PÚBLICA SOLICITA QUE TODAS AS LICENÇAS AMBIENTAIS SEJAM CONDICIONADAS AO ICMBio

 O Ministério Público Federal (MPF) ajuizou uma Ação Civil Pública (ACP) com pedido de urgência para que todas as licenças ambientais concedidas na Área de Proteção Ambiental (APA) da Chapada do Araripe sejam condicionadas à análise prévia e à manifestação técnica obrigatória do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

Na ação, o MPF sustenta que a medida é necessária diante do avanço considerado crítico do desmatamento na região. Segundo o órgão, o atual modelo de licenciamento tem ocorrido de forma fragmentada, com municípios e o Estado analisando empreendimentos apenas dentro de seus limites territoriais, sem considerar os impactos cumulativos sobre o ecossistema da Chapada, que é ambientalmente indivisível.

De acordo com o documento apresentado à Justiça Federal, a ausência de uma avaliação integrada compromete os objetivos de preservação da unidade de conservação. O MPF aponta ainda que muitos municípios enfrentam limitações estruturais e técnicas, recorrendo a mecanismos autodeclaratórios sem fiscalização efetiva.

“Esse cenário é potencializado pela falta de estrutura e pela incapacidade técnica da maioria dos municípios, que utilizam de forma indiscriminada mecanismos auto declaratórios sem qualquer fiscalização efetiva”, destaca o MPF na ação.

Licença só com anuência do ICMBio-Entre os principais pedidos formulados pelo Ministério Público está a obrigatoriedade de que o ente local — seja município ou Estado — só emita licença ambiental mediante anuência expressa e favorável do ICMBio. Caso o parecer técnico do órgão federal seja contrário, o licenciamento deverá ser obrigatoriamente indeferido.

Pela proposta, caberá ao ICMBio emitir parecer técnico avaliando a compatibilidade do empreendimento com:

 A integridade ecológica da unidade de conservação;

 Os objetivos que fundamentaram sua criação;

 As diretrizes estabelecidas no Plano de Manejo da APA.

A ação está sob análise da Justiça Federal.

Patrimônio estratégico do Nordeste

A Chapada do Araripe é considerada estratégica para o Nordeste brasileiro. Além de seu reconhecido patrimônio geológico e paleontológico, a área desempenha papel fundamental no equilíbrio climático e no ciclo hidrológico da região.

A APA abrange territórios dos estados do Ceará, Pernambuco e Piauí, reunindo uma das maiores riquezas fossilíferas do país e importante biodiversidade da Caatinga.


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