BEATRO JOSÉ LOURENÇO COMPLETARIA NESTA QUINTA-FEIRA 80 ANOS DE NASCIMENTO

 Em celebração aos 80 anos de morte do Beato José Lourenço, o Centro Cultural Daniel Walker recebe, no dia 12 de fevereiro, às 14h, a palestra "Os últimos dias do Beato José Lourenço", que propõe uma reflexão histórica sobre a trajetória de uma das figuras mais emblemáticas da religiosidade e da resistência social no Cariri. O evento é realizado pela Prefeitura de Juazeiro do Norte, Ceará, por meio da Secretaria Municipal de Cultura, com o apoio do Instituto Cultural do Vale Caririense e do Cariri das Antigas.

O encontro contará com a participação dos palestrantes Bibi Saraiva, historiador de Exu (Pernambuco); Mazé Sales, pesquisador e descendente de remanescentes do Caldeirão; e Antônio Santos, pesquisador. Após a palestra, os participantes serão convidados a participar de uma missa em sufrágio da alma do Beato José Lourenço, na Capela do Socorro, seguida de visita ao túmulo.

Nascido em Pilões, Paraíba, José Lourenço foi líder da comunidade do Caldeirão da Santa Cruz do Deserto, experiência comunitária desmantelada pelo Governo do Estado do Ceará em 1936. Em maio de 1937, o acampamento de remanescentes foi atacado pela polícia, em uma ação que resultou em um número estimado de 200 a 1.000 mortos, episódio marcado como um dos mais violentos da história social do Nordeste. A atuação do Beato José Lourenço foi pautada e incentivada pelo Padre Cícero. Ao falecer, em 1946, manifestou o desejo de ser sepultado em Juazeiro do Norte, desejo que foi atendido.

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Fotógrafo brasileiro vence prêmio internacional com ensaio sobre água e identidade

 O fotojornalismo brasileiro obteve reconhecimento internacional no concurso de histórias fotográficas “Walk of Water”, realizado pela organização OneWater junto à UNESCO. João Alberes, de 23 anos, faturou o Prêmio Regional América Latina e Caribe na categoria Juventude. A iniciativa internacional busca promover reflexões quanto aos significados da água através de imagens.

A conquista reconhece a série fotográfica “Onde a Água Mora”. O trabalho foi desenvolvido no município de Feira Nova, cidade natal de João. Situada no agreste Pernambuco, a cerca de 77 quilômetros de Recife, as imagens trazem um olhar sensível e profundo sobre a relação entre água, território e identidade no interior do nordeste brasileiro. Os trabalhos premiados passam a integrar exposições internacionais em espaços como a Conferência da ONU, em Nova Iorque, e o Quartel-General da UNESCO, em Paris.

Imagens como a do pescador José Firmino, que navega em seu pequeno barco em reservatório artificial de água, destaca histórias de um cotidiano marcado pelos desafios de acesso à água, o que termina por revelar narrativas de resiliência e pertencimento.

O ensaio traz à tona como a água é capaz de moldar modos de vida, práticas culturais e mesmo a permanência de comunidades em seus territórios. O fotógrafo conta que o título do trabalho nasceu da relação íntima entre território, vida e sobrevivência, e explica que a série integra uma pesquisa autoral mais ampla. “Ao ver a convocatória do concurso, decidi submeter a imagem de Seu Zemir, que mora literalmente à beira da barragem e tira da pesca o seu sustento. Fiquei muito surpreso e emocionado com esse prêmio. Feliz demais”, conta Alberes.

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DIA DO FREVO

 Dia do Frevo, 09 de fevereiro. Confira texto do músico Antonio Nobrega:

Comemora-se o dia do frevo. O frevo foi elevado à condição de patrimônio imaterial da humanidade. Como se vê, o frevo está em alta. Mas frevo para quê? Por que frevo?

Foi o escritor Ariano Suassuna quem, indiretamente, apresentou-me a ele. Com seu convite para integrar o Quinteto Armorial, dei início a uma viagem de aprendizado dos cantos, danças e modos de representar presentes em manifestações populares como o reisado, o maracatu, o caboclinho e sobretudo o frevo.

Com o passar dos anos, esses aprendizados foram se conectando a estudos e reflexões sobre a cultura brasileira em geral e a popular em particular. Esse casamento entre conhecimento empírico e teórico foi conduzindo-me à constatação de que vivemos num país que reluta em aceitar-se integralmente.

Que outra razão para tal desperdício de insumos culturais tão vastos e de tão imensa riqueza simbólica como o nosso reservatório de ritmos presente em batuques, cortejos e folguedos; de formas e gêneros poéticos –quadrões, décimas, galope à beira-mar; de passos e sincopados armazenados no nosso imaginário corporal popular?

E o que temos feito com tudo isso? Empurrado para o gueto da chamada cultura folclórica, regional ou popular, falsamente antagonizante daquela que se convencionou denominar de cultura erudita. Há mais de cem anos que a "entidade" frevo vem despejando no país, especialmente em Recife, volumoso material simbólico.

Esse "material" foi se formando dentro daquilo que venho denominando de uma linha de tempo cultural popular brasileira. Essa "entidade" frevo materializou-se por meio de um gênero de música instrumental, o frevo-de-rua, orgânica forma musical onde palhetas e metais dialogam continuamente, ancorados pela regular marcação do surdo e a sacudida movimentação da caixa; uma dança, o passo do frevo, imenso oceano de impulsos gestuais e procedimentos coreográficos; e dois gêneros de música cantada: o frevo-canção e o frevo-de-bloco, cada um com características particulares tanto de natureza poético-literária quanto musical. Um valioso armazém de representações simbólicas.

Mais do que preservar o frevo, nossa tarefa está em amplificar, dinamizar, trazer para a órbita de nossa cultura contemporânea os valores, procedimentos e conteúdos presentes nessa "instituição" cultural.

Essa ação amplificadora poderia abranger escolarização musical – por que não se estuda frevos em nossas escolas de música?–; a prática da dança – a riqueza lúdica e criadora proporcionada pelo seu multifacetário estoque de movimentos–; a valorização de modelos de construção e integração social advindos do mundo-frevo. Tudo isso ajudaria ao Brasil entender-se melhor consigo mesmo e com o mundo em que vivemos.

O frevo é uma das representações simbólicas mais bem-acabadas e representativas que o povo brasileiro construiu. Assim como o samba, o choro, o baião, uma entidade transregional cuja imaterialidade poderemos transmudar em matéria viva operante se tivermos a suficiente compreensão do seu significado e alcance sociocultural.

Antonio Nobrega-músico, brincante da música brasileira, da dança, do teatro e do 'universo do circo, da criança e da cultura popular

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UFRGS ADOTA MANUAL COM ORIENTAÇÕES PARA COMUNICAÇÃO ANTIRRACISTA

A Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) anunciou a ampliação da política interna de equidade racial. A instituição seguirá as diretrizes de comunicação presentes no Manual de Boas Práticas Antirracistas na Comunicação Digital, elaborado pela Rede Jornalistas Pretos em conjunto com o Instituto Peregum.

O documento reúne orientações para combater estereótipos, desinformação e discursos discriminatórios no ambiente digital. Segundo a UFRGS, a iniciativa busca ampliar a presença, o protagonismo e a voz da população negra nos meios de comunicação da universidade.

O processo envolveu jornalistas e estudantes de Jornalismo negros do Rio Grande do Sul e contou com apoio do Sindicato de Jornalistas Profissionais do estado (SindJoRS), da Associação Rio-Grandense de Imprensa (ARI) e do curso de Jornalismo da Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação (Fabico/UFRGS).

Entre os princípios adotados pela universidade estão:

a seleção de bancos de imagens que não reforcem visões eurocentradas;

a consulta a coletivos e especialistas para qualificar abordagens;

a garantia de protagonismo às pessoas negras;

o respeito à autoidentificação racial, de gênero e etnia.

As diretrizes também orientam a evitar estereótipos, sobretudo em coberturas policiais, o uso responsável e contextualizado de imagens sensíveis, a análise crítica do que é visibilizado ou invisibilizado nas fotografias, e a promoção de diversidade real nas representações.

Outro ponto central é a ampliação do banco de fontes sugeridas para entrevistas, com a inclusão de especialistas negros, indígenas e de outros grupos minorizados. O objetivo é evitar a repetição sistemática de referências exclusivamente brancas.


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JOAO SERENO HOMENAGEIA LENDAS DA TERRA DA ALEGRIA-JUAZEIRO BAHIA

Juazeiro, no norte da Bahia, acaba de presentear o Brasil com mais uma novidade musical. O SomGon, ritmo criado pelo músico João Sereno, fez sua estreia no Carnaval antecipado da cidade e já desponta como forte candidato a embalar os próximos festejos pelo país.

Com uma batida de matriz ternária — dançante, envolvente e impossível de ignorar —, o SomGon chega para somar à rica tradição musical de uma terra que já deu ao mundo nomes como João Gilberto, pai da Bossa Nova, e Ivete Sangalo, rainha do axé.

E foi justamente para celebrar essa herança que João Sereno construiu o lançamento do novo ritmo em forma de tributo. Durante a apresentação, o artista prestou homenagens a figuras que moldaram a identidade cultural juazeirense: a dupla Neto e Mundinho, o composito Galvão, o cantor e comporitor Mauriçola, o sanfoneiro Raimundinho do Acordeon, o compositor irreverente Manuka Almeida e Targino Gondim — músico consagrado que atualmente ocupa a Secretaria de Cultura do município.

Uma cidade que exporta alegria

Não é por acaso que Juazeiro carrega o título de "Terra da Alegria". Às margens do Rio São Francisco, o município sempre foi celeiro de artistas que levaram o nome da Bahia para além das fronteiras. Agora, com o SomGon, João Sereno reafirma essa vocação e propõe um som que dialoga com o passado, mas olha para o futuro.

"O ritmo já nasce com identidade própria, mas carrega no DNA tudo o que a gente aprendeu ouvindo os mestres daqui", resume o cenário quem acompanhou de perto a recepção calorosa do público durante o Carnaval.

O que esperar

Com potencial para trilhas de festa, mas também para composições mais elaboradas, o SomGon se apresenta como gênero versátil. A expectativa é que novos artistas abracem a proposta e ajudem a expandir o repertório do ritmo nos próximos meses.

Juazeiro, mais uma vez, mostra que sua música não conhece fronteiras.


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MUITO ALÉM DA FOLIA: DESCUBRA JUAZEIRO, O DESTINO QUE ENCANTA NO CARNAVAL

Juazeiro é muito mais do que palco de um dos carnavais mais vibrantes do interior da Bahia. Localizada às margens do Rio São Francisco, a cidade recebe quem chega com sol o ano inteiro, paisagens encantadoras e um povo acolhedor, que transforma cada visita em uma experiência inesquecível. Durante o Carnaval, essa energia se multiplica, misturando festa, cultura, sabores e natureza em um só destino.

Entre um trio elétrico e outro, Juazeiro convida o visitante a desacelerar e explorar sua rica história, marcada por personagens importantes da música e da cultura brasileira, além de espaços que preservam a memória e a identidade do Vale do São Francisco. Museus, centros culturais, mercados tradicionais e monumentos à beira-rio ajudam a contar a trajetória da cidade e fortalecem o sentimento de pertencimento de quem passa por aqui.

Para completar, o lazer se espalha por ilhas, orlas, praças e parques, com opções que vão do descanso à aventura. Gastronomia diversa, passeios fluviais, esportes aquáticos, enoturismo e experiências no campo fazem de Juazeiro um destino completo, perfeito para quem vem pelo Carnaval e acaba ficando pelo encanto do Velho Chico.

HISTÓRIA E CULTURA

Paço Municipal de Juazeiro – Seculte (Centro)

Memorial Casa da Bossa Nova (Centro)

Estátua de João Gilberto (Orla II)

Estátua do Nego D'água (Angari)

Vapor Saldanha Marinho – "Vaporzinho" (Orla II)

Mercado Joca de Souza Oliveira (Centro)

Acervo Maria Franca Pires (UNEB – São Geraldo)

Aqueduto do Horto Florestal (UNEB – São Geraldo)

Museu Regional do São Francisco, terça a sexta-feira das 14h as 18h (Centro)  

SOL E RIO

Ilha do Fogo


Ilha do Rodeadouro


Ilha de Nossa Senhora


Prainha da Orla II (Marinha)


Ilha do Massangano (Petrolina)


Ilha do Maroto


Cachoeira do Salitre (Distrito do Salitre)


Dunas do Velho Chico (Casa Nova)



GASTRONOMIA – ORLA I


22 bares e restaurantes



GASTRONOMIA – ORLA II


Vila Bossa Nova (Centro Gastronômico)


7 bares e restaurantes



AR LIVRE


Orla e Orla II


Parque Fluvial


Mirante da Orla II (vista do pôr do sol)


Praça da Catedral Nossa Senhora das Grotas


Praça Aprígio Duarte Filho (Jacaré)


Praça Dr. José Inácio da Silva (Misericórdia)


Praça Cordeiro de Miranda (São Tiago Maior)


Praça do Índio (Largo 2 de Julho)


Parque Municipal Lagoa de Calu (Alto da Maravilha)



LAZER, PASSEIOS E AVENTURA


Travessia de barca entre Juazeiro e Petrolina


Catamarã River Beer


Caiaque


Stand Up Paddle


Bike Boat


Piquenique na Orla


Canoa Havaiana


Rapel na Ponte


Tirolesa


Kitesurf


Passeios de lancha e jet ski



PARQUE FLUVIAL


Pista de cooper e ciclovia


Quadras poliesportivas


Pista de skate


Academia de Saúde



ENOTURISMO


Vapor do Vinho


Navegação pelo Lago de Sobradinho com música ao vivo, almoço a bordo, parada para banho e visita à Vinícola Terra Nova (Miolo), com degustação de vinhos, brandy e espumantes.


(87) 98130-5630 | Instagram: @vapordovinho



AGRONEGÓCIO E AGROTURISMO


Agropecuária Santa Isabel


Referência em agroturismo e turismo pedagógico em Juazeiro, com imersão na fruticultura irrigada, parreirais em latada, produção de uvas e mangas e aprendizado sobre as tecnologias do Vale do São Francisco.


(74) 99137-0032 | Instagram: @agropecuaria.santaisabel


 Lucas Oliveira - Ascom/PMJ


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PROFETAS DA CHUVA AVALIAM INVERNO REGULAR DURANTE ENCONTRO NO CRATO

A esperança de um bom inverno marcou o tom da quarta edição do Encontro dos Profetas da Chuva do Cariri, reunindo os saberes tradicionais. O evento foi realizado nesta sexta-feira, 23, em Crato. Um momento de compartilhar o conhecimento ancestral sobre as previsões do inverno no sertão. Participaram 11 profetas do Crato, Juazeiro do Norte, Barbalha e Quixadá. Mais chuvas nos meses de fevereiro e março deste ano foram previstas por alguns profetas, mas com perspectiva de fortes precipitações em algumas localidades.

A abertura foi realizada com apresentações culturais, incluindo os Irmãos Aniceto e a Banda da Outra Banda, com o tradicional forró. Técnicos, estudantes, agricultores e professores estiveram presentes. O encontro foi realizado através da Secretaria de Desenvolvimento Rural e Recursos Hídricos do Crato e do Instituto Federal do Ceará, contando com a coordenação do professor Kael Rocha, e do secretário executivo do Desenvolvimento Rural do Crato, Tiago Ribeiro.

Leitura da natureza-Os trovões no final de julho e começo de agosto do ano passado apontavam para um inverno muito bom em 2026. É o que disse o profeta Zilcélio Alves. A partir dessa experiência, ele afirmou que a perspectiva de um grande inverno está praticamente descartada para este ano. "Mas em março e abril teremos boas chuvas", afirma. Ele destacou experiências com pedra de sal, ninho de pássaro, casa de João de Barro, além das florações de pé de juá, produção frutífera do oiti, entre outras.

O profeta José Flávio ressaltou que os últimos meses foram de pouca chuva, mas em fevereiro e março a expectativa é haver uma melhora e o agricultor ter uma colheita boa. "Não podemos desistir dessa coragem que o Nordestino tem de termos um bom inverno", salienta.

Já Manoel Costa atestou que somente a partir do dia 15 de fevereiro haverá um inverno mais regular. Ele alerta para a redução das chuvas principalmente por conta do desmatamento.

O professor do IFCE, Danusio Sousa, fez uma breve apresentação dos índices relacionados às chuvas no ano passado, e as perspectivas para esse ano, conforme a meteorologia. Segundo ele, o fenômeno El Nino pode vir mais forte nos próximos meses provocando a redução das chuvas. "A gente espera que esse ano o agricultor consiga uma produção maior", diz.

O  profeta Cícero Leite, num tom de alerta, ressaltou o risco das chuvas de maior intensidade em cidades da região. A líder indígena Wanda Cariri expôs um pouco dos saberes do Povo Cariri e a importância das populações tradicionais. "A ciência surge com os povos originários e somos uma família que se auto afirma nesse território Cariri, no Poço Dantas", completa. Ela destacou a importância de ter profetas mulheres na análise das previsões e citou como exemplo a experiência de Rosa Cariri. (Texto/Fotos: Elizangela Santos)

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