COMUNICAÇÃO PÚBLICA TERÁ EXPANSÃO HISTÓRICA EM 2026

A Rede Nacional de Comunicação Pública (RNCP) vai passar por um processo de expansão histórico neste ano de 2026. Já para o primeiro semestre, estão previstas mais de 30 novas estações de televisão e rádio em diversas localidades do país. A iniciativa faz parte do programa Brasil Digital, que é coordenado pelo Ministério das Comunicações (MCom) e implementado pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).

De acordo com o presidente da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), Andre Basbaum, a expansão da RNCP é um passo estruturante para garantir o direito à informação em localidades que ainda não são atendidas pela comunicação pública.

“Com esse avanço, vamos permitir que mais brasileiros tenham acesso a conteúdo de qualidade, confiáveis e que fazem a diferença na vida das pessoas. Em um ano em que a informação de qualidade é essencial, os veículos da EBC têm um papel ainda mais importante”, assegura.

O Brasil Digital tem como objetivo ampliar a oferta do serviço de radiodifusão de sons e imagens digital terrestre e ancilares em municípios onde a Empresa Brasil de Comunicação e a Câmara dos Deputados não disponham de estação licenciada para execução desses serviços.

O processo é feito por meio da escolha de instituições parceiras para administrar o local de instalação e a infraestrutura básica necessária. Os investimentos federais, por sua vez, contemplam a aquisição e instalação de equipamentos de transmissão, antenas, sistemas de recepção via satélite, nobreak, racks, sistemas de climatização, soluções de telesupervisão e a prestação de serviços técnicos especializados.

Em 2025, a EBC alcançou a marca de 14 novas estações colocadas em operação ao longo do ano, em parceria com emissoras públicas de diferentes regiões. A expansão possibilitou que a TV Brasil chegue, por meio de sua rede, a 120 milhões de brasileiros (63% da população). Já as emissoras de rádio afiliadas da RNCP e vinculadas à Rádio Nacional ou à Rádio MEC chegaram a 59 milhões de pessoas (30%). A população que recebe tanto a programação da rede de rádio quanto a de TV totaliza hoje 54 milhões (28%).

Confira os municípios que passaram a receber a programação das emissoras da EBC em 2025:

TV Digital-Pref TV em Caruaru – PE

Rede Minas em Divinópolis – MG

TV Brasil em Sapezal – MT

TV Educativa IFPR em Jacarezinho – PR

TV Nova Aldeia em Rio Branco – AC

TVE MS em Nova Andradina – MS

Rádio FM-Rádio Ceará FM, em Fortaleza – CE

Rádio IFPR, em Paranaguá – PR

Rádio Nova FM, em Cuiabá – MT

Rádio UENF, em Campos dos Goytacazes – RJ

Rádio UFES, em Vitória – ES

Rádio UFG, em Goiânia – GO

Rádio UFS FM, em Aracaju – SE

Rádio UniRV, em Rio Verde – GO

Sobre a RNCP-A RNCP é uma rede de emissoras de rádio e televisão parceiras da EBC. Seu principal objetivo é promover a comunicação pública em âmbito nacional, oferecendo conteúdos informativos, educativos, culturais e de entretenimento para a população. A RNCP visa garantir o acesso à informação e à cultura, além de promover a diversidade e a pluralidade de conteúdos regionais, conforme os princípios e objetivos da comunicação pública. A RNCP está prevista na lei de criação da EBC. (Agencia Brasil)

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O CANTO DA NATUREZA E A CIÊNCIA DO SERTÃO: 30 ENCONTRO DOS PROFETAS DA CHUVA UNE TRADIÇÃO E ESPERANÇA EM QUIXADÁ CEARÁ

O Sertão Central cearense se prepara para um dos eventos culturais mais significativos do país: o 30º Encontro dos Profetas da Chuva. Uma realização do Instituto de Pesquisa de Violas e Poesia Cultural Popular do Sertão Central, que já se consolidou como o maior do gênero no Brasil, que este ano celebra três décadas de preservação do conhecimento tradicional e da sabedoria popular que interpreta os sinais da natureza para prever a quadra invernosa.

Marcado para o dia 10 de janeiro no IFCE - Campus Quixadá, o evento é um marco no calendário cultural da região, simbolizando a esperança de um bom inverno e a resistência de um saber ancestral.

A poesia da previsão e a força dos dados-O Encontro dos Profetas da Chuva, realizado anualmente desde 1996, não é apenas uma reunião de fé e tradição; é um palco onde a observação milenar se encontra com a expectativa científica e social. Os profetas participantes, vindos de todo o estado do Ceará, Piauí e Paraíba, utilizam métodos diversificados que misturam a observação do comportamento de aves migratórias, a interpretação de sinais celestiais, a leitura de plantas e até mesmo sonhos e visões, em uma rica tapeçaria de crenças indígenas e práticas religiosas.

Nesta 30ª edição, o evento contará com a participação de 30 profetas que apresentarão suas previsões para a quadra invernosa de 2026. A quadra chuvosa no Ceará, que se concentra historicamente entre fevereiro e maio, é vital para a agricultura e o abastecimento hídrico do semiárido e a precisão das previsões populares, muitas vezes surpreendente, reforça a importância deste conhecimento como um complemento valioso aos dados da meteorologia moderna.

O evento será conduzido por Helder Cortez, um dos idealizadores do encontro, que ao lado de João Soares, empresário de Quixadá, ajudou a transformar a reunião em um patrimônio cultural.

Programação e homenagens: o sertão em festa-As celebrações do 30º Encontro se iniciam na sexta-feira (9), com o Festival Encanta Quixadá, evento que reunirá grandes nomes do repente e da viola do Sertão Central e do Ceará, como Guilherme Calixto, Jorge Macedo, Zé Vicente, Rubens Ferreira, Valdir de Lima, Jefferson Silva, Aldi Bessa e Chagas Bezerra, em uma noite de exaltação à cultura nordestina.

No sábado (10), o Encontro dos Profetas no IFCE (Campus Quixadá) será aberto com um gesto simbólico: o plantio de uma árvore no Jardim dos Profetas em homenagem à Rainha dos Profetas, dona Lourdinha (Maria de Lourdes Leite Lemos). Uma das mais emblemáticas figuras dos "Profetas da Chuva" do Ceará, sendo a primeira mulher a integrar o projeto tradicional.

Em seguida, a Orquestra Sanfônica fará sua apresentação, antecedendo o solene cortejo dos profetas no Auditório, onde o coração do evento se manifesta com a apresentação das previsões para 2026. Durante todo o evento, o hall de entrada abrigará uma feira de artesanato e produtos orgânicos, valorizando o trabalho dos artesãos e agricultores da região.

O 30º Encontro dos Profetas da Chuva é uma realização do Instituto de Pesquisa de Violas e Poesia Cultural Popular do Sertão Central, com o patrocínio da Dakota, Cosampa, Sistema Faec/Senar Ceará e Sindicato Rural. Apoio Cultural da Prefeitura Municipal de Quixadá, IFCE Campus Quixadá, Associação Cego Aderaldo de Arte e Cultura, Cagece, Instituto Dragão do Mar, Secretaria da Cultura do Estado através da Casa de Saberes Cego Aderaldo e Governo do Estado do Ceará.

A celebração dos 30 anos se estenderá até julho de 2026, com a inauguração de um monumento homenagem, uma peça de teatro, um mural comemorativo e a publicação de um livro, perpetuando a memória e a importância do Encontro.

SERVIÇO: 30º Encontro dos Profetas da Chuva de Quixadá

Data: sábado, 10 de janeiro de 2026

Horário: 09h

Local: IFCE Campus Quixadá - Av. José de Freitas Queiroz, 5000 (Estrada do Cedro)


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DIA DE REIS MARCA TRADIÇÃO CENTENÁRIA NA CULTURA BRASILEIRA

O Dia de Reis, celebrado nesta terça-feira (6), marca uma tradição centenária na cultura popular brasileira, que é a passagem das folias pelas ruas, reunindo grupos de cantadores e instrumentistas que entoam versos em homenagem aos três reis magos: Baltazar, Belchior e Gaspar.

Em diversas cidades do país, eles passam de casa em casa vestindo fardas e máscaras e performando danças e cantorias com múltiplos instrumentos de corda, sanfonas e percussão. Alguns grupos contam com personagens – reis, palhaços e bastiões – que chegam a visitar as casas de devotos. 

Belchior, Gaspar e Baltazar, convertidos em santos pela Igreja Católica, teriam saído do Oriente se guiando por uma estrela e levavam três presentes: ouro, incenso e mirra, simbolizando realeza, imortalidade e espiritualidade. Para os devotos, a data da chegada dos reis magos ao destino é quando se encerram os festejos natalinos, que começam quatro domingos antes do 25 de dezembro, dia atribuído ao nascimento de Jesus Cristo.

Desta forma, o dia 6 de janeiro marca o momento em que os três reis magos visitam o recém-nascido Jesus Cristo, em Belém, cidade milenar localizada atualmente na Palestina. Neste dia, também são desarmados os presépios, as árvores e os demais enfeites natalinos.

Período colonial-De origem portuguesa, a Folia de Reis ou Reisado foi trazida para o Brasil durante o período colonial, incluindo manifestações com  títulos diversos: Terno de Reis, Tiração de Reis, Rancho de Reis, Guerreiros e Reisado. Elas consistem na presença de cantadores, tocadores de instrumento, que saem pelas ruas, de casa em casa, cantando louvores a um santo de devoção e recolhendo donativos para ofertar aos mais necessitados ou cumprindo promessas que as pessoas fazem aos seus santos.

Atualmente a tradição continua presente em diversos estados do país, especialmente nas regiões Sudeste, Nordeste e Centro-Oeste, a exemplo do Espírito Santo, de Minas Gerais, São Paulo, do Rio de Janeiro, de Alagoas, da Bahia, do Ceará, Maranhão, da Paraíba, de Pernambuco, do Piauí e de Goiás.

A cidade de Caxias, no Maranhão, a Folia de Reis tem a apresentação de vários folguedos, na Praça da Matriz. Entre eles, o Encanto da Terra, Jacar, Reisado Mirim, Encanto dos Corais, Filomena, os três Reis Magos e Dona Joaninha.

Na capital do Rio Grande do Norte, Natal, a comemoração começou na madrugada no Santuário de Santos Reis, com missa de vigília à meia-noite, missa da alvorada às 06h, dos enfermos às 07h, dos peregrinos às 09h da manhã, com a missa de encerramento às 16 horas, seguida da procissão pelas ruas do bairro natalense de Reis Magos.

No Piauí, a tradição se faz presente no 26º Festival de Reisado da cidade de Boa Hora. Durante a comemoração a arena do festival recebe vários grupos de Reisado, entre eles o Boi Maravilha, o Boi Estrela e o Boi Esperança.

Os integrantes das brincadeiras - entre eles cantadeiras, caretas, dançador, sanfoneiro, mandado e, claro, o boi - se apresentam para uma comissão julgadora, concorrendo a prêmios em dinheiro. Na sequência, ocorre o tradicional ritual da morte dos bois, realizado nas casas dos pagadores de promessas.

Em Pernambuco, a Folia de Reis acontece tanto no interior quanto na capital. Em Recife, a tradicional Queima da Lapinha acontece nesta terça-feira. A Queima da Palhinha ou do próprio presépio marca o encerramento dos festejos natalinos e a abertura do Carnaval, simbolizando renovação e esperança. A concentração será a partir das 16 horas, na Rua Nova, em frente à Igreja de Nossa Senhora da Conceição dos Militares.

Em Minas Gerais, onde a tradição é bastante presente, o Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico (Iepha) já cadastrou mais 1,6 mil grupos em cerca de 400 municípios de todas as regiões, consideradas, desde 2017, patrimônio cultural de natureza imaterial. Além dos Reis Magos, são cultuados o Divino Espírito Santo, São Sebastião, São Benedito e Nossa Senhora da Conceição, em períodos que não são necessariamente o de Natal.

Segundo o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), existem três pedidos de reconhecimento abertos no Departamento de Patrimônio Imaterial (DPI): Reisados de Pernambuco; Folias de Reis Fluminenses; e Folias de Reis do Estado de São Paulo.

Em Pernambuco, o Reisado recebeu, em 2022, o título de Reisado de Patrimônio Cultural Imaterial do Estado. O mapeamento realizado pela Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe) abrangeu os municípios do Recife, de Garanhuns, povoado de Maniçoba (Capoeiras), Paranatama, Águas Belas, Arcoverde, Sertânia, Pedra, Petrolina, Santa Maria da Boa Vista, Lagoa Grande e Tacaratu, contemplando o agreste pernambucano e a região metropolitana do Recife.

No Rio de Janeiro, Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), em parceria com a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), identificou Folias de Reis nos municípios de Angra dos Reis, Cabo Frio, Cassimiro de Abreu, Duas Barras, Itaboraí, Mangaratiba, Paraty, Petrópolis, Quatis, Quissamã, Rio Claro, Rio de Janeiro, Santa Maria Madalena e São Pedro da Aldeia.

Em São Paulo, as Folias de Reis estão presentes no interior do estado, mais precisamente, na microrregião de Ourinhos e de Assis, reunindo elementos usados pelos integrantes na construção de suas identidades e memória, a exemplo dos grupos: Bandeiras de Santos Reis de Ribeirão Grande; Companhia de Reis Água das Anhumas; Companhia de Reis Família Faceiros e Faceiros Jr.; e Companhia de Reis Três Ilhas.

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AGRONEGÓCIO É NEGACIONISTA DA MUDANÇA CLIMÁTICA E ESSE RISCO AMEAÇA OS BIOMAS BRASILEIROS, ALERTA CIENTISTA

“O agronegócio é negacionista da mudança climática”, afirma Carlos Nobre. Em entrevista exclusiva à Repórter Brasil, o cientista descreve um país que se aproxima rapidamente dos chamados “pontos de não retorno”, limites a partir dos quais ecossistemas podem perder a capacidade de se recuperar, mesmo que a destruição seja interrompida. Segundo ele, esse risco já ameaça os principais biomas brasileiros: Amazônia, Cerrado, Pantanal e Caatinga.

Ao mesmo tempo, afirma Nobre, grupos econômicos com forte influência política seguem apostando na ampliação do desmatamento, na abertura de novas frentes de exploração de petróleo, e na ideia de que a crise climática pode ser contida sem mudanças profundas no modelo de desenvolvimento do país.

Aos 74 anos, Carlos Nobre tem longa trajetória na ciência. É formado em engenharia eletrônica pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) e doutor em meteorologia pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT). Coordenou o Experimento de Grande Escala da Biosfera-Atmosfera na Amazônia (LBA), o maior projeto científico já realizado em uma floresta tropical, e integrou o primeiro relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), publicado em 1990.


Na entrevista, Nobre relaciona o aumento dos riscos ambientais à resistência de setores, como o agronegócio, em admitir evidências científicas sobre a gravidade da crise. Para ele, limitar as políticas públicas ao combate do desmatamento ilegal, manter permissões para desmatamento legal em larga escala e autorizar novas explorações de combustíveis fósseis são decisões incompatíveis com a estabilidade dos biomas e com a capacidade do país de enfrentar a crise climática.

Nobre foi um dos primeiros cientistas a alertar que a Amazônia poderia ultrapassar um ponto de não retorno, entrando em um processo irreversível de degradação. Segundo ele, esses alertas tiveram um custo político. 

 última vez que foi convidado pela CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil) para falar ao setor foi há mais de 20 anos, em palestra justamente sobre os impactos das mudanças climáticas. Desde então, ele relata que cientistas da área climática deixaram de ser chamados, enquanto vozes negacionistas passaram a ocupar espaço em eventos do agronegócio.

Nobre também avalia os resultados da COP30, realizada em Belém, da qual participou diretamente. Ele critica a ausência de compromissos claros para o fim do uso de combustíveis fósseis, questiona a exploração de petróleo na Foz do Amazonas, e defende o desmatamento zero como condição para evitar o colapso ambiental no Brasil. 


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EM CARTA CNBB EXPRESSA APOIO A IGREJA NA VENEZUELA

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) enviou carta à presidência da Conferência Episcopal Venezuelana manifestando solidariedade diante do atual contexto vivido no país, após ataque conduzido pelo governo norte-americano. 

No documento, divulgado nas redes sociais, a CNBB avalia o cenário no país vizinho como um momento marcado por tensões, sofrimentos e incertezas que atingem o povo venezuelano. 

“Unimo-nos espiritualmente às vossas orações e iniciativas pastorais, expressando nossa solidariedade às vítimas da violência, aos feridos e às famílias enlutadas.”

“Como pastores da Igreja na América Latina, partilhamos a dor do povo que sofre e renovamos nossa esperança na força do Evangelho da paz desarmada e desarmante”, completou o comunicado.

Na carta, a CNBB cita o diálogo sincero, a justiça e o respeito à dignidade da pessoa humana e à soberania das nações como único caminho capaz de promover o bem comum, além de “fortalecer a democracia e “construir uma convivência social marcada pela reconciliação e pela paz duradoura”. 

“Que o Espírito Santo continue a sustentar a missão profética da Igreja na Venezuela, concedendo serenidade, sabedoria e fortaleza a todos e conduzindo o povo venezuelano pelos caminhos da unidade e da esperança.”

Entenda 
No último sábado (3), diversas explosões foram registradas em bairros da capital venezuelana Caracas. Em meio ao ataque militar, orquestrado pelos Estados Unidos, o presidente da Venezuela, Nicolas Maduro, e sua esposa Cilia Flores foram capturados por forças de elite norte-americanas e levados para Nova York. 

O ataque marca novo episódio de intervenções diretas norte-americanas na América Latina. A última vez que os Estados Unidos invadiram um país latino-americano foi em 1989, no Panamá, quando militares sequestraram o então presidente Manuel Noriega, acusando-o de narcotráfico.

Assim como fizeram com Noriega, os Estados Unidos acusam Maduro de liderar um suposto cartel venezuelano chamado De Los Soles, sem apresentar provas. Especialistas em tráfico internacional de drogas questionam a existência do cartel.

O governo de Donald Trump oferecia recompensa de US$ 50 milhões por informações que levassem a prisão de Maduro.

Para críticos, a ação é uma medida geopolítica para afastar a Venezuela de adversários globais dos Estados Unidos, como China e Rússia, além de exercer maior controle sobre o petróleo do país, que é dono das maiores reservas de óleo comprovadas do planeta.
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HUMBERTO TEIXEIRA. VIVA O DOUTOR DO BAIÃO

O filho de João Euclides Teixeira e Lucíola Cavalcante Teixeira nasceu na cidade do Iguatu, Ceará, e, logo com 6 anos de idade já demonstrava suas aptidões artísticas, pois aprendeu a tocar "musette", uma versão da gaita de foles, como também aprendeu a tocar flauta e bandolim, isto através da orientação e ensinamentos do seu tio Lafaiete Teixeira que era maestro. 

Já com 13 anos, o poeta de Iguatu orgulhava seus pais ao editar uma composição intitulada "Miss Hermengarda", ocasião em que participava da orquestra que musicava os filmes mudos exibidos pelo Cine Majestic, na capital da Luz – Fortaleza. Aos 15 anos foi para o Rio de Janeiro, onde radicou-se e surpreendentemente aos 18 anos com a música "Meu Pecadinho" fora premiado pela Revista O Malho ao participar de um concurso de músicas carnavalescas. 

 Humberto no ano de 1943 formou-se em Ciências Jurídicas e Sociais pela Faculdade de Direito da UFRG, ocasião em que já era um compositor requisitado, já tendo escrito sambas, marchas, xotes e sambas-canções e toadas. Mas foi ao encontrar Luiz Gonzaga em 1945 que emergiu uma das maiores parcerias do Brasil. Eles criaram o Baião, além de canções como Asa Branca, Assum Preto, Légua Tirana, Juazeiro, dentre tantas outras. Humberto também fez algumas músicas que foram sucesso nacional na voz de outros grandes nomes da música brasileira, como a canção Kalu, consagrada na voz de Dalva de Oliveira. 

Já com a parceria com Sivuca temos a música "Adeus Maria Fulô" que foi sucesso na voz da Rainha do Baião, Carmélia Alves.

 Em 1954, tornou-se Deputado Federal eleito pelo Estado do Ceará. O grande advogado, tribunal por excelência, letrista, agora também se tornava político e na Câmara dos Deputados destacou-se como autor do projeto que fora transformada na Lei que regulamenta os direitos autorais no país, por isso, a mesma é conhecida como a Lei Humberto Teixeira.

   Eleito por três vezes o melhor compositor do Brasil, o poeta do Iguatu resistiu muito ao casamento, já que levava uma vida de boemia, curtindo a noite do Rio de Janeiro, até que encontrou uma moça que balançou seu coração, Margarida Pólis, natural de Bauru-SP, uma grande pianista, com quem se casou e viveu maritalmente por 6 (seis) anos e com quem teve uma filha a atriz Denise Dumont.

 Após o fim do casamento, Humberto passou a viver novamente, como dizia: sua liberdade, a boemia e nunca mais a soltaria. 

 Consagrado como o maior parceiro do Rei do Baião, nos deixou aos 63 anos de idade, no dia 03/10/1979, após um enfarte. O Doutor do Baião, nome dado por Gonzaga ao poeta do Iguatu, depois de sua morte virou canção na parceria com João Silva, com a seguinte letra:

Onde tá meu grande irmão
Onde é que tá
Quanto tempo, que saudade
Que você me dá
Quanta falta tá fazendo, irmão
Ao nosso baião

Tudo que você criou
Que você deixou
Inda pedem pra eu cantar
Pros cantou que eu vou
Asa branca, Assum Preto, irmão
Doutor do Baião

Vivo curtindo o acre do jiló
Tão doce prá nós dois
E amargo pra mim só
Ai que saudade 
Poeta do Iguatu 
Ó quanta tristeza 
Fazer baião sem tu

Em 2008 o cineasta Lírio Ferreira dirige o documentário intitulado "O homem que engarrafava nuvens", produzido por sua filha Denise Dumont, tendo estreado naquele ano no Festival Internacional de Cinema do Rio de Janeiro. 
Humberto é o próprio Baião, foi quem direcionou a carreira de Gonzaga para o mundo regional, para os ritmos nordestinos, abriu as portas da Guanabara e do Brasil para a passagem do Baião, do Xote, Xaxado, do Forró e todo o mundo gonzagueano. É certo que Gonzaga teve outros parceiros, posteriormente, que lhe permitiram a continuidade de sua Saga, mas, é preciso dizer que foi ele, Humberto Teixeira, o precursor de toda essa trajetória. 

Merece ser melhor conhecido pela nação brasileira. É um trabalho árduo, mas não podemos nos silenciar, devemos sim gritar ao mundo sobre a importância do poeta do Iguatu para a história da música brasileira. 

Viva o Doutor do Baião!!!! 

texto: Onaldo Rocha de Queiroga 
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MORRE AOS 102 ANOS, ATRIZ DO FILME VIDAS SECAS

Morreu aos 102 anos a atriz Maria Ribeiro, nome artístico de Maria Ramos da Silva, consagrada por interpretar Sinhá Vitória no filme Vidas Secas (1963), dirigido por Nelson Pereira dos Santos. Ela faleceu no dia 29 de dezembro, em Genebra, na Suíça. A informação foi divulgada por sua filha, Wilma Lindomar da Silva, nas redes sociais.   


Nascida em 25 de março de 1923, no povoado de Boqueirão, então pertencente ao município de Sento Sé, no interior da Bahia, Maria Ribeiro teve a infância marcada pela vida no sertão e às margens do rio São Francisco. O local onde nasceu foi submerso nos anos 1970 com a construção da barragem de Sobradinho. Caçula de sete irmãos, viveu ainda em Juazeiro (BA) e Pirapora (MG) antes de se mudar, aos 15 anos, para o Rio de Janeiro.    

Na capital fluminense, trabalhou em fábricas e tipografias até se empregar na Líder Cine Laboratórios, onde chegou a chefe do departamento de expedição. Foi nesse ambiente, frequentado por jovens cineastas do Cinema Novo, que recebeu, já próxima dos 40 anos e sem formação artística, o convite de Nelson Pereira dos Santos para protagonizar Vidas Secas, adaptação do romance de Graciliano Ramos. Inicialmente resistente, acabou aceitando o papel que marcaria definitivamente sua trajetória.    

Filmado em Palmeira dos Índios, no agreste alagoano, cidade onde Graciliano Ramos foi prefeito, Vidas Secas foi exibido no Festival de Cannes em 1964, onde recebeu o prêmio da Organização Católica Internacional do Cinema (Ocic). O filme projetou Maria Ribeiro internacionalmente e consolidou seu nome no cenário cinematográfico.    

Após o sucesso, atuou em A Hora e a Vez de Augusto Matraga (1965), de Roberto Santos; Os Herdeiros (1970), de Cacá Diegues; O Amuleto de Ogum (1974) e A Terceira Margem do Rio (1994), novamente sob direção de Nelson Pereira dos Santos; além de Perdida (1974), Soledade - A Bagaceira (1976) e As Tranças de Maria (2003), seu último trabalho no cinema.    

Além da filha Wilma, Maria Ribeiro deixa uma neta, Karenine, e oito bisnetos: Morgane, Marvin, Megane, Milan, Madigan, Marlon, Hokaan e Sara. Teve também um neto, Krishna, que morreu em abril de 2025, aos 53 anos.     

O sepultamento está previsto para ocorrer nesta semana, no Cemitério Municipal Sur - Carabanchel, em Madri, na Espanha. A morte da atriz representa uma perda significativa para a memória do cinema brasileiro.  

Por Luis Osete
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