SEJA FELIZ NO SEU ANO NOVO 2026. ARTIGO DE FREI BETTO

"Feliz 2026 ao Brasil que circunscreve a geografia do paraíso terrestre, sem terremotos, tufões, furacões, maremotos, desertos, vulcões, geleiras, neves e montanhas inabitáveis. Conceda-nos Deus a bênção de tantos dons, livres de políticos que insistem em construir para si o céu na Terra com a matéria-prima do inferno coletivo", escreve Frei Betto.

Frei Betto é escritor, autor Felicidade foi-se embora? – com Leonardo Boff e Mário Sérgio Cortella (Vozes), entre outros livros.

Confira o artigo.

Feliz Ano-Novo aos que acordam em 2026 sem a ressaca da culpa, plenos de vida na qual a paixão sobrepuja a omissão e o encanto tece luzes onde a amargura costuma bordar teias de aranha.

Feliz ano a quem não sonega afetos, arranca de si fontes onde borbulham transparências e não mira os que lhe são próximos como estranhos passageiros de uma viagem sem pouso, praias ou horizontes.

Felizes os que abandonam no passado seus excessos de bagagem e, corações imponderáveis, recolhem à terra a pipa do orgulho e do tédio; generosos, abraçam a humildade.

Ano novo a todos que despertam ao som de preces e agradecem o tido e não havido, maravilhados pelo dom da vida, malgrado tantas rachaduras nas paredes.

Bom ano a quem se alimenta prazerosamente de feijão e se compraz na partilha do pão; a vida é dádiva, contração do útero, espírito glutão insaciado de Deus.

Novo seja o ano àqueles que nunca maldizem e dominam a própria língua, poupam palavras ácidas e semeiam fragrâncias nas veredas dos sentimentos.

Seja também feliz o ano de quem se guarda no olhar e, se tropeça, não cai no abismo da inveja nem se perde em escuridões onde o pavor é apenas o eco de seus próprios temores.

Novo ano a quem se recusa a ser velho, que ambiciona tudo novo: corpo, carro e amor. Viver é graça a quem acaricia suas rugas e trata seus limites como cerca florida de choupana montanhesa.

Tenham um feliz ano todos que sabem ser gordos e felizes, endividados e alegres, carentes de afago, mas repletos de vindouras fortunas em seus anseios.

Feliz Ano-Novo aos órfãos de Deus e de esperanças, e aos mendigos com vergonha de pedir; aos cavalheiros da noite e às damas que jamais fizeram do espelho seu termômetro de autoestima.

Felizes sejam também no novo ano os homens ridiculamente adornados, supostos campeões de vantagens; aqueles que nada temem, exceto o olhar súplice do filho e o sorriso irônico das mulheres que não lhes querem.

Felizes sejam as mulheres plenas de amor, e também de dor por quem não merece, e que, no espelho, se descobrem tão belas por fora quanto o sabem por dentro.

Seja novo o ano para os bêbados que jamais tropeçam em impertinências e para quem não conspira contra a vida alheia.

Feliz Ano-Novo para quem coleciona utopias, faz de suas mãos arado e com o seu esperançar rega as sementes que cultiva.

Sejam muito felizes os velhos que não se disfarçam de jovens e os jovens que superam a velhice precoce; seus corações tragam a idade alvíssara de emoções férteis.

Muita felicidade aos que trazem em si a casa do silêncio e, à tarde, oferecem em suas varandas chocolate quente adocicado com sorrisos de sabedoria.

Um ano feliz aos que não se ostentam na vaidade, tratam a morte sem estranheza e brincam com a criança que os habita.

Feliz Ano-Novo aos sonâmbulos que se equilibram em fios que unem postes e aos que garimpam luzes nas esquinas da noite.

Um Ano-Novo muito feliz a todos nós que juramos sequestrar os vícios que carregamos e não pagar o resgate da dependência; o futuro nos fará magros por comer menos; saudáveis por fumar oxigênio; solidários por partilhar dons e bens.

Feliz 2026 ao Brasil que circunscreve a geografia do paraíso terrestre, sem terremotos, tufões, furacões, maremotos, desertos, vulcões, geleiras, neves e montanhas inabitáveis. Conceda-nos Deus a bênção de tantos dons, livres de políticos que insistem em construir para si o céu na Terra com a matéria-prima do inferno coletivo.

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SOCORRO AMBIENTAL DEVE SER PRIORIDADE EM 2026

Era novembro de 2023, quando o Brasil recebeu a conclusão de uma pesquisa que, em condições ideais de temperatura e pressão, deveria motivar um profundo debate público. Pesquisadores do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) identificaram, pela primeira vez na história do país, uma região árida, no bioma nordestino da Caatinga.

Até então, o Brasil só tinha conhecimento de regiões semiáridas. A mudança de classificação significa que, na prática, aquele território tem uma demanda atmosférica superior à chuva que recebe. Isso representa períodos de seca muito mais agressivos para a população local — como mostra reportagem publicada no último domingo (28) no jornal britânico The Guardian.

A publicação visitou a cidade de Macururé, de aproximadamente 10 mil habitantes, no estado da Bahia. Lá, pessoas ouvidas pela reportagem contam como suas realidades mudaram profundamente nas últimas décadas. Sem água para agricultura de subsistência, a população é obrigada a gastar mais dinheiro para conseguir alimentos para si e para a criação de caprinos, principal modo de ganhar a vida em Macururé. Um decréscimo econômico que causa fome e mata sonhos.

Realidade parecida foi amplamente dissecada pelo Estado de Minas na série de reportagens Veredas Mortas, publicada em julho de 2024. A reportagem percorreu cenários da célebre obra de Guimarães Rosa para mostrar que onde o autor descrevia "a mais bela" cabeceira de água não sobra uma gota sequer para matar a sede durante os períodos de estiagem.

Diante disso, o combate às mudanças climáticas precisa ser tema prioritário nas eleições do próximo ano. É dever dos candidatos à Presidência da República, aos estados e ao Poder Legislativo apresentar um plano de governo detalhado, com medidas concretas no combate ao aquecimento do planeta.

Ainda que o Brasil tenha uma das matrizes energéticas mais renováveis do planeta, baseada em usinas hidrelétricas, solares e eólicas, urge ressaltar que um país continental como o nosso encara diferentes realidades. A abundância encontrada nas cidades economicamente desenvolvidas não faz parte da rotina dos sertões espalhados a partir do norte de Minas até a Região Nordeste, passando também pelo bioma do Cerrado, amplamente arrasado pelo desmatamento nos anos recentes.

Se a COP30 terminou sem um caminho definido para os combustíveis fósseis — diante dos desafios de tecnologia, investimento e de vontade política que se impõem —, a população brasileira precisa cobrar de quem se coloca nas urnas alguma resposta prática para o problema. Ao menos, um caminho a ser seguido, com metas claras e gatilhos punitivos para o não cumprimento delas.

É evidente que tal solução passa por um compromisso global de combate ao aquecimento do planeta, mas isso não exclui a necessidade de discutirmos mais seriamente um meio ambiente mais sustentável internamente.

Sim, o Brasil precisa de apoio de nações mais ricas para continuar nadando contra a corrente, defronte as feridas abertas pelo colonialismo, mas quando medidas ambientais foram discutidas seriamente em debates políticos em nosso país?

É preciso entender que falar de saúde, mobilidade e habitação se torna impossível sem debater sobre a emissão de gases do efeito estufa no cenário atual — apenas para citar três áreas extensivamente disputadas por candidatos e diretamente atingidas pelo problema. Já passou da hora de repensarmos o funcionamento da nossa sociedade em prol de algum futuro — de preferência mais justo, transparente e com oportunidades iguais para todos. (Fonte: Correio Brazilliense)


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ENCONTRO DOS PROFETAS DA CHUVA ACONTECE NO DIA 10 DE JANEIRO 2026

 O "30º Encontro dos Profetas da Chuva" em Quixadá, no Ceará acontece no sábado, 10 de janeiro 2026. Desde 1996, o Encontro dos Profetas da Chuva de Quixadá é um marco importante para a cultura popular. O evento reúne pequenos agricultores com vasta experiência em previsões climáticas, feitas a partir da observação da natureza.

Considerado o maior evento do gênero no Brasil, o Encontro destaca-se como um dos mais importantes meios de preservação do conhecimento tradicional transmitido, de geração em geração, pelos profetas da chuva. Eles utilizam métodos diversificados, muitas vezes baseados em conhecimentos tradicionais e rituais locais. Alguns profetas observam o comportamento de aves migratórias, enquanto outros interpretam sinais celestiais. Há também quem confie em sonhos e visões, misturando crenças indígenas e práticas religiosas.

O Encontro inspirou, ainda, a criação de novos eventos em outras cidades do Ceará, como Tejuçuoca, Orós, Tauá, Maranguape, Aracoiaba e Crato. O evento também gerou a produção de duas peças teatrais, seis livros sobre o tema, várias teses acadêmicas – incluindo duas de doutorado nas universidades do Arizona e Columbia (EUA) –, e quatro filmes documentários. O apoio contínuo do IFCE tem sido fundamental para a realização do evento, bem como para a criação do jardim dedicado à memória dos profetas no campus da instituição.


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EM MENSAGEM DE ANO NOVO, CNBB PEDE ESPERANÇA ATIVA

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) publicou a tradicional mensagem de Ano Novo, na qual reafirma a esperança cristã como força transformadora, ao mesmo tempo em que faz um duro alerta sobre retrocessos éticos, sociais e democráticos no país. Os bispos se dirigem ao povo brasileiro com palavras de encorajamento, mas também de “grave preocupação” diante de situações que ferem a dignidade humana.

Segundo a CNBB, a mensagem nasce do espírito do Natal e do encerramento do Ano Jubilar nas dioceses, tempo marcado pela alegria da encarnação de Jesus Cristo, mas também pela responsabilidade diante da realidade nacional. “Como pastores, exultamos com as vitórias e conquistas e nos inquietamos – e até nos indignamos – com alguns retrocessos no campo da ética e do cuidado com os pobres”, afirmam.

Entre os pontos positivos de 2025, os bispos destacam avanços na área da saúde, como o aumento do número de médicos por habitante e o fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS). No campo econômico, citam a queda do desemprego, a estabilidade da inflação, o crescimento do PIB, a expansão do cooperativismo e a abertura de novos mercados internacionais. Na mensagem, a CNBB também celebra a realização da COP-30, em Belém, e o protagonismo do Brasil na área de energias renováveis, além do aumento dos investimentos em sustentabilidade e práticas de governança ambiental e social.

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MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE PREVÊ INICIATIVAS PARA COMBATER A DESERTIFICAÇÃO

Importante sumidouro de gás carbônico e com enorme capacidade de infiltrar água no solo e garantir a recarga de aquíferos no semiárido brasileiro, a Caatinga é o bioma mais ameaçado pela desertificação. A recuperação de 10 milhões de hectares de terras degradadas do bioma é uma das principais metas Plano de Ação Brasileiro de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca (PAB-Brasil).

Apresentado pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), o plano prevê 175 iniciativas focadas em combater à desertificação e recuperar terras degradadas em todos os biomas até 2045.

“Com isso, queremos alavancar todo o processo de restauração socioprodutiva, assegurando a recuperação do solo degradado, da recomposição vegetal, da disponibilidade de água, da produção de alimentos saudáveis, da geração de trabalho e emprego e de outros serviços ecossistêmicos”, afirmou o diretor do Departamento de Combate à Desertificação do MMA, Alexandre Pires.

De acordo com as Nações Unidas, a degradação ambiental causada pelo mal uso do solo e a seca intensificada pelas mudanças climáticas são as principais causas da desertificação, que é a perda da capacidade produtiva da terra. As regiões áridas, semiáridas e subúmidas secas são as mais ameaçadas, mas em todo o mundo 75% da população pode ser atingida nas próximas décadas.

No Brasil, segundo estudo divulgado em junho pela Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), a desertificação ameaça a capacidade produtiva do solo de 18% do território nacional. Na área, concentrada principalmente na Região Nordeste, vivem 39 milhões de pessoas.

Biomas-Além da Caatinga, o Cerrado e a Mata Atlântica já vivem sob ameaça e, de acordo com relatório apresentado no lançamento do PAB-Brasil, pela primeira vez foram identificadas áreas suscetíveis à desertificação no Pantanal.

Diante disso, todos os povos indígenas, comunidades tradicionais e agricultores familiares (PIPCTAFs) foram incluídos no cadastro de pagamento por serviços ambientais (PSA), uma política pública de promoção do desenvolvimento sustentável, que remunera quem promove a conservação e a melhoria ambiental.

“Somente juntos vamos avançar no combate à desertificação e mitigação dos efeitos da seca”, destacou a secretária nacional de Povos e Comunidades Tradicionais e Desenvolvimento Rural Sustentável (SNPCT) do MMA, Edel Moraes.

Entre as iniciativas previstas no PAB-Brasil, estão a construção do Sistema de Alerta Precoce de desertificação e Seca (SAP); o apoio financeiro para elaboração dos Planos Estaduais de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca, a criação de unidades de conservação e a conectividade da paisagem por meio de recuperação da vegetação nativa.







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MAIS DE 16 MILHÕES DE MULHERES FORAM ATENDIDAS PELO LIGUE 180 EM 20 ANOS

Em 20 anos de existência, o Ligue 180 atendeu 16 milhões de mulheres. Por dia, o número de atendimentos chega a 900 mil em todos os estados brasileiros. "E eu quero dizer que não é só uma central de atendimento e de denúncia, como às vezes as pessoas pensam, na verdade é um serviço público essencial", destacou a ministra das Mulheres, Márcia Lopes, em entrevista à Voz do Brasil na última sexta-feira (26/12).

Em 2025, a prioridade foi avançar na integração e gestão do atendimento do Ligue 180, ampliando a articulação com os estados e as oficinas de capacitação e qualificação das atendentes da Central, fortalecendo o acolhimento e a escuta das mulheres.

Nós estamos aprimorando cada vez mais o Ligue 180 e fazendo uma campanha para que todos os municípios do Brasil, para que a mídia assuma, para que as empresas assumam o 180 como um serviço público de absoluta relevância", afirmou a ministra.

Em agosto, foi lançado o Painel de Dados do Ligue 180, plataforma interativa que reúne e organiza informações sobre os atendimentos, reforçando a transparência e subsidiando políticas públicas baseadas em evidências. Em dezembro, o Ministério realizou encontro nacional reunindo pontos focais do Ligue 180 de 15 estados para alinhar fluxos de encaminhamento das denúncias registradas pela Central e fortalecer a atuação em rede.

A celebração dos 20 anos do Ligue 180 integrou a mobilização nacional dos 21 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres e do Racismo e contou com projeções em Brasília (DF), no prédio do Congresso Nacional; em São Paulo (SP), no edifício da Fiesp; no Rio de Janeiro (RJ), no Cristo Redentor; e em Salvador (BA), no Farol da Barra, entre outras ações como o lançamento do “Guia Prático – Ligue 180”.

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TARGINO GONDIM GRAVA AUDIOVISUAL COM FLÁVIO JOSÉ E SANTANA O CANTADOR

Targino Gondim reuniu Flávio José e Santanna O Cantador na gravação do audiovisual "TRÊS NORDESTINOS Um por Todos e Todos por Um!" na Ilha do Rodeadouro, às margens do Rio São Francisco, entre Juazeiro e Petrolina.

O encontro aconteceu em formato intimista e apostou em um repertório conhecido do público, com canções como "Petrolina, Juazeiro", "Eu Só Quero Um Xodó" e "Só Xote". A escolha do local reforçou a proposta do projeto, que uniu música e paisagem natural em um registro ao ar livre, acompanhado por convidados e equipe técnica.

Durante uma pausa da gravação, Santanna recitou versos que provocaram reação imediata do público presente. A cena se integrou ao clima do encontro, marcado por conversas, música e troca entre os artistas.

A gravação começou no fim da tarde e seguiu até a noite. Mesmo após o encerramento oficial, os músicos permaneceram no local, mantendo o repertório em clima informal. Registros do momento circularam nas redes sociais ao longo da noite.

Em publicação nas redes, Targino Gondim celebrou a parceria e indicou que o material integra um projeto previsto para 2026, reunindo os três artistas em torno de um trabalho conjunto.Targino Gondim grava audiovisual com Flávio José e Santanna no Vale do São Francisco

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