MARISTELA CRISPIM: PRINCIPAL DESAFIO NO BRASIL É RECONSTRUIR A POLÍTICA SOCIOAMBIENTAL

Os retrocessos socioambientais sofridos pelo Brasil nos últimos quatros anos mostram que levará tempo para que o país consiga se reestruturar e avançar novamente na pauta, destacou a Maristela Crispim. A idealizadora da agência de conteúdo Eco Nordeste realizou a conferência de encerramento do V Encontro Nacional de Pesquisadores em Jornalismo Ambiental (ENPJA).

Durante a conferência, a jornalista salientou que será preciso pressão social e principalmente uma imprensa atenta, que acompanhe de perto, as medidas ambientais tomadas nacionalmente. Segundo Maristela, as mudanças mais graves ocorreram na atual gestão governamental: “É inegável que o nosso país está abandonado em relação a fiscalização ambiental, os fundos ambientais também paralisaram e a participação popular nos conselhos foi cortada”. 

Para evidenciar tamanha precarização das políticas ambientais, a palestrante apresentou um documento da Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional (FASE) que lista diversos desmontes e ataques aos direitos socioambientais no Brasil. Entre os citados estão o desmatamento e as queimadas de áreas protegidas, o pouco avanço nas metas para combater as mudanças climáticas firmadas internacionalmente e o esvaziamento do Ministério do Meio Ambiente e demais órgãos de fiscalização e controle.

Outra pesquisa citada, do Instituto de Estudos Socioeconômicos (INESC), mostrou que o orçamento federal para a proteção do meio ambiente em 2021 foi o menor dos últimos três anos. O valor do ano passado foi de R$ 2,49 bilhões, contra R$ 3 bilhões em 2020 e R$ 3,08 bilhões em 2019. Para a jornalista, isso significa zero investimento na área e serve para desmontar ainda mais as políticas públicas.

Crispim também abordou na conferência a gravidade do projeto de lei 191/2020 do Executivo, que tramita no Congresso (situação aqui) e visa permitir a mineração nos territórios indígenas (TI’s), e da votação da tese do marco temporal pelos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Se essa tese for aprovada, somente os povos originários que estavam nas terras em 5 de outubro de 1988, data da promulgação da Constituição, teriam direito à demarcação, comprometendo deste modo o que já foi conquistado e inviabilizando futuras demarcações. E por que os habitantes nativos não estavam nos territórios? Devido a expulsão provocada pelo agro-hidro-minero-negócio, como os movimentos socioambientais denominam hoje esse poder político-econômico que rege os projetos de desenvolvimento.

Para a mestre em Desenvolvimento e Meio Ambiente, este cenário favorece o crime organizado nas áreas remotas do país. Maristela Crispim citou como exemplo o assassinato do indigenista Bruno Araújo Pereira e do jornalista inglês Dom Phillips, no Vale do Javari, região infestada de garimpo ilegal, município de Atalaia do Norte, Amazonas.

DESAFIOS: Na esfera jornalística, Maristela Crispim relembrou o compromisso do jornalismo ambiental em denunciar as desigualdades. A palestrante comentou que pessoas marginalizadas são as que mais sofrem com os efeitos das mudanças climáticas. De acordo com a jornalista, a falta de políticas públicas para garantir educação ambiental e moradias seguras é uma questão estrutural e socioambiental.  

No mesmo viés, ela comentou que “estamos muito distantes de conseguir as coisas mais básicas, como combater a fome e acessar a educação. Contudo, isso não deve ser preterido a proteger a nossa biodiversidade, porque está tudo interligado”. Para Crispim, o desafio da crise climática não é simples, mas pode ser enfrentado quando a população eleger políticos que priorizem a pauta ambiental.

Outro ponto abordado na conferência foi o papel do jornalismo ambiental diante do negacionismo. A palestrante enfatizou que os jornalistas têm a responsabilidade de facilitar a compreensão dos resultados das pesquisas científicas para que os públicos compreendam os impactos no dia a dia.  Crispim acredita que existe negacionismo climático porque há dificuldade de comunicação entre as todas as partes.

Recentemente a jornalista esteve no projeto Caravana Nordeste Potência que, durante os meses de agosto e setembro, percorreu 2.830 quilômetros do Baixo e Submédio Rio São Francisco a fim de mostrar como a região pode se desenvolver de forma menos impactante para sua biodiversidade. Crispim produziu uma série de reportagens positivas sobre a viagem e evidencia que o jornalismo ambiental deve ir além da editoria e mostrar também soluções. 

O V ENPJA, realizado pelo Grupo de Pesquisa em Jornalismo Ambiental (UFRGS/CNPq) e pelo Núcleo de Ecojornalistas do Rio Grande do Sul (NEJ-RS), teve o apoio do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFRGS, do Curso de Jornalismo da UFSM/FW e do Curso de Jornalismo da UniRitter.

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PROCESSO DE DESERTIFICAÇÃO AVANÇA NO BIOMA CAATINGA


A escassez de água, processo de desertificação, já ocorre em mais de 160 mil hectares de superfície no bioma da Caatinga, que compreende os estados do Nordeste, do Piauí até a Bahia, e a faixa norte de Minas Gerais. Isso representa 16,75% do bioma. As informações são do monitoramento do MapBiomas, divulgado nesta quinta-feira (6/10). A única região em que não houve redução foi Sergipe.

“A rápida transformação da Caatinga está provocando a transformação do bioma em algumas regiões. Mapeamos a região de Irauçuba, no Ceará, e detectamos a expansão de um núcleo de desertificação. Padrão semelhante foi observado em outros núcleos de desertificação, é possível monitorar com os dados do Mapbiomas as ASDs (áreas suscetíveis à desertificação), como Jeremoabo, na Bahia”, explicou Washington Rocha, coordenador da Equipe Caatinga do MapBiomas.

Além desses, foi identificado o mesmo fenômeno no Ceará, em Pernambuco, no município de Cabrobó (PE), expandindo para o leste, no sentido de Alagoas, para Seridó, no Rio Grande do Norte, indo para a Paraíba.

Caatinga é um bioma totalmente brasileiro. Mais de um quarto do bioma, 25,59%, ou seis milhões de hectares, já foram modificados pelos humanos nos últimos 37 anos. Pouco mais de 15% foram alterados por queimadas — o equivalente a 13.770 hectares. 

Os maiores estragos são causados pela agropecuária, que atualmente ocupa 5,7 milhões de hectares do bioma. No período de quase quatro décadas, a atividade cresceu em um quarto, sendo o Ceará o principal estado atingido. Foram 320% a mais de natureza modificada para abrir espaço às pastagens, em Minas Gerais foram 131%. Em seguida, estão Paraíba e Rio Grande do Norte, com o dobro de crescimento de territórios ocupados para esse fim.

Até as áreas protegidas do bioma, que compreendem 30%, tiveram perdas para a agricultura e pastagens. Nas reservas, a vegetação natural foi diminuída em 7,6%. Já nas Unidades de Conservação (UC), que representam 9% do bioma, houve perda de 3,3% de área para as atividades comerciais. A reportagem é de Tainá Andrade-Correio Braziliense.

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QUARTO FESTIVAL DE FORRÓ DA CHAPADA ACONTECE DE 12 A 15 DE OUTUBRO EM MUCUGÊ, BAHIA

Dia 7 de outubro Targino Gondim comemora seu aniversário, mas a festa será pública na Chapada Diamantina. De 12 a 15 de outubro o sanfoneiro apresenta em Mucugê o IV Festival de Forró da Chapada. Este é um ano especial, já que pela segunda vez o artista concorre na categoria Melhor Álbum de Música de Raízes uma Língua Portuguesa com o Belo Chico. 

O Festival de Forró da Chapada promove o forró, o baião, o xaxado, o xote, possibilitando a revelação de novos valores e talentos musicais do forró autêntico, segmento da música popular nordestina. 

Em 2022 na programação nomes como Elba Ramalho, Mestrinho, Nádia Maia, Flor Serena e Quinteto Sanfônico do Brasil. Além da programação oficial, o Festival dá oportunidade a novos talentos de se apresentarem, divulgando seus trabalhos para um público mais específico e seleto, provenientes de diferentes localidades do Brasil. 

A grade ainda conta diariamente com o desfile da Rural Elétrica e de aulas de forró do Cabrueira Brasil e na sexta, dia 14, e no sábado, dia 15, aula de forró com Marquinhos Café. O evento também conta com oficinas gratuitas de zabumba e triângulo.

O evento estimula a produção, criação, inovação e renovação musical dentro do forró. A ideia é ampliar a divulgação dos artistas e promover o intercâmbio musical entre diferentes gerações de diversos estados brasileiros entre músicos já consagrados, cantores, compositores, produtores, empresários, técnicos, estudiosos, comunicadores e amantes do forró.


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QUINTAL BEER PROMOVE NA SEXTA SHOW DE MÚSICA, ALEGRIA E SOLIDARIEDADE

O Quintal Beer, mais novo espaço cultural de Petrolina, vai reunir na noite da próxima sexta-feira (7), alguns nomes representativos da cena artística do Vale do São Francisco para o show 'Música, Alegria e Solidariedade'.

O evento, que tem como propósito a arrecadação de brinquedos que vão ser distribuídos para as crianças carentes da zona rural de Petrolina, começa às 19h, com apresentações de Elisson Castro, Nilton Freitas, Mariano Carvalho, Tico Seixas, João Emídio, Paulo Ferreira, Camila Granja, Maguila, Claudinho Góis, Joana Souza e Gustavo do Acordeon.

De acordo com Mariano Carvalho, um dos organizadores do grande encontro musical, o ingresso será um brinquedo novo de qualquer valor. "Iremos distribuir todos os brinquedos arrecadados no Dia das Crianças (12 de Outubro)", frisou. O Quintal Beer fica na Rua Atlanta número 20, Loteamento Nova Iorque, entre a entrada principal do 72º Batalhão de Infantaria Motorizado e a Oficina do Artesão Mestre Quincas.

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CURAÇÀ: MÚSICA USADA COMO FERRAMENTA DE INCLUSÃO SOCIAL É TEMA DE RODA DE CONVERSA NESTE SÁBADO

O Distrito de Barro Vermelho, em Curaçá, vai ser palco para um movimento de promoção da cultura, neste sábado, 08 de outubro, oportunidade em que artistas, músicos, poetas, representações da comunidade e outros interessados, participam do 1ª Bate Papo Musical sobre a importância da Música como ferramenta de inclusão social, no município e especialmente na comunidade de Barro Vermelho.

Dois convidados especiais participam da rodada de conversa: Maviael Melo e Maurício Dias.

A abertura do evento contará com a apresentação da Filarmônica 15 de Março, apresentações culturais dos alunos da Escola Municipal Filadélfia Ribeiro e de recital poético com Ticiano e Ágata Felix, dentre outros.

O Bate Papo Musical acontece na Escola Filadélfia Ribeiro, com horário previsto para o início da tarde.

Após as apresentações poéticas e culturais haverá uma roda de conversa sobre música e execução de algumas canções.

Evento: Bate Papo Musical

Tema: A importância da Música como ferramenta de inclusão social.

Local: Escola Municipal Filadélfia Ribeiro 

Dia: 08 de outubro

Horário: às 14h10.

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DANIEL GONZAGA DIZ QUE HERDOU POESIA DO PAI E MÚSICA DO AVÔ

O cantor e compositor Daniel Gonzaga lembra momentos vividos com o pai e o avô e conta a influência deles na sua obra, em entrevista ao podcast Vira e Mexe. “Eu gosto de pensar que eu herdei um pouco de poesia do meu pai e um pouco de música do meu avô”, diz ele na entrevista

Ouça programa Vire e Mexe aqui Link. No podcast Daniel Gonzaga canta Xote Relativo, Redoma, Nascimento, Riacho do Navio, Vida de Viajante e Pense Neu entre outras.

Esta edição do podcast Vira e Mexe reproduz o programa Vira e Mexe, da Rádio USP (93,7 MHz), transmitido nos dias 24 e 26 de setembro de 2022. Dedicado à divulgação do forró e ritmos afins – como baião, xote, xaxado e arrasta-pé –, Vira e Mexe vai ao ar pela Rádio USP (93,7 MHz) sempre aos sábados, às 11 horas, com reapresentação à 0 hora de segunda-feira, inclusive via internet, através do site da emissora. Às segundas-feiras ele é publicado em formato de podcast no site do Jornal da USP. O programa é produzido por Paulinho Rosa (edição) e Dagoberto Alves (sonoplastia). A apresentação é de Paulinho Rosa.

Daniel Gonzaga, possui personalidade própria. É um músico maduro que traça seu próprio caminho. Na vida musical de Daniel Gonzaga a poesia é também destaque. Por vezes, sua voz e seu baião ecoam palavras com a velocidade de um rap e, em outras, a reflexão sobre a sociedade em que vivemos é embalada por um xote cheio de swing. Novidades que devem ser ouvidas. 

Universal a voz de Daniel é aboio. É a visão da luz numa noite de lua cheia. Daniel é a chuva que provoca o "Espelho das Águas do Itamaragi", é o assovio do Cantarino, é nascente do Rio Brígida.

A história conta que Daniel Gonzaga teve em Gonzaguinha um "companheiro de televisão. Amigo de longa distância. Poeta que o poeta. "Sou fã do discurso dele. Que fala da liberdade. Que fala do dia a dia. Que fala do povo. Que fala da vida. Que fala dos Gonzaga. Que fala da minha vida futura. Sou fa do Gonzaga que fala amor, que fala rosa, que fala da gravidez… que fala da sua mudança.

Um desejo de mudança. Musico atento, desbravador, autêntico. Violonista “chato”. Dono do ovation da capa rosa. O dono da verdade, o líder do jogo... O que incentiva à luta Nossa luta".

Já com relação ao avô Luiz Gonzaga, o músico revela: "olhava do chão a grandeza do homem no palco enorme".

Ainda Daniel Gonzaga: "Eu, pequeno como era, sabia que atrás daquele negocio engraçado, que chamavam de sanfona, tinha um avô que era meu. Já tinha ido vê-lo algumas vezes, com meu pai, na Ilha do Governador. E ele me olhava de lado. Curioso com o neto e com o pai, com quem se dava assim-assim. Perguntava se ia tocar quando crescesse e me incentivava a pegar na sanfona...Quando conheci Exu e andei a cavalo ele sorriu. Saiu correndo pra dentro de casa, procurando o chapéu até achar e botou na minha cabeça, triunfante: Meu neto é um boiadeiro!!! – e sorria alto, contente.

"Acho que desde esse dia eu sou um boiadeiro. Contente por seguir no rumo desejado. Feliz com a sanfona de Luiz", finaliza Daniel Duarte.


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ESPECIALISTAS ALERTAM PARA REDUÇÃO DO VOLUME DE ÁGUA DO RIO SÃO FRANCISCO

O Rio São Francisco, terceira maior bacia hidrográfica do Brasil, completa 521 anos de descobrimento nesta terça-feira (4), e os especialistas do MapBiomas alertam que, nas últimas três décadas, 50% do seu volume de água foi perdido.

O Velho Chico, como é popularmente conhecido, passa por seis estados brasileiros: Bahia, Minas Gerais, Goiás, Pernambuco, Alagoas e Sergipe, além do Distrito Federal.

De acordo com o Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco (CBHSF), os principais riscos à bacia são: desmatamento; poluição urbana, industrial, mineral e agrícola; e alto consumo de água para irrigação. O comitê destaca a importância de preservar a bacia, que abrange 8% do território nacional.

Estudos feitos pelo comitê apontam dois problemas que refletem na saúde do rio: a perda de água potável e a falta de saneamento básico. De acordo com pesquisadores, ao distribuir água para consumo humano, há uma perda de 40% de água potável, o que corresponde a 7,5 mil piscinas olímpicas de água potável perdidas todos dias, quantidade suficiente para abastecer 63 milhões de brasileiros em um ano.

A bacia hidrográfica do Rio São Francisco tem uma extensão 2.863 km e uma área de drenagem de mais de 639.219 km².

Na Bahia, o rio passa por diversas cidades, como Juazeiro, no norte, onde faz divisa com o estado de Pernambuco. Em Bom Jesus da Lapa, no oeste, existe a forte presença de ribeirinhos, enquanto em Paulo Afonso, também no norte, o Velho Chico abastece um dos maiores complexos hidrelétricos do Brasil, composto por um conjunto de usinas que produzem 4.279,6 megawatts de energia, gerada a partir da força das águas da Cachoeira de Paulo Afonso, um desnível natural de 80 metros do rio.

Além disso, o São Francisco também abrange o reservatório de Sobradinho, posicionado a 748 km de sua foz. Além da geração de energia elétrica para o Nordeste, esta é a principal fonte de regularização dos recursos hídricos da região, conforme a Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf).

O reservatório de Sobradinho tem cerca de 320 km de extensão, com uma superfície de espelho d'água de 4.214 km2 e uma capacidade de armazenamento de 34,1 bilhões de metros cúbicos. Esses números o tornam o maior lago artificial do mundo.

Além disso, o rio São Francisco tem grande importância na agricultura do Vale do São Francisco, um dos maiores celeiros da fruticultura brasileira. Os pomares empregam 250 mil trabalhadores e produzem quase 1,5 milhão de toneladas de frutas por ano. Este é o maior polo nacional de produção de manga, com colheita média de mais de 750 mil toneladas da fruta a cada safra.

Texto é do jornalista Kris de Lima/TV São Francisco. Foto Ascom PMJ

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