FUTEBOL: AFOGADOS DA INGAZEIRA, A BOLA E A POESIA

Eu sabia que o Sertão do Pajeú e Afogados da Ingazeira são incubadoras de poetas. Lá, até as pedras rimam. Lá, o artesanato das palavras compõe o que há de mais belo e espontâneo dos nossos repentistas.

Viver é sinônimo de poetar e poetar é olhar a vida da forma como definia o grande Manoel de Barros: "O poeta transvê".

Dei de cara, por ocasião das andanças políticas, com o encontro de uma lua cheia de graça e a cantoria que abrandava o calor deixado no dia que se escondia com o cair da noite. O que eu não sabia que se aplicava ao time de Afogados da Ingazeira, A CORUJA, o que certa vez Pasolini disse do futebol brasileiro: "No Brasil o futebol é poesia, na Europa é prosa".

Não sei se hoje ele repetiria a máxima. Não importa. "No futebol, – Nelson Rodrigues sentenciou, do alto de sua genialidade – o pior cego é o que só enxerga a bola. Por trás da mais sórdida pelada, existe um drama Shakespeariano".

De fato, o futebol é o maior espetáculo da Terra. E a explicação é simples: somente o futebol permite emoções improváveis com o pobre vencer o rico, o mais fraco surrar o mais forte, o baixinho pintar e bordar diante do galalau.

Tudo isto aconteceu na inesquecível noite de uma quarta-feira de cinzas (26/02/20) quando o Brasil profundo, sertão brabo, onde se espera sempre que o mandacaru florido anuncie a chuva, o famoso Galo das Alterosas, o Atlético Mineiro, foi vencido pela força de que falava Euclides da Cunha e pelo talento de um negrinho com nome nobre e pés de anjo, Phillip, e mais uma dúzia de grandes guerreiros.

Sei que o futebol é um esporte em que as vitórias são coletivas, mas o que faz a diferença é o inesperado, o improviso, o drible, a ginga, enfim o toque refinado do Craque.

Todos venceram. Pernambuco venceu.

E por que destaquei Phillip? Porque nasceu nas equipes de base do Náutico. Eu vi. Sempre foi diferente. Abusado. Joga pra cima do adversário. Pedro Manta sabe disso. E aproveitou bem as potencialidades do "boleiro".

Muita alegria. Com um homem a menos. Porém, com milhares de corações submetidos a um eletrocardiograma coletivo, o gol decisivo mostrou duas coisas: saúde coronariana em ordem e que o grito de gol é a síntese de uma felicidade que somente a poesia do futebol é capaz de escrever.

Viva a Coruja e viva Afogados da Ingazeira.

*Fonte: Por Gustavo Krause* Ex-ministro e ex-governador
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MEIO AMBIENTE: AS ARARINHAS AZUIS ESTÃO DE VOLTA À CAATINGA

O retorno das Ararinhas Azuis para à caatinga é um dos assuntos mais importantes nos últimos anos no Brasil e exterior. Rara, a espécie vivia originalmente numa pequena região do interior de Juazeiro e Curaçá, no norte da Bahia. 

Com exclusividade a redação do BLOG NEY VITAL, mostra ao leitor fotos do Refúgio de Vida Silvestres da Ararinha Azul e a Área de Proteção Ambiental. Estes são os locais destinados à reintrodução Ambiental e conservação do bioma da caatinga, localizado na Fazenda Caraíbas. 

O início da jornada que trará as ararinhas-azuis de volta ao coração da Caatinga vai acontecer na terça-feira, 03 de março. A previsão é que cinquenta aves vindas da Alemanha seguirão para a cidade de Curaçá, norte da Bahia, onde um centro de reprodução foi construído para que as aves sejam soltas na natureza. 

A data, 3 de março, foi escolhida por ser o Dia Internacional da Vida Selvagem, cujo objetivo é celebrar a fauna e a flora do planeta, assim como alertar para os perigos do tráfico de espécies animais selvagens no mundo. As ararinhas-azuis são consideradas extintas na natureza desde o ano 2000, devido às ações de caçadores e traficantes de animais.

Descoberta no início do século 19 pelo naturalista alemão Johann Baptist von Spix, a ararinha-azul (Cyanopsitta spixii), espécie exclusiva da Caatinga brasileira, teve sua população dizimada pela ação do homem. O último exemplar conhecido na natureza desapareceu em outubro de 2000.

Desde então, os poucos exemplares que restaram em coleções particulares vêm sendo usados para reproduzir a espécie em cativeiro, quase todos no exterior. A ararinha é considerada uma das espécies de aves mais ameaçadas do mundo. Em 2000, foi classificada como Criticamente em Perigo (CR) possivelmente Extinta na Natureza (EW), restando apenas indivíduos em cativeiro.

A construção do Centro e o projeto de reintrodução são custeados pela ONG ACTP. A primeira soltura está prevista para 2021. Ao longo deste período os animais passarão por processo de adaptação e treinamento para viverem em vida livre. Além disto, serão realizados testes de soltura com um papagaio conhecido como Maracanã.

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PROFESSORA VAI COMANDAR O INSTITUTO NACIONAL DO SEMIÁRIDO A PARTIR DE MARÇO

A professora da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), Campus Pombal, Mônica Tejo Cavalcanti é a nova diretora do Instituto Nacional do Semiárido (Insa), do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações. A portaria, assinada pelo ministro Marcos Pontes, foi publicada no Diário Oficial da União.

Mônica Tejo Cavalcanti é graduada em Farmácia pela Universidade Federal da Paraíba; Mestre em Ciência e Tecnologia de Alimento pela Universidade Federal da Paraíba; Doutora em Engenharia de Processos na área de Alimentos pela Universidade Federal de Campina Grande.

Pelo trabalho desenvolvido na Paraíba, a professora chegou a receber, em 2017, o Prêmio Celso Furtado de Desenvolvimento Regional na categoria inovação e sustentabilidade. Além disso, trabalha em parceria com diversas instituições nacionais e internacionais, coordenando projetos de fomento na área de sustentabilidade e segurança energética, alimentar e hídrica.

Mônica deverá tomar posse no cargo durante solenidade agendada para o dia 11 de março, às 16h, no auditório do Insa.
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PROFESSORES E AS NOVAS TECNOLOGIAS

Foi-se o tempo do professor sabe tudo. Mas será que alguém, mesmo professor, e bom professor, pode saber tudo? Penso que ninguém sabe tudo! Nem mesmo o especialista mais especializado possui o domínio completo e absoluto acerca dos conteúdos de sua própria área de especialização. Isto porque, como nos ensina Karl Popper, o conhecimento objetivo e impessoal é infinitamente maior do que o conhecimento pessoal e subjetivo. Clarice Lispector, em outro contexto, nos diz que toda sabedoria é limitada: infinita mesma é a ignorância.

Mas houve uma época típica para um típico professor. Aquele que pousava de sabe tudo, de detentor único e exclusivo do saber, de última palavra nos assuntos concernentes à matéria lecionada. Sua ética, fundada no argumento de autoridade, não admitia o erro nem o equívoco, embora, não raro, estivesse inseguro em face do tema ou das questões estudadas. Quantos desses eu não tive, quer no ginásio, quer no Clássico, quer nos cursos de Direito e Letras.

Ora, quero crer que as novas tecnologias da informação definitivamente aposentaram esta espécie de professor. Mas, observemos bem: aposentaram esta espécie. Não vêm, contudo, extinguir necessariamente a figura do professor, como alguns incautos tendem a pensar. Do professor em sala de aula, no confronto direto, vívido e indispensável com os alunos, entregue aos desafios surpreendentes da dialética relação ensino-aprendizagem.

Ciente de que as novas tecnologias da informação, sobretudo a Internet, com seus inumeráveis sites, blogs, twitter, facebooks e outras redes sociais, põe os dados e as informações à disposição, se não de todos, de um contingente cada vez maior, o professor não pode mais se considerar uma autoridade.

Mais que transmitir informação, através de exposições monológicas à moda antiga, deve ser capaz de dialogar com os alunos, aproveitando seus respectivos repertórios e suas experiências de leitura e de vida. Cabe-lhe, sobretudo, dentro de uma nova perspectiva pedagógica, dar o salto qualitativo, orientando mais do que ensinando, e, ao mesmo tempo, sabendo transformar essas informações em conhecimento. Isto é, em conhecimento crítico. É isto o que importa. Somente assim sua atividade terá sentido. (Fonte: professor Hildeberto Barbosa)
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CORONAVÍRUS: JUAZEIRENSES E PETROLINENSES PREOCUPADOS BUSCAM MEIOS DE PRECAVER A DOENÇA EM ALTA NO MUNDO E AGORA NO BRASIL

A Covid-19, doença causada pelo novo Coronavírus, pode apresentar problemas nas vias respiratórias e intestinais. No sistema respiratório os sintomas podem agir de forma leve, moderada ou grave, sendo eles: febre, tosse e dificuldade para respirar. Para evitar o contágio pelo vírus, os cuidados se assemelham aos de outras gripes comuns. 

Por se propagar através de gotículas de saliva, espirro, tosse e catarro, que podem ser passados em um aperto de mão ou contato de superfícies contaminadas com a mucosa do ser saudável, lavar as mãos com frequência e evitar contato com as mucosas é essencial.

Com a confirmação do primeiro caso de coronavírus no país, a preocupação com a doença vinda da Ásia aumenta. No Brasil e países da América Latina reforçam medidas de controle e alertam populações.

Para se proteger, muitos juazeirense e petrolinenses têm recorrido ao uso do álcool gel e em casos de proteção mais extremos usar máscaras. Outros agora admitem que lavas as mãos com mais frequência com álcool gel.

Em todo o Brasil o preço desses equipamentos de proteção se multiplicou. O valor médio da máscara em Juazeiro e Petrolina custa cinquenta centavos. No sudeste e sul o custo das máscaras passou de uma média de R$ 2 para R$ 20 nos primeiros dias do mês. 

O empresário e dono de farmácia, Diego Andrade diz que depois que uma contraprova realizada pelo governo brasileiro confirmou o primeiro caso do novo coronavírus no Brasil e na América Latina, a reação pela procura, principalmente de álcool gel foi imediata.

O balanço provisório da epidemia do novo coronavírus é de pelo menos 2.763 mortos e cerca de 81 mil infectados, de acordo com dados divulgados por mais de 40 países e territórios.

As máscaras faciais podem não ser a melhor maneira de se proteger da transmissão da doença. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), pessoas sem sintomas respiratórios, como tosse, não precisam usar máscara médica.

As maneiras mais eficazes de proteger a si e aos outros contra o novo coronavírus são limpar frequentemente as mãos, cobrir a tosse com a curva do cotovelo ou tecido e manter uma distância de pelo menos um metro de pessoas tossindo ou espirrando, diz a OMS. 

Para a infectologista e virologista da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), Nancy Bellei, a máscara cirúrgica não tem 100% de eficácia e seu uso não é recomendado no trabalho nem em ambiente externo.
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CAMPANHA DA FRATERNIDADE DE 2020 É INSPIRADA NA SANTA DULCE

"Fraternidade e vida: Dom e Compromisso”. Inspirada em Santa Dulce dos Pobres, a Campanha da Fraternidade de 2020 traz a proposta de cuidado com a vida por meio da prática da caridade. O lançamento ocorreu na manhã desta quarta-feira (26/2), na sede da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

Durante a explicação da escolha ao tema, o secretário-geral da CNBB, Dom Joel Portella, citou situações contemporâneas que põem em risco o valor da vida. “As mortes nas ruas, nas macas de hospitais, por balas perdidas, fome, desemprego, ausência de moradia, inexistência de educação para todos, devastação dos campos e reservas indígenas, índices crescentes de suicídio”. Para ele, é necessário refletir se os casos não estariam sendo tratados com tamanha indiferença ao ponto que “estamos passando a acreditar que a morte seja a solução para muitos problemas”, questionou. 

A Campanha da Fraternidade está na 56ª edição e tem como objetivo propor a evangelização em consonância com a realidade contemporânea, resgatando necessidades vigentes de solução. Durante o ano, a igreja fomenta a participação dos fiéis e da comunidade em geral, discute o tema e propõe soluções centradas ao tema. 

As arrecadações com oferta direcionadas à campanha são enviadas ao Fundo Nacional de Solidariedade (FNS), que distribui a verba entre projetos que fortaleçam as missões anuais. É o que explica o coordenador executivo de campanhas, padre Patriky Samuel Batista. "A campanha do ano passado direcionou R$ 3 milhões a 238 projetos selecionados. Com o auxílio, a ideia é que essas ações se desenvolvam e possam gerar uma nova rede de ajuda", disse. 

As ações deste ano estão centradas no compromisso de servir e ajudar aos mais necessitados com atitudes concretas, servindo-se do exemplo de vida de Santa Dulce, primeira brasileira a ser canonizada pela igreja Católica. "O importante é fazer a caridade. Sigam o testemunho de Santa Dulce e colaborem para transformar a vida de tanta gente que precisa do cuidado, carinho e amor", pediu Maria Rita Pontes, sobrinha da santa e superintendente das obras sociais fundadas pela tia, na Bahia. 

Irmã Dulce era uma freira baiana conhecida por muitos como "anjo bom da Bahia". Ainda jovem, ingressou na vida religiosa e começou a exercer um chamado de caridade, servindo a pobres e doentes. A persistência e delicadeza foram qualidades essenciais para a criação de um dos maiores e mais respeitados trabalhos filantrópicos do país: as Obras Sociais da Irmã Dulce (Osid). 

As raízes da entidade datam de 1949, quando sem ter para onde ir com 70 doentes, a religiosa pediu autorização a sua superiora para abrigar os enfermos em um galinheiro situado ao lado do Convento Santo Antônio. O episódio fez surgir a tradição de que o maior hospital da Bahia nasceu a partir de um simples galinheiro.

Santa Dulce foi canonizada em 13 de outubro de 2019 em cerimônia presidida pelo Papa Francisco, se tornando a primeira santa brasileira.  
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RETORNO DA ARARINHA AZUL AO SERTÃO DE CURAÇÁ TERÁ A PRESENÇA DO CANTOR FLÁVIO LEANDRO

O meu desejo é te ver voando/O meu desejo é te ver voltar/Minha esperança é te ver voando/Da Serra da Borracha até a Serra do Juá... O semiárido está por ti em festa/O xique-xique sorri pro mandacaru/A sua volta é cada vez mais perto/seja bem-vinda ararinha-azul”.

Os versos da canção Esperança Azul, dos cantores e compositores Fernandindo, Demis Santana e Januário Ferreira, que embalam há anos o sonho dos moradores de Curaçá, no sertão da Bahia, de ver de volta a ararinha-azul, ave exclusiva da região e extinta na natureza, ecoaram mais uma vez em meio à Caatinga.

No próximo dia 03 de março, 50 ararinhas azuis, vindos da Alemanha, desembarcarão no aeroporto de Petrolina, município pernambucano vizinho a Juazeiro, de onde seguirão para o Centro de Reprodução e Reintrodução que foi construído em Curaçá. Lá, as aves serão preparadas para a soltura no ambiente natural.

O projeto, que une esforços dos governos federal e estadual, organizações não-governamentais (ONGs) e empresas privadas e tem apoio de centros de pesquisa e criatórios no Catar, Alemanha e Bélgica, busca reintroduzir nos próximos anos a ave no seu habitat histórico, a região do Raso da Catarina, no nordeste baiano. Atualmente, existem em torno de 150 exemplares da espécie em cativeiros no Brasil e exterior. 

O cantor Flávio Leandro fará um show, às 21 horas, durante a programação festiva em homenagens as ararinhas azuis. O evento acontece no Teatro Raul Coelho.

“Não vejo a hora disso acontecer”, diz, com sotaque carregado, o vaqueiro Adonário Martins Leite, 71 anos. Adonário é um dos moradores da região que conviveram com a ararinha-azul voando livre nos céus e entre as matas secas da Caatinga. 

“Elas voavam em bando. Eram uma beleza só. Naquela época, não sabíamos o valor que elas tinham. Aos poucos, foram sumindo, por causa dos caçadores, até desaparecerem de vez. Ainda hoje guardo o seu canto na memória”, relembra o vaqueiro, pai de 13 filhos e apaixonado pela Caatinga.

Descoberta no início do século 19 pelo naturalista alemão Johann Baptist von Spix, e exclusiva da Caatinga brasileira, a ararinha-azul (Cyanopsitta spixii) teve sua população dizimada pela captura e tráfico de animais silvestres. O último exemplar conhecido na natureza desapareceu em outubro de 2000, e até hoje não se sabe se morreu ou foi capturado por alguém. Desde então, os poucos exemplares que restaram em coleções particulares vêm sendo usados para reproduzir a espécie em cativeiro. Quase todos no exterior. A ararinha é endêmica da Caatinga e considerada uma das espécies de aves mais ameaçadas do mundo. Em 2000, a espécie é classificada como Criticamente em Perigo (CR) possivelmente Extinta na Natureza (EW), restando apenas indivíduos em cativeiro.
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