GOVERNO BOLSONARO ESTUDA CONSTRUÇÃO DE SEIS USINAS NUCLEARES

O Gverno federal informou esta semana que estuda construir seis usinas nucleares até 2050. A informação foi dada pelo secretário de Planejamento e Desenvolvimento Energético do Ministério de Minas e Energia, Reive Barros.

A construção das usinas deve ser incluída no Plano Nacional de Energia (PNE).

Em nota, o ministério destaca que o PNE está em fase final de elaboração e informa que o governo estima investir US$ 30 bilhões na construção das seis usinas.

Os novos reatores deverão produzir 6 gigawatts (GW) de energia — 1 GW em cada. Somados com a produção das usinas de Andrade 1 e 2 e também de Angra 3, prevista para ser concluída em 2026, a potência instalada na matriz nuclear poderá chegar a 9,3 GW.

“O PNE subsidia o governo federal na formulação de sua estratégia para expansão da oferta de energia no longo prazo. Já o Plano Decenal de Energia, que tem horizonte de 10 anos, é um instrumento de planejamento de curto prazo e está sendo produzido para cobrir o período 2019-2029. Neste último, vislumbra-se apenas a entrada em operação de Angra 3“, acrescenta o Ministério de Minas e Energia.

Fonte: Agencia Brasil
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É NOITE DE SÃO JOÃO E AS MENINAS DO GROTÃO, COMPOSIÇÕES DE ONILDO ALMEIDA COMPLETAM 50 ANOS ESTE ANO E FORAM INTERPRETADAS POR LUIZ GONZAGA

A gravação da música Asa Branca, o hino não oficial do Nordeste, e um dos maiores clássicos de todos os tempos, completou 72 anos. gravação, em 3 de março de 1947. A toada, que tem versões em dezenas de idiomas, inclusive em japonês e coreano, e é familiar a brasileiros de qualquer região, naquele tempo soava tão estranha que foi motivo de gozação em cima de Humberto Teixeira e Luiz Gonzaga, pelos músicos do Regional de Canhoto, que participaram da gravação.

Para eles, Asa Branca era a mesma coisa que cantiga de cegos nordestinos, pedindo esmola na rua. Fizeram uma fila, um deles com uma vela acesa, cantando a música. O episódio foi contado por Humberto Teixeira numa célebre entrevista ao pesquisador cearense Miguel Ângelo de Azevedo, conhecido como Nirez. Assim como Juazeiro ou No Meu Pé de Serra, e várias das parcerias iniciais de Humberto Teixeira e Luiz Gonzaga.

Detalhe: a música Asa Branca foi gravada em 78 rotações original na faixa B. A marcha junina Vou pra Roça (Luiz Gonzaga/Zé Ferreira), na face principal do disco da época.

Este ano 2019, consultei a maior autoridade brasileira em discografia de Luiz Gonzaga, o pesquisador, José Batista Alves, que mora em Recife. José Batista confirma: em 2019 duas interpretações de Luiz Gonzaga completam 50 anos, meio século de existência. São elas, "As Meninas do Grotão" e "É noite de São João", ambas compostas por Onildo Almeida que aos 91 anos vive em Caruaru, Pernambuco e teve 21 músicas gravadas na voz de Luiz Gonzaga. 

O baião As Meninas do Grotão, de 1969, consta no LP (disco) Caminho da Roça, da RCA. Na animada letra existe referências ao sanfoneiro Zé Tatu, "veio macho numa puxada de fole".

A letra de "É Noite de São João", considerada um das mais belas interpretações do cancioneiro gonzagueano é a outra composição também de Onildo Almeida que este ano completa 50 anos. Trata-se de uma marchinha. É uma das músicas mais raras. Poucos colecionadores possuem o selo, pois não existe registro da música nas discografias consultadas.

"A noite está tão bonita o céu todo iluminado, folgueiras no chão queimando tudo tão enfeitado. É noite de São João...
Quanta alegria na alma do povo, tudo é sorriso, tudo é brincadeira, cantigas de roda, pamonha, canjica, milho verde, costumes que a gente não perde, brincar em redor da fogueira.
São João se festeja na roça, na rua, na cidade, mas o São João animado de verdade é no brejo, no mato e na ribeira. É noite de São João... 

A gravação da música Asa Branca, o hino não oficial do Nordeste, e um dos maiores clássicos de todos os tempos, completou 72 anos. gravação, em 3 de março de 1947. A toada, que tem versões em dezenas de idiomas, inclusive em japonês e coreano, e é familiar a brasileiros de qualquer região, naquele tempo soava tão estranha que foi motivo de gozação em cima de Humberto Teixeira e Luiz Gonzaga, pelos músicos do Regional de Canhoto, que participaram da gravação.

Para eles, Asa Branca era a mesma coisa que cantiga de cegos nordestinos, pedindo esmola na rua. Fizeram uma fila, um deles com uma vela acesa, cantando a música. O episódio foi contado por Humberto Teixeira numa célebre entrevista ao pesquisador cearense Miguel Ângelo de Azevedo, conhecido como Nirez. Assim como Juazeiro ou No Meu Pé de Serra, e várias das parcerias iniciais de Humberto Teixeira e Luiz Gonzaga.

Detalhe: a música Asa Branca foi gravada em 78 rotações original na faixa B. A marcha junina Vou pra Roça (Luiz Gonzaga/Zé Ferreira), na face principal do disco da época.

Este ano 2019, consultei a maior autoridade brasileira em discografia de Luiz Gonzaga, o pesquisador, José Batista Alves, que mora em Recife. José Batista confirma: em 2019 duas interpretações de Luiz Gonzaga completam 50 anos, meio século de existência. São elas, "As Meninas do Grotão" e "É noite de São João", ambas compostas por Onildo Almeida que aos 91 anos vive em Caruaru, Pernambuco e teve 21 músicas gravadas na voz de Luiz Gonzaga. 

O baião As Meninas do Grotão, de 1969, consta no LP (disco) Caminho da Roça, da RCA. Na animada letra existe referências ao sanfoneiro Zé Tatu, "veio macho numa puxada de fole".

A letra de "É Noite de São João", considerada um das mais belas interpretações do cancioneiro gonzagueano é a outra composição também de Onildo Almeida que este ano completa 50 anos. Trata-se de uma marchinha. É uma das músicas mais raras. Poucos colecionadores possuem o selo, pois não existe registro da música nas discografias consultadas.

"A noite está tão bonita o céu todo iluminado, folgueiras no chão queimando tudo tão enfeitado. É noite de São João...
Quanta alegria na alma do povo, tudo é sorriso, tudo é brincadeira, cantigas de roda, pamonha, canjica, milho verde, costumes que a gente não perde, brincar em redor da fogueira.
São João se festeja na roça, na rua, na cidade, mas o São João animado de verdade é no brejo, no mato e na ribeira. É noite de São João... 

A música "Arrasta pé na Ingazeira", autoria de Severino Januário, é outra que este ano completa 50 anos da primeira gravação.

Arte: Álvaro Portugal
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ESPM REALIZA EM SÃO PAULO O 3º SEMINÁRIO INTERNACIONAL DE JORNALISMO

Em parceria com a Columbia Journalism School, a ESPM realiza em São Paulo, no dia 1º de outubro, o 3º Seminário Internacional de Jornalismo. O evento é gratuito e as inscrições podem ser feitas no site da ESPM.

A palestra de abertura será feita por Ernest R. Sotomayor, diretor das iniciativas latino-americanas da Columbia Journalism School. Em seguida, Claudia Bredarioli – jornalista com vinte anos de experiência em comunicação corporativa institucional – fala sobre gestão de crises em empresas de comunicação.

Além das palestras, serão realizadas três mesas. Na primeira, ainda no período da manhã, o tema de debate são os desafios do jornalismo enquanto conteúdo e modelo de negócio. No período da tarde serão realizados dois painéis. No primeiro, o tema é “Jornalismo de Dados – o que há por trás das grandes reportagens”. O segundo é “Repensando a interatividade com o público.” Os interessados também podem fazer inscrições específicas para os painéis. Veja a programação completa:

1º/10 – 8h30 às 17h
ESPM – Rua Dr. Álvaro Alvim, 123, Vila Mariana/SP

MANHÃ
Ernest R. Sotomayor – Professor e Diretor das Iniciativas Latino-Americanas da Columbia Journalism School
João Carlos Saad – Presidente do Grupo Bandeirantes de Comunicação
Francisco Mesquita Neto – Diretor-presidente do Grupo Estado
Felipe Recondo – Sócio-fundador do JOTA
Claudia Bredarioli – Professora de Jornalismo da ESPM
Leão Serva (mediação) – Professor da ESPM e Diretor de Jornalismo da TV Cultura

PAINEL 1
Alana Rizzo – Consultora na Albright Stonebridge Group e colaboradora da The Economist Intelligence Unit no Brasil
Daniel Bramatti – Editor do Estadão Dados e do Estadão Verifica do Jornal O Estado de S.Paulo e Presidente da Abraji
Fabio Takahashi – Editor do DeltaFolha – Núcleo de Jornalismo de Dados da Folha de S.Paulo e vice-presidente da Jeduca
Antonio Rocha Filho (mediação) – Professor de Jornalismo da ESPM

PAINEL 2
Fabiola Cidral – Apresentadora da rádio CBN
Murilo Garavello – Diretor de Conteúdo do UOL
Renato Franzini – Editor-chefe do G1
Ricardo Fotios (mediação) – Professor de Jornalismo da ESPM

Fonte: Observatório da Imprensa
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AMEAÇAS E ASSASSINATOS DE JORNALISTAS, RADIALISTAS E BLOGUEIROS AUMENTAM 30% NO BRASIL, DIZ ESTUDO

Graves violações contra comunicadores, como jornalistas, radialistas e blogueiros, aumentaram cerca de 30% em 2018 se comparado com o ano anterior no Brasil, de acordo com relatório divulgado pela organização internacional Artigo 19.

Segundo o estudo “Violações à liberdade de expressão”, foram registrados 35 graves violações, sendo 26 ameaças de morte, quatro homicídios, quatro tentativas de homicídio e um sequestro no ano passado. Em 2017, a Artigo 19 registrou 27 casos.

O ano de 2018 repetiu o número registrado em 2012 e 2015, anos com a maior quantidade de casos. É a sétima vez que a organização publica esse relatório. A Artigo 19 é uma organização internacional de direitos humanos que atua na defesa e promoção da liberdade de expressão e do acesso à informação pública.

As informações apuradas no relatório dizem respeito somente às graves ocorrências. No entanto, também são monitoradas outras formas menos graves de violações, que servem de subsídio para o levantamento.

Segundo o estudo, o ano de 2018 foi internacionalmente reconhecido como violento para jornalistas. No Brasil, o perfil mais vulnerável é o do comunicador que atua em cidades pequenas, 19 casos (54%).

Os jornalistas foram os mais atingidos por graves violações em 2018, correspondendo a 17 casos (49%), sendo a maioria dos casos de ameaças de morte, em 14 ocorrências. Em segundo lugar, aparecem os radialistas, com 12 casos (34%), o maior número já registrado pela Artigo 19 de violações contra essa categoria.

Dos quatro assassinatos, dois casos foram de radialistas, um em Goiás, outro do Pará. Relatório do Ministério Público mostrou que, entre 1995 e 2018, 64 jornalistas, profissionais de imprensa e comunicadores foram mortos no exercício da profissão no Brasil.

Dos 35 comunicadores, 27 relataram ter sofrido algum tipo de violação anterior, como agressões verbais, intimidação, processos judiciais dentre outras. Dez contaram já ter recebido ameaças de morte em razão de sua atuação.

O relatório também identificou 5 casos de atentados a redações ou sedes de veículos em 2018. Em alguns casos, blogueiros e outros comunicadores trabalham em suas casas.

Em 2018, houve 11 casos de violações online, quando alguma ferramenta online serviu de meio para a veiculação de ameaça de morte, como aplicativos de mensagens, mídias sociais ou e-mails. Oito jornalistas foram alvos online. O relatório chama atenção para as subnotificações, já que muitos jornalistas não relatam essas ameaças.

Onde ocorrem as violações?
A região Nordeste segue com o maior número de graves violações, com 13 casos, seguida pelo Sudeste, 8 casos, onde está a maior parte dos veículos de comunicação do Brasil, e 7 no Norte, dentre eles dois assassinatos.

São Paulo continua como o estado com mais casos, 5, repetindo o número de 2016 e 2017. Em seguida, aparecem Bahia e Paraíba, com 4 casos cada.

Apesar de as cidades pequenas concentrarem o maior número dos casos, houve crescimento nos registros ocorridos em cidades grandes (com mais de 500 mil habitantes): de 2 para 8 violações.

Dentre as pessoas que mais cometem as violações estão políticos, policiais e agentes públicos em todos os anos levantados pelo relatório: 18 (51%) foram cometidas por agentes do estado, das quais 15 tiveram políticos por trás.

Os comunicadores são mais perseguidos após fazerem denúncias: 26 dos casos apurados (74%). A organização também chama a atenção para o alto número de casos em que os autores não se encaixam em nenhum perfil específico. “Trata-se do que uma das vítimas apontou com preocupação: a ascensão do cidadão comum como agressor. Alguns desses casos possuem um autor específico responsável pela ameaça, enquanto em outros há uma variedade de agressores”, diz o relatório.

"Outro traço dos ataques online é o ataque à figura pessoal da comunicadora ou comunicador. Dentre todos os tipos de motivação aqui listados, notamos ofensas e ataques direcionados à pessoa, não apenas ao conteúdo de sua produção. Este nível de personalização da agressão é preocupante, em especial quando a fronteira entre perfil pessoal e profissional de comunicadores em redes sociais muitas vezes não existe", completa.

A principal motivação segue sendo a realização de denúncias, o que se nota em 26 dos casos apurados (74%).

“Os casos de graves violações em 2018 demonstram dois aspectos do cenário de violência. Primeiro, se reforçam as tendências históricas de ataques de pessoas poderosas, especialmente políticos, contra comunicadores em cidades pequenas que realizam denúncias contra ações realizadas por essas pessoas. Em segundo lugar, fica evidente um cenário que já vinha se desenhando nos últimos anos: os ataques online contra comunicadores têm se intensificado e impactado a vida e o trabalho de comunicadores inclusive fora da esfera virtual, de modo que novos desafios no enfrentamento da violência são colocados”, afirma Thiago Firbida, assessor de Proteção e Segurança da Artigo 19 e responsável pelo relatório.

 Fonte: Cíntia Acayaba, G1 SP
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ARTESÃO E MESTRE DA CULTURA ESPEDITO SELEIRO É HOMENAGEADO COM O TROFÉU SEREIA DE OURO

Desde criança, Espedito Velozo de Carvalho acorda antes de o sol raiar. Aprendeu com o pai e o avô, vaqueiros e seleiros desses que despertavam às 3h da madrugada, colocavam o café no fogo e serviam à família antes de iniciar o trabalho na fazenda. Após tanger o gado, cuidavam em fazer peças de couro, atividade que o artesão começou cedo a reproduzir.

O primogênito de Raimundo Pinto de Carvalho e Maria Pastora Veloso "nasceu com uma estrela" e dela nunca se desgarrou. Prova disso é o título de mestre com o qual é reverenciado dentro e fora do Brasil, em virtude da habilidade artesanal desenvolvida nestas quase oito décadas de vida.

Natural de Arneiroz, no sertão dos Inhamuns, ainda criança mudou-se para Nova Russas, onde ficou até os 10 anos de idade. De lá, a família já crescida seguiu para Nova Olinda, no Cariri cearense. Até que no ano de 1958, em meio a uma seca que assolou o sertão, o filho mais velho, Espedito, foi tentar a vida nos cafezais paulistas.

Trabalhou por dois anos "nas terras do sul" e quando voltou para Nova Olinda, abriu uma bodega onde vendia "tudo em secos e molhados" e também a primeira sapataria, a fim de dar continuidade ao ofício ensinado pelo pai.

"Só que eu era novo demais e pensava que o mundo todinho era meu, aí comecei a brincar muito, farreei que nem um jegue e findei quebrado. Acabou o dinheiro, e a caderneta ficou cheia de conta pra receber. Se eu ia atrás de cobrar, o cara queria pagar era com briga. Aí não dava certo. Vim aqui pra dentro da rua, sem nada. Só com uma mulher buchuda", relata, referindo-se ao local que hoje é ocupado pela casa, loja, oficina e ainda pelo Museu do Ciclo do Couro, espaços construídos com o suor e a história da família.

Espedito tinha 21 anos quando conheceu a esposa, Francisca de Brito Carvalho. Da união, nasceram nove filhos, mas somente seis sobreviveram. Para enfrentar as dificuldades, o casal recorreu novamente ao couro. "Eu fazia a peça, e ela costurava na máquina ou na mão. Aqui, tinha vaqueiro por todo canto, sabe? Aí eu fazia mais era sela e as roupas de couro, que era gibão, perneira, chapéu, luva, guarda-peito. O primeiro gibão que eu fiz, eu não tinha muita prática. Botei as mangas ao contrário", conta, ao mesmo tempo que ri da própria inexperiência.

Foi nesse período que ele recebeu uma encomenda desafiadora de um cigano da região. O homem, um dos Feitosa dos Inhamuns, queria uma sela diferenciada, que o destacasse frente aos demais.

Espedito aceitou a proposta, mesmo não estando certo do que poderia oferecer. Então, lembrou das cores. Fez o couro ficar marrom a partir da interação com a planta nativa angico; preto, após imersão na lama; branco, com a cinza da catingueira; e vermelho, com a base do urucum.

"O cigano ficou satisfeito, e o povo que viu ficou todo admirado. Aí eu peguei o nome de 'Seleiro bom'. Os cabras diziam: menino, eu vou mandar Espedito Seleiro fazer uma sela pra mim, porque ô bicho que trabalha bem. É bonita a sela que ele faz", recorda, orgulhoso do próprio feito.

Em 1971, o artesão teve de lidar com a perda do pai. Trouxe para perto de si a mãe e os irmãos, e ensinou a eles, aos próprios filhos e, mais tarde, a dois dos cinco netos, o saber ancestral para garantir a todos o ganha-pão.

Nos anos 1980, porém, o mercado começou a decair, especialmente quando as funções do vaqueiro e do tropeiro foram perdendo força, e os ciganos já não circulavam como antes. Nem mesmo as feiras - Araripe, no sábado, Potengi, no domingo, e Campos Sales, na segunda - estavam dando o retorno, o que exigiu de Espedito uma renovação.

É o seguinte: eu não vou parar de trabalhar com couro, porque é o que eu aprendi na vida. E eu não vou parar por três coisas: uma porque eu preciso de dinheiro. A segunda é que eu não sei trabalhar com outro movimento e, por fim, porque eu quero manter a tradição da minha família. Vou tentar e a partir de hoje, eu vou criar um estilo meu, que aonde eu chegar, o cabra pode é não comprar, mas fica com vontade. Vou criar um modelo, que Deus vai me ajudar e vai dar certo", desabafou com a esposa Francisca.

Aproveitou uma madrugada dessas e amanheceu com os moldes feitos. As cores, que antes se restringiam às selas, passaram para as sandálias e gibões. Esboça-se ali o futuro da família de seleiros, cujo passado jamais seria esquecido, visto que a mesma matéria-prima seguiria alicerçando a tradição.

Nos anos 1990, Alemberg Quindins, idealizador da Fundação Casa Grande, com sede em Nova Olinda, abriria a porta da oficina para o universo. Encomendou a Espedito uma "sandália de Lampião". Outra pessoa a iluminar o caminho foi a socióloga e secretária de Cultura do Ceará, Violeta Arraes (1926-2008).

Depois de ganhar uma alpargata vermelha de "Maria Bonita", ela resolveu encomendar uma bolsa ao artesão. Esses dois pares de pés viajantes levaram a estética do couro por todo o Brasil e parte do mundo.

Nos anos 2000, veio o primeiro chamado para a fama. O artesão teve peças incluídas no figurino do filme "O Auto da Compadecida", do diretor Guel Arraes. Em 2005, criou calçados e acessórios para o desfile da Cavalera (Verão 2006) na São Paulo Fashion Week (SPFW), marcando sua estreia na principal vitrine de moda brasileira. Na ocasião, Espedito assistiu ao desfile sentado em lugar de destaque na passarela, ao lado da esposa, dona Francisca, e do filho, Maninho.

O reconhecimento lá fora acompanhou o desenvolvimento aqui dentro. Em 2008, foi agraciado com o título de Mestre da Cultura Tradicional Popular do Ceará, concedido pelo Governo do Estado por seus relevantes serviços prestados à cultura e à arte; em 2011, recebeu a Ordem do Mérito Cultural, conferida pela Presidência da República Federativa do Brasil, pela sua contribuição à cultura brasileira. Das Universidades Estadual e Federal do Ceará, ganhou ainda o título de notório Saber em Cultura Popular, nos anos de 2016 e 2019, respectivamente.

Como era de se esperar, o sucesso atraiu novos parceiros. Com os irmãos designers de renome internacional, Fernando e Humberto Campana, Espedito desenvolveu peças para a coleção Cangaço, a exemplo de armários, cadeiras, sofás e mesas de centro. O trabalho ganhou destaque na feira Design Miami, realizada em dezembro de 2015, nos Estados Unidos.

No mesmo ano, recebeu convites para desenvolver modelos exclusivos para as marcas cariocas Farm e Cantão. Nas visitas que os designers de moda e estilistas passaram a fazer com frequência a sua oficina em Nova Olinda, porém, o mestre sempre fez uma exigência: para fechar negócio, era preciso manter a essência das cores e os corações em arabescos, que ele havia internalizado no contato com a cultura cigana.

"A pessoa que quiser parceria comigo, tem que fazer o que eu gosto e o que eu sei. Comigo é assim. Se for para fazer um desenho baseado em você, eu não sou Espedito Seleiro. Me perdoe, mas não vou fazer o que eu não sei, trabalhar com traço de ninguém. Eu aprendi e foi Deus quem me ensinou. Eu não tive escola pra isso e eu não preciso também, o que eu faço é assim", observa.


Com essa segurança sobre a própria personalidade, o artesão protagonizou documentários, teses de mestrado, livros e cordéis; suas peças ganharam destaque em filmes, novelas e passarelas. Mais recentemente, em fevereiro deste ano, o criador também atravessou o Atlântico para apresentar suas peças na Embaixada do Brasil, em Londres; e cruzou a Marquês de Sapucaí, em março, num carro alegórico da Escola de Samba "União da Ilha do Governador", cujo enredo de 2019 era "A Peleja Poética entre Rachel e Alencar no Avarandado do Céu". Uma ala de brincantes vestidos com seu artesanato em couro também marcou a homenagem no Rio de Janeiro.

"Nunca pensei de ficar conhecido. Isso acontece de supetão, de uma vez, né? Às vezes, eu não tô nem esperando, aí acontece. Foi assim com o Troféu Sereia de Ouro", revela, sobre a comenda que receberá do Sistema Verdes Mares. "Eu acho legal pra todos nós que vamos ganhar essa homenagem. Isso dá mais valor às pessoas e tenho que agradecer a Deus e aos amigos que reconheceram, que me deram esse merecimento", afirma, certo da importância de figurar a partir de agora nesse grupo seleto de cearenses ilustres.

Fonte: Diário do Nordeste Foto: Thiago Gadelha

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POLÍCIA FEDERAL FAZ OPERAÇÃO DE BUSCA E APREENSÃO NA CASA E ESCRITÓRIO DO EX-PROCURADOR DE REPÚBLICA RODRIGO JANOT

A Polícia Federal (PF) realizou nesta tarde uma ação de busca e apreensão na casa e no escritório do ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot, em Brasília. As buscas foram autorizadas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e ocorreram após Janot afirmar, em entrevista, que chegou a ir armado com um revólver ao STF com a intenção de matar o ministro Gilmar Mendes e depois se suicidar. O fato teria ocorrido 2017. 


Na decisão na qual determinou as buscas, Moraes também suspendeu o porte de arma de Janot, proibiu o ex-procurador de se aproximar de integrantes da Corte, de entrar nas dependências do tribunal, além da apreensão da arma citada nas entrevistas. 


Mais cedo, ao tomar conhecimento das declarações, Gilmar Mendes pediu a Moraes, que é relator de um inquérito que investiga fake news e ofensas contra a Corte, a suspensão do porte de arma de Janot e a proibição de sua entrada no STF.


O episódio é narrado por Janot no livro que lança esta semana, Nada Menos que Tudo, porém sem citar o nome de Gilmar Mendes. O ex-PGR, entretanto, resolveu agora revelar a quem se referia. O nome de Mendes foi citado em entrevista à imprensa.


Fonte: Agencia Brasil


“Num dos momentos de dor aguda, de ira cega, botei uma pistola carregada na cintura e por muito pouco não descarreguei na cabeça de uma autoridade de língua ferina que, em meio àquela algaravia orquestrada pelos investigados, resolvera fazer graça com minha filha”, escreve Janot no livro.


Em 2017, circulou na imprensa a informação de que a filha de Janot, Letícia Ladeira Monteiro de Barros, defendia a empreiteira OAS, envolvida na Lava Jato, em processos no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). O ex-PGR atribuiu a divulgação da informação a Mendes e, por isso, cogitou matá-lo, segundo o relato.


Em nota, Mendes declarou que Rodrigo Janot é “um potencial facínora” e questionou a forma como é feita a escolha do ocupante do cargo.


Rodrigo Janot foi procurador-geral da República por dois mandatos de dois anos, de 2013 a 2017. As duas indicações foram feitas pela então presidente Dilma Rousseff, após ele ter ficado em primeiro na lista tríplice elaborada por membros do Ministério Público. Nas duas ocasiões, Janot foi sabatinado e aprovado pelo Senado.

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ENCONTRO DO CONVERSA CIENTÍFICA 2019 ABORDARÁ PREVENÇÃO AO SUICÍDIO

Acontecerá, no próximo dia 01 de outubro, às 18h, no auditório de Química do campusPetrolina do IF Sertão-PE, o segundo encontro do semestre 2019.2 do "Conversa Científica". Desta vez, o tema será "O trabalho do CVV na prevenção do suicídio", ministrado pelo vice-coordenador da associação filantrópica de apoio emocional, Adalmi Souza. 

Organizado pela coordenação do curso de Licenciatura em Química, a ação, que consiste em reuniões mensais, tem como objetivo divulgar pesquisas realizadas em nossa região, além de difundir conhecimento, a partir das discussão de temas diversos, motivando os estudantes para leitura e pesquisa. O evento é destinado aos alunos do curso de Química e todos que têm interesse pelo tema.

Fonte: Ascom IF Sertão
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