VEREADORES DE PETROLINA QUEREM EVITAR FECHAMENTO DO SANATÓRIO DE JUAZEIRO QUE ATENDE PACIENTES DE 53 MUNICÍPIOS

O Sanatório Nossa Senhora de Fátima, localizado em Juazeiro-BA, atende pacientes da Rede PEBA, do SUS, envolvendo 53 municípios dos Estados da Bahia, Pernambuco e Piauí. 

Para cobrir as despesas de folha de pagamento, remédios e empréstimos feitos para cobrir despesas do período que a entidade estava sem receber verbas, o sanatório gasta em médias 250 mil (Duzentos e cinquenta mil reais) por mês. Desses recursos, 113 mil (cento e treze mil) são provenientes do Governo Federal. O restante era repassado até janeiro de 2019 pela prefeitura de Juazeiro. 

Dos 82 pacientes internados, de julho para cá, 25 foram dispensados por falta de recursos. Os 57 restantes podem ser dispensados porque o sanatório não tem como se manter apenas com os recursos atuais. 30% dos pacientes são de Juazeiro, 15% de Petrolina, os outros, dos municípios da rede PEBA que apenas encaminham os pacientes e não repassam nenhum recurso ao hospital psiquiátrico. 

A folha de pagamento do sanatório gira em torno de 90 mil reais (noventa mil reais) e os profissionais também podem ser demitidos com o fechamento da unidade de saúde mental. A preocupação é das dezenas de famílias que não tem onde tratar os pacientes na rede privada.

Nessa quarta-feira (07), os vereadores Major Enfermeiro, Zenildo do Alto do Cocar, Gilberto Melo e Cristina Costa, se reuniram com a direção do Sanatório Nossa Senhora de Fátima, Maria Olívia Dewilson Oliveira e Ivonete de Souza Silva Melo, para buscar soluções e evitar o fechamento da unidade. 

O encaminhamento dado foi marcar encontros com o Ministério Público Federal, Secretárias Municipais de Saúde de Petrolina e Juazeiro e Prefeitos dos dois municípios. Os parlamentares também pretendem marcar uma audiência pública para chamar os municípios da Rede PEBA que encaminham paciente ao Sanatório nossa Senhora de Fátima.

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JUSTIÇA AUTORIZA TRANSFERÊNCIA DE LULA PARA SÃO PAULO

A juíza federal Carolina Lebbos, responsável pela execução da pena do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, determinou que o petista seja transferido da Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba, para uma unidade prisional em São Paulo, seu estado de origem. Na decisão não está apontado o lugar para onde Lula será transferido.

Lula está preso desde o dia 7 de abril de 2018 em uma cela especial na sede da PF paranaense. A transferência do ex-presidente para outro estabelecimento fora solicitada pela própria PF, que alegou transtorno ao funcionamento do órgão por conta da aglomeração de pessoas no entorno da superintendência e do grande dispêndio de recursos para lidar com o grande número de visitas ao apenado.

“Em relação ao local de custódia, tem-se, a cada dia, a contínua e permanente sobrecarga imposta à Polícia Federal, em termos de recursos humanos e financeiros”, concordou a juíza Carolina Lebbos.

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FAUSTO NILO É O AUTOR DA ÚLTIMA MÚSICA GRAVADA EM ESTÚDIO POR LUIZ GONZAGA

Está em "Veredas Nordestinas", disco de Dominguinhos, lançado em 1989, a última gravação em estúdio realizada por Luiz Gonzaga. A constatação é de pesquisa realizada por Paulo Vanderley, estudioso do Rei do Baião. 

"O Juazeiro e a sombra", ao trazer à superfície descrições sobre as cores do sol, o caminhar por estradas e a resistência, traduz a paisagem sertaneja em cada verso e foi gestada exatamente para bradar as minúcias do ambiente.

Em entrevista ao Verso, o músico e arquiteto cearense Fausto Nilo, compositor da canção, conta que o título nasceu a partir do nome de uma das fazendas de Quixeramobim, município onde nasceu. "Ela se chamava 'Juazeiro da sombra'. Mas, não sei por que, quando estava escrevendo a letra, coloquei na cabeça que ficaria 'O Juazeiro e a sombra'", afirma.

O próprio Dominguinhos havia pedido a Fausto Nilo que escrevesse a música para cantar junto com Gonzaga. "E o Luiz Gonzaga compreendeu o espírito, o que me deixou muito feliz. Dominguinhos me contou que ele se emocionou muito durante o processo. A gravação ficou realmente bastante linda", observa.

Não foi a primeira vez que Nilo teve canção gravada pelo Rei do Baião. Antes, "Depois da derradeira", em 1981, uma música de São João, marcava a parceria entre o trio Fausto, Gonzaga e Dominguinhos. "Isso foi antes de ele ficar doente, o que coloca 'O Juazeiro e a sombra' realmente como a última que ele gravou em estúdio".

Ao evocar a lembrança, o músico e arquiteto se demora em emoções. Situa que tudo é de grande importância para ele porque remete diretamente às primeiras memórias carregadas a tiracolo de quando criança, ao escutar Gonzagão na vitrola e já apreciar sua desenvoltura.

"Para mim, foi o máximo ter uma letra interpretada por ele. Imagine uma criança que ouve uma pessoa com uma admiração profunda e, um dia, essa pessoa dá vida ao que você criou. Talvez uma das coisas mais importantes da minha carreira de autor tenha sido ser gravado pelo Gonzaga duas vezes".

Ainda enquanto menino, Fausto recorda da passagem de Luiz por Quixeramobim. À época, havia passado toda a tarde na casa em que ele estava hospedado, olhando, de longe, a magia que emanava do homem. "Eram uns três ou quatro músicos reunidos; eles ali numa sala e eu só olhando. Nunca imaginava que, um dia, a voz dele ia soar numa letra minha".

Quanto à influência que Gonzaga deixou para o Ceará - mesmo sendo ele natural de Exu, em Pernambuco - Fausto comenta que é uma herança incontornável, mencionando que a juventude do artista foi em Fortaleza, onde fez muitos amigos e conseguiu desenvolver estreito contato com a cidade.

"Recordo de ele chegando no povão, e não na elite. Quando criança, tinha uma visão de que a classe média, os mais ricos, não escutavam sua música. Pessoas mais comuns, não, sempre o escutaram. Depois do Tropicalismo, quando nomes como Caetano Veloso e Gilberto Gil valorizaram sua imagem, é que ele ganhou audiência também no meio intelectualizado. Mas é importante considerar que Luiz Gonzaga foi um artista do povo, de muita popularidade".

O Juazeiro e a sombra (Dominguinhos e Fausto Nilo) 
"As cores do sol, constelações do chapéu 
O Juazeiro e a sombra, e a saudade quase no céu 
As flores de Liz, anotações sem papel 
Os versos que fiz, só por gostar de você.

Eu peço à luz do sertão, pra brilhar, 
Sobre as promessas do seu Ceará,
Eu faço você feliz, ao contrário da vida que morre no chão, 
Só tenho o meu coração, pra cantar 
E sentimentos pra rir ou chorar 
Mas eu não posso mentir pra você, 
Que o remédio é cantar.

Pra que caminhar,
Se agora estamos aqui,
No meio da estrada,
Que o destino escolheu.

São as cores do sol,
constelações do chapéu 
O Juazeiro e a sombra,
tudo isso sou eu.

Pra que caminhar,
Se agora estamos aqui,
No meio da estrada,
Que o destino escolheu.

São as cores do sol,
Constelações do chapéu 
O Juazeiro e a sombra
Tudo isso sou eu"

Fonte: Diário de Pernambuco-Diego Barbosa *Agradecimento especial ao pesquisador Paulo Vanderley, que prestou consultoria para a realização desta série de reportagens sobre os 30 anos de saudade de Luiz Gonzaga
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SEMINÁRIO INICIA CAMPANHA PARA TRANSFORMAR A CHAPADA DO ARARIPE EM PATRIMÔNIO DA HUMANIDADE

Transformar o acidente geográfico e o sítio arqueológico que atravessa os estados do Ceará, Piauí e Pernambuco em Patrimônio da Humanidade é a principal ideia do I Seminário Internacional do Patrimônio da Chapada do Araripe. 

Entre 6 e 9 de agosto, nos municípios cearenses de Juazeiro do Norte, Crato e Nova Olinda, o evento pretende dar início a uma campanha de reconhecimento da Chapada como patrimônio através dos saberes e das práticas culturais do território interestadual. 

O projeto transforma a casa dos mestres da cultura em espaços de visitação. O objetivo é a valorização do patrimônio cultural e do turismo comunitário no Cariri. 

Dentro da programação do I Seminário Internacional do Patrimônio da Chapada do Araripe, entre os dias 6 e 9 de agosto, serão inaugurados mais dois espaços de memória, que integram o projeto “Museus Orgânicos”, proposto pelo Sistema Fecomércio Ceará, por meio do Sesc, e pela Fundação Casa Grande de Nova Olinda. A iniciativa contemplará a trajetória do Mestre Nena da tradição de bacamarte e do Mestre Raimundo Aniceto, das bandas cabaçais.

Dia 06/08, no Crato, será inaugurado o museu orgânico do Mestre Raimundo Aniceto, de 85 anos, integrante da centenária “Banda Cabaçal dos Irmãos Aniceto”. Sua casa será aberta à visitação e preservará a história do grupo e os instrumentos artesanais.

No dia 07/08, às 8h, será inaugurado o Museu Casa do Mestre Nena, em Juazeiro do Norte. O brincante de 67 anos movimenta a tradição com o grupo “Bacamarteiros da Paz”, representando o cangaço e o misticismo popular.

Como explica Elane Lavor, gerente da Unidade Sesc Juazeiro do Norte, o conceito “orgânico” deriva da interação com o mestre e a sua família no dia a dia.Um dos principais curadores da iniciativa, Alemberg Quindins, fundador da Casa Grande, destacou o potencial patrimonial nas dinâmicas da cultura no Cariri. “Cada espaço desse é um centro cultural, um museu ao céu aberto dentro da Chapada do Araripe”.

Ao todo serão produzidos 16 museus orgânicos no decorrer do projeto. O recorte para a criação dos espaços foi semelhante ao processo criativo de composição dos museus de Mestre Antonio Luiz com as máscaras de Reisado e do Mestre Françuli com as artes em flandres, ambos inaugurados em Potengi. Baseada na arquitetura do afeto, como propõe Alemberg, o espaço comunitário de um museu orgânico revela o cotidiano e a vivência em redes solidárias, apresentando o modo como se brinca no próprio espaço da prática cultural.

Fonte: Fecomércio CE

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GENNARO SANFONEIRO RECEBE NESTA TERÇA (6) TÍTULO DE CIDADÃO PERNAMBUCANO

Ícone do forró pé de serra e contemporâneo de Luiz Gonzaga, o Mestre Gennaro Sanfoneiro receberá o título de Cidadão Pernambucano nesta terça (6), em solenidade que será realizada na Assembleia Legislativa de Pernambuco. 

O Deputado Estadual Professor Paulo Dutra (PSB), vice-presidente da Comissão de Educação e Cultura da ALEPE, é o autor do Projeto de Resolução que concede o título honorífico ao forrozeiro alagoano.

Natural de Marimbondo (AL), o sanfoneiro de 63 anos iniciou sua carreira ainda aos 12, quando ganhou seu primeiro instrumento. Com uma carreira marcada por muito talento e domínio ímpar da sanfona, Gennaro integrou o Trio Nordestino na década de 1980. Quando adolescente, chegou a morar no Rio de Janeiro com a família, mas há 25 anos ele é residente da Região Metropolitana do Recife.

“Sua história o credencia a figurar entre as lendas do forró pé de serra e sua contribuição para a cultura pernambucana o fazem ser merecedor desse reconhecimento”, justifica o deputado Paulo Dutra.

A solenidade acontece no Auditório Sérgio Guerra (Rua da União, 397, Boa Vista –Recife/PE), a partir das 18h, e será uma grande celebração no ritmo do arrasta-pé. Para a festa são esperados sanfoneiros de várias gerações que prometem fazer da ocasião um tributo ao autêntico Forró Pé de Serra.
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Artistas plástico sertanejo confecciona estátua em homenagem a Luiz Gonzaga e passa a ser a terceira entre Salgueiro e Exu

A passagem dos 30 anos de partida do rei do baião Luiz Gonzaga, em 2 de agosto de 1989, ganhou uma série de homenagens principalmente em cidades do Nordeste, com shows de artistas e sanfoneiros que seguem as raízes do baião,  do xote e do forró tradicional, programas de rádios especiais e reportagens em jornais  e tvs. 

Em Salgueiro,no Sertão Central, o artista plástico Jaime Concerva recebeu a incumbência de moldar  uma estátua  do cantor e sanfoneiro, sob encomenda para um hotel da cidade, uma vez que a proprietária  é uma das inúmeras fãs do artista.

Sendo assim, a obra feita de resina com outros materiais, passa a ser a terceira na região. Outras estátuas estão expostas na cidade natal de Gonzagão - Exu, na sertão do Araripe. Uma está instalada na entrada do Parque Asa Branca e outra numa praça da cidade pernambucana.

A proprietária do hotel, Mônica Cândida, explica que a encomenda tem um valor afetivo em relação ao artista que ela passou a ouvir na infância e carrega paixão pelas canções clássicas do artista e o som da sanfona. "Luiz Gonzaga  não é só o rei do baião, é uma artista plural que deixou um grande legado para nossa música", lembra a empreendedora.

O artista plástico Jaime Concerva que levou cerca de um mês para dar 'vida' a obra de arte( com 1m e 80cm)  retratando o sanfoneiro, explica que é um trabalho que requer dedicação exclusiva e estudo sobre seus traços. "Há também um olhar expandido em relação à figura física do artista que além da música deixou para a memória dos fãs,  elementos fortes e inseparáveis da personalidade  como a sanfona, o chapéu de couro e o gibão", diz o artista que também confeccionou uma réplica gigante da taça  durante a última Copa realizada no Brasil.

Ao final, a obra ganhou uma pintura de cor  natural como se fosse argila que caracteriza áreas do sertão além do artesanato de barro queimado.

O cantor e compositor Luiz Gonzaga, em sua trajetória,  tinha relações de amizade em Salgueiro onde fez vários shows em praça pública e em casa de shows até o começo da década de 80, na época em que lançou o disco 'Danado de bom'.  No Nordeste,  o autor de Asa Branca e Assum Preto entre outros clássicos com vários parceiros letristas, é lembrado o ano inteiro em meios a festivais de sanfona e programas de rádio que tocam diariamente músicas de sua obra.

Fonte: Jornalista e Professor Emmanuel Andrade
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JOQUINHA GONZAGA E PILOTO, DESCENDENTES VIVOS DA FAMÍLIA DO REI DO BAIÃO, LUIZ GONZAGA

João Januário Maciel, o sanfoneiro Joquinha Gonzaga e Fausto Luiz Maciel, conhecido por Piloto, são hoje dois descendentes vivos da família Januário e Santana.

Joquinha Gonzaga e Piloto são da terceira geração da família. Todas as irmãs e irmãos de Luiz Gonzaga já morreram.

Joquinha é o sobrinho de Luiz Gonzaga e neto de Januário. Joquinha Gonzaga, nasceu no dia 01 de abril de 1952, filho de Raimunda Januário (Dona Muniz, segunda irmã de Luiz Gonzaga) e João Francisco Maciel. Joquinha Gonzaga é o mais legítimo representante da arte de Luiz Gonzaga. Mora em Exu, Pernambuco.

"Sempre estou contando histórias, músicas de meu tio, músicas minhas, dos meus colegas. Não fujo da minha tradição, das minhas características, que é o forró, o xote, o baião. Eu procuro sempre dar uma satisfação ao público que tem uma admiração à minha família, Luiz Gonzaga, Zé Gonzaga, Severino, Chiquinha, Daniel Gonzaga, Gonzaguinha. Meu estilo musical não pode ser diferente. É gonzagueano", diz Joquinha.

Joquinha é o nome artístico dado pelo Rei do Baião e filho de Muniz, segundo Luiz Gonzaga irmã que herdou o dom de rezar muito.

Joquinha aos 12 anos ganhou uma sanfona de oito baixos, o famoso pé de bode. Foram mais de 30 anos viajando ao lado do Tio.

O sanfoneiro conta que quando completou 23 anos, começou a viajar com Luiz Gonzaga e foi aprendendo, conhecendo o Brasil inteiro. "Ele não só me incentivou, como também me educou como homem. Era uma pessoa muito exigente, gostava muito de cobrar da gente pelo bom comportamento. Sempre procurando ensinar o caminho certo. Tudo que ele aprendeu foi com o mundo e assim eu fui aprendendo", revela Joquinha.

Luiz Gonzaga declarou em público que Joquinha é o seguidor cultural da Família Gonzaga. O primeiro LP-disco Joquinha Gonzaga gravou foi -Forró Cheiro e Chamego. Gravou com Luiz Gonzaga "Dá licença prá mais um".

Em 1998 Joquinha Gonzaga participou da homenagem "Tributo a Luiz Gonzaga", em Nova York, no Lincoln Center Festival.

Ninguém conhece melhor o artista do que os músicos que o acompanham. São eles que vivem o dia a dia, enfrentam os bons e maus humores do artista.

Imaginem então, o músico sendo um sobrinho. Fausto Luiz Maciel, é irmão de Joquinha. É um desses músicos privilegiados que conviveram dia a dia os mistérios do Rei do Baião.

Piloto começou a acompanhar o tio Luiz Gonzaga no ano de 1975. Bom ritmista, tocou zabumba e sua primeira gravação com o tio foi no disco Capim Novo, em 1976. Participou de inúmeros trabalhos e viagens lado a lado com Luiz Gonzaga como zabumbeiro, motorista e secretário.

A partir de 1980 seguiu acompanhando Luiz Gonzaga em todos os seus trabalhos, até o ano de seu falecimento, em 1989. Piloto atualmente mora em Petrolina Pernambuco.

O zabumbeiro é irmão de Joquinha Gonzaga, cantor e sanfoneiro, que também acompanhou o tio nas andanças por este Brasil afora.

Piloto conta que conheceu todos os grandes cantores da época, citando Jackson do Pandeiro, Ari Lobo, Abdias, Sivuca, Dominguinhos, Lindu e Marines.  Teve momentos de muitos aprendizados e viu muitos fatos e acontecimentos na carreira do tio, Luiz Gonzaga.  “A gente brigava muito. Eu era perguntador e ele respondão. Com tio Gonzaga não tinha por favor. Era mandão mesmo".

Quando ia gravar um dos últimos discos, eu quis viajar logo para o Rio de Janeiro  com ele, que me pediu que ficasse em Exu, quando precisasse, mandava a passagem e eu iria. Avisei que fizesse isto com antecedência, porque não ia às pressas. E foi o que aconteceu. João Silva me ligou dizendo para eu pegar o ônibus que a gravação ia começar tal dia. Estava muito em cima, respondi que eu não iria. E não fui”. 

Revela hoje que os arroubos faziam parte da idade e uma certa imaturidade e dificuldade de compreender o humor do tio, que "pela manhã estava feliz, no meio dia calado e á noite ninguém perguntasse duas vezes". "Mas houve momentos de muitos abraços e declarações de amor. Bons momentos de felicidades".

Piloto conta que Mais do que somente historias das andanças do Rei do Baião, o que se revela e até hoje é um mistério: Luiz Gonzaga era complexo, de mudança bruscas de temperamento, centralizador, sempre, autoritário quase sempre,  mas que em certos momentos podia ser inesperadamente humilde e gentil. "Gilberto Gil disse que os gênios são assim, e isto revela o ser humano que era meu tio Luiz Gonzaga. Um gênio".

O jornalista José Teles, escreveu, que de todos os que trabalharam com Luiz Gonzaga, Piloto foi o único que não aguentava em silêncio os arroubos de mau humor do tio.

Motorista e zabumbeiro, Piloto foi também empresário de Luiz Gonzaga. Ele afirma que durante os anos que conviveu com Gonzagão testemunhou “coisas incríveis”; “Ele foi mal assessorado quase a carreira toda. Os amigos se aproveitavam. Ele não tinha visão de dinheiro. Às vezes fazia show em clube lotado, e o empresário dizia que deu prejuízo. Quando Gonzaguinha assumiu a carreira dele, tio Gonzaga teve sua fase de profissional. Passou a receber cachê adiantado. 

Mas, conta Piloto, ele, o tio,  até aí ele não podia, por exemplo, ver um circo. Parava e fazia o show dividindo a renda com o dono, as vezes dava toda renda, quando o circo estava com muita dificuldade. Uma vez cismou de comprar uma Kombi a álcool, ninguém conseguiu convencer ele sobre as desvantagens, da instabilidade, nada. Quando ele queria, tinha que ser. E assim foi”.
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