LUAS DE LUIZ GONZAGA, O REI TAMBÉM GRAVOU VALSAS, CHOROS, FREVO E MARACATUS

Nem só de animados baiões, xotes e xaxados viveu o reinado de Luiz Gonzaga. Quem diria, viveu Gonzagão de valsas, choros e maracatus. Pois é, Mestre Lua compôs em outros ritmos e gravou esse material entre os anos 1940 e 1950. Boa parte desse repertório está no CD Luas do Gonzaga, produzido pelo pesquisador, compositor, cantor e violonista Gereba Barreto, que descobriu essas canções em dezembro de 1985 quando comemorava os 73 anos de Luiz Gonzaga com seus amigos Gilberto Gil, Gonzaguinha, Dominguinhos, Marinês e outros, em Exu.

As músicas eram instrumentais mas ganharam letras de vários compositores com participação de cantores de renome como Gilberto Gil, Lirinha, Lenine e Margareth Menezes, Dominguinhos, Zeca Baleiro, Jair Rodrigues, Elba Ramalho, Jorge Vercillo, Flavio Venturini, Maciel Melo, Santanna e Adelmario Coelho, Ná Ozzetti, Jussara Silveira, Raimundo Fagner, além da Sinfonieta dos Devotos de Nossa Sra. Dos Prazeres e outros grandes músicos de vários Estados do país.

O projeto era também um sonho de Gonzagão, que certa vez confessou a Gereba Barreto, sentir-se desconfortável com o rótulo de ser apenas forrozeiro. A ligação entre Gereba Barreto e Mestre Lua é antiga, como descreve o produtor: “Primeiro fui fã, depois para minha completa realização, tornei-me amigo e, melhor, tenho orgulho de ter possibilitado grandes realizações em sua vida como, por exemplo, tocar pela primeira vez em 1974, para uma platéia nobre de mais de cinco mil pessoas na Concha Acústica do Teatro Castro Alves (Salvador). É bom lembrar que antes disso ele só se apresentava pela periferia de Salvador. Também proporcionei a ele seu maior público com nosso trio Carnaforró, em 1986, com 1 milhão de pessoas nos três dias do carnaval baiano inaugurando o Circuito Barra-Ondina”

Não foi um projeto fácil de ser concluído. Consumiu em torno de cinco anos entre encontrar as editoras das obras e achar o letrista adequado a cada música, para que o casamento desse certo. E deu. Entre as novas parcerias de Gonzagão estão a de Gilberto Gil no choro Treze de Dezembro (gravação inédita), Verônica (com Lirinha), Marieta (Fernando Brant), Mara (Zeca Baleiro), Luar do Nordeste (J. Velloso), Lygia (Abel Silva), Passeando em Paris (Bené Fonteles), Numa Serenata (Carlos Pitta), Pisa de Mansinho (Xico Bizerra), Sanfona Dourada (Maciel Melo) e Wanda (Tuzé de Abreu). Gereba Barreto também compôs a Suíte Lua Gonzaga, que contém fragmentos de músicas suas e do Mestre Lua, além de Sete Luas do Gonzaga (Ronaldo Bastos) e Galope Além do Mar (Capinan).

Gereba Barreto  é onsiderado músico de grande versatilidade, nasceu em Monte Santo, Bahia e tem uma lista considerável de bons serviços prestados à música brasileira. Com seu grupo Bendegó lançou cinco discos. Muitos intérpretes gravaram suas composições, entre eles, Elizeth Cardoso, Beth Carvalho, Raimundo Fagner, Amelinha, o argentino Leon Gieco e o guitarrista alemão Folkan Crieg.

Produziu arranjos para Caetano Veloso (Canto do Povo de um lugar do disco Jóia -1975) e em mais de quarenta discos. Seu primeiro disco solo foi Te Esperei (1985). A seguir vieram Cantando com a Platéia - Tom Zé e Gereba “Cantando com a Platéia” (1990), Gereba convida (1993) com as participações de 13 vozes femininas como Cássia Eller, Ná Ozzetti, Vânia Bastos, Cida Moreira e outras. 

Serenata na Umes - Gereba convida (1996), coletânea de 6 CDs gravados ao vivo com com Silvio Caldas, Arrigo Barnabé entre outros, Canudos (1997), Forró da Baronesa (2000) pela CPC-umes. Sertão 2002) e Canções que vem do Sol (2002 pela Paulus Music e “Dom Quixote xote xote” pela Por do Som (2004) .
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‘QUEM COMPREENDE MAL A ARTE, COMPREENDE MAL A SI MESMO’ – FREUD

"De que adianta falar de motivos, às vezes basta um só, às vezes nem juntando todos." [José Saramago]

Quase 90% dos brasileiros não vão aos museus, dizia uma pesquisa em 2010. Os índices melhoram um pouco em 2017, mas não muito (81% não frequentam museus, 92% preferem a tevê e outras mídias). O que nos leva a questionar a relação do brasileiro com a Arte, com este conhecimento tão importante para a compreensão do que somos, não só como brasileiros, mas como seres humanos.

As polêmicas envolvendo as quatro obras do “Queermuseu – Cartografias da Diferença na Arte Brasileira”, em Porto Alegre em meados deste 2017, ou mesmo a acusação descabida de pedofilia dentro do Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM), revelam não só uma incompreensão da Arte, mas uma incompreensão do que somos como sujeitos históricos, pois ao censurarmos a Arte, limitamos nossas capacidades cognitivas e de revisão/revolução da História.

Obra “Las Meninas”, de Diego Velázquez, em 1656 (Crédito: Diego Velázquez/Domínio Público)

Há uma lapidar pintura de Diego Velázquez que parece nos revelar o poder da arte, sua potencialidade e sua capacidade de nos dar motivos para reflexão além da vida comum, das discussões comezinhas, dos argumentos rasos que circulam nas mídias sociais ou na grande mídia.

A pintura é conhecida como “As Meninas” e fora terminada em 1656, em pleno Barroco espanhol. Nesse maravilhoso quadro barroco há muito o que aprender, e um dos aprendizados, um de seus motivos, é: a assertiva de que a arte é pura provocação à alma. Se a alma é pequena, não há olhos para a Arte, pois ela não se revela.

O quadro é uma incitação à inteligência, uma convocação para espíritos livres. Os traços e cores em contraste típicos do Barroco mostram o culto dos  opostos, o jogo antitético, em que a luz e o branco das crianças brincam com o escuro e preto das vestimentas dos adultos. A mãos e a testa iluminadas do pintor-personagem do quadro revelam que a iluminação está no fazer (mãos, na sensibilidade) e na razão (testa, cabeça). Mas o centro da tela não é a menina, a infanta, a princesa, filha do Rei Felipe IV. O centro do quadro está fora dele: está nos olhos do espectador. Velázquez foi genial ao pintar este quadro, pois o centro  é o paradoxo que ele nos coloca. O paradoxo da reflexão do papel da arte naquele que a lê. Assim a Arte se nos revela (paradoxo central e maior).

O centro de tudo, portanto, é o leitor dialógico, que dialoga e interage, e não o mero espectador de tevê que apenas recebe passivamente o conteúdo mastigado (sem sequer aprofundar a reflexão). A arte nos cobra dialogismo, a tevê nos dá conformismo.

Ler Arte, é compreender a si mesmo. Freud explica

Um primeiro exemplo de que arte é provocação ao espírito encontramos em Sigmund Freud, que era um grande analista de arte. Gostava e gastava tempo lendo Sir Conan Doyle, por exemplo, autor de Sherlock Holmes. E muito do que Freud usou na “Interpretação dos Sonhos” (1905) ou para formular o conceito do “Complexo de Édipo” foi retirado da Literatura, portanto, da Arte. Está em Freud a frase psicanalítica mais contundente que se possa ler sobre o que é a Arte: “Quem compreende mal a arte, compreende mal a si mesmo”. 

A sentença é acachapante, pois mostra que compreender vai muito da curiosidade do leitor de um livro, da argúcia do espectador de uma tela, da coragem da plateia de teatro, ou da reflexão de quem assiste um filme, ou na opinião de quem vê tevê, ou interage em redes sociais. Já que Arte só o é aos olhos de quem lê com vivacidade.

Um segundo exemplo, está em um dos mais cruciais pensadores do século XX, Michel Foucault, que no primeiro capítulo do livro “As palavras e as coisas” (1966) analisa a pintura de Diego Velázquez. E ao analisar, Foucault nos dá duas sentenças primorosas:

1) “Olhamos um quadro de onde o pintor nos contempla”, esta sentença lapidar de Foucault, nos mostra que o ponto de fuga do quadro está fora dele. O quadro de Velázquez quebra a “quarta parede” – termo usado no teatro, para chamar o espectador para a interação com a peça. A quebra da “quarta parede” em uma pintura é mais sutil para o leitor desatento. Talvez ele nunca note que as figuras centrais do quadro estão no espelho ao fundo da tela de Velázquez. São as silhuetas de um casal, provavelmente o rei e rainha da Espanha.

O rei e a rainha estão fora do plano do quadro, estão no lugar do contemplador da tela. Estão fora da peça, estão fora da tela. Ou seja, o rei e a rainha são os olhos do espectador (ou “Expectador”, pois está externo à tela), do leitor, daquele que sabe ler a vida na arte e arte na vida. Por isso, olhamos um quadro em que o pintor nos contempla, pois ele nos incita a pensar. E existe contemplação maior na arte quando ela nos incita a pensar, a sentir e a viver outros planos? Não há, porque Arte é reflexão e lucidez atemporal.

2) “O pintor só dirige seu olhar para nós na medida que nos encontramos no lugar de seu motivo”, esta outra sentença do pensador francês, a qual mostra que o quadro está nos chamando para o diálogo, para o DIALOGISMO, já que é a tela que nos olha. Já que é ela que ganha vida em nossos vivos olhares. Porque um objeto sem a curiosidade, a coragem investigativa ou a reflexão do leitor não é uma obra de arte, mas apenas um objeto inanimado.

Sabemos que brasileiros leem pouco. É apenas a décima atividade em uma lista de lazeres. Preferimos ficar na TV, na Internet, no WhatsApp, no Instagram e no Facebook, antes de ler um livro ou visitar um museu. Ou seja, não se pode esperar muito do brasileiro que só assiste TV como crítico de arte. Por isso é importante não nos perdermos em motivos toscos, mesquinhos, morais, superficiais e rasos, como quer qualquer grupelho incitador de ódio e ignorância.

A arte incita a reflexão, a sensibilidade e a inteligência. Faz o homem questionar seus valores morais e históricos. Provoca a alma. Nos convida para uma ética da reflexão e da interação. A arte faz parte de uma espécie de “Humanismo da Alteridade”, diria Augusto Ponzio, pensador italiano que escreveu “A Revolução Bakhtiniana” (Editora Contexto, 2008), pois nos coloca em contato com outras perspectivas, outros modos de ver, outros modos de viver (“alter“, do latim, quer dizer “outro”). Melhorando assim nossa humanidade. Pois a arte nos alarga o modo de ver.

Falar de motivos no Brasil é fácil, se ele for gerido pelo ódio, pela ignorância, aí nem precisa juntar todos os motivos, pois um já nos bastaria e nos encerraria.

Contudo, se formos falar de arte, basta um único/outro motivo para sairmos do ódio: o uso da inteligência em benefício do aprimoramento do convívio social.

Basta saber ler e estar eticamente aberto ao diálogo, saber interagir da “quarta parede”.

Pois “As meninas” do quadro de Velázquez não são as meninas pintadas, entretanto são as meninas dos olhos do espectador atento e sem preconceitos e ódios, mas livre.

Para tanto, procurar saber o porquê da Arte já seria um bom motivo. E ele paradoxalmente nos bastaria. 

Ou como diria o poeta: “A arte existe porque a vida não basta.”

**Fonte: Fabrício César de Oliveira é doutor em Linguística e Filosofia da Linguagem pela Universidade Federal de São Carlos.
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RAIMUNDO CARRERO COMPLETA 70 ANOS COM BIOGRAFIA QUE ORGULHA BRASILEIROS

O escritor Raimundo Carrero, completa no dia 20 de dezembro, sete décadas bem vividas e muito bem contadas, com uma biografia que orgulha a todos os sertanejos, sempre representados na literatura de Carrero. Por isso a cidade de Salgueiro preparou uma programação especial para celebrar a vida do “filho ilustre”.

Uma iniciativa da deputada federal Creuza Pereira, que convidou admiradores de Carrero, para criar uma comissão e realizar as celebrações, nos dias 8 e 9 de dezembro na terra do escritor. Que vai de uma solenidade especial na Câmara de Vereadores do município a festivais de literatura, que será realizado por alunos de escolas de referência do Estado, inclusive a Escola Carlos Pena Filho onde o escritor estudou na adolescência. Os artistas salgueirenses estarão representados através da homenagem do jovem Danilo Pernambucano e do contemporâneo Maestro Zé Paixão.

“Jamais os salgueirenses poderiam deixar passar em branco o aniversário do filho querido, celebrar os 70 anos do conterrâneo e amigo Raimundo Carrero é aplaudir uma vida dedicada à literatura e a cultura, aplaudir uma vida tão bonita quanto as suas obras” comentou Creuza Pereira.

Programação completa:
08/12 – sexta-feira
9h – Sessão Solene em homenagem aos 70 anos do escritor salgueirense Raimundo Carrero                                                                                           Local: Câmara de Vereadores de Salgueiro

14h –Visita aos stands do Projeto de Literatura, Arte e Dança
19h – Festival Literatura, Arte e Dança, homenagem da Escola de Referência de Salgueiro – EREMSAL –ao escritor Raimundo Carrero                                 Local: Clube Talismã

09/12 – sábado
9h – Homenagem da Escola de Referência Carlos Pena Filho ao ex-aluno e escritor Raimundo Carrero                                                                             Local: Escola Carlos Pena Filho.
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ENCONTRO DE SANFONEIROS NO RECIFE HOMENAGEIA LUIZ GONZAGA

O Encontro de Sanfoneiros do Recife realiza a sua 20ª edição e tem o objetivo de divulgar a música popular regional e a sanfona para várias gerações. O encontro, que acontece desde 1998, busca manter viva a memória de Luiz Gonzaga e o instrumento que o imortalizou: a sanfona. Para isso, o produtor do evento, Marcos Veloso, dará aos sanfoneiros, a oportunidade de mostrar o trabalho deles e, consecutivamente, fazer diversas homenagens ao Mestre Lua.

O evento, que é gratuito, é realizado entre os dias 01 e 02 de dezembro na Praça Luiz Gonzaga, no bairro dos Torrões, no Recife, a partir das 8h e segue até 22h. 

A história da sanfona se confunde com as aventuras e desventuras do Sertão nordestino, com o rebuliço, o “xenhenhêm”, o mexe-mexe, em uma toada caboclamente brasileira. A sanfona elege a nossa terra como pátria não de nascimento, mas de identidade. E é na figura de Gonzagão que ela encontra seu mais ilustre representante. 

Nascido em Exu, Sertão de Pernambuco, no dia 13 de dezembro de 1912, serviu ao exército, o que lhe permitiu viajar por vários estados do Brasil. Em 1939, decidiu residir no Rio de Janeiro e tentar a vida como cantor e sanfoneiro, arte que teria aprendido com o seu pai, Januário. Tocou nas ruas e cabarés, até ser aclamado no programa de Ary Barroso, na Rádio Nacional. A partir deste momento, foi reconhecido como o Rei do Baião.

É, portanto, inspirado na personalidade lendária de Seu Lua que, em 1998, Marcos Veloso, decide, junto com Paulo Alves, reunir artistas anônimos e ilustres espalhados por todos os rincões do Estado. Realizado sempre em dezembro, mês do nascimento de Luiz Gonzaga, o encontro já homenageou personalidades da música como Joquinha Gonzaga (sobrinho de Gonzaga), Arlindo dos 8 Baixos, Gennaro, Mestre Camarão, Terezinha do Acordeon, Chiquinha Gonzaga, Oswaldinho, Dominguinhos, Zé Bicudo, Severo, Lindu (ex-sanfoneiro do Trio Nordestino), Abdias, Félix Porfírio, Zé de Dande, Agostinho do Acordeom, Luizinho Calixto, Joana Angélica e Heleno dos 8 Baixos.

O evento promove o intercâmbio entre músicos de diferentes regiões de Pernambuco e de outros estados brasileiros, e divulga a obra de um dos maiores ícones da música brasileira: Luiz Gonzaga.
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PRODUTIVOS LAPSOS DE INSÔNIA

Uma velha amiga me confidencia que, quando muito jovem, sonhava em poder dormir até mais tarde sem precisar levar as crianças à escola, no início da manhã. Agora que a idade chegou e que já não tem crianças em casa, o sono é pouco e rarefeito. 

Ou seja, até em matéria de dormir bem tudo tem o seu tempo. Saber lidar com essa estranha cronologia é um desafio. Creio que pelo hábito de dormir pouco, que conservo desde a adolescência, gastei muito menos horas de sono do que a maioria dos viventes e agora, como uma espécie de punição, dei para sofrer com lapsos de insônia. 

Acontece assim. No meio da noite, sem ter nem pra quê, perco o sono por umas duas ou três dezenas de minutos e me deparo com uma espécie de monólogo, com pauta bem definida.

Tem vez que continuo a reflexão do dia anterior sobre um problema de governo, uma questão de ordem política ou teórica que vem me acicatando a mente ou mesmo sobre lances do bom jogo de futebol, que vi na TV. Os temas até que são prazerosos. Ruim é a sensação de que despertarei no início manhã com a desagradável sensação de que fiquei devendo uma cota de repouso ao meu já sambado corpo e ao sempre irrequieto espírito.

Mas bem que poderia ter uma pauta mais suave. Ao invés de problemas pendentes, quem sabe versos de Neruda, ou de Drummond, ou de Bandeira ou de Mia Couto, ou um trecho de boa crônica de Rubem Braga ou uma canção de Lenine ou Chico. Não sei por que razão, minha sina é ter os lapsos insones ocupados invariavelmente por temas mais densos ou áridos. 

Então, resolvi tirar proveito do estranho fenômeno. A depender do assunto que venha à tona, faço mentalmente o esboço do meu próximo artigo ou crônica. Ou do roteiro de uma intervenção num debate próximo. Aqui mesmo, confesso a vocês que me brindam com a generosidade de me lerem, vários dos meus últimos textos foram "rascunhados" em plena madrugada, naquele vácuo que antecede a volta ao reino de Morfeu.

Apenas lamento não ter o dom dos poetas para poder dizer, como Carlos Pena Filho: “Lembranças são lembranças, mesmo pobres,/olha pois este jogo de exilado/e vê se entre as lembranças te descobres”.

Fonte: * Luciano Siqueira é vice-prefeito do Recife e escreve ao Blog da Folha
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MÚSICOS DE PERNAMBUCO CRIAM GRUPO PARA COBRAR POLÍTICAS CULTURAIS DO GOVERNO

Representantes de diversos segmentos da classe artística musical pernambucana lançaram uma série de reivindicações em relação a contratação durante os ciclos festivos no Estados. Composto por nomes como Nena Queiroga, Maestro Forró, André Rio, Karynna Spinelli, Marrom Brasileiro e Luciano Magno, entre outros 11 músicos, o Coletivo Pernambuco divulgou uma carta com reivindicações de mudanças na política cultural do Estado.

No documento, o Coletivo Pernambuco apresenta cinco pautas por melhores oportunidades e condições de trabalho: maior inserção de artistas locais nas grades oficiais dos eventos realizados durante os ciclos festivos (Carnaval, São João e Natal); atualização dos valores de cachês; revisão da política de prazos de pagamentos dos artistas; melhorias na divulgação das programações dos ciclos festivos e mudanças nas cláusulas contratuais de shows e editais públicos.

Segundo Nena Queiroga, que ao lado de Jota Michiles será homenageada do Carnaval do Recife 2018, a congregação de artistas teve início ainda em 2012 para cobrar maior transparência no processo de contratação e pagamento de artistas no carnaval. "São demandas antigas, que independem 'dessa ou daquela gestão'. Hoje nós nos unimos para falar sobre uma realidade que atinge músicos de todos os segmentos", conta a cantora.

"Estamos reivindicando este diálogo para que a gente volte a ter autoestima, para que as pessoas param e olhar para nós, artistas que representam a cultura pernambucana, com aquele olhar de pena por conta da realidade que enfrentamos", afirma Nena. 

A artista explica que além da divulgação da carta, o coletivo tem procurado se reunir com representantes das esferas municipais e estadual para apresentar as deliberações: "Nos reunimos com o vice-governador e iniciamos um diálogo sobre estas pautas. Aguardamos agora um retorno para audiências com o governador Paulo Câmara, com o prefeito do Recife, Geraldo Julio, e com o secretário de Turismo, Felipe Carreras, que devem ocorrer nas próximas semanas".

Outro integrante do Coletivo Pernambuco, André Rio conta que a situação não se resume à Região Metropolitana do Recife. "Existem aproximadamente 140 festas da padroeira em todo o estado. Nós sempre nos apresentamos como representantes da cultura pernambucana nesses eventos, dividindo espaço, de forma muito democrática, com representante de outras culturas. Porém, nos últimos anos temos perdido cada vez mais espaço", conta. 

Vocalista do grupo Som da Terra, Rominho Pimentel, acredita que a Fundarpe, a Secretaria de Cultura e a Empetur precisam agir como mediadores no processo licitatório e contratual dos polos festivos municipais. "É importante que eles cumpram este papel, porque muitas vezes as gestões municipais solicitam artistas que não têm nada a ver com estes ciclos, tomando espaço de representantes da cultura pernambucana", pondera o músico.
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PETROLINA DISCUTE PLANO DE CULTURA ESTADUAL DE PERNAMBUCO

A Pré-Conferência RegionaL de Cultura de Pernambuco aconteceu nesta terça-feira (28) no auditório do Senai, Petrolina. O Secretário de Cultura de Pernambuco, Marcelino Granja, Silvana Meireles, coordenadora da comissão organizadora, Maria Elena, Secretária de Cultura de Petrolina e diversas lideranças de movimentos sociais de Orocó, Cabrobó, Santa Maria da Boa Vista, Lagoa Grande e Dormentes participaram da plenária.

O objetivo do encontro é ouvir todos os segmentos envolvidos na arte e cultura para aprovar o Plano Estadual de Cultura de Pernambuco. "A proposta é afirmar que todos tem o lugar e direito a voz na elaboração da política pública de cultura com fundamento de desenvolvimento e luta de uma sociedade democrática", disse Marcelino.

Além de Petrolina acontece pré-conferências no Recife, na Região do Pajeú, Mata Norte e Sul, Sertão de Itaparica e Moxotó. A Plenária Final está marcada para acontecer em março de 2018, com o tema: “Um Plano Estadual de Cultura para Pernambuco”.  

“Será uma Conferência que reunirá fazedores de cultura da sociedade civil e do poder público para discutir e aprovar a proposta do Plano Estadual de Cultura de Pernambuco, ajudando, portanto a estruturar e consolidar o Sistema Estadual de Cultura de Pernambuco e democratizar ainda mais os processos de participação social nas políticas públicas de cultura”, finalizou Marcelino Granja.
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