MUSEU MEMORIAL SERTANEJO GANHA NOVA PINTURA DA FACHADA

Projeto idealizado por artista petrolinense lança documentário sobre processo de pintura da fachada do museu Memorial Sertanejo, na Caatinga

O documentário sobre o processo de pintura de fachada do Museu Memorial Sertanejo, em Poço Dantas (PE), nasceu a partir do projeto "Traços E Memórias Da Caatinga", que realizou intervenções artísticas e grafite de murais na comunidade rural localizada no município de Santa Cruz da Venerada, em pleno coração da Caatinga. O objetivo foi criar o fluxo da arte periférica rural e eternizar os signos e elementos que evocam a valorização de um bioma singular no mundo, celebrando a rica tapeçaria cultural, ecológica e histórica da região. 

O projeto contou com a colaboração do Memorial Sertanejo, um pequeno museu na comunidade que abriga a memória local, com artefatos que vão desde instrumentos usados por vaqueiros, até objetos rupestres. A partir dos traços do artista plástico e grafiteiro, Robério Brasileiro, de Petrolina (PE), os murais foram adornados com elementos simbólicos e representativos da Caatinga, como sua fauna, flora, tradições sertanejas e rostos da comunidade. 

Já o grafite, uma forma de expressão periférica urbana contemporânea, encontrou sua fusão com as históricas raízes da Caatinga, criando um diálogo entre o moderno e o ancestral. "O projeto nasceu com a missão de pintar o sertão com arte, cultura e memória. Viajamos mais de 130 km até o distrito de Poço Dantas, no interior de Santa Cruz. Nosso destino foi o Memorial Sertanejo, um espaço de resistência cultural, concebido e gerenciado por Luzia Barbosa", relata Robério. 

Na fase de produção, também foi oferecida uma oficina gratuita de muralismo para mais de 20 estudantes da escola municipal local. Todos os jovens puderam colocar a mão na massa, cortando estênceis variados com papel e tesoura, preparando a massa acrílica com pigmentos e experimentando, muitos pela primeira vez, o uso de materiais como pincéis, rolinhos e spray. 

Toda essa vivência e energia culminaram no grande marco da iniciativa: a pintura da fachada. Os muros se transformaram em telas abertas de poesia visual e identidade, com 3 artes de grande porte e exclusivas para o espaço, repletas de detalhes minuciosos. 

APOIO - A execução só foi possível graças a Pedro Lacerda e Paloma Biondo, essenciais em cada traço. A comunidade de Poço Dantas abraçou a ideia de um jeito inesquecível, marcando presença no nosso dia a dia. As fotografias foram feitas por Caio Zuffo. As mídias digitais ficaram por conta de Wanderson Oliveira. Ambos colaboraram para o registro visual das várias etapas do nosso processo criativo em um documentário dividido em duas partes, processo criativo e oficina de grafite. 

"Traços E Memórias Da Caatinga" recebeu o incentivo da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) Pernambuco 2023/2024.  (Bia Braga | Comunicação)

Nenhum comentário

SABERES TRADICIONAIS APONTAM CAMINHOS PARA COMBATE À CRISE AMBIENTAL

Os povos indígenas, comunidades quilombolas, ribeirinhas e periféricas apontam caminhos para a mitigação dos efeitos da crise climática e para a preservação da biodiversidade a partir das culturas tradicionais e participação social. 

O tema foi discutido no painel “Saberes tradicionais e soluções climáticas”, na 6ª Teia Nacional dos Pontos de Cultura, realizada pelo Ministério da Cultura (MinC), no município de Aracruz (ES).

Especialistas e representantes dessas populações ressaltaram ainda a necessidade de investimentos para a manutenção e a disseminação dessas práticas culturais, muitas delas já reconhecidas como tecnologias sociais e ambientais.

Representante da comunidade tradicional de Fundo de Pasto Várzea Grande, na cidade de Oliveira dos Brejinhos (BA), Edvando Vieira afirma que os saberes das comunidades já oferecem respostas para as demandas dos territórios. 

“O que a gente precisa é garantir que esses conhecimentos sejam reconhecidos e que os recursos cheguem na ponta, fortalecendo quem já cuida do meio ambiente”, acrescentou.

Esses saberes abarcam práticas de cuidado, manejo sustentável dos recursos naturais e estratégias de resiliência, indicando possíveis soluções contra os efeitos da emergência climática, por exemplo.

“O MinC vem consolidando a política cultural ao ampliar esse conceito e incorporar conhecimentos ancestrais que, historicamente, promovem a sustentabilidade como dimensão essencial nas estratégias de ação climática”, afirmou Carla Craice, coordenadora de Temas Transversais da pasta.


Nenhum comentário

LUIZINHO CALIXTO O MESTRE DA SANFONA DE 8 BAIXOS

Na próxima terça-feira, dia 26 de maio, marca o Dia do Sanfoneiro. A data foi instituída em alusão ao aniversário de Sivuca, paraibano conhecido mundialmente pela excelência no acordeon. E outro paraibano, Luizinho Calixto, tem seguido o legado e "carregado o peso" de ser guardião do fole ou sanfona de oito baixos. O instrumento conhecido popularmente como fole ou sanfona de oito baixos é uma das variações da sanfona.

Na última quinta-feira, a Câmara Municipal de Campina Grande, Paraíba, realizou no Plenário da Casa de Félix Araújo, a solenidade de entrega da Medalha de Mérito Municipal ao músico Luizinho Calixto. Reconhecido nacionalmente como uma das maiores expressões da música popular nordestina, Luizinho Calixto construiu uma trajetória marcada pela valorização da cultura regional e pela preservação da tradição do autêntico forró de oito baixos. 

Natural de Campina Grande, Paraíba Luizinho Calixto conheceu a sanfona de oito baixos ainda na infância, aos oito anos de idade, através do pai e dos irmãos. Um dos irmãos dele, Zé Calixto, um dos maiores sanfoneiros do país, já tinha até discos gravados e vários shows por outros estados do Brasil.

Luizinho conta que de tanto ver os familiares tocarem começou a mexer pedaços de madeira, imitando o movimento que se faz com o fole. O pai, percebendo o interesse dele pelo instrumento, pediu que Zé Calixto trouxesse um fole do Rio de Janeiro para Luizinho.

"Um dia sentado numa cadeira eu comecei a tocar uma música do meu pai, que já estava na minha mente. Mexendo para lá e para cá um pedaço de madeira e eu fazendo de conta que era uma sanfona. Minha mãe, que não tinha envolvimento direto com a música, falou pra o meu irmão Zé Calixto que quando viesse do Rio de Janeiro trouxesse uma sanfona pra mim'", relatou.

Do simples interesse manifestado através do movimento da sanfona com madeiras, já no primeiro contato com um fole de verdade Luizinho começou a tocar de forma natural.

"Quando ele (o irmão) veio, trouxe um fole de oito baixos. E quando peguei já comecei a tocar alguma coisa, com uma certa dificuldade, claro... Uma criança pegar (o instrumento) e tocar rápido é difícil, mas porque eu já ouvia, já toquei alguma coisa", disse.

De lá para cá, são mais de 60 anos de carreira. Começou a tocar fole aos oito anos, aos 13 passou a acompanhar o pai nos forrós, mas somente aos 20 anos Luizinho Calixto gravou o primeiro disco, no Rio de Janeiro, e se apresentou ao Brasil como músico.

Luizinho Calixto considera a própria família como sua grande primeira referência musical. Mas além deles, Luizinho também conviveu pessoalmente com vários dos grandes nomes da música brasileira e nordestina.

Com Jackson do Pandeiro, o Rei do Ritmo, que era amigo do pai de Luizinho, ele aprendeu a tocar vários instrumentos de percussão. Com Luiz Gonzaga, ele aprofundou o conhecimento sobre o fole de oito baixos. Com Dominguinhos, viu de perto a excelência de um instrumentista. Convivência que formou a base para os anos de carreira construídos até hoje.

"Minha primeira referência foi Zé Calixto, como instrumentista da sanfona de oito baixo. A segunda foi Jackson do Pandeiro. Quando conheci ele eu era criança e ele já era o Rei do Ritmo. Eu já tocava zabumba e depois que vi ele tocando esses instrumentos todos de percussão muito bem também quis aprender. Não vi outros músicos tocar tão perfeitamente como ele! Depois o próprio Luiz Gonzaga. Em conversas que nós tínhamos, vi que seu Luiz era uma enciclopédia, tem hora que não encontro nem palavras pra ele, pra o que ele representa pra mim até hoje. Depois conheci Dominguinhos e vi o que é tocar sanfona. Não tem ninguém que faz o que ele fez (...) aprendi muito com ele. Foram pessoas que me serviram de referência e que até hoje procuro me conduzir dentro disso tudo que aprendi".

Bebendo dessas referências, Luizinho Calixto se tornou um verdadeiro guardião do fole de oito baixos. O instrumento, popular em vários países europeus e no sul do Brasil, tem origem desconhecida no Nordeste.

"A sanfona de oito baixos, dos instrumentos que eu conheço, é o mais complicado. Se você somar flauta, acordeon, violão… Todos eles, nenhuma é tão complicado quanto o fole na afinação que nós tocamos".

Segundo o próprio Luizinho, pelo grau de complexidade de tocar e pela dificuldade de se encontrar o fole de oito baixos, o que explica a resistência do instrumento é o amor passado de geração em geração.

"Eu tenho alunos que quando eu pergunto porque querem tocar sanfona de oito baixos e não outros instrumentos, dizem: 'porque meu pai tocava, meu avô, porque herdei o instrumento e quero dar sequência no trabalho e onde eles tiverem vão ficar feliz", disse.

Segundo Luizinho, existem poucas afinações para o fole oito baixos, e uma delas é a chamada afinação transportada, que ele e outros músicos usam.

Não há informações sobre quem criou o método, ou como ele chegou ao Nordeste brasileiro. Mas, apesar da dificuldade de se aprender e ensinar, Luizinho acredita que é justamente o aprendizado que consegue garantir o legado do fole de oito baixos.

"Os antigos falavam que para aprender a tocar sanfona a pessoa tem que ter um dom, mas se fosse assim eu não existia como professor, porque tenho vários alunos que vivem da música e não sabiam tocar nada, e hoje tem grupos ganhando a vida tocando sanfona de oito baixos", disse.

Amor pelo instrumento-Pelo contato íntimo desde a infância, é difícil separar Luizinho Calixto e a sanfona de oito baixos. O instrumento que o escolheu naturalmente também o levou a lugares como a Europa, onde já tocou em vários importantes festivais, e o proporcionou amizades com artistas como Fagner e Chico César.

"Esse instrumento, a sanfona de oito baixos, me deu inúmeras coisas. Eu fiz amizades com Zé Adriani, Dominguinhos, Nara Leão... Toquei pela primeira vez em um teatro graças a Vital Farias, no Rio de Janeiro, já toquei com Fagner, Chico César, com tantas pessoas importantes...", disse.

Para Luizinho, a sanfona de oito baixos lhe ofereceu muito mais que a capacidade de tocar um instrumento.

"Já fiz tanta coisa! E tudo isso com meu instrumento no peito. Só tenho que agradecer. Criei e formei dois filhos, graças a Deus e a sanfona de oito baixos. E estou na vida musical até hoje com meu instrumento", disse.

Nenhum comentário

SENADO APROVA PL QUE ESTABELECE DIRETRIZES PARA A RECUPERAÇÃO DO BIOMA CAATINGA

O Senado aprovou, nesta terça-feira (19/5), uma emenda ao Projeto de Lei 1990/2024, que institui a Política Nacional para a Recuperação da Vegetação da Caatinga. O texto original, de autoria da senadora Janaína Farias (PT/CE) e elaborado com apoio técnico do Instituto Escolhas, agora segue para sanção para sanção do presidente Lula. 

O projeto tem como objetivos recuperar áreas desmatadas do bioma; ampliar a produção sustentável de alimentos; aumentar a segurança hídrica e a melhorar a qualidade de água na Caatinga; e estimular a bioeconomia e o manejo florestal sustentável.

A Política Nacional prevê, entre outros itens, a participação de comunidades locais nas atividades de restauração e a capacitação de trabalhadores para atuação em cadeias produtivas sustentáveis.

O texto já havia sido aprovado pelo Senado em 2024 e pela Câmara dos Deputados no ano seguinte. Porém uma emenda fez com que o projeto voltasse à primeira etapa. Só na semana passada a emenda foi rejeitada pela Comissão de Meio Ambiente (CMA), levando o texto de volta ao Plenário, onde foi confirmado o projeto original.

Sérgio Leitão, diretor do Instituto Escolha aponta que essa é a primeira vez no Brasil que um projeto de lei voltado especialmente a uma política de recuperação de um bioma é aprovado. Para ele, o histórico de secas intensas em áreas de Caatinga, agravado pelo desmatamento, demonstra a urgência do tema.

“É uma região com mais de 1 milhão de hectares desmatados que precisam ser recuperados, porque é uma garantia de segurança hídrica para mais de 50 milhões de habitantes da região nordeste”, explica. 

A Caatinga é o único bioma exclusivamente brasileiro, abrangendo quase 11% do território nacional. Ela cobre áreas de todos os estados nordestinos, chegando ao norte de Minas Gerais, no Sudeste.

Um estudo do Instituto Escolhas, de 2024, aponta que a recuperação desse bioma pode trazer oportunidades para a região. Os dados mostram que o investimento de R$ 15,1 bilhões pode resultar em R$ 29,7 bilhões de receitas líquidas, com a geração de 466 mil empregos e a produção 7,4 milhões de toneladas de frutas, verduras e hortaliças. Também serão removidas mais de 702 milhões de toneladas de carbono da atmosfera, mitigando os efeitos adversos das mudanças climáticas.

Para o diretor do Instituto Escolhas, a expectativa é de que o projeto seja rapidamente sancionado. “Esperamos que ele seja uma das marcas comemorativas do Dia Internacional do Meio Ambiente este ano, no Brasil”, aponta. “Nossa expectativa é de que, até o dia 5 de junho, numa grande solenidade, o presidente Lula, que é nordestino e conhece o drama da seca, possa ter a honra de sancionar a lei voltada à recuperação desse bioma”.

Leitão lembra que, em agosto, acontecerá a COP da Convenção da Desertificação, na Mongólia, do qual o Brasil é signatário. “O tema desta edição será a esperança da recuperação. Ou seja, da necessidade vital que é o replantio daquilo que foi desmatado e é a garantia de sobrevivência de todas as população que vivem ameaçadas de desertificação, como é o Nordeste brasileiro”, declara.



Nenhum comentário

SEMINÁRIO VOZES DO SERTÃO REÚNE PROFISSIONAIS DE JUAZEIRO E PETROLINA

 O auditório da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), em Petrolina, sediou neste sábado (16) a primeira edição do Seminário Vozes do Vale, evento que reuniu radialistas, blogueiros, jornalistas e comunicadores de toda a região para debater o fortalecimento e a valorização da imprensa no Vale do São Francisco.

Idealizado pelo radialista Iranildo Nascimento, o encontro foi marcado por palestras, troca de experiências e homenagens a personalidades que contribuíram para a história da comunicação regional.

A programação contou com debates voltados ao aprimoramento profissional e à importância histórica da mídia local. A fonoaudióloga Natália Magno ministrou palestra sobre técnicas de voz e comunicação para profissionais da área.

Já a professora Andréa Cristiana Santos, diretora do Departamento de Ciências Humanas da Universidade do Estado da Bahia (UNEB), abordou o papel do rádio na cultura popular com o tema “O rádio fortaleceu a cultura popular e conquistou famílias”.

O jornalista Evaldo Costa também participou do seminário com a palestra “Como o rádio se fez indispensável?”, compartilhando experiências acumuladas em veículos como O Estado de S. Paulo, Jornal do Brasil e Diário de Pernambuco.

O evento contou ainda com a presença do prefeito de Juazeiro, Andrei Gonçalves, que destacou sua relação afetiva com o rádio.

“Sou fã do rádio desde garoto, quando acompanhava a programação das emissoras ao lado do meu pai. Vejo futebol na TV com o radinho no ouvido. Vocês são os amigos que falam no ouvido do povo.”

O prefeito de Petrolina, Simão Durando, não participou do evento e foi representado pelo secretário municipal de Comunicação, Junior Vilela.

Durante o seminário, foram homenageadas personalidades marcantes da história regional, entre elas Osvaldo Coelho, Dom Antônio Campelo e Osvaldo Benevides.

O encerramento ficou por conta do cantor Sérgio do Forró, que agradeceu o apoio da imprensa regional à sua trajetória artística e realizou uma apresentação musical.

A organização confirmou que o Seminário Vozes do Vale passará a ser itinerante. A próxima edição já está prevista para 2027, em Juazeiro, consolidando a iniciativa como um espaço permanente de integração e valorização dos profissionais da comunicação do Vale do São Francisco.

Nenhum comentário

NEY VITAL SACODE O FORRÓ NO RITMO DO JORNALISMO

 O Programa ‘Nas Asas da Asa Branca – Viva Luiz Gonzaga e seus Amigos’ agora tem novo horário e é apresentado aos domingos a partir das 10h na Rádio Educadora do Cariri FM 102.1, no Crato, Ceará.

Em defesa do Meio Ambiente e Valorização da Cultura Brasileira o jornalista Ney Vital recebeu Moção de Aplausos da Câmara de Vereadores, terra onde nasceu Padre Cícero. A homenagem, aprovada pelo Poder Legislativo, foi apresentada pelo vereador José Wilson da Silva Gomes (Wilson do Rosto) e aprovada por unanimidade.

A produção e apresentação do programa é do jornalista Ney Vital, colaborador da REDEGN. O programa é pautado em músicas de Luiz Gonzaga, informações em defesa do meio ambiente, agroecologia (destacando a Floresta Nacional da Chapada do Araripe e o Rio São Francisco), a cultura da região, seus cantadores de Pífano, aboiadores e violeiros.

‘Nas Asas da Asa Branca – Viva Luiz Gonzaga e seus Amigos’ segue uma trilogia amparada na cultura, cidadania e informação. Programa com roteiro usado para contar a história da música brasileira a partir da voz e sanfona de Luiz Gonzaga, seus amigos e seguidores.

Ney Vital considera o programa “o encontro da família brasileira”. Ele não promove rituais regionalistas, a mesquinhez saudosista dos que não se encontram com a arte e cultura, a não ser na lembrança. Ao contrário, o programa evoluiu para a tecnologia digital e forma de espaço reservado à cultura mais brasileira, universal, autêntica, descortinando um mar, cariri sertões de ritmos variados e escancarando a infinita capacidade criadora dos que fazem arte no Brasil.

É o conteúdo dessa autêntica expressão nacional que faz romper as barreiras regionais, esmagando as falsificações e deturpações do que costuma se fazer passar como patrimônio cultural brasileiro. Também por este motivo no programa o sucesso pré-fabricado não toca e o modismo de mau gosto passa longe.

“Existe uma desordem, inversão de valores no jornalismo e na qualidade das músicas apresentadas no rádio”, avalia Ney Vital que recebeu o Título de Cidadão de Exu, Terra de Luiz Gonzaga, título Amigo Gonzagueano Orgulho de Caruaru, e Troféu Luiz Gonzaga do Espaço Cultural Asa Branca de Caruaru e o Troféu Viva Dominguinhos-Amizade Sincera em Garanhuns.

Bagagem profissional-Ney Vital usa a credibilidade e experiência de 30 anos atuando no rádio e TV. Nas afiliadas da Rede Globo (TV Grande Rio e São Francisco), foi um dos produtores do Globo Rural, onde exibiu reportagens sobre Missa do Vaqueiro de Serrita e festa de aniversário de Luiz Gonzaga e dos 500 anos do Rio São Francisco, além de dezenas de reportagens pautadas no meio ambiente do semiárido e ecologia.

Membro da Rede Brasileira de Jornalismo, Ney Vital é formado em Jornalismo na Paraíba e com Pós-Graduação em Ensino de Comunicação Social pela Uneb/Universidade Federal do Rio Grande do Norte. 

“Nas Asas da Asa Branca, ao abrir as portas à mais genuína música brasileira, cria um ambiente de amor e orgulho pela nossa gente, uma disseminação de admiração e confiança de identidade cultural em nosso povo, experimentada por quem o sintoniza a RADIO EDUCADORA em todas as regiões do Brasil", finaliza Ney Vital.

Nenhum comentário

MÚSICA A FEIRA DE CARUARU COMPLETA 70 ANOS

Difícil imaginar a história de Caruaru hoje dissociada da sua feira e da canção “A Feira de Caruaru”, que se tornou símbolo maior da cultura da cidade e, também, da cultura pernambucana. Há exatos 70 anos, no ano de 1956, Onildo Almeida lançava a primeira versão da música. Para celebrar esse marco, nesta sexta-feira (8), chega em todas as plataformas de streaming a versão original de “A Feira de Caruaru”, gravada em 78 rotações na voz do autor da canção. O áudio original ganhou restauração com a resmasterização de Thiago Rad.

Essa é a versão que Luiz Gonzaga escutou pelos corredores da então Rádio Difusora de Caruaru e que pediu imediatamente para conhecer o autor, na época o jovem cantor e compositor, Onildo Almeida. Gonzagão foi levado pelo irmão de Onildo, Zé Almeida, para conhecê-lo. Onildo estava na técnica, na sala ao lado, e escuta do Rei do Baião a fala que já se tornou clássica: “Como é que você tem um negócio desse e não me amostra?” Onildo respondeu que a música estava nas mãos dele. A canção deu a Luiz Gonzaga o seu primeiro disco de ouro da carreira, 100 mil cópias em apenas dois meses.

Entretanto, a versão original de “A Feira de Caruaru” de 1956 de Onildo Almeida em 78 rotações também foi um sucesso local. Onildo, que se considerava um cantor romântico, não queria gravar o baião. Mas, em conversa com Genival Macedo, do selo Harpa, que lançou a primeira versão da canção, mudou de ideia e gravou a música nos estúdios da Rozenblit. “Foi um estouro, vendeu tudo”, relembra Onildo Almeida, ao falar de seu maior clássico e dessa versão emblemática.

ONILDO ALMEIDA: Com mais de 500 músicas gravadas, Onildo Almeida é um dos grandes compositores que ajudaram a moldar a cultura nordestina através da música. É dele clássicna voz não só de Luiz Gonzaga, como também de Marinês, Jackson do Pandeiro, Jacinto Silva, Gilberto Gil, Chico Buarque, Banda de Pífanos de Caruaru dos irmãos Biano, entre tantos outros. Onildo Almeida, que tem quase um século de vida, neste 2026 completa 98 anos, segue compondo e fazendo parcerias com novos artistas e também com outros de longa estrada. Patrimônio vivo da cultura, ele também carrega o título de doutor honoris causa. O artista, que desafia o tempo influenciando gerações, continua encantando plateias por onde passa. 

Nenhum comentário

← Postagens mais recentes Postagens mais antigas → Página inicial