SENADO APROVA PL QUE ESTABELECE DIRETRIZES PARA A RECUPERAÇÃO DO BIOMA CAATINGA

O Senado aprovou, nesta terça-feira (19/5), uma emenda ao Projeto de Lei 1990/2024, que institui a Política Nacional para a Recuperação da Vegetação da Caatinga. O texto original, de autoria da senadora Janaína Farias (PT/CE) e elaborado com apoio técnico do Instituto Escolhas, agora segue para sanção para sanção do presidente Lula. 

O projeto tem como objetivos recuperar áreas desmatadas do bioma; ampliar a produção sustentável de alimentos; aumentar a segurança hídrica e a melhorar a qualidade de água na Caatinga; e estimular a bioeconomia e o manejo florestal sustentável.

A Política Nacional prevê, entre outros itens, a participação de comunidades locais nas atividades de restauração e a capacitação de trabalhadores para atuação em cadeias produtivas sustentáveis.

O texto já havia sido aprovado pelo Senado em 2024 e pela Câmara dos Deputados no ano seguinte. Porém uma emenda fez com que o projeto voltasse à primeira etapa. Só na semana passada a emenda foi rejeitada pela Comissão de Meio Ambiente (CMA), levando o texto de volta ao Plenário, onde foi confirmado o projeto original.

Sérgio Leitão, diretor do Instituto Escolha aponta que essa é a primeira vez no Brasil que um projeto de lei voltado especialmente a uma política de recuperação de um bioma é aprovado. Para ele, o histórico de secas intensas em áreas de Caatinga, agravado pelo desmatamento, demonstra a urgência do tema.

“É uma região com mais de 1 milhão de hectares desmatados que precisam ser recuperados, porque é uma garantia de segurança hídrica para mais de 50 milhões de habitantes da região nordeste”, explica. 

A Caatinga é o único bioma exclusivamente brasileiro, abrangendo quase 11% do território nacional. Ela cobre áreas de todos os estados nordestinos, chegando ao norte de Minas Gerais, no Sudeste.

Um estudo do Instituto Escolhas, de 2024, aponta que a recuperação desse bioma pode trazer oportunidades para a região. Os dados mostram que o investimento de R$ 15,1 bilhões pode resultar em R$ 29,7 bilhões de receitas líquidas, com a geração de 466 mil empregos e a produção 7,4 milhões de toneladas de frutas, verduras e hortaliças. Também serão removidas mais de 702 milhões de toneladas de carbono da atmosfera, mitigando os efeitos adversos das mudanças climáticas.

Para o diretor do Instituto Escolhas, a expectativa é de que o projeto seja rapidamente sancionado. “Esperamos que ele seja uma das marcas comemorativas do Dia Internacional do Meio Ambiente este ano, no Brasil”, aponta. “Nossa expectativa é de que, até o dia 5 de junho, numa grande solenidade, o presidente Lula, que é nordestino e conhece o drama da seca, possa ter a honra de sancionar a lei voltada à recuperação desse bioma”.

Leitão lembra que, em agosto, acontecerá a COP da Convenção da Desertificação, na Mongólia, do qual o Brasil é signatário. “O tema desta edição será a esperança da recuperação. Ou seja, da necessidade vital que é o replantio daquilo que foi desmatado e é a garantia de sobrevivência de todas as população que vivem ameaçadas de desertificação, como é o Nordeste brasileiro”, declara.



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SEMINÁRIO VOZES DO SERTÃO REÚNE PROFISSIONAIS DE JUAZEIRO E PETROLINA

 O auditório da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), em Petrolina, sediou neste sábado (16) a primeira edição do Seminário Vozes do Vale, evento que reuniu radialistas, blogueiros, jornalistas e comunicadores de toda a região para debater o fortalecimento e a valorização da imprensa no Vale do São Francisco.

Idealizado pelo radialista Iranildo Nascimento, o encontro foi marcado por palestras, troca de experiências e homenagens a personalidades que contribuíram para a história da comunicação regional.

A programação contou com debates voltados ao aprimoramento profissional e à importância histórica da mídia local. A fonoaudióloga Natália Magno ministrou palestra sobre técnicas de voz e comunicação para profissionais da área.

Já a professora Andréa Cristiana Santos, diretora do Departamento de Ciências Humanas da Universidade do Estado da Bahia (UNEB), abordou o papel do rádio na cultura popular com o tema “O rádio fortaleceu a cultura popular e conquistou famílias”.

O jornalista Evaldo Costa também participou do seminário com a palestra “Como o rádio se fez indispensável?”, compartilhando experiências acumuladas em veículos como O Estado de S. Paulo, Jornal do Brasil e Diário de Pernambuco.

O evento contou ainda com a presença do prefeito de Juazeiro, Andrei Gonçalves, que destacou sua relação afetiva com o rádio.

“Sou fã do rádio desde garoto, quando acompanhava a programação das emissoras ao lado do meu pai. Vejo futebol na TV com o radinho no ouvido. Vocês são os amigos que falam no ouvido do povo.”

O prefeito de Petrolina, Simão Durando, não participou do evento e foi representado pelo secretário municipal de Comunicação, Junior Vilela.

Durante o seminário, foram homenageadas personalidades marcantes da história regional, entre elas Osvaldo Coelho, Dom Antônio Campelo e Osvaldo Benevides.

O encerramento ficou por conta do cantor Sérgio do Forró, que agradeceu o apoio da imprensa regional à sua trajetória artística e realizou uma apresentação musical.

A organização confirmou que o Seminário Vozes do Vale passará a ser itinerante. A próxima edição já está prevista para 2027, em Juazeiro, consolidando a iniciativa como um espaço permanente de integração e valorização dos profissionais da comunicação do Vale do São Francisco.

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NEY VITAL SACODE O FORRÓ NO RITMO DO JORNALISMO

 O Programa ‘Nas Asas da Asa Branca – Viva Luiz Gonzaga e seus Amigos’ agora tem novo horário e é apresentado aos domingos a partir das 10h na Rádio Educadora do Cariri FM 102.1, no Crato, Ceará.

Em defesa do Meio Ambiente e Valorização da Cultura Brasileira o jornalista Ney Vital recebeu Moção de Aplausos da Câmara de Vereadores, terra onde nasceu Padre Cícero. A homenagem, aprovada pelo Poder Legislativo, foi apresentada pelo vereador José Wilson da Silva Gomes (Wilson do Rosto) e aprovada por unanimidade.

A produção e apresentação do programa é do jornalista Ney Vital, colaborador da REDEGN. O programa é pautado em músicas de Luiz Gonzaga, informações em defesa do meio ambiente, agroecologia (destacando a Floresta Nacional da Chapada do Araripe e o Rio São Francisco), a cultura da região, seus cantadores de Pífano, aboiadores e violeiros.

‘Nas Asas da Asa Branca – Viva Luiz Gonzaga e seus Amigos’ segue uma trilogia amparada na cultura, cidadania e informação. Programa com roteiro usado para contar a história da música brasileira a partir da voz e sanfona de Luiz Gonzaga, seus amigos e seguidores.

Ney Vital considera o programa “o encontro da família brasileira”. Ele não promove rituais regionalistas, a mesquinhez saudosista dos que não se encontram com a arte e cultura, a não ser na lembrança. Ao contrário, o programa evoluiu para a tecnologia digital e forma de espaço reservado à cultura mais brasileira, universal, autêntica, descortinando um mar, cariri sertões de ritmos variados e escancarando a infinita capacidade criadora dos que fazem arte no Brasil.

É o conteúdo dessa autêntica expressão nacional que faz romper as barreiras regionais, esmagando as falsificações e deturpações do que costuma se fazer passar como patrimônio cultural brasileiro. Também por este motivo no programa o sucesso pré-fabricado não toca e o modismo de mau gosto passa longe.

“Existe uma desordem, inversão de valores no jornalismo e na qualidade das músicas apresentadas no rádio”, avalia Ney Vital que recebeu o Título de Cidadão de Exu, Terra de Luiz Gonzaga, título Amigo Gonzagueano Orgulho de Caruaru, e Troféu Luiz Gonzaga do Espaço Cultural Asa Branca de Caruaru e o Troféu Viva Dominguinhos-Amizade Sincera em Garanhuns.

Bagagem profissional-Ney Vital usa a credibilidade e experiência de 30 anos atuando no rádio e TV. Nas afiliadas da Rede Globo (TV Grande Rio e São Francisco), foi um dos produtores do Globo Rural, onde exibiu reportagens sobre Missa do Vaqueiro de Serrita e festa de aniversário de Luiz Gonzaga e dos 500 anos do Rio São Francisco, além de dezenas de reportagens pautadas no meio ambiente do semiárido e ecologia.

Membro da Rede Brasileira de Jornalismo, Ney Vital é formado em Jornalismo na Paraíba e com Pós-Graduação em Ensino de Comunicação Social pela Uneb/Universidade Federal do Rio Grande do Norte. 

“Nas Asas da Asa Branca, ao abrir as portas à mais genuína música brasileira, cria um ambiente de amor e orgulho pela nossa gente, uma disseminação de admiração e confiança de identidade cultural em nosso povo, experimentada por quem o sintoniza a RADIO EDUCADORA em todas as regiões do Brasil", finaliza Ney Vital.

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MÚSICA A FEIRA DE CARUARU COMPLETA 70 ANOS

Difícil imaginar a história de Caruaru hoje dissociada da sua feira e da canção “A Feira de Caruaru”, que se tornou símbolo maior da cultura da cidade e, também, da cultura pernambucana. Há exatos 70 anos, no ano de 1956, Onildo Almeida lançava a primeira versão da música. Para celebrar esse marco, nesta sexta-feira (8), chega em todas as plataformas de streaming a versão original de “A Feira de Caruaru”, gravada em 78 rotações na voz do autor da canção. O áudio original ganhou restauração com a resmasterização de Thiago Rad.

Essa é a versão que Luiz Gonzaga escutou pelos corredores da então Rádio Difusora de Caruaru e que pediu imediatamente para conhecer o autor, na época o jovem cantor e compositor, Onildo Almeida. Gonzagão foi levado pelo irmão de Onildo, Zé Almeida, para conhecê-lo. Onildo estava na técnica, na sala ao lado, e escuta do Rei do Baião a fala que já se tornou clássica: “Como é que você tem um negócio desse e não me amostra?” Onildo respondeu que a música estava nas mãos dele. A canção deu a Luiz Gonzaga o seu primeiro disco de ouro da carreira, 100 mil cópias em apenas dois meses.

Entretanto, a versão original de “A Feira de Caruaru” de 1956 de Onildo Almeida em 78 rotações também foi um sucesso local. Onildo, que se considerava um cantor romântico, não queria gravar o baião. Mas, em conversa com Genival Macedo, do selo Harpa, que lançou a primeira versão da canção, mudou de ideia e gravou a música nos estúdios da Rozenblit. “Foi um estouro, vendeu tudo”, relembra Onildo Almeida, ao falar de seu maior clássico e dessa versão emblemática.

ONILDO ALMEIDA: Com mais de 500 músicas gravadas, Onildo Almeida é um dos grandes compositores que ajudaram a moldar a cultura nordestina através da música. É dele clássicna voz não só de Luiz Gonzaga, como também de Marinês, Jackson do Pandeiro, Jacinto Silva, Gilberto Gil, Chico Buarque, Banda de Pífanos de Caruaru dos irmãos Biano, entre tantos outros. Onildo Almeida, que tem quase um século de vida, neste 2026 completa 98 anos, segue compondo e fazendo parcerias com novos artistas e também com outros de longa estrada. Patrimônio vivo da cultura, ele também carrega o título de doutor honoris causa. O artista, que desafia o tempo influenciando gerações, continua encantando plateias por onde passa. 

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RÁDIO NACIONAL 90 ANOS

Para comemorar as nove décadas da Rádio Nacional, a emissora pública lança a série Rádio Memória - 90 anos com um mergulho na história de um dos veículos de comunicação mais importantes do país. A novidade entra no ar em 12 de maio, a quatro meses da efeméride. Em formato de videocast, o programa reúne fatos marcantes e curiosidades que ajudam a contar a trajetória da emissora.

A cada encontro, o jornalista e apresentador Dylan Araújo recebe convidados que fazem parte dessa história para conversas que resgatam memórias e revelam bastidores de diferentes fases da Rádio Nacional. A emoção atravessa os episódios para conectar gerações que viveram – e ainda constroem – a programação nos dias atuais.

Os programas ficarão disponíveis no canal do YouTube da Rádio Nacional e recortes poderão ser acompanhados no dial para ampliação do alcance. O conteúdo é apresentado no Revista Rio, às 13h, para o Rio de Janeiro, e durante o Tarde Nacional local, às 15h, nas demais praças. Com material de acervo e entrevistas, a série presta homenagem a quem já passou pela emissora e valoriza quem segue mantendo vivo o legado da Rádio Nacional.

A iniciativa integra uma agenda de ações que celebram os 90 anos em 12 de setembro de 2026. Com o slogan "Do passado ao futuro. Sem Fronteiras", a emissora pública que integra a Empresa Brasil de Comunicação (EBC) se mantém atual e relevante. Ao longo de sua história, a Nacional se firmou como uma das principais rádios do país e referência cultural na Música Popular Brasileira, no jornalismo e nas transmissões esportivas.

De acordo com o gerente executivo de Rádios da EBC, Thiago Regotto, a ideia é agregar ao calendário comemorativo, produzir conteúdo que se torna o acervo do futuro e gerar engajamento a partir da efeméride.

"Sentimos a necessidade de fazer o mapeamento da memória oral de profissionais que passaram pela rádio ou que tenham contato com temas caros à emissora. Adaptamos o quadro Rádio Memória para o formato de videocast que lançamos quatro meses antes dos 90 anos da Rádio Nacional", explica

Paixão nacional, futebol marca estreia da série-O primeiro episódio da série de videocast Rádio Memória - 90 anos volta o olhar para o futebol no rádio e destaca como a Rádio Nacional ajudou a popularizar o esporte em todo o país. Para investigar o assunto, Dylan Araújo recebe os radialistas Eraldo Leite e Waldir Luiz, nomes consagrados no jornalismo esportivo que já integraram o time de profissionais da emissora.

O programa destaca o papel pioneiro da Rádio Nacional na consolidação da linguagem esportiva no rádio e na construção de uma cultura brasileira em torno do futebol. A edição lembra de que forma as transmissões esportivas ampliaram o alcance das partidas ao levar emoção a ouvintes de diferentes regiões. Entre narrações históricas e bastidores, o episódio mostra como o rádio transformou o futebol em um espetáculo coletivo, criou ídolos e aproximou o público dos clubes.

O papo também evidencia como a linguagem do futebol foi se atualizando ao longo do tempo - de expressões como "volante" e "ponta de lança" aos termos mais recentes, como "meia armador", "camisa 10 clássico", "falso 9", "linha alta" e "terço final".

Nos próximos programas, o videocast aborda temas como o samba e o choro. O primeiro assunto pauta o encontro com a cantora e compositora Dorina; o historiador, cantor e compositor Marquinho China e o jornalista, sociólogo e pesquisador Bruno Fillipo. Já o choro embala a conversa com a cantora e compositora Nilze Carvalho e o instrumentista Ronaldo do Bandolim. As entrevistas foram gravadas no Museu do Rádio, na sede da EBC, no Rio de Janeiro.

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VIVA O SÃO JOÃO, VIVAM OS BIANOS, POR PROFESSOR JOSÉ URBANO

Era 23 de junho de 1919/ uma data na qual o Nordeste se veste de alegrias para celebrar o seu personagem mais glorificado na religiosidade popular: João, o batista, personagem que figura nos evangelhos como o precursor de Jesus Cristo, do qual era primo.  

Na simplicidade da gente alagoana, mais uma sertaneja entrou em trabalho de parto, trazendo ao mundo nova vida, naquele dia de celebrações. 

Das primeiras lembranças, eis o relato: " _Não sei dizer, porque nasci lá, mas me criei assim: quando estava seco e não tinha o que comer, meu pai ia para outro canto melhor_ . Depois, quando ficava ruim de novo, a gente ia para outro lugar"  E continua  " _(Era) Tudo descalço, 'de pés'. Ninguém morria de fome só porque Deus não deixava. Passamos muita fome, pedimos esmola. O caminho era esse, não tinha outro"._ 

Mas a sina dos escolhidos para disseminar arte está traçada desde o nascimento.  E outro caminho aconteceu!  Aos 5 anos de idade, viu o seu genitor fundar um grupo musical, naquele momento denominado de banda cabaçal, terno de zabumba ou esquenta muié.  _Tudo simples demais, com instrumentos artesanais, e sem qualquer instrução, tocando "de ouvido_ ".

No currículo, uma tocada para o rei do Cangaço , em pessoa!  

Em 1939, tomaram a decisão e rumaram para Caruaru.  " _Chegamos de madrugada, no escuro, sem conhecer ninguém, ninguém.  Mas foi aqui que as coisas clarearam para a nossa família_ " conta o mestre.  Banda de Pífanos e feira, feitos um para o outro! 

Fico imaginando o encontro e diálogos na feira de Caruaru entre os *Bianos e Vitalino* , nosso mestre do barro, exímio tocador de pífanos...só Caruaru teve esse cenário e personagens por vários anos.

Em 1955, o pai da família veio a falecer, e profetizou que " _não deem fim a bandinha, ela vai sustentar vocês"._  Ele estava certo.  Muito mais do que um sustento, virou uma marca cultural do Brasil, e os projetou para fronteiras internacionais.   

Em 1972, chegou a experiência fonográfica e Gilberto Gil, um dos pais da Tropicália, vem a Caruaru, conhece o trabalho e grava Pipoca Moderna, encantado com a sonoridade deles.  Em 1975, Caetano Veloso - no embalo do novo movimento tropical - também se contagia e com letra e tudo, grava em seu disco Joia uma faixa musical.   Tornam-se os Beatles de Caruaru , segundo Gil, o responsável por apresentar o grupo ao Rio de Janeiro e vice-versa. 

" _Não sabia o que era ritmo nem show.  A gente tocava nas feiras e festas e aprendi música ouvindo chocalhos e passarinhos do sertão_ "  nos contou  Sebastião Biano. Pura genialidade!

No currículo, seis lps e dois Cds, um Grammy Latino em 2005 e a Ordem do Mérito Cultural, em 2006. Em 2019, homenageado no São João de Caruaru, referenciado por nossa prefeita Raquel Lyra, num gesto de absoluta sensibilidade cultural.  Na coleção do mestre do barro, banda de pífanos de Caruaru é uma marca que o mundo inteiro conhece.  E para mim, o simbolismo da banda se denominar de Caruaru, apesar de serem naturais de outro Estado e cidade.  Isso tem valor, mas não tem preço, formidável. 

 Vitalino e os Bianos, os responsáveis por projetar nossa cidade como polo cultural pelo Brasil e mundo a fora. 

O que é bom, o tempo jamais corrói.  Não modifica, se eterniza. E já vão *105 anos* de vida!

Parabéns, Sebastião Biano, obrigado por tudo, viva a cultura nordestina.

Professor_José Urbano-pesquisador e escritor

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ONILDO ALMEIDA AOS 98 ANOS COMEMORA OS 70 ANOS DA MÚSICA A FEIRA DE CARUARU

Aos 98 anos, Onildo Almeida comemora 70 anos da música 'A Feira de Caruaru': "Não vi o tempo passar."

Muitas feiras podem se vangloriar das suas cores e sabores, mas poucas possuem uma mística tão profunda que transborda para a música. A Feira de Caruaru, que é Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro e já era soberana em suas tradições desde o século 18, ganhou sua trilha sonora definitiva há 70 anos, quando Onildo Almeida compôs o clássico homônimo eternizado por Luiz Gonzaga.

Para celebrar essa história, a versão original de 1956 — na voz do próprio Onildo — foi resgatada. Após um processo de remasterização por Thiago Rad e produção por Kira Aderne, a gravação está disponível em todas as plataformas digitais desde a última sexta-feira (8).

Mesmo sem nunca ter negociado uma mercadoria sequer, Onildo consagrou-se como o maior “vendedor” da feira através de seus versos. A canção, que ganhou o mundo na voz do Rei do Baião, atravessou gerações e recebeu diversas releituras de artistas como Gilberto GIl, Chico Buarque, Marinês, Mestre Ambrósio, Banda de Pífanos de Caruaru, Anastácia, Oswaldinho do Acordeon e Israel Filho. “A feira já estava lá antes mesmo da cidade. E hoje, através dessa música, ela encontrou sua maior propaganda”, celebra o autor em entrevista ao Diario.

Acompanhando a sua mãe Flora Camila de Almeida aos sábados, ele observava a imensa variedade do pátio e tomava nota de cada detalhe. Como diz a letra, ali se encontrava “de tudo que há no mundo” — e, segundo Onildo, não era exagero. Por maior que a canção fosse, não incluiu tudo o que ele viu, como a inusitada comercialização de automóveis. “Toda cidade tem sua feira. Mas a de Caruaru tem uma diferença, porque vende tudo o que você imaginar”, explica.

Na década de 1950, Onildo dividia seu tempo entre o microfone da Rádio Difusora de Caruaru, onde apresentou programas de auditório, e as primeiras composições, que na época seguiam um estilo mais romântico.

Desafiando sua veia romântica, Onildo rendeu-se ao fascínio do comércio local e decidiu, por pura diversão, colocar o cotidiano da feira no ritmo do baião. Em 1956, ao lado de um conjunto de Caruaru e músicos do Recife, gravou a obra no estúdio da Rozenblit e viu as três mil cópias sumirem das prateleiras em 15 dias, mas o sucesso ainda não havia ultrapassado as fronteiras locais — o que só aconteceu após a música fisgar a atenção de Luiz Gonzaga.

Impressionado, o Rei do Baião fez questão de conhecer o jovem autor. O encontro selou uma amizade e resultou no pedido para gravar sua própria versão, lançada em 1957, que rendeu a Gonzagão o primeiro disco de ouro de sua carreira. ”Ele não gravava alguém só por ser amigo, não. O que importava para Gonzaga era a qualidade da obra”, relembra Onildo.

Para o músico, o relançamento vai além da memória afetiva e histórica. É também a reafirmação de que a Feira de Caruaru continua tão abundante quanto no tempo em que inspirou a canção. Tanto é que, aos 96 anos, ele e a esposa, Lenita, mantêm o hábito de visitar a feira todos os domingos, antes das 7h da manhã. “Continua sendo um lugar onde se encontra de tudo. O que muitas vezes falta na cidade, acaba aparecendo por lá”, garante.

Não poderia haver momento mais simbólico para este relançamento do que a chegada do ciclo junino. No dia 19 de junho, no Polo Camarão do São João de Caruaru, Onildo subirá ao palco ao lado da cantora Kira Aderne para um show histórico.

No repertório, além da emblemática “A Feira de Caruaru”, o público poderá ouvir clássicos como “Sanfoneiro Macho”, “Forrock” e “Forró dos Namorados”. Com uma vitalidade invejável rumo ao seu centenário, Onildo promete se apresentar com o fôlego de sempre: “Eu não vi o tempo passar. Deus me fez assim e continua me dando força. Não sinto que tenho 98 anos”, diz.

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