MÚSICA A FEIRA DE CARUARU COMPLETA 70 ANOS

Difícil imaginar a história de Caruaru hoje dissociada da sua feira e da canção “A Feira de Caruaru”, que se tornou símbolo maior da cultura da cidade e, também, da cultura pernambucana. Há exatos 70 anos, no ano de 1956, Onildo Almeida lançava a primeira versão da música. Para celebrar esse marco, nesta sexta-feira (8), chega em todas as plataformas de streaming a versão original de “A Feira de Caruaru”, gravada em 78 rotações na voz do autor da canção. O áudio original ganhou restauração com a resmasterização de Thiago Rad.

Essa é a versão que Luiz Gonzaga escutou pelos corredores da então Rádio Difusora de Caruaru e que pediu imediatamente para conhecer o autor, na época o jovem cantor e compositor, Onildo Almeida. Gonzagão foi levado pelo irmão de Onildo, Zé Almeida, para conhecê-lo. Onildo estava na técnica, na sala ao lado, e escuta do Rei do Baião a fala que já se tornou clássica: “Como é que você tem um negócio desse e não me amostra?” Onildo respondeu que a música estava nas mãos dele. A canção deu a Luiz Gonzaga o seu primeiro disco de ouro da carreira, 100 mil cópias em apenas dois meses.

Entretanto, a versão original de “A Feira de Caruaru” de 1956 de Onildo Almeida em 78 rotações também foi um sucesso local. Onildo, que se considerava um cantor romântico, não queria gravar o baião. Mas, em conversa com Genival Macedo, do selo Harpa, que lançou a primeira versão da canção, mudou de ideia e gravou a música nos estúdios da Rozenblit. “Foi um estouro, vendeu tudo”, relembra Onildo Almeida, ao falar de seu maior clássico e dessa versão emblemática.

ONILDO ALMEIDA: Com mais de 500 músicas gravadas, Onildo Almeida é um dos grandes compositores que ajudaram a moldar a cultura nordestina através da música. É dele clássicna voz não só de Luiz Gonzaga, como também de Marinês, Jackson do Pandeiro, Jacinto Silva, Gilberto Gil, Chico Buarque, Banda de Pífanos de Caruaru dos irmãos Biano, entre tantos outros. Onildo Almeida, que tem quase um século de vida, neste 2026 completa 98 anos, segue compondo e fazendo parcerias com novos artistas e também com outros de longa estrada. Patrimônio vivo da cultura, ele também carrega o título de doutor honoris causa. O artista, que desafia o tempo influenciando gerações, continua encantando plateias por onde passa. 

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RÁDIO NACIONAL 90 ANOS

Para comemorar as nove décadas da Rádio Nacional, a emissora pública lança a série Rádio Memória - 90 anos com um mergulho na história de um dos veículos de comunicação mais importantes do país. A novidade entra no ar em 12 de maio, a quatro meses da efeméride. Em formato de videocast, o programa reúne fatos marcantes e curiosidades que ajudam a contar a trajetória da emissora.

A cada encontro, o jornalista e apresentador Dylan Araújo recebe convidados que fazem parte dessa história para conversas que resgatam memórias e revelam bastidores de diferentes fases da Rádio Nacional. A emoção atravessa os episódios para conectar gerações que viveram – e ainda constroem – a programação nos dias atuais.

Os programas ficarão disponíveis no canal do YouTube da Rádio Nacional e recortes poderão ser acompanhados no dial para ampliação do alcance. O conteúdo é apresentado no Revista Rio, às 13h, para o Rio de Janeiro, e durante o Tarde Nacional local, às 15h, nas demais praças. Com material de acervo e entrevistas, a série presta homenagem a quem já passou pela emissora e valoriza quem segue mantendo vivo o legado da Rádio Nacional.

A iniciativa integra uma agenda de ações que celebram os 90 anos em 12 de setembro de 2026. Com o slogan "Do passado ao futuro. Sem Fronteiras", a emissora pública que integra a Empresa Brasil de Comunicação (EBC) se mantém atual e relevante. Ao longo de sua história, a Nacional se firmou como uma das principais rádios do país e referência cultural na Música Popular Brasileira, no jornalismo e nas transmissões esportivas.

De acordo com o gerente executivo de Rádios da EBC, Thiago Regotto, a ideia é agregar ao calendário comemorativo, produzir conteúdo que se torna o acervo do futuro e gerar engajamento a partir da efeméride.

"Sentimos a necessidade de fazer o mapeamento da memória oral de profissionais que passaram pela rádio ou que tenham contato com temas caros à emissora. Adaptamos o quadro Rádio Memória para o formato de videocast que lançamos quatro meses antes dos 90 anos da Rádio Nacional", explica

Paixão nacional, futebol marca estreia da série-O primeiro episódio da série de videocast Rádio Memória - 90 anos volta o olhar para o futebol no rádio e destaca como a Rádio Nacional ajudou a popularizar o esporte em todo o país. Para investigar o assunto, Dylan Araújo recebe os radialistas Eraldo Leite e Waldir Luiz, nomes consagrados no jornalismo esportivo que já integraram o time de profissionais da emissora.

O programa destaca o papel pioneiro da Rádio Nacional na consolidação da linguagem esportiva no rádio e na construção de uma cultura brasileira em torno do futebol. A edição lembra de que forma as transmissões esportivas ampliaram o alcance das partidas ao levar emoção a ouvintes de diferentes regiões. Entre narrações históricas e bastidores, o episódio mostra como o rádio transformou o futebol em um espetáculo coletivo, criou ídolos e aproximou o público dos clubes.

O papo também evidencia como a linguagem do futebol foi se atualizando ao longo do tempo - de expressões como "volante" e "ponta de lança" aos termos mais recentes, como "meia armador", "camisa 10 clássico", "falso 9", "linha alta" e "terço final".

Nos próximos programas, o videocast aborda temas como o samba e o choro. O primeiro assunto pauta o encontro com a cantora e compositora Dorina; o historiador, cantor e compositor Marquinho China e o jornalista, sociólogo e pesquisador Bruno Fillipo. Já o choro embala a conversa com a cantora e compositora Nilze Carvalho e o instrumentista Ronaldo do Bandolim. As entrevistas foram gravadas no Museu do Rádio, na sede da EBC, no Rio de Janeiro.

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VIVA O SÃO JOÃO, VIVAM OS BIANOS, POR PROFESSOR JOSÉ URBANO

Era 23 de junho de 1919/ uma data na qual o Nordeste se veste de alegrias para celebrar o seu personagem mais glorificado na religiosidade popular: João, o batista, personagem que figura nos evangelhos como o precursor de Jesus Cristo, do qual era primo.  

Na simplicidade da gente alagoana, mais uma sertaneja entrou em trabalho de parto, trazendo ao mundo nova vida, naquele dia de celebrações. 

Das primeiras lembranças, eis o relato: " _Não sei dizer, porque nasci lá, mas me criei assim: quando estava seco e não tinha o que comer, meu pai ia para outro canto melhor_ . Depois, quando ficava ruim de novo, a gente ia para outro lugar"  E continua  " _(Era) Tudo descalço, 'de pés'. Ninguém morria de fome só porque Deus não deixava. Passamos muita fome, pedimos esmola. O caminho era esse, não tinha outro"._ 

Mas a sina dos escolhidos para disseminar arte está traçada desde o nascimento.  E outro caminho aconteceu!  Aos 5 anos de idade, viu o seu genitor fundar um grupo musical, naquele momento denominado de banda cabaçal, terno de zabumba ou esquenta muié.  _Tudo simples demais, com instrumentos artesanais, e sem qualquer instrução, tocando "de ouvido_ ".

No currículo, uma tocada para o rei do Cangaço , em pessoa!  

Em 1939, tomaram a decisão e rumaram para Caruaru.  " _Chegamos de madrugada, no escuro, sem conhecer ninguém, ninguém.  Mas foi aqui que as coisas clarearam para a nossa família_ " conta o mestre.  Banda de Pífanos e feira, feitos um para o outro! 

Fico imaginando o encontro e diálogos na feira de Caruaru entre os *Bianos e Vitalino* , nosso mestre do barro, exímio tocador de pífanos...só Caruaru teve esse cenário e personagens por vários anos.

Em 1955, o pai da família veio a falecer, e profetizou que " _não deem fim a bandinha, ela vai sustentar vocês"._  Ele estava certo.  Muito mais do que um sustento, virou uma marca cultural do Brasil, e os projetou para fronteiras internacionais.   

Em 1972, chegou a experiência fonográfica e Gilberto Gil, um dos pais da Tropicália, vem a Caruaru, conhece o trabalho e grava Pipoca Moderna, encantado com a sonoridade deles.  Em 1975, Caetano Veloso - no embalo do novo movimento tropical - também se contagia e com letra e tudo, grava em seu disco Joia uma faixa musical.   Tornam-se os Beatles de Caruaru , segundo Gil, o responsável por apresentar o grupo ao Rio de Janeiro e vice-versa. 

" _Não sabia o que era ritmo nem show.  A gente tocava nas feiras e festas e aprendi música ouvindo chocalhos e passarinhos do sertão_ "  nos contou  Sebastião Biano. Pura genialidade!

No currículo, seis lps e dois Cds, um Grammy Latino em 2005 e a Ordem do Mérito Cultural, em 2006. Em 2019, homenageado no São João de Caruaru, referenciado por nossa prefeita Raquel Lyra, num gesto de absoluta sensibilidade cultural.  Na coleção do mestre do barro, banda de pífanos de Caruaru é uma marca que o mundo inteiro conhece.  E para mim, o simbolismo da banda se denominar de Caruaru, apesar de serem naturais de outro Estado e cidade.  Isso tem valor, mas não tem preço, formidável. 

 Vitalino e os Bianos, os responsáveis por projetar nossa cidade como polo cultural pelo Brasil e mundo a fora. 

O que é bom, o tempo jamais corrói.  Não modifica, se eterniza. E já vão *105 anos* de vida!

Parabéns, Sebastião Biano, obrigado por tudo, viva a cultura nordestina.

Professor_José Urbano-pesquisador e escritor

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ONILDO ALMEIDA AOS 98 ANOS COMEMORA OS 70 ANOS DA MÚSICA A FEIRA DE CARUARU

Aos 98 anos, Onildo Almeida comemora 70 anos da música 'A Feira de Caruaru': "Não vi o tempo passar."

Muitas feiras podem se vangloriar das suas cores e sabores, mas poucas possuem uma mística tão profunda que transborda para a música. A Feira de Caruaru, que é Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro e já era soberana em suas tradições desde o século 18, ganhou sua trilha sonora definitiva há 70 anos, quando Onildo Almeida compôs o clássico homônimo eternizado por Luiz Gonzaga.

Para celebrar essa história, a versão original de 1956 — na voz do próprio Onildo — foi resgatada. Após um processo de remasterização por Thiago Rad e produção por Kira Aderne, a gravação está disponível em todas as plataformas digitais desde a última sexta-feira (8).

Mesmo sem nunca ter negociado uma mercadoria sequer, Onildo consagrou-se como o maior “vendedor” da feira através de seus versos. A canção, que ganhou o mundo na voz do Rei do Baião, atravessou gerações e recebeu diversas releituras de artistas como Gilberto GIl, Chico Buarque, Marinês, Mestre Ambrósio, Banda de Pífanos de Caruaru, Anastácia, Oswaldinho do Acordeon e Israel Filho. “A feira já estava lá antes mesmo da cidade. E hoje, através dessa música, ela encontrou sua maior propaganda”, celebra o autor em entrevista ao Diario.

Acompanhando a sua mãe Flora Camila de Almeida aos sábados, ele observava a imensa variedade do pátio e tomava nota de cada detalhe. Como diz a letra, ali se encontrava “de tudo que há no mundo” — e, segundo Onildo, não era exagero. Por maior que a canção fosse, não incluiu tudo o que ele viu, como a inusitada comercialização de automóveis. “Toda cidade tem sua feira. Mas a de Caruaru tem uma diferença, porque vende tudo o que você imaginar”, explica.

Na década de 1950, Onildo dividia seu tempo entre o microfone da Rádio Difusora de Caruaru, onde apresentou programas de auditório, e as primeiras composições, que na época seguiam um estilo mais romântico.

Desafiando sua veia romântica, Onildo rendeu-se ao fascínio do comércio local e decidiu, por pura diversão, colocar o cotidiano da feira no ritmo do baião. Em 1956, ao lado de um conjunto de Caruaru e músicos do Recife, gravou a obra no estúdio da Rozenblit e viu as três mil cópias sumirem das prateleiras em 15 dias, mas o sucesso ainda não havia ultrapassado as fronteiras locais — o que só aconteceu após a música fisgar a atenção de Luiz Gonzaga.

Impressionado, o Rei do Baião fez questão de conhecer o jovem autor. O encontro selou uma amizade e resultou no pedido para gravar sua própria versão, lançada em 1957, que rendeu a Gonzagão o primeiro disco de ouro de sua carreira. ”Ele não gravava alguém só por ser amigo, não. O que importava para Gonzaga era a qualidade da obra”, relembra Onildo.

Para o músico, o relançamento vai além da memória afetiva e histórica. É também a reafirmação de que a Feira de Caruaru continua tão abundante quanto no tempo em que inspirou a canção. Tanto é que, aos 96 anos, ele e a esposa, Lenita, mantêm o hábito de visitar a feira todos os domingos, antes das 7h da manhã. “Continua sendo um lugar onde se encontra de tudo. O que muitas vezes falta na cidade, acaba aparecendo por lá”, garante.

Não poderia haver momento mais simbólico para este relançamento do que a chegada do ciclo junino. No dia 19 de junho, no Polo Camarão do São João de Caruaru, Onildo subirá ao palco ao lado da cantora Kira Aderne para um show histórico.

No repertório, além da emblemática “A Feira de Caruaru”, o público poderá ouvir clássicos como “Sanfoneiro Macho”, “Forrock” e “Forró dos Namorados”. Com uma vitalidade invejável rumo ao seu centenário, Onildo promete se apresentar com o fôlego de sempre: “Eu não vi o tempo passar. Deus me fez assim e continua me dando força. Não sinto que tenho 98 anos”, diz.

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ALBUM DOMINGUINHO VOLUME 2 DESTACA XOTE, FORRÓ E BAIÃO

O álbum “Dominguinho Vol.2”, fruto da parceria entre João Gomes, Jota.Pê e Mestrinho, estreou nesta sexta-feira (8) nas plataformas digitais repetindo a fórmula de seu antecessor. Entre releituras e canções autorais, o novo disco reúne 12 faixas e foi gravado no Centro Histórico de Salvador, na Bahia.

Assim como o primeiro “Dominguinho”, vencedor do Grammy Latino de Melhor Álbum de Música de Raízes em Língua Portuguesa em 2025, a continuação aposta na gravação acústica que mistura ritmos como forró, xote, baião, pop e MPB.

Com as repercussões positivas, o trio, para além da sequência, também anunciou a realização de um cruzeiro temático “Dominguinho em Alto-Mar”. O show marítimo acontecerá entre os dias 12 e 15 de dezembro a bordo do MSC Divina.

Entre os artistas que já confirmados estão Ney Matogrosso, Elba Ramalho e Seu Jorge.

Confira a tracklist completa do “Dominguinho Vol.2”:

Deusa Minha

Verão Sem Calor

Ligação Estranha

Lembra

Dois Mundos

Sábado à noite

Meu Cenário / Numa Sala de Reboco

A Vida é Você / Parte da Minha Vida

Filho do Dono

Onde Está Você

As Quatro Estações

Se Ela Dança Eu Danço

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JORNALISTA RAIMUNDO RODRIGUES PEREIRA MORRE AOS 85 ANOS

 A morte de Raimundo Rodrigues Pereira, neste 2 de maio de 2026, aos 85 anos, nos obriga a olhar para trás e reconhecer a dimensão de uma trajetória rara no jornalismo brasileiro — talvez a maior de todas.

Expulso do Instituto Tecnológico de Aeronáutica, Raimundo fez um movimento pouco convencional: deixou para trás a engenharia e escolheu o jornalismo como trincheira. Essa transição não foi apenas profissional, mas profundamente política. Em vez de cálculos e projetos técnicos, passou a lidar com a matéria viva da sociedade brasileira, buscando compreendê-la e transformá-la pela palavra.

Sua passagem pelas revistas Realidade e Veja marcou uma geração. Em Realidade, participou de um dos momentos mais criativos e ousados da imprensa nacional, ajudando a construir uma linguagem inovadora, investigativa e profundamente conectada com o país real. Em Veja, atuou em sua fase inicial, quando a revista ainda buscava um jornalismo mais analítico e ambicioso, antes de se transformar em outra coisa ao longo dos anos.

Mas foi sobretudo na imprensa alternativa, sob a sombra da ditadura, que Raimundo Rodrigues Pereira deixou sua marca mais profunda. Foi um dos fundadores do jornal Opinião, espaço decisivo de resistência intelectual e política. Em seguida, teve papel central na criação do Movimento, que se tornaria um dos mais importantes veículos de oposição ao regime militar, reunindo vozes críticas e ajudando a manter acesa a chama do debate público.

Sua inquietação jamais cessou. Raimundo também esteve à frente de projetos como o Retratos do Brasil e a revista Reportagem, sempre com o mesmo objetivo: compreender o Brasil em profundidade, dar voz aos silenciados e oferecer ao leitor instrumentos para pensar criticamente a realidade.

Mais do que os veículos que ajudou a fundar ou dirigir, foi sua postura que marcou época. Raimundo nunca se rendeu ao jornalismo acomodado, nem à falsa neutralidade que tantas vezes serve para mascarar interesses. Sua escrita era clara, firme, ancorada em princípios. Ele sabia de que lado estava — e nunca fez disso um segredo. Tampouco cedia na ferramenta que escolhera: o jornalismo rigoroso, bem apurado, colado nos fatos, sem concessões à propaganda.

Para quem teve o privilégio de acompanhar sua trajetória, fica a impressão de que Raimundo Rodrigues Pereira não apenas atravessou a história recente do Brasil, mas ajudou a moldá-la. Seu legado não está apenas nos textos ou nas publicações, mas na ideia de que o jornalismo pode ser, ao mesmo tempo, rigoroso e comprometido, crítico e transformador.

Durante muitos anos tive a honra de partilhar projetos com esse grande mestre. Convidei-o a participar em empreendimentos sob meu comando, como as revistas Página Aberta e Atenção!, e fui seu colaborador em empreitadas como a revista Reportagem. Foram tempos de ensinamentos inesquecíveis.

Sua morte encerra uma vida, mas não apaga sua presença. Ao contrário: em tempos de desinformação e de crise no jornalismo, sua trajetória se torna ainda mais necessária. Lembrá-lo é, também, assumir o compromisso de seguir adiante com sua missão.

Raimundo nasceu em Exu Pernambuco, terra de Luiz Gonzaga.

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75% DAS AMOSTRAS DAS FRUTAS E VEGETAIS NÃO ORGANICOS APRESENTAM ALGUM TIPO DE VENENO

Um levantamento recente divulgado pela Environmental Working Group acende um alerta sobre a presença de resíduos de pesticidas em alimentos consumidos diariamente. Segundo o relatório anual Guia do Consumidor para Pesticidas em Produtos Frescos, cerca de 75% das amostras de frutas e vegetais não orgânicos analisadas apresentaram algum tipo de resíduo químico, mesmo após lavagem e preparo.

O estudo, baseado em dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), analisou mais de 54 mil amostras de 47 alimentos diferentes. Os resultados mostram que pesticidas foram encontrados em praticamente todos os tipos de produtos, ainda que em níveis variados.

Entre as principais preocupações estão os chamados PFAS, conhecidos como “químicos eternos”, que permanecem no ambiente e no organismo por longos períodos. Substâncias como o fludioxonil, identificado em 14% das amostras, foram detectadas com alta frequência em frutas como pêssegos e ameixas.

Além da presença, o relatório também considera a toxicidade desses compostos. Estudos científicos citados pela entidade apontam possíveis impactos à saúde, como alterações hormonais, danos ao sistema nervoso e efeitos reprodutivos, especialmente preocupantes durante a infância e o desenvolvimento fetal.

Ainda há lacunas na pesquisa sobre os efeitos combinados de múltiplos pesticidas, o que pode representar riscos maiores do que a exposição a substâncias isoladas. Para orientar os consumidores, o guia divide os alimentos em duas listas: a “Clean Fifteen” (os 15 mais limpos) e a “Dirty Dozen” (os 12 mais contaminados).

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