EVENTO DA EBC REÚNE TV E RÁDIOS PÚBLICAS NO MÊS DE MAIO

A Empresa Brasil de Comunicação (EBC) realiza, nos dias 18 e 19 de maio, o Encontro da Rede Nacional de Comunicação Pública (RNCP) 2026, na Sala Funarte Sidney Miller, no edifício Gustavo Capanema, no Rio de Janeiro. 

O evento, exclusivo para 330 emissoras integrantes da Rede, reunirá representantes de rádios e TVs públicas de todo o país para promover cooperação institucional, trocar experiências e aprofundar estratégias de fortalecimento da comunicação pública brasileira.

O convite oficial foi assinado pelo diretor-geral da EBC, David Butter, que destaca no documento que o evento reforça os objetivos centrais da Rede, ou seja, “aprimorar o ecossistema público de comunicação e incentivar o intercâmbio de boas práticas entre as emissoras”. Também foi informada a necessidade de inscrição prévia e a responsabilidade de cada instituição pelos custos de deslocamento e participação.

Durante o encontro, emissoras poderão apresentar cases de sucesso, experiências editoriais, modelos de gestão, projetos de inovação e práticas colaborativas que contribuam para o desenvolvimento da RNCP. As propostas devem ser manifestadas no momento da inscrição, conforme orientação do ofício encaminhado às afiliadas.

Logo após o encontro da RNCP, entre 20 e 22 de maio, o edifício Gustavo Capanema também sediará o 7º Simpósio Nacional do Rádio, realizado pela EBC — por meio da Rádio Nacional — em parceria com o Grupo de Pesquisa Rádio e Mídia Sonora da Intercom. O evento é aberto ao público e celebra os 90 anos da Rádio Nacional, marco histórico da radiodifusão brasileira.

Com o tema Rádio Nacional 90 Anos: Memória, Inovação e Duturos da Mídia Sonora, o simpósio reunirá pesquisadores, estudantes, profissionais e especialistas para debater os desafios contemporâneos do rádio, papel social, evolução estética e tecnológica, e os caminhos possíveis para o futuro da mídia sonora em um ambiente cada vez mais marcado pela plataformização, pela inteligência artificial e por novas formas de escuta.


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CURSO SOBRE AGROECOLOGIA, SAÚDE E SUSTENTABILIDADE NO SEMIÁRIDO ESTÁ COM INSCRIÇÕES ABERTAS

Contribuir para a qualificação de estudantes, profissionais e integrantes de comunidades tradicionais, a partir de uma abordagem interdisciplinar que integra agroecologia, saúde coletiva e sustentabilidade. Este é o objetivo do I Curso de Formação em Agroecologia, Saúde e Sustentabilidade no Semiárido, promovido pela Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), por meio do Programa Escola Verde (PEV) e do Núcleo de Estudos em Agroecologia do Vale do São Francisco (Neovasf). 

A formação será realizada nos dias 11, 12, 18 e 19 de abril, com atividades on-line e práticas. O curso é gratuito e aberto ao público, sendo voltado para estudantes, docentes, técnicos, agricultores, lideranças de comunidades quilombolas e indígenas e demais interessados na temática.

Os interessados podem se inscrever no site do curso. As atividades on-line serão realizadas por meio do canal do PEV no YouTube, enquanto a aplicação prática ocorrerá em territórios do Vale do São Francisco. Os participantes que alcançarem frequência mínima de 70% terão direito a certificado de 30 horas, emitido por meio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico.

A programação está organizada em diferentes eixos temáticos, incluindo produção agroecológica, manejo sustentável da água, segurança alimentar, saúde da família, plantas medicinais, economia solidária e tecnologias aplicadas ao contexto rural. As atividades contemplam aulas expositivas, estudos de caso, oficinas e planejamento de ações voltadas à realidade das comunidades participantes.

O professor Paulo Ramos, do Colegiado de Ciências Sociais da Univasf e coordenador do PEV, afirma que a formação foi pensada a partir das demandas das comunidades tradicionais do Semiárido, com destaque para comunidades quilombolas, indígenas e de fundo de pasto. “Este curso nasce do reconhecimento de que as comunidades quilombolas, indígenas e de fundo de pasto são detentoras de conhecimentos fundamentais para a convivência com o Semiárido. Nosso objetivo é valorizar esses saberes e promover um diálogo horizontal com o conhecimento científico”, destacou.

Segundo Ramos, a iniciativa busca aproximar a formação acadêmica das demandas concretas das populações atendidas, promovendo uma atuação comprometida com o desenvolvimento social e com a valorização dos saberes locais. “A proposta é que o conhecimento construído ao longo do curso seja efetivamente aplicado nos territórios, contribuindo para a autonomia das comunidades, a segurança alimentar e a sustentabilidade dos sistemas produtivos locais, sempre respeitando as especificidades de cada grupo”, ressaltou o professor.

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EVOCAR RAÍZES CULTURAIS DOS ALUNOS TRANSFORMA A AULA, DIZ PESQUISADOR

A sala de aula não pode ser espaço hermético de mera reprodução de pensamentos e que não encoraje a participação e ousadia dos alunos. Mais do que isso, todo professor tem a obrigação de privilegiar a raiz e o saber cultural dos estudantes. Essa é a visão que o artista e pesquisador pernambucano Lucas dos Prazeres, de 42 anos, tem levado Brasil afora em programas de capacitação que chegam a redes públicas de ensino. 

“A brincadeira vira a base da pedagogia. É necessário promover a cultura de cada região para que os alunos possam reconhecer as raízes do seu próprio território”, afirma.

As premissas do artista vão ao encontro do que exige a Lei nº 11.645/2008, que completou, em março, 18 anos. A legislação tornou obrigatório o estudo da história e cultura afro-brasileira e indígena em estabelecimentos de ensino fundamental e médio, públicos e privados de todo o Brasil.

Lucas dos Prazeres afirma que a "tecnologia" que deve ser desenvolvida é a da rede de apoio comunitária típica dos povos tradicionais, em uma lógica de que cuidar da criança está além dos pais biológicos.

O artista, educador e mestre em cultura popular capacita, nesta semana 60 professores do Distrito Federal em um projeto promovido pela Caixa Cultural.

“É uma formação que se chama ‘Reaprender Brincando’. É um olhar que traz a cultura, as brincadeiras das tradições populares para dentro da ementa escolar”.

Ele defende a união de ensino e identidade sob uma proposta inclusiva, antirracista e representativa sem cair na ideia de que a arte deve ser apenas contemplada durante as atividades escolares.

Para o artista, a cultura está na dimensão cotidiana de cada lugar. Por isso, o caminho seria praticar todas as disciplinas com base nas histórias do município, do bairro e no modo de vida de cada comunidade. Lucas dos Prazeres afirma que seu grande aprendizado foi no  Morro da Conceição, onde nasceu e se criou. 

“Lá é uma encruzilhada de saberes, onde a diversidade cultural de Pernambuco se encontra e convive harmoniosamente na mesma praça”,diz.

Ele conta que o início das proposições da mãe, Lúcia, e da tia, Conceição, está relacionado a uma história de 1981. A família tinha uma creche-escola comunitária que recebia material do governo do estado e da prefeitura. “O material didático não correspondia à realidade daquelas crianças”. Havia textos, por exemplo, que indicavam que uma criança havia visitado a fazenda do vovô. “Tinha bastante criança na escola, mas nenhuma delas tinha um familiar com fazenda”.

Território-Lucas dos Prazeres explica que cabe aos professores de todos os níveis da educação formal (e informal) incluir a arte em sala. Até em áreas menos conhecidas para essas ousadias, como as de exatas. Sejam adultos ou crianças. “É preciso, por exemplo, conectar a primeira infância com a sua própria história, com a sua própria cultura em termos de território nacional e construir identidade cultural desde o início”, defendeu. 

Para o pesquisador, os gestores precisam entender que cultura na escola não é apenas levar um artista para fazer uma apresentação e cantar na festa. “É muito mais profundo do que isso. É necessário utilizar a cultura popular como ferramenta de aprendizado”.

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UNIVASF: DINOSSAURO DESCOBERTO EM PESQUISA ESTÁ ENTRE OS TRÊS MAIORES DO BRASIL

A descoberta da terceira maior espécie de dinossauro já encontrada no Brasil foi liderada por um pesquisador da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf). A pesquisa alcançou um novo marco neste mês de março: a espécie foi descrita no periódico Journal of Systematic Palaeontology e recebeu o nome de Dasosaurus tocantinensis, em homenagem à região do Maranhão onde foi encontrada, criando um novo gênero e uma nova espécie no Brasil. 

O estudo também identificou um parentesco entre a espécie brasileira e uma da Espanha, reforçando evidências de dispersão de espécies por rotas entre a Europa e a América do Sul há mais de 120 milhões de anos.

A pesquisa paleontológica sobre o achado foi liderada pelo professor do Colegiado de Geologia da Univasf, Elver Mayer. Os fósseis do dinossauro foram descobertos em 2021 no município de Davinópolis, no sudoeste do Maranhão, durante as obras de construção de um terminal ferroviário da Brado Logística.

Após três anos de estudos sobre os fósseis, o dinossauro, com idade estimada em cerca de 100 milhões de anos, teve seu grupo ancestral-descendente definido como os saurópodes. Dentro dessa classificação, foi identificado que o animal pertence aos titanossauriformes, que, apesar da semelhança, não são titanossauros. O grupo é caracterizado pelo pescoço alongado, cabeça pequena e alimentação herbívora, conforme descrito no Journal of Systematic Palaeontology. 

“A importância da publicação é que ela é um marco na descrição formal da espécie. Adiciona uma nova espécie de dinossauro para o conhecimento que a gente tem no Brasil”, enfatizou Mayer. O nome Dasosaurus tocantinensis tem significado ligado à sua região de origem. “Tocantinensis” faz referência ao Tocantins, enquanto “Dasos” deriva do termo grego, que significa “floresta”, em alusão ao ambiente florestal do Maranhão e à vegetação amazônica presente na região onde os fósseis foram encontrados.

Segundo o professor, a novidade representa mais do que a identificação de uma nova espécie. A descoberta do esqueleto permitiu não apenas a descrição do animal, mas também a identificação de relações evolutivas com espécies encontradas em outros continentes. A escavação detalhada e a pesquisa paleontológica também ajudam a compreender como o animal morreu, como ocorreu sua incorporação ao registro geológico e de que forma os ossos chegaram ao local onde foram encontrados. “São coisas que a gente vai conseguir responder a partir desse primeiro trabalho”, disse o docente.

A espécie Garumbatitan morellensis, que possui parentesco com a encontrada no Maranhão, foi descrita em 2023 na Espanha e apresenta idade geológica um pouco mais antiga do que a espécie brasileira. Modelagens biogeográficas indicam que o grupo provavelmente se originou na Europa e que os ancestrais do Dasosaurus tocantinensis se dispersaram por rotas que ligavam os continentes, alcançando a América do Sul entre 140 e 120 milhões de anos atrás, por meio do norte da África, quando esses territórios ainda estavam mais próximos.

As semelhanças entre as espécies incluem um conjunto de cristas presentes nas vértebras. O Dasosaurus tocantinensis possui vértebras caudais com três estrias de cada lado, uma característica encontrada exclusivamente no Garumbatitan morellensis. O fêmur de ambas as espécies também apresenta semelhanças, embora haja diferenças em alguns ângulos anatômicos. “Isso é um ponto importante também, porque diz um pouco sobre a questão de angulação que esses ossos adotaram durante o movimento de locomoção entre os continentes”, comentou Mayer.

Atualmente, os fósseis do Dasosaurus tocantinensis estão no Centro de Pesquisa em História Natural e Arqueologia do Maranhão, localizado no Centro Histórico. “Essa descoberta foi importante também por criar a ligação entre 11 instituições públicas brasileiras que trabalharam em parceria, com profissionais de diferentes especialidades. Acho isso muito positivo para a ciência nacional”, afirmou Mayer.

Segundo o professor, a descoberta mostra que o Nordeste do Brasil é uma região-chave para compreender a história evolutiva dos saurópodes e de outros grupos mais restritos. Esses avanços ampliam o conhecimento sobre a diversidade biológica dos dinossauros no Brasil e no mundo. “A importância da descoberta está em trazer não só um novo personagem, mas também o cenário e uma história, uma biografia para ele”, concluiu.

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POETA E CANTADOR ALDY CARVALHO LANÇA NESTA TERÇA-FEIRA (31)

O Povoado de Caboclo, localizado no município de Afrânio, preserva uma das expressões mais fiéis da arquitetura colonial do sertão, com casario tombado e cenário que remete ao início do povoamento da região. A localidade já serviu de cenário para filme e documentários entre outras atrativos artísticos. Agora ganha as páginas da literatura de cordel. Nesta próxima terça-feira (31), o poeta e cantador petrolinense Aldy Carvalho vai lançar no espaço O Casarão, centro de Petrolina, sua nova obra "Caboclo em Cordel" – lançado pela (Editora Nova Alexandria).

Com ilustrações na linguagem das xilogravuras fiéis aos cenários naturais do povoado, assinadas por João Gomes de Sá, o autor primeiro  traduz  diante seu vasto conhecimento literário e poético endossados por suas publicações de vários gênero, e mais uma vez, entrega sua fidelidade  com abordagens fiéis às suas origens sertanejas, e assim,  destaca com maestria o valor inestimável da  literatura de cordel, patrimônio cultural imaterial brasileiro, valorizada pela sua síntese única de poesia popular, narrativa e arte visual através da xilogravura ."Cordel é vivo, pujante. Por tantos fatos narrados, pela beleza que emana entre cantares rimados. É cultura popular, feita para registrar temas diversificados", assinala Aldy.

Nas primeiras estrofes de sua brilhante narrativa, o poeta e cantador convida o leitor a fazer uma viagem ao túnel do tempo, se transportando para Afrânio e especialmente, a comunidade do Caboclo, cujos versos apontam: "Um lugar privilegiado pelo seu legado histórico/ No Nordeste destacado".

Nas páginas adiante, Aldy traduz com entusiasmo de um poeta a garimpar histórias e memórias de um lugar de pertencimento a um povo sertanejo bravio. Nos versos iniciais, ele conecta Caboclo às suas origens como um lugarejo que "conta histórias do passado e do presente/Que projeta tanto sonhos/Os sonhos de sua gente/ Terra de bons cidadãos/De bons costumes cristãos/ E de futuro pungente.

Natural de Petrolina e  radicado em São Paulo há décadas,  ele nunca perdeu o foco de suas origens de caatingueiro.  Aldy Carvalho mantém sua obra fidedigna às coisas e causos dos Sertões. A ideia do Caboclo em Cordel era um sonho que vinha sendo alimentado por com o auxílio intelectual do arquiteto Cosme Cavalcanti (falecido em 2023) que presidia a comissão de revitalização do Caboclo.

Desde a infância Aldy já vinha arquivando em suas memórias, histórias orais de moradores do lugar. Há poucos anos fez diversas visitas ao povoado, dando início à chamada "narrativa do olhar" alinhando seu povo, costumes, saberes e seus cenários naturais para a textualidade poética".

Através dos versos finais, o poeta arremata seu encantamento para que o leitor também se atine a mergulhar na comunidade em meio à passagem do tempo. "O futuro de caboclo /Depende da juventude /Que herdará dos seus avós/ Coragem, força, atitude/De lutar com valentia/E preservar a alegria/De viver em plenitude/Do povoado de Caboclo/ Você pode ter certeza/Simplicidade e magia/ Completam sua beleza/ Seja velho ou seja novo/ O abraço de seu povo/ É de sua natureza. E assim Caboclo se firma/ Como joia do Sertão/ Pernambuco lhe consagra /O respeite e afeição/ Neste cordel como herança/Se reafirma a esperança/ Guardá-lo no coração.

No prefácio de abertura, a pesquisadora Geida Maria Cavalcanti de Souza direciona o autor para suas origens e arremata que "Poetizar Caboclo fez Aldy sentir-se da terra, enriquecer a tradição oral nordestina. Impossível conhecer Caboclo e não se apaixonar por tudo que esse povoado, localizado no Sertão de São Francisco, tem "tem para oferecer a cada um". 

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SEIS ANOS SEM MEU PAI VALDIR TELES, POR MARIA TELES

Eu não devia ter mais de cinco anos quando sonhei, pela primeira vez, com a perda do meu pai. Era madrugada. O telefone tocava. Do outro lado, a notícia: um acidente de carro havia levado Painho. Acordei assustada — e o medo era tão real que fiz minha mãe ligar para ele naquela mesma hora, só para ouvir sua bênção atravessando a linha e me devolver o chão.

Cresci com esse fantasma. Um pressentimento infantil, insistente, que eu combatia com orações simples, daquelas que só as crianças sabem fazer — diretas, puras, urgentes. Eu pedia a Deus que aquele pesadelo nunca virasse verdade.

E havia razão no medo. Painho viveu décadas na estrada — entre palcos, cantorias, poeiras e noites sem fim. Entre um pé de parede no Ceará e outro na Paraíba, atravessou o tempo e o risco com a viola no peito.

Em 1997, o susto quase se concretizou. Painho estava em um acidente que levou Severino Ferreira, poeta do Rio Grande do Norte, que um ano antes havia cantado no meu batizado. Eu não guardo sua imagem — apenas o eco infinito dos versos que ficaram.

O medo ficou. Virou parte de mim. Um gatilho, uma oração automática, um pedido silencioso: que Deus não me tirasse meu pai. E, de algum modo, Ele não tirou.

Eu temia não crescer ao lado de Painho. Mas cresci. Por 25 anos, vivi um pai inteiro: presente, amoroso, intenso, vivo. Um pai de riso largo, de abraço certo, de palavra firme. Um pai que me deixou lembranças suficientes para sustentar uma vida inteira.

Mas há um dia: 22 de março de 2020. Um domingo que existe — mas não deveria. Naquele fim de tarde, falamos por vídeo por quase quarenta minutos. Lembro de tudo: de sugerir um filme, de contar meus planos, de ouvir os dele, de perceber — ainda que disfarçado — o medo do mundo que começava a se fechar.

Desligamos quase às 18h. Fui tomar banho. Quando saí, a vida já não era a mesma. Em menos de cinco minutos, sem estrada, sem madrugada, sem velocidade — Painho partiu. Descansou. Na sua terra, nos braços de Mainha, na semana de São José. Depois de ver a Serrinha chovida. Depois de pedir um copo de suco.

Há dias que o corpo vive, mas a memória recusa. Dos dias que se seguiram, quase não lembro. E talvez seja misericórdia. Porque não havia espaço para dor dentro de uma história tão cheia de amor. Aprendi, então, que pais não se vão. Pais permanecem. Viram raiz — mesmo quando já são semente.

Hoje, seis anos depois, encontro Painho de outras formas. Na saudade que às vezes me paralisa — e às vezes me levanta mais forte. Na coragem que me sustenta. Na voz que ainda escuto quando o mundo pesa dentro de mim.

Painho segue sendo o começo de tudo que eu sou. E eu sigo tentando fazer da minha história um final digno desse início. Ele me viu crescer, estudar, sonhar. Segurou minhas mãos nos primeiros versos, acreditou nos meus escritos, me ensinou — com firmeza e afeto — a ser quem sou. Foi pai, foi amigo: e hoje é saudade.

Me ensinou que falar bonito importa. Mas viver o que se diz importa mais.

Quando penso na maternidade, dói saber que ele não estará aqui para ver. Mas escrevo. Escrevo tudo que um dia quero contar aos meus filhos sobre o avô que eles não vão conhecer — e que, ainda assim, vai viver neles.

Às vezes, recebendo pessoas em casa, me pergunto o que Painho diria. E tento acolher com o mesmo coração com que o vi abraçar o mundo inteiro. Do lado de cá, ficou uma saudade serena, profunda, agridoce e cristalina. Ficou a presença de um pai que ainda me sustenta. Mas também ficou aquela menina de cinco anos — que sempre soube que perder o pai seria a maior dor da sua vida.

Obrigada por ter sido tanto, Painho. E por continuar sendo esse combustível inesgotável na locomotiva dos meus sonhos. Tua “menina mole” segue tentando ser corajosa, firme, decente e humana. E, se conseguir, será sempre pelo trabalho bonito que o senhor fez na alma dela.

Hoje, ouvi um baião seu que ainda não conhecia, com Hipólito Moura.

E pensei: Eita nêgo cantador gigante Painho foi! Que matuto poeta, meu Deus! Obrigada por essa passagem breve e luminosa — como um cometa.

Que atravessa rápido… mas ilumina para sempre. O senhor é a eternidade que nunca será pequena, é a saudade que não será pretérita. É o verso que sustenta o meu, o mote que eu ainda não soube pagar…

Te amo desde que me entendi por gente.

Continua sendo essa presença que me sustenta e esse amor que me faz melhor. O senhor nunca será sobre os finais de domingos sombrios, mas sobre a festa das suas chegadas em cada segunda feira!

Tua “menina de Valdir”.

Mariana Teles *Advogada e poetisa

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SEMINÁRIIO DEBATE BIOMA CAATINGA

A Prefeitura do Crato, em uma ação conjunta com o Governo do Ceará e diversas instituições parceiras, realiza entre os dias 23 e 28 de março a Semana da Água e da Árvore 2026. Amparado pela Lei Municipal nº 3.440/2018, o evento busca sensibilizar a população sobre a importância da preservação dos recursos naturais, sob o lema instigante: "Quanto vale o verde do verde vale?". A programação deste ano foca na resiliência do bioma Caatinga como peça fundamental no enfrentamento das mudanças climáticas globais, trazendo atividades que unem ciência, educação infantil e mobilização comunitária.

A abertura com reflexão científica marca a segunda-feira, 23, que começa com o pé no chão no Parque Estadual Sítio Fundão, onde alunos da rede pública participarão de uma trilha educativa e rodas de conversa. No período da tarde, o debate ganha um tom técnico no CEJA com o seminário "Estratégias da Caatinga para a Resiliência Climática", reunindo especialistas da URCA, ICMBio, SEMMA e outras entidades.

Ação Prática e Educação (24/03 a 26/03)

A terça-feira, 24, será marcada pelo mutirão de limpeza no Riacho da Matinha, com o apoio do Exército Brasileiro (Tiro de Guerra), focando na saúde dos nossos corpos hídricos. Na quinta-feira, 26, as atenções se voltam para a educação infantil com o plantio de espécies nativas no CEI Eliza Jacinto e a apresentação do Projeto Horta no CEI Ailza Gonçalves Felício, em parceria com a SAAEC. O objetivo é integrar segurança alimentar e sustentabilidade desde os primeiros anos escolares.

Inovação e Reflorestamento (27/03)

A sexta-feira, 27, reserva um dos momentos mais simbólicos da semana: a inauguração da sede da Brigada Municipal de Incêndios no Sítio Caiana, acompanhada de um mutirão de plantio. Simultaneamente, no Sítio Fundão, será realizada a ação de lançamento de "bombas de sementes" para recuperação de áreas degradadas.

A tecnologia também será protagonista no Geopark Araripe, com uma oficina sobre o uso de drones para monitoramento ambiental, demonstrando como a inovação pode ser aliada da conservação.

O encerramento acontece no sábado, no Sítio Urbano do Gesso, com uma oficina prática sobre inseticidas naturais, voltada para a comunidade local, promovendo alternativas ecológicas para o cultivo urbano.

O evento tem como instituições parceiras a SEMA, SAAEC, ICMBio, URCA, Geopark Araripe, SESC, SENAC, Exército Brasileiro, ACCOA, ACAFA, CEPAN, Biruta da Terra, GEAS, entre outros coletivos e secretarias municipais.

Serviço-Semana da Água e da Árvore 2026

De 23 a 28 de março

Locais: Sítio Fundão, Sítio Caiana, Escolas Municipais, Geopark Araripe e Sítio Urbano do Gesso

Público: Estudantes, pesquisadores e comunidade em geral

A programação completa será disponibilizada nas rede sociais oficiais da Prefeitura do Crato

Por Elizangela Santos

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