O NOVO VELHO ROTEIRO PARA O FIM DO MUNDO: UMA REFLEXÃO SOBRE COMO DISCUTIMOS AS CRISES CLIMÁTICAS

O Novo Velho Roteiro Para o Fim do Mundo: uma reflexão sobre como discutimos as crises climáticas (Fonte: Por Maria Helena Almeida Estudante do curso de Jornalismo da Uneb campus DCH III – artigo de opinião desenvolvido na disciplina redação II)

Vivemos em um tempo onde as ausências definem uma sociedade que mercantiliza até o fim do mundo, como se transformar crises em produto fosse uma forma de resolver problemas. Esse conceito, ecoado pelo escritor e ativista indígena Ailton Krenak, explica a lógica mais nociva dos planos comerciais atuais. A crítica à modernidade aparece, então, não só no cotidiano, mas também nos desfechos da 30ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas (COP 30), marcada por uma ambiguidade econômica que interrompe o avanço dos acordos climáticos. Realizada no final de 2025, na cidade de Belém do Pará, considerada o coração da Amazônia por sua posição geográfica, importância cultural e econômica, a conferência permanece atual não apenas pela proximidade temporal, mas por expor contradições estruturais que seguem moldando as negociações climáticas globais.   

O que se esperava ser um momento de ação definitiva para as crises climáticas, com o peso simbólico e real da Amazônia guiando o centro do debate, tornou-se ironicamente a celebração da inércia e da desorganização. O esvaziamento político ficou evidente nas falhas logísticas e até no incêndio que paralisou temporariamente as negociações, que acabou funcionando como uma metáfora da própria crise ambiental, como se o fogo simbolizasse o abafamento das vozes que exigem urgência.

A maior evidência dessa paralisia foi a ausência de um plano claro para proibir o uso de combustíveis fósseis, como petróleo, carvão e gás, no documento final. Essa lacuna não é apenas um descuido, mas revela a força das empresas petrolíferas dentro das conferências climáticas. Segundo o relatório Cumplicidade na Destruição III, instituições financeiras como BlackRock, Citigroup, JPMorgan Chase, Vanguard e Bank of America investiram mais de 18 bilhões de dólares, entre 2017 e 2020, em empresas responsáveis pela destruição de territórios indígenas. Esses investimentos alimentam conflitos, pressionam comunidades tradicionais e ampliam violências. Paradoxalmente, são justamente as Terras Indígenas que guardam 56 por cento de todo o carbono estocado na Amazônia brasileira.

Os números reforçam a gravidade da situação. Pesquisadores da The Conversation apontam que, entre 2019 e 2021, a Amazônia perdeu mais de 10 mil quilômetros quadrados de floresta por ano, 56,6% a mais que no período anterior. Nas Terras Indígenas, o desmatamento cresceu 153%; nas Unidades de Conservação, 63,7%. Ao mesmo tempo, avançaram as campanhas de desinformação climática, que distorcem dados, confundem a população e travam políticas ambientais. Esse ambiente favorece quem lucra com a destruição e enfraquece soluções reais.

A contradição se aprofundou na postura do próprio Brasil durante a conferência. Enquanto buscava se apresentar como líder ambiental, o governo defendeu a exploração de petróleo na Margem Equatorial, próxima à Foz do Amazonas. A justificativa era financiar a transição energética, mas ambientalistas e lideranças indígenas classificaram a proposta como incoerente. A região tem ecossistemas sensíveis e comunidades tradicionais que seriam diretamente afetadas. Insistir em abrir uma nova fronteira petrolífera na Amazônia evidencia que, na prática, o lucro ainda fala mais alto do que a ciência e a proteção da vida.

Enquanto isso, cerca de três mil representantes indígenas levaram propostas baseadas em conhecimentos tradicionais, soluções sustentáveis aprimoradas ao longo de séculos. Mesmo assim, quase nada do que apresentaram entrou no texto final. Isso reforça uma injustiça histórica: os povos que mais protegem a Amazônia seguem como os menos ouvidos quando as decisões são tomadas.

O fechamento da COP 30 deixa uma mensagem preocupante. A política internacional parece preferir falar sobre a crise em vez de enfrentar quem realmente a causa. A falta de compromisso com a redução dos combustíveis fósseis, a postura contraditória do Brasil e a influência dos interesses financeiros mostram que a conferência que deveria representar um novo começo terminou repetindo a lógica de sempre, que transforma o planeta e o futuro em mercadoria, enquanto o relógio climático continua correndo.

A COP 30, sediada na Amazônia, terminou não como um farol de esperança, mas como um espelho da modernidade. Ao priorizar os bilhões de dólares do capital fóssil e ignorar a urgência da floresta e dos povos indígenas, a conferência apenas repetiu a lógica denunciada por Krenak. O roteiro traçado em Belém é, na verdade, o velho roteiro de sempre, adiar a vida pelo lucro, reafirmando a trágica vocação da sociedade em mercantilizar o próprio fim do mundo.

Por Maria Helena Almeida Estudante do curso de Jornalismo da Uneb campus DCH III – artigo de opinião desenvolvido na disciplina redação II





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DESMATAMENTO: MEIO AMBIENTE RECONHECE QUE É PRECISO ATUAR ALÉM DA FISCALIZAÇÃO

São os dois maiores biomas do país. O sistema deter, do INPE, emite alertas em tempo real. Na Amazônia, o monitoramento é feito desde 2016. Os índices mais altos foram registrados em 2022, com mais de 10 mil quilômetros quadrados de florestas derrubadas. De lá para cá, o desmatamento vem caindo.

Em 2025, a área sob alerta foi de 3.817 quilômetros quadrados, quase 9% a menos que em 2025. Foi a terceira queda seguida, e o melhor resultado em oito anos.  

O desmatamento caiu, mas o ritmo da queda também vem diminuindo. Isso mostra o tamanho do desafio para que o país consiga cumprir a meta de zerar o desmatamento ilegal até 2030.  

O ministério do Meio Ambiente reconhece que é preciso atuar além da fiscalização:  

"Investir em atividades produtivas sustentáveis, investir em atividades econômicas com a floresta em pé, investir em melhorar a produção nas áreas já desmatadas", diz André André Lima, secretário de Controle de Desmatamento/ Ministério do Ambiente.
Pelo segundo ano consecutivo, os satélites do Inpe identificaram uma redução na área destruída no cerrado, que foi de 5.357 quilômetros quadrados. Os estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia registraram os maiores índices.  

Para o presidente do instituto cerrados, o bioma tem características que dificultam o combate ao desmatamento.  

"São reduções que ainda vêm de um numero muito alto. O Cerrado já tem mais de 50% da sua área desmatada. A gente precisava frear esse desmatamento de uma maneira muito mais severa", diz Yuri Salmona, diretor do Instituto Cerrados.

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TECNOLOGIA NÃO PODE SUBSTITUIR SENSIBILIDADE HUMANA, DIZEM FOTÓGRAFOS

Não era momento de mexer na câmera quando o repórter-fotográfico Joédson Alves ouviu de uma mãe, na cidade de Irecê (BA), sobre a dor de perder dois filhos para a fome. Ficou sem palavras.

“Naquele dia, não consegui conter a emoção”.

Naquela cobertura sobre a seca no Nordeste, na década de 1990, o profissional sabia que era preciso registrar, mas também pensar sobre o melhor caminho quando a câmera veio às mãos. 

A imagem da mãe com os filhos de frente de casa foi a estratégia para sensibilizar o público, tanto quanto a cena o impactaria.

 Para ele, que tem 35 anos de profissão, as modernas tecnologias que sempre desafiam e até facilitam a vida do profissional da imagem não substituem o trabalho do ser humano que faz muito mais do que ajustar máquinas e clicar em um botão.  

Nesta quinta-feira (8), Dia do Fotógrafo, a data provoca reflexões sobre o trabalho que, como tantos outros, sofre o impacto dos avanços da inteligência artificial.

Atualmente, Joédson é gerente executivo de Imagem, Arte e Web da Empresa Brasil de Comunicação (EBC).

“O papel do fotógrafo em uma agência pública de jornalismo é fundamental para garantir o direito à informação e para a construção da memória coletiva do país”, afirmou.

Ele contextualiza que, em uma agência pública, a tecnologia está a serviço do interesse coletivo, mas é o profissional da fotografia quem define o enquadramento, o momento e a narrativa visual. 

“A combinação entre conhecimento técnico, responsabilidade social e inovação tecnológica fortalece a credibilidade da informação e assegura que a imagem cumpra seu papel como documento jornalístico e histórico”, destacou.

Essa atividade continua apaixonante, ainda que com as novidades tecnológicas, conforme destaca outro profissional, o professor de Fotojornalismo Lourenço Cardoso, do Centro Universitário de Brasília (Ceub). Ele pondera que os alunos ficam cada vez mais curiosos não só com as máquinas, mas com a potencialidade da criação humana a partir da sensibilidade aliada à tecnologia.  

O pesquisador entende que a digitalização democratizou os processos, porque a fotografia nasceu em um contexto de exclusão em vista dos altos custos com equipamentos e revelações em papel.

“A mecanização dos últimos 100 anos associada à fotografia digital permitiu que a possibilidade de produção de fotografia se expandisse para além das condições de privilégio”, afirma o professor Lourenço Cardoso.

O pesquisador avalia que a fotografia está inserida no mesmo rol das produções artísticas que atravessam a subjetividade. A fotografia é muito mais do que clicar em botões.

“Depois que se aprende a operar os equipamentos, a pessoa descobre que a fotografia é muito mais profunda do que o que a máquina consegue oferecer. Ela é, antes de tudo, um resultado de subjetividade”, diz o professor. 

"Fotógrafo é mais importante agora"
Ainda a respeito desse raciocínio, o fotógrafo Ricardo Stuckert, que tem mais de 30 anos de profissão e faz parte da quarta geração de profissionais da área da família, afirma que as fotos não apenas documentam os acontecimentos, mas também são testemunhos reais que capturam a essência e a emoção do que vivemos. 

“Com o avanço das tecnologias, especialmente a inteligência artificial, a presença do fotógrafo se torna ainda mais importante. Embora a IA possa gerar imagens, falta a sensibilidade e o olhar que só um fotógrafo pode trazer”, argumenta o secretário de Produção e Divulgação de Conteúdo Audiovisual do governo federal. 

Stuckert avalia que as imagens têm o poder de transcender palavras e oferecer uma perspectiva única sobre a realidade.

“Assim, registrá-las se torna um ato de resistência contra a desinformação e uma forma de garantir que a memória coletiva permaneça viva”, explica. 

Benefícios da IA-A respeito da influência da inteligência artificial, Joédson Alves, da EBC, acrescenta que as empresas fabricantes e desenvolvedoras de equipamentos têm se preocupado em garantir que os arquivos fotográficos ofereçam registros e provas de que a imagens foram feitas por seres humanos.

Ele exemplifica que, nas coberturas mais difíceis, os profissionais precisam garantir responsabilidade social e ética com a informação que captam. 

“A utilização da IA é benéfica para o fotojornalismo porque garante agilidade, desde que não retire a ação do fotógrafo e a sensibilidade humana”. 

O professor Lourenço Cardoso adverte que as imagens produzidas por IA se valem de uma série de bases de dados que já foram produzidos. “Mas ela não cria ou inova. Não há impressão de subjetividade naquilo”.

Para ele, os problemas que podem ser colocados em relação à fotografia podem já ter sido tratados no passado quando se discutiu a mecanização da produção fotográfica. 

“Em alguns momentos, foi discutido que fazer fotografia morreria com os novos mecanismos", diz.

"E o tempo mostrou que a subjetividade é insubstituível e o olhar atravessado por essa percepção sobre o mundo resulta em resultados fotográficos que fazem sentido para o outro, que impactam, que mobilizam e que tocam os corações”. (Agencia Brasil)
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X ENCONTRO DE SABERES DA CAATINGA ACONTECE ENTRE OS DIAS 18 A 25 JANEIRO

O 10º Encontro de Saberes da Caatinga será realizado entre os dias 18 a 25 de janeiro de 2026, em Posto da Serra, Exu (CE/PE), na Chapada do Araripe, reunindo mestres de saberes tradicionais (benzedeiras, raizeiras, parteiras) com oficinas e atividades focadas na medicina popular e cultura local, com inscrições para alimentação e pernoite (camping) disponíveis no site oficial. 

O Encontro de Saberes da Caatinga, organizado pela Rede de Agricultores Experimentadores da Chapada do Araripe. O evento tem suas raízes profundamente estabelecidas em uma prática existente na Caminhada da Troca de Saberes e na cultura local do Bioma da Caatinga e da Chapada do Araripe. Suas ações são orientadas pelos princípios fundamentais de cuidar, servir regidos pela verdade, simplicidade e amor. Assim, ao conduzir o Encontro de Saberes, busca-se promover a conexão do ser humano com o primordial, por meio do protagonismo dos mestres e mestras dos saberes tradicionais.

Os princípios do Encontro de Saberes da Caatinga são os seguintes:

Verdade, Simplicidade e Amor - base fundamental de todo o processo;

Cooperação entre todos os seres.

Valorização, fortalecimento e visibilidade.

Troca e compartilhamento de saberes.

Respeito e unidade.

A ciência é o saber ancestral dos raizeiros/as, benzedeiras/ros, parteiras, agricultores/as.

Autonomia econômica e política.

Solidariedade e acolhimento.

Cuidado consigo mesmo, com o outro e com a natureza.

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GESTÃO DE RESÍDUOS PODE LEVAR MUNICIPIOS A REDUZIR EMISSÃO DE GASES

Cidades com 100 mil habitantes podem reduzir as emissões de gases de efeito estufa em 33,5% se realizarem a gestão dos seus resíduos sólidos em nível intermediário. A conclusão é de estudo da consultoria internacional de gestão de resíduos e economia circular, a S2F Partners.

Segundo a consultoria, os municípios com gestão intermediária são aqueles que têm coleta universal, cerca de 6% de reciclagem e destinação final em aterro com captação de gás metano e queima do biogás. O levantamento mostra que a redução das emissões pode chegar a 61,7% em municípios com sistemas avançados de gestão dos resíduos sólidos. 

“Lixões ou aterros municipais sem licenciamento ambiental, ou que não adotem tratamentos adequados para gases e chorume, representam um grave risco à saúde humana e ao meio ambiente, causando poluição do ar, contaminação do solo e da água, além de favorecer a proliferação de insetos”, afirma o presidente da Associação Nacional de Municípios e Meio Ambiente, Marçal Cavalcanti.

O estudo confirma que a gestão adequada de resíduos apresenta considerável potencial de redução de emissões de gases de efeito estufa e um modelo mais avançado contribui para uma efetiva descarbonização das cidades, além de trazer inúmeros benefícios adicionais, como proteção do meio ambiente, melhores condições de saúde, geração de emprego e valorização das propriedades nas cidade. A explicação é de Carlos Silva Filho, sócio da S2F Partners e membro do conselho da Organização das Nações Unidas (ONU) para resíduos.

Atualmente, segundo dados oficiais do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento, o Brasil ainda mantém cerca de 1,6 mil lixões em operação, além de aproximadamente 300 aterros controlados. No total, isso representa cerca de 1,9 mil unidades de destinação inadequada operando no território nacional.

“Lixões ou aterros municipais sem licenciamento ambiental, ou que não adotem tratamentos adequados para gases e chorume, representam um grave risco à saúde humana e ao meio ambiente, causando poluição do ar, contaminação do solo e da água, além de favorecer a proliferação de insetos”, afirma o presidente da Associação Nacional de Municípios e Meio Ambiente, Marçal Cavalcanti.


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COMUNICAÇÃO PÚBLICA TERÁ EXPANSÃO HISTÓRICA EM 2026

A Rede Nacional de Comunicação Pública (RNCP) vai passar por um processo de expansão histórico neste ano de 2026. Já para o primeiro semestre, estão previstas mais de 30 novas estações de televisão e rádio em diversas localidades do país. A iniciativa faz parte do programa Brasil Digital, que é coordenado pelo Ministério das Comunicações (MCom) e implementado pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).

De acordo com o presidente da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), Andre Basbaum, a expansão da RNCP é um passo estruturante para garantir o direito à informação em localidades que ainda não são atendidas pela comunicação pública.

“Com esse avanço, vamos permitir que mais brasileiros tenham acesso a conteúdo de qualidade, confiáveis e que fazem a diferença na vida das pessoas. Em um ano em que a informação de qualidade é essencial, os veículos da EBC têm um papel ainda mais importante”, assegura.

O Brasil Digital tem como objetivo ampliar a oferta do serviço de radiodifusão de sons e imagens digital terrestre e ancilares em municípios onde a Empresa Brasil de Comunicação e a Câmara dos Deputados não disponham de estação licenciada para execução desses serviços.

O processo é feito por meio da escolha de instituições parceiras para administrar o local de instalação e a infraestrutura básica necessária. Os investimentos federais, por sua vez, contemplam a aquisição e instalação de equipamentos de transmissão, antenas, sistemas de recepção via satélite, nobreak, racks, sistemas de climatização, soluções de telesupervisão e a prestação de serviços técnicos especializados.

Em 2025, a EBC alcançou a marca de 14 novas estações colocadas em operação ao longo do ano, em parceria com emissoras públicas de diferentes regiões. A expansão possibilitou que a TV Brasil chegue, por meio de sua rede, a 120 milhões de brasileiros (63% da população). Já as emissoras de rádio afiliadas da RNCP e vinculadas à Rádio Nacional ou à Rádio MEC chegaram a 59 milhões de pessoas (30%). A população que recebe tanto a programação da rede de rádio quanto a de TV totaliza hoje 54 milhões (28%).

Confira os municípios que passaram a receber a programação das emissoras da EBC em 2025:

TV Digital-Pref TV em Caruaru – PE

Rede Minas em Divinópolis – MG

TV Brasil em Sapezal – MT

TV Educativa IFPR em Jacarezinho – PR

TV Nova Aldeia em Rio Branco – AC

TVE MS em Nova Andradina – MS

Rádio FM-Rádio Ceará FM, em Fortaleza – CE

Rádio IFPR, em Paranaguá – PR

Rádio Nova FM, em Cuiabá – MT

Rádio UENF, em Campos dos Goytacazes – RJ

Rádio UFES, em Vitória – ES

Rádio UFG, em Goiânia – GO

Rádio UFS FM, em Aracaju – SE

Rádio UniRV, em Rio Verde – GO

Sobre a RNCP-A RNCP é uma rede de emissoras de rádio e televisão parceiras da EBC. Seu principal objetivo é promover a comunicação pública em âmbito nacional, oferecendo conteúdos informativos, educativos, culturais e de entretenimento para a população. A RNCP visa garantir o acesso à informação e à cultura, além de promover a diversidade e a pluralidade de conteúdos regionais, conforme os princípios e objetivos da comunicação pública. A RNCP está prevista na lei de criação da EBC. (Agencia Brasil)

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O CANTO DA NATUREZA E A CIÊNCIA DO SERTÃO: 30 ENCONTRO DOS PROFETAS DA CHUVA UNE TRADIÇÃO E ESPERANÇA EM QUIXADÁ CEARÁ

O Sertão Central cearense se prepara para um dos eventos culturais mais significativos do país: o 30º Encontro dos Profetas da Chuva. Uma realização do Instituto de Pesquisa de Violas e Poesia Cultural Popular do Sertão Central, que já se consolidou como o maior do gênero no Brasil, que este ano celebra três décadas de preservação do conhecimento tradicional e da sabedoria popular que interpreta os sinais da natureza para prever a quadra invernosa.

Marcado para o dia 10 de janeiro no IFCE - Campus Quixadá, o evento é um marco no calendário cultural da região, simbolizando a esperança de um bom inverno e a resistência de um saber ancestral.

A poesia da previsão e a força dos dados-O Encontro dos Profetas da Chuva, realizado anualmente desde 1996, não é apenas uma reunião de fé e tradição; é um palco onde a observação milenar se encontra com a expectativa científica e social. Os profetas participantes, vindos de todo o estado do Ceará, Piauí e Paraíba, utilizam métodos diversificados que misturam a observação do comportamento de aves migratórias, a interpretação de sinais celestiais, a leitura de plantas e até mesmo sonhos e visões, em uma rica tapeçaria de crenças indígenas e práticas religiosas.

Nesta 30ª edição, o evento contará com a participação de 30 profetas que apresentarão suas previsões para a quadra invernosa de 2026. A quadra chuvosa no Ceará, que se concentra historicamente entre fevereiro e maio, é vital para a agricultura e o abastecimento hídrico do semiárido e a precisão das previsões populares, muitas vezes surpreendente, reforça a importância deste conhecimento como um complemento valioso aos dados da meteorologia moderna.

O evento será conduzido por Helder Cortez, um dos idealizadores do encontro, que ao lado de João Soares, empresário de Quixadá, ajudou a transformar a reunião em um patrimônio cultural.

Programação e homenagens: o sertão em festa-As celebrações do 30º Encontro se iniciam na sexta-feira (9), com o Festival Encanta Quixadá, evento que reunirá grandes nomes do repente e da viola do Sertão Central e do Ceará, como Guilherme Calixto, Jorge Macedo, Zé Vicente, Rubens Ferreira, Valdir de Lima, Jefferson Silva, Aldi Bessa e Chagas Bezerra, em uma noite de exaltação à cultura nordestina.

No sábado (10), o Encontro dos Profetas no IFCE (Campus Quixadá) será aberto com um gesto simbólico: o plantio de uma árvore no Jardim dos Profetas em homenagem à Rainha dos Profetas, dona Lourdinha (Maria de Lourdes Leite Lemos). Uma das mais emblemáticas figuras dos "Profetas da Chuva" do Ceará, sendo a primeira mulher a integrar o projeto tradicional.

Em seguida, a Orquestra Sanfônica fará sua apresentação, antecedendo o solene cortejo dos profetas no Auditório, onde o coração do evento se manifesta com a apresentação das previsões para 2026. Durante todo o evento, o hall de entrada abrigará uma feira de artesanato e produtos orgânicos, valorizando o trabalho dos artesãos e agricultores da região.

O 30º Encontro dos Profetas da Chuva é uma realização do Instituto de Pesquisa de Violas e Poesia Cultural Popular do Sertão Central, com o patrocínio da Dakota, Cosampa, Sistema Faec/Senar Ceará e Sindicato Rural. Apoio Cultural da Prefeitura Municipal de Quixadá, IFCE Campus Quixadá, Associação Cego Aderaldo de Arte e Cultura, Cagece, Instituto Dragão do Mar, Secretaria da Cultura do Estado através da Casa de Saberes Cego Aderaldo e Governo do Estado do Ceará.

A celebração dos 30 anos se estenderá até julho de 2026, com a inauguração de um monumento homenagem, uma peça de teatro, um mural comemorativo e a publicação de um livro, perpetuando a memória e a importância do Encontro.

SERVIÇO: 30º Encontro dos Profetas da Chuva de Quixadá

Data: sábado, 10 de janeiro de 2026

Horário: 09h

Local: IFCE Campus Quixadá - Av. José de Freitas Queiroz, 5000 (Estrada do Cedro)


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