LULA FAZ DISCURSO DE NATAL EM CADEIA NACIONAL DE RÁDIO E TELEVISÃO

Nesta véspera de Natal (24), o tradicional pronunciamento presidencial pelas festas de fim de ano será veiculado em cadeia nacional de rádio e televisão às 20h30. O conteúdo do discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi gravado ao longo da semana, mas não foi antecipado à imprensa.

Na noite de terça-feira (23), Lula encerrou a agenda oficial com deslocamento para a cidade de São Paulo, onde celebrará o Natal ao lado da primeira dama Janja Lula da Silva e dos filhos. Após as festividades de Natal, o presidente pretende passar o Réveillon na base naval da Restinga da Marambaia, no Rio de Janeiro.

No discurso do último ano, Lula reafirmou o cuidado com as pessoas, a prioridade aos mais pobres, o diálogo entre os Poderes e a sociedade e a defesa da democracia.  Este ano, a expectativa é que o presidente apresente um balanço de resultados alcançados pelo governo.

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DESERTIFICAÇÃO: CAATINGA É O BIOMA MAIS AMEAÇADO

A desertificação, suas consequências e diretrizes para seu enfrentamento foram pautas importantes da 30ª Conferência do Clima da ONU (COP30), realizada no último mês, em Belém (PA). Para se ter ideia, cerca de 18% do território brasileiro pode passar por este processo, sendo que grande parte desta área está localizada na região Nordeste, nas Áreas Suscetíveis à Desertificação (ASD) e seus entornos.

Segundo o Boletim Desertificação, documento lançado neste ano como resultados de pesquisas realizadas por uma coalizão entre o Instituto Nacional do Semiárido (Insa), Observatório da Caatinga (OCA), Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) e Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), nessas áreas vulneráveis e em seus entornos vivem aproximadamente 39 milhões de pessoas, que poderão sentir os efeitos deste fenômeno que afeta a produtividade dos solos, os recursos hídricos e a biodiversidade, e que compromete a segurança alimentar, a economia rural e a qualidade de vida das pessoas que habitam esses territórios.

É importante ter atenção para um dado apontado pelo Boletim: entre os anos de 2000 e 2020, esse território suscetível à desertificação expandiu 170 mil km2, fato que alerta para a urgência de medidas de enfrentamento deste desafio socioeconômico que pode resultar em maiores desigualdades sociais, intensificação da pobreza rural e migrações forçadas.

Regiões que antes eram caracterizadas por climas úmidos, como algumas áreas do Rio de Janeiro e Mato Grosso do Sul, agora enfrentam o clima subúmido seco. A nova zona árida entre Pernambuco e Bahia, com 6 mil km², é um exemplo evidente das consequências dessas transformações.

De acordo com estudos realizados entre 2001 e 2021, a degradação cresceu até 5,5% nas terras de pequenos agricultores. Territórios Indígenas e Quilombolas também perderam áreas conservadas. Isso significa menos milho, feijão, mandioca no prato e mais insegurança alimentar nas mesas das pessoas que vivem no sertão. Além disso, As secas severas, cada vez mais longas, atingiram 90% das áreas suscetíveis à desertificação e deixaram metade desse território por mais de três anos consecutivos sob colapso hídrico. O resultado é cruel: rios secando, preços de alimentos subindo e famílias dependendo de programas de emergência para não passar fome.

É no Norte e no Nordeste onde esses impactos tendem a ser ainda piores. Já é possível observar que algumas áreas dessas duas regiões já registram mais de 54 meses sob seca severa e longa, ou seja, mais de 15% do tempo avaliado. Nas Áreas Suscetíveis à Desertificação (ASD) e entorno, 90% do território registraram ao menos 18 meses de seca severa, enquanto 50% dessas áreas passaram mais de 36 meses nessa situação crítica.

A Caatinga, bioma exclusivo do território brasileiro, é um dos mais afetados, com 11% de sua extensão em estado de degradação crítica e severa, o que equivale a 100 mil km2. Além disso, as pesquisas apontam que na extensão das áreas conhecidas como Suscetíveis à Desertificação esses processos já afetam de forma crítica e severa 14,2% do território, com sinais claros de erosão e a diminuição dos teores de carbono, fósforo e nitrogênio nos solos.

Para Aldrin Marin, pesquisador do Insa e um dos autores do Boletim Desertificação, é um grande desafio romper com um círculo vicioso que se retroalimenta há décadas no Brasil, sustentado por um processo histórico-colonial que aprofunda desigualdades e fragiliza o território. Segundo o cientista, esse ciclo tem sido a raiz da desertificação, da perda de biodiversidade e do agravamento das mudanças climáticas.

“É justamente essa lógica histórica que se atualiza no presente. O modelo econômico atual, baseado em commodities e grandes empreendimentos, tem agravado a crise. Usina eólicas e solares mal planejadas, agronegócio, monoculturas irrigadas e mineração intensiva ocupam o território sem respeitar limites ambientais nem as comunidades locais”, destaca.

Apesar da vulnerabilidade de suas áreas, o Semiárido brasileiro vem conquistando protagonismo como laboratório de resiliência e exemplo de convivência com os efeitos das adversidades climáticas, principalmente por meio de práticas agrícolas sustentáveis e regenerativas, ao mesmo tempo em que protege sua biodiversidade.

“No coração do Semiárido, brotam práticas de Agroecologia, cisternas comunitárias, quintais produtivos e bancos de sementes crioulas. Experiências que mostram que resistir é possível e que regenerar a terra é também regenerar a dignidade. É o momento de fazermos do Semiárido um espaço de produção de soluções que contribuam para reverter o quadro atual de degradação e promover a sustentabilidade na nossa região. Ao lado de nossos parceiros, instituições científicas e comunidades locais, vamos trilhar o caminho para garantir um futuro próspero para o Semiárido brasileiro”, ressalta Aldrin Marin.

Para o pesquisador, a convivência com o Semiárido, a preservação da Caatinga e o combate à desertificação exigem uma abordagem integrada que contemple as potencialidades da região e promova soluções adequadas às suas características ambientais e sociais. Esse caminho envolve uma mudança de paradigma, especialmente em relação ao modelo de desenvolvimento econômico atual.

“O sistema de consumo desenfreado e o modelo econômico linear de produção e exploração dos recursos naturais são incompatíveis com a ideia de desenvolvimento sustentável. Para combater a desertificação, é necessário adotar uma visão holística, que priorize a conservação ambiental e a justiça social”, ressalta.

Caminhos para soluções-Marin destaca como caminho para soluções a transição para energias renováveis, como a eólica e a solar, que já representam uma parte significativa da matriz elétrica brasileira, mas enfatiza que a transição deve ser acompanhada por uma gestão que respeite os ecossistemas e os direitos das populações locais. A democratização do acesso à terra, a regularização fundiária e a garantia dos direitos territoriais das comunidades quilombolas e povos indígenas como questões fundamentais para o avanço de um modelo de desenvolvimento mais justo e sustentável.

“Precisamos substituir a lógica de ‘viver melhor’, que assume um crescimento ilimitado e a exploração desenfreada dos recursos naturais, pelo ‘bem viver’. Conceito baseado em suficiência, equilíbrio e harmonia com o meio ambiente, que propõe um modelo de desenvolvimento mais sustentável, que respeita os limites naturais do Planeta”, finaliza.

As diretrizes propostas pela Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca (UNCCD) indicam que o enfrentamento da desertificação deve ir além da recuperação ambiental, devendo promover mudanças estruturais nos territórios, com participação social, valorização dos saberes locais, transversalidade nas políticas públicas e fortalecimento da resiliência comunitária.

Para enfrentar esses desafios, a Sudene vem atuando por meio do Plano Regional de Desenvolvimento do Nordeste (PRDNE), com duração entre os anos de 2024 e 2027, abordando a desertificação como um desafio estratégico para o Nordeste brasileiro, com ações específicas voltadas para o combate e a mitigação desse processo:

Recuperação de ecossistemas degradados, com prioridade para o bioma Caatinga, mediante ações de revegetação, manejo sustentável do solo e implementação de sistemas agroflorestais adaptados ao Semiárido

Ampliação da infraestrutura hídrica, com construção de barragens, cisternas e sistemas de irrigação eficientes, garantindo acesso à água para consumo humano e produção

Fomento a práticas produtivas resilientes, como a Agroecologia e a criação de animais adaptados, associadas a programas de capacitação técnica e acesso a mercados

Monitoramento e alerta precoce, com modernização de sistemas de acompanhamento da degradação do solo e integração de dados climáticos (Fonte_Agencia Eco Nordeste/Alice Sales e Isabelli Fernandes)

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JORNALISTA NEY VITAL RECEBERÁ MENÇÃO HONROSA EM EXU, TERRA DE LUIZ GONZAGA

O  jornalista Ney Vital vai receber na quinta-feira  (11) uma Menção Honrosa da Prefeitura do Exu, Pernambuco. O reconhecimento é justificado pela dedicação e contribuição para o desenvolvimento turístico, educativo e cultural de Exu, Terra de Luiz Gonzaga e de Barbara de Alencar.

A cerimônia será realizada durante a inauguração do CAT GONZAGUINHA-Centro de Atendimento ao Turista), às 18hs na Praça da Estátua de Luiz Gonzaga.

Ney Vital é jornalista e técnico em agroecologia e atua há mais de 30 anos na produção de jornalismo para TV e Rádio. Atua no Sistema de Comunicação REDEGN e aos domingos 10hs, apresenta e produz o programa Nas Asas da Asa Branca Viva Luiz Gonzaga e seus Amigos, na Rádio Educadora do Cariri FM 102.1.

Em dezembro de 2020 Ney Vital recebeu o título de Cidadão da Cidade de Exu.


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IGUALDADE RACIAL AINDA É CENÁRIO DISTANTE, AVALIAM ATIVISTAS NEGRAS

Avanços obtidos por políticas como as cotas raciais e a demarcação de territórios quilombolas contratastam com um cenário de recrudescimento da violência racial e movimentos que negam o racismo. Na visão de ativistas do movimento negro ouvidas pela Agência Brasil para o Dia da Consciência Negra, a igualdade racial ainda é um cenário distante, mas a luta da população negra avança em sua direção. 

A assessora política do Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc), Carmela Zigoni, não acredita que haja muito a ser comemorado no Brasil em termos de avanços em igualdade racial.

“São muitos os desafios ainda. A gente está longe de alcançar uma equidade racial de fato no Brasil, um país muito racista. E o avanço também dessa ideologia conservadora volta com uma série de práticas que estavam até melhorando, como o racismo mais direto, mais violento, a exemplo do que aconteceu com a invasão de uma escola que estava ensinando a história da cultura afro-brasileira e a professora foi ameaçada”, criticou Carmela, em entrevista à Agência Brasil.

Carmela se referiu à invasão da escola Emei Antônio Bento, situada no bairro do Butantã, na capital paulista, por policiais militares armados, depois de terem recebido a ligação do pai de uma criança de 4 anos que desenhou um orixá em uma tarefa escolar. O pai também é militar e não gostou que a filha estivesse aprendendo sobre a história e a cultura afro-brasileiras, apesar de a Lei 10.639/2023 garantir que o ensino sobre a contribuição afro-brasileira é uma obrigação das escolas. O caso ocorreu no último dia 12 e provocou repúdio de parlamentares e entidades.

“Então, acho que a gente deu alguns passos para trás como sociedade e como instituições também, porque a gestão do governo Bolsonaro foi extremamente racista, ao retirar a política de igualdade racial do plano de governo”, acrescentou.

Ela elogiou a retomada da política de igualdade racial no país pelo governo federal, que colocou a política de novo no plano plurianual, fez os decretos de regularização fundiária para as populações quilombolas e começou a colocar orçamento para essa política pública acontecer.

Para Carmela, a reestruturação da política de igualdade racial em âmbito federal e, principalmente, do Sistema Nacional de Promoção da Igualdade Racial (Sinapir), bem como o retorno do orçamento para essa política pública, são os pontos positivos a serem destacados no Dia da Consciência Negra.

Na análise da ativista de direitos humanos e fundadora da organização não governamental (ONG) Criola - Pelos Direitos das Mulheres Negras, Lúcia Xavier, a mudança de um governo conservador para outro mais democrático melhorou um pouco o ambiente para a população negra brasileira.

"Mas [isso] não pode ser entendido como avanço dos direitos, sobretudo da população negra, como igualdade racial ou mesmo pelas condições dos direitos das mulheres”, disse à Agência Brasil.

Apesar disso, para Lúcia, há muitas boas intenções, mas nada que vença a desigualdade e impeça o nível de violência e desigualdade a que essa população está exposta.

“Você tem uma ação afirmativa voltada para a educação, o que é uma coisa muito positiva, mas, em compensação, não tem trabalho, há uma violência policial enorme, você tem dificuldade de permanecer nas universidades, os trabalhos com melhores condições não estão disponíveis para essa população, e você acaba sofrendo as consequências desse processo”.

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"MESTRINHO DE DISCÍPULO AGORA É MESTRE", DIZ GILBERTO GIL

Nome de batismo é Edivaldo Junior Alves de Oliveira. No mundo da música brasileira e internacional é Mestrinho. O cantor, compositor e sanfoneiro Mestrinho, ao lado dos cantores João Gomes e Jota.pê, conquistou o Grammy Latino 2025, com o álbum "Dominguinho". A entrega do prêmio aconteceu na última em Las Vegas, nos Estados Unidos.

Este final de semana Mestrinho esteve em Fortaleza. Durante o show, Eterno Rei, Gilberto Gil declarou: "o discípulo de Dominguinhos, agora também é mestre". Mestrinho visitou o escritor da biografia de Luiz Gonzaga, Paulo Vanderley que através das redes sociais destacou a festa do centenário de Luiz Gonzaga em Exu, quando Mestrinho tocou para Dominguinhos naquele que foi a ultima apresentação do mestre Dominguinhos.

Mestrinho é um sanfoneiro, cantor e compositor, considerado um dos discípulos mais proeminentes de Dominguinhos. A relação musical entre os dois começou quando Dominguinhos convidou Mestrinho para tocar em seus shows, e o mestre, vendo o potencial do jovem, o incentivou.

O jornalista Renato Teixeira/Jornal Unesp, define que Mestrinho carrega a herança de Dominguinhos e Luiz Gonzaga em seu trabalho, mas busca inovar e trazer sua própria personalidade musical. Mestrinho sente que Dominguinhos o ensinou não apenas sobre música, mas sobre a vida, e que o mestre era a personificação de sua música.

“Eu não escolhi a música, a música me escolheu. Quando vi, não havia outro caminho a seguir.” É esse sentimento forte de vocação, combinada com muito talento, que está por trás da trajetória de um dos principais sanfoneiros do Brasil hoje. Mestrinho foi discípulo de um dos principais nomes do instrumento no Brasil, Dominguinhos, e já compartilhou o palco com luminares da MPB do porte de Gilberto Gil, Hermeto Pascoal e Elba Ramalho.

Nascido na cidade de Itabaiana, Sergipe, em 1988, Erivaldo Júnior Alves de Oliveira, o Mestrinho, sempre viveu dentro de um universo musical. Neto do tocador de sanfona de “oito baixos” Manezinho do Carira, filho do sanfoneiro Erivaldo de Carira, e tendo como irmãos a cantora Thaís Nogueira e o também sanfoneiro Erivaldinho, ele herdou um DNA musical. Começou a tocar sanfona na infância e desde pequeno foi influenciado pela música de Luiz Gonzaga, Dominguinhos, Sivuca, Oswaldinho do Acordeon, Hermeto Pascoal, Pixinguinha, Jacob do Bandolim, Gilberto Gil, Milton Nascimento e Elba Ramalho, entre outros.

“A minha relação com a música começou antes de eu nascer, pois quando minha mãe estava grávida, ela já sonhava com um filho sanfoneiro. Nasci num berço musical, ouvindo muita sanfona, iniciando com Luiz Gonzaga. Com 5 anos ganhei meu primeiro acordeon e comecei a tocar. Asa Branca foi a primeira música que aprendi. Depois fui aprendendo outras canções. Desde então, minha relação com a música foi e continua sendo de muito carinho, valorização e respeito, pois é uma coisa preciosa em minha vida”, diz.

Desde o início, sua formação musical seguiu por uma via natural, intuitiva e autodidata. Apesar de frequentar por um breve período uma escola de música, seu aprendizado principal se baseava em sua grande percepção musical e auditiva. Graças a ela, rapidamente conseguia executar e reproduzir em seu instrumento as notas e acordes que escutava. Esta facilidade abriu caminho para a precoce decisão de viver de música.

“Não lembro muito do meu processo de aprendizagem, não tenho essa memória do  tipo ‘comecei aqui, desenvolvi ali’. Foi como se eu tivesse dormido e acordado sabendo tocar música. Por isso também não tenho didática para dar aulas, apontar um ou outro caminho. Deixo para os professores o ensino. Eu não me considero um professor, me considero uma pessoa que explora a música”, diz.

Já aos 17 anos, Mestrinho e sua irmã se mudaram de Aracaju para São Paulo e criaram o Trio Juriti. Juntos participaram de festivais e se destacaram pela composição da música autoral “Mais um dia sem te ver”. Ainda nesse trio gravaram dois álbuns intitulados Forró irresistível e Cara a Cara que contaram com a participação dos emboladores Caju e Castanha e com a produção do compositor João Silva, um dos maiores parceiros de Luiz Gonzaga.

Desde o início, o estilo de forró tradicional predominou na trajetória de Mestrinho. Porém, após conviver e tocar com Dominguinhos, o músico sergipano ampliou sua percepção sonora e alçou novos voos artísticos.

“Dominguinhos é um Deus da música pra mim. Um dos maiores artistas e músicos no quesito do conhecimento puro da música, da conexão única que existe entre o universo e a música. Ou seja, as mensagens que a gente recebe do universo e transforma em música”, diz. 

” Essa vivência foi uma espécie de reconexão. Como se nos conhecêssemos de outra vida e nos reencontrássemos, pois a gente acreditava em muitas coisas similares. A humildade, os conselhos de vida, da música… Dominguinhos me fez enxergar a importância do respeito pela música. A  fazer o melhor para a música, fazer música para melhorar o dia das pessoas, e não para o meu ego ou de outras pessoas. Comecei a enxergar a música de outra forma, com outras características. A usar harmonia moderna, tocar jazz… Ele abria esses caminhos e a partir daí pude ouvir outros gêneros que abrangem a música nordestina e também sonoridades modernas.”

Durante sua carreira, além de Dominguinhos, Mestrinho já teve a honra de dividir o palco com artistas consagrados como os já mencionados  Gilberto Gil, Hermeto Pascoal e Elba Ramalho, além de Rosa Passos, Antônio Barros e Cecéu, Zélia Duncan, Geraldo Azevedo, Jorge Aragão, Gabriel o Pensador, Paula Toller, Luciana Mello, Diogo Nogueira, Toni Garrido, Margareth Menezes, Elza Soares, Benito di Paula e Zeca Baleiro, entre outros.

Em 2014 lançou o primeiro álbum solo, intitulado Opinião, que conta com a participação do Gilberto Gil na faixa “Superar” de autoria do próprio Mestrinho. O trabalho também traz a participação de sua irmã Thais Nogueira na faixa “Arte de quem se ama” do compositor Elton Moraes. O álbum teve uma excelente repercussão de mídia e público. De lá pra cá, Mestrinho lançou outros diversos trabalhos, singles e canções que ampliam sua popularidade e o colocam como um dos principais nomes do acordeon no Brasil. 

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ARTICULAÇÃO SEMIÁRIDO DEFENDE CONVIVÊNCIA COM A SECA NA COP 30

No contexto em que o comprometimento dos países signatários do Acordo de Paris com a redução da emissão dos gases de efeito estufa está aquém do necessário para garantir que o aumento da temperatura mundial não ultrapasse 1,5 ºC, a adaptação às mudanças climáticas é um dos temas mais importantes da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30).

 O evento, que acontece de 10 a 21 de novembro em Belém (PA), conta com a participação de representantes do Semiárido brasileiro, região que é um verdadeiro celeiro de soluções climáticas de base comunitária. 

Para Cícero Félix, da coordenação executiva da Articulação Semiárido Brasileiro (ASA Brasil), as soluções para enfrentamento às mudanças climáticas precisam ser construídas com base na experiência dos povos indígenas, comunidades tradicionais e agricultores: 

“Os chefes de estado, as grandes lideranças globais, têm chamado atenção de que nós precisamos construir um caminho para sair da dependência dos combustíveis fósseis e para redução e eliminação do desmatamento, as duas principais causas da emergência climática. Esse caminho passa necessariamente pela inteligência coletiva dos povos que vivem nos biomas, pelos saberes ancestrais dos povos, pelos conhecimentos desenvolvidos por eles em parceria com os institutos e centros de pesquisas, com as universidades, enfim, mas os povos devem ser colocados na centralidade, no protagonismo da construção desse caminho. E, nós da ASA, temos construído esse caminho há mais de 20 anos”, defende Cícero Félix.

A ASA nasceu justamente da necessidade dos povos do Semiárido brasileiro aprenderem a conviver com um clima marcado pela concentração de chuvas em parte do ano e estiagem no restante dos meses. A Articulação, que congrega hoje mais de 3 mil organizações de todos os estados do nordeste e do norte de Minas Gerais, já participou de cinco Conferências das Nações Unidas de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca. Além disso, é um ator central na propagação de uma das tecnologias mais populares de adaptação climática: as cisternas. 

As mais de 1,5 milhões de cisternas e outras tecnologias hídricas espalhadas pelo Brasil e por outras regiões áridas e semiáridas do mundo permitem que as famílias possam estocar água para beber e plantar, mesmo durante a estiagem. 

Representantes da ASA seguram bandeiras no pavilhão da da Conferência  das Nações Unidas de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca (UNCCD).

Articulação Semiárido Brasileiro (ASA) participa da Conferência das Partes (COP) da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca (UNCCD), a COP16, na capital saudita.

Há quase três décadas, a ASA trabalha com a noção de “convivência com o Semiárido”, uma perspectiva de vida baseada nas comunidades sertanejas que tem como princípio a estocagem de água, alimentos e sementes. Nesse modo de vida, valoriza-se plantas e a criação de animais que se adaptam ao clima do Semiárido. Para traduzir essa forma de encarar os desafios climáticos, a articulação escolheu como mensagem para levar para a COP30: “Convivência é o nosso jeito de mudar o mundo”. 

Outro grande motivo para os povos do Semiárido estarem presentes na COP 30 é que grande parte deles vivem na Caatinga, um bioma que só existe no Brasil e que possui uma importância grande no mecanismo de sequestro de carbono da atmosfera, como aponta um estudo do INSA e do Observatório da Caatinga e Desertificação. 

No entanto, este bioma está fortemente ameaçado. Uma das consequências do aumento da temperatura global é a desertificação, um processo de evapotranspiração da água do ambiente, que o torna mais seco, menos fértil e menos propício à biodiversidade. Esse efeito já pode ser sentido no Brasil, que em novembro de 2023 recebeu a triste notícia do aparecimento de uma zona árida na região que fica entre o estado da Bahia e Pernambuco. Sival Fiúza, um jovem de 22 anos da comunidade rural quilombola Ponta da Serra, município de Serra Talhada (PE), é dessa região e está na COP30 para discutir esta e outras questões.

“Minha comunidade fica entre a região do Sertão do Moxotó, de Itaparica e também do Sertão do Pajeú. Principalmente na região de Itaparica, a gente percebe que esse processo [desertificação] vem crescendo constantemente. A gente não consegue ver mais plantas nativas da Caatinga, como a aroeira […] Antes, com os saberes ancestrais, a gente conseguia perceber quando ia chover, por exemplo. Hoje em dia a gente não consegue ter essa métrica”, conta Sival. 

Para Silval Fiúza e para outros caatingueiros, como se autodenominam aqueles que vivem na e da Caatinga, a COP 30 é uma oportunidade dar visibilidade ao bioma:

“A gente vem com um foco principal de mostrar a floresta da Caatinga, mostrar que o Semiárido vem passando por um processo de invisibilidade dentro dessas pautas de negociações [climáticas] à nível mundial. E mostrar a potência que a gente tem a oferecer, levando em consideração todas as tecnologias sociais que a gente consegue produzir, mostrar que a Caatinga e as regiões semiáridas da América Latina têm muito a oferecer e tem muito a contribuir para o mundo nessa questão do debate climático à nível global”, defende Sival Fiúza.

O Semiárido também tem se tornado uma região estratégica para a implantação de usinas eólicas e solares e, portanto, importante na transição do uso de combustíveis fósseis para as energias renováveis. Segundo dados da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica), o ano de 2024 terminou com 1103 usinas eólicas instaladas no Brasil, sendo que a maior parte delas na região Nordeste, responsável por 92,2% da energia produzida por este setor. Em relação à energia solar, segundo a Aneel, até a data da publicação desta notícia, o Brasil possuía 2664 usinas fotovoltaicas, sendo 1749 instaladas no Nordeste. 

O que poderia ser uma boa notícia para o avanço do cumprimento das metas climáticas, na realidade, tem impactado negativamente territórios agroecológicos experientes no desenvolvimento de tecnologias, práticas e políticas de enfrentamento climático. Agricultoras e agricultores têm denunciado que estes empreendimentos energéticos vêm sendo implantados sem diálogo com as comunidades e tem causado enormes danos ambientais e sociais. 

Para Roselita Victor, que é agricultora e integrante da Marcha pela Vida das Mulheres e pela Agroecologia, um movimento que vem denunciando os impactos causados pelos empreendimentos energéticos na Paraíba, a mitigação e adaptação às mudanças climáticas não pode acontecer sem justiça climática: 

“E a questão da justiça climática, ela está na ordem do dia e acho que nós temos muito o que conversar no Brasil. Temos que ter uma outra matriz energética renovável, ótimo, mas é preciso repensar os modelos de como essa energia, por exemplo, está sendo conduzida, implementada no Semiárido, que está retirando as famílias agricultoras, que é quem conservam a natureza. Porque quem fez toda essa crise ecológica não foram os agricultores e nem as agricultoras”, aponta Roselita Victor. 

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RÁDIO EDUCADORA: NEY VITAL SACODE O FORRÓ NO RITMO DO JORNALISMO TODOS OS DOMINGOS

O Programa ‘Nas Asas da Asa Branca – Viva Luiz Gonzaga e seus Amigos’ agora tem novo horário e é apresentado aos domingos a partir das 10h na Rádio Educadora do Cariri FM 102.1, no Crato, Ceará.

Em defesa do Meio Ambiente e Valorização da Cultura Brasileira o jornalista Ney Vital recebeu Moção de Aplausos da Câmara de Vereadores, terra onde nasceu Padre Cícero. A homenagem, aprovada pelo Poder Legislativo, foi apresentada pelo vereador José Wilson da Silva Gomes (Wilson do Rosto) e aprovada por unanimidade.

A produção e apresentação do programa é do jornalista Ney Vital, colaborador da REDEGN. O programa é pautado em músicas de Luiz Gonzaga, informações em defesa do meio ambiente, agroecologia (destacando a Floresta Nacional da Chapada do Araripe e o Rio São Francisco), a cultura da região, seus cantadores de Pífano, aboiadores e violeiros.

‘Nas Asas da Asa Branca – Viva Luiz Gonzaga e seus Amigos’ segue uma trilogia amparada na cultura, cidadania e informação. Programa com roteiro usado para contar a história da música brasileira a partir da voz e sanfona de Luiz Gonzaga, seus amigos e seguidores.

Ney Vital considera o programa “o encontro da família brasileira”. Ele não promove rituais regionalistas, a mesquinhez saudosista dos que não se encontram com a arte e cultura, a não ser na lembrança. Ao contrário, o programa evoluiu para a tecnologia digital e forma de espaço reservado à cultura mais brasileira, universal, autêntica, descortinando um mar, cariri sertões de ritmos variados e escancarando a infinita capacidade criadora dos que fazem arte no Brasil.

É o conteúdo dessa autêntica expressão nacional que faz romper as barreiras regionais, esmagando as falsificações e deturpações do que costuma se fazer passar como patrimônio cultural brasileiro. Também por este motivo no programa o sucesso pré-fabricado não toca e o modismo de mau gosto passa longe.

“Existe uma desordem, inversão de valores no jornalismo e na qualidade das músicas apresentadas no rádio”, avalia Ney Vital que recebeu o Título de Cidadão de Exu, Terra de Luiz Gonzaga, título Amigo Gonzagueano Orgulho de Caruaru, e Troféu Luiz Gonzaga do Espaço Cultural Asa Branca de Caruaru e o Troféu Viva Dominguinhos-Amizade Sincera em Garanhuns.

Bagagem profissional-Ney Vital usa a credibilidade e experiência de 30 anos atuando no rádio e TV. Nas afiliadas da Rede Globo (TV Grande Rio e São Francisco), foi um dos produtores do Globo Rural, onde exibiu reportagens sobre Missa do Vaqueiro de Serrita e festa de aniversário de Luiz Gonzaga e dos 500 anos do Rio São Francisco, além de dezenas de reportagens pautadas no meio ambiente do semiárido e ecologia.

Membro da Rede Brasileira de Jornalismo, Ney Vital é formado em Jornalismo na Paraíba e com Pós-Graduação em Ensino de Comunicação Social pela Uneb/Universidade Federal do Rio Grande do Norte. 

“Nas Asas da Asa Branca, ao abrir as portas à mais genuína música brasileira, cria um ambiente de amor e orgulho pela nossa gente, uma disseminação de admiração e confiança de identidade cultural em nosso povo, experimentada por quem o sintoniza a RADIO EDUCADORA em todas as regiões do Brasil", finaliza Ney Vital.

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